Curiosidade: Dez habitantes de uma aldeia votaram em Mbappé em vez de Macron ou Le Pen

Emmanuel Macron foi reeleito presidente francês no passado domingo depois de ter ganho a segunda volta das eleições a Marine Le Pen, mas houve dez habitantes de uma pequena aldeia da região do Doubs que preferiram votar em… Kylian Mbappé.

A história é contada pelo jornal L’Est Républican que garante que, entre os votos nulos na pequena aldeia de Tallenay, com 400 habitantes, foram encontrados, pelo menos, dez votos no internacional francês do Paris Saint-Germain.

«Os boletins de voto estavam imprimidos e preparados… O golpe foi premeditado», escreve o jornal regional que avança uma possível explicação para o sucedido. «O paradoxo é que não há uma equipa de futebol em Tallenay… uma frustração que foi exprimida nas urnas?», pergunta o jornal francês.

 

Com MaisFutebol e L’Est Républican.

 

 

BES: Lesados desvalorizam início da instrução do processo e pedem responsabilidades

Um pequeno grupo de manifestantes relativizou hoje o arranque da instrução do processo BES/GES, em mais um protesto de lesados no Campus da Justiça, onde exigiram responsabilidades.

“Vai dar tudo à mesma e ficar igual como está, ou seja, fazem tudo à maneira deles e os lesados continuam a ser vítimas desta situação toda. Há oito anos que andamos na rua e não iremos perdoar nem um cêntimo. Tem de haver responsabilidades das pessoas mais importantes deste país, não é só do BES, do GES e do Novo Banco. O Banco de Portugal tem imensa responsabilidade”, afirmou Jorge Novo.

Segundo o representante dos cinco lesados que se manifestaram hoje, o antigo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, garantiu no passado que “havia uma almofada financeira para ressarcir todos os lesados” e lamentou o silêncio da instituição face aos protestos ao longo dos últimos anos.

“Não houve nenhuma reação do Banco de Portugal. Onde está a responsabilidade desse senhor? É mentiroso. Queremos aquilo que é nosso”, disse Jorge Novo.

Depois de confrontarem o advogado que representa cerca de 1.600 lesados do BES, Nuno Silva Vieira, que acabou por não conseguir prestar declarações à comunicação social, estes cinco lesados confrontaram ainda os advogados Francisco Proença de Carvalho e Adriano Squilacce, representantes de Ricardo Salgado, que reiteraram a visão “muitas vezes coincidente » entre o antigo presidente do BES e os lesados.

“Temos uma informação do Dr. Ricardo Salgado de que estava garantida uma provisão de 1.835 milhões de euros. Temos esse documento, mas temos vindo a interpelar constantemente o advogado para eles confirmarem essa situação, porque a provisão é o que vai devolver a totalidade do nosso capital”, disse à Lusa Jorge Novo, adiantando que a provisão existente “transitou do BES para o Novo Banco”, deixando uma questão à atual administração liderada por António Ramalho (que já anunciou, entretanto, a sua saída).

“Agora pergunta-se ao Dr. António Ramalho: onde está a nossa provisão?”, afirmou o representante do grupo de lesados

Para hoje está fixada a inquirição de quatro testemunhas arroladas pelo arguido João Martins Pereira, entre os quais o ex-banqueiro José Maria Ricciardi.

O processo BES/GES conta com 30 arguidos (23 pessoas e sete empresas), num total de 361 crimes.

O mais mediático arguido deste caso é o antigo presidente do Grupo Espírito Santo (GES), Ricardo Salgado, acusado de 65 crimes, entre os quais associação criminosa (um), burla qualificada (29), corrupção ativa (12), branqueamento de capitais (sete), falsificação de documento (nove), infidelidade (cinco) e manipulação de mercado (dois).

Considerado um dos maiores processos da história da justiça portuguesa, este caso agrega no processo principal 242 inquéritos, que foram sendo apensados, e queixas de mais de 300 pessoas, singulares e coletivas, residentes em Portugal e no estrangeiro. Segundo o Ministério Público (MP), cuja acusação ocupa cerca de quatro mil páginas, a derrocada do Grupo Espírito Santo (GES), em 2014, terá causado prejuízos superiores a 11,8 mil milhões de euros.

