Carlos Ghosn, ex-presidente da Renault-Nissan, fugiu do Japão para o Líbano

Ex-presidente da Renault-Nissan confirma que fugiu do Japão e está no Líbano

 

Alfa/Lusa

O ex-presidente executivo do grupo Renault-Nissan Carlos Ghosn, que estava sob detenção domiciliária no Japão a aguardar julgamento por evasão fiscal, confirmou hoje que deixou o país e está no Líbano.

« Estou no Líbano. Deixei de ser refém de um sistema judicial japonês parcial onde prevalece a presunção de culpa », afirmou Carlos Ghosn, de acordo com um comunicado divulgado pelos representantes do empresário.

Carlos Ghosn tem nacionalidade francesa e é de origem lisbanesa e brasileira.

Isabel dos Santos: Polícia Judiciária impede transferência de 10 milhões de euros do BCP para a Rússia

Isabel dos Santos: Polícia Judiciária impede transferência de 10 milhões de euros do BCP  para a Rússia

 

Bloomberg/Getty Images

Tribunal em Angola decreta o arresto dos principais ativos da filha de José Eduardo dos Santos, do marido Sindika Dokolo e do gestor português Mário da Silva. Autoridades angolanas dizem que Isabel dos Santos está a tirar a sua fortuna do país e por isso decidiram congelar o património do casal. Conta em Portugal é titulada pelo general Dino e foi congelada

Alfa/ Expresso. Por Mikael Pereira

Foram arrestadas em Angola todas as contas bancárias de Isabel dos Santos, do seu marido Sindika Dokolo e do principal gestor da empresária, o português Mário da Silva, a par de todos os activos que a filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos detém naquele país, incluindo as suas ações na Unitel, a maior empresa de telecomunicações do país, e as suas posições nos bancos BFA e BIC e a cadeia de hipermercados Candando. A decisão foi tomada pelo Tribunal Provincial de Luanda, a pedido do Serviço Nacional de Recuperações de Ativos em Angola, um departamento especializado do Ministério Público.

No despacho do tribunal que fundamenta a providência cautelar, a que o Expresso teve acesso, vem explicado que “os requeridos estão a ocultar o património obtido às custas do Estado, transferindo-os para outras entidades” e é revelado que “Isabel José dos Santos, por intermédio do seu sócio Leopoldino Fragoso do Nascimento, está a tentar transferir alguns dos seus negócios para a Rússia, tendo a Polícia Judiciária Portuguesa interceptado uma transferência no Valor de 10.000.000,00 de Euros (dez milhões de euros) que se destinava a Rússia”. Leopoldino Fragoso do Nascimento, mais conhecido como general Dino, é o rosto de uma empresa chamada GENI, uma das principais accionistas da Unitel (com 25%) e accionista de referência do Banco Económico, antigo Banco Espírito Santo de Angola (BESA).

De acordo com o documento judicial, a operação de transferência foi bloqueada pela Unidade de Informação Financeira (UIF) da PJ. Os 10 milhões de euros estavam depositados numa conta no Millennium BCP titulada pelo general Dino e tinha como destino uma conta titulada por uma sociedade chamada Woromin Finance Limited num banco na Rússia.

São reveladas outras movimentações consideradas suspeitas, que levaram os procuradores a acreditar numa fuga orquestrada de capitais. “Por via dos Serviços de Inteligência e Segurança do Estado, tiveram informações que a requerida Isabel dos Santos pretende vender as participações sociais que detém na Unitel a um cidadão árabe, que já encetou diligência em Angola para aquisição das participações sociais”, vem no despacho judicial, sendo referidos ainda contactos estabelecidos alegadamente em seu nome pelo general Dino “para investir no Japão”.

Mais de mil milhões de dólares a haver

A decisão do Tribunal Provincial de Luanda foi tomada dois dias antes do Natal, a 23 de dezembro, e foi divulgada esta segunda-feira pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola.

Num comunicado, o gabinete da PGR justifica que na origem do pedido urgente de arresto está o facto de o Estado vir a ter de ser ressarcido de negócios feitos com Isabel dos Santos. Está em causa uma dívida de 75 milhões de euros que está por pagar pela empresária à Sonangol por causa do investimento feito numa sociedade holandesa, a Esperaza, que detém uma participação na Galp em parceria com o grupo Amorim. Além disso, é também apontado como motivo um empréstimo ao banco BIC de 146 milhões de dólares que está por pagar na sequência da parceria que a empresária fez com o Estado angolano no sector dos diamantes, e que levou a aquisição de uma marca de joalharia suíça, a De Grisogono. O pagamento do empréstimo tem sido suportado, segundo o comunitário, apenas pela Sodiam, a empresa pública de distribuição de diamantes que era sócia de Sindika Dokolo nesse negócio.

