Covid-19/Portugal: seis mortos (o número mais baixo desde março), mas há mais novos casos (264)

Covid-19: seis mortos (o número mais baixo desde março), mas há mais novos casos (264)

Há ainda a registar, nas últimas 24 horas, mais 130 recuperações. No total, há agora em Portugal 1.190 vítimas mortais, 28.583 casos confirmados e 3.328 recuperados.
Informação oficial:

Covid-19: Único caso semelhante a doença de Kawasaki em Portugal já recuperou – DGS

Covid-19: Único caso semelhante a doença de Kawasaki em Portugal já recuperou - DGS

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O único caso de síndrome inflamatória associado à covid-19 em Portugal foi uma criança que já recuperou, afirmou hoje a diretora-geral da Saúde.

Na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia da covid-19, Graça Freitas indicou que o único caso em Portugal de síndrome semelhante à doença de Kawasaki, caracterizada por uma inflamação dos vasos sanguíneos, num caso de covid-19 foi comunicada ao Centro Europeu de Controlo de Doenças e já apareceu nas suas estatísticas internacionais.

“Tivemos um caso. Felizmente, é uma criança que evoluiu bem e já teve alta. Estamos alerta nos serviços de pediatria e estamos prontos para diagnosticar e tratar qualquer situação”, garantiu a responsável da Direção-Geral da Saúde.

Uma criança de nove anos morreu hoje em França após registar sintomas semelhantes aos da doença de Kawasaki, descritos em jovens que tiveram contacto com o coronavírus, a primeira morte deste tipo no país, anunciou hoje o seu médico.

Segundo o médico, a criança, que vivia em Marselha, ficou “gravemente doente devido a uma paragem cardíaca” em casa, antes de ser transportada para o seu serviço especializado. Foi tratada “durante sete dias” e morreu no sábado, adiantou.

Nas últimas três semanas, vários países assinalaram casos de crianças com uma doença inflamatória com sintomas semelhantes aos da rara doença de Kawasaki, provavelmente relacionados com a covid-19.

Foram registadas outras mortes após o desenvolvimento de tais sintomas: um adolescente de 14 anos, positivo para a covid-19 e sem patologia subjacente no Reino Unido, e uma criança de cinco anos em Nova Iorque.

Os sintomas são febre alta, dores abdominais e problemas digestivos, erupção cutânea, conjuntivite e língua avermelhada, que incha e que fica com o aspeto de framboesa.

Portugal contabiliza 1.190 mortos associados à covid-19 em 28.583 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais seis mortos (+0,5%) e mais 264 casos de infeção (+0,9%).

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 302 mil mortos e infetou mais de 4,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Portugal: Em quase 80% dos concelhos não houve um único casamento em abril

Por Catarina Silva e Delfim Machado com Sara Gerivaz para o JN

Com o confinamento, em 246 municípios não houve uniões. No país, a queda foi de 94%. Em Lisboa, só um casal deu o nó.

Com os portugueses fechados em casa e as conservatórias a funcionar por marcação, houve um travão a fundo nos casamentos: em 246 concelhos de Portugal (quase 80% do total), ninguém casou em abril. Contas feitas, as uniões caíram 94% em relação a abril do ano passado. Com a corda na garganta, a indústria do setor já fez propostas ao Governo. Se em abril de 2019 houve 1943 casamentos, no mês passado o número caiu para 112.

É certo que abril não é o mês predileto para casar: no ano passado, também havia 69 concelhos com zero uniões, mas o retrato atual é um sintoma do que o setor vive. Em Lisboa, só um casal disse o « sim » em abril, contra 217 em 2019. Em Braga não houve um único casamento e no Porto só oito casais o fizeram, segundo dados do Instituto de Registos e Notariado.

Olhando aos distritos, em abril de 2019 não houve nenhum em branco nos casórios. Mas, no mês passado, Bragança, Guarda, Vila Real e os Açores não celebraram qualquer matrimónio. Mesmo nos distritos onde mais se casa – Lisboa, Porto, Setúbal, Braga e Aveiro – foram poucos os que quiseram, sem festa, oficializar a relação. No de Braga, que teve 165 uniões em abril do ano passado, só dois casais avançaram para a conservatória durante o confinamento.

