Curso de canções infantis portuguesas junta pais e crianças em Berlim

As mãos vão-se entrelaçando até formar uma roda que quase enche a sala. Antes de preencher o espaço também de canções, todas em português, as nove crianças que participam no curso fazem uma espécie de aquecimento.

A chuva da manhã é esquecida lá fora e é preciso aproveitar bem a hora que passa a correr. E a dançar, a gesticular e, principalmente a cantar. Há uma Rosa de saia, luzinhas que piscam, uma loja com um mestre chamado André e um grande sapo.

“Começamos por nos mexer um bocadinho. Usamos sons de animais para eles fazerem barulho, mexemos as pernas, os pés e as mãos, batemos palminhas, dançamos”, descreve à agência Lusa Ana Rocha Gaspar, a dinamizadora do curso que acontece dois sábados por mês no bairro de Wilmersdorf, em Berlim.

“Está a correr muito bem e a ser muito divertido. Têm vindo os mesmos pais e tive a oportunidade de perguntar o que querem fazer, o que funciona e não funciona, o que é que posso melhorar para que isto corra mesmo bem”, explica a cantora, formada em jazz no conservatório de Bruxelas.

A ideia, conta Ana Rocha Gaspar, que foi mãe há alguns meses, surgiu da conversa com uma amiga parteira e da vontade de trabalhar com crianças e canções infantis. As músicas foram-se juntando aos poucos e o grupo já está consolidado.

“Havia umas que eu sabia que queria cantar, porque acho giras e porque me lembro de cantar com a minha avó e com os meus pais. Depois também houve várias sugestões. Fui colecionando e juntando ao repertório que já tinha”, descreve.

Há canções que as crianças não conhecem, outras que identificam imediatamente. Mas o curso é também uma descoberta para muitos pais.

“Algumas já conhecia, outras não”, revela Anna Militzke, que acompanha dois filhos e uma sobrinha. Já Sara Maurício admite que “conhecia todas, mas as letras estavam esquecidas” sendo esta “uma forma muito boa de relembrar”.

Ana Rocha Gaspar, filha de mãe portuguesa e pai alemão, nasceu em Berlim, mas dividiu a vida entre Portugal e a Bélgica. Há dez anos voltou para a capital alemã onde dá aulas de canto e concertos. O sistema do curso é “bastante aberto”, senta-se no chão, toca guitarra e canta com as crianças.

“Fiz uns desenhos para se lembrarem das canções e identificarem. Tudo isso fui crescendo. Quando noto que estão fartos de estar sentados, levantamo-nos outra vez, saltamos, abanamos os braços e as pernas, ou dançamos de novo e fazemos uma roda. Vamos variando e adaptando”, explica.

Ao “Pinheirinho” juntam-se os gestos que apontam as bolas e os bonequinhos imaginários, e as luzinhas que piscam. Até os mais tímidos participam.

“Nas primeiras aulas ficaram muito admirados, sem saber bem o que fazer, mas agora já participam mais. Então em casa, cantam muito”, ri Anna Militzke.

“Acho importante ouvirem mais português. Cantar, ouvir música em português e outras crianças a falar faz-lhes bem”, acrescenta.

Vários desenhos coloridos espalhados no chão mostram instrumentos, animais, objetos. Todos estão relacionados com as canções infantis portuguesas.

“Estou junta com um alemão e o meu filho frequenta um infantário alemão, está exposto às cantigas e à cultura alemãs, por isso achei importante integrá-lo também na cultura portuguesa, ter contacto com outras crianças e músicas portuguesas”, realça Sara Maurício que trouxe o filho de quase dois anos e meio.

“É uma criança bastante tímida e essa foi uma das razões para eu vir, mas tem interiorizado as canções. Não canta durante o curso, mas canta em casa”, sublinha.

O curso de canções infantis portuguesas retoma em Janeiro.

Alfa/Lusa

Petição « Português para Todos » alcança mil assinaturas. Em França foi assinada por apenas 69 pessoas

Petição « Português para Todos », lançada por Pedro Rupio, alcança 1.000 assinaturas. Em França apenas foi assinada por 69 pessoas

Informação e um apelo de Pedro Rupio:

A petição « Português para Todos« , que defende um ensino de português de qualidade e gratuito nas Comunidades Portuguesas, dentro e fora da Europa, alcançou recentemente as 1.000 assinaturas eletrónicas na plataforma on-line « Petição Pública« , graças ao empenho de inúmeros compatriotas de todo o mundo.
Muitas são as assinaturas dos Portugueses que residem em Portugal (378 assinaturas) mas é no estrangeiro que a adesão foi a maior:
– Bélgica 116
– Alemanha 112
– Suiça 72
– França 69
– Reino Unido 42
– Canadá 35
– Espanha 35
– Luxemburgo 30
– Venezuela 23
– Argentina 17
– Estados Unidos da América 17
– Suécia 7
– Países Baixos 6
– Andorra 5
– Noruega 4
– Brasil 3
E ainda houve assinaturas dos países seguintes: Angola, Arábia Saudita, Áustria, Cabo Verde, Chile, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Irlanda, Islandia, Macau/China, Malásia, Moçambique, Namíbia, Qatar e Roménia.
Em 10 anos, a rede oficial do Ensino de Português no Estrangeiro passou de 600 professores para menos de 300; e de cerca de 60.000 alunos para pouco mais de 30.000. Estas 1.000 assinaturas que agora foram mobilizadas são um passo importante para demonstrar às autoridades competentes que as Portuguesas e os Portugueses que residem dentro e fora de Portugal estão atentos a uma importantíssima prerogativa que está estabelecida na Lei fundamental: o direito de aprender português e o direito de ser português.
Todavia, para ser debatida no Parlamento, a petição deverá mobilizar 4.000 assinaturas no total.
Ajude-nos a dar mais força a esta causa, partilhe o link: www.portuguesparatodos.org/assinar

