Explosões e incêndio numa fábrica química de Rouen. 11 freguesias atingidas pelo fumo espesso

Explosões e incêndio numa fábrica química de Rouen. 11 freguesias (« Communes ») atingidas pelo fumo e a poluição.

Incêndio deflagrou, precedido de uma série de explosões, durante a noite (às 2h45 locais) – e ainda não estava dominado na manhã desta quinta-feira.

Chamas atingiram a fábrica Lubrizol (de lubrificantes, classificada Seveso por conter produtos perigosos) de Rouen.

Cerca 150 bombeiros tentam dominar o incêndio mas ainda não o tinham conseguido às 8h locais, menos uma hora em Lisboa.

 150 pompiers sont mobilisés pour maîtriser l’important incendie dans cette usine classée Seveso (Capture d’écran).

Costa defende mais imigração e mais estrangeiros a trabalhar em Portugal

Legislativas: Costa defende mais imigração e mais estrangeiros a trabalhar em Portugal. Em almoço na Associação Caboverdeana, líder socialista defende o fim do regime de quotas do emprego de imigrantes, que limitava as entrada de acordo com as necessidades do mercado de trabalho. Costa quer mais imigrantes e não perdoa o passado da direita nesta matéria

 

Alfa/Expresso. Texto de Filipe Santos Costa

António Costa fez esta quarta-feira uma enérgica defesa da entrada de mais imigrantes em Portugal e de políticas mais eficazes de apoio à sua integração, e de combate ao racismo. São coisas diferentes, mas estão todas ligadas e, no fim do dia, todas contribuem para o Portugal que o líder socialista defende: “Um país aberto, cosmopolita e integrado, para todos”.

No discurso que fez na Associação Caboverdeana, antes de um almoço com quase centena e meia de pessoas (não cabia nem mais uma alma no histórico espaço, no coração de Lisboa), Costa lembrou o trabalho feito pelo PS, e por si próprio, para políticas de combate ao racismo e abertura à entrada de imigrantes, apontou o dedo aos erros dos Governos de direita – que perseguiam imigrantes e limitavam a sua entrada no país – e prometeu mexer naquilo que ainda vê como entraves a um país mais aberto e mais capaz de integrar a diferença.

SEPARAR COMBATE AO RACISMO E POLÍTICAS DE IMIGRAÇÃO

Nas propostas do PS para a próxima legislatura, Costa destacou a separação entre o combate ao racismo e a entrada e integração dos imigrantes. Porque o racismo, frisou, existe em Portugal e não se dirige apenas contra quem vem de fora, mas contra quem é diferente. “Não é a cor da pele que atribui a nacionalidade. Os portugueses negros ou de origem asiática têm de ser protegidos no combate ao racismo, mesmo não sendo imigrantes na sua própria terra”, sublinhou Costa.

O combate ao racismo, defendeu, deve ser reforçado, porque mesmo quando não está na lei, ele “existe na forma mais subliminar e não nos damos conta disso”. Exemplos? Só em 2015 Portugal teve no governo um negro (no caso, negra – a ministra da Justiça), ou a forma como “com tanta facilidade se fala dos ciganos como se fossem estrangeiros”.

Esta abertura, porem, não significa a aceitação cega do multiculturalismo, ressalvou Costa, pois há valores que se sobrepõem a tradições ou culturas específicas – por isso garantiu que o Governo continuará a lutar contra a excisão genital feminina ou a obrigar todos os jovens, de ambos os géneros, a frequentar a escolaridade mínima obrigatória.

A promessa de separar as políticas de combate ao racismo das políticas de entrada e integração de estrangeiros foi ao encontro de uma reivindicação apresentada, pouco antes, por Romualda Fernandes, caboverdeana e 19a candidata na lista do PS por Lisboa, o que significa que tem fortes hipóteses de ser eleita.

Foto. Tiago Miranda

O PEDIDO DOS PATRÕES: MAIS TRABALHADORES ESTRANGEIROS

Outra promessa do PS é fazer a separação orgânica entre as funções policiais, nas fronteiras, e as funções administrativas no relacionamento do Estado com os estrangeiros residentes em Portugal – neste caso, disse Costa, a máquina do Estado tem de ser relacionar com os imigrantes que já estão dentro do país da mesma forma que se relaciona com os nacionais.

