Paracanoagem/Mundiais. Norberto Mourão é vice-campeão do mundo e apura-se para Jogos Paralímpicos

O canoísta Norberto Mourão sagrou-se hoje vice-campeão do Mundo na categoria adaptada de VL2, pelo que Portugal vai estrear-se com esta modalidade nos Jogos Paralímpicos Tóquio2020.

O atleta português cumpriu os 200 metros em 52,82 segundos, sendo apenas batido pelo brasileiro Luís Silva, por 1,14 segundos, enquanto o polaco Jakub Tokarz completou o pódio, a 1,53 do vencedor.

Norberto Mourão tinha vencido a sua série na quinta-feira e precisava ser um dos seis melhores na final para assegurar vaga no Japão.

Na quarta-feira, Floriano Jesus foi quarto em KL1 e falhou a final por um lugar, enquanto Hugo Costa foi sexto em KL2 e vai domingo à final B.

Entretanto, o canoísta Fernando Pimenta iniciou hoje a defesa do título mundial de K1 1000 com o primeiro lugar na sua eliminatória, indo agora disputar na sexta-feira o acesso à final em Szeged, Hungria.

 

 

Pimenta liderou a sua prova de início ao fim, concluindo-a em 3.29,87 minutos, batendo o norueguês Lars Magne Ullvang, a 1,04 segundos, e o australiano Van der Westhuyzen por 1,90.

O acesso à final, que qualifica os cinco primeiros para os Jogos Olímpicos Tóquio2020, é disputado na tarde de sexta-feira em três semifinais, nas quais apuram os três mais fortes.

 

Alfa/Lusa.

Amazónia: o pulmão da Terra está a arder

Parece ficção científica mas os danos são bem reais: como o pulmão da Terra está a sofrer.

UNIVERSALIMAGESGROUP/GETTY IMAGES

A floresta responsável por 20% do oxigénio que o mundo respira está em chamas, desaparece a uma velocidade assustadora, os danos à biodiversidade são irreparáveis e as populações indígenas estão em perigo. A Amazónia arde, o Brasil cheira a cinza e o governo de Jair Bolsonaro minimiza o problema – o presidente diz mesmo, mas sem o provar, que foram as ONG que atearam os fogos só para o prejudicar

Alfa/Expresso. Por SOFIA PERPÉTUA, NO RIO DE JANEIRO

A fumaça trouxe a noite, o Brasil cheira a cinza e destruição, eram três da tarde de segunda-feira quando o dia se tornou noite em São Paulo. O céu escureceu, acusou as cores de um céu de um futuro de ficção científica que se desenha cada vez mais real no Brasil de 2019. A Amazónia é longe mas está presente, é impossível ignorar que o pulmão do mundo está a arder quando a chuva é negra. A milhares de quilómetros a Amazónia continua a arder, vê-se do espaço.

As imagens da NASA (é vê-las AQUI) começaram a mobilizar a opinião pública mundial, mas depois de semanas a arder, os danos na floresta amazónica e no ar que se respira no planeta Terra podem ser já irreversíveis. A devastação causa uma grave crise climática, motivo suficiente para a menina da meteorologia da TV Globo mostrar um mapa de queimadas antes de dar as previsões de temperatura para o dia seguinte. Análises à água negra da chuva de São Paulo confirmam presença acima do normal de partículas resultantes das queimadas, efeitos da fuligem dos incêndios florestais.

O recorde é de 72.843 focos de incêndio no Brasil apenas em 2019, 82% a mais do que no mesmo período de 2018, metade desses fogos são na floresta Amazónia, mas Pantanal, Acre, Rondónia, Mato Grosso e Tríplice Fronteira registam também incêndios de grandes proporções.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) acusou o avanço do corredor de fumaça em direção ao centro sul do país e a São Paulo. O físico Ricardo Galvão, ex-diretor do instituto, foi recentemente demitido por Bolsonaro após o governo ter acusado o instituto de fabricar os números do desmatamento. O INPE tinha alertado para um aumento de desmatamento de 88% em junho e 278% em julho, em comparação com iguais períodos de 2018. Bolsonaro chamou mentirosos aos dados do INPE.