Ao todo, o Ministério Público estima em 1.136.996.825,56 dólares o montante que o Estado tem a haver do casal, “resultante de vários negócios em intervieram empresas do Estado e os requeridos” e em que “o Estado na por via das suas empresas Sodiam e Sonangol transferiu enormes quantias em moeda estrangeira para empresas no estrangeiro cujos beneficiários últimos são os requeridos, sem que houvesse o retorno convencionado”.

Na lista de ativos congelados estão ainda a empresa de televisão por satélite ZAP e também outras firmas controladas por si e por Sindika Dokolo: a fábrica de cimentos Cimangola, a empresa de distribuição de cervejas SODIBA e a sociedade de investimentos Finstar. Todas estas participações vão agora ficar à guarda dos conselhos de administração das respectivas empresas e do Banco Nacional de Angola.

Desportistas da Década. Cristiano Ronaldo em terceiro lugar no ‘Ranking’ da Sky Sports

A ‘Sky Sports‘ divulgou esta segunda-feira o seu próprio ‘ranking‘ de melhores desportistas da década, uma lista de 20 atletas selecionados entre todos os desportos.

Cristiano Ronaldo ocupa o terceiro lugar da tabela, à frente de Lionel Messi, que ficou em quarto. O internacional português ficou apenas atrás de Lewis Hamilton, piloto de Fórmula 1, e da tenista Serena Williams.

 

1. Serena Williams (Ténis)

2. Lewis Hamilton (F1)

3.Cristiano Ronaldo (Futebol)

4.Lionel Messi (Futebol)

5.Floy Mayweather (Boxe)

6.Novak Djokovic (Ténis)

7.Usain Bolt (Atletismo)

8.Tom Brady (Futebol Americano)

9.Lebron James (Basquetebol)

10.Simone Biles (Ginástica]

11.Michael Phelps (Natação)

12.Katie Taylor (Boxe)

13.Richie McCaw (Râguebi)

14.Chris Froome (Ciclismo)

15.Michael van Gerwen (Dardos)

16.Marta (Futebol)

17.Rodna Rousey (Artes Marciais)

18.Virat Kohli (Críquet)

19.Allyson Felix (Atletismo)

20.Rolly Mcllroy (Golfe)

 

Alfa/abola.

Jorge Jesus « orgulhoso » pela condecoração com a Ordem do Infante D. Henrique

O treinador de futebol Jorge Jesus foi hoje condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem do Infante D. Henrique, numa cerimónia em que assumiu o “orgulho” por se ter tornado comendador.

“É com orgulho que eu hoje recebo esta condecoração. Sei o significado dela, sei quem era o Infante D. Henrique”, afirmou o treinador do Flamengo, acrescentando: “Claro que não fomos nós – eu e a minha equipa técnica – que descobrimos o Brasil […], também não fui eu que dei a independência, mas fomos nós que em 23 e em 24 de novembro conquistámos dois títulos no Brasil, vamos ficar também na história do Brasil.”

A cerimónia decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa, e contou com a presença da família do treinador, dos presidentes do Sporting, Frederico Varandas, do Benfica, Luís Filipe Vieira, e do Sporting de Braga, António Salvador, da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, e da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Pedro Proença.

Jorge Jesus sublinhou a ligação afetiva manifestada pelo povo brasileiro em relação a Portugal, enfatizando que é uma « grande honra » representar o país no estrangeiro.

Também Otávio Machado, Bagão Félix, Manuel Sérgio, o antigo guarda-redes Júlio César e Pimenta Machado marcaram presença.

Na cerimónia, o Presidente da República lembrou que esta Ordem é concedida a personalidades que projetam o nome de Portugal no mundo, e que é uma tradição presidencial agraciarem-se treinadores.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Jesus “contribuiu e contribui para o prestígio de Portugal no mundo do desporto, em particular num país muito querido, que sempre foi e sempre será”, assinalando que também os portugueses “vibraram emocionalmente” com os triunfos do treinador de 65 anos no Brasil, ao serviço do Flamengo.

De acordo com o ‘site’ da Presidência da República, esta Ordem “destina-se a distinguir quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores”.

