Portugal. Longas filas nos aeroportos refletem aumento do turismo e infraestrutura desadequada

Foto de abertura (arquivo)

Longas filas nos aeroportos refletem aumento do turismo e infraestrutura desadequada

 

Alfa/com Lusa (adaptação Alfa)linkedin sharing button
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A inspetora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) Ana Vieira disse ontem que as longas filas de espera no aeroporto de Lisboa refletem o aumento exponencial do turismo e uma infraestrutura desadequada para o número de passageiros.

« Muito honestamente, não estávamos preparados para este aumento exponencial de turismo e de passageiros, e a própria infraestrutura, como o senhor ministro da Administração Interna já disse, também não está adequada a esta realidade », disse a inspetora Ana Vieira em declarações aos jornalistas no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, na sequência de várias notícias que dão conta de longas filas e de horas de espera para os passageiros que chegam a Lisboa.

« A espera que hoje (ontem) se verificou significa que com as posições [de controlo de entradas], todas ocupadas, não conseguimos minorar os tempos de espera », admitiu a inspetora, salientando que « entre as 5:00 e as 14:00 foram controlados mais de 11 mil passageiros, com todas as 16 posições ocupadas, e ainda com os e-gates [de entrada rápida] a funcionar, e apesar disto resultou uma espera de aproximadamente duas horas ».

Nas declarações à imprensa, a inspetora Ana Vieira afirmou ainda: « Tentamos adequar o plano de contingência à realidade com que nos vamos deparando, mas eu tenho muita experiência de aeroporto e não me recordo nunca destes tempos de espera, nem deste volume de passageiros, é uma realidade nova com que nos deparamos ».

Questionada sobre se o panorama vai agravar-se no verão, com o previsível aumento de passageiros, a inspetora mostrou-se esperançada que o plano de contingência, que prevê a contratação de mais efetivos para o SEF e a alocação de outros departamentos para o controlo das chegadas, possa melhorar a situação, mas sem dar garantias.

« Se vai manter-se ou se vai intensificar-se no verão… o aumento exponencial de efetivos para a realidade que temos atualmente poderá evitar que em situação de necessidade de efetuar um embarque, tenhamos pessoal disponível sem ter de ir retirar à zona de fronteira », exemplificou.

Ana Vieira salientou ainda que o trabalho do SEF não é apenas controlar as chegadas e partidas de passageiros e vincou a pressão a que estes trabalhadores estão sujeitos.

« Temos esperança que a situação melhore, não só para os passageiros, mas também para nós, porque a pressão a que estamos sujeitos é muito forte; a atividade do SEF não é só controlo de chegadas, há outras valências, e a questão é que continuamos a ter de corresponder a essas vertentes que não podem ser descuradas, senão o nosso trabalho não estará a ser bem feito », concluiu.

A conferência de imprensa seguiu-se a um comunicado divulgado ao princípio da tarde de ontem, no qual o SEF justificou a razão da « demora acentuada » com um pico de passageiros, nomeadamente 3 mil de voos que são controlados por esta entidade.

No comunicado, o SEF recorda que o Plano de Contingência para os aeroportos portugueses – também implementado em anos anteriores – iniciou-se a 02 de junho e estará a funcionar em pleno só a partir de 04 de julho, altura em que o reforço de 238 efetivos do SEF e da PSP ficará completo, totalizando 529 elementos.

« Ainda esta semana está previsto no referido Plano de Contingência, a partir de 15 de junho, o aumento do reforço interno nos aeroportos de Lisboa e Porto, por elementos de outras unidades do SEF, num esforço crescente de empenhamento que é gradual até ao mês julho », explica o SEF.

Os três aeroportos mais reforçados ao longo deste período com recursos humanos – indica o SEF – são o de Lisboa (mais 102 elementos policiais, ou seja +73% do efetivo), Porto (mais 49 elementos, +122%) e Faro (com mais 45, representando +76%).