“Nós usamos publicações científicas, não balela de Twitter”, disse Galvão, exonerado no início de agosto por Bolsonaro.

BRAZIL PHOTOS/GETTY IMAGES

A desflorestação e o desmatamento aumentam as terras disponíveis para o negócio agropecuário, mas Bolsonaro acusa as ONG. “O crime existe, e nós temos de fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tiramos dinheiros de ONG. Dos repasses de fora, 40% iam para ONG. Não tem mais. Acabámos também com o repasse de dinheiro público. De forma que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro”, disse Bolsonaro esta quarta-feira quando questionado sobre o que se está a passar na Amazónia – e afirmou mesmo que são as ONG que estão a atear os fogos só para o prejudicar. “Então, pode estar havendo, sim, pode, não estou afirmando, ação criminosa desses ‘ongueiros’ [funcionários das ONG] para chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos”.

Apesar de não ter provas, o presidente do Brasil tem palpites, “o fogo foi tocado, pareceu, em lugares estratégicos”. “Há imagens da Amazónia toda. Como é que pode? Nem vocês teriam condições de todos os locais estar tocando fogo para filmar e mandar para fora. Pelo que tudo indica, foi para lá o pessoal para filmar e tocaram fogo. Esse que é o meu sentimento”. Acrescentou ainda que as ONG representam “interesses fora do Brasil” e acusou os governadores do norte do país de não ajudarem no combate aos fogos e de “não mexerem uma palha”, de forma a colocarem a culpa no governo federal.

O presidente do Brasil acrescentou que não se pode acreditar na Alemanha e na Noruega, após estes dois países terem cancelado as suas contribuições para o Fundo Amazónia devido às políticas de Bolsonaro e às tentativas de o governo alterar o funcionamento do fundo. O fundo bilionário está suspenso, as negociações paralisadas, entre 2008 e 2018 o fundo tinha captado 3,4 biliões de reais em doações.

O ministro do Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o aumento de incêndios no Brasil deve-se ao tempo seco, ao vento e ao calor. Mais de 50 organizações não governamentais pediram terça-feira à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão que Salles seja investigado por improbidade administrativa, pela omissão do Ministério do Ambiente face à devastação da floresta amazónica. “O grau de devastação demonstra que as Unidades de Conservação da Amazónia vêm sendo desguarnecidas e com notícias de agentes intimidados em sua função precípua de fiscalização”, comunicaram em nota.

ONG como o Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, (PROAMB) ou a World Wide Fund Brasil (WWF) acusam Bolsonaro de irresponsabilidade e manobras de diversão, depois de terem sido acusadas pelo presidente de terem ateado os fogos. “É uma declaração leviana, irresponsável, diversionista do presidente. Quem ele acha que está enganando? Os dez municípios com maior foco de incêndio esse ano na Amazónia são os mesmos dez que têm o maior número de desmatamento. Só não vê quem não quer”, disse Raul Valle, diretor de justiça socioambiental da World Wide Fund Brasil.

No Twitter, Bolsonaro celebra esta quarta-feira o fim de séries LGBT já previamente aprovadas nas televisões públicas. Nas redes sociais estão a ser partilhadas milhões de hashtags sobre a Amazónia, #AmazonRainforest #PrayForAmazon, #PrayForAmazonas, algumas pessoas relembram que hashtags não apagam fogo nem impedem catástrofes globais.

Programa para fazer regressar emigrantes só teve 71 candidatos

Só há 71 candidaturas de emigrantes no primeiro mês do Programa Regressar – informa o jornal Público na sua edição desta quinta-feira.

As candidaturas ao apoio financeiro oferecido pelo “Programa Regressar” abriram a 22 de Julho.

Um mês depois, o programa do Governo que pretende atrair emigrantes portugueses e lusodescententes ao mercado de trabalho português soma apenas 71 candidaturas.

