O drama da mãe portuguesa e dos filhos sem abrigo em Paris. « Uma derrota nossa? Onde falhámos? ». Opinião

A notícia do drama de uma mãe e dos seus dois filhos menores sem abrigo na região parisiense, um caso extremo que os portugueses de França sentiram na pele. 

Um momento complexo na vida da Comunidade portuguesa em França que revela, ao contrário do que muitos dizem e realçam, que a emigração portuguesa não é apenas uma história de sucesso.

« Sentimos esta história como uma derrota nossa. Onde é que falhámos? Que Comunidade somos? ».

Não há leituras simplistas para este drama complexo: a mãe recusou apoio social do Consulado.

Ouça, amanhã, quarta-feira, 18, na Rádio Alfa, a crónica de  Luísa Semedo, presidente para a Europa do Conselho das Comunidades – alguns minutos antes das 7, 9, 11, 15, 17 e 19 horas.

Portugal defende o Europeu e a Liga das Nações em 2020

Portugal vai defender em 2020 os dois títulos conquistados em toda a sua história, primeiro no Campeonato Europeu de futebol, que vai decorrer em junho e julho em 12 países, e mais tarde na Liga das Nações.

Os primeiros seis meses do ano vão servir de preparação para a seleção, que depois terá um calendário bem preenchido, primeiro com o Euro2020, em que já conhece os adversários, e depois a partir de setembro com a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações.

Em 2016, a sorte até foi ‘simpática’ com Portugal, que encontrou Áustria, Hungria e Islândia na fase de grupos do Europeu, três seleções teoricamente acessíveis, mas o mesmo não aconteceu para o Euro2020, com França e Alemanha, os dois últimos campeões mundiais, a aparecerem já nos primeiros jogos.

A seleção lusa, que pela primeira vez terá o estatuto de ‘alvo a abater’, por ser o detentor do troféu, foi sorteada no Grupo F, o já denominado ‘grupo da morte’, e só em março conhece o terceiro adversário, que ainda vem do ‘play-off’.

A estreia está mesmo marcada frente a esse rival desconhecido, em 16 de junho.

A presença de França e Alemanha, dois adversários que no historial de confrontos não deixam boas recordações, sobretudo os germânicos, promete dificultar a vida à equipa de Fernando Santos, embora só um verdadeiro desastre poderá impedir o apuramento para os oitavos de final.

Dos seis grupos, os quatro melhores terceiros classificados seguem em prova, algo que, por exemplo, foi determinante para Portugal no Euro2016, quando foi terceiro no seu grupo, depois de somar apenas três pontos com três empates.

O sorteio não foi benéfico a nível de adversários, mas acabou por ser positivo no campo da logística, já que a formação portuguesa se ‘safou’ ao Grupo A, em que teria de fazer dois jogos na longínqua Baku, no Azerbaijão, acabando por ficar na zona de Budapeste, onde vai atuar duas vezes, e Munique, onde vai enfrentar uma Alemanha a jogar em casa.

Uma das possíveis seleções qualificadas do ‘play-off’ poderá ser a Hungria, o que significa que Portugal poderá defrontar dois dos anfitriões na fase de grupos.

Para já, o único particular de preparação que está agendado é frente a Espanha, em 05 de junho, no Wanda Metropolitano, em Madrid.

Depois do Europeu, entre setembro e novembro, a seleção portuguesa terá a Liga das Nações, que, entretanto, foi reformulada pela UEFA, com a introdução de quatro grupos na Liga A, em vez apenas de três.

França e Alemanha podem novamente calhar a Portugal na fase de grupos, assim como Bélgica, Espanha, Itália e Croácia.

Certo é que, por estarem no Pote 1 com a seleção lusa, Inglaterra, Suíça e Holanda não serão adversários, pelo menos na primeira fase.

Tal como aconteceu na qualificação para o Euro2020, a segunda edição da Liga das Nações pode também servir de ‘plano B’ para chegar o Mundial2022, no Qatar, embora com uma dimensão bem mais reduzida.

Em relação a recordes, 2020 pode ser mais um ano inesquecível na carreira de Cristiano Ronaldo. O avançado, que tem 99 golos com a camisola das ‘quinas’, deverá superar a fasquia dos 100 e poderá tornar-se no melhor marcador de sempre de seleções a nível mundial, caso ultrapasse os 109 do iraniano Ali Daei.