O número de casamentos já começava a dar sinais de quebra em março, quando a pandemia atingiu o país. Na altura, e comparando com o mesmo mês de 2019, a redução foi de 36,4%.

Grande impacto

O impacto no setor está patente em estudos como o da Exponoivos, que concluiu que 94% das empresas já tiveram cancelamentos ou adiamentos. Dessas empresas, 65% tiveram de adiar mais de 10 casamentos.

A Belief Wedding Creators, plataforma internacional para « wedding planners », inquiriu mais de mil agentes em 47 países e concluiu que, em Portugal, 32,1% dos matrimónios foram adiados para o segundo semestre deste ano, 22,5% para 2021 e 6,4% foram mesmo cancelados. Só em Itália houve mais adiamentos.

A BestEvents, que organiza a BragaNoivos, ViseuNoivos e White Wedding, concluiu que 96% das cerimónias são adiadas e não canceladas. Quem cancela justifica com a incerteza sobre o futuro e o receio de não ter capacidade financeira.

A organização da Exponoivos diz que o efeito da covid-19 « pode ser devastador para as empresas, caso não sejam tomadas medidas urgentes ». Os profissionais da indústria reuniram esta semana com o Governo e apresentaram um « Manual de Boas Práticas para a Retoma de Atividade na Indústria de Eventos Sociais ».

Entre as propostas está a medição da temperatura a todos os convidados, a preferência por espaços ventilados e serviço de cocktail de pé, regras de higiene e distanciamento social. O Governo prometeu analisar as medidas com a Direção-Geral da Saúde.

Das alianças ao vestido de noiva, do bolo à decoração, dos convites às lembranças, dos músicos aos fotógrafos, há centenas de profissionais que não viviam exclusivamente dos casamentos, mas que foram fortemente afetados pelos adiamentos.

A BestEvents, responsável por feiras nacionais e internacionais, fez um estudo com 257 empresas e concluiu que o valor médio gasto na organização de um casamento é de 35 289 euros.

« É uma área onde operam mais de sete mil empresas em Portugal. Geram muito emprego e têm um grande impacto na economia portuguesa », afirma Jorge Ferreira, da BestEvents.

O serviço mais caro é o da lua de mel. O destino de sonho e custos associados valem, em média, 3119 euros. Muito perto está o aluguer do espaço, geralmente uma quinta, que custa uma média de 3077 euros. Logo a seguir vem o vestido de noiva e acessórios, com um custo médio de 1968 euros.

O setor do vestuário é, aliás, um dos que comportam mais gastos. « Temos casamentos em que vendemos só o vestido de noiva, mas às vezes temos dez vestidos e fatos », revela Rafael Freitas, com uma loja na Avenida da Boavista, no Porto. Tem o espaço fechado desde meados de março e preparava-se para entrar na época alta dos casamentos, mas caiu tudo por terra. « Março é o primeiro mês da época alta, tínhamos tudo preparado e estamos a zero », lamenta, lembrando que ninguém sabe quando se vai poder fazer cerimónias com centenas de convidados. « Ninguém quer fazer um casamento com 40 ou 50 pessoas, querem ter as 200 que já convidaram », refere Rafael Freitas.

O anúncio do estado de emergência foi no dia 12 de março e, dois dias depois, Andreia Porfírio e Luís Ramos, do Montijo, iam casar na igreja de Samouco, em Alcochete. Enquanto o primeiro-ministro António Costa falava, Andreia e uma amiga estavam na quinta a ultimar os preparativos para a cerimónia, após 17 anos de namoro.

« Começaram todos a ligar a dizer que não iam aparecer. Dá uma sensação de frustração muito grande. Eu estar a preparar tudo e as pessoas a dizer que não vinham Chorei um bocadinho, mas compreendi », recorda Andreia. Estavam convidadas 150 pessoas, mais de metade tinha acabado de cancelar a presença.

Para além disso, a data de 14 de março não foi escolhida à toa. Era o terceiro aniversário do Rafael, o fruto recente de um amor iniciado na adolescência. Ao mesmo tempo do aniversário e do casamento, era o batizado da criança. Foi tudo adiado.

