Até 29 de março. Muitos filmes portugueses para ver em Paris. Crónica

Muitos filmes sobre Portugal para ver em Paris até 29 de março. Consulte o programa em forumdesimages.fr

Ouça aqui a última crónica com os destaques de João Pinharanda, diretor do Instituto Camões e conselheiro cultural da Embaixada: 

 

Vitória de Guimarães vai colaborar com autoridades para identificar atos racistas

O Vitória de Guimarães adiantou hoje que vai colaborar com Polícia de Segurança Pública e Procuradoria-Geral da República para identificar os responsáveis dos atos racistas contra Marega, do FC Porto, num jogo da I Liga portuguesa de futebol.

O avançado maliano deixou o relvado do Estádio D. Afonso Henriques aos 71 minutos do encontro da 21.ª jornada (triunfo dos ‘dragões’ por 2-1), tendo-se queixado de insultos racistas, situação que levou a Procuradoria-Geral da República a abrir um inquérito e a PSP a analisar as imagens das câmaras de videovigilância.

« Em face das posições publicamente assumidas pela Polícia de Segurança Pública e pela Procuradoria-Geral da República, o Vitória reitera a sua total disponibilidade para colaborar ativamente na identificação dos verdadeiros responsáveis pela ocorrência de racismo ou discriminação no Estádio D. Afonso Henriques, para o que apela ainda à cooperação dos seus adeptos e associados », lê-se no comunicado publicado no sítio oficial.

O clube vincou ainda a « intenção de se constituir assistente no âmbito dos processos desencadeados pelas autoridades judiciais competentes », tendo ainda confirmado a « disponibilização das imagens do sistema CCTV do recinto desportivo », que « não se avariou e se mantém em bom estado de funcionamento ».

O Vitória de Guimarães frisou ainda que « o racismo é um ato de traição à fundação do clube », perante o qual, acrescentou, o clube e os seus adeptos serão « verdadeiramente implacáveis », mas criticou as « declarações simplistas de repúdio e censura seletivas » de « entidades com responsabilidade governativa » sobre um problema de « dimensão nacional », que « se repete há vários anos em diversos estádios ».

« Não é admissível pretender que o Vitória vista a ‘pele de lobo’ defronte um problema social que já conheceu condenações efetivas no plano desportivo nacional e internacional, contando embora com o silêncio e a parcimónia de todos os órgãos e entidades que agora prontamente se pronunciaram. São conhecidos os casos de racismo, de glorificação da morte, de homicídio, de violência e de discriminação no futebol português, todos sem a indignação correspondente », lê-se.

O Vitória disse ainda ter sido alvo de uma « gravosa desconsideração institucional pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional », por ter ignorado « a posição de censura e a condenação sobre os acontecimentos em causa » que o clube fez, ao mesmo tempo que divulgou as posições dos restantes clubes nas redes sociais.

O clube de Guimarães considerou ainda necessária a « promoção de um desporto igual e universal, sem lugar nem tempo para a violência, racismo, xenofobia, intolerância ou discriminação, ao lado de todos e com todos ».

 

Alfa/lusa.

Marega na 1ª pessoa: «Foi uma grande humilhação. Senti-me uma mer….»

Maliano falou dos insultos racistas que ouviu em Guimarães à rádio francesa RMC

Depois de ter recorrido às redes sociais após ter saído de campo durante o V. Guimarães-FC Porto depois de ter ouvido insultos racistas, Marega falou esta segunda-feira à Rádio Monte Carlo sobre o episódio que está a manchar o futebol nacional e mundial.

« Estou melhor. Ontem foi muito mais difícil, realmente senti-me uma merda, foi uma grande humilhação para mim, tocou-me bastante. Fui para casa, passou o momento, já pude sorrir um pouco. Recebi muitas mensagens, de todas as partes. Dão-me muita força e agradeço a todos pelo apoio », começou por dizer o maliano.

 

 

Alfa/Jornal Record

Som: RMC

Ministério Público abre inquérito sobre insultos a futebolista Marega

O Ministério Público instaurou um inquérito relacionado com os cânticos e insultos racistas dirigidos no domingo ao futebolista Moussa Marega no jogo Guimarães-FC Porto para o campeonato nacional, informou hoje a Procuradoria-Geral da República (PGR).

« Confirma-se a instauração de um inquérito. O mesmo encontra-se em investigação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Guimarães », indica uma resposta da PGR enviada à agência Lusa sobre o caso registado no jogo de domingo.

