Marcelo Rebelo de Sousa elogia debate político na pré-campanha eleitoral e apela ao voto

O Presidente da República elogiou na quinta-feira o nível e o civismo dos debates políticos na pré-campanha eleitoral e considerou que, com “tantas possibilidades de escolha” e empenhamento dos partidos só se pode esperar uma menor abstenção nas legislativas.

“Tenho acompanhado a campanha, não me pronuncio, tenho estado rigorosamente silencioso, como devo estar, mas tenho apreciado a campanha, tenho apreciado o nível dos debates, muito serenos, mesmo quando veementes e demonstrando quando as suas opiniões são muito diversas, com uma civilidade, com uma urbanidade, com um respeito entre os representantes das várias forças políticas”, elogiou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República considerou ainda que os debates têm tido “uma preocupação de esclarecer, tocando todos os pontos”, acrescentando que “não há praticamente nenhum domínio que não tenha sido tratado: político, económico, social, educativo e mesmo cultural”.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas à saída de um espetáculo de dança da Companhia Paulo Ribeiro, “Last”, no Teatro Viriato em Viseu, a quem atribuiu o título de membro honorário da Ordem de Mérito, a propósito do 20º aniversário que assinala este ano.

“Como é uma pré-campanha muito longa, ainda haverá a campanha eleitoral, isto dá aos portugueses uma oportunidade, com tantas possibilidades de escolha, para mostrarem que estão empenhados e que querem votar e, nesse sentido, a abstenção ser claramente inferior àquela que foi a abstenção nas eleições europeias. Espero que haja aqui um grau de participação superior à participação nas eleições de maio”, disse.

Questionado sobre o veto à alteração da lei relativa à procriação medicamente assistida, em consequência de o Tribunal Constitucional (TC) ter declarado inconstitucional duas normas do diploma, Marcelo Rebelo de Sousa justificou que “quando o TC considera que há inconstitucionalidade o Presidente veta, é o chamado veto por inconstitucionalidade”.

“Este veto é uma consequência de o TC ter entendido que as minhas dúvidas tinham razão de ser e, portanto, eu devolvi à Assembleia da República para na próxima legislatura, se o quiser, e provavelmente quer, reponderar, reapreciar, e ajustar a lei àquilo que é a posição do TC”, explicou.

Sobre outros temas da atualidade, como a demissão do secretário de Estado da Proteção Civil, no âmbito de uma investigação ao projeto “Aldeias Seguras”, o Presidente da República diz que “não se pronuncia” e que se limitou a “aceitar o pedido de demissão de um membro do Governo sob a proposta do senhor Primeiro Ministro”.

Antes de se dirigir para o Teatro Viriato, Marcelo Rebelo de Sousa jantou na Praça da República em Viseu onde está, até domingo, um restaurante a céu aberto com a presença de vários “chefs”, entre eles quatro com estrelas Michelin, dentro da iniciativa da Festa das Vindimas.

Aos jornalistas, o Presidente da República admitiu que não se lembra do que comeu, uma vez que provou cinco pratos de doces e cinco de salgados, porque havia cinco “chefs” na iniciativa e não se pronunciou diretamente sobre se concorda com a posição da Universidade de Coimbra que retirou a carne de vaca das ementas das cantinas universitárias.

“Com a idade come-se cada vez menos carne, mas eu tenciono continuar a comer carne, nomeadamente carne de vaca, isso tenciono”, assumiu Marcelo Rebelo de Sousa que marca presença esta sexta-feira em Lamego, no Centro de Tropas de Operações Especiais e, ao final do dia, em Vila Real, na sessão solene de entrega do prémio D. Diniz 2019.

Alfa/Lusa

Macedo de Cavaleiros homenageia Roberto Leal na data do aniversário do cantor

A Câmara de Macedo de Cavaleiros informou hoje que está a preparar uma homenagem a título póstumo a Roberto Leal, natural deste concelho transmontano, que ocorrerá em novembro por altura do aniversário do cantor.

Roberto Leal morreu no domingo, no Brasil, país para onde emigrou com a família natural de Vale da Porca, uma aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança.

A Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros decidiu promover uma homenagem por altura do aniversário de nascimento do cantor, que se assinala a 27 de novembro, na qual pretende juntar amigos e familiares de Roberto Leal e que será aberta aos fãs.