São ainda arguidos Morais Pires, José Manuel Espírito Santo, Isabel Almeida, Manuel F. Espírito Santo, Francisco Machado da Cruz, António Soares, Alexandre Cadosch, Michel Creton, Cláudia Boal Faria, Pedro Cohen Serra, Paulo Carrageta Ferreira, Pedro de Almeida e Costa, João Alexandre Silva, Nuno Escudeiro, Pedro Góis Pinto, João Martins Pereira, Paulo Nacif Jorge, Maria Beatriz Pascoa, Frederico Ferreira, Luís Miguel Neves, Rui Santos e Alexandre Monteiro.

As sete empresas acusadas são a Espírito Santo Internacional, Rioforte Investments, Eurofin Private Investment, Espírito Santo irmãos – Sociedade Gestora de Participações Sociais, ES Tourism Europe, Espírito Santo Resources Limited e ES Resources (Portugal), pelos crimes de burla qualificada, corrupção passiva, falsificação de documentos e branqueamento de capitais.

Entretanto, o antigo presidente do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), José Maria Ricciardi, garantiu hoje que foi feita uma provisão para ressarcir os lesados do BES e mostrou-se disponível para testemunhar isso mesmo em tribunal.

“Fui testemunha viva de que se fez uma provisão absolutamente integral para vos pagar aquilo que vos era devido e que resultou da vossa confiança num nome que, infelizmente, apesar de ter sido credível durante muitos anos, foi destruído”, afirmou ao grupo de lesados que hoje se manifestou no Campus da Justiça, em Lisboa.

“Sou testemunha de que foi constituída a provisão e testemunharei a vosso lado se alguma vez necessitarem”, reforçou antes da entrada no tribunal.

José Maria Ricciardi falou brevemente com o grupo de lesados que se tem manifestado ao longo da tarde e lamentou a situação vivida por estas pessoas, considerando-a “muito triste” e que “devia ser prioritária” para a justiça.

Com Agência Lusa.

Rússia está pronta para cooperar com ONU e ajudar civis – MNE russo

A Rússia está “pronta para cooperar” com as Nações Unidas para “aliviar o sofrimento” das populações civis da Ucrânia, assegurou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov.

“O nosso principal objetivo é proteger as populações civis”, assegurou Lavrov, durante uma conferência de imprensa conjunta realizada em Moscovo com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

“Estamos prontos para cooperar com os nossos colegas das Nações Unidas para aliviar o sofrimento das populações civis”, sublinhou.

António Guterres pediu hoje um cessar-fogo na Ucrânia “o mais rapidamente possível”, ao chegar Moscovo.

O secretário-geral da ONU irá agora encontrar-se com o Presidente russo, Vladimir Putin, no contexto da ofensiva russa em curso na Ucrânia.

Embora a situação na Ucrânia seja “complexa e haja diferentes interpretações sobre o que está a acontecer” no país, é possível ter um “diálogo sério sobre a melhor forma de trabalhar para minimizar o sofrimento das pessoas”, defendeu Guterres.

Após a visita a Moscovo, Guterres irá ser recebido, na quinta-feira, em Kiev, pelo chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky.

A Rússia lançou, na madrugada de 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, das quais mais de 5,16 milhões para fora do país, ainda de acordo com a organização.

Com Agência Lusa.

Presidente Macron, de novo sob pressão nas legislativas. Sondagens são-lhe favoráveis, mas… Opinião

Presidente reeleito, Emmanuel Macron, de novo sob pressão nas legislativas.

Pré-campanha para as legislativas arrancou logo no passado domingo à noite, no fim das presidenciais.

Sondagens são favoráveis à « maioria presidencial », mas apontam também para uma forte subida do partido nacionalista de Marine le Pen.

Crónica de Daniel Ribeiro, para ouvir na quarta-feira, 27, na Rádio Alfa.

Ou ouça aqui:

 

Sporting vence Boavista e encurta para seis pontos desvantagem para FC Porto

O Sporting venceu hoje em casa do Boavista por 0-3, em jogo da 31ª jornada da I Liga de futebol, mantendo-se na corrida ao título, ao encurtar para seis pontos o atraso para o comandante FC Porto.