Patrícia Sampaio quer chegar ao topo do judo e ser cabeça de série em Tóquio2020

Patrícia Sampaio quer chegar ao topo do judo e ser cabeça de série em Tóquio2020

Patrícia Sampaio quer chegar ao topo do judo e ser cabeça de série em Tóquio2020

Alfa/Lusa
Os resultados e o crescimento que teve em 2019 mostram uma judoca confiante, com Patrícia Sampaio sem medo de dizer que quer estar entre as melhores, a pensar nos Jogos Olímpicos Tóquio2020.

“Os meus objetivos neste momento são chegar ao ‘top-8’ [da qualificação], ainda melhor chegar ao ‘top-4’, mas já estar no ‘top-8’ do ‘ranking’ olímpico era muito bom para conseguir ser cabeça de série nos Jogos”, disse a judoca, atual 12.ª, em entrevista à agência Lusa.

O ano de 2019 voltou a colocar a atleta de Tomar como a melhor júnior mundial da sua categoria, nos -78 kg, na qual conquistou em setembro o segundo título europeu na Finlândia, e em outubro o terceiro bronze em Mundiais do escalão, em Marrocos.

“Claro que os objetivos passam por pontuar em todas as provas a que vou. Fazer os melhores resultados possíveis, para depois também estar confortável no apuramento e poder focar-me em treinar para fazer uma boa prestação nos Jogos Olímpicos”, acrescentou.

Antes da competição em Tóquio, com as categorias de judo a decorrerem entre 25 de julho e 01 de agosto, a judoca olha também para os Europeus, a última grande prova antes dos Jogos e que fecham o apuramento.

“Se penso numa medalha? Penso sim. Especialmente, depois de ter estado a um bocadinho da medalha no Mundial, penso completamente em conseguir uma medalha”, disse à Lusa a judoca, lembrando o quinto lugar no Mundial de seniores.

No campeonato, que decorreu também na capital japonesa, a judoca da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, em Tomar, ficou à porta do pódio, depois de perder no combate para o bronze com a brasileira Mayra Aguiar, uma das adversárias que mais admira no circuito.

“Conseguimos criar uma boa relação, gosto muito de treinar com ela, de a ver no tapete, de ver a postura, de a ver trabalhar. Claro, depois de tudo o que já atingiu é uma inspiração para mim, é uma das pessoas mais fortes na minha categoria”, explicou.

Além de Mayra, que foi bronze em dois Jogos Olímpicos, Patrícia Sampaio tem como referência a norte-americana Kayla Harrison, bicampeã olímpica, em Londres2012 e Rio de Janeiro2016, e que, entretanto, se retirou.

Nos -78 kg, considera que ainda são muitas as adversárias a ter em conta, numa categoria com nomes fortes: “ainda tenho várias. Brasileira, francesa, as holandesas também são muito fortes no meu peso, e as alemãs”.

Este ano, Patrícia Sampaio foi destaque no portal na Internet ‘Judo Inside’, como uma das judocas mais promissoras em 2019, algo que desconhecia, mas que não a deixou indiferente, num ano que reconhece ter sido de mudança.

“Houve esse ‘boost’, ganhei muito mais experiência, comecei a fazer mais estágios internacionais, a conhecer melhor as atletas, e eu própria tornei-me mais forte, claro. Acho que foi por isso que houve esse ‘boost’ do ano passado para este ano. Entrar no escalão e conseguir começar a afirmar-me”, justificou.

Ultrapassada a transição em 2016 dos -70 para os -78 kg, e, depois, em 2018, a integração entre juniores e seniores, fez parte do crescimento da judoca, com maior e mais regular participação no escalão maior.

“Era júnior e comecei a competir nos seniores, sabia que tinha de ser forte mentalmente, não ia ter os resultados que pretendia logo no momento e ia ter que aguentar e crescer com isso”, disse.

Com a adaptação praticamente concluída, a judoca revela quais as técnicas preferidas: “os meus ataques mais efetivos são projeções de joelhos, virar as costas », revelou, adiantando que as técnicas de ‘seoi nage’ e ‘sode’, para a esquerda, são as favoritas, numa modalidade de que não gostou à primeira, mas à qual acabou por se ‘render’.

Mensagens de Natal dos políticos são propaganda política. Opinião

Durante a quadra natalícia ouvem-se mensagens de Natal que mais parecem panfletos de propaganda política.