Esta é uma honra geralmente concedida a chefes de Estado estrangeiros ou “a pessoas cujos feitos, de natureza extraordinária e especial relevância para Portugal, os tornem merecedores dessa distinção”.

No passado dia 21, o Presidente da República anunciou que iria condecorar com a Ordem do Infante D. Henrique o treinador de futebol pelos resultados que alcançou, tanto no Brasil, ao serviço do Flamengo, como em Portugal.

A nota onde dava conta desta condecoração foi publicada no portal da Presidência da República na internet, logo após terminar a final do campeonato de mundo de clubes, em que o Flamengo perdeu com o Liverpool por 1-0 no prolongamento.

 

Alfa/Lusa.

Empresários não gostaram do que disse MNE Santos Silva no 8.º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro

Empresários arrasam o ministro dos Negócios Estrangeiros por ter feito comentários de quem vive fechado em “ambientes palacianos”

Alfa/ LUSA/Expresso

Augusto Santos Silva disse sexta-feira que um dos principais problemas das empresas portuguesas é “a fraquíssima qualidade da sua gestão »

ACIP – Confederação Empresarial de Portugal acusou ontem, domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros de « denegrir injustamente » a imagem dos empresários, considerando que só alguém que vive fechado « em ambientes palacianos » pode falar em « fraquíssima qualidade » de gestão.

« Não podemos […] consentir que aquele que maiores responsabilidades tem na promoção e defesa dos interesses de Portugal seja aquele que mais destrata as empresas e empresários que arrancaram, com o povo português, o Estado da falência em que a fraquíssima administração política de sucessivos governos nos deixaram…. alguns de que o próprio Augusto Santo Silva fez parte », lê-se numa nota assinada pelo presidente da CIP, António Saraiva.

Na sexta-feira, na sessão de encerramento do 8.º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro (GraPE 2019), que decorreu em Coimbra, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considerou que um dos principais problemas das empresas portuguesas é « a fraquíssima qualidade da sua gestão ».

Durante a sua intervenção, Augusto Santos Silva disse ainda que se pode « esperar sentado » se se supõe que o atual tecido industrial português « é capaz, por si só, de perceber a vantagem em trazer inovação para o seu seio e a vantagem em contratar pós-graduados e doutorados », defendendo uma mudança no tecido empresarial e considerando que atrair investimento estrangeiro para o país também é uma forma de o tecido nacional mudar, face à competição que vem de fora.

« Se a compaixão com que brindou a capacidade dos empresários portugueses em período natalício já não era pouca, mais advogou que grande parte da solução para a conquista da inovação passava pela necessidade de o país atrair mais investimento estrangeiro », salienta António Saraiva na nota, recordando que, entre as atribuições que cabem ao chefe da diplomacia portuguesa, está a promoção da economia e das empresas portuguesas.

Agora, refere o presidente da CIP, com estas declarações de Augusto Santos Silva fica-se a saber qual « a imagem que um dos mais importantes elementos do Governo tem das empresas e empresários nacionais ».

« A perceção confessada diz muito da forma como cumpre no exterior a missão que o país lhe confiou. Promover o investimento externo no país e denegrir injustamente a imagem de empresários e empresas portuguesas não me parece ser exatamente aquilo que se entende como a nobre missão de defesa do interesse nacional », salienta.

Na nota, António Saraiva assinala que o crescimento da economia verificado nos últimos anos « se deve em grande medida ao esforço e à adaptação operada pelas empresas e empresários portugueses » e recorda que « os extraordinários números alcançados no combate ao desemprego foram atingidos no setor privado e não no público ».

« É de tal modo insofismável a verdade dos factos que comprovam que o milagre económico do país se deve essencialmente às empresas e aos empresários portugueses, esse mesmo milagre de que o Governo que Augusto Santos Silva faz parte tanto gosta de se gabar, aqui e além-mar, que as afirmações proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros só podem ser entendidas por terem sido ditas por alguém que, vivendo fechado em ambientes palacianos, há muito que não sai à rua para ver como o mundo lá fora gira e avança », acrescenta.

O presidente da CIP reconhece, contudo, que é preciso continuar a fazer mais pela incorporação de inovação, qualidade e formação dos quadros das empresas.

