Rappers continuam detidos depois de rixa que paralisou aeroporto de Orly

Uma violenta rixa entre dois rappers franceses rivais e respetivos grupos provocou, esta quarta-feira, o caos no aeroporto de Orly, em Paris. Voos foram atrasados. 

Os rappers Booba e Kaaris e seus grupos envolveram-se numa luta corpo a corpo, no terminal sul do aeroporto de Orly. A violência foi tal que até frascos de perfume foram usados como armas.

O incidente, testemunhado pelos passageiros que passavam no local, levou ao atraso de alguns voos e ao encerramento de uma zona do edifício.

13 pessoas, entre elas Booba e Kaaris, que se envolveram no combate, foram detidas para interrogatório e continuavam a ser interrogadas na manhã desta quinta-feira.

Fado Celeste. Homenagem a Celeste Rodrigues

A fadista Celeste Rodrigues morreu hoje aos 95 anos de idade.

Com 73 anos de carreira, cantou nas mais típicas e emblemáticas casas de fado em Lisboa. Pisou palcos internacionais e marcou a cultura nacional com a sua voz carismática.

Vídeo tributo a Celeste Rodrigues em de Março de 2013.

Convidados: Camané, Ricardo Ribeiro, Carminho, Helder Moutinho, Ana Sofia Varela, Pedro Moutinho, Fábia Rebordão, Jorge Fernando, Aldina Duarte, Gisela João, Joel Pina, Mitó Mendes, Luís Varatojo, Duarte Coxo, Carlos Manuel Proença, Diogo Clemente, Pedro de Castro, Custódio Castelo, José Manuel Barreto, Rui Pereira, Gaspar Varela, Sebastião Varela, Teresinha Landeiro, Tomás e Maria Rio. Músicos – Guitarra Portuguesa: Pedro Amendoeira, Viola de Fado: Pedro Pinhal e Viola Baixo: Frederico Cato (na gravação original Paulo Paz) « Fado Celeste » música: Pedro Pinhal, Letra: Tiago Torres da Silva. Vídeo produzido com o apoio do Museu do Fado, EGEAC, CML e Lisboa Film Commission. Realização Bruno de Almeida. Director de Fotografia: Paulo Abreu. Produtor: Diogo Varela Silva.

Uma produção BA Filmes @ 2013

Óbito/Celeste Rodrigues: Presidente da República lembra « voz única » da fadista

O Presidente da República lamentou hoje a morte da fadista Celeste Rodrigues, recordando a sua “voz única”, alegria, amabilidade e a forma como “nunca perdeu a curiosidade de conhecer um mundo em permanente mudança”.

“Celeste Rodrigues tinha de facto uma voz única, distinta da voz da sua mãe, distinta da voz da sua irmã Amália, distinta na sua independência, autonomia e sobretudo alegria”, lê-se numa mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, divulgada no ‘site’ da Presidência da República.

Sublinhando que, até ao fim da sua vida, a fadista « nunca perdeu a curiosidade de conhecer um mundo em permanente mudança”, o chefe de Estado lembra que Celeste Rodrigues cantou com inúmeros artistas portugueses e internacionais, “a todos conquistando com a sua amabilidade tão genuína”.

“Foi com grande tristeza que soube da notícia do falecimento da fadista Celeste Rodrigues. Herdou dos pais o gosto pela música, pelo fado em particular, uma constante na sua vida e um verdadeiro dom que generosamente partilhou com todos à sua volta, amigos e desconhecidos”, acrescenta o Presidente da República, endereçando “um abraço muito forte à família enlutada e a tantos amigos que hoje se despedem” da fadista.

Celeste Rodrigues, nascida no Fundão, em 14 de março de 1923, morreu hoje, aos 95 anos, confirmou à Lusa o neto Diogo Varela Silva.

Irmã de Amália Rodrigues, a fadista, que em maio disse à Lusa que « cantar é sempre uma alegria », iniciou a carreira há 73 anos e do seu repertório constam, entre outros temas, “A Lenda das Algas” e o “Fado das Queixas”.