A segunda data escolhida foi junho deste ano, já com algum receio de que a pandemia pudesse novamente trocar as voltas ao casal. Assim aconteceu.

Com junho fora de hipótese, a terceira data foi anunciada. Agora vai. Andreia e Luís, ambos empresários, de 35 e 34 anos, respetivamente, vão casar a 20 de março de 2021. A alternativa a sucessivos adiamentos era casar só com os pais e avós presentes, de máscara e regras apertadas de distanciamento social. « Não faz sentido, é uma data demasiado especial para ter tanta restrição », explica a noiva.

O dia em que António Costa anunciou o estado de emergência foi também o dia em que Andreia e Luís pagaram o casamento todo. Uma despesa que ficou parcialmente perdida, sobretudo « em coisas perecíveis que já tinham sido adquiridas, como decoração e flores », contam.

« Calhou tudo bem »

No entanto, as grandes fatias do gasto com o casamento mantêm-se para a nova data. « Tivemos sorte e calhou tudo bem. Os fotógrafos podem, a animação do copo-d »água também, o padre já reservou dia e a quinta também estava livre no dia 20 », refere a noiva, ressalvando que a data de 14 de março de 2021, do quarto aniversário do pequeno Rafael, já estava ocupada.

Embora esteja plenamente ciente dos motivos que levaram ao adiamento, Andreia ainda pensa no 14 de março que levou sete meses a ser preparado e ficou para trás: « Estava um dia lindo de sol e deixa assim uma sensação de que já não vai ser a mesma coisa. Mas vai chegar o dia e vai ser ».

« O amor nunca falha ». Em tempo de pandemia, a frase lida durante o casamento de Ana e Rui nunca tivera tanto significado. Ao contrário de centenas de noivos, que adiaram o matrimónio devido à covid-19, o casal de 28 e 32 anos selou o amor no último sábado, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Porto.

Diante do altar, Ana e Rui tiveram a certeza de que tinham tomado a decisão certa – não adiar um sonho. « Não queríamos esperar mais pela possibilidade de dizer o « sim » que nos ligaria para sempre », explica ao JN a jovem brasileira, a viver há dois anos e meio no Porto.

A cerimónia não contou com a habitual presença de amigos e familiares. Não houve abraços nem beijos. Os pais do noivo e as testemunhas, os únicos presentes na cerimónia, além do membros da paróquia e do fotógrafo, cumpriram as distâncias a que obriga a nova realidade e, apesar das máscaras nos rostos esconderem os sorrisos, não disfarçaram a emoção.

« A cerimónia foi muito mais do que aquilo que imaginávamos », diz Ana.

O dia cinzento não anulou a atmosfera « alegre e serena » e a igreja vazia foi preenchida com o afeto dos familiares da noiva, que assistiram a tudo em direto do Brasil. A proximidade tornou-se possível. Não houve tristeza. « O casamento tal como foi realizado em momento algum perdeu, para nós, a sua grandiosidade, o sentimento profundo de comunhão existencial e a alegria que tínhamos sonhado », explica a noiva.

Casar em tempo de pandemia ganhou outro significado. A angústia e a incerteza das primeiras semanas transformaram-se em resiliência. Aprenderam a « não criar muitas expectativas » sobre os planos delineados e, apesar das mudanças de última hora, « foi mesmo um sonho ».

Copo-d’água a dois

Católicos praticantes, casaram no mês « das mães e de Maria » com roupas compradas online e « alianças de última hora » obtidas após o estado de emergência.

No final do casamento, o copo-d’água foi passado em casa, a dois. Ana e Rui encomendaram sushi e brigadeiros e brindaram com champanhe, comprado para a ocasião. Após o jantar, conversaram através das redes sociais com os familiares. Uma celebração diferente adaptada aos novos tempos.

Quando for possível, o casal do Porto irá celebrar com uma festa que reúna a família e amigos. « Brincamos que não nos importamos de casar um com o outro várias vezes ao longo da vida ».