“Vamos organizar um grande evento que perpetue a memória de um artista querido por todos os portugueses e brasileiros e que honre o trabalho e a carreira do Roberto Leal, filho da nossa terra”, indicou o presidente da Câmara, Benjamim Rodrigues.

O autarca remeteu para breve “todos os detalhes deste evento”, indicando apenas que o município está a “delinear os moldes em que esta homenagem se irá realizar”.

“Queremos trazer a Macedo de Cavaleiros alguns dos seus amigos mais próximos, assim como familiares, para recordarem e evocarem Roberto Leal, que teve uma vida e carreira importantíssimas, principalmente junto das comunidades portuguesas”, acrescentou.

O presidente da Câmara garantiu que “será um evento de entrada gratuita”.

O cantor Roberto Leal, que morreu aos 67 anos, dividiu a sua carreira entre Portugal e o Brasil, mas teve ainda passagens na política, no cinema e na televisão.

Roberto Leal – nome artístico de António Joaquim Fernandes – emigrou aos 11 anos para o Brasil, em 1962, com os pais e os nove irmãos.

Em São Paulo, após trabalhar como sapateiro, vendedor de doces e feirante, iniciou seu trabalho com a música e gravou o seu primeiro disco em 1970.

Vendeu mais de 17 milhões de discos, conseguiu 30 Discos de Ouro e cinco de platina e ganhou vários prémios, entre os quais o Troféu Globo de Ouro, da TV Globo, em 1972.

 

Alfa/Lusa

Imigrantes em Portugal. Pedidos de títulos de residência em forte subida

Dois mil estrangeiros por dia pedem para ficar em Portugal – um trabalho do JN, por Joana Amorim

SEF renovou quase 54 mil autorizações de residência até julho deste ano. Atendidas por dia duas mil pessoas. Abertas 11 mil vagas até ao fim do ano.

Só nos primeiros sete meses deste ano, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) concedeu um total de 76 940 novos títulos de residência. Um aumento de 68% face a igual período do ano passado, de acordo com os dados, ainda provisórios, facultados ao JN. Um « boom » que está a entupir os serviços que atendem, diariamente, duas mil pessoas.

Note-se que, no ano passado, foi batido o recorde na concessão de novos títulos de residência, ultrapassando-se os 93 mil. Sendo que até julho deste ano o SEF caminhava já para os 77 mil. Quanto às renovações de autorização de residência, registou-se, em igual período, um acréscimo de 16%, para as 53 900.

(Coninue a ler no JN)

Legislativas. Líder do PSD, Rui Rio, em Paris neste sábado, 21

Comunicado de imprensa oficial (na íntegra) do PSD sobre visita de um dia de Rui Rio à região parisiense: 

 

Sábado, dia 21 de setembro, Rui Rio estará em Paris, e cumprirá a seguinte agenda:

  • Pelas 09h00, visita a empresa Les Dauphins, em Chelles.

1, Avenue de la Trentaine – 77500 Chelles

  • Pelas 10h30, visita a sede da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux, onde estará com a comunidade portuguesa.

17 Rue Charcot – 92800 Puteaux

  • Pelas 13h00, participa num almoço com políticos de origem portuguesa no Restaurante Chez Françoise.

Aérogare des invalides – 75007 Paris

  • Pelas 15h30, visita a Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa de Paris.

1-7, Avenue de la Porte de Vanves – 75014 Paris

 

Legislativas. Porte Pago não reconhecido também na Austrália. Boletins de voto devolvidos em vários países

Eleições legislativas portuguesas. Muitas cartas com boletins de voto de emigrantes devolvidas em diversos países estrangeiros que não reconhecem o Porte Pago.

 

Domingo. Especial Legislativas. Cinco cabeças de lista pelo Círculo da Europa no « Passagem de nível »

Eleições legislativas em Portugal, dia 6 de Outubro 2019. Vamos ouvir os cabeças das listas pelo Círculo da Europa. Especial política para as Comunidades residentes no estrangeiro no « Passagem de nível » deste domingo, 22 de Setembro 2019, na Rádio Alfa, entre as 12h00 e as 13h30.