O apoio abrange os emigrantes portugeses que tenham saído de Portugal antes de 31 de Dezembro de 2015.

Um mês depois da abertura das candidaturas, o Apoio ao Regresso de Emigrantes a Portugal  (« Programa Regressar ») , uma medida lançada pelo executivo de António Costa para incentivar o regresso dos emigrantes portugueses e lusodescendentes que tenham saído do país antes de 2016, recebeu poucos pedidos.

Mais de mil pessoas pediram informações sobre o Programa, mas apenas 71 avançaram, um número curto para os objetivos do Governo, que é de atrair 1500 emigrantes ainda este ano.

Os números foram avançados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

O Programa inclui uma série de medidas para cativar emigrantes: de um desconto de 50% no IRS para esses portugueses que regressem a uma linha de crédito específica para investidores emigrados, passando por um apoio financeiro (que pode ir até um pouco mais de 6500 euros) ao regresso e à instalação em Portugal.

As ajudas financeiras dizem respeito à comparticipação das despesas de viagens de regresso (até 1.307,28 euros), despesas de transporte de bens (até 871,52 euros), despesas com o reconhecimento das qualificações académicas e profissionais (até 435,76 euros),  e ainda uma ajuda financeira direta no valor de seis vezes o Indexantes dos Apoios Sociais, ou seja, 2.614,5 euros. O IEFP tem um orçamento de dez milhões de euros para esta medida este ano.

Leia mais sobre o Programa Regressar em artigos relacionados nesta página da Rádio Alfa.

Créteil: Violento incêndio faz um morto e 8 feridos no hospital Henri-Mondor

Créteil, região parisiense (Val-de-Marne): Violento incêndio faz um morto e 8 feridos no hospital Henri-Mondor, um dos maiores hospitais de França.

O fogo começou, por razões ainda desconhecidas, às 22h30 (menos uma hora em Lisboa) num edifício que alberga funcionários do hospital.

As chamas apenas foram dominadas duas horas depois por uma centena de bombeiros.

 

Trânsito entre Espanha e França perturbado devido à reunião G7

Se vai viajar de carro nos próximos dias 23, 24, 25, e 26 de agosto e pretende passar pela fronteira de Irún, entre Espanha e França, saiba que pode haver grandes demoras nessa zona.

Os postos de fronteira no País Basco podem estar sujeitos a grandes demoras, devido à reunião do grupo G7 que tem lugar em Biarritz, França, alerta a página VOST PT.

Consulte os percursos alternativos e planeie a sua viagem antecipadamente. Use as aplicações especializadas para obter informações em tempo real.

Como a Gronelândia “não está à venda”, Trump cancela viagem à Dinamarca

Como a Gronelândia “não está à venda”, Trump cancela viagem à Dinamarca

Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca, e Donald Trump, Presidente dos EUA

TOBIAS SCHWARZ, NICHOLAS KAMM/AFP/GETTY IMAGES

 

Apesar de ter garantido o contrário, o cancelamento sugere que a compra da região insular era o objetivo central da visita. No domingo, o Presidente dos EUA confirmou os rumores de que estaria interessado em comprar a Gronelândia, dizendo tratar-se de “um grande negócio imobiliário”. Uma ideia “absurda”, classificou a primeira-ministra dinamarquesa

Alfa/Expresso. Por Hélder Gomes

O Presidente norte-americano, Donald Trump, cancelou abruptamente esta terça-feira a sua viagem à Dinamarca porque a primeira-ministra do país não está interessada em vender-lhe a Gronelândia.

O anúncio acontece dois dias depois de Trump ter reconhecido que possuir aquela região autónoma do Reino da Dinamarca “seria bom” para os EUA do ponto de vista estratégico. A Gronelândia tem despertado o interesse norte-americano à medida que o derretimento do gelo marinho abre novas portas à passagem de navios e extração de recursos do Ártico.