O SEF refere ainda que esta semana também está programado o alargamento da utilização das e-gates, no projeto RAPID4ALL, a mais duas nacionalidades, designadamente Canadá e EUA, aumentando para sete as nacionalidades que passam a poder usar esta funcionalidade nas entradas nos aeroportos nacionais.

Já no domingo a entidade que gere os aeroportos nacionais, a ANA Aeroportos, tinha alertado para os tempos de espera a que os passageiros estavam sujeitos.

Os tempos de espera na área das chegadas do aeroporto de Lisboa ultrapassaram no domingo as três horas, devido à “insuficiência de recursos e de postos de controlo de fronteira SEF em funcionamento”, disse a ANA Aeroportos.

“Hoje (ontem) voltamos, infelizmente, a assistir a tempos de espera elevados que ultrapassaram as três horas na área das chegadas do aeroporto de Lisboa devido à insuficiência de recursos e de postos de controlo de fronteira SEF em funcionamento”, referiu a ANA Aeroportos, em comunicado.

O Livro da Semana. “Na Senda de Fernão Mendes Pinto” e « Madalena ». 2 próximos programas

O Livro da Semana, sumário dos dois próximos programas.

5, 19 e 21 junho: JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO, autor de « NA SENDA DE FERNÃO MENDES PINTO » 

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (12h30), aos domingos (14h30) e às terças (01h30). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

 

Ou ouça aqui:

 

Em destaque esta semana: JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO, autor de « NA SENDA DE FERNÃO MENDES PINTO » 

Joaquim Magalhães de Castro é talvez o português que melhor conhece a Ásia.

É autor de vários livros como “Mar das Especiarias”, que retrata uma viagem pela Indonésia, “Viagem ao Teto do Mundo”, que, como o título indica, descreve a sua viagem ao Tibete ou o livro que o traz aqui ao LIVRO DA SEMANA: “Na Senda de Fernão Mendes Pinto”, que nos conta a história desse extraordinário viajante português do século XVI.

 

Joaquim é também autor de vários documentários televisivos, entre os quais um que tem ganhado relevância nestas últimas semanas: “Bayingyi, a Outra Face da Birmânia”. Um documentário que se liga a outro livro, “Os filhos esquecidos do Império”. Documentário e livro que tratam um povo lusodescendente que vem sendo perseguido pela junta militar birmanesa.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Joaquim Magalhães de Castro e descubra as histórias de um viajante português apaixonado pelo extremo-oriente.

Na Rádio Alfa, na quarta-feira às 12h30 (versão curta) e no domingo às 14h30 (versão longa). Repetição na terça-feira à 01h30 (versão longa).

 

22, 26 e 28 junho: ISABEL RIO NOVO, autora de « MADALENA »

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (12h30), aos domingos (14h30) e às terças (01h30). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Em destaque na próxima semana: ISABEL RIO NOVO, autora de « MADALENA »

“Madalena” é o novo romance da escritora portuense Isabel Rio Novo. Neste romance, a narradora, sem nome, uma jovem professora de História, ávida leitora de romances, combate um cancro da mama, doença que a leva a olhar para o seu passado familiar. É graças a fotografias e cartas antigas que ela reconstrói a história de amor entre os seus dois bisavós, Madalena, uma ruiva sedutora, e Amândio, um homem culto e fechado, enquanto sucumbe à doença.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Isabel Rio Novo e descubra um romance polvilhado de elementos autobiográficos.

Na Rádio Alfa, na quarta-feira às 12h30 (versão curta) e no domingo às 14h30 (versão longa). Repetição na terça-feira à 01h30 (versão longa).

Entrevistas do escritor Nuno Gomes Garcia

 

Portugal vai abrir consulado-geral em Andorra-a-Velha – Governo

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, anunciou que vai ser aberto um consulado-geral de Portugal em Andorra-a-Velha, mas ainda sem data prevista.

“O Governo português está a preparar a abertura de um consulado-geral nesta cidade. Sei que era desejado, que era ambicionado, mas, acima de tudo, que era merecido por parte desta nossa comunidade que aqui reside”, disse o governante, no seu discurso perante portugueses residentes em Andorra, por ocasião das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Mais tarde, questionado pela Lusa, Paulo Cafôfo esclareceu que ainda não há data prevista para abertura desta representação diplomática na capital do principado.