DESTAQUE PRINCIPAL:

Eleições legislativas em Portugal, dia 6 de Outubro 2019, com os cabeças das listas pelo Circulo da Europa:
Paulo Pisco, PS
Carlos Gonçalves, PSD/PPD
Tiago Pinheiro, BE
Rita Rato, CDU (PCP-PEV)
Melissa da Silva, CDS/PP

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Outro tema:
Association Culturelle O Sol de Portugal apresentou as suas actividades para 2019/2020 na região de Bordéus – detalhes com Isabel Vincent.
Apresentação e coordenação: Artur Silva

Maria Vai C’a Joutras no Nunca é Tarde

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Como habitualmente a emissão “Nunca é Tarde” vai continuar a receber personalidades, durante as tardes da Rádio Alfa …

São convidados a passar pelos nossos estúdios os artistas residentes em França ou não,  para uma conversa informal com Vitor Santos.

A primeira convidada depois das férias é a Flávia Henriques que dá corpo a várias personagens que são estrelas nas redes sociais com sátiras à linguagem dos emigrantes e não só.
Imperdível na próxima segunda-feira dia 23 de Setembro a
Maria Vai C’a Joutras para uma amena cavaqueira.

 

 

Liga Europa. Porto e Braga vencem, Sporting e Vitória perdem

O FC Porto iniciou hoje a participação na fase de grupos da Liga Europa de futebol com um triunfo caseiro sobre os suíços do Young Boys, por 2-1, em jogo da primeira jornada do grupo G.

O avançado brasileiro Tiquinho Soares, com um ‘bis’, aos oito e 29 minutos, marcou os dois golos dos ‘dragões’, vencedores da competição em 2011, sendo que, pelo meio, o camaronês Jean Pierre Nsame tinha empatado o encontro, aos 15, de grande penalidade.

A formação comandada por Sérgio Conceição divide a liderança do grupo G com os escoceses do Rangers, que venceram por 1-0 o Feyenoord, equipa holandesa em que alinha o defesa português Edgar Ié.

Na segunda jornada da Liga Europa, em 03 de outubro, o FC Porto vai defrontar o Feyenoord em Roterdão.

O Sporting de Braga venceu o Wolverhamtpon, por 1-0, impondo-se em Inglaterra na primeira jornada do Grupo K.

Um golo de Ricardo Horta, aos 71 minutos, valeu o triunfo à equipa minhota, que vinha de duas derrotas seguidas no campeonato português, com Benfica (4-0) e Vitória de Setúbal (1-0), e sai do estádio Molineux com um importante triunfo.

Finalista da Liga Europa em 2011, então derrotado pelo FC Porto, o Sporting de Braga soma três pontos, tantos quantos o Slovan Bratislava, que bateu em casa os turcos do Besiktas, por 4-2, e comanda o grupo. O Wolverhamtpon, orientado pelo português Nuno Espírito Santo, parte sem pontos para a segunda jornada.

No dia 03 de outubro, o conjunto minhoto recebe o Slovan Brastislava e os ingleses visitam o Besiktas.

 

Nos jogos das 18h55 o Sporting perdeu por 3-2 na visita ao vice-campeão holandês, PSV Eidhoven, em jogo do grupo D, disputado na Holanda.

Os holandeses ganharam vantagem com um golo de Donyell Malen, aos 19 minutos, e um autogolo de Sebastián Coates, aos 25, antes de Bruno Fernandes reduzir para os ‘leões’, aos 38, na marcação de uma grande penalidade.

No segundo tempo, o alemão Timo Baumgartl fez o terceiro do PSV, aos 48 minutos, mas o estreante Pedro Mendes, que tinha sido lançado um minuto antes, relançou a esperança do Sporting, aos 82, mas o seu tento foi insuficiente para os ‘verdes e brancos’.

Com este triunfo, o PSV lidera o grupo D, com os mesmos três pontos do LASK Linz, que bateu o Rosenborg, por 1-0, enquanto Sporting e austríacos não têm qualquer ponto. Na segunda jornada da Liga Europa, marcada para 03 de outubro, o clube de Alvalade recebe o LASK Linz.

Enquanto que o Vitória de Guimarães estreou-se também com uma derrota ao perder no terreno do Standard de Liège, por 2-0 embate do Grupo F.

Um autogolo do capitão Florent, aos 66 minutos, e um tento de Mpoku, aos 90+1, deram o triunfo à equipa belga, que fecha a primeira ronda no segundo lugar do grupo, com três pontos, em igualdade com o líder Arsenal, que foi à Alemanha vencer o Eintracht de Frankfurt, por 3-0.