Alfa/Lusa

Morreu Celeste Rodrigues, fadista, irmã de Amália

Três anos mais nova que Amália, a fadista contava 95 anos e iniciou a sua carreira na década de 40 do século XX. Em 2012, fora condecorada pela Presidência da República com o grau de Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.

Alfa/Expresso/Blitz

Morreu a fadista Celeste Rodrigues, aos 95 anos, confirmou o neto, Diogo Varela Silva.

« É com um enorme peso no coração, que vos dou a notícia da partida da minha Celestinha, da nossa Celeste. Hoje deixou uma vida plena do que quis e sonhou, amou muito e foi amada, mas acima de tudo, foi a pedra basilar da nossa família, da minha mãe, da minha tia, dos meus irmãos, sobrinhos e filhos, somos todos orgulhosamente fruto do ser humano extraordinário que ela foi”, escreveu no Facebook.

Nascida em Alpedrinha, no Fundão, em 14 de março de 1923, a irmã de Amália Rodrigues iniciou a carreira há 73 anos, ao aceitar o convite feito pelo empresário José Miguel (1908-1972), detentor de vários teatros e casas de fado, entre os quais o Café Casablanca. Do seu repertório constam, entre outros temas, « A Lenda das Algas » e o « Fado das Queixas ».

Aos 5 anos, os seus pais vieram para Lisboa e estabeleceram-se no bairro de Alcântara. « Maria rapaz » e traquina embora tímida, como recordaria depois, cedo se empregou numa fábrica de bolos. Mais tarde, com a irmã Amália, venderia artigos regionais na Rocha Conde de Óbidos.

Estreou-se no Casablanca (atual ABC), no Parque Mayer, em 1945 com a ajuda da irmã Amália e a convite do empresário José Miguel. Pouco depois, é contratada para apresentações em Madrid e no Brasil, acompanhando Amália. Em terras brasileiras, demorou-se um ano em digressão.

No regresso a Lisboa é figura de de destaque em casas de fado da capital – Café Latino, Marialvas, Café Luso ou a mesma Adega Mesquita onde foi descoberta. Volta ao Brasil no início da década de 50, atuando no restaurante Fado, propriedade de Tony de Matos em Copacabana, no Rio de Janeiro. Ao longo da década de 50, continuou a atuar no Brasil e foi várias vezes cantar às então províncias ultramarinas. A sua voz foi das primeiras a fazerem-se ouvir na televisão portuguesa, logo no período experimental da RTP, em 1956.

Casou aos 30 anos com o ator Varela Silva, pai das suas duas filhas, com quem abriu uma casa de fados, A Viela. Ao fim de quatro anos, a casa da Rua das Taipas é fechada e Celeste passa a integrar o rol de fadistas da Parreirinha de Alfama, sob a alçada de Argentina Santos, no início dos anos 60.

Convidada por João Ferreira-Rosa no início dos anos 70, passa para a Taverna do Embuçado onde faz atuações regulares ao longo de 25 anos.

Na sombra de Amália, estrela maior, fez carreira sobretudo nas casas de fados, popularizando temas como ‘A Lenda das Algas’ ou o ‘Fado das Queixas’. O seu maior êxito foi ‘Olha a Mala’, de Manuel Casimiro.

Sem o mesmo impacto de Amália, chegou a salas afamadas como o Concertgebouw em Amesterdão, o Carnegie Hall em Nova York e o Cité de la Music em Paris.

Era uma das fadistas mais velhas no ativo, não tendo parado de cantar até aos dias de hoje. O seu último disco, « Fado Celeste », foi editado em 2007, e três anos depois a sua vida e obra foram alvo de um documentário com o mesmo nome realizado pelo neto, Diogo Varela Silva. Reconhecida pelas gerações mais novas, viu o seu último álbum reunir tradicionais e inéditos com letras de autores contemporâneos, como Helder Moutinho e Tiago Torres da Silva.

A 8 de junho de 2012 o então Presidente da República Aníbal Cavaco Silva atribuiu-lhe o grau de Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.

