Covid-19/Portugal. Restaurantes irão reabrir a medir a temperatura aos clientes

Covid-19. Restaurantes irão reabrir a medir a temperatura aos clientes – Expresso

KENNY LUO/UNSPLASH

AHRESP discutiu com o Governo condições para retoma da atividade e fez um guia de boas práticas que prevê zonas de isolamento e formas de atuar em casos suspeitos

Por Conceição Antunes (Expresso)

A restamedição da temperatura corporal, dos trabalhadores e dos clientes, é uma das novas « regras de controlo de entrada » que os restaurantes preparam para o momento de reabertura, em que terão de funcionar abaixo da capacidade e cumprir normas de distanciamento social entre as pessoas.

O sector de restaurantes e cafés estão a ser fortemente afetados com a pandemia do coronavírus, e as condições em que poderão voltar a abrir ao público foram objeto de discussão entre a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) e o Governo, numa reunião em que participou António Costa, Primeiro-Ministro, Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, Rita Marques, secretária de Estado de Turismo, e António Sales, secretário de Estado da Saúde.

No momento de reabertura uma das áreas críticas é a da limpeza e desinfeção, ficando os restaurantes sujeitos a uma série de requisitos que se estenderão à preparação e confeção de alimentos, serviço de mesa, self-service de comida e ‘buffets‘, além de condições em que deverão decorrer as entregas de comida em ‘take away’.

Apoiar os restaurantes na compra de medidores de temperatura corporal que serão necessários para clientes e trabalhadores nestas novas circunstâncias, a par de equipamentos de proteção individual e fardamento do pessoal, foi um ponto vincado pela AHRESP na reunião com o Governo. Segundo a associação, foi ainda enfatizado que as condições para os restaurantes poderem reabrir também envolvem « apoios às empresas, particularmente no que diz respeito à manutenção dos postos de trabalho », além da definição de regras específicas nas áreas da saúde, higiene e segurança para clientes, trabalhadores e instalações ».

A AHRESP preparou para os associados um ‘Guia de Boas Práticas’ detalhando as formas em que deverão funcionar no momento de reabertura, designadamente ao nível de organização dos espaços, capacidade máxima, formação específica para trabalhadores e empresários. Este guia inclui recomendações específicas aos restaurantes sobre « procedimentos em caso suspeito », devendo para tal haver uma « zona de isolamento e um plano de contingência ».

O Guia de Boas Práticas elaborado pela AHRESP para a retoma gradual dos restaurantes ainda com a pandemia ativa vai ser validado pela ASAE, a Direção-Geral de Saúde, a Secretaria de Estado do Turismo e a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). De acordo com a associação, servirá de suporte ao « selo distintivo » que será criado para os restaurantes no objetivo de « transmitir confiança aos consumidores » e garantir que « as regras de funcionamento estão em conformidade com as disposições legais ».

Os apoios pedidos pela AHRESP ao Governo « são essenciais às empresas, que terão fortes constrangimentos na retoma gradual da sua atividade », conforme frisa a associação, lembrando que no período de retoma os restaurantes irão ter menos faturação, pelo que destes apoios dependem « a continuidade da atividade das empresas e manutenção dos postos de trabalho ».

Entrevista/Bruno Carneiro. « Os corpos vão para portugal de carro e só com o condutor »

Bruno Carneiro é diretor da Funerária (Pompes Funèbres Ménilmontant Internationales em Paris) esteve em entrevista na Rádio Alfa no quadro da Covid-19.

 

Bruno Carneiro:

 

Entrevista Ricardo José e Manuel Alexandre

Edição Manuel Alexandre.

 

 

Covid-19: Praias com acesso limitado e medidas de higiene « muito mais apertadas »

Lotação máxima das praias vai ter em conta « as recomendações » da Direção Geral da Saúde, nomeadamente, « do que é o espaço seguro para as sombras e para os chapéus de sol » e o distanciamento entre as pessoas.

As praias nacionais vão ter lotação máxima de banhistas durante a época balnear, na sequência da pandemia, que vai ser calculada em função da « capacidade de carga » de cada praia, informou, esta quarta-feira, a coordenadora do Programa Bandeira Azul.