O Vitória de Guimarães, que ultrapassou três pré-eliminatórias, com 15 golos marcados e nenhum sofrido, está na fase de grupos pela quarta vez.

Na segunda jornada, no dia 03 de outubro, a equipa minhota recebe o Eintracht, em que alinham os portugueses Gonçalo Paciência e André Silva.

 

Alfa/Lusa.

Ação de rua contra violência sobre mulheres chega a Paris em português

Um dos bairros de Paris acordou hoje com cartazes, escritos em português, numa ação de rua contra a violência sobre as mulheres, uma iniciativa do movimento « Collages Feminicides », que tem feito este tipo de ações ilegais nas ruas.

A ideia de colar os cartazes em português, a par do francês e outras línguas já usadas, partiu de Marguerite Stern, filha de pai português.

« Eu deixei o Femen [movimento feminista onde as militantes pintam os seus corpos], em 2015, fui viver para Marselha, uma cidade violenta para uma mulher e deixei de lado a militância. Mas depois acabei por perder o meu trabalho por causa das minhas convicções e tive a ideia das folhas A4 com estes slogans. Comecei a fazer isto sozinha e quando me mudei para Paris tinha este espaço livre e decidi pô-lo à disposição de outras mulheres », disse Stern em declarações à Lusa.

O movimento, constituído por mulheres que pintam e colam slogans sobre a violência cometida contra as mulheres pelas ruas de Paris, tem ganho destaque nas redes sociais pelas frases fortes que tem espalhado pelos muros de Paris como « Não queremos mais contar os nossos mortos » ou « Ela deixa-o, ele mata-a”.

« E em português? ». Foi no meio de uma reunião de coordenação que surgiu a ideia e esta madrugada foi a primeira ação de rua, acompanhada pela Lusa.

A mudança de Marguerite Stern para Paris coincidiu com o 100.º femicídio do ano em França, um número que foi divulgado no final de agosto e mostra que em 2019 o número de mulheres mortas pelos seus companheiros ou ex-companheiros pode voltar a subir no país. Coincidiu também com a abertura de um debate alargado promovido pelo Governo entre as autoridades e várias associações para estudar a melhor forma de combater a violência contra as mulheres.

Para esta ativista lusodescendente, a iniciativa do Governo é « ridícula » porque a solução é simples e está identificada, segundo os ativistas: investir cerca de mil milhões de euros para resolver o problema da violência, com investimento na formação da polícia, acompanhamento jurídico e educação.

Regularmente, num sótão de um prédio no 14º bairro, há diariamente mulheres que pintam frases em letras « brutas » durante a tarde e, ao cair da noite, partem para colá-las em todos os recantos de Paris.

A participação é informal e o projeto cresceu amplificado pelas redes sociais, especialmente através da rede social Instagram. Desde o início de setembro, quando o coletivo ganhou força, já passaram por aqui cerca de 150 voluntárias em duas semanas.

« Vocês sabem todas que isto é ilegal, certo? », perguntou, a dado momento, Marguerite ao grupo de 15 mulheres que vieram ter ao sótão na tarde em que a Lusa acompanhou o coletivo. Depois de pintados os slogans que ficam a secar para o dia seguinte, as estreantes têm um pequeno curso de como colar e onde colar, mas também como reagir caso sejam abordadas pela polícia.

Até agora, a polícia nacional tem sido « simpática », mas a polícia municipal já aplicou coimas a dois grupos (cerca de 68 euros por cada pessoa apanhada a colar cartazes em zonas interditas).

« Colem só em sítios onde se sentem confortáveis. É normal terem medo, mesmo que estejamos a fazer uma coisa certa », reforçou Stern ao grupo.

As consequências destas colagens ilegais não assustam Luísa Semedo. Conselheira das Comunidades Portuguesas, esta portuguesa voluntariou-se para ajudar o coletivo através das redes sociais e afirma que a desobediência civil se tornou um meio de resistência.

« Não tenho medo nenhum. Chega a um momento em que a injustiça é tal que a desobediência civil é um dever. Quando se sente que os poderes públicos não estão a tratar de uma causa que é urgente quer dizer que alguma coisa está mal e já não se vai lá com palavras », explicou Luísa Semedo, que passou ao coletivo as frases « O machismo mata todos os dias » e « Nem uma mais » em português que agora fazem parte da paisagem urbana parisiense.