A três jornadas do fim, os ‘leões’ tiraram proveito da derrota dos ‘dragões’ em casa do Sporting de Braga por 1-0, e, com golos de Matheus Nunes (37 minutos), Rodrigo Abascal (58), na própria baliza, e Bruno Tabata (83), de grande penalidade, mantêm alguma esperança de ainda revalidarem o título nacional.

Com esta vitória, o Sporting ocupa o segundo lugar, com 76 pontos, a seis do líder FC Porto, e garantiu praticamente o acesso direto à próxima edição da Liga dos Campeões, uma vez que tem oito pontos de vantagem para o Benfica, terceiro, quando faltam apenas três jornadas para o fim do campeonato, enquanto o Boavista é 12.º, com 33 pontos, praticamente a salvo da descida.

Resultados da 31ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 22 abr:

Vizela – Arouca, 2-1 (1-0 ao intervalo)

– Sábado, 23 abr:

Portimonense – Moreirense, 1-0 (1-0)

Santa Clara – Marítimo, 2-1 (2-0)

Benfica – Famalicão, 0-0

Gil Vicente – Paços de Ferreira, 1-1 (0-0)

– Domingo, 24 abr:

Estoril Praia – Belenenses SAD, 2-2 (2-0)

Tondela – Vitória de Guimarães, 1-1 (0-0)

– Segunda-feira, 25 abr:

Sporting de Braga – FC Porto, 1-0 (0-0)

Boavista – Sporting, 0-3 (0-1)

Programa da 32ª Jornada (horas em Paris):

– Sexta-feira, 29 abr:

Famalicão – Estoril Praia, 21:15

– Sábado, 30 abr:

Arouca – Portimonense, 16:00

Marítimo – Benfica, 18:00

FC Porto – Vizela, 20:00

Belenenses SAD – Sporting de Braga, 22:00

– Domingo, 01 mai:

Vitória de Guimarães – Santa Clara, 16:30

Moreirense – Boavista, 19:00

Sporting – Gil Vicente, 21:30

– Segunda-feira, 02 mai:

Paços de Ferreira – Tondela, 21:15

Com Agência Lusa.

Foto. RTP.

Twitter aceita proposta de compra de Elon Musk de 41 mil ME

O Twitter anunciou hoje que aceitou a proposta de compra do empresário Elon Musk no valor de 44 mil milhões de dólares, cerca de 41 mil milhões de euros, estando as negociações das ações da rede social suspensas.

A bolsa de Nova Iorque e o índice tecnológico Nasdaq suspenderam hoje a cotação do Twitter em bolsa, estando à espera de « notícias », numa altura em que o título se valorizava à volta dos 5,5%, segundo a agência Efe.

Elon Musk, fundador da Tesla e o homem mais rico do mundo, ofereceu inicialmente 43 mil milhões de dólares pela empresa este mês, dizendo depois de que dispunha de 46,5 mil milhões de dólares para financiar a operação de compra.

Num comunicado de imprensa hoje divulgado, a rede social sediada em São Francisco, na Califórnia, também anunciou a que na sequência da compra por Elon Musk será retirada de bolsa, deixando o estatuto de sociedade aberta.

O presidente executivo do Twitter, Parag Agrawal, disse que a rede social « tem um propósito e relevância que impactam o mundo inteiro », e manifestou-se « profundamente orgulhoso » na sua equipa e no « trabalho que nunca foi tão importante ».

Já Elon Musk afirmou que « a liberdade de expressão é a fundação de uma democracia funcional, e o Twitter é a praça digital onde matérias vitais para o futuro da humanidade são debatidas ».

« Também quero tornar o Twitter melhor do que nunca ao potenciar o produto com novas funcionalidades, tornando os algoritmos de fonte aberta para aumentar a confiança, derrotar os ‘bots’ [perfis falsos] de ‘spam’ [mensagens não solicitadas], e autenticar todos os humanos », acrescentou o também presidente executivo da SpaceX.

No dia 14 de abril, o Twitter anunciou, em comunicado ao regulador, que Musk, atualmente o maior acionista individual da empresa, propôs comprar as ações restantes da rede social por 54,20 dólares (cerca de 50 euros) por ação, uma oferta que representa mais de 43.000 milhões de dólares (cerca de 39.000 milhões de euros).