Alguns portugueses com os quais a Lusa falou durante o dia referiram que o encerramento da embaixada em 2012 dificultou o acesso a serviços, como, por exemplo, a renovação do cartão de cidadão, obrigando os cidadãos a deslocarem-se até Barcelona para o fazerem.

Andorra está a 197 quilómetros de distância de Barcelona.

Na sua intervenção, ladeado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário de Estado disse que “esta será uma oportunidade para melhor” servir os concidadãos residentes em Andorra, mas também para “melhor afirmar a presença nos domínios económicos e cultural”.

O Presidente da República comentou minutos depois o anúncio e aos jornalistas disse que a intenção é “criar mais peso político, mais peso administrativo e maior capacidade de intervenção” junto de uma comunidade “que está a crescer” no principado.

“Não se pode ignorar isso. Numa comunidade que cresce tem de haver uma resposta mais forte”, completou.

Com Agência Lusa.

Macron apela para fortalecimento da indústria de defesa europeia

 O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou hoje para o fortalecimento da indústria de defesa europeia, ao inaugurar a exposição internacional de defesa Eurosatory, sublinhando que esta deve ser « muito mais forte”.

“Não vamos começar de novo a repetir os erros do passado, gastar muito para comprar em outros lugares não é uma boa ideia », declarou ao inaugurar a exposição internacional de defesa Eurosatory perto de Paris, enquanto muitos países europeus anunciaram o seu desejo de aumentar os orçamentos da defesa.

Macron reiterou um apelo já lançado desde a sua chegada ao Eliseu em 2017: “Precisamos fortalecer uma indústria de defesa e uma base industrial e tecnológica europeia muito mais forte e muito mais exigente (…) senão construiremos as dependências do futuro”.

« Vamos construir esta base de soberania, de independência europeia, francesa se pudermos – com parcerias que quero em todo o mundo e vejo muitos não europeus aqui – mas gosto de construir as parcerias que escolho, gosto menos das dependências que preparamos massiva e metodicamente às vezes », acrescentou Emmanuel Macron, reeleito em abril passado.

Sobre os gastos militares franceses, o Presidente francês indicou que « pediu ao ministro (das Forças Armadas) e ao Chefe do Estado Maior das Forças Armadas para poder realizar nas próximas semanas uma reavaliação desta Lei de Programação Militar na medida do contexto geopolítico ».

Segundo Macron, França « entrou numa economia de guerra” na qual acredita que se organizará a longo prazo. « Não podemos mais conviver com a gramática de há um ano atrás », acrescentou.

« Não esperamos as mudanças estratégicas para reinvestir », lembrou o Chefe de Estado, mas o aumento das ameaças, ilustrado pelo conflito que assola a Ucrânia desde 24 de fevereiro, representa um « requisito adicional para ir mais rápido, mais forte, ao menor custo ».

Em 2017, o Presidente francês iniciou um forte aumento no orçamento de defesa após anos de escassez.

O orçamento do Ministério das Forças Armadas voltará a aumentar em 2022, para 40,9 mil milhões de euros, de acordo com a Lei de Programação Militar (LPM) 2019-2025 que prevê atingir os 50 mil milhões de euros em 2025.

Com Agência Lusa.

Darwin Núñez é a segunda transferência mais cara de sempre em Portugal

Os 75 milhões de euros (ME) fixos que o Liverpool vai pagar ao Benfica pela contratação do avançado internacional uruguaio Darwin Núñez perfazem a segunda transferência mais cara de um futebolista em Portugal, atrás de João Félix.

As ‘águias’ informaram hoje que a mudança para o clube inglês do dianteiro, que há dois anos se tornou a compra mais cara na I Liga, ao ser recrutado aos espanhóis do Almería por 24 ME, será feita por 75 ME, aos quais poderão ser acrescidos 25 ME em variáveis, para um total de 100 ME.