O esclarecimento da PGR surge no mesmo dia em que o diretor nacional da PSP anunciou que está analisar as imagens de videovigilância para que “rapidamente se consiga identificar o aparente elevado número de pessoas que participaram nos cânticos racistas” ao futebolista Marega, do FC Porto.

“Temos uma ‘task force’ a fazer isso [analisar as imagens de videovigilância] a tempo inteiro para que rapidamente consigamos identificar o aparente elevado número de pessoas que participaram nesses cânticos racistas”, disse hoje à agência Lusa o diretor nacional da PSP, superintendente-chefe Magina da Silva, à margem da tomada de posse do número dois da Polícia e do comandante da Unidade Especial de Polícia (UEP).

O responsável pela Polícia de Segurança Pública considerou um comportamento “inadmissível” a situação que envolveu o jogador de futebol do FC Porto Marega, que pediu para ser substituído, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, por ter ouvido cânticos e gritos racistas de adeptos da formação vimaranense, numa altura em que os ‘dragões’ venciam por 2-1, resultado com que terminaria o encontro.

Segundo o diretor nacional da PSP, em causa podem estar eventualmente dois tipos de infrações, designadamente uma que é um crime previsto e punido pelo Código Penal e outra que é uma contraordenação no âmbito desportivo da lei do combate à violência no desporto.

Magina da Silva frisou que vão ter de “responder nestas duas sedes quando forem identificados”.

O diretor nacional da PSP disse também que a divulgação de mensagens racistas dentro de um campo de futebol é inédita com “esta dimensão e estes efeitos”, mas “infelizmente já aconteceu pontualmente noutras circunstâncias”.

Também o secretario de Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, que presidiu à cerimónia de tomada de posse do diretor nacional adjunto para a Unidade Orgânica de Operações e Segurança (UOOS) e do comandante da UEP, considerou “uma situação intolerável” o que se passou no domingo no estádio do Guimarães.

“A PSP está a fazer a identificação de todas as pessoas que se encontravam naquela bancada para tentá-las levar à justiça, seja desportiva, seja a justiça criminal. É esse o trabalho que está a ser feito e esperamos chegar a bom porto e depois as autoridades judiciárias decidiram em conformidade”, disse à Lusa Antero Luís.

 

Alfa/Lusa.

Caso de racismo no futebol “prejudica imagem internacional” de Portugal – MNE

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros considerou hoje que os insultos racistas dirigidos no domingo ao futebolista maliano Moussa Marega, no jogo Guimarães-FC Porto, “prejudicam a imagem internacional de Portugal”, e põem em causa a “dignidade humana”.

“Prejudica a imagem internacional de Portugal e Portugal não merece ser prejudicado assim”, disse Augusto Santos Silva, em declarações em Bruxelas, no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, “mais importante do que isso, [este caso] é mais uma manifestação da negação da dignidade humana”.

“E devemos ser intransigentes na negação da dignidade humana”, vincou Augusto Santos Silva.

Questionado sobre o caso, o governante notou que “Portugal é um país justamente reconhecido e justamente respeitado, não por não ter racismo – porque, infelizmente, esse mal existe por muito lado –, mas por o racismo não ter uma expressão social significativa, não ter expressão política […] nem ocupar o espaço público”.

“E, infelizmente, ontem [domingo] no estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, o que se sucedeu foi uma exibição de racismo que, aliás, é crime em Portugal, e da qual resultou uma violentação inaceitável de um cidadão que é jogador de futebol, maliano de nacionalidade, e que tem de ser defendido”, lamentou Augusto Santos Silva.

No domingo, o avançado Marega pediu para ser substituído, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto, por ter ouvido cânticos e gritos racistas de adeptos da formação vimaranense, numa altura em que os ‘dragões’ venciam por 2-1, resultado com que terminaria o encontro.

Jogadores do FC Porto e também do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo.

Vários partidos já se pronunciaram sobre o tema, entre eles o PSD, o PCP e o Bloco de Esquerda.

Também o primeiro-ministro e o Presidente da República já falaram sobre o caso.

Numa publicação na rede social Twitter, António Costa manifestou a sua « solidariedade » com Marega e o « repúdio total » por atos racistas contra o futebolista do FC Porto, esperando que « as autoridades ajam como lhes compete » para impedir que voltem a acontecer.

O Presidente da República condenou os insultos racistas de que Marega foi alvo, lembrando que a Constituição da República é muito clara na condenação do racismo, xenofobia e discriminação.