Costa destacou ainda outro compromisso do programa socialista para permitir, com mais facilidade, a entrada de imigrantes que queiram trabalhar em Portugal. “Não há associação empresarial” que não peça isso, referiu. Por isso, Costa garantiu que “uma das primeira alterações legislativas” do seu próximo governo será para “acabar vez por todas” com as quotas de fixação de contingentes laborais para autorização de entrada em Portugal – trata-se de uma lei dos governos PSD-CDS, que limita a entrada de trabalhadores estrangeiros às necessidades do mercado laboral em cada momento. “Há uma regulação natural dos fluxos migratórios e devemos aceitá-la como ela é”, defendeu Costa.

LIVRE CIRCULAÇÃO NA CPLP

Da mesma forma que vê com bons olhos a entrada de mais trabalhadores em qualquer setor de atividade, o líder socialista defendeu a imigração como uma das vertentes para inverter o declínio demográfico do país.

Nesse sentido, Costa ainda defendeu que Portugal deve avançar para a livre circulação entre os países da CPLP, garantindo essa especificidade no âmbito do Espaço Schengen. E se algum dos países da CPLP não o quiser, « porque há uns que têm maus humores”, Portugal fará « acordos bilaterais » com os países que o queiram, assegurou.

O « ENCARNIÇAMENTO » DA DIREITA CONTRA A IMIGRAÇÃO

Não foi o único momento em que desfez a herança dos governos de direita em relação às questões de racismo e imigração. Costa lembrou os tempos em que Portugal não reconhecia os dentistas brasileiros, apesar de ter carência de dentistas, ou o episódio em que a Administração Interna deteve uma mãe negra e a sua filha no aeroporto de Lisboa. Um caso de reagrupamento familiar que comoveu o país em relação ao destino de Vuvu Grace e da sua filha, Benedicte – um imbróglio jurídico que envolveu o Supremo Tribunal, no qual Costa esteve envolvido como advogado de defesa, e que na sua opinião mostra bem o « encarniçamento contra a imigração » que existia na direita portuguesa. No fim desse caso, ambas foram deportadas – e só tiveram autorização de entrada quando Antonio Guterres chegou ao poder.

Foram episódios ocorridos durante as maiorias absolutas de Cavaco Silva, quando o responsável pela Administração Interna era Manuel Dias Loureiro. Costa não disse os seus nomes, mas apostou que os próprios, hoje, estarão envergonhados do que fizeram. Como quando o então primeiro-ministro e seu MAI convocaram o Conselho de Segurança Interna, alarmados com uma “invasão das brasileiras de maus costumes”…

Houve risos na sala, e Costa admitiu que sim, esses tempos estão tão distantes que já só fazem rir. Mas hoje, realçou, “há um grande consenso nacional relativamente às políticas de imigração e de combate ao racismo”.

Posto isto, todos se sentaram para um grande consenso local em torno da excelência da cachupa servida na Associação Caboverdeana. Tal como seria consensual uma decisão de substituir em campanha eleitoral o estafado “roteiro da carne assada” por um roteiro das iguarias que Portugal foi conhecendo pelo mundo.

« Grândola Vila Morena » pode um dia ser Hino Nacional? Opinião

Volte a ouvir aqui a crónica da presidente para a Europa do Conselho das Comunidades,  Luísa Semedo, sobre  um livro recentemente editado em França sobre a histórica canção de Zeca Afonso, Grândola Vila Morena.

O livro inspira uma crónica antifascista à militante associativa e escritora, que chega a desejar que a histórica canção chegue um dia a Hino Nacional, o que supreendeu, provocou polémica e foi contestado por alguns dos ouvintes:

 

Moçambicano Mia Couto Doutor Honoris Causa em Brasília

Escritor Mia Couto recebe na sexta-feira título Doutor Honoris Causa em Brasília

Mia Couto recebe na sexta-feira título Doutor Honoris Causa em Brasília

Alfa/Lusa

O escritor moçambicano Mia Couto recebe na sexta-feira o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB), na capital do Brasil, revelou hoje à agência Lusa a assessoria de comunicação da instituição de ensino.

Antes de ser agraciado com aquela distinção, Mia Couto dará uma palestra aos alunos, encerrando a semana universitária da UnB, que terá como tema « Encontros que transformam ».

A Universidade de Brasília já concedeu o título de Doutor Honoris Causa a 56 personalidades, entre elas o antigo primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, em 2014, e o Nobel da Literatura português, José Saramago, em 1997.