O milionário tem sido um crítico do Twitter, principalmente pelo seu entendimento de que a empresa fica aquém dos princípios da liberdade de expressão.

Musk descreve-se como um “absolutista da liberdade de expressão”, mas também é conhecido por bloquear outros utilizadores do Twitter que questionam ou discordam dele.

Com Agência Lusa.

Foto. DADO RUVIC / REUTERS

Sporting de Braga vence FC Porto e adia título dos ‘dragões’

O Sporting de Braga venceu hoje na receção ao FC Porto por 1-0, em jogo da 31ª jornada da I Liga de futebol, disputado em Braga, adiando pelo menos por mais uma jornada o título nacional dos ‘dragões’.

Um golo de Ricardo Horta, aos 54 minutos, bastou para os ‘arsenalistas’ assegurarem o triunfo, formação que colocou um ponto final na série invicta da equipa de Sérgio Conceição, que se fixou nos 58 jogos consecutivos sem perder para o campeonato.

Com esta vitória, o Sporting de Braga chega aos 59 pontos, assegurando definitivamente o quarto posto na Liga, enquanto o FC Porto lidera o campeonato, com 82 pontos, mais nove do que o Sporting, que fecha a jornada ainda hoje em casa do Boavista.

Resultados da 31ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 22 abr:

Vizela – Arouca, 2-1 (1-0 ao intervalo)

– Sábado, 23 abr:

Portimonense – Moreirense, 1-0 (1-0)

Santa Clara – Marítimo, 2-1 (2-0)

Benfica – Famalicão, 0-0

Gil Vicente – Paços de Ferreira, 1-1 (0-0)

– Domingo, 24 abr:

Estoril Praia – Belenenses SAD, 2-2 (2-0)

Tondela – Vitória de Guimarães, 1-1 (0-0)

– Segunda-feira, 25 abr:

Sporting de Braga – FC Porto, 1-0 (0-0)

Boavista – Sporting, 21:30

Com Agência Lusa.

Foto. RTP.

Benfica goleia Salzburgo e conquista UEFA Youth League

O Benfica conquistou hoje pela primeira vez a UEFA Youth League em futebol, ao golear na final, disputada em Nyon, na Suíça, os austríacos do Salzburgo por 6-0.

Depois de três finais perdidas na prova que replica o modelo da Liga dos Campeões, em 2014, 2017 e 2020, à quarta foi de vez e os ‘encarnados’, que ao intervalo venciam já por 2-0, saíram vencedores com golos de Martim Neto (02 minutos), Henrique Araújo (15, 57 e 89, este de grande penalidade), Cher Ndour (53) e Luís Semedo (69).

Este foi o segundo título de Portugal na competição, depois de o FC Porto a ter conquistado em 2018/19, ao bater na final os ingleses do Chelsea 3-1, num palmarés liderado por Chelsea e Barcelona (Espanha), ambos com dois títulos, enquanto o Salzburgo venceu também uma edição.

MEIAS-FINAIS (em Nyon):

– Sexta-feira, 22 abr:

Jogo 1: Juventus, Ita – Benfica, Por, 2-2, 3-4 gp

Jogo 2: Atlético de Madrid, Esp – Salzburgo, Aut, 0-5

FINAL (em Nyon):

– Segunda-feira, 25 abr:,

Salzburgo – Benfica, Por, 0-6

Com Agência Lusa.

Emigração nos discursos de aniversário do 25 abril. Santos Silva salienta abertura de Portugal ao mundo com origem na multissecular emigração

25 Abril: Santos Silva salienta abertura de Portugal ao mundo com origem na multissecular emigração

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Alfa/com Lusalinkedin sharing button
whatsapp sharing buttonO presidente da Assembleia da República sustentou hoje que a abertura de Portugal ao mundo é um bem precioso em tempos de ódio e está enraizada numa História de multissecular emigração que estruturou uma sociedade coesa.

Esta ideia de Portugal “fazedor e atravessador de pontes” – em que destacou as comunidades portuguesas no mundo, os retornados após a descolonização e os imigrantes deste país – foi desenvolvida por Augusto Santos Silva no discurso que proferiu na sessão solene comemorativa do 48º aniversário do 25 de Abril.