“A Constituição da República Portuguesa é muito clara na condenação do racismo, assim como de outras formas de xenofobia e discriminação, e o povo português sabe, até por experiência histórica, que o caminho do racismo, da xenofobia, e da discriminação, além de representar a violação da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais, é um caminho dramático em termos de cultura, civilização e de paz social”, considerou Marcelo Rebelo de Sousa, numa declaração à agência Lusa.

 

Alfa/Lusa.

Rádio Alfa é cultura. Historiador Fernando Rosas: O Fascismo em Portugal. O Livro da Semana

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (9h30) e aos domingos (14h25). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Em destaque esta semana: FERNANDO ROSAS, autor de “L’ART DE DURER, LE FASCISME AU PORTUGAL”.

Fernando Rosas oferece-nos em “Salazar e o Poder. A arte de saber durar”, num estilo solto e profundamente acessível, uma abordagem limpa e honesta sobre o fascismo português.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Fernando Rosas e descubra as razões que estão por detrás da grande longevidade do Estado Novo: uma vida longa quando quase todas as outras experiências fascistas europeias terminaram em 1945.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral)

O Livro da Semana. Calendário dos próximos programas. Rádio Alfa é cultura

Próximos programas de O Livro da Semana. Entrevistas realizadas pelo escritor Nuno Gomes Garcia. O LIVRO DA SEMANA, às quartas (9h30) e aos domingos (14h25). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris. Rádio Alfa é cultura.

Programa 84:

19/23 fevereiro: Fernando Rosas, “L’art de durer, le fascisme au Portugal”

Programa 85:

26 fevereiro/1 março – João Morgado, “Vera Cruz”

Programa 86:

4/8 março – Ana Milhazes, “Vida Lixo Zero”

Programa 87:

11/15 março – João Paulo Pimenta, “Naissance Politique du Brésil”

Programa 88:

18/22 março – Luís Corredoura, “A Recriação do Mundo”

Fernando Rosas

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (9h30) e aos domingos (14h25). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Em destaque esta semana: FERNANDO ROSAS, autor de “L’ART DE DURER, LE FASCISME AU PORTUGAL”.

Fernando Rosas oferece-nos em “Salazar e o Poder. A arte de saber durar”, num estilo solto e profundamente acessível, uma abordagem limpa e honesta sobre o fascismo português.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Fernando Rosas e descubra as razões que estão por detrás da grande longevidade do Estado Novo: uma vida longa quando quase todas as outras experiências fascistas europeias terminaram em 1945.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

João Morgado

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (9h30) e aos domingos (14h25). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Em destaque esta semana: JOÃO MORGADO autor de “VERA CRUZ”

Ao mesmo tempo que recorre a um estilo enérgico e repleto de expressões da época, autênticas, João Morgado constrói uma imparável biografia romanceada de Pedro Álvares Cabral onde a ficção se cruza com a verdade histórica.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com João Morgado e descubra uma vida riquíssima que passou pelo sempre complicado interior raiano português e por Lisboa, então a cidade mais rica e cosmopolita da Europa, e que salta de continente em continente, passando de Ceuta e Tânger para Calecute e Cochim até aos primórdios das terras brasileiras.

 Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

 

Ana Milhazes

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (9h30) e aos domingos (14h25). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Em destaque esta semana: ANA MILHAZES, autora de “VIDA LIXO ZERO”

Um dia, quando estava em casa a separar o lixo, Ana Milhazes pensou “como é possível que eu produza tanto lixo!?” A partir desse momento, ela, que já era uma pessoa bastante sensibilizada para as questões ecológicas, tornou-se numa ativista ambiental e tomou uma decisão: tentar livrar-se da maioria do lixo que produzia.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Ana Milhazes e descubra um manual de sobrevivência para a nossa própria espécie.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

            

João Paulo Pimenta

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (9h30) e aos domingos (14h25). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Em destaque esta semana: JOÃO PAULO PIMENTA, coautor com ANDRÉA SLEMIAN, de “NAISSANCE POLITIQUE DU BRÉSIL”.

Professor na Universidade de São Paulo, João Paulo Pimenta fala-nos de um livro que retrata os anos fulcrais do mundo ibero-americano. Anos que tornaram a independência da joia da coroa do império português, o Brasil, não apenas em algo inevitável mas imperioso.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com João Paulo Pimenta e descubra um belo livro de divulgação histórica, sério e apurado, mas sem deixar de ser acessível a qualquer um.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

Luís Corredoura

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (9h30) e aos domingos (14h25). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Em destaque esta semana: LUÍS CORREDOURA, autor de “A RECRIAÇÃO DO MUNDO”.