Mas esta é apenas a opinião de Carlos Pereira, Jornalista, Diretor do LusoJornal. Ouça a crónica de Carlos Pereira, aqui: 

Costa dedicou mensagem de Natal ao “compromisso” do Governo de reforçar o SNS

Costa dedicou mensagem de Natal ao “compromisso” do Governo de reforçar o SNS – Serviço Nacional de Saúde

Costa dedica mensagem de Natal ao “compromisso” do Governo de reforçar o SNS

Alfa/Lusa
O primeiro-ministro dedicou hoje a sua mensagem de Natal ao « compromisso » do Governo de reforçar orçamentalmente a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), prometendo atacar a sua « crónica suborçamentação » e eliminar faseadamente taxas moderadoras.

Ao contrário do habitual, esta mensagem de Natal António Costa não foi gravada na residência oficial do primeiro-ministro, mas, antes, na Unidade de Saúde Familiar (USF) do Areeiro, em Lisboa, que entrou em funcionamento no passado dia 16.

O primeiro-ministro defendeu que « o SNS – universal, geral e tendencialmente gratuito – constitui uma das maiores conquistas da democracia, permitindo, ao longo dos últimos 40 anos, prestar assistência a todos os que dela necessitam, sobretudo em momentos de especial fragilidade, e independentemente da respetiva condição económica, estatuto social ou local de residência ».

« Sei bem que a saúde é atualmente uma das principais preocupações dos portugueses e que há vários problemas para resolver no SNS. Compreendo bem a ansiedade daqueles que ainda não têm médico de família, que aguardam numa urgência ou que esperam ser chamados para um exame, uma consulta ou uma cirurgia », referiu primeiro-ministro.

Depois de ter dirigido « uma palavra solidária » a todos os que estão a enfrentar a doença e de expressar o seu « profundo reconhecimento a todos os profissionais que diariamente dão o seu melhor » para assegurar à população em geral os cuidados de saúde., António Costa identificou os cuidados de saúde primários como « a base do SNS e o melhor caminho para atingir a meta de cobertura universal em saúde ».

« Por isso, escolhi dirigir-vos esta mensagem de confiança e compromisso a partir de uma das mais recentes USF, para expressar a determinação do Governo em reforçar a capacidade de resposta de proximidade do SNS, para que este seja, cada vez mais, um motivo de orgulho nacional. Como sabem, ao longo dos últimos quatro anos, recuperámos a dotação orçamental do SNS, admitimos mais 15 mil profissionais, e aumentámos o número de consultas e intervenções cirúrgicas realizadas. Mas sabemos bem que não é suficiente e que temos o dever de fazer mais e melhor », assumiu o líder do executivo.

De acordo com António Costa, a gestão orçamental feita pelo seu Governo desde novembro de 2015, permite « agora atacar de modo sustentável a crónica suborçamentação e o contínuo endividamento dos serviços de saúde ».

« A proposta de Orçamento de Estado para 2020, já apresentada na Assembleia da República, contempla o maior reforço de sempre no orçamento inicial da saúde e confere maior autonomia aos hospitais para garantir uma maior eficiência e responsabilidade na gestão do seu dia a dia. O programa de melhoria da resposta do SNS que aprovámos recentemente prevê ainda um conjunto de investimentos em infraestruturas e equipamentos de saúde, autoriza a contratação de mais 8400 profissionais de saúde – médicos, enfermeiros e outros profissionais – , bem como o pagamento de incentivos para a redução das listas de espera através da realização de mais cirurgias e mais consultas, incluindo ao sábado. Vamos também continuar a alargar a oferta de médico de família », salientou o primeiro-ministro.

Ainda em relação ao próximo ano, António Costa disse que o seu executivo vai « duplicar o ritmo de investimento em cuidados continuados, abrindo mil novas camas, das quais 200 de saúde mental ».

« E vamos, já a partir de 2020, começar a eliminar faseadamente as taxas moderadoras nos cuidados de saúde primários e nos tratamentos prescritos no SNS. Estas decisões que já tomámos mostram bem a prioridade que atribuímos ao setor da saúde e sabemos que temos de dar continuidade a este esforço nos próximos anos », sustentou.

Nesta sua mensagem, o primeiro-ministro disse ter consciência que o país « enfrenta muitos outros desafios », como « o combate às alterações climáticas, à pobreza, pelo acesso à habitação, a melhoria do emprego, da educação e o fortalecimento do crescimento económico ».

« Mas neste ano em que assinalámos o quadragésimo aniversário do SNS foi mesmo de saúde que vos quis falar. Porque, mais do que celebrar o passado o nosso dever é responder às necessidades do presente e garantir o melhor futuro para o SNS, como poderoso instrumento de igualdade e progresso social ao serviço de todos », justificou.

António Costa assumiu mesmo que pretendeu hoje deixar aos portugueses « uma mensagem de compromisso e confiança, olhos nos olhos, nesta noite » de Natal.

Numa das poucas notas foram do âmbito da política de saúde, o líder do executivo desejou « um feliz Natal a todos os que residem em Portugal e às comunidades portuguesas da diáspora ».

O primeiro-ministro transmitiu, ainda, um « abraço fraterno aos que, nesta quadra, estão longe dos seus familiares, em particular aos que estão a trabalhar assegurando o funcionamento de serviços essenciais e aos militares e membros das forças de segurança que se encontram em missão no estrangeiro ».