« As praias, sendo espaços públicos, também terão de ter os procedimentos e regras a serem implementados para segurança de todos e que têm a ver, obviamente, com o distanciamento social », para impedir a propagação da pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus, explicou à agência Lusa a coordenadora nacional do programa Bandeira Azul da Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), Catarina Gonçalves.

A responsável disse que está a ser elaborado um « manual de procedimentos sobre o acesso às praias » de Portugal, um trabalho que está a ser desenvolvido por várias organizações, entre as quais a Marinha portuguesa, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Instituto de Socorro a Náufragos (ISN) e a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Este guia deve estar pronto « na primeira semana de maio », sublinhou Catarina Gonçalves, e incorporará a capacidade de carga de cada praia.

« Vamos ter de avaliar a possibilidade e a forma de calcular a capacidade de carga das praias, isto é, as praias têm um limite. A área concessionada de uma praia está limitada fisicamente, isto é, tem uma dimensão de extensão e de largura, de acordo com a preia-mar », prosseguiu.

A coordenadora da ABAE explicou que a lotação máxima das praias vai ter em conta « as recomendações » da DGS, nomeadamente, « do que é o espaço seguro para as sombras e para os chapéus de sol » e o distanciamento entre as pessoas.

« Questões mais práticas que têm que ver com a higienização dos espaços, a utilização de máscaras, a própria utilização de esplanadas e bares – saber se é passível de ser feita ou não e em que condições se for feita -, os passadiços, os chuveiros, as gaivotas, os escorregas, as espreguiçadeiras, tudo isso terá que ter uns procedimentos de higiene, obviamente muito mais apertados », realçou.

Contudo, Catarina Gonçalves referiu que nas praias é « muito mais complicado » implementar estas medidas, uma vez que « não se pode pôr uma fita amarela » para definir o espaço utilizado pelos banhistas.

Por esse motivo, a fiscalização « vai ter de ser diferente » e a responsável espera que haja « bom senso » por parte dos banhistas para cumprir as regras que vão ser estabelecidas.

« Estamos muito preocupados com as frentes urbanas, porque não têm uma entrada e uma saída de uma praia. Todo o passeio marítimo, por exemplo, é uma entrada de praia, o que dificulta bastante a fiscalização.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou cerca de 179 mil mortos e infetou mais de 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 583 mil doentes foram considerados curados.

Portugal regista 785 mortos associados à covid-19 em 21.982 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais 23 mortos (+3%) e mais 603 casos de infeção (+2,8%).

Novo « Passagem de nível » especial covid-19. O novo coronavírus e a vida quotidiana. Domingo, 12h

« Passagem de nível » na Rádio Alfa. Apresentação e coordenação: Artur Silva. Domingo, 26 de Abril 2020
Entre as 12h00 e as 13h30

Emissão especial:

-Coronavírus: o confinamento e as implicações na nossa vida quotidiana:

-O Governo não tirou nenhumas lições da crise do Covid-19, considera Laurence Cohen,
Senadora (PCF) do Val-de-Marne

-O Governo financia as empresas com 20 mil milhões de euros sem contrapartidas
ambientais. Reacção de Claire Lejeune, co-secretária federal dos Jeunes Ecologistas

-Presidentes dos municípios na frente da batalha para ajudar a população. Vamos até
Saint-Maur des Fossés com o « maire » Sylvain Bérrios

-As Associações humanitárias lançam um apelo de urgência para ajudar as populações que
vivem na precaridade, agravada pelo confinamento. No terreno, a mobilização intensifica-
se. Exemplo o Secours Populaire em Limeil-Brévannes, explicações de Agnès Chadebech

-O empresário português David Ribeiro mobiliza-se para ajudar o pessoal hospitalar da
região Hauts de France

Um programa de Artur Silva

ÁUDIO: CORONAVÍRUS – JEAN MICHEL PAWLOTSKY, RESPONSÁVEL DO DEPARTAMENTO “BACTÉRIOLOGIE – VIROLOGIE” DO HOSPITAL HENRI-MONDOR EM CRÉTEIL, NO ‘PROGRAMA DA SAÚDE’.

