Legislativas. Mais de 80% dos votos na Europa e 3% fora da Europa anulados. 2 deputados para o PS e 2 para PSD

Legislativas: Votos de emigrantes dão dois deputados ao PS e outros dois ao PSD. Mas a RTP está a avançar que mais de 80% dos votos do círculo da Europa foram anulados por terem sido misturados os boletins que eram acompanhados pela cópia do Cartão do Cidadão com os que não o eram. No círculo fora da Europa apenas foram anulados 3%.

O total dos votos anulados na Europa atinge mais de 157 mil boletins de voto.

Os votos foram anulados na sequência de um protesto do PSD sobre a ausência de documentos de identificação.

Em causa está o facto de terem sido contados votos sem fotocópia do Cartão do Cidadão. Os social-democratas apresentaram um protesto que foi aceite na mesa de apuramento geral da Europa. Segundo a RTP, no caso da mesa de apuramento geral no círculo de fora da Europa, o entendimento foi outro: a percentagem de votos anulados ficou nos 2,9 por cento.
Esta situação está a criar polémica e interrogações mas facto é que os votos validados deram mais dois deputados ao PS e dois deputados ao PSD, segundo os resultados publicados hoje pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI).

De acordo com a mesma fonte, o PS teve 37,72% e PSD 28,40% dos votos, enquanto o Chega terminou como terceira força política com 9,86%.

O resultado definitivo oficial da contagem dos votos dos emigrantes nas legislativas de 30 de janeiro pode só ser conhecido na terça-feira, devido a eventuais recursos.

Com efeito, o PS tenciona recorrer junto do Tribunal Constitucional da decisão da mesa da assembleia de apuramento geral de anular os votos recolhidos em mesas que juntaram votos válidos com votos considerados nulos por não virem acompanhados de cópia do cartão de cidadão do eleitor.

O triste espetáculo da contagem de votos dos emigrantes e a inépcia dos nossos governantes. Legislativas/Portugal. Opinião

 

Opinião: Daniel Ribeiro

 

Perante tantos problemas com o voto dos emigrantes, a ministra da Administração Interna, Francisca Van Dunem, admitiu hoje a necessidade de alterar a lei eleitoral, durante uma visita à operação de contagem dos votos dos eleitores no estrangeiro das eleições legislativas de 2022.

Acontece que nem se sabe se a ministra vai continuar no próximo Governo e parece até certo que deixará de ser ministra da Administração Interna e da Justiça a breve prazo.

“Estou convencida de que vai ser preciso. É necessário mexer na lei eleitoral”, disse a ainda ministra aos jornalistas.

Francisca Van Dunem lembrou que a lei eleitoral é muito antiga e “responde a uma realidade que entretanto se transfigurou”, pelo que na próxima legislatura a Assembleia da República deverá debater em que pontos da lei mexer.

As declarações da ministra valem o que valem. Com ou sem cópia do Cartão do Cidadão no envelope, facto é que o triste espetáculo, em Lisboa, da contagem dos votos dos eleitores portugueses residentes no estrangeiro deverá dar que pensar – à hora em que se escrevem estas linhas, os votos em 21 das 100 mesas de voto já tinham sido anulados, segundo o PS. E os resultados, se chegarem a ser aprovados, apenas deverão ser conhecidos oficialmente para a semana, desvido a eventuais recursos. Incrível!

No entanto, as declarações da ministra têm algum sentido. Mas, hoje, no dia final da contagem dos votos, têm algum interesse prático? E o Governo no seu conjunto, o Parlamento e seus deputados que, ao longo de tantos anos nada fizeram para evitar estas confusões mais que previsíveis, o que dizem? Vão dizer certamente o mesmo que a ministra: “Estou convencida de que vai ser preciso. É necessário mexer na lei eleitoral”. É promessa, mais uma… e é bem triste. É a cepa torta. É desleixo.