Está moribundo o Ensino do Português no Estrangeiro (EPE). Opinião

In  jornal Público: OPINIÃO – Por Santana Castilho, Professor do ensino superior

Está moribundo o Ensino do Português no Estrangeiro (EPE). Sem que nos estejamos a dar conta, estão moribundos os cursos destinados a manter viva a herança linguística e cultural portuguesa junto das comunidades emigradas.

Basta uma literacia política mínima e a leitura atenta da Constituição da República Portuguesa (CRP) para podermos afirmar que o direito à língua é um direito fundamental. Com efeito, a língua materna é elemento determinante da identidade cultural, estando o seu ensino e valorização permanente consagrados como tarefas fundamentais do Estado [art.º 9º, alínea f) da CRP]. O relevo particularíssimo do papel da língua portuguesa (língua oficial de oito estados independentes, falada em todos os continentes por cerca de 280 milhões de pessoas) para os cidadãos espalhados pelo mundo está bem expresso quando a CRP volta a fixar que incumbe ao Estado “assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa” [art.º 74º, nº 2, alínea i)]. Apesar disto, as decisões políticas da última década têm promovido a menorização do ensino do português, como língua materna, para os filhos dos emigrantes, revelando um condenável desprezo pela necessidade de manter uma forte ligação identitária (linguística e cultural) de Portugal com a sua diáspora.

Ainda que sem nunca ter sido assumido politicamente como instrumento estratégico importante, o EPE conheceu uma acentuada expansão durante os 30 anos em que esteve sob tutela do Ministério da Educação (em 2000 a rede EPE tinha cerca de 700 professores). Com a passagem, em 2010, do EPE para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, via Instituto Camões, a degradação começou. Os coordenadores do EPE foram substituídos por quem nunca tinha leccionado na rede ou sequer leccionado alguma vez. Em Outubro de 2012 (D-L n.º 234/2012) foi instituída a vergonhosa obrigatoriedade de os emigrantes pagarem 100 euros anuais para os filhos fruírem do direito constitucional de aprenderem português como língua materna. Acresce que o processo de cobrança é iníquo: se os filhos dos emigrantes têm as aulas em conjunto com alunos dos países de acolhimento, ficam isentos e o Estado português financia a aprendizagem dos alunos estrangeiros; se os filhos dos emigrantes têm isoladamente as suas aulas, pagam ou são expulsos dos cursos, como acaba de acontecer na Suíça. Como era de esperar, a maioria dos pais recusou-se a pagar e mais de 20.000 alunos ficaram sem aulas de língua e cultura portuguesas (eram 60.000, serão hoje cerca de 40.000). Distribuídos pelos países onde existem cursos de ensino básico e secundário (Espanha, Andorra, França, Luxemburgo, Bélgica, Países Baixos, Reino Unido, Suíça e Alemanha), restam no corrente ano lectivo 277 professores a ensinar português na Europa, número a que se somam mais 24, que leccionam na África do Sul, Namíbia e Suazilândia.

Lamentavelmente, certamente por razões economicistas (a tacanhez política sempre achou demasiado caro este tipo de ensino), a rede de cursos de EPE nunca foi estendida aos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Venezuela, onde as comunidades portuguesas têm uma presença significativa. Os cursos de português que por lá resistem são iniciativas de entidades escolares locais ou de associações de emigrantes.

Lamentavelmente, o investimento sério e inteligente na divulgação do português, quer como língua materna quer como português para estrangeiros, foi sempre substituído pela esperança mesquinha de que sejam os outros países a pagar e fazer essa divulgação. Nessa linha, o Instituto Camões apresenta à opinião pública em Portugal, iludindo-a, elevados números de professores de português, que não estão sob sua dependência nem custam um cêntimo ao nosso Estado: são docentes que ensinam nos Estados Unidos, Austrália e Canadá, contratados e remunerados por entidades locais, que não por Portugal.

O Camões transformou o português para luso-descendentes em português como língua estrangeira, impôs exames de português para estrangeiros tendo por norte o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, pensado para adultos e portanto inadequado para o ensino de crianças, particularmente as do 1º ciclo, e nessa lógica insensata criou grupos de aprendizagem conjunta com alunos do 1º ao 12º anos de escolaridade. Milhares de alunos estão a perder o contacto com a língua portuguesa e a esquecer o que aprenderam, quebrando, assim, as raízes linguísticas e culturais e a ligação afectiva ao seu país de origem. Sem que nos estejamos a dar conta, estão moribundos os cursos destinados a manter viva a herança linguística e cultural portuguesa junto das comunidades emigradas.