Na próxima quarta-feira, antes de ser reconhecido pela UnB, Mia Couto vai estar no auditório Camões, na Embaixada de Portugal em Brasília, para uma conversa com o ator Guilherme Reis.

Na semana passada, na sua passagem pelo Brasil, Mia Couto participou num encontro com alunos e professores, no Estado de São Paulo, onde falou sobre a sua trajetória como escritor e também sobre as suas obras.

O autor foi o convidado da edição especial do Programa Educativo Escola, Museu e Território, do Museu da Língua Portuguesa, e do Programa Prazer em Ler, do instituto Itaú Social.

Autor de mais de 30 livros, Mia Couto vai publicar um novo título, em outubro, « O Universo num Grão de Areia », coletânea de « textos de intervenção cívica », que recolhe textos publicados em diversos meios de comunicação social e escritos para diferentes audiências e situações, abordando « temas que vão da política à literatura e da cultura à antropologia e biologia », anunciou a editorial Caminho, do Grupo Leya, na semana passada.

A publicação de « O Universo num Grão de Areia » acontece cerca de um mês após o aparecimento de “O Terrorista Elegante », na Quetzal Editores, do grupo Bertrand, que reúne o escritor moçambicano ao angolano José Eduardo Agualusa, em três novelas curtas, “cheias de humor e ‘suspense’”.

Mia Couto, nascido em Moçambique em 1955, tem publicada obra em poesia, conto, crónica e romance.

Prémio Camões em 2013, é autor, entre outros, de « Jerusalém », « O Último Voo do Flamingo », « Vozes Anoitecidas », « Estórias Abensonhadas », « A Varanda do Frangipani », « A Confissão da Leoa » e « Terra Sonâmbula », que marcou a sua estreia no romance, em 1992, tendo sido eleito « um dos 12 melhores livros africanos do século XX », pela Feira Internacional do Livro do Zimbabué.

Para os mais novos escreveu títulos como « A Chuva Pasmada », « O Outro Pé da Sereia » e « A Água e a Águia ».

O mais recente romance de Mia Couto é “O Bebedor de Horizontes”, de 2017, terceiro volume da trilogia “As Areias do Imperador”, que sucedeu a “Mulheres de Cinza” (2015) e “A Espada e a Azagaia” (2016).

No final do ano passado, estreou a peça de teatro “Netos de Gungunhana”, com a companhia portuguesa O Bando.

Além do Prémio Camões, Mia Couto recebeu, entre outros, o Prémio Eduardo Lourenço, em 2011, o Prémio União Latina de Literaturas Românicas, em 2007, e o Prémio Vergílio Ferreira, em 1999, atribuídos pelo conjunto da sua obra.

Chamou « idiota » a um governante. Portugal condenou-o, mas Tribunal Europeu condena Portugal

Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condena Estado português. Em causa está uma condenação por violação da liberdade de expressão.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou o Estado português a indemnizar o médico Soares Gomes da Cruz em 22.500 euros e o jornalista Emídio Antunes em 5.285 euros, por terem sido condenados por violação da liberdade de expressão.

Numa sentença divulgada na terça-feira, o tribunal condena o Estado português a ressarcir Soares Gomes da Cruz e Emídio Antunes depois de os tribunais portugueses os terem condenado por difamarem políticos.

Entendeu o tribunal europeu que as decisões da justiça portuguesa não foram corretas, no que ao artigo de violação de liberdade de expressão dizem respeito e que declarações de Soares Gomes da Cruz e Emídio Antunes foram efetuadas num contexto de debates sobre assuntos de interesse público.

Emídio Antunes, de Santarém, escreveu em março de 2011 um artigo de opinião no jornal O Mirante, intitulado « apenas as galinhas foram deixadas de fora », uma crítica à classe política, em particular a Rui Barreiro, na altura secretário de Estado da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento, quando disse ser « o político mais idiota » que conhecia.

Em julho de 2012, o jornalista foi condenado por difamação ao pagamento de 2.500 euros, tendo o tribunal considerado que as considerações proferidas tinham ido além da « crítica objetiva ».

Soares da Gomes cruz, médico e sócio de uma clínica que prestava cuidados na Lourinhã, publicou uma carta aberta num jornal regional, em setembro de 2009, na qual criticava o presidente da câmara, dizendo que era uma pessoa « cobarde, com falta de caráter e honestidade ».

