Tolentino, o poeta feito cardeal

Publié le 4 octobre 2019

José Tolentino Mendonça, o poeta feito cardeal. O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, cancelou a sua ida a Roma no sábado para a elevação de Tolentino Mendonça a cardeal, para estar presente nas cerimónias fúnebres do fundador do CDS Freitas do Amaral. A Madeira, terra natal do novo cardeal envia uma delegação

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FOTO TIAGO MIRANDA

Alfa/ Expresso. Por CRISTINA MARGATO (artigo resumido e adaptado)

Este sábado, José Tolentino Mendonça será elevado a cardeal, no Consistório Ordinário Público, que terá lugar na Basílica de São Pedro, em Roma, às 16h (15h em Portugal) e do qual sairão 13 novos cardeais. Pensador, poeta, ensaísta, sacerdote, biblista, professor, homem de cultura, arcebispo, arquivista e bibliotecário do Vaticano desde 2018, D. José Tolentino Mendonça ficará aos 53 anos no topo da hierarquia da Santa Sé. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que já o convidou para presidir às comemorações do próximo 10 de Junho, cancelou a sua ida a Roma no sábado para a elevação de Tolentino Mendonça a cardeal, para estar presente nas cerimónias fúnebres do fundador do CDS Freitas do Amaral.

. Esperam-se outras figuras da Igreja portuguesa no Vaticano, e a Diocese da Madeira enviará uma delegação de 15 pessoas, na qual se incluem três bispos.

A escolha de Tolentino Mendonça, anunciada no fim do Angelus, pelo Papa Francisco, no início de setembro passado, é parte de uma estratégia de mudança que este Sumo Pontífice quer operar na Igreja Católica e poderá também ser parte da sua sucessão. Francisco imprimiu nesta escolha de 13 novos cardeais uma dimensão universal, ao incluir os arcebispos de Jacarta, Havana, Kinshasa, Rabah, Huehuetenamgo (Guatemala) e ainda um arcebispo italiano, Matteo Zuppi, que negociou o acordo de paz em Moçambique há 20 anos. Diminuiu o peso da Europa e aumentou o dos outros continentes. O Papa está preocupado com os fluxos migratórios e quer uma Igreja mais culta e mais atenta ao sofrimento do mundo, depois de todos os escândalos que têm sido revelados sobre esta instituição.

D. José Tolentino Mendonça, antigo capelão da Universidade Católica de Lisboa e da Capela do Rato e vice-reitor da Universidade Católica, será o mais jovem membro do cardinalato, o sexto cardeal português do século XXI, um dos cinco portugueses — juntamente com José Saraiva Martins, Manuel Monteiro de Castro, Manuel Clemente e António Marto — que têm assento, neste momento, no Colégio de Cardeais e um dos três portugueses com direito a voto no próximo Conclave. Para muitos, principalmente entre os seus pares portugueses, é fácil prever voos mais altos para o biblista que encantou o Papa Francisco com a sua forma de inscrever a religião no dia a dia, na cultura, nas artes e no mundo, que vai além da Igreja enquanto instituição.

Em Portugal, nomeadamente na área das artes, Tolentino Mendonça foi até agora apenas Tolentino (com dom, mas sem D.), o amigo, o poeta, o capelão, o professor e o ensaísta que é capaz de desafiar a ordem dos pensamentos e em tudo ver beleza; porque, como intitula o livro de aforismos que dele chega este sábado às livrarias, há “Uma Beleza Que Nos Pertence” (Quetzal).

José Tolentino Mendonça nasceu na Madeira, em 1965. É natural de Machico, e aos 11 anos entrou para o seminário, no Funchal. Filho de uma família de pescadores, acompanhou os pais a Angola quando estes se mudaram para lá. A sua família retornou de África depois de 1974 e passou a viver em São João Baptista. (…)

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