Apesar de ter garantido o contrário, o cancelamento sugere que a compra da enorme região insular era efetivamente o objetivo central da visita de Trump, escreve o jornal “The Washington Post”.

TRUMP AGRADECEU A PM DINAMARQUESA SER “TÃO DIRETA”

O Presidente dos Estados Unidos escreveu no Twitter: “A Dinamarca é um país muito especial com pessoas incríveis mas, com base nos comentários da primeira-ministra, Mette Frederiksen, de que não teria interesse em discutir a compra da Gronelândia, vou adiar o nosso encontro para outra altura.”

“A primeira-ministra conseguiu poupar grandes despesas e esforços, tanto aos Estados Unidos como à Dinamarca, ao ser tão direta. Agradeço-lhe por isso e anseio remarcar [o encontro]”, acrescentou.

No fim de semana, Frederiksen visitou a Gronelândia e classificou como “absurda” a ideia de Trump de comprar a ilha, uma informação que vinha sendo veiculada pela imprensa. O Presidente norte-americano confirmou no domingo que pediu à sua Administração para explorar a possibilidade de comprar a Gronelândia, dizendo tratar-se “essencialmente” de “um grande negócio imobiliário”.

UMA TRUMP TOWER NA GRONELÂNDIA?

No dia seguinte, Trump brincou com a situação ao publicar no Twitter uma montagem fotográfica com uma enorme Trump Tower dourada no que parece ser uma pequena localidade piscatória, juntando a inscrição “Prometo não fazer isto à Gronelândia!”.Ver imagem no Twitter

Tanto a Dinamarca como a Gronelândia disseram nos últimos dias que a ilha “não está à venda”. “A Gronelândia é rica em recursos valiosos como minerais, a água e o gelo mais puros, reservas de peixe, marisco e energia renovável”, constituindo ainda “uma nova fronteira para o turismo de aventura”, anunciou na semana passada o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia.

Cinco polícias sob suspeita na morte de português no Reino Unido

Cinco polícias sob suspeita na morte de português no Reino Unido. André Moura foi detido depois de um alerta de incidentes domésticos pelas 23h30 de 6 de julho de 2017, em Manchester. E a partir desse momento pouco se sabe ao certo o que se passou. Mãe do português quer que se faça justiça.

 

Alfa/Expresso. Por Hugo Franco

A morte do português André Moura, a 7 de julho do ano passado, após uma operação policial em Oldham (Manchester), no Reino Unido, tem já cinco agentes da polícia sob suspeita. O Independent Office for Police Conduct (IOPC), órgão que tutela as ações policiais, remeteu para o Ministério Público inglês o nome dos cinco polícias que fizeram parte daquela operação.

« Os cinco agentes, todos eles polícias, estiveram no local da detenção do sr. Moura antes da sua morte nas primeiras horas de sábado 7 de julho de 2018. Um oficial foi encaminhado por agressão e danos corporais reais e má conduta em cargos públicos e os restantes quatro por má conduta em cargos públicos », esclarece uma nota do IOPC enviada esta terça-feira ao Expresso.

André Moura foi detido depois de um alerta de incidentes domésticos pelas 23h30 de 6 de julho, em Oldham. O português de 30 anos ficou numa esquadra local. E a partir desse momento pouco se sabe ao certo o que se passou. Certo é que uma ambulância foi chamada à esquadra pouco tempo depois, uma vez que André Moura não dava sinais de vida. Foi transferido para o Hospital Tameside, onde foi confirmada a sua morte à 1h30 de 7 de julho de 2018. Os testes post mortem foram inconclusivos para determinar a causa da morte de André Moura.

Ainda de acordo com o IOPC, os investigadores recuperaram e analisaram as imagens de CCTV (circuito interno de videovigilância) dos agentes e imagens de telemóveis do incidente. « Todos os dez agentes alvo da investigação foram interrogados. »

Amanda Rowe, diretora regional do IOPC afirmou: « Concluímos a nossa investigação muito recentemente e decidi que as ações de cinco oficiais deveriam ser encaminhadas à Crown Prosecution Service (Ministério Público britânico). Os nossos pensamentos permanecem com a família e os amigos do sr. Moura e todos os afetados por este triste incidente. Continuamos a manter sua família informada sobre o andamento de nossa investigação e agradecemos a eles e a todos os envolvidos na investigação por sua paciência e compreensão ».