O discurso do presidente da Assembleia da Republica foi interrompido pelo desmaio de um funcionário parlamentar, que foi imediatamente socorrido pelo ministro Pedro Nuno Santos, que se encontrava sentado na bancada do Governo, e depois pelo secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, e pelo deputado social-democrata Ricardo Baptista Leite, estes dois últimos ambos médicos.

Na sua intervenção, Augusto Santos Silva começou por apontar que a celebração do 48.º aniversário do 25 de Abril ocorre “num contexto europeu e internacional particularmente dramático”, a guerra desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia.

“Desejamos o melhor sucesso às diligências que esta semana realiza, para o efeito, o secretário-geral das Nações Unidas”, António Guterres, declarou, estabelecendo em seguida um contraste entre o que se passa no leste da Europa e a “democracia madura” de Portugal.

“Em tempos tão difíceis, as características essenciais da nossa pátria, como uma democracia madura, um país seguro e pacífico e uma sociedade coesa e aberta ao outro, emergem como um valioso património e um exemplo internacional. Graças à revolução libertadora do 25 de Abril e ao modo como fomos desde então construindo uma democracia pluralista que a todos procura integrar, sem admitir fraturas de base religiosa, territorial ou identitária, não tem cessado de crescer o reconhecimento internacional da capacidade portuguesa de comunicar com todos, de fazer pontes entre realidades distintas e de ser uma nação europeia aberta ao mundo”, afirmou.

O presidente da Assembleia da República assinalou que, “em tempos de fechamento e ódio, a abertura aos outros de um país como Portugal, onde vivem atualmente cidadãos de quase todas as nacionalidades sem que isso constitua qualquer problema, onde qualquer confissão religiosa é bem-vinda e que se sente tão à vontade a lidar com os seus parceiros europeus como na relação com África, as Américas e as várias regiões da Ásia, essa abertura é um bem precioso que se deve acarinhar”.

“Muito se deve às instituições e agentes políticos do regime democrático. Mas vai mais fundo, pois tem raízes na experiência multissecular dos portugueses e, em particular, na vivência da emigração. Como dizia meu mestre Vitorino Magalhães Godinho, a emigração é, desde o século XV, uma constante estrutural da nossa história”, observou o ex-ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Augusto Santos Silva, deputado do PS eleito pelo círculo Fora da Europa, considerou que na História contemporânea o contributo das vagas migratórias para o Brasil, os Estados Unidos, a França, a Alemanha “e tantos outros destinos foi determinante para o desenvolvimento económico e a transformação social das regiões de origem”.

“Continua a sê-lo, hoje, e de várias maneiras: através do consumo e das remessas, captando e realizando investimentos, criando um nicho próprio e valioso para certas exportações nacionais, servindo de veículo privilegiado para encontros de costumes, tradições, saberes e maneiras de ser.  A capilaridade social desta experiência de mobilidade e migração vai formando o que, como sociólogo, tenho designado como um cosmopolitismo ao rés-do-chão da vida quotidiana, que abre Portugal ao mundo e tende a tratar o estrangeiro como comparte da mesma humanidade, igual em direitos e responsabilidades”, frisou.

Augusto Santos Silva defendeu ainda que se deve às comunidades emigrantes o reconhecimento internacional de Portugal “como país pacífico, seguro, humanista e cosmopolita”.

“Sendo mais de cinco milhões e residindo em mais de 180 países, a influência que assim projetam os portugueses e lusodescendentes é verdadeiramente global. As comunidades que formam são uma demonstração concreta de quão falso é o mito da contradição entre identidade originária e integração, sobre que repousam variadas estirpes de xenofobia. De facto, as comunidades portuguesas são um exemplo claro de dupla vinculação harmoniosa: de uma banda, ligação profunda a Portugal e às respetivas regiões e localidades; da outra, inserção plena nas sociedades de acolhimento, com respeito escrupuloso pelas suas leis, usos e costumes”, disse.

Ora, de acordo com o presidente da Assembleia da República, “essas características estão enraizadas na história da emigração” e “a instauração da democracia política e o desenvolvimento que ela permitiu vieram conceder-lhes uma nova dimensão”.

Em defesa da sua tese, Augusto Santos Silva foi ainda mais longe, e advogou que “várias das portas que o 25 de Abril abriu “foram abertas pelos migrantes”.