Saiba mais aqui:

Anulados votos de emigrantes em 21 das 100 mesas de voto

E aqui:

Resultado final da votação dos emigrantes pode só ser conhecido para a semana. Legislativas/Portugal

Resultado final da votação dos emigrantes pode só ser conhecido para a semana. Legislativas/Portugal

Legislativas: Resultado definitivo da votação dos emigrantes pode só ser conhecido para a semana, na próxima terça-feira.

 

O resultado definitivo da contagem dos votos dos emigrantes nas legislativas de 30 de janeiro pode só ser conhecido na próxima terça-feira, devido a eventuais recursos, embora a contagem deva terminar esta noite, admitiu a Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Em declarações hoje à tarde na FIL, em Lisboa, onde desde terça-feira decorre a contagem dos votos dos eleitores residentes no estrangeiro, o porta-voz da CNE, João Tiago Machado, explicou que os votos serão contados ao longo da noite de hoje e afixados na manhã de quinta-feira. No entanto, os resultados finais podem só ser conhecidos na próxima semana, caso algum partido recorra dos números apurados.

Como a Lusa noticiou, o PS tenciona recorrer, junto do Tribunal Constitucional (TC), da decisão da mesa da assembleia de apuramento geral de anular os votos recolhidos em mesas que juntaram votos válidos com votos considerados nulos por não virem acompanhados de cópia do cartão de cidadão do eleitor, como exige a lei.

Caso se confirme a intenção, o PS, ou outro partido que entenda recorrer ao TC, tem 24 horas, ou seja, todo o dia de quinta-feira, para o fazer, explicou o porta-voz da CNE.

O TC tem depois outras 24 horas (sexta-feira) para notificar os restantes partidos, que por sua vez têm mais 24 horas (sábado) para apresentar as suas contra-alegações.

“Depois o TC tem até 48 horas para decidir, portanto, em última análise, na terça-feira, haverá os resultados finais”, disse João Tiago Machado.

Os votos dos emigrantes estão hoje a ser contados em dois pavilhões da FIL, em Lisboa, num processo que, segundo explicou à Lusa o secretário-geral adjunto da Administração Eleitoral, Joaquim Morgado, envolve centenas de pessoas.

No total há cerca de 800 pessoas nas mais de 100 mesas de recolha e contagem de votos, mais de 100 pessoas a dar apoio informático, logístico ou outro e entre 60 ou 70 delegados de partidos políticos envolvidos.

Os membros das mesas recebem os votos em envelopes brancos, abrem-nos e confirmam se têm ou não condições de serem admitidos, explicou o responsável.

Dentro do envelope branco deve estar a identificação do eleitor e um envelope verde selado com o boletim de voto, que, sendo válido, é colocado na urna, e posteriormente contado.

Até ao início da noite tinham sido registados mais de 262 mil boletins de voto, segundo números da administração eleitoral.

Segundo a lei, todos os votos que cheguem a território nacional até ao décimo dia após a eleição, ou seja hoje, deverão ser contados e, a meio da tarde, a CNE ainda aguardava a chegada do correio, pelo que João Tiago Machado não arriscou fazer uma previsão da hora a que haverá resultados.

Os dois círculos da emigração elegem quatro deputados, dois pelo círculo da Europa e dois pelo círculo fora da Europa.

Nas legislativas de 2019, cada círculo elegeu um deputado do PS e outro do PSD.

O PS venceu com maioria absoluta as legislativas antecipadas de 30 de janeiro, em que obteve 41,7% dos votos e 117 dos 230 deputados em território nacional – faltando ainda atribuir os quatro mandatos dos círculos da emigração.

Anulados votos de emigrantes em 21 das 100 mesas de voto

Votos de emigrantes em 21 das 100 mesas foram anulados. « Parecer da CNE deu força à posição do PSD », escreve o Expresso.

 

Um parecer da Comissão Nacional de Eleições distribuído esta quarta-feira de manhã pelas mesas “veio ao encontro daquilo que o PSD tem vindo a defender”, ou seja, que os votos alegadamente irregulares deveriam ser separados.