Dia a dia, Ministro Centeno ainda está no Governo; Praias com semáforos à entrada e dez metros quadrados por pessoa

Semáforos à entrada e dez metros quadrados por pessoa: Governo estuda regras de acesso às praias (e restaurantes só até às 23h)

Foto ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Alfa/Expresso/Lusa

Partidos foram discutir a pandemia e as medidas de desconfinamento mas acabaram a criticar a novela sobre a eventual saída em breve do Governo de Mário Centeno, incluindo o papel do primeiro-ministro e do presidente da República. Chega revelou limitação de horas para restaurantes

As restrições no acesso às praias não vão passar por uma lotação máxima ou obrigatória. Em vez disso haverá « uma média calculada de 10 metros quadrados por pessoa nas praias » e « uma espécie de semáforo ou uma indicação luminosa da lotação da praia », revelou André Silva, do PAN, após a reunião que teve esta quinta-feira com o primeiro-ministro.

À saída da ronda de encontros entre os partidos e o Governo, em São Bento, foram conhecidos mais alguns pormenores das medidas de desconfinamento que o Executivo vai adotar. André Ventura, do Chega, revelou que vai haver uma hora limite para o funcionamento dos restaurantes – o Governo está a pensar encerrar estes estabelecimentos, cuja lotação estará reduzida a metade, a partir das 23h.

CRÍTICAS A CENTENO DOMINARAM DECLARAÇÕES

A reunião servia para falar da pandemia e da fase de desconfinamento que Portugal atravessa mas o fantasma de Centeno não deixou de pairar em São Bento. Se quanto às medidas sanitárias não houve grandes discordâncias, o mesmo não se pôde dizer da ameaça de crise política que ocupou o Governo nos últimos dias. E aí a postura dos partidos, que não querem « salamizar » o Governo e até aconselham o presidente da República a não se deixar « arrastar » pelo conflito, foi crítica.

Por entre pedidos de « sensatez » nas regras de acesso às praias, Jerónimo de Sousa comentou o caso Centeno. « O PCP nunca defendeu o princípio de que a política se faz arrumando ministro a ministro. Há um coletivo, há um Governo e um primeiro-ministro que tem essa responsabilidade particular. Não temos essa visão de trabalhar à peça », respondeu o secretário-geral do partido, resumindo assim a sua posição sobre o caso: « Não peçam ao PCP para ir salamizando o Governo porque a responsabilidade é do Governo no seu conjunto ».

As responsabilidades a assumir pelo conflito foram, aliás, alvo de constante análise à saída dos encontros. Francisco Rodrigues dos Santos, do CDS, aproveitou o momento para deixar avisos a Marcelo mas também para se demarcar de Rio, que sugeriu a demissão do ministro: por um lado, « o Presidente da República deve assegurar o regular funcionamento das instituições, não lhe cabendo coordenar a ação do Governo »; por outro, assegurou que o CDS « não fará um frete de pedir a cabeça do ministro das Finanças, sob pena de nos estarmos a substituir ao Governo ».

« A avaliar pelos rasgados elogios que o primeiro-ministro teceu ao ministro das Finanças nos últimos quatro anos, nenhum português diria que seria difícil manter um relacionamento salubre com o Ronaldo das finanças », observou o líder centrista.

RIO ALERTA PARA SEGUNDA VAGA

Rui Rio tinha, aliás, sido dos mais ferozes críticos da atuação do Governo neste caso. Mas à porta do primeiro-ministro considerou que seria « deselegante » comentar o problema em casa alheia e remeteu para o que já tinha escrito no Twitter: Centeno continua no Governo… sem ter condições para continuar.

Mas o líder social-democrata também aproveitou para deixar alertas no que toca à hipótese de uma segunda vaga – e à preparação que ela exigirá: « Se isso acontecer, não podemos encerrar a sociedade e a economia da mesma forma como foi encerrada em março e abril porque a economia pura e simplesmente não aguenta. Por isso, no mês de junho temos de aprender como fazer no caso de termos uma segunda onda, em que temos de fechar alguma coisa mas não podemos fechar tudo ».

PAN ATACA GOVERNO E MARCELO, BE PREOCUPADO COM A POBREZA

No Bloco de Esquerda, Catarina Martins considerou que o compromisso de Mário Centeno será preparar o orçamento suplementar – mais do que isso é preciso perguntar ao Governo – e aproveitou para defender a importância de um programa nacional « forte e coerente » contra a pobreza, além de um alargamento dos apoios aos pais que optam por não colocar já os filhos nas creches.