Entrou em 2018 em Nova Iorque, convidada por Madonna, que conheceu num convívio em Lisboa. « Foi espantoso sentar-me ao lado da lenda viva Celeste Rodrigues », declarou a estrela norte-americana.

Marcelo condecora campeões europeus sub-19 com Ordem de Mérito

O Presidente da República anunciou perante os campeões da Europa de futebol sub-19 que vai condecorá-los com a Ordem de Mérito, agradecendo-lhes « em nome de todos os portugueses ».

 

Foto Tiago Petinga/Lusa

 

« Não houve tempo para estarem prontas todas as condecorações », explicou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aos atletas da seleção portuguesa de futebol de sub-19, que venceu, no domingo, o campeonato da Europa, assinalando que, terão, um pretexto para se voltarem a encontrar.

O chefe de Estado recebeu os campeões europeus na Sala das Bicas, do Palácio de Belém, onde, depois de discursar, os abraçou, um a um, seguindo todos para a varanda para um convívio com pastéis de Belém.

A seleção portuguesa de futebol de sub-19 conquistou o título europeu, no último domingo, ao vencer a Itália, por 4-3, na Finlândia.

Alfa/Lusa

Grécia: Balanço de mortos nos incêndios sobe para 93

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A polícia portuária grega anunciou hoje ter resgatado do mar mais dois corpos de vítimas dos incêndios de 23 de julho, o que faz subir para 93 o balanço de mortos dos fogos que devastaram Mati e Rafina.

Patrulhas continuavam hoje as buscas no mar para encontrar outras eventuais vítimas dos incêndios que há uma semana destruíram aquelas duas localidades balneárias situadas a cerca de 40 quilómetros de Atenas.

Desde os incêndios foram “resgatados oito corpos, os últimos dois na segunda a na terça-feira”, disse fonte da marinha mercante à agência France-Presse.

O primeiro, resgatado na segunda-feira, foi encontrado ao largo de Mati, a localidade mais atingida pelos fogos, e o segundo no Golfo Sarónico, na costa oeste da Ática.

No sábado, os serviços de bombeiros anunciaram que o número estimado de desaparecidos é 25, mas alguns destes, se não todos, podem estar entre os 28 cadáveres que ainda não foram identificados.

Muitas pessoas que se lançaram à água para escapar às chamas afirmaram ter esperado por ajuda no mar durante várias horas.

O fogo florestal de 23 de julho foi o que mais vítimas mortais fez na Europa em mais de 100 anos, segundo a base de dados do Centro para a Investigação sobre Epidemiologia de Desastres, em Bruxelas.

Alfa/Lusa

Incrível agressão a jovem mulher em Paris – veja o vídeo

Agressão a jovem mulher em Paris gera onda de solidariedade

Marie Laguerre, 22 anos, foi agredida violentamente no rosto por um homem que não gostou da resposta dela a uma série de insultos. A cena foi captada por uma câmara de segurança e Marie publicou-a no Facebook e no Twitter. A reação foi gigantesca: « É um problema de todas as mulheres. »

Veja o vídeo publicado pela vítima:

 

Massa de ar quente empurra Portugal para cima dos 40 graus

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Calor extremo vindo do Norte de África motiva conferência de imprensa conjunta da Direcção-Geral de Saúde, Protecção Civil e IPMA, com apelos especiais à população. No Alentejo, o termómetro poderá marcar 44 graus.

O Verão português começou com dias cinzentos e relativamente frescos, a fazer lembrar o estio temperado do Norte da Europa. Mas se por lá o mês de Julho foi extraordinariamente quente, o mesmo está reservado para Portugal nos primeiros dias de Agosto.

Na próxima semana, as temperaturas máximas vão ultrapassar os 30 graus em todo o território continental. E em alguns pontos, a temperatura ultrapassará mesmo os 40 graus.

A « culpa » é de uma massa de ar quente e seco vinda do Norte de África e que deverá chegar à Península Ibérica nos próximos dias, como explicou Joana Sanches, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em declarações à agência Lusa: « Vamos ter uma região depressionária a oeste de Marrocos, que leva à intensificação de uma corrente de leste que vai trazer uma massa de ar quente e seco ».