PS diz que foram anulados os votos recolhidos em pelo menos 21 mesas de contagem.

Segundo a Agência Lusa, a notícia é confirmada:

« Os votos recolhidos em pelo menos 21 das mais de 100 mesas que estão desde terça-feira a contar os votos dos emigrantes nas legislativas foram anulados na sequência de protestos do PSD, acusou hoje um deputado socialista.

Paulo Pisco, que é também cabeça de lista do PS no círculo da Europa, disse à Lusa ter confirmado, junto da mesa da assembleia de apuramento geral, que, ao início da tarde, já havia 21 mesas anuladas.

Em causa estão protestos/reclamações apresentados pelo PSD na terça-feira contra a validação de votos que não estavam acompanhados de cópia do documento de identificação do eleitor, como exige a lei.

A cabeça de lista do PSD no círculo da Europa, Maria Ester Vargas, disse que o partido esteve desde terça-feira de manhã, quando começou a contagem de votos da emigração, a apelar às mesas que não juntassem nas urnas os boletins de voto que não tinham cópia do cartão de cidadão do eleitor e os deixassem de lado para serem “analisados posteriormente”.

E acrescentou que um parecer da Comissão Nacional de Eleições (CNE) distribuído hoje de manhã pelas mesas “também veio ao encontro daquilo que o PSD tem vindo a defender”, ou seja, que os votos alegadamente irregulares deveriam ser separados.

No entanto, muitas mesas decidiram colocar todos os votos na urna, misturando votos com identificação e sem identificação e, segundo explicou aos jornalistas o porta-voz da CNE, João Tiago Machado, “contaminando” toda a mesa, uma vez que depois de retirados dos envelopes todos os boletins são iguais.

Embora as mesas de recolha e contagem dos votos sejam soberanas para tomar decisões, João Tiago Machado sublinha que não se podem sobrepor à lei, recordando que “a lei é clara quanto ao fundamento da nulidade” dos votos, nomeadamente quando não são acompanhados da identificação do eleitor.

Referindo-se ao argumento do PS de que todos os partidos concordaram, numa reunião com a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, validar os votos dos emigrantes sem identificação, o porta-voz da CNE lembrou que a questão já se tinha colocado em 2019 e que os partidos tiveram oportunidade de mudar a lei no local próprio, a Assembleia da República.

“Se não quiseram alterá-la por via legislativa, que é a via legal, não devem fazê-lo numa reunião de amigos numa secretaria-geral”, afirmou.

Sem querer confirmar a anulação de votos referida pelo PS a meio do processo, João Tiago Machado disse que as mesas de apuramento geral – dos círculos da Europa e de Fora da Europa – estão a avaliar as reclamações do PSD e o resultado da sua deliberação constará da ata final.

No entanto, ressalvou que essas decisões serão passíveis de recurso e, segundo Paulo Pisco, o PS tenciona apresentar “os recursos que sejam necessários”, tanto junto da Assembleia de Apuramento Geral como junto do Tribunal Constitucional.

Para o deputado, a anulação de votos é “um verdadeiro escândalo, porque é uma total falta de sensibilidade e de respeito” com os eleitores residentes no estrangeiro.

Se o critério fosse a anulação de todos os votos sem cópia do cartão do cidadão, estimou Paulo Pisco, cerca de 40% dos votos teriam de ser anulados, porque, devido à perceção que as pessoas têm no estrangeiro de que não devem utilizar fotocópias do cartão de cidadão, muitas pessoas não o fazem.

O deputado socialista denunciou ainda uma disparidade de critérios nas decisões de anulação de votos, afirmando que, nas mesas do círculo Fora da Europa os votos sem cartão de cidadão estão a ser validados, mas no círculo da Europa estão a ser anulados.