André Silva, do PAN, não poupou ninguém: as críticas que teceu no final da sua reunião com António Costa foram dirigidas tanto ao Governo como ao primeiro-ministro – e acabou a recordar que o PAN rejeita a possibilidade de Centeno passar do lugar de ministro das Finanças para o de governador do Banco de Portugal. Questionado sobre se responsabiliza o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e se entende que o ministro das Finanças agiu bem, André Silva respondeu: « Independentemente das razões que existam ou não, esta é uma crise que foi alimentada em grande parte pelo senhor Presidente da República quando, de facto, a situação interna no Governo estaria a ser resolvida. E, de facto, o senhor Presidente da República não esteve bem, como não esteve o Governo ».

Mapril Baptista, empresário e humanista hoje no programa Ida e Volta de Luís Gonçalves – das 10 às 12h

O empresário, humanista, dirigente associativo e Comendador Mapril Baptista, é o convidado de hoje do programa de Luís Gonçalves, das 10h às 12h. Na entrevista, em direto, descontração e música e, sobretudo, o percurso de vida do conhecido empresário e também a atualidade, designadamente a crise do Covid-19, as graves consequências económicas e sociais que provoca e a grande pobreza que já aí está. 

Admirar quem tem fé. Opinião

« Sinto deveras admiração por quem tem fé ». Ouça aqui a última crónica do jornalista Ricardo Figueira:

Sejamos solidários com os emigrantes que sempre foram generosos com Portugal. Opinião

OPINIÃO

L’Etrangère. O mundo aqui. Nós no mundo. Portugal país de emigração (parte 1)

Por Pedro Góis, Sociólogo, Faculdade de Economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra – in Público

Temos sabido tratar com humanidade os estrangeiros que escolheram Portugal para aqui viver. Saibamos ser igualmente generosos com os portugueses que vivem longe daqui, com os que querem vir visitar-nos ao longo dos próximos meses, com os que querem regressar. Sejamos solidários com os emigrantes que sempre foram generosos com Portugal.

Quando, nos anos 60 do século XX, centenas de milhares de portugueses arranjaram uma trouxa e partiram para França, muitos com “passaporte de coelho”, iniciaram um ciclo de emigração que ainda não parou. Seis décadas depois ainda são dezenas de milhares os portugueses que deixam o seu país para trabalhar, uns por mais, outros por menos tempo, nesse país global a que chamamos estrangeiro. Reino Unido, Luxemburgo, Suíça, Alemanha, Espanha, EUA, Canadá, Angola, Brasil, EAU, China e tantos outros países acolhem cidadãos portugueses que se expatriaram voluntariamente procurando uma vida melhor. Mas também partem para trabalhar em aviões, cruzeiros, ferries, plataformas petrolíferas offshore, navios da marinha mercante, entre outros veículos para uma vida sem miséria, para terem um futuro na vida.

Nas anteriores crises que este retângulo ibérico vivenciou, a emigração sempre foi uma opção. Dos anos 60, quando a crise era política e económica, ao desemprego dos anos 80 pós FMI, à crise económica que fez sombra à crise financeira após 2008, à crise de emprego e carreira de algumas profissões (por exemplo, dos enfermeiros), à crise de setores inteiros, como as sucessivas crises da construção civil, ou à crise de esperança para quem vive no interior desertificado e abandonado do país que é todo litoral. Nas crises, telefona-se ao primo de França ou da Suíça, ao tio-avô do Brasil, segue-se o LinkedIn ou fazem-se candidaturas a empregos em lugares que se pesquisam no Google mapas. O estrangeiro é sempre uma opção porque, quando há (uma nova) crise aqui, há (novas) oportunidades ali. Só que agora nem aqui nem ali.

Neste período estranho em que vivemos, há milhares de portugueses sem trabalho, em lay-off ou no desemprego, por esse mundo fora. Milhares de mulheres a dias e de trabalhadores por conta própria, gente dos hotéis e das limpezas, empreiteiros e subempreiteiros, dentistas, pequenos empresários, comissários de bordo e hospedeiras, eletricistas e canalizadores, músicos e artistas de outras artes, não sabem se devem regressar ou se devem arriscar e mudar de vida e de país (outra vez…). Estudantes, cientistas, engenheiros, arquitetos têm a vida entre aspas de um tempo desconhecido. Temos todos, claro, mas, fora de casa, custa (ainda) mais.