Na história das vendas concretizadas pelos clubes nacionais, o negócio mais avultado só fica abaixo dos 120 ME que os espanhóis Atlético de Madrid pagaram, também ao Benfica, pela contratação de João Félix, no verão de 2019.

Os ‘colchoneros’ aceitaram pagar a cláusula de rescisão do jovem avançado, que, aos 19 anos, se tornou o português mais caro de sempre, superando os 100 ME que Cristiano Ronaldo, cinco vezes eleito melhor jogador do mundo, custou à Juventus, em 2018/19.

No ‘ranking’ dos negócios mais caros, consoante os valores transmitidos à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Darwin Núñez ultrapassou no segundo lugar o defesa Rúben Dias, reforço dos ingleses do Manchester City em 2020/21, por 68 ME.

O médio Bruno Fernandes deixa de integrar o pódio nacional, mas mantém-se como a transferência mais cara de sempre do Sporting, depois de, no decurso da temporada 2019/20, ter trocado os ‘leões’ pelos ingleses do Manchester United, por 55 ME.

Já o defesa brasileiro Éder Militão, por quem os espanhóis do Real Madrid pagaram 50 ME em 2019, representa a venda mais avultada do FC Porto, que obteve 45 ME pelas saídas dos avançados colombianos Luis Díaz (Liverpool) e James Rodríguez (Mónaco).

Igualmente neste grupo está o lateral Nuno Mendes, que se transferiu no final desta época do Sporting para o Paris Saint-Germain por 45 ME, 38 ME pela transferência em definitivo, mais os sete pelo empréstimo na época 2021/22.

A seguir ao ‘top-8’ desta tabela, aparecem seis jogadores que originaram encaixes de 40 ME a Benfica, FC Porto e Sporting, num lote iniciado no avançado colombiano Radamel Falcao, que se mudou dos ‘dragões’ para o Atlético de Madrid, em 2011, e concluído em Fábio Silva, adquirido há dois anos ao mesmo clube pelos ingleses do Wolverhampton.

Fábio Silva passou igualmente a ser o terceiro futebolista sub-18 mais caro de sempre, sendo apenas suplantado pelos dianteiros brasileiros Vinícius Júnior e Rodrygo, que custaram 45 ME cada ao Real Madrid, nos verões de 2018 e 2019, respetivamente.

Em 2012, foram os russos do Zenit São Petersburgo a libertarem 40 ME pela compra do avançado brasileiro Hulk, ao FC Porto, e do médio belga Axel Witsel, junto do Benfica.

O Sporting juntou-se ao restrito ‘clube’ em 2016, quando o centrocampista João Mário rumou aos italianos do Inter Milão, um ano antes de o brasileiro Ederson, o único guarda-redes incluído no ‘top-15’, também valer 40 ME ao Benfica, pagos pelo Manchester City.

https://twitter.com/RedsFrance/status/1536276335517126656

Benfica vende Darwin ao Liverpool por 75 milhões de euros mais 25 por objetivos

O avançado Darwin Núñez foi vendido pelo Benfica ao Liverpool por 75 milhões de euros, mais 25 por objetivos, anunciaram hoje os ‘encarnados’, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa, nos termos e para o efeito do disposto no artigo 248.º-A do Código dos Valores Mobiliários, que chegou a acordo com o Liverpool FC para a alienação da totalidade dos direitos do jogador Darwin Nuñez, pelo montante de 75 milhões de euros”, avançou o Benfica,

Segundo o clube da Luz, “o acordo prevê o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global da alienação poderá atingir o montante de 100 milhões de euros”.

“Mais se informa que o referido acordo está dependente da celebração de contrato de trabalho desportivo do jogador com o Liverpool FC”, finalizar a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD.

O internacional uruguaio é a segunda transferência mais cara de sempre do futebol português, depois dos 120 ME pagos pelo Atlético de Madrid aos ‘encarnados’ por João Félix em 2019, e pode vir a ser o maior investimento da história do Liverpool, depois dos mais de 84 ME gastos no defesa neerlandês Virgil van Dijk.