Esta segunda-feira, são esperados 27 graus de máxima em Lisboa, mas a temperatura na capital vai continuar a subir e muito até quinta-feira — que será o dia mais quente da semana, com 38 graus de máxima. Para referência, e de acordo com a Organização Mundial de Meteorologia, refira-se que a temperatura máxima média de Agosto em Lisboa ao longo dos últimos 30 anos é de 27 graus. Na sexta-feira, a máxima desce ligeiramente para os 36 graus, mas manter-se-á acima dos 30 durante o fim-de-semana.

No Porto, a semana começa com amenos 24 graus de máxima e céu muito nublado, mas o termómetro também vai subir nos dias seguintes. Para quinta-feira, o dia mais quente, estão previstos 33 graus de máxima e céu limpo. Na sexta-feira as temperaturas mantêm-se altas: 31 graus de máxima. Também a norte, mas no interior, em Bragança, as temperaturas atingem os 39 graus na sexta-feira — que será o dia mais quente da semana em Trás-os-Montes.

Mas as temperaturas mais elevadas registam-se mais a sul. Em Castelo Branco, na quinta e sexta-feira esperam-se máximas de 43 graus. Santarém registará a mesma temperatura na quinta-feira, e continuará acima dos 40 durante o fim-de-semana.

Beja vai atingir os 40 graus já na quarta-feira, mantendo-se sob calor extremo até ao fim-de-semana. Ali perto, em Moura, o termómetro poderá registar 44 graus na sexta-feira e no sábado — o valor mais alto previsto para Portugal Continental esta semana.

Já no Algarve, em Faro, onde as temperaturas têm rondado os 30 graus, o pico de calor está reservado para o próximo fim-de-semana, com temperaturas máximas de 35 graus.

Nas ilhas, fora da influência desta massa de calor proveniente do Norte de África, a previsão é de temperaturas quentes, mas mais amenas que no continente. Em Ponta Delgada, nos Açores, as temperaturas máximas estarão acima dos 25 graus, chegando aos 27 graus na quinta-feira. No Funchal, o termómetro chega aos 28 graus a partir do próximo fim-de-semana.

Um Agosto tórrido não é de todo inédito em Portugal. Foi aliás em Agosto de 2003 que se registou a temperatura mais elevada de sempre no país — 47.4 graus, na Amareleja, distrito de Beja. Foi o pico de uma das piores vagas de calor da história recente: nesse período (de 30 de Julho a 16 de Agosto), e de acordo com dados de um relatório do IPMA, morreram 1953 pessoas em consequência directa da exposição ao calor.

São números que nos recordam do perigo que o calor extremo pode representar para a saúde, sobretudo de doentes crónicos, idosos e crianças, pelo que convém repetir alguns alertas. Ao PÚBLICO, o subdirector-geral da Saúde, Diogo Cruz, recomenda que se procurem « ambientes frescos, arejados e climatizados”. Evitar o uso de aparelhos eléctricos que produzam calor, como fornos, é um conselho a seguir para arrefecer a casa.

Durante as horas de maior calor, entre as 11h e as 17h, deve evitar-se a exposição ao sol. Mas se tiver mesmo de sair de casa, recomenda-se a utilização de protector solar (renovado a cada 2h ou depois de banhos de mar ou piscina), chapéu e óculos de sol.

É imperativa a ingestão de água, pelo menos “um litro e meio por dia”, indica o responsável — mesmo que não sinta sede. O álcool é de evitar, uma vez que causa desidratação. A prática desportiva deve ser moderada, evitando as horas de maior calor.

Nesta segunda-feira será realizada uma conferência de imprensa conjunta da Direcção-Geral de Saúde, IPMA e Autoridade Nacional de Protecção Civil para recordar estes e outros conselhos. “Vamos recomendar que as pessoas não cuidem só delas próprias, mas também dos mais vulneráveis: crianças, idosos, pessoas portadoras de doenças crónicas, as grávidas e é muito importante não esquecer os que têm mobilidade reduzida e as pessoas que vivem sozinhas”, afirma Diogo Cruz.