A portuguesa espera que esta ação seja replicada em Portugal – como já está aconteceu na Turquia e outras cidades francesas: « Acho que é perfeitamente possível porque ainda é uma questão importante em todos os países ».

E é por isso que o coletivo tem insistido em frases em diversas línguas como o inglês, espanhol, alemão ou turco, assim como a localização das colagens.

Depois de já terem colado frases nas Pirâmides do Museu do Louvre, o coletivo quer continuar a inundar o centro da cidade, onde milhares de turistas tiram fotografias diariamente.

« Temos de envergonhar o Macron a nível internacional, só assim é que ele vai fazer alguma coisa », debatem.

Para além das mortes de mulheres em situação de violência doméstica, que já vão em 106, há cerca de 95 mil mulheres vítimas de violação ou tentativa de violação em França – apenas cerca de 10% apresenta queixa. No mesmo período, 219 mil são vítimas de violência doméstica.

Com as equipas divididas entre os bairros mais turísticos, cada grupo de 3 ou 4 mulheres saiu munido com alguns cartazes e cola de parede, acessórios que são visíveis para que as vê.

« Eu acho bem o que estão a fazer. Não sei se representa a realidade completa, mas acho que é algo que não deve ser silenciado. Eu estou do vosso lado, sou casado! », comentou um passageiro do metro.

O terceiro bairro de Paris, onde foram colados os cartazes em português, é noctívago e o principal bastião da comunidade homossexual.

A escolha dos muros é aleatória. Quem passa tira fotografias, fica a ler as mensagens até estarem completamente coladas e várias pessoas dizem « obrigado » ou « bravo » a quem está a colar.

O apoio é importante para Maïwenn, que vê nesta ação um significado mais profundo: « A violência acontece na minha casa. Quando ele não está contente, quem sofre é mais a minha mãe, mas eu também”.

A família de Maïwenn é anónima, mas cada vez mais famílias de vítimas de femicídio têm pedido ao coletivo mensagens personalizadas para homenagear as mulheres que perderam.

A família de Françoise, uma sexagenária morta pelo marido em dezembro de 2016, em Malo-les-Bains não hesitou. A frase « Françoise, morta pelo marido a 18.12.2016, ela faz-nos falta » vai ser colada brevemente num muro em Paris.

Alfa/Lusa

Como é que as noites mal dormidas afectam a nossa saúde?

Equipa com cientistas do Centro Champalimaud descobriu uma relação entre o relógio biológico do cérebro e um grupo de células imunitárias importantes para manter a saúde intestinal. Esta descoberta poderá contribuir para futuras terapias.

Ter horários regulares pode ser crucial para a saúde – sabe-se que as pessoas que têm insónias, mudanças frequentes de fuso horário ou turnos de trabalho nocturnos são mais susceptíveis a inflamações intestinais e à obesidade.

Agora, num artigo científico publicado esta quinta-feira na revista Nature, uma equipa com cientistas do Centro Champalimaud, em Lisboa, desvenda que o relógio biológico do cérebro controla genes-relógio que, por sua vez, indicam as horas do dia a um grupo de células imunitárias determinantes para a saúde intestinal.

Quando o relógio central deixa de dar indicações aos pequenos relógios, essas células deixam de ser pontuais e de desempenhar funções importantes no metabolismo. Qualquer mudança nos nossos hábitos – como noites mal dormidas – pode ter impacto nesta dinâmica.

Estudos anteriores já tinham relacionado alterações de ritmos biológicos a problemas metabólicos associados ao excesso de peso e às inflamações intestinais. “A privação de sono, ou os maus hábitos de sono, podem ter efeitos graves sobre a saúde, provocando um leque de doenças que possuem frequentemente uma componente imunitária, tal como as inflamações intestinais”, assinala Henrique Veiga Fernandes, investigador do Centro Champalimaud que coordenou o estudo, num comunicado da sua instituição.

Para entender por que é que isso acontece, a equipa quis saber se as células imunitárias intestinais eram influenciadas pelo ritmo circadiano (ou relógio biológico interno), período de cerca de 24 horas em que o ciclo biológico de quase todos os seres vivos se baseia.

Big Ben cerebral

Praticamente todas as células do corpo têm uma “maquinaria genética interna” que acompanha o ritmo circadiano através da expressão de genes que funcionam como pequenos relógios que comunicam as horas às células, os “genes-relógio”, explica-se no comunicado. Desta forma, ajudam a antecipar aos órgãos e aos sistemas o que vai ocorrer a seguir. Por exemplo, avisam-nos quando serão horas de dormir.