MÃE QUER JUSTIÇA

Maria, a mãe de André Moura, ainda não sabia desta notícia quando foi contactada pelo Expresso. « Quero que se faça justiça e que prendam os culpados da morte do meu filho. »

Durante o último ano lutou para que o corpo do filho viesse para Portugal para ser enterrado e « poder assim fazer o luto ».

Com a ajuda de amigos e de familiares, conseguiu angariar algum dinheiro para realizar a trasladação. E a 15 de junho, André Moura foi enterrado no cemitério de Rio de Mouro (Sintra). « Ando a pagar 200 euros todos os meses para pagar a dívida, mas valeu a pena para ter o meu menino de volta. »

Eleições portuguesas. O que quer Joacine Katar Moreira? – Um artigo de Mediapart

LÉGISLATIVES PORTUGAL – Que veut Joacine Katar Moreira ?

D’origine Bissau-Guinéenne, la jeune femme est tête de liste à l’élection législative portugaise d’Octobre 2019. Dans le pays européen précurseur de la traite des noirs et où la présence noire a été la plus massive et la plus durable, l’investiture de cette enseignante est une chance pour la diversité et l’ouverture démocratique du pays.
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Ecologie, droit de vote des immigrés, droits des femmes et statistiques ethniques pour faire rentrer le Portugal dans la modernité.

Révélation des élections européennes de mai 2019 où la presse la qualifiait déjà de « première femme noire candidate en position éligible » sur la liste d’un parti politique portugais (en 2e position, elle ne sera pas élue), Joacine Katar Moreira ne s’est pas découragée et a continuée à labourer les thèmes qui lui sont chers : les droits des minorités, l’humanisme, l’antiracisme et l’écologie.

Et naturellement, le jeune parti Livre « Libre » de tendance « gauche libertaire, écologique et européenne » fondé en 2014 par l’ancien eurodéputé Rui Tavares, a choisi de l’’investir pour les élections législatives du 6 octobre 2019 comme tête de liste à Lisbonne. Tout un symbole !

Un choix qui atteste de la conscience historique des cadres et militants de ce parti. En effet, des anciens ports négriers européens, Lisbonne est celui qui a le plus déporté d’Africains sur son sol.

Dès la fin du 16e siècle, 10 % de la population lisboète est noire. C’est que les Portugais, premiers colons Européens à débarquer sur le sol Africain et à se lancer dans la Traite et l’Esclavage des Noirs, s’installent sur la côte occidentale notamment dans le pays d’origine de Mme Katar Moreira, la Guinée-Bissau, d’où ils déporteront des captifs vers les iles Africaines en leurs possessions comme le Cap-Vert ou Sao Tome mais aussi et surtout vers Lisbonne et le Brésil, leur principale colonie en Amérique.

A Lisbonne plusieurs quartiers portent encore les traces de cette importante population Noire promise à l’esclavage et donc aux travaux les plus dégradants que les Lisboètes se refusaient en ce 16e siècle. En témoignent notamment la fameuse Rua Da Poca Negra au cœur de la capitale portugaise mais aussi l’étonnant quartier Cova Da Moura, sorte de Favellas sur les hauteurs de Lisbonne où on se croirait dans les ruelles de Praia.

Consciente de cette histoire Africaine du Portugal, en tant qu’Afrodescendante mais surtout en tant qu’historienne, Joacine Katar Moreira a étudié l’impact du fait colonial sur la société et, en particulier, sur le renforcement des inégalités. Pour cette novice en politique et immigrée depuis l’âge de huit ans, il existe au Portugal « un environnement raciste institutionnel qui a eu un impact considérable sur la manière dont les Africains et leurs descendants continuent à être compris dans la société ».