Após a batalha de Estalinegrado, o exército vermelho avança para ocidente no sentido de libertar a Europa do jugo nazi-fascista. Na Alemanha, a elite nazi, entrando numa espiral de devaneio, apostou tudo na ficção irrealizável das chamadas armas-maravilha. Neste livro, porém, com o auxílio forçado de um sábio português, Hitler poderá tomar a dianteira na corrida pela bomba atómica.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Luís Corredoura e descubra um romance de história alternativa, um género raro na literatura portuguesa.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

Entrevistas do escritor Nuno Gomes Garcia

« Queremos turistas, estudantes e investidores estrangeiros ». Berta Nunes a um jornal brasileiro

« Queremos turistas, estudantes e investidores estrangeiros », explica Berta Nunes ao jornal Estado de Minas. Por Bertha Maakaroun

Segundo a Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, Portugal vai alterar regras de vistos especiais sem, porém, fechar a porta aos imigrantes.

Para os portugueses, a internacionalização do país, da marca Portugal, o incremento de investimentos, do turismo e a atração de estudantes são oportunidades de desenvolvimento%u201D(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A press)
Para os portugueses, a internacionalização do país, da marca Portugal, o incremento de investimentos, do turismo e a atração de estudantes são oportunidades de desenvolvimento (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A press)
A decisão de Portugal de alterar algumas regras na concessão de “vistos gold” não implica alteração na política de internacionalização e de atração de estudantes, de turistas e de investidores estrangeiros interessados na obtenção da autorização de residência. “Para os portugueses, a internacionalização do país, da marca Portugal, o incremento de investimentos, do turismo e a atração de estudantes são oportunidades de desenvolvimento. Nós queremos turistas, queremos investidores e queremos os estudantes estrangeiros, porque para nós é importante e vai continuar a ser importante”, afirmou ontem, em Belo Horizonte, Berta Nunes, secretária de Estado das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
“A Lei do Orçamento de Estado para 2020, aprovada pela Assembleia da República apenas há alguns dias, autoriza o governo a introduzir alterações ao regime dos vistos gold. Essa lei, no entanto, terá ainda que ser promulgada pelo presidente da República e só depois o governo deverá legislar sobre essa matéria”, explica Berta Nunes, acrescentando que o que se propõe é que o investimento imobiliário mínimo de 500 mil euros para a obtenção do “visa gold” seja feito não mais em Lisboa e no Porto, mas no interior do país. “A medida visa promover o investimento nas cidades do interior e nas regiões autônomas, e ao mesmo tempo aliviar a pressão do mercado imobiliário nas regiões do litoral, sobretudo em Lisboa e no Porto”, explica.
Berta Nunes esteve na capital mineira, onde inaugurou, ao lado do embaixador de Portugal no Brasil, Jorge Cabral, e do cônsul em Minas, Rui Almeida, novas instalações do consulado português, destinadas a dar resposta ao aumento da demanda por serviços consulares, bem como ampliar a celeridade dos serviços.
As relações entre Brasil e Portugal continuam fortes e continua a crescer o interesse de brasileiros no além-mar. No ano letivo de 2018-2019, dos 46 mil estudantes estrangeiros, um terço era de brasileiros. Se considerado isoladamente, só em 2019, o governo português emitiu 10.038 vistos para estudantes brasileiros. “A maior comunidade de imigrantes em Portugal é de brasileiros. São pouco mais de 150 mil. E não só estudantes, mas os brasileiros têm procurado Portugal para investir e para trabalhar também”, afirma Berta Nunes.
Segundo a secretária, depois dos chineses, os brasileiros são aqueles que mais investem em Portugal. “Desde o início do programa Visa Gold, 860 brasileiros já receberam a autorização de residência em troca do investimento imobiliário ou da instalação de uma empresa no país, dos quais 210 só em 2019”, explica Berta.
No Brasil, a comunidade lusa, segundo estimativa do embaixador Jorge Cabral, é de 700 mil cidadãos formalmente registrados. Em Minas, há 13.848 portugueses. “Esses são os registrados. E se contarmos com descendentes até a terceira geração, que agora requerem também a nacionalidade, há cerca de um milhão vivendo no Brasil. Para atender ao crescimento da demanda de portugueses e brasileiros por serviços, o governo português está investindo na modernização de seus 13 consulados no Brasil. “Tendo em mente o objetivo de melhor o funcionamento dos serviços consulares e do serviço prestado aos usuários, estamos a tomar algumas medidas, como o aperfeiçoamento das diversas aplicações informáticas ou a externalização da recepção de pedidos de visto”, afirma Berta Nunes.