“Basta atentar na forma como, entre 1974 e 1976, um milhão de portugueses retornados de África (em condições tão difíceis e traumáticas) e da Europa se integrou plenamente na sociedade portuguesa e aí recuperou a economia local, sem nenhuma fratura. Esses emigrantes retornados são um dos alicerces do regime saído do 25 de Abril; e afirmemo-lo, alto e bom som, no dia de celebração”, acrescentou, num discurso aplaudido por deputados de várias bancadas.

Portugal. Comemorações do 25 de Abril sem restrições após dois anos de pandemia

Comemorações do 25 de Abril sem restrições após dois anos de pandemia

 

Alfa/com Lusalinkedin sharing button
whatsapp sharing buttonO 48.º aniversário do 25 de Abril vai ser assinalado hoje de manhã na Assembleia da República com uma sessão solene já sem restrições devido à covid-19 e de tarde o parlamento abrirá as portas ao público.

A sessão solene comemorativa do 25 de Abril de 1974, com início às 10h00 locais, inclui discursos de deputados dos oito partidos com assento parlamentar, por ordem crescente de representatividade, Livre, PAN, BE, PCP, Iniciativa Liberal, Chega, PSD e PS, do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Pela primeira vez desde o início da pandemia de covid-19, a Revolução dos Cravos vai ser assinalada sem número limitado de presentes e também sem uso obrigatório de máscara no parlamento – regra que deixou de vigorar na sexta-feira –, ao contrário dos dois anos anteriores, em que nesta data histórica vigorava o estado de emergência.

O 25 de Abril cumpre 48 anos num momento de guerra na Ucrânia, em que a invasão pela Federação Russa dura há dois meses, e no dia seguinte à reeleição de Emmanuel Macron, centrista liberal, como Presidente de França, na segunda volta das presidenciais francesas, contra Marine Le Pen, da extrema-direita.

Na sequência das eleições de 30 de janeiro a Assembleia da República reconfigurou-se e tem agora uma maioria absoluta de deputados do PS, seguindo-se o PSD e como terceira força política o Chega – partido que se apresentou às legislativas com o lema « Por um novo regime democrático: Deus, pátria, família e trabalho », recuperando palavras de ordem do salazarismo.

Hoje, a partir das 15:00, o edifício do parlamento estará aberto ao público, assim como a residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, desde as 14:30, com circulação entre os dois espaços, onde os visitantes poderão entrar até às 18:00.

Na mesma altura, estará a decorrer o tradicional desfile pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, promovido por mais de 40 organizações da sociedade civil, partidárias e sindicais, entre as quais a Associação 25 de Abril, PCP, PS, BE, PEV, CGTP e UGT e respetivas estruturas de juventude e também os partidos Livre e Movimento Alternativo Socialista (MAS).

A comissão promotora desde desfile, marcado para as 15:00, pediu aos órgãos de comunicação social para transmitirem pelas 18:00 a canção-símbolo do 25 de Abril « Grândola, Vila Morena » seguida do hino nacional e a todos os que possam para cantarem às janelas e varandas estas duas músicas, como nos dois anos anteriores de pandemia.

A Iniciativa Liberal voltou a convocar um desfile próprio para as 14:00, a partir da Praça do Duque de Saldanha, em direção à Avenida da Liberdade, ao qual anunciou que se irá juntar a Associação dos Ucranianos em Portugal. Este partido alega que em 2021 tentaram impedir a sua participação nestas comemorações de rua.

Nos jardins do Palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, o 25 de Abril vai ser celebrado com um programa cultural para várias idades, que inclui dança, música e uma exposição de cartazes da revolução e termina com um concerto de Dino d’Santiago.

No Palácio de São Bento, o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, estará presente para receber os cidadãos a partir das 15:00 e convidou todos a visitarem a « casa da democracia ».

O Presidente da República vai deslocar-se a Espanha hoje à tarde, para participar na cerimónia de depósito do legado de José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998, na Caja de las Letras do Instituto Cervantes, em Madrid.

Há um ano, na sessão comemorativa do 47.º aniversário do 25 de Abril na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa centrou o seu discurso no passado colonial português e pediu que se olhe para a História sem temores nem complexos, procurando unir e combater intolerâncias, com a noção de que há diferentes vivências e perspetivas em relação a esse período.