E acusou o PSD de estar a tentar anular os votos da emigração por motivos políticos, afirmando existir a possibilidade de o PS conseguir eleger os dois deputados eleitos pelo círculo da Europa, deixando o PSD de fora deste círculo.

Maria Ester Vargas rejeitou qualquer leitura política e disse tratar-se de “uma questão de legalidade”.

“Se a lei existe, ela deve ser cumprida e não devemos estar aqui a abrir brechas, porque isto é abrir uma caixa de Pandora para muitas outras situações”, disse a candidata social-democrata.

Segundo dados disponíveis na página eletrónica da secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, nos círculos eleitorais do estrangeiro estão recenseados 1.521.947 eleitores, dos quais 2.872 pediram para votar presencialmente.

O PS venceu com maioria absoluta as legislativas antecipadas de 30 de janeiro, em que obteve 41,7% dos votos e 117 dos 230 deputados em território nacional – faltando ainda atribuir os quatro mandatos dos círculos da emigração.

Mundial clubes: Chelsea vence Al Hilal e junta-se a Palmeiras na final

O campeão europeu Chelsea qualificou-se hoje para a final do Mundial de clubes de futebol, ao eliminar os sauditas do Al Hilal, treinados pelo português Leonardo Jardim, por 1-0, em Abu Dhabi.

O belga Romelu Lukaku marcou, aos 32 minutos, o único golo da partida, permitindo aos ingleses chegarem à segunda final do Mundial de clubes, depois de, em 2012, terem perdido o título para os brasileiros do Corinthians.

Após derrotar o campeão asiático, o Chelsea vai encontrar no sábado o Palmeiras, bicampeão da Taça Libertadores e treinado por Abel Ferreira, que na terça-feira ganhou aos egípcios Al-Ahly, por 2-0.

Com Agência Lusa

Curiosidade. Zouma multado… e sem gatos

O West Ham emitiu esta quarta-feira um comunicado referente ao polémico vídeo das agressões de Kurt Zouma, nos quais é possível ver-se o defesa-central do clube a pontapear e a atirar sapatos ao seu gato, enquanto é filmado pelo irmão.

 

O West Ham anunciou que o clube está a apoiar uma investigação sobre as ações de Zouma, e no comunicado é possível ler-se ainda que o defesa entregou os dois gatos da sua família à RSPCA, uma associação que previne a crueldade para com os animais.

 

Além disso, Kurt Zouma levou uma pesada multa, a qual aceitou, tendo pedido que o dinheiro fosse doado a instituições de proteção animal. A multa dos hammers, segundo a imprensa inglesa, deverá rondar os 300 mil euros, o equivalente a duas semanas de ordenado do jogador.

 

Com Jornal aBola.

Foto. Jornal L’équipe.

Vídeo. France24.

Pequim2022. Vanina Oliveira desiste na prova de slalom

A esquiadora portuguesa Vanina Oliveira falhou esta quarta-feira uma porta no início da segunda manga e não terminou a prova de slalom nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022, depois de ter sido 46ª na primeira descida, entre 88 participantes.

Na disciplina em que se sente mais confortável, Vanina Guerillot Oliveira, de 19 anos, partiu para Pequim com o objetivo de ficar entre as 30 primeiras no slalom, mas o erro logo à saída da segunda manga na pista Ice River, em Yangqiing, gorou as expectativas da atleta lusa.

A eslovaca Petra Vlhová, número um do ranking mundial e vice-campeã do mundo, conquistou o ouro olímpico, com um tempo de 1.44.98, depois de ter sido oitava na primeira descida e ter sido a melhor na segunda descida.

Katharina Liensberger, austríaca, campeã do mundo, terminou em segundo e a suíça Wendy Holdener, prata em PeyongChang2018, conseguiu o bronze em Pequim2022 e somou a sua terceira medalha olímpica numa prova em que a campeã em título, a sueca Frida Hansdotter, se retirou da competição em 2019.