Papa celebra amor « incondicional » e « livre » na sua homilia de Natal

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Papa celebra amor « incondicional » e « livre » na sua homilia de Natal

VATICAN POOL/GETTY IMAGES

Francisco também pediu aos fiéis para que não se esquecessem de « agradecer », observando que « essa é a melhor maneira de mudar o mundo »

Alfa/Lusa

O Papa Francisco proferiu ontem, terça-feira à noite, a sua habitual homilia da noite de Natal, na qual defendeu o « amor incondicional » e « livre » contra a lógica do mercado.

« O Natal lembra-nos que Deus continua a amar a todos, até os piores. O amor dele é incondicional e grátis, mesmo que as pessoas possam ter ideias erradas ou possam ter feito o pior absurdo », afirmou o líder da igreja católica perante milhares de fiéis reunidos na Basílica de São Pedro, em Roma.

O Papa sublinhou que a « gratuidade desse tipo de amor espalha paz e alegria » contra um mundo atual em que « tudo parece responder à lógica de dar por ter ».

Francisco também pediu aos fiéis para que não se esquecessem de « agradecer », observando que « essa é a melhor maneira de mudar o mundo ».

« Mudamos, a Igreja muda, a história muda, quando começamos a não querer mudar os outros mas sim a nós mesmos », afirmou.

« Não esperemos que o nosso próximo se torne bom para lhe fazer bem, que a Igreja seja perfeita para amá-lo, que outros nos considerem por servi-los. Vamos começar primeiro », aconselhou o Papa.

Francisco, que acaba de completar 83 anos, fará sua sétima mensagem de Natal « Urbi et orbi » (« para a cidade e para o mundo ») esta quarta-feira ao meio-dia, frente aos fiéis reunidos na praça de São Pedro, em Roma.

O burro do presépio e todos os outros (um conto de Natal de José Tolentino Mendonça)

O burro do presépio e todos os outros (um conto de Natal de José Tolentino Mendonça). Diz-se que os burros podem percorrer quatro quilómetros por hora e 24 quilómetros por dia. Penso, por vezes, que essa é a velocidade com que a tristeza caminha sobre a terra

Um texto do Expresso que pode ler na versão original em expresso.pt

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA – Cardeal no Vaticano (TEXTO) e ALEX GOZBLAU (ILUSTRAÇÕES)

ALEX GOZBLAU

Contaram-me que no “Dispensário Popular para Animais Doentes”, em Londres — uma maravilhosa instituição que oferece até aos dias de hoje uma parte significativa da sua atividade veterinária de forma gratuita —, existe uma inscrição que recorda todos os animais que foram mortos na Primeira Guerra Mundial, “nada sabendo das suas causas, não alimentando esperança alguma de vitória, movidos apenas pelo amor e pela lealdade” aos seres humanos. É um facto pouco recordado, mas nesses anos de 1914-1918, em que abundavam os meios mecânicos de transporte, um sem-número de animais foi forçado a desempenhar um papel no teatro militar. As cavalgaduras, por exemplo, protagonizaram episódios frequentes de deslocação de armamento e de tropas no terreno, sobretudo quando se tratava de territórios particularmente duros e inacessíveis, suportando com os soldados, e em seu favor, as condições de vida mais terríveis. Só o exército inglês importou da África do Sul, para serem utilizados na logística da guerra, 45 mil burros. Em Itália, em concreto nas zonas montanhosas onde atuavam os batalhões alpinos, cada divisão chegou a ter mais de 200 ao seu serviço. E o mesmo em França, sobre a frente ocidental do conflito, onde esses animais transportaram toneladas de munições e alimentos. E. H. Baynes relata no seu livro “Animais que Foram Heróis na Grande Guerra” o espanto de um oficial britânico perante um desses jumentos que atuava precisamente junto a um batalhão francês. Um projétil havia-o cegado e arrasara-lhe impie­dosamente as orelhas. O que delas restava parecia coroar agora a sua cabeça como torturantes pontas de arame farpado. E, mesmo assim, o animal insistia em prosseguir na realização daquela obra. Porém, a proverbial teimosia com que a sua espécie enfrenta a adversidade não deve fazer esquecer a realidade: os larguíssimos milhares de burros que pereceram ali, desconhecendo tudo sobre as razões do que sucedia, eles que por fidelidade e amor aos seres humanos se viam misturados involuntariamente com a primeira guerra química da história. Por isso, quando em “Animal Farm”, essa extraordinária fábula política com que George Orwell procura iluminar a escuridão de um século, se explica ao leitor que “os burros vivem muito tempo, e que nenhum de vós viu jamais um burro morto”, é evidentemente para ler ao contrário. O que pode assomar como uma farsa é, do princípio ao fim, uma elegia.