As críticas do médico foram feitas depois de a sua clínica não ter sido escolhida pelo Conselho Municipal para prestar cuidados à população.

O médico também distribuiu panfletos a criticar o presidente da câmara.

Os tribunais condenaram-no por dois crimes de difamação e um por insultar uma entidade oficial, tendo sido obrigado a pagar 22.500 euros.

Ambos os arguidos apelaram ao tribunal europeu, alegando que foram condenados por violação do artigo 10 da Convenção dos Direitos Humanos sobre liberdade de expressão.

O tribunal considerou desproporcional a condenação de Emídio Antunes, justificando que Portugal é uma sociedade democrática que deve garantir e manter a liberdade de imprensa.

Em relação a Soares da Gomes Cruz, o tribunal decidiu que a condenação por insultar uma entidade legal, crime que não está no ordenamento jurídico português.

Além de terem sido considerados exagerados os montantes das indemnizações e multas, a sentença alega que os tribunais nacionais « excederam o seu poder discricionário » (margem de apreciação) sobre a discussão de questões de interesse público e que não tiverem em conta « o exercício de equilibro necessário em conformidade com os critérios da convenção.

Quem perde com a nova reforma do sistema de pensões de Emmanuel Macron? Opinião.

São os quadros que perdem com a nova reforma surpresa do sistema de pensões proposta pelo Presidente Emmanuel Macron. Volte a ouvir aqui a última crónica do economista e professor em SciencesPo, Pascal de Lima.

O Livro da Semana – próximas entrevistas de Nuno Gomes Garcia

Próximas edições de O Livro da Semana (entrevistas do escritor Nuno Gomes Garcia), com o apoio da Biblioteca Calouste Gulbenkian de Paris 

Entrevistador – O Livro da Semana

Às quartas, às 9h30;  aos domingos às 14h25

25 /29 setembro  – Paulo Marques: “Fora da zona de conforto”

Em Portugal, a luta dos enfermeiros pela dignidade salarial e profissional divide a sociedade. Paulo Marques através de “Fora da Zona de Conforto” dá voz a nove dos dezoito mil enfermeiros que saíram de Portugal na última década.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Paulo Marques e descubra as razões que levam milhares de enfermeiros, o alicerce do SNS português, a abandonar o país e a família em busca de uma vida melhor.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

 

2/6 outubro – Álvaro Filho: « Alojamento Letal »

“Alojamento Letal” é um policial, um romance negro cheio de humor, que aborda um dos grandes dilemas portugueses da atualidade: o turismo. Uma indústria simultaneamente criadora e destruidora, que reconstrói os centros históricos das cidades ao mesmo tempo que expulsa de lá os seus moradores originais.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Álvaro Filho e descubra como em pleno bairro de Alfama a pressão imobiliária e turística pode conduzir a uma onda de crimes.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

 

9/13 outubro – Luísa Semedo: “O canto da Moreia”

Um romance da conhecida cronista da Rádio Alfa:

“O Canto da Moreia” gira em torno de Eugénio, um órfão cabo-verdiano que, após uma longa travessia de barco, chega a Lisboa pela mão de um padre com o objetivo de aprender aquilo a que chama o “Conhecimento Universal”.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Luísa Semedo e descubra uma autêntica descida aos infernos que conduzirá Eugénio do sonho inicial ao alcoolismo desenfreado, à vida de sem-abrigo e à mais extrema das solidões.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

 

16/20 outubro – Márcia Balsas: « Voar no quarto escuro »

“Voar no quarto escuro” é um livro feminino que retrata a vida de seis mulheres e que explora um dos mais graves flagelos que afetam a sociedade portuguesa: a violência doméstica.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Márcia Balsas e descubra um conjunto de histórias duríssimas e humanas.

Na Rádio Alfa, à quarta (9h30, versão reduzida) e ao domingo (14h25, versão integral).

 

Macron e Greta Thunberg em conflito. Jovem sueca acusa a França de inação no clima

Relações tensas entre Emmanuel Macron e Greta Thunberg, de 16 anos. Esta e mais quinze jovens militantes ecologistas apresentaram queixa na ONU, por « inação climática », contra cinco Estados, entre eles a França. Presidente francês não gostou nada da iniciativa.