Quem tem crédito bancário deve confirmar se bancos cumprem lei

Termina esta segunda-feira o prazo para os bancos aplicarem juros negativos nos contratos.

A associação de consumidores DECO pede atenção a quem tem crédito à habitação. Os bancos têm até esta segunda-feira de refletir totalmente nos contratos a descida que se tem verificado para números negativos da taxa de juro Euribor.

A proposta foi aprovada por quase todos os partidos (apenas com a abstenção do PSD) e promulgada com algumas dúvidas pelo Presidente da República.

O economista da DECO, Nuno Rico, adianta que os bancos têm de cumprir a lei e aplicar a taxa de juro negativa diretamente abatendo ao capital em dívida os juros negativos ou dando ao cliente um crédito de juros que será compensado quando os juros subirem.

Se os clientes não receberem até esta segunda-feira uma carta do banco a explicar como vão cumprir a lei o caminho do consumidor deve ser uma queixa para o Banco de Portugal.

Recorde-se que as taxas Euribor estão negativas há cerca de três anos e os bancos têm sido acusados de não fazerem corretamente os cálculos da prestação do crédito à habitação.

A DECO defende que um contrato indexado a uma taxa variável pressupõe que as duas partes assumem o risco de oscilação da prestação, pelo que quando a Euribor sobe a prestação deve subir e quando desce a prestação também deve descer.

A Associação Portuguesa de Bancos tem contestado a nova lei argumentando que também não estão a refletir nos depósitos dos clientes as taxas de juro negativas que se praticam nos mercados.

Alfa/TSF

Há uma ‘estrela Michelin’ de origem portuguesa a brilhar em Paris

Jean-Luc Rocha é um ‘chef’ de origem portuguesa, galardoado com duas estrelas Michelin, que se apaixonou pela cozinha em criança graças à avó portuguesa e que conquistou o paladar dos inspetores do famoso ‘Guia Vermelho’.

Jean-Luc Rocha

 