O que esta crise provocará na emigração portuguesa está longe de se poder avaliar. Para já, no curto prazo, a diminuição da emigração será inevitável bem como, inexoravelmente, muitos emigrantes, mais precários laboralmente ou com uma menor prospetiva profissional, tenderão a regressar. O efeito conjugado dos regressos e das não-partidas colocará mais pressão nas estatísticas do desemprego e na necessidade de promover políticas de re inclusão social e económica de todos estes cidadãos. Políticas locais, regionais e nacionais de apoio ao regresso e de apoio aos que (já) não podem partir.

O “Programa Regressar”, uma boa ideia, mas ainda pouco conhecida e ainda menos implementada, é agora que tem que mostrar o que vale. A oportunidade de recuperar para o país o capital humano que estava expatriado, tantas vezes anunciada como um desígnio nacional, encontra aqui uma nova ocasião.

A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas tem aqui uma missão de importância maior: colocar a emigração e os emigrantes portugueses no centro das políticas de desenvolvimento económico e territorial. Os gabinetes de apoio ao emigrante, muitos deles municipais, os gabinetes de apoio à diáspora, os consulados, enfim, todas as instituições ligadas à emigração, vão enfrentar o maior desafio da sua existência: apoiar os que permanecerão emigrados, apoiar os que desejam regressar, criar condições para que o regresso ocorra sem conflito e, se possível, com ganhos para o país. O mundo está a fechar fronteiras e isso, inevitavelmente, vai refletir-se na emigração portuguesa.

Desde Março que o tema da emigração portuguesa se tornou (ainda mais) invisível. As referências aos 2,5 milhões de portugueses emigrados, às dezenas de milhar de portugueses que perderam o emprego, aos milhares que estarão contaminados (alguns em países sem qualquer proteção ou serviço nacional de saúde) são escassas e pouco impactantes por cá. É pena. Um país que também é a Diáspora não se pode pensar sem ela. O retorno dos emigrantes é uma oportunidade que seguramente não quereremos perder. Muitos dos regressados trarão na bagagem experiências profissionais únicas, saberes novos, ideias inovadoras, novas redes e um renovado capital social, capacidades de que o país carece. Ganharemos todos se soubermos aproveitar esta oportunidade para gerar mudanças estruturais.

L’ Etrangère é o nome de uma música-canção de Linda de Suza, ícone da emigração para França, que para aí partiu com a sua mala de cartão. Como ela, nas gerações seguintes, muitos se sentiram estrangeiros mesmo quando nos visitavam em agosto, como se se pudesse ser simultaneamente estrangeiro em casa e estrangeiro no estrangeiro. Mais uma vez, em minha opinião, são precisas políticas de médio prazo e um alvo bem focado, o que nos tem faltado nos últimos 60 anos de políticas para os emigrantes. Precisamos de concertação entre ministérios e de articulação entre programas e entidades já existentes, de uma cadeia de responsabilidades e um fluxo de informação bem definido. Precisamos de investir agora para obter um retorno depois.

Temos sabido tratar com humanidade os estrangeiros que escolheram Portugal para aqui viver (como assinalarei na segunda parte deste texto a publicar nos próximos dias). Saibamos ser igualmente generosos com os portugueses que vivem longe daqui, com os que querem vir visitar-nos ao longo dos próximos meses, com os que querem regressar. Sejamos solidários com os emigrantes que sempre foram generosos com Portugal.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

Covid-19: Mais de 300 mil mortes no mundo inteiro

Covid-19: Ultrapassada barreira das 300 mil mortes no mundo inteiro – AFP

Covid-19: Ultrapassada barreira das 300 mil mortes no mundo inteiro

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Pelo menos 300.140 pessoas morreram em todo o mundo por causa da pandemia da covid-19, 80% das quais na Europa e nos Estados Unidos, de acordo com o último balanço, às 20:30 de hoje, da agência France-Presse (AFP).

Deste total, 162.654 pessoas morreram na Europa, que contabiliza mais de 1,8 milhões de pessoas contagiadas pelo novo coronavírus.