Emmanuel Macron reagiu acusando  Greta Thunberg de estar a criar sem necessidade «antagonismos nas nossas sociedades ».

A queixa dos jovens por « inação », encabeçados por Greta, apresentada junto do Comité dos Direitos da Criança na ONU, visa a Argentina, o Brasil, a Turquia, a Alemanha e a França.

Macron considerou que estas posições « são muito radicais ». « Não penso que os governos francês e alemão estejam a bloquear as coisas », acrescentou.

O chefe de Estado francês considera que Greta e outros jovens se enganam de alvo e que existem outros governos que agem bem pior do que eles.
« Não se  pode mobilizar com o Desespero, quase com o Ódio », disse pelo seu lado Brune Poirson, do ministério francês da Ecologia.
No seu discurso muito emocionado e pessimista na ONU, Greta Thunberg criticara a inércia e a hipocrisia dos dirigentes políticos e acusou: « vocês roubaram-me os meus sonhos e a minha infância! »
Os cinco Estados visados pela queixa não são os mais poluidores do Planeta, designadamente estão longe nesse aspeto dos Estados Unidos, da China ou da União Indiana. Mas são visados porque, ao invés destes três, ratificaram o protocolo do Comité das direitos da criança da ONU e, segundo Greta e seus apoiantes, nada fizeram para fazer respeitar a Convenção dos direitos das crianças.

Imigrantes, sejam bem-vindos (a Portugal) – opinião

Imigrantes, sejam bem-vindos (a Portugal) – Opinião, por Hugo Menino Aguiar, in Observador

Olhar apenas para migrações como estratégia para compensar o envelhecimento da população não é razoável mas é uma parte importante da solução e representa oportunidades óbvias que devemos explorar.

Portugal precisa de mais imigrantes e menos emigrantes.

Esta é a conclusão de diferentes estudos sobre migrações, que mostram o quão fundamental um saldo migratório positivo é para a sustentabilidade do país: em 2016, Portugal era o quarto país da EU28 com maior proporção de pessoas com mais de 65 anos (21,1%), e teve, entre 2010 e 2017, um saldo migratório global negativo, tendo 2017 sido a única exceção a esta tendência.

Olhar apenas para migrações como estratégia para compensar o envelhecimento da população não é razoável mas é uma parte importante da solução e representa oportunidades óbvias que devemos explorar.

Imaginemos um cenário no nosso país em que o saldo financeiro da segurança social com pessoas migrantes fosse positivo. Um cenário em que algumas destas pessoas estivessem em situação de desemprego ou de sobrequalificação e tivessem potencial para desenvolverem competências para trabalhar em áreas como Tecnologias de Informação. E, finalmente, um cenário em que houvesse falta de trabalhadores nestas áreas. Neste cenário poderíamos assumir que deveriam ser bem aceites as iniciativas empresariais e esforços para integrar esta população nos seus quadros e que era do maior interesse de todos que assim fosse. Na realidade, tudo isto se verifica.

A maioria destas conclusões podem ser encontradas no trabalho de estatísticas da imigração publicado pelo Observatório das Migrações do ACM em julho deste ano. Mas vamos a duas das mais relevantes: 

Estrangeiros contribuem positivamente para a estrutura demográfica.

A entrada de imigrantes em Portugal tem reforçado os grupos etários mais jovens e em idade ativa. A maioria da população estrangeira, cerca de 60%, apresenta idades entre os 20 e 49 anos, enquanto apenas 38% dos portugueses se encontram nesses grupos etários. Além disso, as mulheres de nacionalidade estrangeira foram responsáveis por 11% dos nascimentos em Portugal, um valor significativo tendo em conta que esta população apenas representa 4,7% do total da população residente no país.

O saldo financeiro da segurança social é positivo com os estrangeiros.

A relação entre as contribuições das pessoas migrantes e as suas contrapartidas do sistema de Segurança Social português (as prestações sociais de que beneficiam) traduz, há vários anos, um saldo financeiro bastante positivo, situando-se em 2018 em cerca de +651 milhões de euros (era +433,9 milhões em 2008 e +380,7 milhões em 2011). A relação entre as contribuições dos estrangeiros para a segurança social (+746,9 milhões de euros em 2018) e os gastos do sistema com prestações sociais de que os contribuintes estrangeiros beneficiam (-95,6 milhões em 2018) é bastante positiva para Portugal.