Na primeira época no Benfica, Darwin alinhou em 44 jogos nas diferentes competições, com 14 golos marcados e 11 assistências. Já na temporada que agora terminou, o avançado disputou 41 jogos, com 34 golos apontados e quatro assistências, sagrando-se o melhor marcador da I Liga portuguesa de futebol, com 26 tentos.

O dianteiro esteve ainda em destaque na última edição da Liga dos Campeões, com um golo decisivo nos oitavos de final, frente ao Ajax, e depois, tentos nas duas mãos frente ao Liverpool, nos ‘quartos’, insuficientes para afastas os ingleses, que foram batidos na final, frente ao Real Madrid, por 1-0, em Paris.

Nos ‘reds’, Darwin vai encontrar o avançado luso Diogo Jota e o colombiano Luis Díaz, contratado ao FC Porto em janeiro.

Com Agência Lusa.

França/Eleições: Jornais destacam “regresso em força da esquerda” e “desaire grave” para Macron

Os jornais franceses destacam hoje o “regresso em força da esquerda” após a primeira volta das eleições legislativas e falam num “desaire grave” para Macron, que o coloca a caminho de uma “maioria apertada”.

No dia a seguir à primeira volta das eleições legislativas francesas – em que a coligação de Macron ficou em primeiro lugar, com 25,75%, seguida de perto pela coligação de esquerda NUPES, com 25,66% – o jornal conservador “Le Figaro” puxa para a manchete o título “Macron a caminho de uma maioria apertada”.

No editorial, o jornalista Alexis Brézet alerta que os resultados de domingo à noite constituem um “desaire grave” para Macron, que, caso se veja privado de uma maioria absoluta no parlamento, dificilmente conseguirá levar a cabo o “impulso reformador” que pretende.

“Nunca um partido presidencial tinha registado um resultado tão fraco. (…) Pela primeira vez, assistimos a um fenómeno de recuo da força que está instalada no palácio do Eliseu. Seria abusivo falar de voto de sanção, mas, no mínimo dos mínimos, os franceses quiseram dar uma lição a Emmanuel Macron”, lê-se no jornal.

O diário católico “La Croix” também fala em “maioria presidencial abanada” e partilha a constatação do “Figaro”: “a primeira volta das legislativas representa uma derrota para o campo do Presidente da República”.

“A dinâmica perdeu-se. O mecanismo da Quinta República que fazia com que, de maneira quase automática, os eleitores dessem uma maioria legislativa confortável ao Presidente eleito, enferrujou”, refere o jornal.

O “La Croix” atribui como principal motivo para o desaire eleitoral de Macron o facto de o próprio Presidente ter querido “anestesiar a campanha” para a primeira volta, “contando com as fraquezas dos seus adversários”.

Foi uma aposta falhada, segundo o jornal, tanto mais que, além do resultado da NUPES, a União Nacional de Marine Le Pen também conseguiu “bater recordes”, com 18,68% dos votos, registando uma “forte progressão em vários territórios » que lhe dá a possibilidade de eleger entre 10 e 45 deputados, quando até agora só tinha oito.

A versão digital do « Le Monde » – que só é publicado em papel à tarde – também converge quanto à ideia de que a maioria de Macron está « ameaçada », mas considera que, apesar de a NUPES ter « marcado pontos na primeira volta das legislativas, tem agora de enfrentar o risco de uma frente ‘anti-Mélenchon' ».

« A palavra de ordem da campanha da NUPES – ‘Mélenchon a primeiro-ministro’ – foi um dos principais motores que motivou o voto em candidatos de esquerda. Esta personalização das legislativas foi vista por muitos eleitores como a possibilidade de ganhar a ‘terceira volta’ das presidenciais e impor uma coabitação a Emmanuel Macron. Mas é também um argumento de peso para a maioria presidencial, que não para de enumerar os riscos que uma tal situação, no seu ponto de vista, acarretaria », refere o jornal.