A 3 de Novembro de 2017, na cerimónia de posse do actual presidente do Camões, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse: “Procuramos que a língua que os filhos das nossas comunidades estudam seja uma língua que eles estudem não por ser uma língua do gueto, que eles não são, não por ser uma língua regional, que não é, mas por ser uma língua de herança e uma das grandes línguas globais do mundo de hoje”. Ressalvando que o Camões “não tem o monopólio, nem deveria ter, da promoção da língua portuguesa e das culturas de língua portuguesa”, Santos Silva destacou que este organismo é “o agente principal de promoção internacional do português, das literaturas e das culturas de língua portuguesa”, não sendo essa missão incompatível com a valorização da rede de ensino de português como língua materna, que é “responsabilidade legal, constitucional e até moral” do Estado português. Lembradas à distância, parecem palavras que não foram além da retórica ou que simplesmente soçobraram à substituição de Camões por cifrões.

Infelizmente, o direito constitucional à identidade linguística dos portugueses não está derrogado apenas no caso em apreço. De entre outros, atentemos à proliferação provinciana de denominações inglesas para escolas e cursos universitários portugueses [fazendo tábua rasa do Regime Geral das Instituições de Ensino Superior (art.º 10.º, n.º 1)] ou a imposição subserviente de uma língua de negócios a alunos portugueses em aulas desses cursos, dadas por professores portugueses.

A “piropedagogia” dos utilitarismos modernos, inimiga do saber e do conhecimento, vem afastando os jovens das Humanidades e da cultura que importa. A norma é hoje uma sequência de vacuidades, desde que impressionem no imediato. Quando acabámos com os poucos restos de latim que ainda havia no ensino secundário, desligámos a aprendizagem da nossa língua da sua filiação de origem. Quando permitimos a desvalorização da Filosofia, da Literatura e da História nos programas de ensino, deslumbrados pelo progresso tecnológico, começámos a sonegar aos alunos o conhecimento mínimo que os pode situar no mundo, revelar-lhes as raízes e ajudá-los a reflectir sobre o futuro.

Violência doméstica matou 35 pessoas em Portugal este ano

27 mulheres, sete homens e uma criança morreram em 2019 devido a agressões de companheiros, ex-companheiros ou familiares.

 

Trinta e cinco pessoas morreram em Portugal durante o ano por causa da violência doméstica. São sobretudo mulheres, mas há também sete homens entre as vítimas mortais e uma criança de 2 anos.

2019 foi ainda marcado por várias polémicas que envolveram os juízes e os tribunais portugueses.

Um dos casos mais mediáticos foi protagonizado pelo juiz Neto de Moura, que desvalorizou uma agressão porque a mulher tinha cometido adultério e retirou a pulseira eletrónica a um agressor num caso de violência doméstica.

 

Alfa/SIC.

L’ÉQUIPE AVANÇA QUE RICARDINHO TEM ACORDO PARA JOGAR EM FRANÇA

Anunciada a saída do Inter Movistar no final da época, Ricardinho deverá rumar ao futsal francês. A garantia é dada pelo L’Équipe que fala num contrato de três temporadas com o Acces FC, clube sediado na região de Paris.

 

 

Fundado em 2008, o Acces FC, que entretanto mudou de nome ACCS Futsal Club Paris VA 92, soma apenas uma Taça de França, conquistada em 2017.

 

Com a formação divida entre Miramar e Benfica, Ricardinho prepara-se assim para rumar ao quarto campeonato estrangeiro da carreira. Antes conta com passagens por Nagoya Oceans (Japão), CSKA Moscovo (Rússia) e Inter Movistar (Espanha).

 

Como curiosidade, saiba que o Sporting Clube de Paris filial do Sporting Clube de Portugal, é o clube com maior palmarés do futsal francês, 9 títulos nacionais (Campeonatos e Taças de França).

O Sporting Club de Paris, sempre apoiado pela vasta comunidade portuguesa, foi um dos grandes impulsionadores da modalidade em França.

 

Alfa/aBola/L’Équipe.

Caminho de Santiago vai atingir novo recorde em 2019 com 350 mil peregrinos

O Caminho de Santiago vai atingir em 2019, e pelo terceiro ano consecutivo, um novo recorde, com 350 mil peregrinos a chegar à capital da Galiza (noroeste de Espanha) pelos diversas percursos, com destaque para os caminhos Francês e Português.