4.395.790 casos de infeção foram oficialmente diagnosticados em 196 países e territórios desde o início da epidemia.

De acordo com os dados recolhidos pela agência noticiosa francesa, os Estados Unidos são o país com o maior número de óbitos declarados por causa da pandemia (85.194), seguindo-se o Reino Unido (33.614), Itália (31.368), França (27.425) e Espanha (27.321).

Covid-19: EUA com 85 mil óbitos. Mais 1.754 mortos em 24 horas

Covid-19: EUA com 1.754 mortos nas últimas 24 horas, total supera os 85 mil óbitos

Covid-19: EUA com 1.754 mortos nas últimas 24 horas, total supera os 85 mil óbitos

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Os Estados Unidos registaram 1.754 mortos causados pela covid-19 nas últimas 24 horas, o que elevou o número total de óbitos para 85.813, segundo a contagem independente da Universidade Johns Hopkins.

Nas últimas 24 horas foram identificados 26.593 casos, aumentando para 1.416.528 o número de contágios desde o início da pandemia.

O estado de Nova Iorque continua a ser o grande foco da pandemia nos Estados Unidos, com 343.051 infetados e 27.607 mortos, número semelhante ao da Espanha e apenas abaixo do Reino Unido e da Itália.

Somente na cidade de Nova Iorque, 20.406 pessoas morreram.

Em Nova Jersey há a registar 142.704 casos confirmados e 9.946 mortes, enquanto o de Illinois contabiliza 87.937 infeções e 3.928 mortes. Já Massachusetts tem 82.182 contágios confirmados e 5.482 óbitos.

Outros estados norte-americanos com um grande número de mortes são Michigan, com 4.787, Pensilvânia, com 4.288, e Connecticut, com 3.219.

O Instituto de Métricas e Avaliações em Saúde da Universidade de Washington, cujos modelos para a evolução da pandemia servem de base para as previsões da Casa Branca, estimou que, no início de agosto, a pandemia terá causado 147 mil mortes nos Estados Unidos.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 302 mil mortos e infetou quase 4,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,5 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou agora a ser o que tem mais casos confirmados, embora com menos mortes.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

TC rejeita recurso do FC Porto para afastar juiz do processo cível dos e-mails

O Tribunal Constitucional (TC) rejeitou o recurso do FC Porto para afastar o juiz desembargador da Relação do Porto Eduardo Pires, a quem foi distribuído o processo cível relativo à divulgação de e-mails do Benfica.

A decisão sumária do Constitucional, datada de 11 de maio e a que a Lusa teve hoje acesso, diz “não conhecer do recurso” dos ‘azuis e brancos’, interposto depois de o presidente do Tribunal da Relação do Porto (TRP) negar o pedido de escusa (afastamento) apresentado pelo juiz Eduardo Pires, no qual o desembargador assume ser sócio dos ‘encarnados’ e acionista da Benfica SAD.

Em junho do ano passado, o FC Porto recorreu para o TRP, depois de ter sido condenado na primeira instância ao pagamento de cerca de dois milhões de euros pela divulgação de correio eletrónico por Francisco J. Marques no programa televisivo Universo Porto da Bancada, do Porto Canal, entre abril de 2017 e fevereiro de 2018.

O recurso foi distribuído ao juiz desembargador Eduardo Pires que, por ser sócio do Benfica, apresentou um pedido de escusa de intervir neste processo, justificando que é sócio do Benfica há mais de 50 anos e que recebeu, em março de 2019, o emblema ‘Águia de Ouro’, sendo também acionista da SAD ‘encarnada’ e frequentador assíduo do Estádio da Luz.

Em janeiro deste ano, o presidente do TRP julgou “improcedente o incidente de escusa” e manteve o desembargador Eduardo Manuel Baptista Martins Rodrigues Pires com intervenção no processo, segundo a decisão de 23 de janeiro, a que a Lusa teve, na ocasião, acesso.

O desembargador Ataíde das Neves sustenta que o juiz, “adepto fervoroso do Benfica, titular de Águia de Ouro e com Red Pass para o seu lugar cativo, não é mais do que um adepto do coração, mas o facto de ser do coração não lhe tolhe a razão, não quebra a sua imparcialidade e a sua isenção como juiz”.