Estes são os factos e há vagas por preencher em diferentes áreas como é exemplo a área das TI. Muitos têm o perfil necessário e basta a vontade e trabalho de algumas empresas para se criar um ecossistema multicultural e para criarmos oportunidades que vão transformar a vida destas pessoas.

Há programas pelo país que estão a requalificar pessoas migrantes e refugiadas para estas oportunidades. Há programas de capacitação para a empregabilidade que têm provas dadas e que fazem o mesmo com portugueses e com sucesso.

Sim, vai ser necessária a vontade das empresas com necessidades de recrutamento de quererem saber mais sobre estas pessoas e estes programas. Sim, vai ser necessário ter paciência porque algumas vezes estas pessoas têm desafios burocráticos mais morosos que podem atrasar a contratação e desafios acrescidos na integração. Mas vai valer a pena? Vai. A proposta de valor para a empresa é forte e o país, a europa e o mundo agradecem.

Hugo Menino Aguiar é cofundador e presidente executivo do www.speak.social. Ashoka Fellow, reconhecido pelo INSEAD como um dos jovens empreendedores sociais com mais potencial emPortugal e pela UNAOC como um dos mais promissores na região Euro-Med.

(Artigo publicado em observador.pt)

Legislativas. Todos contra Costa no último debate na TV

Legistivas 2019. O arrufo, um milagre e o dedinho apontado. Todos contra Costa no último debate

No confronto organizado pela RTP, olhos nos olhos, Catarina Martins fez o maior ataque desta campanha a António Costa. Assunção Cristas mordeu e não largou o PM até ao fim, quando falou de corrupção. O socialista foi apanhado entre o fogo amigo da bloquista e o hostil da centrista mas, com Rio, foi mais irónico que agressivo. Jerónimo continuou em baixo de forma e André Silva disse que em Portugal há « escravatura »

 

Alfa/Expresso. Por Vítor Matos

 

De um lado Assunção Cristas, do outro Catarina Martins. Apertado entre uma adversária a atacar pela direita – em luta desesperada pela sobrevivência – e uma (espécie de) parceira à esquerda a lutar pela relevância, António Costa alterou a compostura que manteve nos outros debates. « Não vale a pena estender o dedinho », avisou Cristas. « Só mesmo da sua cabeça », desdenhou de Catarina. « O meu país não é [feito] só de herdades do Alentejo », atirou à líder do CDS. Pior, comparou-a a Trump, as duas únicas “pessoas no mundo que defendem a descida dos impostos sobre os combustíveis”. Sempre que pôde, distribuiu pancada, como para Rui Rio, sobre as contas das propostas do PSD: « Eu que sou tido por otimista, isso é ultra-otimista. É um milagre. » Antes de arrancar para a campanha eleitoral, Costa apareceu em modo ‘a melhor defesa é o ataque’, contra todos os que investiram contra si. (Pode ler aqui a estatística do David DInis sobre quem atacou quem)

No debate desta segunda-feira à noite na RTP, as líderes do CDS e do Bloco quase monopolizaram os ataques, Rio esteve mais discreto mas com contas feitas na mão para atirar a Costa, Jerónimo continuou semi-desaparecido e André Silva manteve o mantra do PAN. A atitude de Catarina Martins foi a mais eloquente de uma estratégia pensada: ao longo da emissão, foi fazendo elogios à ‘geringonça’ e críticas ao PS. Assumiu as virtudes da solução, apontou falhas (como nas leis laborais), mas foi mortal para Costa quase no fim, no momento mais quente do confronto. A pergunta da moderadora era sobre alterações climáticas, mas a resposta revelou antes uma alteração profunda do clima entre os dois parceiros.