Chercheuse à l’Institut Universitaire de Lisbonne, la jeune femme de 36 ans a créée l’Institut de la Femme Noire (Inmune, Instituto da Mulher Negra) et veut participer à l’ouverture démocratique d’un pays qui a encore beaucoup de mal à s’ouvrir à sa diversité.

Plus qu’un symbole, elle milite pour les droits des femmes mais aussi contre « l’invisibilité et le silence » des minorités en annonçant son engagement pour le droit de vote des immigrés aux élections locales et pour des statistiques ethniques.

 « Nous exigeons que tous les immigrants qui ont un permis de séjour aient le droit de voter. L’immigré qui détient le permis de résidence signifie des années et des années d’investissement dans l’économie nationale, des années de contribution à son travail, des connaissances pour la construction d’une société…Il faut élargir la citoyenneté pour que nous puissions enfin changer ces hiérarchies ainsi établies depuis la colonisation », a récemment déclaré Joacine Katar Moreira.

Le week-end dernier, à la veille du début de la campagne, elle a réaffirmé ses positions indiquant qu’elle était notamment favorable à la collecte des données ethno-raciales. Selon elle, « l’Etat ne peut lutter contre les inégalités s’il n’est pas conscient de la réalité des minorités ethniques raciales » et de dénoncer les résistances institutionnelles « absolument incompréhensibles car il existe déjà plusieurs organisations qui collectent des éléments ethniques et raciaux : dans les hôpitaux, les maternités, les écoles et même agents immobiliers »

La première femme d’origine africaine à être élue tête de liste aux élections législatives au Portugal affirme ainsi sa détermination dans un pays où l’ouverture et la reconnaissance de la diversité sont d’une lenteur exaspérante.

Le pays s’honorerait à rentrer aussi dans un travail de mémoire sur son histoire coloniale. Cela pourrait passer par le vote, comme l’a fait la France en 2001, d’une loi qui déclare la traite et l’esclavage des noirs crimes contre l’humanité. Un nécessaire devoir de mémoire pour ouvrir le chapitre des réparations d’une histoire qui a généré nombre d’inégalités contemporaines.

Boa Sorte Senhora Moreira !

Karfa Sira DIALLO

Eleições. BE quer serviços especiais nos consulados para tratarem das reformas dos emigrantes

Eleições: BE quer consulados com estruturas para emigrantes tratarem das reformas

 

Alfa/Lusa

A criação urgente de células nos consulados portugueses para tratar da questão das reformas e o reforço de meios humanos e materiais das estruturas consulares são dois “dos cavalos de batalha” do BE nas eleições legislativas para a emigração.

Em comunicado a propósito da entrega da lista do BE ao círculo eleitoral da Europa, encabeçada por Tiago Pinheiro, para a qual o partido apresenta candidatos oriundos da emigração portuguesa, os bloquistas elencam aqueles que são os eixos fundamentais para a emigração no programa eleitoral das legislativas de 06 de outubro.

“Os dois cavalos de batalha do nosso partido para a próxima legislatura são as reformas (de reversão ou não) dos nossos compatriotas e os serviços consulares”, refere o mesmo texto.

No caso das reformas, os bloquistas propõem “a criação urgente de células competentes nos consulados” para que, chegada a idade da reforma, “os compatriotas deixem de andar a ser empurrados dos serviços da Segurança Social portugueses para os serviços homólogos dos países de acolhimento” com o objetivo de beneficiar da reforma a que têm direito.

“No que diz respeito às estruturas consulares há que reforçá-las e dotá-las dos meios materiais e humanos e materiais necessários para assegurar aos emigrantes serviços públicos de qualidade”, defendem.

Na perspetiva do BE, “é inaceitável que, durante meses, os emigrantes se vejam privados de acesso às plataformas de marcações on-line” ou que “meses separem as datas de marcações das datas de atendimento”.