Com a segunda volta das legislativas marcada para o próximo domingo, o jornal popular “Aujourd’hui en France” puxa para a manchete o título “Macron: uma semana para alcançar a maioria absoluta”.

Este jornal considera que a semana de campanha que hoje se inicia será “sem misericórdia”, mas mostra-se cético quanto à possibilidade de a coligação de esquerda Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES) conseguir “impor uma coabitação a Emmanuel Macron”.

“Jean-Luc Mélenchon pode estar satisfeito com o avanço da NUPES (…), mas faltam-lhe reservas de votos para a segunda volta. Hoje, a esquerda, mesmo unida, já só representa um quarto dos eleitores, enquanto que já ganhou três eleições presidenciais na Quinta República. A ‘esquerda total’ está mesmo em recuo relativamente a 2017”, lembra o jornal.

O “Libération”, de esquerda, concorda que Mélenchon “tem poucas reservas de votos”, mas diz que o tribuno da esquerda radical pode ir buscá-los à abstenção, que bateu um recorde histórico no domingo, com 52,8% das pessoas a decidirem não ir às urnas.

Na manchete, o “Libération” fala mesmo em “regresso em força da esquerda” e, apesar de reconhecer que a possibilidade de Mélenchon se tornar primeiro-ministro é remota, diz que “a maioria absoluta vai ser difícil de obter” para a coligação presidencial.

« Os ‘macronistas’ vão ter de puxar os cordões até à segunda volta. Os 314 deputados eleitos em 2017 pela República em Marcha são agora um sonho longínquo: desta vez, o partido presidencial vai ter de lidar com os seus aliados do Modem ou do novo partido Horizontes, de Édouard Philippe, e deverá talvez mesmo negociar com outros parceiros para votar projetos de lei. É o suficiente para Elisabeth Borne passar uma temporada caótica em Matignon », vaticina o jornal.

O jornal comunista “L’Humanité” é mais otimista quanto às possibilidades da coligação de esquerda e, numa capa onde aparecem militantes da NUPES com os dedos em forma de V de vitória, lê-se “Primeira vitória para a esquerda”, que poderia “baralhar as cartas ao mandato presidencial que agora começa”.

O “L’Humanité” considera que a NUPES conseguiu “impor-se face a Macron” e, apesar de reconhecer que “pode parecer difícil” a coligação de esquerda obter uma maioria absoluta, ainda “nada está perdido”.

De acordo com os resultados finais divulgados esta noite, a coligação Ensemble!, de Emmanuel Macron, obteve 5.857.557 votos (25,75%), seguida de perto pela coligação de esquerda Nova União Popular Ecologista e Social (Nupes), com 5.836.116 votos (25,66%). Significa que apenas 21.441 votos separam as duas coligações, nas eleições de domingo.

Segundo os dados do Ministério do Interior de França, em terceiro lugar ficou a União Nacional, de Marine Le Pen, extrema-direita, com 4.248.600 votos (18,68%).

Com Agência Lusa.

As três principais questões económicas em jogo nas legislativas francesas. Análise de Pascal de Lima

As três principais questões económicas que estão em jogo nas legislativas francesas.

Crónica de Pascal de Lima, economista e professor em SciencesPo, para ouvir na Rádio Alfa, na terça-feira, 14.

Ou ouça aqui:

Legislativas francesas. Resultados definitivos. 2ª volta no domingo, 19. Macron em dificuldades para obter a maioria

De acordo com os resultados finais divulgados esta noite, a coligação Juntos!, do Presidente Emmanuel Macron, obteve 5.857.557 votos (25,75%), seguida pela coligação de esquerda Nova União Popular Ecologista e Social  (Nupes, liderada por Jean-Luc Mélenchon), com 5.836.116 votos (25,66%).

Estas duas formações ficaram praticamente empatadas: apenas 21.441 votos separam as duas coligações, na primeira volta deste domingo.

Segundo os dados oficiais, em terceiro lugar ficou o Ajuntamento Nacional, de Marine le Pen, nacionalista, com 4.248.600 votos (18,68%).