Ronaldo vai disputar o Euro2020 com 35 anos, naquela que poderá ser a sua última grande competição com a seleção, embora o capitão já tenha manifestado várias vezes a intenção, e a capacidade física, de estar no Campeonato do Mundo de 2022.

Em 2020, também é esperado que Pepe se torne no defesa mais internacional de sempre de Portugal, ultrapassando os 110 jogos de Fernando Couto. O luso-brasileiro leva 108.

Alfa/Lusa

Lusa e Dicionário Priberam apresentam 24 palavras que definem 2019

O Priberam e a agência Lusa selecionaram 24 palavras que podem definir o ano que está a terminar, com base nas pesquisas feitas por 37 milhões de utilizadores naquele dicionário digital.

O ‘site’ oanoempalavras.pt inclui “conteúdos criados pela agência noticiosa que dão contexto a cada uma das palavras, bem como fotografias ilustrativas captadas pelos fotógrafos da Lusa, e está estruturado com as palavras por ordem cronológica, sendo possível aceder ao seu significado no Dicionário Priberam bem como ao artigo da Lusa sobre o evento que motivou as pesquisas”, refere em comunicado o Dicionário Priberam.

Deste modo, foram recolhidas as palavras que, “devido ao elevado número de pesquisas diárias”, ganharam destaque ao longo do ano e, a partir destas, os editores da Lusa selecionaram as duas que consideraram mais relevantes em cada mês, em termos da atualidade nacional e internacional.

Foram recolhidas “mais de duas centenas de palavras que estiveram no top das consultas no Dicionário Priberam”, e deste universo foram selecionadas 24, duas por cada mês.

“Interino” e “mineradora” foram as palavras selecionadas em janeiro, ambas num contexto sul-americano, na sequência da declaração de Juan Guaidó como “presidente interino” da Venezuela.

Fevereiro é definido pelas palavras “escusa” e “chapo”, a primeira relacionada com o pedido de escusa do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, nas decisões sobre a auditoria à Caixa Geral de Depósitos (CGD) de que foi administrador.

“El Chapo” é o termo pelo qual era conhecido Joaquín Archivaldo Guzmán Loera, traficante de droga mexicano condenado em Nova Iorque.

”Massacre” e “cinotécnica” foram os termos mais pesquisados em março, o primeiro relacionado com um massacre numa escola no estado brasileiro de São Paulo e “cinotécnica” no âmbito do apoio de Portugal a Moçambique, depois da passagem do ciclone Idai.

“Demover” e “pináculo” são as duas palavras que caracterizam o mês de abril, a primeira relacionada com a notícia, segundo a qual, o atual Presidente de Angola, João Lourenço, terá tentado demover o seu antecessor de viajar num avião da frota da transportadora aérea portuguesa (TAP). A segunda é relativa ao incêndio na catedral de Notre-Dame, em Paris.

O mês de maio é marcado pelos vocábulos “sindicância” e “decoro”. O primeiro relaciona-se com a polémica sobre a sindicância à Ordem dos Enfermeiros e o segundo quando, após declarações do empresário José Berardo na comissão parlamentar de inquérito à CGD, o Presidente da República pediu “decoro e respeito” pelas instituições políticas.

A morte da escritora Agustina Bessa-Luís, em junho último, levou à procura do termo “sibila”, título de um dos seus primeiros romances, editado em 1954, e sucessivamente reeditado.

O outro termo deste mês foi “obliteração”, relacionado com o facto do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado com a obliteração de partes do Irão se os interesses norte-americanos sofressem algum ataque.

Outra morte, a do compositor brasileiro João Gilberto, em julho levou à busca de “Bossa Nova”, género musical por si criado, e o segundo termo de julho tem origem também em notícias do Brasil: “nepotismo”, por o Presidente do país, Jair Bolsonaro, ter rejeitado que fosse apontado como “nepotismo” a eventual indicação do seu filho Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil em Washington.

Os termos de agosto são “jerricã” e “calhorda”, o primeiro relacionado com a greve dos motoristas de matérias perigosas e o segundo devido ao termo que o ministro da Educação do Brasil, Abraham Weintraub, utilizou na sua conta na rede social Twitter para qualificar o Presidente da França, Emmanuel Macron, que demonstrou preocupação com os incêndios na Amazónia.