No British Museum conserva-se um achado arqueológico sumério, denominado “Estandarte de Ur”. Tem dois painéis principais, um que representa os tempos de paz e o outro a estação da guerra, e remonta a cerca de 2550 a.C. No painel dedicado à guerra vemos uma sucessão de carros militares conduzidos por burros, o que mostra como, desde os primeiros conflitos registados iconograficamente, estas criaturas foram submetidas às férreas ambições de cada época. Os burros do rei da Suméria parecem, no entanto, nessa representação figuras ingénuas de um delicado carrossel. E talvez isso intensifique a emoção que sobrevém ao contemplar o painel. Os asnos galopam numa ondulação marcada, isenta de violência, quase festiva, totalmente alheia ao cerco do terror. Mas o intervalo dos seus passos, no alinhamento do desenho, destapa o impensável: a morgue monumental em que a realidade dos povos, por vezes, se torna. Os corpos humanos tombados, que os nossos próprios olhos terão dificuldade em enfrentar, poderiam pertencer ao lápis apavorado de Otto Dix, de George Grosz, de Albin Egger-Lienz ou de qualquer outro pintor moderno da guerra. É como se não existisse diferença alguma. Os burritos do delicado carrossel do rei sumério atravessaram essas incompreensíveis linhas de fogo em rebentação. E, a quatro quilómetros por hora, sobre o seu galope inofensivo, se abateu a brutalidade da história. No exército romano acontecerá o mesmo, e repetidas vezes. Os garbosos cavalos eram naturalmente os animais preferidos e os mais usados, pelo menos entre os oficiais. Mas quando as condições de sobrevivência se tornavam desesperadas — e as quantidades de forragem necessárias para nutrir os cavalos eram já inalcançáveis — requisitavam-se os burros. Quando, por exemplo, numa das etapas da guerra civil que opôs César a Pompeu, as tropas deste incendiaram os campos para evitar que os cavalos de César se alimentassem, os homens deste conseguiram nutrir os burros com algas lavadas em água doce, a que misturavam uma mísera sombra de erva que restava.

ALEX GOZBLAU

Os burros estão associados historicamente às estações de pobreza e aos pobres. É certo que se diz que o carro funerário de Alexandre Magno foi escoltado, de Babilónia a Alexandria, por 64 burros magnificamente ornamentados com colares de preciosas pedras e pendentes dourados. E há um asno que cospe moedas de ouro numa das história dos irmãos Grimm. Mas não foi num burro assim que Abraão subiu ao monte Moriá para sacrificar Isaac nem que Maria e José viajaram até ao Egito para salvar Jesus.

Já os escritores do mundo antigo (Paládio, por exemplo, que foi um rico fundiário e escreveu abundantemente sobre as práticas agrícolas) referiam a importância do jumento para o trabalho do campo, sublinhando a sua compleição robusta, a sua resistência à dureza das condições meteorológicas e o facto de adoecerem muito raramente. A verdade é que sem o seu contributo, desde há milhares de anos, muitas vezes teriam faltado os produtos alimentares nos mercados, a água ou o azeite nas povoações, o pão na mesa, a lenha para acender o fogo nas noites intermináveis de inverno, as matérias-primas para os ofícios ou os argumentos para a razão, mesmo se na história — pensemos naquela que Cervantes escreveu — os cavalos têm nomes (“Rocinante” é o da pileca de D. Quixote) e os burros permanecem anónimos (Sancho Pança identifica o seu apenas pela cor). Mas nem sempre é assim, claro. O burro de Juan Ramón Jiménez todos sabem que se chama “Platero” (que belo nome para um companheiro e confidente de viagem). Como o de Robert Louis Stevenson se chamava “Modestine” (era uma égua). Os miúdos (de qualquer idade) que tenham lido o “Winnie the Pooh” sabem que o introspetivo burro de cor cinzenta se chama “Isaías” (Ih-Oh). E até o burro de George Orwell tem um nome: “Benjamin”.

ALEX GOZBLAU

A Bíblia contém um número astronómico de animais. Estes são ali citados 3594 vezes. O primeiro nomeado é a serpente, no Livro do Génesis, e o último o cordeiro, no Apocalipse. O burro surge 163 vezes, o que não é pouco. Faz a sua aparição no Livro do Génesis, quando Abraão recebe por equívoco do faraó um dote por Sara: “ovelhas, bois e jumentos” (Gen 12,16). Na ética do Sinai (Ex 23), a lei do descanso sabático deveria abranger também os burros com os quais se trabalha (“para que descanse o teu jumento” — diz-se). Mas não só. Um importantíssimo passo civilizacional são os deveres para com o asno do inimigo que a Bíblia impõe: “Quando vires um jumento daquele que te odeia caído debaixo da sua carga, não o abandones. Deves soltá-lo com ela” (Ex 23,5). De facto, configura-se aí uma renúncia às tradições de vingança, tão enraizadas no mundo antigo (e de todos os tempos), e a emergência de uma lógica outra, assente no perdão e no amor. Um texto emblemático da irrupção deste inédito modelo social é Deuteronómio 22,1-4: “Se vires perdidos o boi ou a ovelha do teu irmão, não te desvies deles; mas leva-os ao teu irmão. Se o teu irmão não estiver próximo de ti e não o conheceres, recolhe o animal em tua casa, onde permanecerá até que o teu irmão o reclame e lho entregues. Procederás do mesmo modo com o seu jumento, com a sua capa ou com qualquer outra coisa perdida pelo teu irmão e encontrada por ti. Não te desviarás desse objeto. Se vires o jumento do teu irmão ou o seu boi caídos no caminho, não te desvies deles, mas ajuda-os a levantarem-se”.