Entre 88 atletas à partida, 30 não terminaram a primeira manga e oito não chegaram ao fim da segunda descida no slalom.

O chefe de missão, Pedro Farromba, sublinhou as condições da pista, “com a neve muito rija”, que atirou 38 atletas para fora de prova, e acentuou a frustração de Vanina Oliveira, após “uma boa primeira manga” que antevia cumprir “o que estava definido”.

Estamos tristes. Esta era a prova onde ela é mais forte. A Vanina teve azar, acontece. É sempre frustrante. Ela está muito triste e desiludida, porque é muito tempo de treino e de trabalho para, num momento, não correr bem”, disse Pedro Farromba, em declarações à Lusa.

O responsável realçou que o esqui alpino tem a particularidade de não permitir recuperar quando se comete um erro e salientou o foco na comitiva já na próxima prova, os 15 Km clássicos no esqui de fundo de José Cabeça, na sexta-feira.

Nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022, que decorrem entre 4 e 20 de fevereiro, na China, Portugal está também representando no esqui alpino por Ricardo Brancal, que entra em ação em 13 de fevereiro (slalom gigante) e 16 (slalom), e por José Cabeça, no esqui de fundo, que entra em pista dia 11, no 15 Km clássicos.
Com Agência Lusa.

Emigrantes a trabalhar na construção civil na Suíça fazem formação em Portugal

Um grupo de 31 profissionais portugueses da construção civil a trabalhar na Suíça chegam a Portugal participar num curso de formação profissional, cuja conclusão lhes abre caminho à evolução na carreira e melhoria salarial naquele país, anunciou a entidade formadora.

O curso de formação nas áreas de alvenarias, cofragens e armaduras, canalizações e entivações, “teve imensa procura por parte dos trabalhadores da construção na Suíça”, anunciou o CICCOPN (Centro de Formação Profissional da Indústria da Construção Civil e Obras Públicas do Norte), num comunicado divulgado hoje.

O Projeto Portugal – designação oficial desta formação – nasceu de um protocolo estabelecido entre a Sociedade Suíça dos Empresários (SSE), de Zurique, o Instituto de Apoio à Emigração e às Comunidades Portuguesas, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e o Instituto do Emprego e Formação Profissional.

A edição deste ano começa esta quinta-feira, depois das anteriores, devido à situação pandémica e ao período de contenção decretado para a primeira semana de janeiro, ainda assim, os participantes aproveitam o abrandamento sazonal na construção na Suíça, devido às condições climatéricas próprias do inverno naquele país.

Com Agência Lusa.

Morreu Maria Carrilho, a deputada da emigração de que poucos se lembram

Morreu Maria Carrilho, a deputada da emigração de que muito poucos portugueses se lembram no estrangeiro.

A socialista destacou-se pelo carácter pioneiro dos estudos sociológicos na área da Defesa, mas não pelo que fez nos assuntos das Comunidades.  

Alugou um apartamento em Paris, em Saint-Sulpice, no bairro número 6 da capital francesa, mas, diz o cronista, não percebia nada de emigração.

Foi uma paraquedista designada candidata pelo PS (na época dirigido por José Sócrates), pelo círculo da Europa, apenas para ser deputada.

Crónica de Carlos Pereira, jornalista e diretor do Lusojornal, para ouvir na quinta-feira, 10, na Rádio Alfa.

Ou ouça aqui:

 

 

 

 

Legislativas/Portugal. PSD contesta contagem de votos dos emigrantes, PS diz que decisão foi de todos

PSD contesta contagem de votos dos emigrantes, PS diz que decisão foi de todos. Em questão a validação de votos de emigrantes sem estarem acompanhados de cópia do cartão de cidadão.

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Alfa/Lusa
whatsapp sharing buttonO PSD contestou ontem junto da Comissão Nacional de Eleições (CNE) a validação de votos de emigrantes sem estarem acompanhados de cópia do cartão de cidadão, mas o PS argumenta que a decisão foi de todos os partidos.