Em setembro, as palavras mais procuradas foram “subvenção” e “sumo pontífice”, a primeira relacionada com o debate sobre políticos que recebem subvenções vitalícias, e “Sumo Pontífice”, com origem na visita do Papa Francisco a Moçambique.

“Entronização” e “espeleólogos” caracterizaram o mês de outubro em que foram notícia as cerimónias de entronização do Imperador Naruhito do Japão e os espeleólogos portugueses retidos numa gruta em Espanha.

Em novembro, os termos mais procurados foram “cantautor”, relacionado com a morte de José Mário Branco, e “rubro-negro”, relacionado com a vitória do clube de futebol Flamengo, treinado por Jorge Jesus, na Taça Libertadores da América e no campeonato brasileiro.

Finalmente, este mês, as palavras mais pesquisadas foram “pirralha”, termo com o qual Jair Bolsonaro se referiu à ativista ambientalista sueca Greta Thunberg, e “espúria”, utilizado pelo ex-primeiro-ministro José Sócrates na sua defesa do ex-Presidente brasileiro Lula da Silva, criticando a “aliança espúria entre justiça e jornalismo”.

Segundo o Priberam, “outras palavras que se destacaram em 2019” foram “inócuo”, “conluio”, “abstenção”, “canonizada”, “imolar” ou ainda “momo”.

Alfa/Lusa

Satélite europeu que vai observar exoplanetas tem portugueses « a bordo »

O CHEOPS, primeiro satélite europeu para medir o pulso a outros mundos distantes, é lançado nesta terça-feira. Uma equipa de portugueses ajudou a desenvolver o projeto desde a primeira hora, e também vai estudar os dados.

Artigo do DN em www.dn.pt

Susana Barros não esconde uma ponta de nervosismo, e não é caso para menos. Foram anos de trabalho, e este é o momento que há muito esperava – ela e todos os envolvidos no projeto do telescópio espacial CHEOPS.

Depois de ter sido adiado – chegou a estar previsto para 2017, e depois para 2018 – o CHEOPS (de CHaracterising ExOPlanet Satellite), tem o lançamento previsto para esta terça-feira, a partir do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa.

 

 

Será o momento da verdade para o novo telescópio espacial desenhado para observar planetas fora do Sistema Solar, que a investigadora do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) – instituição que lidera a participação científica portuguesa na missão – vai seguir à distância, a partir do Porto.

« Há sempre algum nervosismo num lançamento espacial », confessa. Mas é, sobretudo, o que vem a seguir que lhe ocupa o pensamento. Se tudo correr bem, como todos esperam, dentro de um mês começam a chegar os dados das observações do novo satélite. E aí, então, é que a nova etapa da aventura científica vai começar.

Com o CHEOPS – ele foi desenhado e concebido para isso mesmo -, a comunidade científica espera dar um importante passo no estudo dos exoplanetas, levando o conhecimento sobre eles para um novo patamar. A ideia é medir-lhes o raio com uma precisão sem precedentes, verificar a existência ou não de atmosferas, medir-lhes a temperatura e caracterizar cada um dos exoplanetas que vão estar sob escrutínio. Dos 4143 atualmente conhecidos. serão mais de mil os estudados ao longo próximos três anos e meio, a duração prevista da missão.

A trabalhar no IA, no Porto, desde 2015, dedicada à missão CHEOPS, Susana Barros esteve diretamente envolvida, juntamente com outros colegas do instituto, na definição do projeto científico para o telescópio e será igualmente a coordenadora de uma das seis áreas científicas da missão: aquela que vai procurar luas e anéis naqueles mundos distantes, algo que até hoje nunca foi possível descortinar nesses mundos tão distantes da Terra. O CHEOPS, o primeiro telescópio espacial europeu concebido para estudar exoplanetas, é o primeiro a aventurar-se nessa busca. E, quem sabe, talvez venham daí muitas novidades.

Para os portugueses, no entanto, este satélite tem ainda uma outra particularidade saborosa: entre todos aqueles em que há equipas nacionais envolvidas desde o primeiro momento, este é o primeiro a ser lançado.