O ‘chef’, de 41 anos, que também obteve o título de ‘Meilleur Ouvrier de France’ em 2007, sempre orbitou em torno de estrelas Michelin, como Thierry Marx, Patrick Henriroux e Gilles Blandin até ser ele próprio recompensado.
Foi em 2011 que Jean-Luc Rocha conquistou duas estrelas Michelin no restaurante Le Château Cordeillan-Bages, em Pauillac, perto de Bordéus, onde trabalhava desde 2002 e onde substituiu, em 2010, o mediático ‘chef’ Thierry Marx que já tinha dado à casa duas estrelas.
Desde janeiro de 2017, o ‘chef’ lusodescendente passou para os comandos da cozinha do Saint James Paris, na capital francesa, um restaurante distinguido até agora com uma estrela ao qual Jean-Luc Rocha gostaria de acrescentar uma segunda, « sem pressão ».
« Se pudermos ter duas estrelas, está bem. Se não pudermos: uma estrela, com o pessoal contente, fica bem. Se fizermos bem o trabalho, vamos ter duas estrelas. Não é o objetivo, mas se pudermos atingir isso, muito bem », explicou à Lusa, num português hesitante, já que desde pequeno ouve português em casa mas sempre respondeu em francês.
Basicamente, o ‘chef’ considera que « não vale a pena colocar-se sob pressão para alcançar a estrela » porque « se se trabalhar bem, a recompensa virá » e porque o critério « não é apenas a cozinha, mas um todo, desde o local, à decoração, à equipa, ao acolhimento ».
Jean-Luc Rocha, que nasceu na cidade francesa de Vesoul, herdou da avó portuguesa a paixão pela cozinha porque « a família sempre esteve reunida à volta de uma mesa », onde havia, por exemplo, pastéis de bacalhau, pastéis de nata, sopa de feijão ou burlhões da Beira Baixa.
« Cada prato é uma história, é um sabor, uma imagem, uma lembrança, um momento de convívio, de viagem. Há sempre algo por trás. Não se mete um ou outro produto no prato porque é bonito. Não. É preciso que tenha um sentido e um equilíbrio. É preciso que a pessoa que vá comer sinta uma emoção. Um simples alho frito no azeite é uma emoção porque para mim tem um sabor e uma lembrança », descreveu.
Enquanto a avó lhe transmitiu a importância de conquistar as bocas para arrebatar emoções, o avô e o pai, marceneiros, passaram-lhe a precisão e o rigor milimétrico com que faz as composições de cada prato.
« Julgo que é de família: fazer bom, lindo e preciso. Eles cortavam árvores para fazer móveis, eu pego na cenoura para fazer um prato », resume, com simplicidade, o homem que tem « a sorte » de ser « oriundo de uma família de artistas » da Covilhã que chegaram a França nos anos 60 e que impuseram o apelido Rocha no ramo da serralharia artística e na invenção de revestimentos de ponta para a construção civil.
Os ossos do ofício estão ainda ancorados na família materna que tem unidades hoteleiras na Serra da Estrela, mas a possibilidade de aí trabalhar não o motiva neste momento porque « é economicamente complicado » e não se imagina « a cozinhar só comida tipicamente portuguesa » mesmo que a ideia de « ter um restaurante com estrela Michelin a 1800 metros de altitude seja altamente ».
O ‘chef’ realiza uma « cozinha francesa e internacional » e não gosta muito que lhe perguntem o que é que as suas receitas têm de português para não lhe colarem o rótulo de que só cozinha coisas lusas, mas ao longo da conversa vai-se descobrindo que até pastéis de bacalhau faz « às vezes ».
Afinal, as suas ‘receitas de autor’ têm fortes raízes portuguesas, a começar pelo azeite da terra dos pais e a passar pelas ostras da bacia de Arcachon « que foram trazidas para a bacia de Arcachon pelos portugueses » mesmo que hoje a região seja « o ‘rendez-vous’ dos parisienses e de todo o ‘jet set’ internacional, ao princípio eram aldeias de pescadores, sobretudo portugueses ».
« As ostras e o caviar, os frutos do mar, os crustáceos, a mistura da terra e do mar. Peixe e carne, gambas e porco, qual é o problema? » – sorri o ‘chef’, acrescentando que gosta de carne de porco à alentejana mas que não se deixa levar pela tentação dos mesmos ingredientes porque « isso seria redutor ».
A lagosta também é uma das suas matérias-primas favoritas e gosta de a moldar, por exemplo, com manjerona – uma erva aromática meia-irmã do oregão – mas também adora o ‘foie gras’ que utiliza « todo o ano », por exemplo, com uma folha crocante de sésamo por cima e com melão, figo, maçã ou cogumelos.
Entre classicismo francês e modernidade, Jean-Luc Rocha aposta numa « cozinha autêntica, apoiada nos produtos e identificável », vogando então « entre terra e mar », entre equilíbrio de sabores e ritmo das estações, algo que se vê na ementa de degustação do Saint James Paris.
Depois de um aveludado de batata com ostras e caviar da Aquitânia, há um ‘foie gras’ quente com uma folha crocante de sementes de sésamo e de papoila, pickles de legumes e doce de castanha, seguido de uma lagosta, com caldo da casca, ervas aromáticas e legumes em risotto, mais um ‘moelleux’ de cogumelos em ‘capuccino’ e peito e coxas de pombo marinado com chá Earl Grey à maneira de um ‘pot-au-feu’.
Para a sobremesa, destaque para os gomos de toranja e toranja em creme com pimenta de Timut, acompanhados com sorvete de lichia e lima, com finas folhas de merengue, e para o chocolate Carupano em creme estaladiço com nozes-pecã, calda de cacau e gelado de nata.
Hoje, quando há pratos portugueses na casa dos pais « é uma verdadeira identidade portuguesa » e « um prazer », mas a avó continua agarrada à cozinha lusa e não se deixa converter pelo neto: « Ao ‘foie gras’, ela chama-lhe ‘paté’. Quando trago para as férias de natal e de ano novo o ‘foie gras’, ela diz: ‘Dá cá um bocadinho de paté’. ‘Avó, não é paté, é ‘foie gras’! », conclui com um enorme sorriso.
Alfa/Lusa