« SABEMOS OS DOIS O QUE ACONTECEU ». O ARRUFO À ESQUERDA

Catarina Martins começou por dizer que tinham sido « deselegantes » as críticas de Costa e de Rio ao Bloco no seu frente a frente da manhã (ou seja, colocou ambos no mesmo saco). Depois, lembrou que o socialista se referiu às linhas vermelhas que Catarina colocou no célebre debate de 2015 como um « golpe de teatro », quando acabou por as aceitar na posição conjunta. E afirmou sentir-se ofendida: « No último mês, o PS usou o argumento da crise para apelar a uma maioria absoluta para se livrar dos ’empecilhos’ da esquerda », lendo estas atitudes de Costa como uma « forma de tentar um insulto pessoal dispensável ». A seguir, deu a estocada: lembrou uma reunião « no domingo de manhã » – dia das legislativas de 2015 – em que antes de saberem os resultados os dois partidos se reuniram para se concertarem. « Sabíamos que o PS tinha aceitado descongelar as pensões e estávamos disponíveis. Sabemos os dois o que aconteceu… »

Mas é preciso descodificar o ataque da coordenadora do Bloco. A semana passada, em entrevista ao podcast do ex-bloquista Daniel Oliveira, António Costa disse que « esta soluçao governativa foi construída apesar do Bloco de Esquerda ». Mas não era a primeira vez que o socialista apagava o BE dos primeiros momentos da ‘geringonça’, deixando apenas o PS e o PCP na fotografia. Está a « reescrever a história », acusou Catarina Martins. « Não se queimam pontes quando se querem fazer pontes. Não sei se o PS está zangado com os últimos quatro anos, o BE não está. O BE não está zangado e quer continuar a trabalhar ».

Nesta competição, Costa e Catarina concorrem pelo voto útil à esquerda: se o PS tiver maioria absoluta, o Bloco é irrelevante mesmo que tenha um bom resultado; se o PS precisar de parceiros, o BE está disponível, mas sabe-se que Costa prefere o PCP (e não descarta o PAN). Um resultado do BE acima dos 10% seria uma má notícia para os socialistas e tudo isto condiciona o debate. Na resposta, o líder do PS acusou Catarina de revelar conversas privadas e lembrou que o Bloco tem o PS como principal adversário, citando a própria Catarina a dizer que « a história desta legislatura é o confronto do PS com os partidos de esquerda ». Foi então que disse: « Só mesmo da sua cabeça ». Foram minutos quentes. Os mais tensos, talvez, de toda a série de debates.

Com humor, Rui Rio pôs-se no lugar de espetador: « Não paguei bilhete [para assistir a isto]. É um arrufo que normalmente é tratado dentro de casa, isto é um arrufo pré-eleitoral ». Assunção Cristas, porém, não ficou sentada na bancada a ver o espetáculo… desceu ao ringue e calçou as luvas.

CRISTAS A DAR TUDO, E A APONTAR O « DEDINHO » À CORRUPÇÃO

Sempre a interromper, a lançar apartes, e a intervir fosse qual fosse o tema, Assunção Cristas deu tudo para mostrar que à direita não existe outra oposição senão a sua (sentada entre os líderes do PS e do PSD, quando Costa entregou um papel a Rio sobre o investimento privado, até ironizou: « Eu ajudo a fazer a ponte para o Bloco Central… »)

Criticou o Governo e as esquerdas pelo « maior caos de sempre » na saúde, insistiu na carga fiscal recorde, no incumprimento da promessa dos médicos de família para todos (« faltam 700 mil », denunciou), apontou o aumento do tempo de espera para as consultas e atacou com armas que mais ninguém quis usar. A corrupção:  » Não vejo ninguém a perguntar a António Costa » – seria uma crítica a Rio? – « sobre os casos » que ocorreram neste governo: « Cinco membros constituidos arguidos: Tancos, Galpgate, proteçao civil… Temos um presidente da Proteção Civil arguido e o PM está calado. Como é possivel passar uma campanha eleioral sem se falar disto? É uma vergonha nacional… », disse nos minutos finais. Foi tendo o condão de irritar Costa e de o forçar a sair do registo contido e explicativo cultivado nos debates, até que o socialista não resistiu a comentar a linguagem gestual da centrista: « Não vale a pena estender o dedinho! »

Mas houve mais: quando Cristas o acusou de não conhecer o país real, Costa ripostou com uma questão de classe social: « O meu país não é [feito] só de herdades do Alentejo ». Cristas reagiu: « Não tenho nenhuma. » E havia de completar que veio de Angola, onde os a família perdeu tudo e não foi indemnizada. Mais um ponto para o eleitorado de direita.