Além do IA, a outra participação portuguesa na missão CHEOPS foi protagonizada pela empresa Deimos Engenharia, que concebeu o software de decisão para as observações a serem feitas em cada momento pelo satélite.

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1…

O calendário está feito. Se não houver ventos contrários, algum imprevisto ou atraso de última hora, a contagem decrescente começa exatamente às 8.44 (hora de Lisboa) desta terça-feira. Dez segundos depois, um foguetão Soyuz-Fregat elevar-se-á nos ares, partindo para o espaço com o CHEOPS e outros passageiros congéneres a bordo.

A astrofísica portuguesa Susana Barros coordena um dos programas científicos do CHEOPS.

A largada do telescópio espacial europeu, que ficará numa órbita entre os 800 e os 1200 km de altitude, deverá acontecer pelas 11.20, (ainda hora de Lisboa) devendo a primeira comunicação do satélite com terra ocorrer entre 20 minutos a meia-hora depois.

Se tudo correr de acordo com o planeado, dentro de um mês, iniciar-se-á então a aquisição dos dados científicos, o momento mais esperado por todos os envolvidos na missão. « Temos estado a preparar os modelos para análise dos dados e dentro um ano, mais ou menos, deveremos ter já resultados sobre uma parte dos exoplanetas, nomeadamente sobre a existência de atmosferas e respetivas temperaturas », adianta Susana Barros.

O estudo das atmosferas, justamente, é outro dos seis programas científicos do CHEOPS, que também será coordenado por um investigador do IA, neste caso Olivier Demangeon.

De resto, os investigadores do IA, ao qual coube desenvolver, em colaboração com uma equipa francesa, o software que permite fazer a chamada redução de dados (correção) para sua correta leitura final, estão envolvidos em todos os programas científicos do CHEOPS relativos aos exoplanetas: além da busca de luas e anéis, e do estudo de eventuais atmosferas, a medição exata do raio de cada um dos exoplanetas, havendo sempre a possibilidade da descoberta de novos planetas pelo método dos trânsitos, para o qual o CHEOPS está vocacionado. Através deste método, os cientistas medem a diminuição da luz de uma estrela quando um exoplaneta na sua órbita passa na sua frente.

Dentro de três anos e meio, os novos conhecimentos adquiridos sobre os exoplanetas com os dados do telescópio espacial talvez possam já permitir saber quais deles deverão ser estudados em mais detalhe para se ir ainda mais além. Por exemplo, para avaliar o seu potencial para albergar vida. Mas, para já, o lançamento. Está tudo a postos.

Alfa/DN

França enfrenta hoje greve generalizada contra reforma do sistema de pensões

França enfrenta hoje a possibilidade de uma paralisação total do país, com greves convocadas por todos os sindicatos para protestar contra a proposta de reforma do sistema de pensões apresentada pelo Governo.

Professores, advogados, magistrados, médicos e profissionais da saúde e outros funcionários públicos, além de trabalhadores de todos os transportes, estão convocados para uma greve geral que os sindicatos pretendem que seja “decisiva” e uma grande manifestação durante o dia.

A proposta de reforma do sistema de pensões em França tem causado muita contestação, contabilizando-se hoje o 13º dia de greve no setor dos transportes que ameaça durar até ao final do ano, sem pausas nem tréguas para as viagens de Natal e passagem de ano.

Várias universidades já anunciaram que vão adiar os exames de final de ano.

Sem sinais de aproximação entre Governo e sindicatos, o executivo sofreu na segunda-feira uma “derrota” com a demissão do alto-comissário francês que idealizou a reforma, Jean-Paul Delevoye, na sequência de acusações de conflito de interesses por ter omitido outras funções que acumulava.

A reforma, apresentada em julho e com mais detalhes na semana passada, visa criar um sistema universal de pensões para substituir os atuais 42, vários representando regimes especiais e que permitem, por exemplo, deixar de trabalhar mais cedo.

Estes regimes incluem os trabalhadores dos setores dos transportes como a SNCF, empresa ferroviária, ou a RATP, empresa de transportes da região de Paris, mas não só, o que levou muitos outros setores a juntaram-se aos protestos.