“Mesmo num país onde uma saída iminente da União Europeia estava programada (Brexit), o governo português foi incapaz de dotar os consulados dos meios necessários para que os nossos compatriotas pudessem tratar da documentação necessária ao pedido do estatuto de residente”, acusa.

Os bloquistas pedem ainda “a inversão da política do governo na vertente do ensino da língua portuguesa e a abolição da propina discriminatória instituída pelo governo da ‘troika’ e não posta em causa pelo atual executivo”.

A “continuada exigência de resolução dos graves problemas dos lesados do BES” é outra das linhas do partido.

O BE preconiza assim para Portugal “medidas fiscais, sociais e económicas” que promovem “o investimento, a produtividade e o emprego com direitos e salários decentes” um vez que estas “são as únicas suscetíveis” de contrariar a tendência que obriga milhares de portugueses a deixar todos os anos o país.

Greve na Ryanair de hoje até domingo

Tripulantes da Ryanair em greve a partir de hoje e até domingo

Tripulantes da Ryanair em greve a partir de hoje e até domingo

Alfa/Lusa

Os tripulantes da Ryanair começam hoje uma greve de cinco dias, até domingo, convocada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e que conta com serviços mínimos decretados pelo Governo.

Nesta terça-feira, a Ryanair referiu que não esperava “perturbações significativas” por causa da greve, mas salientou que não podia “descartar alguns atrasos” ou mudanças nos voos.

“Faremos tudo o que pudermos para minimizar as perturbações causadas aos nosso clientes e às suas famílias”, garantiu a transportadora irlandesa, em resposta à Lusa.

“Os passageiros que não receberam um ‘email’ ou uma mensagem podem esperar que os seus voos para e de Portugal se realizem normalmente esta semana”, assegurou a empresa.

Num comunicado do dia 01 de agosto, o SNPVAC adiantou que o pré-aviso de greve abrange todos os voos da Ryanair cujas horas de apresentação ocorram entre as 00:00 e as 23:59 dos dias previstos para a paralisação (tendo por referência as horas locais) e os serviços de assistência ou qualquer outra tarefa no solo.

Entretanto, tendo em conta que não houve acordo entre a Ryanair e o sindicato, o Governo decretou serviços mínimos a cumprir durante a paralisação, que abrangem não só os Açores e Madeira, mas também as cidades europeias de Berlim, Colónia, Londres e Paris.

Assim, os serviços mínimos incluem um voo diário de ida e volta entre Lisboa e Paris; entre Lisboa e Berlim; entre Porto e Colónia; entre Lisboa e Londres; entre Lisboa e Ponta Delgada, bem como uma ligação de ida e volta entre Lisboa e a Ilha Terceira (Lajes), hoje, na sexta-feira e no domingo.

O SNPVAC criticou esta decisão e “repudiou veementemente” os serviços mínimos e a fundamentação do Governo para os impor.

Em comunicado, o sindicato disse que “repudia veementemente mais uma tentativa do Governo em aniquilar o direito à greve dos portugueses e, em particular, dos tripulantes da Ryanair”, garantindo que não aceita “que se defenda os interesses económicos de uma empresa privada e estrangeira em detrimento dos direitos de trabalhadores portugueses”.

Na base deste pré-aviso de greve está, segundo referiu o SNPVAC no comunicado de 01 de agosto, o facto de a Ryanair continuar a “incumprir com as regras impostas pela legislação portuguesa, nomeadamente no que respeita ao pagamento dos subsídios de férias e de Natal, ao número de dias de férias e à integração no quadro de pessoal dos tripulantes de cabine contratados através das agências Crewlink e Workforce”.

No dia 09 de agosto, o sindicato denunciou que a companhia aérea tinha enviado aos tripulantes um questionário ‘online’ com o objetivo de saber se vão participar na paralisação.

Em informação enviada à Lusa, a estrutura sindical mostrou imagens do inquérito, que pede aos tripulantes que assinalem os dias em que planeiam aderir à paralisação e refere que, caso não haja resposta, presumem que farão greve.