Está disponível o ‘podcast’ do programa da Saúde n°41 “Je vais bien et vous?” de Suzette Fernandes com o professor Jean Michel Pawlotsky (Emissão 8), responsável pelo departamento “Bactériologie – Virologie” do Hospital Henri-Mondor em Créteil.

O tema da conversa contínua a ser o Coronavírus – Covid-19. Várias questões foram colocadas, entra elas, as férias de verão em Portugal. Para o virologista Jean Michel Pawlotsky, « O risco de levar e/ou trazer o vírus existe ».

 

BENFICA DIVULGA RESPOSTAS AO NY TIMES SOBRE CASO RUI PINTO

Face ao artigo publicado no New York Times sobre a polémica em torno da nomeação do juiz Paulo Registo para o processo relacionado com Rui Pinto, o Benfica decidiu publicar, na integra, as respostas às perguntas que foram levantadas pelos profissionais daquele órgão de comunicação norte-americano.

 

Reforçam os encarnados que o clube da Luz é «totalmente alheio» ao processo atualmente em curso envolvendo o hacker Rui Pinto, «não tendo qualquer envolvimento, nem qualquer ligação, nem participação em qualquer qualidade» no referido processo.

 

Eis as questões colocadas pelo NYT e as respostas enviadas pela equipa jurídica do Benfica:

 

Pergunta 1. Deparei-me com uma apresentação de 49 páginas do Benfica que explica os objetivos do clube e um deles parece ser o de influenciar o ambiente externo. A página final é uma casa com o título « Casa Estratégica ». O slide fala sobre como influenciar a federação, os órgãos políticos, os media e a comissão de arbitragem. Pode comentar este documento?

 

RESPOSTA. O Benfica tem vários documentos e apresentações feitas pelos seus profissionais sobre as « Casas do Benfica ». As « Casas do Benfica », se não tem conhecimento, são grupos organizados de apoiantes do Benfica, espalhados pelo mundo inteiro. Em nenhum dos documentos ou apresentações preparadas pelo Benfica, incluindo no que respeita às « Casas do Benfica », os profissionais do Benfica atuaram ou sugeriram quaisquer ações, que não fossem perfeitamente legais. O mesmo se aplica ao documento que refere, assumindo naturalmente que se trata de um documento que seja propriedade do Benfica.

 

Pergunta 2. Algumas pessoas dizem que o Benfica tem uma influência pouco saudável nos órgãos de poder de Portugal. O que é que se diz a isto?

 

RESPOSTA. « Algumas pessoas » dizem tudo o que querem em relação a qualquer questão que queiram – especificamente quando são « pessoas » escondidas atrás de cortinas de fumo. Há muitas « pessoas » que falam da influência pouco salutar das empresas norte-americanas e mesmo do seu governo sobre os negócios em países estrangeiros, como decisões políticas de outras nações soberanas (e vice-versa, como a Ucrânia). Como jornalista, é preciso saber a diferença entre alegações com objetivos noticiosos concretos e alegações evidentes de influências perniciosas nos órgãos de poder de qualquer país. As teorias da conspiração são o « alimento » diário da Internet, das redes sociais e, infelizmente, até de jornais de confiança e conceituados.

A primeira pergunta que alguém deve fazer é « quem » são as « algumas pessoas »? Os adversários do Benfica? Os adversários profissionais dos apoiantes de renome do Benfica? « Algumas pessoas » que querem ganhar campeonatos sem terem capacidade para o fazer, e assim usam todo o tipo de argumentos para falsamente reclamar contra o Benfica? E, também, aqueles que usam roubos, pirataria, que fazem campanhas de difamação, etc?

Não nos esqueçamos que para atacar o Benfica, o maior e mais competente clube de futebol de Portugal, alguém pagou a hackers/piratas e assaltantes para obter informações comerciais sigilosas. Se algo semelhante ocorrer nos EUA, as autoridades, como o Departamento de Justiça, FBI, e até órgãos políticos, etc., estariam a perseguir e a acusar os hackers, os assaltantes e os agentes de difamação.