Ao contrário do que acontecia até agora, em que no setor público o cálculo da pensão é feito com base no salário recebido nos últimos seis meses de funções para os trabalhadores do público e na média dos melhores 25 anos de salário para os do privado, entrará em vigor um sistema de pontos – cada ponto corresponde a 10 euros descontados com pontos adicionais a serem recebidos pelo nascimento de cada filho ou em caso de um período de desemprego.

Este novo sistema também poderá levar, progressivamente, a um aumento da idade da reforma que é atualmente de 62 anos, sendo possível a quem acumulou descontos durante 41 anos e nove meses, sair aos 60 anos com a pensão completa.

Ente outras medidas, a reforma do sistema prevê também que pensão mínima de 1000 euros só será garantida a quem deixar de trabalhar aos 64 anos, havendo incentivos com majoração de pontos para quem se reformar ainda mais tarde.

Alfa/LUSA

Quarenta e nove jornalistas mortos no mundo em 2019 – Repórteres Sem Fronteiras

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Quarenta e nove jornalistas foram mortos em todo o mundo em 2019, o número mais baixo dos últimos 16 anos, segundo o relatório anual da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Este número « historicamente baixo », comparado com a média de 80 mortes registadas por ano nas últimas duas décadas, tem que ver essencialmente com a diminuição do número de jornalistas mortos nos conflitos armados no Iémen, Síria e Afeganistão, explicou a RSF.

“Este declínio não deve apagar uma realidade contínua: o número de jornalistas mortos nos chamados países pacíficos permanece igualmente alto”, registando o mesmo número de mortos que no ano anterior (10).

« A América Latina, com um total de 14 mortos em todo o continente, tornou-se uma área tão mortal para jornalistas quanto o Médio Oriente”, lamentou a RSF.

« Embora seja entendida com uma queda sem precedentes no número de jornalistas mortos em zonas de conflito, também observamos que mais jornalistas são conscientemente assassinados por fazerem o seu trabalho em países democráticos, o que constitui um verdadeiro desafio para as democracias », disse o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire.

O relatório também lista o número de jornalistas presos em todo o mundo durante o exercício da sua função: 389 jornalistas, um aumento de 12% em relação a 2018.

« Quase metade dos jornalistas estão detidos em apenas três países: China, Egito e Arábia Saudita. Só a China, que intensificou a sua repressão contra a minoria uigure, detém um terço dos detidos », denunciou a organização não-governamental.

Alfa/LUSA

Arte. Gulbenkian vai levar cem anos de obras de mulheres portuguesas à Bélgica e França

Gulbenkian vai levar cem anos de obras de artistas portuguesas à Bélgica e França. A exposição em torno das mulheres artistas portuguesas vai acontecer por ocasião da Presidência Portuguesa da União Europeia, e será apresentada no centro de artes Bozar, em Bruxelas, no primeiro semestre de 2021, e seguirá, no segundo semestre, para o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, na cidade francesa de Tours, no âmbito da “Temporada Cruzada Portugal-França »

Gulbenkian vai levar cem anos de obras de artistas portuguesas à Bélgica e França

Alfa/ com Lusa e outras fontes
Uma seleção de obras de artistas portuguesas dos últimos 120 anos vai ser apresentada numa exposição na Bélgica e em França, em 2021, no âmbito de uma parceria hoje assinada entre o Ministério da Cultura e a Fundação Gulbenkian.

O protocolo de colaboração para a realização das exposições foi hoje assinado, em Lisboa, na sede da Fundação Calouste Gulbenkian, pela ministra da Cultura, Graça Fonseca, e a presidente da instituição, Isabel Mota, na presença de deputados, artistas e embaixadores.

A exposição em torno das mulheres artistas portuguesas vai acontecer por ocasião da Presidência Portuguesa da União Europeia, e será apresentada no centro de artes Bozar, em Bruxelas, no primeiro semestre de 2021, e seguirá, no segundo semestre, para o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, na cidade francesa de Tours, no âmbito da “Temporada Cruzada Portugal-França ».

Isabel Mota, presidente da Gulbenkian, sublinhou, no seu discurso, que aceitou o desafio lançado pela ministra da Cultura porque « está em sintonia » com alguns dos objetivos da política cultural da fundação, nomeadamente a promoção, tanto da cultura e da arte portuguesa a nível internacional, como a paridade de género.

