Portugal: Moção no Livre para retirar confiança política a Joacine

Publié le 13 janvier 2020

Membros do Livre apresentam moção para retirar confiança política a Joacine

Foto ANTÓNIO COTRIM

Signatários lamentam “peripécias”, “atribulações” e “polémicas internas” face ao mal-estar entre a deputada única e o partido. Moção será votada no IX Congresso do Livre que se realiza este fim de semana em Lisboa

 

Alfa/Expresso. Por Liliana Coelho. Ler versão original em expresso.pt

 

Cinco membros do Livre apresentaram uma moção para exigir que a deputada única, Joacine Katar Moreira, renuncie às suas funções ou para lhe seja retirada a confiança política, sob risco de estar em causa a “própria sobrevivência” do partido, avança o Observador. A moção – intitulada ‘Recuperar o Livre, resgatar a política’ — será votada no IX Congresso do Livre que se realiza este fim de semana no Centro Cívico Edmundo Pedro, em Alvalade.

“O Livre começou a ser mais conhecido dos portugueses, mas não pelas razões que pretendíamos. O Livre ficou conhecido, é hoje conhecido, devido às peripécias, atribulações e polémicas internas em que se viu envolvido de outubro até hoje, o que conduziu à degradação da imagem pública e da credibilidade do partido”, pode ler-se no texto da moção assinado por Manuel Alfredo de Lima Oliveira, Augusto Manuel Oliveira Ramoa Rodrigues, Bruno Machado, Maria de Fátima Nogueira Lopes e João Carlos Gama Martins de Macedo.

Reconhecendo a “falta de articulação” entre os órgãos do partido e o gabinete parlamentar afetaram de “modo insanável” as relações entre os órgãos do Livre e Joacine Katar Moreira, os cinco signatários consideram que a deputada única não tem opção a não ser demitir-se. Caso contrário, a única alternativa, sublinha a moção, passa pelo partido retirar a “confiança política” à deputada.

O texto refere ainda que foi com “estupefação” e “tristeza” que tantos os membros do partido, como os simpatizantes e apoiantes ouviram as declarações da deputada do Livre a dizer que ganhou as eleições “sozinha“ à margem do jantar do 6.º aniversário do partido.

Para além do mal-estar interno e dos danos na imagem do Livre, os cinco signatários consideram que a situação é também “preocupante” do ponto de vista político, sublinhando o atraso na entrega do projeto de lei de alteração à lei da Nacionalidade, uma das bandeiras do partido, e a “falta de preparação“ da deputada que, por exemplo, invocou a necessidade de aumentar para €900 o salário mínimo nacional durante o debate do Orçamento do Estado para 2020, não estando o SMN inscrito no Orçamento, mas num decreto à parte aprovado pelo Governo.

“Hei-nos chegados a um ponto em que as causas defendidas pelo Livre parecem não conseguir sobrepor-se ao ruído constante dos fait divers mais estapafúrdios; em que o coletivo parece soçobrar numa desmedida exposição mediática do indivíduo; em que o partido se arrisca a ver a sua própria sobrevivência posta em causa”, acrescenta a moção.

No Congresso do próximo fim de semana serão eleitos os órgãos nacionais do Livre para o mandato do biénio 2020/2022. Joacine Katar Moreira não integra a lista única de candidatos à direção do partido.

A nível interno, os problemas começaram quando a deputada única do Livre se absteve em novembro pela condenação pela “nova agressão israelita a Gaza”, aprovada no Parlamento, o que motivou críticas no partido, que apoia a causa palestiniana. Embora reconhecesse “dificuldades de comunicação”, a direção do Livre decidiu manter na altura a confiança política na deputada.


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