E há, depois, aquelas passagens misteriosas da Bíblia a propósito dos burros. O episódio mais divertido é o do jumento ou o da égua de Balaão (as traduções hesitam) que, muito antes do seu dono, e bem mais claramente do que ele, se apercebe da presença de um anjo no caminho que percorriam (Números 22,21-33). Por três vezes, o animal vê o anjo e desvia-se e das três é fustigado por Balaão. O texto reserva então ao leitor duas surpresas. Na primeira, o próprio burro interroga o dono: “Que te fiz para me bateres?” A segunda acontece quando finalmente também Balaão avista o anjo e este lhe pergunta: “Porque vergastaste três vezes a tua jumenta?”

Outra passagem misteriosa — e estamos a avizinhar-nos do fim — é aquela do arranque do Livro do Profeta Isaías e que, porventura, se liga diretamente à presença de um burro no presépio: “Ouvi, ó céus, e escuta, ó terra, porque é o Senhor quem te fala: ‘Criei filhos e fi-los crescer, mas eles revoltaram-se contra mim. O boi conhece o seu dono, e o jumento, o estábulo do seu senhor; mas o meu povo nada entende’” (Is 1,3-4).

O burro do presépio sempre me comoveu, mas, por vezes, dou comigo a pensar que entenderemos melhor o seu papel se o ligarmos ao que tem sido o destino da sua espécie. Este do presépio poderia chamar-se “Platero”, como o de Jiménez. Ou então, como o de George Orwell, “Benjamin”. O mais natural é que se tratasse de um dos asnos anónimos do acampamento dos pastores e que escutou, ao mesmo tempo que eles, o pregão feito pelos anjos: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura” (Lucas 2,10-12). Provavelmente, começou apenas por acompanhar a excitação dos pastores, encorajado pelo seu ruído festivo no meio da noite, motivado pelos seus cantos. Mas, depois, ele próprio se apercebeu de que no chão, diante das suas patas, surgia o rasto luminoso de uma estrela que o chamava. Sabe-se que os burros podem percorrer quatro quilómetros por hora, mas por trilhos abreviados que só eles arriscam. Por isso, quando os pastores chegaram à visão do recém-nascido, ele já lá estava, como uma figura do presépio. Estava deitado por terra, protegendo com o calor do próprio pelo a jovem parturiente e aquele filho. Os seus olhos grandes não se afastavam do pequenino, nem um segundo. E extasiados assistiam ao recomeçar do mundo.

Petição. « Não à morte da RFI em português ». « Comunidade » Lusófona (e não só) mobiliza-se

NÃO À MORTE DA RFI EM PORTUGUÊS — http://chng.it/scB6TNyLhJ

É com profunda inquietude que assistimos ao plano de redução dos recursos humanos da RFI em português. Este plano de redução põe em risco a perenidade desta redação que há anos informa, através da prática de um jornalismo de alta qualidade, os países de expressão portuguesa. Para além da importância para a democracia, a liberdade e a cidadania que reveste o exercício do jornalismo em geral, neste caso em particular está também em causa a relação cultural, social e económica entre os povos a nível internacional. A RFI é uma mais valia para França e para as comunidades de expressão portuguesa em França e no mundo. Não é o momento para proceder a uma redução ou extinção destes meios de comunicação, mas em prioridade de os conservar e expandir. NÃO À MORTE DA RFI EM PORTUGUÊS!

NON À LA MORT DE RFI EN LANGUE PORTUGAISE

C’est avec une profonde inquiétude que nous sommes témoins du plan de réduction des ressources humaines de RFI en portugais. Ce plan de réduction met en péril la continuité de cette rédaction qui informe depuis des années, à travers l’exercice d’un journalisme de grande qualité, les Pays d’expression portugaise. Outre l’importance pour la démocratie, la liberté et la citoyenneté du journalisme en général, dans ce cas particulier il est aussi question de liens culturels, sociaux et économiques entre les peuples au niveau international. RFI est un atout pour la France et les communautés lusophones en France et dans le monde. Ce n’est pas le moment de réduire ou de supprimer ce média, mais plutôt celui de le sauvegarder et de le déployer. NON À LA MORT DE RFI EN LANGUE PORTUGAISE !

Os 100 primeiros subscritores oriundos de vários países e de vários quadrantes de actividade como as artes, associativismo, jornalismo ensino:

  1. Adeline Afonso (Étudiante en Histoire Contemporaine à Sorbonne Université)
  2. Alain Paulo (Musicien)
  3. Ana Casanova (Écrivaine, Dirigeante associative)
  4. Ana Filipa Roseira (Chargée d’études sénior)
  5. Anabela Rebelo Heitor (Enseignante, Formatrice)
  6. Andrea Santana (Réalisatrice cinéma)
  7. António Oliveira (Secrétaire général de l’ADEPBA – Association Pour  le  Développement  des Études Portugaises, Brésiliennes, d’Afrique  et d’Asie lusophones)
  8. Artur Silva (Journaliste)
  9. Aurélio Pinto (Ingénieur informatique retraité)
  10. Bonga (Musicien)
  11. Carlos Gonçalves (Député du Parlement Portugais pour les Portugais de l’étranger en Europe)
  12. Carlos Pereira (Journaliste)
  13. Carlos Semedo (Président de l’Association France/Timor-Leste)
  14. Caroline Domingues (Maître de Conférences en Civilisation Espagnole – Univ. Clermont-Auvergne)
  15. Christophe Fonseca (Réalisateur cinéma)
  16. Christopher Pereira (Professeur d’Histoire-Géographie)
  17. Clara Guimarães Santiago (Chercheuse)
  18. Cristèle Alves Meira (Réalisatrice cinéma)
  19. Cristina Branco (Employée au Pôle Logement AP-H)
  20. Cristina Pinheiro (Réalisatrice cinéma)
  21. Cristina Semblano (Élue, enseignante universitaire)
  22. David Leite (Journaliste, Diplomate)
  23. Dominique Stoenesco (ex-Professeur de l’enseignement public français)
  24. Emília Ribeiro (Dirigeante associative)
  25. Ferdinand Fortes (Acteur, Metteur en scène, Chroniqueur radio)
  26. Filomena Vieira (Économiste)
  27. Florent Robin (Libraire, animateur radio)
  28. Graça dos Santos (Metteure en scène et comédienne, directrice du festival Parfums de Lisbonne, Prof. des Universités, Dir. du CRILUS – Univ. Paris-Nanterre)
  29. Graça Lomingo (Community Manager dans l’audiovisuel)
  30. Guilherme Monteiro (Journaliste)
  31. Hermano Sanches Ruivo (Adjoint à la Maire de Paris, Conseiller délégué à l’Europe)
  32. Ilda Nunes (Enseignante)
  33. Izabella Borges (Traductrice)
  34. Jean-Pierre Duret (Réalisateur, Ingénieur du son)
  35. João Heitor (Éditeur, Libraire, Agent Culturel)
  36. Joaquim Pereira de Sousa (Retraité)
  37. Joel Cartaxo Anjos (Réalisateur Cinéma)
  38. Joelle Nascimento (Conseil en marketing et communication)
  39. Jorge Tomé (Comédien)
  40. José da Silva Barros (Directeur retraité d’un établissement médico-social)
  41. José Manuel da Costa Esteves (Enseignant responsable de la Chaire Lindley Cintra de Camões IP, Univ. Paris-Nanterre)
  42. José Sebastião (Secrétaire syndical)
  43. José Vala (Poète, Compositeur, Interprète, Expert en sécurité fonctionnelle)
  44. Judith Pires (Dirigeante associative)
  45. Julien dos Santos (Entrepreneur)
  46. Leonardo Tonus (Professeur universitaire, Écrivain)
  47. Lizzie (Musicienne)
  48. Luciana Soares Gouveia (Deleguée Générale de l’Association Cap Magellan)
  49. Luísa Semedo (Présidente du Conseil Régional Europe du Conseil des Communautés Portugaises)
  50. Luiz Silva (Sociologue, Écrivain)
  51. Manuel Alexandre (Journaliste)
  52. Manuel Antunes Cunha (Professeur universitaire)
  53. Manuel Pinto (Monteur cinéma)
  54. Marc Terrisse (Écrivain)
  55. Marcia Camargos (Écrivaine)
  56. Maria Fernanda Pinto (Physicienne retraitée)
  57. Maria Gracinda Maranhão-Guitton (Avocate)
  58. Maria João Pita (Architecte)
  59. Maria Jo Lecerf (Attachée de presse spectacle vivant)
  60. Maria Romano (Dirigeante associative)
  61. Maria Rosário Salgueiro (Jornaliste)
  62. Maria-Benedita Basto (Maîtresse de Conférences Sorbonne Université)
  63. Maria-Yvonne Frutuoso (Employée de Banque, Créatrice d’un blog culturel)
  64. Marie-Hélène Euvrard (Présidente de la Coordination des Collectivités Portugaises de France)
  65. Mário Barroso (Réalisateur, Directeur de la photographie cinéma)
  66. Mário Cantarinha (Journaliste)
  67. Mazé Torquato Chotil (Écrivaine, Journaliste)
  68. Michael Mendes (Producteur, Réalisateur)
  69. Miguel Guerra (Professeur d’Histoire à la section internationale de Portugais du Lycée de St.-Germain-en-Laye)
  70. Mylène Contival (Assistante d’édition)
  71. Nathalie de Oliveira (Maire-adjointe de Metz)
  72. Nuno Gomes Garcia (Écrivain)
  73. Octávio Espírito Santo (Directeur de la photographie cinéma)
  74. Paula Machado Oliveira (Journaliste)
  75. Paulo Marques (Maire-adjoint Aulnay-sous-Bois)
  76. Paulo Pisco (Député du Parlement Portugais pour les Portugais de l’étranger en Europe)
  77. Pedro da Nóbrega (Dirigeant associatif)
  78. Pedro Rupio (Conseiller des Communautés Portugaises)
  79. Philippe Machado (Réalisateur cinéma)
  80. Pierre Léglise-Costa (Professeur, Historien d’Art et Linguistique, Dir. Coll. Littéraire « Bibliothèque Portugaise » aux Éditions Métaillé)
  81. Raquel Schefer (Réalisatrice, Chercheuse)
  82. Raúl Lopes (Dirigeant associatif)
  83. Ricardo Figueira (Journaliste)
  84. Ricardo José (Journaliste)
  85. Ricardo Vieira (Pianiste)
  86. Richard Tavares (Chargé de projets scientifiques à l’international pour l’ANR)
  87. Rose Nunes (Photographe)
  88. Rui Ribeiro Barata (Dirigeant associatif)
  89. Silvy Crespo (Photographe)
  90. Suzette Fernandes (Dirigeante associative)
  91. Teófilo Chantre (Musicien)
  92. Tito Lívio Santos Mota (Professeur, Dirigeant Associatif)
  93. Tomohiro Hatta (Pianiste)
  94. Valdemar Camarinha Felix (Conseiller des Communautés Portugaises, Animateur radio)
  95. Valérie do Carmo (Présidente de l’Académie du Fado)
  96. Vanessa Capela (Économiste)
  97. Víctor Pereira (Historien, MCF Université de Pau)
  98. Vítor Rosa (Professeur universitaire, Chercheur)
  99. Vítor Santos (Animateur Radio)
  100. Wilkerson Alves (Journaliste)