Há sinalização por parte do governo português de mudanças nas regras de concessão do visa gold àqueles interessados em investir em imóveis em Lisboa e no Porto. Quando entram em vigor as novas regras? 
A Lei do Orçamento de Estado para 2020, aprovada pela Assembleia da República apenas há alguns dias, autoriza o governo a introduzir alterações ao regime dos vistos gold. Essa lei, no entanto, terá ainda que ser promulgada pelo presidente da República e só depois o governo deverá legislar sobre esta matéria. A medida a que se refere visa promover o investimento nas regiões do interior e nas regiões autônomas, e ao mesmo tempo aliviar a pressão do mercado imobiliário nas regiões do litoral, sobretudo em Lisboa e no Porto. Ficam salvaguardadas a possibilidade de renovação das autorizações de residência concedidas ao abrigo do regime atualmente em vigor, assim como a concessão ou renovação de autorizações de residência para reagrupamento familiar relativas a autorizações já concedidas.
Portugal está em alta no mundo, com grande afluxo de turistas, de estudantes e de investidores interessados em obter a autorização de residência. Por um lado, esse movimento gera desenvolvimento. Mas, por outro, há queixas de alta nos preços das moradias nas cidades. Há previsão de o governo português alterar a sua política? 
O governo pretende limitar a autorização de residência (o visto gold) para compra de imóveis em Lisboa e no Porto, onde está havendo especulação imobiliária, com preços das casas subindo. Mas esse problema não decorre apenas do visto gold. Muitos portugueses transformaram os seus imóveis em bairros tradicionais, que antes eram para arrendamento, em casas para a locação de turistas. Com isso, os portugueses estão sendo levados a viver fora de Lisboa e perdendo grande tempo no transporte, no deslocamento. O governo pediu a autorização legislativa para tentar minimizar esse problema da habitação. Mas para os portugueses o turismo é uma oportunidade de desenvolvimento. Vamos acompanhar o fluxo de turistas e ver quais são os problemas e encontrar soluções. Nós queremos turistas, queremos os estudantes estrangeiros – inclusive porque vamos lembrar que temos uma redução de população jovem em Portugal. Para nós é importante e vai continuar a ser importante a internacionalização de Portugal, continuar atraindo turistas, estudantes e investidores e que levem boa imagem de Portugal e se sintam acolhidos. Todo o trabalho que temos feito é no sentido de que as pessoas se sintam acolhidas.
Verifica-se em todo o país, e também em Minas Gerais, aumento do interesse de jovens brasileiros para cursar universidades em Portugal. Como são acolhidos? Há dificuldades de adaptação e situações de discriminação?
Os estudantes brasileiros inserem-se muito bem no contexto das universidades portuguesas desde logo porque o laço linguístico e a proximidade cultural entre Portugal e o Brasil facilitam em muito a integração. As situações de bullying ou discriminação devem ser encaradas com seriedade e sem desculpabilizações, mas constituem uma exceção. Não são aceitas pela sociedade portuguesa em geral, nem pelas autoridades, que as combatem de modo proativo. Portugal é um país acolhedor, tolerante e um dos mais seguros do mundo. No contexto acadêmico, sobretudo, há pessoas de todas as origens e essa diversidade é uma mais-valia fundamental.
Entre as possibilidades previstas em lei, quais são as modalidades mais procuradas por brasileiros interessados na obtenção do visto gold?
Os brasileiros são a segunda nacionalidade – a primeira é a chinesa – que mais tem recorrido aos chamados “vistos gold”. Os brasileiros têm procurado para investir e trabalhar também. Desde a criação deste programa, cerca de 860 brasileiros receberam autorização de residência por ter adquirido uma habitação ou feito um investimento com a criação de pelo menos 10 postos de trabalho. Só em 2019, foram cerca de 210.

Melhoria dos números do desemprego em França não deve ser lida com euforia. Análise

França: a melhoria dos números do desemprego não deve ser lida com muita euforia.

Ouça a análise de Pascal de Lima, economista e professor em SciencesPo, na sua crónica desta terça-feira, 18, na Rádio Alfa.