O presidente do TRP realça ainda a « isenção e imparcialidade » que sempre caracterizaram Eduardo Pires ao longo de mais de 30 anos consecutivos como magistrado, vincando que o próprio « se afirma plenamente seguro da sua imparcialidade neste caso ».

O FC Porto recorreu para o TC, alegando quatro questões de inconstitucionalidade “por violação do princípio da imparcialidade judicial” (do juiz), mas o Constitucional decidiu “não conhecer do recurso”, sublinhando que lhe compete apreciar normas.

“Ora, tal como formulado [no recurso do FC Porto], é patente que o questionamento não é dirigido ao modo como o legislador regulou esse instituto, com referência a um critério normativo de decisão, mas sim à reapreciação do juízo (…)”, explica o Constitucional na sua decisão, que teve como relator Fernando Ventura.

No processo movido pela SAD da Luz, que reclamava 17,7 milhões de euros de indemnização, foram condenados pelo Tribunal Cível do Porto o FC Porto, a SAD ‘azul e branca’ e o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ao pagamento de 523 mil euros por danos patrimoniais emergentes e 1,4 milhões de euros por danos não emergentes, pela divulgação da correspondência.

Já o presidente do clube, Pinto da Costa, os administradores dos ‘dragões’ Fernando Gomes e Adelino Caldeira e a empresa Avenida dos Aliados, detentora do Porto Canal, foram absolvidos.

O tribunal calculou em 1,4 milhões de euros o montante a pagar pela divulgação dos e-mails em 20 programas televisivos, durante 10 meses, diferenciando os valores pela importância e veracidade da correspondência (10, 20, 40, 80, 160 e 340 mil euros), tendo ainda entendido reduzir para um terço o valor total da indemnização por danos patrimoniais, para 523 mil euros.

No processo, a SAD ‘encarnada’ corresponsabilizava por « danos de imagem » causados pela divulgação dos e-mails a homóloga do FC Porto, o presidente da SAD e do clube, Pinto da Costa, os administradores Fernando Gomes e Adelino Caldeira e o diretor de comunicação, Francisco J. Marques, além da FCP Media, empresa detentora da estação televisiva Porto Canal.

O Benfica alegava que a divulgação dos e-mails lhe afetou a credibilidade, prejudicando os seus interesses comerciais e chegando a provocar a queda de cotação das ações da Sociedade Anónima Desportiva.

Já o FC Porto defendeu ter-se limitado a divulgar informação de interesse público, alegando que o correio eletrónico divulgado revelou práticas deturpadoras da verdade desportiva.

 

Alfa/Lusa.

Homenagem da cidade de Marselha a Villas-Boas

Esta é mais uma prova do impacto que André Villas-Boas teve em França: depois de ter sido eleito o melhor treinador da liga francesa, o português foi agora eternizado numa parede da histórica zona de Malmousque, perto do rio e perto do porto de Marselha. A obra foi ideia do artista Franck Conte, que transformou uma multa numa homenagem.

Basicamente Franck Conte tinha pintado uma carta de tarot naquela parede, o que desagradou aos proprietários. Foi levado à polícia e condenado a pintar novamente a parede com a cor original. Então eles propôs fazer antes um retrato de André Villas-Boas, o que foi aceite pelas autoridades e pelos proprietários da casa. A partir daí foi só meter as mãos à obra.

«Villas-Boas rapidamente se tornou uma escolha unânime. Quando se é sincero, profissional, inteligente e se tem humildade, consegue-se unir toda a gente. Ele conseguiu de facto isso no plantel, ele recuperou jogadores que estavam no fundo do poço e fez um trabalho exemplar. Não íamos ter uma época fácil e Villas-Boas conseguiu criar magia», disse o artista.

«Acho que ele merece ter o retrato eternizado na cidade e esta é também uma forma de lhe pedir que fique connosco. Espero que isso aconteça. A minha ideia inicial era apresentá-lo como um explorador português da renascença, mas a Associação Gull não gostou e preferiu que ele aparecesse num fato de marselhês no seu pequeno barco, que é mais contemporâneo.»

 

 

Alfa/MaisFutebol.