A presidente apontou que o projeto – que será comissariado pela historiadora de Arte e curadora Helena de Freitas – vai mostrar « uma vontade de reconhecer que há um espaço de criação, que pertence a estas artistas, que nem sempre teve o reconhecimento merecido ».

As artistas portuguesas « constituem um caso singular de alcance internacional, em particular no confronto com o percurso dos artistas masculinos da mesma geração, na segunda metade do século XX », acrescentou.

« Este projeto serve também para tentar compreender as razões pelas quais um número surpreendente de mulheres artistas vingou internacionalmente, quando o contexto social, político e económico não favorecia, em geral, tal visibilidade da criação artística portuguesa », disse a presidente de Gulbenkian.

A exposição intitula-se « Artistas Mulheres em Portugal – De 1900 aos nossos dias », e terá curadoria e coordenação científica da historiadora de Arte Helena de Freitas, conservadora do Museu Calouste Gulbenkian, que, por seu turno, escolheu o curador Bruno Marchand para a acompanhar neste projeto.

A partir de fevereiro de 2021, as obras de mulheres artistas portuguesas vão estar expostas em Bruxelas, no Bozar, « um dos centros de arte mais importantes da Europa », projetado pelo arquiteto belga Victor Horta, um dos pioneiros da Arte Nova, e que « garante a visibilidade e notoriedade internacional deste projeto singular ».

Em outubro de 2021, a exposição será também apresentada em França, no Centre de Création Contemporaine Olivier Debré, em Tours, integrada no programa geral da Saison Culturelle France-Portugal, e, em 2022, deverá ser apresentada em Portugal, num local ainda a indicar.

« Com a escolha deste equipamento cultural pretendemos aliar a apresentação da exposição a um notável espaço arquitetónico, concebido pela dupla portuguesa Francisco e Manuel Aires Mateus », salientou Isabel Mota.

Este projeto juntará no mesmo espaço artistas portuguesas de referência, como Maria Helena Vieira da Silva, Lourdes Castro, Paula Rego, Ana Vieira, Maria Lamas, Graça Morais, Salette Tavares, Helena Almeida, Joana Vasconcelos, Maria José Oliveira, Ana Jotta e Leonor Antunes, entre várias outras.

A exposição será desenvolvida a partir de obras escolhidas destas artistas, « dando particular atenção a aspetos mais reservados e mesmo inéditos de algumas delas », revelou.

A seleção será feita a partir de coleções públicas, mas também de coleções particulares e de acervos das artistas, compreendendo obras em suportes distintos como a pintura, a escultura, o desenho, o objeto, o livro, a instalação, o filme, o vídeo e o áudio.

« Colmatar o défice de representação de artistas mulheres – bem como de outras minorias – tem sido aposta do Museu Gulbenkain, nos seus vários planos de atuação », apontou, referindo a coleção permanente, as exposições temporárias, as aquisições e as atividades educativas ».

Nesta linha, a presidente da Gulbenkian revelou que está também a ser organizada uma extensa e importante exposição a ser apresentada em 2021, primeiro no Museu Calouste Gulbenkian, na primavera, e, depois, no inverno, no Instituto de Valência de Arte Moderna (IVAM), em Espanha.

Esta exposição, « sobre um período mais limitado no tempo, e com um foco em Portugal, mas igualmente em Espanha », terá como título “Mulheres Artistas, ditadura e transição para a democracia: o caso de Portugal e Espanha entre 1965 e 1980”.

Por seu turno, na cerimónia, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, salientou, na sua intervenção, que, com este protocolo, a tutela começa a preparar, a partir de hoje, a programação cultural que acompanhará a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, no primeiro semestre de 2021, bem como o projeto da Temporada Cruzada Portugal-França 2021/22.

« Estes dois momentos serão centrais para a cultura portuguesa e, muito em particular, uma oportunidade única para promover a internacionalização da arte e artistas nacionais », comentou a ministra.

Graça Fonseca disse ainda que este projeto pretende ser um contributo « para o aprofundamento do projeto europeu e para o reforço de valores centrais à Europa, como a igualdade de género ».