Uma pergunta muito interessante, que alguém faria, seria também: porque é que uma Fundação norte-americana está tão interessada em suportar os custos da vida e da defesa de um hacker/criminoso? Será normal, e algo de que nos possamos orgulhar, que uma instituição legítima apoie atividades criminosas? O que diriam ou pensariam o Departamento de Justiça, o FBI e o Congresso dos EUA sobre uma instituição privada de renome norte-americano que financia criminosos ou atividades criminosas em todo o mundo?

 

Pergunta 3. Processaram criminalmente Rui Pinto por ser a cara por trás do ataque ao Benfica?

 

RESPOSTA. O Benfica procura justiça contra todos os criminosos que invadiram, assaltaram e insultaram esta instituição centenária. Infelizmente, mesmo para uma instituição como o Benfica, é muito difícil opor-se a pessoas que estão a ser financiadas (em circunstâncias muito suspeitas) por entidades sediadas no estrangeiro com a cooperação de grupos internacionais de hackers (e também de antigos políticos que estão a preparar a sua futura carreira política, já que se encontram fora de cena neste momento). Seria uma investigação muito interessante: quem e porque está, fora da Europa, a financiar atividades criminosas na Europa relacionadas com o futebol e outras instituições (por exemplo, económicas, industriais, políticas, etc.).

Quem sabe, um dia serão descobertas « ligações perigosas » entre algumas fundações privadas, jornais, políticos e jornalistas dos EUA e da Europa, com os ataques injustos que o Benfica tem vindo a sofrer. Mas, nesse momento, também serão divulgados os objetivos dessas campanhas, tais como a origem do dinheiro utilizado para esse fim. O jornalista que divulgar essa informação ganharia um Pulitzer.

 

Pergunta 4. Algumas pessoas descrevem a influência do Benfica como sendo… a de um polvo com tentáculos que se estendem por muitos cantos do Estado Português e da cena futebolística. Como descreveria esta metáfora?

 

RESPOSTA. Algumas investigações judiciais e decisões do Tribunal (e não « algumas pessoas », como mais uma vez diz na sua pergunta) já demonstraram e decidiram onde está o polvo, quem é o polvo e porque é que alguns clubes rivais do Benfica estão tão preocupados em derrotar o Benfica fora das competições desportivas… uma vez que não estão à altura para competir desportivamente contra o Benfica, tentam ao máximo atacar com falsas acusações.

Quantos adeptos do FC Porto e do Sporting (ou de outros clubes) e suas direções têm posições importantes no panorama do futebol e ocupam posições muito importantes nos órgãos governamentais, administrativos e judiciais portugueses? Quantos deputados, ministros, governadores, presidentes de câmara, presidentes de instituições públicas, diretores de empresas públicas, juízes e procuradores são adeptos de outros clubes de futebol? Existe alguma estatística à sua disposição para comparar e colocar essa questão?

Quando é que a preocupação com as « guerras do futebol português » começou a suscitar tal interesse junto do público geral nos EUA, das fundações, das pessoas e dos jornais? Vende realmente jornais (ou garante likes) entre os seus leitores? Quando é que a alegada « influência pouco saudável » do Benfica na sociedade portuguesa começou a estar sob os holofotes dos leitores do NYT?

 

Pergunta 5. Numa assembleia geral, um membro do clube foi apanhado em filme a criticar a forma como o clube era gerido e todas as alegações que enfrentava. Ele foi aparentemente atacado pelo presidente do clube, Luís Filipe Vieira. Quer comentar esse episódio?

 

RESPOSTA. Em todos os grandes clubes desportivos do mundo, quando falamos de instituições centenárias que suscitam a paixão e os sonhos de milhões de pessoas em todo o planeta, é habitual as assembleias gerais serem vívidas, apaixonadas e até dramáticas. Os prós e os contras típicos da política também ocorrem nestes clubes especiais. Só quem não tem conhecimento absoluto da paixão que o futebol desperta (típica de países onde o futebol quase não tem relevância), pode achar estranho que numa Assembleia Geral ocorra algum exagero verbal. Não foi a primeira vez e supomos que não será a última. Não só no Benfica. Também, noutros clubes, durante a Assembleia Geral, as forças policiais são chamadas para garantir a vida e a integridade física dos diretores. Não foi esse o caso durante o episódio referido na sua pergunta.