Os votos dos eleitores residentes no estrangeiro nas legislativas de 30 de janeiro começaram a ser contados hoje em Lisboa, num processo que termina na quarta-feira, prazo para a receção dos votos das comunidades.

Em declarações à Lusa por telefone, o deputado do PSD António Maló de Abreu disse que o partido apresentou logo de manhã um protesto/reclamação junto das mesas, e mais tarde junto da CNE, por estarem a ser contados todos os boletins de voto recebidos, incluindo os que não estão acompanhados de cópia do cartão de cidadão (CC).

Segundo o deputado, a lei exige que, para identificação do remetente, seja colocado dentro do envelope enviado por cada eleitor uma fotocópia do seu CC.

O deputado socialista Paulo Pisco, por seu lado, acusou o PSD de “oferecer um espetáculo degradante” ao tentar invalidar os votos sem cópia do CC quando todos os partidos, incluindo o próprio PSD, decidiram, em reunião com a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), que seriam validados todos os votos, mesmo que viessem sem cópia do CC.

O objetivo, explicou à Lusa, era “que não voltasse a acontecer aquilo que aconteceu nas últimas eleições [legislativas], em 2019, em que houve mesas em que mais de metade dos votos enviados pelos portugueses residentes no estrangeiro foram invalidados”.

Maló de Abreu confirmou que, numa primeira reunião com os representantes dos partidos e da SGMAI, o PSD aceitou a opção de validar os boletins que não viessem acompanhados de cópia do CC.

No entanto, após consultar o gabinete jurídico do partido, o PSD concluiu que esta opção era ilegal e, na segunda e última reunião, na passada sexta-feira, informou os restantes partidos e a SGMAI da sua posição.

“A nossa posição é: cumpra-se a lei”, disse o deputado.

Segundo o parlamentar, no próprio envelope que é remetido aos eleitores para que possam participar nas eleições, está explicado como devem votar e está também indicado que devem associar uma fotocópia de um documento de identificação, sob pena de o seu voto não ser válido.

Maló de Abreu acrescentou que há algumas mesas que estão hoje a separar os boletins de voto sem identificação, enquanto aguardam a decisão da CNE sobre o protesto do PSD, mas a maioria está já a colocar todos os boletins na urna.

“Isto configura uma fraude eleitoral, como é obvio. E configura um crime. É uma violação da lei eleitoral”, acusou.

O deputado social-democrata argumentou que “há países onde é fácil comprar os envelopes de voto, porque não foram distribuídos, ficaram nos correios”.

“É fácil pegar num milhar, dois ou três ou cinco milhares de envelopes, fazer a cruzinha voltar a pôr o envelope no correio, porque é de porte pago. E, portanto, é muito fácil falsificar as eleições”, afirmou.

Para Paulo Pisco, no entanto, o essencial nesta eleição, em que houve “um aumento substancial do número de votantes, era honrar cada voto enviado do estrangeiro (…), tal como foi consensualmente aprovado por todos”.

“Tem sido feito um esforço gigantesco para que haja uma participação dos portugueses e depois vem um partido político e revela um total desprezo pelas comunidades. É inqualificável”, disse.

O deputado socialista lembrou também que houve mudanças na Europa sobre a utilização dos dados pessoais, incluindo a proibição da transmissão por cópia dos dados do CC, que é punível por lei em muitos países, incluindo em Portugal.

“Isto cria nas pessoas essa dificuldade de compreender de que maneira votar”, argumentou.

O PS venceu com maioria absoluta as legislativas antecipadas de 30 de janeiro, em que obteve 41,7% dos votos e 117 dos 230 deputados em território nacional – faltando ainda atribuir os quatro mandatos dos círculos da emigração.

O PSD conseguiu 27,8% dos votos e 71 deputados sozinho, subindo para 76 deputados e cerca de 29% do total dos votos somando os valores obtidos nas coligações de que fez parte na Madeira e nos Açores.

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