« O talento no feminino preencheu e continua a preencher com nomes e valorosas obras a nosso panorama artístico. Numa narrativa de séculos que pertenceu quase exclusivamente aos homens, nunca deixou de haver mulheres que construíram com a sua imaginação e arte, a identidade cultural portuguesa », acrescentou.

Graça Fonseca citou, como exemplo, a artista Sarah Affonso (1899—1983), que não gostava quando as pessoas lhe diziam que a pintura da artista era « igual » à do marido, Almada Negreiros, e que ficava mesmo ofendida.

« Sobretudo porque ele [Almada] tem um grande nome. E isso foi das coisas que me fez parar », recordou a ministra, citando a artista, como um exemplo de muitas mulheres que não prosseguiram a sua arte por motivos semelhantes.

(A “Temporada Cruzada Portugal-França » será presidida pelo encenador luso-francês, Emmanuel Demarcy-Mota (Théatre de la Ville), e comissariada, pela parte portuguesa, pelo conselheiro cultural da Embaixada e diretor do Instituto Camões em Paris, João Pinharanda (também cronista regular da Rádio Alfa)

 

João Félix diz ter concretizado “um sonho” ao vencer o `Golden Boy`

O internacional português João Félix confessou esta segunda-feira ter concretizado “um sonho” ao receber o ‘Golden Boy’, prémio promovido pelo jornal italiano Tuttosport e que distingue o melhor futebolista de sub-21 a jogar na Europa.

“Estou muito contente. As pessoas mais próximas de mim sabem o quanto trabalhei para este prémio, que era um sonho, e tenho a felicidade de o ter conseguido”, afirmou o avançado do Atlético de Madrid, durante a cerimónia que decorreu na cidade italiana de Turim.

O jogador, de 20 anos, sucedeu ao defesa holandês Mathijs de Ligt, vencedor em 2018 do prémio que é decidido através de uma eleição de jornalistas europeus promovida pelo jornal italiano Tuttosport.

Félix, que no verão trocou o Benfica pelo Atlético de Madrid por 120 milhões de euros, recebeu 332 votos, à frente do inglês Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, com 175, e do alemão Kai Havertz, do Bayer Leverkusen, com 75.

“Não ganhei a qualquer um. Tive de dar sempre um pouco mais de mim, porque só assim conseguimos vencer. Não posso deixar de agradecer à minha família, que sempre me apoiou e sabe o que passámos para que eu pudesse estar aqui e celebrar esta conquista”, referiu.

De resto, João Félix revelou mesmo que este prémio já tinha sido motivo de conversa com o irmão, Hugo Félix, de 15 anos, que joga na equipa de juvenis do Benfica, clube no qual o internacional luso se destacou na última época.

“Eu e o meu irmão sempre comentámos que este era o primeiro prémio que queríamos conquistar e eu já o conquistei”, contou.

Além do presidente do Atlético de Madrid, Enrique Cerezo, também o administrador da SAD do Benfica Rui Costa esteve presente na cerimónia e revelou as “muitas saudades” que os ‘encarnados’ sentem do avançado, que, no verão, se transferiu da Luz para Madrid.

“Temos muitas saudades dele em Lisboa. Falar do João é falar com muita nostalgia e saudades, porque esteve no Benfica muitos anos, apesar de só ter estado uns meses na primeira equipa. É um menino maravilhoso. Hoje, venceu o ‘Golden Boy’, mas, no futuro, será seguramente um dos candidatos a vencer a Bola de Ouro”, observou o dirigente benfiquista.

O central brasileiro Felipe e o médio Koke, companheiros de João Félix no Atlético de Madrid, felicitaram o avançado através de vídeos, tal como sucedeu com o treinador do Benfica, Bruno Lage, e Pizzi.

O médio das ‘águias’ aproveitou mesmo para brincar com o ex-companheiro de equipa: “Este prémio também é um bocadinho meu, porque te ajudei a conseguir isto.”

João Félix é o segundo português a vencer o prémio, depois de Renato Sanches, em 2016, ano em que passou do Benfica para o Bayern Munique.

Há duas semanas, Félix foi 28.º colocado na corrida à Bola de Ouro, troféu arrecadado pelo argentino Lionel Messi, numa lista em que Cristiano Ronaldo foi terceiro e Bernardo Silva nono.

Alfa/Lusa.