 

Pergunta 6. Um ex-funcionário do clube, Paulo Gonçalves, foi acusado de subornar um funcionário do Ministério da Justiça para obter informações sobre casos que possam implicar o Benfica. Acha que ele estava a representar o Benfica? O Benfica ainda faz negócios com o Sr. Gonçalves?

 

RESPOSTA. Em primeiro lugar, não há qualquer referência a nenhum funcionário do Ministério da Justiça. Com certeza que a informação que recebeu não é exata e correta, foi-lhe dada uma tradução enganosa. No processo judicial, foi um oficial de justiça auxiliar que foi acusado. Não foi um funcionário do Ministério da Justiça. Em segundo lugar, o Sr. Gonçalves também não dirigente da SAD do Clube, conforme decisão dos Tribunais confirmada duas vezes por dois Tribunais diferentes.

Em terceiro lugar, e estranhamente, a sua informação sobre a existência e o resultado deste processo penal está bastante atrasada no tempo – estranharíamos um tal nível de « desconhecimento » sobre o que aconteceu. Todos os meios de comunicação social (alguns internacionais) espalharam a notícia há mais de um ano, o que torna a sua pergunta anacrónica: foi provado num tribunal de 1.ª Instância e confirmado num Tribunal de recurso, que o Benfica não tinha, nem tem, interesse na influência sobre os atos desse trabalhador de um pequeno tribunal numa pequena cidade do interior de Portugal. E, também, nenhum interesse, poder ou influência sobre a vida privada do Sr. Gonçalves (quem são os seus amigos, colegas, contactos, etc.).

Tanta informação em falta por trás desta questão (especialmente vinda de um jornalista tão importante e bem informado) não é facilmente compreensível.

 

Reportagem Jornal a Bola.

Covid-19/Portugal. Mais 35 mortes em 24h, 371 infetados e 58 recuperados

Portugal regista hoje 820 mortos associados à covid-19, mais 35 do que na quarta-feira, e 22.353 infetados (mais 371), indica o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Comparando com os dados de quarta-feira, em que se registavam 785 mortos, hoje constatou-se um aumento percentual de 4,5%.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, os dados da DGS revelam que há mais 371 casos do que na terça-feira, representando uma subida de 1,7%.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (475), seguida da região Centro (179), de Lisboa e Vale Tejo (146), do Algarve (11), dos Açores (8) e do Alentejo, que regista um morto, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de quarta-feira.

Das mortes registadas, 551 tinham mais de 80 anos, 168 tinham idades entre os 70 e os 79 anos, 71 entre os 60 e 69 anos, 21 entre 50 e 59 e nove entre os 40 e os 49.

Do total das pessoas infetadas, a grande maioria está a recuperar em casa, totalizando 19.237.

Os dados adiantam que 1.095 estão internadas, menos 51 do que na terça-feira (- 4,5%), e 204 estão em Unidades de Cuidados Intensivos, menos três, o que representa uma diminuição de 1,5%.

Os dados da DGS precisam que o concelho de Lisboa é o que regista o maior número de casos de infeção pelo coronavírus (1.266), seguido de Vila Nova de Gaia (1.161), Porto (1.099), Braga (950), Matosinhos (929), Gondomar (894), Maia (763), Valongo (655), Ovar (532), Sintra (514) e Coimbra, com 367 casos.

Desde o dia 01 de janeiro, registaram-se 219.848 casos suspeitos, dos quais 4.048 aguardam resultado dos testes.

Há 193.447 casos em que o resultado dos testes foi negativo, refere a DGS, adiantando que o número de doentes recuperados aumentou para 1.201 (eram 1.143).

A região Norte continua a registar o maior número de infeções, totalizando 13.382, seguida pela região de Lisboa e Vale do Tejo, com 5.194, da região Centro, com 3.084, do Algarve (318) e do Alentejo (181).

Os Açores registam 109 casos de covid-19 e a Madeira 85.

A DGS regista também 30.342 contactos em vigilância pelas autoridades de Saúde.

Do total de infetados, 13.214 são mulheres e 9.139 homens.

A faixa etária mais afetada pela doença é a dos 50 aos 59 anos (3.818), seguida da faixa dos 40 aos 49 anos (3.785) e das pessoas com mais de 80 anos (3.414 casos).