Na quarta posição, com 2.370.882 votos (10,42%), ficaram os republicanos (direita), e em quinto lugar, com 964.865 votos (4,24%), o Reconquista, de extrema-direita.

Para a segunda volta do próximo domingo o Presidente pode alcançar, mas com alguma dificuldade, a maioria absoluta. Se conseguir apenas maioria relativa poderá escolher governar em coligação com a direita.

A afluência às urnas foi a mais baixa da história, em eleições legislativas, com 52,49% de abstenção.

Liga Nações: Portugal perde na Suíça e ‘entrega’ liderança à Espanha

A seleção portuguesa de futebol sofreu hoje a primeira derrota na presente edição da Liga das Nações, na Suíça, por 1-0, e perdeu a liderança do Grupo A2 para a Espanha, em jogo da quarta jornada, em Genebra.

O avançado do Benfica Haris Seferovic marcou, logo no primeiro minuto, o golo que deu o triunfo aos suíços, que somaram os primeiros pontos na competição continental, depois de três desaires nos primeiros três encontros.

Com a derrota, Portugal caiu para o segundo lugar do grupo, com sete pontos, atrás da Espanha, que lidera com oito, após ter vencido, em casa, a República Checa por 2-0. Os checos ocupam a terceira posição, com quatro pontos, à frente dos helvéticos, com três.

A equipa das ‘quinas’ volta a jogar para a Liga das Nações em 24 de setembro, numa visita à República Checa, e encerra a participação no Grupo A2 três dias depois, em 27, com uma receção à Espanha, em Braga.

Com Agência Lusa.

Legislativas francesas. Mélenchon e Macron empatados na 1ª volta

Legislativas francesas

Mélenchon e Macron empatados na 1ª volta

 

Alfa / Expresso (adaptação Alfa)

 

A “Nupes”, coligação de forças de esquerda e ecologistas liderada pelo líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, e a “Juntos!”, formação que integra centristas de direita, incluindo socialistas moderados e os apoiantes do Presidente Emmanuel Macron, estão praticamente empatados segundo as primeiras estimativas da primeira volta das eleições legislativas, que decorreu hoje em França.

As primeiras projeções sobre os resultados indicam que a NUPES chegou em primeiro com 26,2 por cento, seguida da Juntos! (25,8%) e pelo Ajuntamento Nacional de Marine le Pen, extrema-direita (19,1%).

 

O objetivo do Presidente Emmanuel Macron é conseguir, na segunda volta, uma maioria absoluta para avançar com o seu programa de reformas previsto para o seu segundo mandato, mas nada ainda é certo para ele porque a coligação de Mélenchon pode complicar-lhe seriamente o projeto.

 

No entanto, a realidade é que, apesar da dinâmica favorável à esquerda, nada ainda ficou decidido nesta primeira volta e a esquerda tem menos reservas de votos para a segunda volta do que a coligação que apoia Emmanuel Macron.

Com efeito, depois da primeira volta de hoje, vão decorrer intensas manobras e negociações de bastidores para a segunda volta do próximo domingo. Trata-se de uma “tradição” francesa, onde continua em vigor o sistema eleitoral uninominal maioritário a duas voltas, considerado obsoleto por muitos observadores.

O resultado é que, no próximo domingo, na segunda volta, o número de assentos parlamentares que cada partido ou coligação conseguirá não corresponderá ao voto que obteve na primeira volta que, contudo, é o que na realidade representa a verdadeira relação de forças das diversas formações partidárias na cena política francesa.

Talvez por este motivo – porque o sistema proporcional não existe em França nas legislativas – seis semanas depois das eleições presidenciais, a participação nas atuais eleições foi historicamente baixa, com um recorde de abstenção de perto de 53 por cento, segundo diversas estimativas de institutos de sondagens.

Segundo projeções para a segunda volta a coligação Juntos! poderá alcançar a maioria absoluta no Parlamento no próximo domingo, 19 de junho.