FC Porto derrota Tondela por 3-0 e mantém diferença para o Benfica na I Liga

O FC Porto manteve hoje a invencibilidade em casa e a diferença de quatro pontos para o líder Benfica, ao vencer o Tondela por 3-0, no jogo que encerrou a 14ª jornada da I Liga de futebol.

Invencíveis e invictos em casa, os ‘azuis e brancos’ voltaram a impor-se no Estádio do Dragão, graças aos golos dos brasileiros Soares, que ‘bisou, marcando aos 10 e aos 32 minutos, e Otávio (51).

O FC Porto mantém-se assim a quatro pontos do líder Benfica, com o Tondela a ocupar a 10.ª posição no campeonato, com 18 pontos, os mesmos de Sporting de Braga e Boavista, que ocupam os lugares à sua frente na tabela.

 

Resultados da 14ª jornada da I Liga de futebol:

 

– Sexta-feira, 13 dez:

Portimonense – Rio Ave, 1-1 (0-1 ao intervalo)

 

– Sábado, 14 dez:

Marítimo – Boavista, 1-0 (1-0)

Benfica – Famalicão, 4-0 (1-0)

Vitória de Setúbal – Desportivo das Aves, 1-0 (0-0)

 

– Domingo, 15 dez:

Moreirense – Belenenses SAD, 2-1 (0-1)

Gil Vicente – Vitória de Guimarães, 2-2 (2-0)

Sporting de Braga – Paços de Ferreira, 0-1 (0-1)

 

– Segunda-feira, 16 dez:

Santa Clara – Sporting, 0-4 (0-1)

FC Porto – Tondela, 3-0 (2-0)

 

Programa da 15ª jornada (horas de Paris):

– Sábado, 04 jan:

Boavista – Portimonense, 16:30

Desportivo das Aves – Santa Clara, 16:30

Belenenses SAD – Sporting de Braga, 19:00

Vitória de Guimarães – Benfica, 21:30

– Domingo, 05 jan:

Paços de Ferreira – Moreirense, 16:00

Tondela – Gil Vicente, 16:00

Rio Ave – Marítimo, 16:00

Sporting – FC Porto, 18:30

Famalicão – Vitória de Setúbal, 21:00

 

Alfa/Lusa.

Mãe portuguesa com duas crianças sem-abrigo em Paris rejeitou apoio social disponibilizado

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas disse esta segunda-feira que a mãe com duas crianças que vive na rua, em Paris, foi contactada pelo consulado geral na capital francesa, que acompanha a situação, mas rejeitou o apoio social disponibilizado.

O Estado Português tem acompanhado a situação desta família portuguesa desde o início de dezembro, através do consulado geral de Portugal em Paris, que « está em contacto com as autoridades francesas competentes », referiu a secretaria de Estado.

« Foi também possível estabelecer contacto com a cidadã nacional em causa, a quem foi disponibilizado apoio social, tendo esse apoio sido rejeitado », acrescentou a entidade governamental.

Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa a secretaria de Estado assegura, porém, que « a situação desta família continuará a ser acompanhada com a máxima atenção, tendo em conta que estão envolvidos dois cidadãos menores ».

De acordo com dados da secretaria de Estado, em 2018, foram reportados 31 casos de « carência social » ao consulado geral de Paris, adiantando que estes casos de necessidade social são encaminhados para as autoridades francesas competentes, mas « contam também com o apoio da parte de associações sociais da comunidade portuguesa em França ».

O jornal francês Le Parisien publicou uma reportagem sobre a vida de uma mulher portuguesa, de 37 anos, que vive sem abrigo com os dois filhos menores, de 13 e 08 anos, na Île-de-France, Paris.

No seu ‘site’, o jornal mostra que as duas crianças frequentam a escola, em Athis-Mons, onde são os primeiros a chegar e os últimos a sair, quando o estabelecimento de ensino encerra as portas.

Segundo a reportagem, a família foi parar à rua por falta de vagas nas pensões sociais de apoio aos sem-abrigo, na habitação social e por falta de emprego estável da mãe das duas crianças.

E mostra ainda que, depois da escola, as crianças fazem os trabalhos de casa e estudam numa estação da RER, a rede de comboios regionais da Île-de-France, com o banco a servir de secretária.

 

Alfa/Lusa.

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