Há ainda 3.130 doentes com idades entre 30 e 39 anos, 2.657 entre os 60 e 69 anos, 2.531 entre os 20 e os 29 anos e 1.999 com idades entre 70 e 79 anos.

A DGS regista ainda 360 casos de crianças até aos nove anos e 654 de jovens com idades entre os 10 e os 19 anos.

Segundo o relatório da Direção-Geral da Saúde, 171 casos resultam da importação do vírus de Espanha, 130 de França, 87 do Reino Unido. Há ainda centenas de casos importados de dezenas de outros países.

De acordo com o boletim, 51% dos doentes positivos ao novo coronavírus apresentam como sintomas tosse, 36% febre, 27% dores musculares, 24% cefaleia, 20% fraqueza generalizada e 14% dificuldade respiratória. Esta informação refere-se a 83% dos casos confirmados.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19, já provocou mais de 183 mil mortos em todo o mundo e infetou mais de 2,6 milhões de pessoas. Mais de 700 mil doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

 

Alfa/Lusa.

As liberdades e os valores de 25 de abril não estão de quarentena

As liberdades e os valores de 25 de abril de 1974 não estão de quarentena.

Crónica de Daniel Ribeiro para ouvir na Rádio Alfa, sexta-feira, 24.

Covid-19: Alemanha anuncia contribuições elevadas no orçamento da UE

Covid-19: Alemanha anuncia contribuições elevadas no orçamento da UE

Covid-19: Alemanha anuncia contribuições elevadas no orçamento da UE

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A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que o governo da Alemanha está disposto a aumentar, de forma temporária, o orçamento europeu para ajudar os parceiros mais afetados pela pandemia de covid-19.

« A Alemanha está disposta, no espírito de solidariedade e de forma temporária, a fazer contribuições claramente mais elevadas no quadro do orçamento comunitário » para ajudar os parceiros mais atingidos pela pandemia, disse Merkel no Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento alemão).

Merkel reiterou que emitir dívida europeia – como « coronabonds » – implicaria reformar os tratados comunitários que exigem a ratificação pelos parlamentos nacionais, uma opção que poderia demorar a tornar-se prática e numa altura em que a crise requer ajudas financeiras urgentes.

Por isso, Angela Merkel defendeu « instrumentos rápidos ».

Estrangeiros residentes na região Centro elogiam resposta de Portugal à Covid-19. Reportagem/Lusa

Estrangeiros residentes na região Centro elogiam resposta de Portugal à Covid-19. Além de destacarem que as condições e restrições relativas ao confinamento são melhores em Portugal do que nos países de origem, estes residentes estrangeiros frisam que, no interior, a pandemia é mais indolor do que nas cidades.

Cidadãos oriundos de outros países têm agora a vida mais complicada em Portugal devido à Covid-19, mas alguns elogiam o modo como o país tem reagido à pandemia, havendo mesmo quem registe melhoria nas suas atividades.

Peter Wilton-Davies e Helen Gray, de 51 e 45 anos, estão há dez anos fora da Inglaterra e realçam as vantagens de viverem na Serra da Lousã, no concelho da Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

« Estamos muito felizes por estar em quarentena em Portugal e não noutras partes do mundo. O povo português foi muito cuidadoso e atencioso e começou o isolamento antes de ser transformado em lei », declara Peter à agência Lusa.

Para o casal, o isolamento « é mais difícil para as pessoas nas cidades », enquanto « no campo a vida continua » sem grandes perturbações.

« Fico feliz por estar aqui e não no Reino Unido, onde as condições e restrições não são tão boas », acrescenta.

Peter Wilton-Davies, que na terra Natal exercia a profissão de artista gráfico, tem optado por comprar frutas e vegetais numa quinta das proximidades.

Helen trabalha nas áreas do marketing e da angariação de fundos.

Por razões profissionais, ia frequentemente a Londres, viagens que está agora impedida de fazer.

« O meu trabalho aumentou muito nas últimas semanas devido à criação de conteúdos ‘online’ (…) e à criação de vídeos educativos e divertidos para crianças e adultos », afirma à Lusa.