Petição, aqui: https://www.change.org/p/france-m%C3%A9dias-monde-non-%C3%A0-la-mort-de-rfi-en-langue-portugaise-n%C3%A3o-%C3%A0-morte-da-rfi-em-portugu%C3%AAs?recruiter=34606580&utm_source=share_petition&utm_medium=copylink&utm_campaign=share_petition

Notre Dame de Paris sem missa de Natal pela 1.ª vez desde Revolução Francesa

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Notre Dame de Paris sem missa de Natal pela 1.ª vez desde Revolução Francesa

Notre Dame de Paris sem missa de Natal pela 1.ª vez desde Revolução Francesa

Alfa/Lusa
Notre Dame ficou este ano sem a tradicional missa de Natal, algo que não ocorria desde a Revolução Francesa (1789-1799), por causa do incêndio de abril que danificou a catedral de Paris.

A tradicional celebração de Natal mudou-se para outra igreja gótica ao lado do Museu do Louvre, depois de o incêndio de abril ter consumido o telhado do monumento medieval e ter feito desabar a torre, prevendo-se que a reconstrução demore vários anos.

As autoridades francesas dizem que a estrutura está muito frágil para permitir a entrada de visitantes em segurança, e que há ainda o risco de intoxicação devido às toneladas de poeira de chumbo libertadas pelas chamas.

As celebrações da véspera e do dia de Natal vão ser realizados na igreja Saint-Germain l’Auxerrois, outrora usada pela realeza francesa.

O reitor de Notre Dame, monsenhor Patrick Chauvet, celebra na quarta-feira a missa destinada aos fiéis de Notre Dame, acompanhada por música de coros.

Uma plataforma litúrgica de madeira foi construída na igreja de Saint-Germain para se parecer com a de Notre Dame, segundo a agência AP – Associated Presse, que adianta que a escultura da catedral do século XIV, « A Virgem de Paris », que sobreviveu ao incêndio, também está em exibição.

Greve de transportes em França já custou 400 ME à empresa ferroviária estatal

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Greve de transportes em França já custou 400 ME à empresa ferroviária estatal

Greve de transportes em França já custou 400 ME à empresa ferroviária estatal

Alfa/Lusa
A greve de transportes contra a proposta de reforma das pensões do presidente francês, Emmanuel Macron, já custou 400 milhões de euros à empresa ferroviária estatal e o valor pode aumentar se, como previsto, as paralisações continuarem depois do Natal.

Numa entrevista publicada hoje, o presidente da Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro (SNCF), Jean-Paul Farandou, estimou que cada dia de greve implica perdas de cerca de 20 milhões de euros, o que, multiplicado pelos 20 dias de conflito, resulta em 400 milhões de euros, noticia a agência Efe.

Farandou sublinhou que é muito cedo para fazer um balanço total da situação para a empresa, entre outras razões porque os protestos continuam, mas avançou que as contas de 2019 serão « fortemente afetadas ».

O transporte ferroviário é, juntamente com o transporte metropolitano de Paris, o setor com maior monitorização dos protestos que começaram em 05 de dezembro e que afetam milhões de pessoas nas suas deslocações diárias.

O primeiro-ministro Édouard Philippe apresentou na segunda-feira um calendário de negociações sobre o projeto de reforma, a começar em 07 de janeiro, com os sindicatos e as entidades patronais, através de várias reuniões com os ministros competentes.

A proposta de alteração do sistema de pensões está a ser fortemente contestada em França, através de greves e manifestações.

Nas últimas semanas, os trabalhadores do setor dos transportes, além de outros serviços, têm estado em greve e a situação ameaça manter-se até ao final do ano.

Entre os aspetos mais contestados estão a idade prevista para a reforma, que, segundo a proposta do Governo, passa dos atuais 62 para os 64 anos, bem como a medida que penaliza os trabalhadores que se aposentarem antes dessa idade com uma redução, premiando, por outro lado, os que saírem mais tarde da vida ativa.