 

 

Segundo a agência espanhola, EFE, em 2017, o Caminho de Santiago atingiu pela primeira vez os 300 mil peregrinos, um número que em 2018 chegou aos 327.378 mil peregrinos, um novo recorde, sendo que nenhum desses anos era Ano Santo (Jacobeu), um facto que vai acontecer em 2021 e que não sucede desde 2010.

Dados até 30 de novembro transato, indicam que no ano de 2019 já se tinha ultrapassado o recorde de 2018, com 344.352 ‘compostelas’ emitidas. A ‘compostela’ é um documento emitido e dado aos peregrinos para comprovar que fez pelo menos 100 quilómetros a pé ou 200 quilómetros a cavalo ou bicicleta em direção a .

As autoridades acreditam que em 2019 se vão alcançar os 350 mil peregrinos, visto que a contagem só termina dia 31 de dezembro, na próxima terça-feira, e em dezembro de 2018 foram registados 2.500 peregrinos.

Andaluzes, madrilenos e valencianos são os peregrinos que chegam em maior número a Santiago de Compostela, principalmente fazendo o Caminho Francês, que atravessa Espanha pelos Pirinéus. Contudo, nos últimos anos registou-se um especial crescimento do Caminho Português de Santiago.

Em Santiago de Compostela celebra-se o Ano Santo, também conhecido por Jubileu, sempre que o dia 25 de julho, dia de Santiago Maior, coincide com um domingo. Sucede numa sequência temporária de seis, cinco, seis e onze anos e é celebrado desde a Idade Média, por disposição papal.

O presidente da Xunta já anunciou que entre o dia 01 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2021 haverá uma média de dez atividades diárias relacionadas com o Ano Jacobeu, um fenómeno sociocultural e também religioso, que o governo autónomo quer explorar para atrair o turismo, sobretudo os estrangeiros.

O Papa Bento XVI foi o último líder católico a visitar Santiago de Compostela, em novembro de 2010, quase no fim do último Ano Santo.

 

Alfa/Lusa.

Cristiano Ronaldo, João Félix, Benfica e Jorge Mendes vencem Globe Soccer Awards

Cristiano Ronaldo foi eleito o futebolista do ano 2019 nos Globe Soccer Awards, pela quarta vez consecutiva, João Félix arrecadou o prémio Revelação, o Benfica o de melhor Academia e Jorge Mendes o de melhor empresário.

A exceção a esta hegemonia lusitana nesta cerimónia organizada anualmente, desde 2010, foi a do selecionador Fernando Santos, que concorria para treinador do ano com o alemão Jurgen Klopp, do Liverpool, que arrecadou o prémio, e o holandês Erik Ten Haag, do Ajax.

Cristiano Ronaldo, que superou a concorrência de Lionel Messi, Van Dijk e Mohamed Salah, conquistando o prémio pela sexta vez em nove edições, marcou 28 golos na época de estreia no campeonato italiano, ajudou a Juventus a conquistar a Serie A e conquistou a Liga das Nações ao serviço da seleção portuguesa.

Já João Félix teve de superar a concorrência do norueguês Erling Haaland, do Salzburgo, e do inglês Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, que eram os outros candidatos ao prémio Revelação, a culminar um ano em que contribuiu decisivamente para o título nacional conquistado pelo Benfica e protagonizou a transferência mais cara do último verão, com o Atlético de Madrid a pagar 126 milhões de euros ao clube da Luz.

O Benfica, que se fez representar no Dubai por Rui Costa, arrecadou o prémio de melhor academia do Ano, repetindo a distinção de 2015, juntamente com a academia do Ajax.

Entre outros prémios entregues na cerimónia dos Globe Soccer Awards 2019, o da futebolista do ano foi para Lucy Bronze, jogadora do Lyon, de França, o prémio carreira para o médio bósnio Miralem Pjanic, da Juventus, e o prémio de melhor guarda-redes para o brasileiro Alisson, do Liverpool, eleito o clube do ano.

 

Em destaque alguns dos Prémios:
– Cristiano Ronaldo como Jogador do Ano;
– João Félix recebe o Prémio Revelação;
– Jorge Mendes é o Agente do Ano;
– Liverpool é o Clube do Ano;
– Benfica e Ajax venceram o Prémio de Academia do Ano;
– Klopp (Liverpool) como Treinador do Ano:
– AL-Hilal é o Melhor Clube Árabe do Ano;
– Pjanic venceu o Prémio Carreira;
– Lucy Bronze vence no Prémio de Melhor Jogadora.

 

Alfa/Lusa.