Enquanto trabalha à distância para uma instituição de caridade britânica, a sua vida « não mudou muito ».

« Levo os cães a passear (…) e há entregas diárias de pão e vegetais nas aldeias », refere Helen Gray, indicando que faltam bens essenciais nas lojas.

O casal admite que as suas aptidões na língua de Camões e Saramago estejam « um pouco enferrujadas » nos últimos tempos.

« O Peter não tem visitado o centro social da aldeia de Pera, onde faz parte da equipa de voluntários » que gere a associação, explica Helen, que também « não pode ir à aula semanal de Português ».

Desejando que Portugal « possa retomar a vida normal », Helen e Peter esperam « mudanças e lições » após a pandemia, com « respeito pelos outros e menos consumismo ».

O belga Aaron Vansant, de 32 anos, veio ainda criança para Oliveira do Hospital, onde trabalha numa empresa familiar que comercializa espargos e sementes diversas, incluindo de variedades agrícolas autóctones.

Em março, já em pleno Estado de Emergência, nasceu a bebé Laura, sua primeira filha.

A esta alegria dos Vansant junta-se a evolução favorável dos negócios, que Aaron promove com o pai e o irmão, Peter e Micha.

« A pandemia afeta a nossa atividade pela positiva », adianta à Lusa.

As pessoas « procuram manter-se ocupadas na horta e no jardim », além de recearem eventuais falhas no acesso a alimentos vegetais, explica. « É um fenómeno que já tínhamos visto na crise de 2008. Depois, volta tudo ao mesmo, infelizmente », prevê o produtor.

A empresa importa sementes e exporta alguns produtos para Angola e Bélgica.

O publicitário luso-brasileiro Leonardo Simões, com raízes remotas na Serra da Lousã, reside em Coimbra. Nasceu no Brasil, há 33 anos, e veio com os pais, irmã e a tia para a Lousã, onde estes familiares se instalaram em 2019. « Tive um ótimo acolhimento por parte da comunidade portuguesa. Não tenho nada a apontar, por cá fiz muitos amigos e parceiros de negócio », congratula-se.

Já em termos profissionais, sofreu « um impacto negativo, porém controlado », na sequência das restrições associadas à covid-19.

« Alguns clientes pediram-me para encerrar temporariamente a prestação de serviços de marketing digital por causa da crise », acrescenta, ao ser questionado pela Lusa.

No entanto, através de teletrabalho, continua a prestar serviços para clientes no Brasil e em Portugal, « com a mesma qualidade ou até mesmo superior ».

Leonardo, que passa quase « todo o tempo em casa », com namorada portuguesa, já sente « a falta das atividades ao ar livre ».

« O primeiro impacto que sofri foi o corte de um financiamento por parte dos bancos portugueses. Estava a negociar a compra de um apartamento, mas tive de adiar », revela o também programador informático.

Na sua opinião, será necessário « aprender com o que está a acontecer, para haver mais preparação para o futuro ».

O alemão Detlef Schafft, de 65 anos, está há quase 40 em Portugal. É ator, palhaço e músico, desenvolvendo o seu trabalho na Lousã, na Companhia Marimbondo, fundada há 30 anos.

Em 2019, Detlef e Eva Cabral criaram o Museu do Circo Momo, numa parceria com a Câmara.

« O museu está fechado, uma vez que é um espaço municipal. Continuam as aulas de ioga online », só que a companhia tem « todos os espetáculos cancelados », nalguns casos até agosto. Esta situação « foi um banho de água fria » para a Marimbondo.

« Íamos continuar com muitas atividades no Momo e tivemos de cancelar concertos e espetáculos », além da participação em festivais internacionais, na Alemanha e na Finlândia.

Detlef rejeita algumas restrições impostas pelo Estado de Emergência. « Nem na rua podemos tocar para animar as pessoas », critica.

O artista insurge-se ainda contra o modo « como está a ser tratada a cultura ».

« Em especial o circo, que mais uma vez não recebe apoio nenhum do Estado. Vai ser um ano destruído. O nosso trabalho depende completamente da interação com as pessoas e muitos projetos nem irão ser estreados », conclui Detlef Schafft.