Mas todos estes pequenos relógios autónomos precisam de ser sincronizados por um relógio biológico central que está no cérebro. Ao coordenar todos os relógios do corpo, funciona como se fosse um “​Big Ben cerebral”. “A tarefa do grande relógio do cérebro – que recebe informação directa da luz do dia [através dos olhos] – consiste, portanto, em sincronizar todos os pequenos relógios que existem dentro do corpo de forma a que todos os sistemas fiquem por sua vez sincronizados”, esclarece o cientista.

Em experiências com ratinhos, a equipa percebeu que as células linfóides inatas de tipo 3 (ILC3) – que combatem infecções ou regulam a absorção de lípidos – eram bastante sensíveis às perturbações dos genes-relógio comandados pelo tal Big Ben cerebral. Isto é, quando se eliminava a expressão do gene-relógio ARNTL nas ILC3, estas não sabiam a que horas andavam. “Constatámos que o número de ILC3 no intestino diminuía de forma significativa, o que conduzia a inflamações severas, falhas da barreira intestinal e à acumulação acrescida de gordura”, refere Henrique Veiga Fernandes.

Seguindo esta pista, a equipa estudou o local onde tudo começa, o relógio biológico do cérebro. Percebeu-se então que, quando este era perturbado, perdia-se o “código postal” das ILC3 e estas eram incapazes de chegar ao seu destino final, os intestinos.

Façamos então toda a viagem. As ILC3 são produzidas diariamente na medula óssea. A partir daí, migram pelo organismo onde são alojadas nos intestinos (de forma transitória) através da expressão de proteínas na sua membrana, o tal código postal. “Um pouco à imagem de uma carta que colocamos no correio [e precisamos do código postal]”, compara o investigador. Quando o Big Ben cerebral deixa de comunicar com os genes-relógio, as ILC3 não expressam essas proteínas e não chegam aos intestinos.

“O relógio do cérebro é o Big Ben das ILC3, ou seja, as ILC3 estão no fuso horário do cérebro”, diz ao PÚBLICO Henrique Veiga Fernandes. “Desta forma, alterações comportamentais que desregulem o Big Ben cerebral alteram de forma profunda os padrões de expressão genética das ILC3.”

Por exemplo, durante as refeições, o relógio do cérebro diminui a actividade das ILC3 para assim promover o metabolismo saudável dos lípidos. Mas, depois – como os intestinos podem ficar danificados –, o Big Ben cerebral indica a esse grupo de células imunitárias para migrarem para os intestinos, onde podem ser precisas para combater possíveis invasores.

Por que é que as pessoas que trabalham à noite ou têm insónias são então mais propensas a sofrer inflamações intestinais? “Tem tudo a ver com o facto de este eixo neuro-imunitário específico estar tão bem regulado pelo relógio do cérebro que qualquer mudança nos nossos hábitos surte efeitos imediatos nestas importantes células primordiais”, responde o cientista, acrescentando que isso acontece em situações em que há comportamentos deste tipo repetidos.

Uma surpresa

Para Henrique Veiga Fernandes, estes resultados foram “totalmente surpreendentes”: “Jamais teríamos antecipado que estes glóbulos brancos intestinais são tão pontuais! Sem relógio desaparecem quase por completo do intestino, deixam de saber viver neste órgão onde desempenham funções tão importantes para o metabolismo e a nossa defesa. O facto de o relógio destas ILC3 estar no fuso horário do cérebro é também uma enorme novidade.”

Apesar de este estudo ter sido feito apenas em ratinhos, o investigador informa que os genes-relógio estudados também são uma característica das ILC3 humanas. Desta forma, prevê-se que os mecanismos sejam semelhantes no humano.

Além de ter permitido compreender a razão pela qual os padrões de sono desregrados podem levar a problemas metabólicos – como a obesidade e o aumento do risco de doenças inflamatórias –, este estudo pode ter contributos a nível clínico, tal como indica Henrique Veiga Fernandes: “Uma vez que agora identificámos como é que o código postal do intestino é definido nas ILC3, podemos pensar em aumentar ou reduzir terapeuticamente esse mesmo código em doenças do foro metabólico e inflamatório.”

 

Alfa/Público