SÃO CONTAS, SENHOR: O « MILAGRE » DO PSD SEGUNDO COSTA

António Costa a Rui Rio chegavam à noite embalados pelo debate da manhã nas rádios, onde fizeram uma espécie de concurso de ‘Centenos’. À noite, fizeram uma guerra de números, motivados pelos dados corrigidos do crescimento revelados durante o dia pelo INE. « Eu que sou tido como otimista, o meu amigo, cuidado! É ultra-otimista », ironizou Costa com o seu ar mais divertido e de certa forma complacente. « Como faz esse milagre de cortar em 3.700 milhões de euros em impostos e aumentar a receita fiscal em dois mil milhões de euros? », questionou. Neste debate a seis, Costa tentou ser ele a interpelar Rio e a colocar o líder do PSD em causa. Não queria polarizar apenas com Catarina Martins e Assunção Cristas, mas também ao centro. Mas Rio não engrenou no tom duro da sua concorrência à direita.

O líder do PSD ajudou à bipolarização ao centro, sobretudo quando pegou nos números corrigidos do crescimento do INE – e argumentou que se manteve a maior carga fiscal de sempre. « A continha está certa até porque a fiz com máquina de calcular, não a fiz à mão, mas também sabia fazer. »

Rui Rio levava no bolso respostas que tinham ficado mal explicadas noutros debates – como sobre o aumento da carga fiscal, que Costa atribuiu ao crescimento económico e ao aumento das contribuições para a segurança social: « Se tirar essa receita da TSU », assegurou Rio, segurando um papel, « mantém-se o crescimento dos impostos sobre o PIB », justificou. Depois, tentou desmontar a tese do crescimento socialista: « Em termos reais, a economia portuguesa foi a segunda pior dos países da coesão. Isto é indesmentível. » E ainda lançou uma pergunta (que no início da legislatura era uma das preferidas do CDS): « Se o PS ganhar as eleições vai repor o imposto sucessório, mesmo com a ‘geringonça’? » Costa respondeu: « Não consta do nosso programa ».

Foi então que atacou as contas e a máquina de calcular de Rio como um gerador de milagres e de impossibilidades contabilísticas (o mesmo tipo de acusações a que o anterior Governo imputou ao famoso cenário macroeconómico de Mário Centeno em 2015).

O tema do dia era terreno favorável para Costa: « O INE arrasou tudo » o que a direita tem dito, apontou o socialista. O crescimento foi maior, a carga fiscal de 2016 e 2017 foi inferior a 2014 e 2015, a carga fiscal do ano passado também foi revista em baixa, o investimento foi maior do que se julgava. Afinal, diz Costa, a solução de governo destes quatro anos, que traria o diabo e iria assustar os investidores « não só não assustou os investidores como, pelo contrário, [eles] encontraram confiança para investir ».

O PIOR FORAM OS FOGOS: COSTA EM CAUSA PRÓPRIA

A primeira parte do debate, porém, foi menos intensa do que a segunda e quase toda dominada pelas leis laborais (e enormes críticas da esquerda ao Governo). Tanto Jerónimo de Sousa como Catarina Martins classificaram as alterações à lei laboral como o pior da última legislatura e explicaram todas as incidências das medidas. Para Costa, o pior foram « as tragédias » dos fogos « de 2017. Nada mais é comparável. Nada pode ultrapassar estas duas tragédias », reconheceu. Mas mais ninguém falou desse tema.

Depois de Cristas, a palavra corrupção só apareceu no debate por iniciativa de André Silva (voltou a insistir nos tribunais especializados sugeridos pela OCDE) que estimou por essa razão perdas para a economia da ordem dos 18 mil milhões e euros. O porta-voz do PAN, a propósito das leis laborais e do crescimento económico, enfaizou ainda que « o país está muitas vezes a desenvolver-se à custa de mão de obra escrava » e denunciou que Portugal é dos principais países onde se pratica « tráfico de seres humanos ».

À semelhança de outros debates desta temporada de legislativas, Jerónimo de Sousa não cresceu. Ficou pelas posições tradicionais do PCP e pouco mais. Discordou muito de Costa na área laboral, mas concordou nos aumentos do abono de família, por exemplo, ou no reconhecimento da necessidade de subir o salário médio. O secretário-geral comunista, no entanto, manteve as distâncias quanto ao cenário de uma nova ‘geringonça’: « Esta conjuntura não é repetível. »

Enquanto o comunista falava, Costa e Cristas continuavam um debate paralelo, o que valeu um puxão de orelhas da moderadora: « Não querem ouvir Jerónimo de Sousa? » Não. A conversa estava muito mais animada do outro lado.