Sonda com primeiro robô humanoide russo a bordo falha acoplagem em estação espacial

A sonda Soyuz, com o primeiro robô humanoide russo Fedor a bordo, não conseguiu acoplar hoje na Estação Espacial Internacional (ISS), informou a agência de notícias russa.

Agendada para as 07:30 (hora de Paris) em modo automático, a acoplagem não aconteceu e a sonda teve que reiniciar as manobras.

A transmissão ao vivo no ‘site’ da Agência Espacial Russa (Roskosmos) foi interrompida quando a Soyuz estava localizada a uma distância de 100 metros da estação.

Fedor, com um corpo antropomórfico prateado, mede 1,80 metro de altura e pesa 160 quilos. O nome corresponde ao acrónimo « Final Experimental Demonstration Object Research » e refere-se à designação russa Fyodor.

O robô tem contas nas redes sociais Instagram e Twitter, que detalham o seu quotidiano, com situações como quando aprende a abrir uma garrafa de água.

A bordo da ISS desde que descolou na quinta-feira do Cazaquistão, Fedor deveria testar as suas capacidades em condições de gravidade muito baixa, sob a supervisão do cosmonauta russo Alexander Skvortsov, nos 17 dias que está previsto permanecer no espaço.

 

Alfa/Lusa.

Caso Epstein na Justiça francesa por suspeita de crimes sexuais em França

Ministério Público francês abre investigação relacionada com caso Epstein

Ministério Público francês abre investigação relacionada com caso Epstein

O Ministério Público de Paris anunciou a abertura de uma investigação sobre a violação de menores e uma série de outras acusações ligadas ao caso do investidor norte-americano Jeffrey Epstein.

Numa declaração enviada à imprensa, pelo gabinete do procurador Remy Heitz, anuncia-se que a decisão de abrir uma investigação preliminar se baseia em « elementos transmitidos » à procuradoria e « troca de informações com as autoridades judiciais norte-americanas ».

Não foram adiantados quaisquer novos detalhes da investigação, que envolve informações relativas a menores de 15 anos e mais velhos e visam estabelecer ligações de eventuais infrações cometidas em França, e também no estrangeiro, envolvendo vítimas francesas.

O milionário norte-americano era titular de uma propriedade imobiliária buna zona luxuosa de Paris, para onde viajava com frequência e teria em França amigos também eles suspeitos de envolvimento no caso.

Jeffrey Epstein, de 66 anos, acusado de envolvimento numa rede de exploração sexual de menores, foi encontrado morto na sua cela do Metropolitan Correctional Center, em Manhattan, Nova Iorque, há cerca de duas semanas.

Os resultados da autópsia realizada confirmaram que se suicidou por enforcamento na prisão, em Nova Iorque, anunciaram as autoridades norte-americanas.

Portugueses devem viajar com passaporte válido para o Reino Unido já a partir de 1 de novembro

 

Governo aconselha portugueses a “viajar com passaporte válido” para o Reino Unido já a partir de 1 de novembro

 

Foto: PETER MACDIARMID/GETTY

Em causa estão as incertezas provocadas pelas últimas declarações do Governo britânico, que quer pôr um fim à livre circulação logo à meia-noite do dia 1 de novembro (primeiro dia do Brexit) se não for assinado nenhum acordo de saída

Alfa/Expresso. Por Ana França

Faltam dois meses para o fim o prazo estabelecido para que o Reino Unido consiga um acordo com a União Europeia para uma saída ordeira. Pelas 23h59 de 31 de outubro, e caso não exista consenso, o país vai retirar-se do espaço europeu sem qualquer ligação ao bloco e isso terá consequências diretas na forma como as pessoas se deslocam do e para o Reino Unido. Com essas incertezas em mente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) diz ao Expresso que “será recomendável que os cidadãos portugueses viajem na posse de passaporte válido” depois do dia marcado para a saída.

As garantias públicas que vêm sendo dadas pelo governo britânico, porém, incluem a possibilidade de que os europeus que possuam cartão de cidadão continuem a poder utilizá-lo para entrar no Reino Unido, durante um período temporário a determinar, após a saída do Reino Unido da UE. “Não obstante, dadas as atuais incertezas em torno das medidas que poderão vir a ser implementadas na prática pelas autoridades britânicas – e ao facto de não ser aqui possível reciprocidade, dado que os cidadãos britânicos não possuem cartão de identificação nacional -, será recomendável que os cidadãos portugueses viagem na posse de passaporte válido”, avança ao Expresso o MNE, em respostas enviadas por email.

As dúvidas aumentaram segunda-feira, depois de Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, e da sua ministra do Interior, Priti Patel, terem confirmado o “fim imediato da livre circulação” logo no dia 31 de outubro. A chuva de críticas não tardou, com vários analistas a sublinharem a impossibilidade de o governo britânico cumprir essa promessa, já que, em primeiro lugar, ainda não resolveu a questão de como distinguir entre aqueles que já estavam no Reino Unido antes do Brexit e aqueles que entrarão no país após 31 de outubro, e, em segundo, porque as autoridades britânicas não vão conseguir registar todos os cidadãos da UE já a residir no Reino Unido até nessa data.

AEROPORTOS EM MODIFICAÇÃO POR CAUSA DO BREXIT

A 17 de janeiro deste ano os jornais portugueses noticiavam que o Governo « vai criar um corredor para cidadãos britânicos nos dois aeroportos que mais recebem turistas do Reino Unido: o de Faro e o do Funchal, tal como existe para os cidadãos da UE e dos países da CPLP ». O Expresso perguntou ao MNE se este plano se mantém, mesmo se a saída sem acordo desencadear um fecho de fronteiras bruscas aos cidadãos portugueses que queiram entrar no Reino Unido, o que foi confirmado. “A ANA está a proceder à adaptação dos postos de chegada nos aeroportos, o que permitirá ao SEF aumentar a capacidade de controlo de passageiros, considerando precisamente a necessidade de controlo de passageiros britânicos a partir do Brexit.”

NECESSIDADE DE REGISTO DE RESIDÊNCIA É “PRIORIDADE” DAS AUTORIDADES PORTUGUESAS NO REINO UNIDO

“Desde junho de 2016, conhecido o resultado do referendo britânico, que Portugal tem alertado os nacionais residentes no Reino Unido para a necessidade de regularizarem a sua situação”, reforça o Governo. As estimativas colocam o número de europeus residentes no Reino Unido para lá dos três milhões, e apenas um terço dessas pessoas já pediram o seu estatuto de residente permanente (aquilo a que as autoridades britânicas chamam “settled status”).

Segundo dados enviados pelo Ministério do Interior ao Governo português, até 31 de julho deste ano 92.900 cidadãos portugueses residentes no Reino Unido já se tinham candidatado a este estatuto, não sendo conhecido o número de sucessos. Os últimos números do Governo britânico (2018) colocam o número de portugueses nos 224.000, mas o número de pessoas residentes do Reino Unido com nacionalidade portuguesa pode ultrapassar os 300.000, devido à presença de muitos cidadãos angolanos e brasileiros que têm direito a passaporte português, quer devido à sua ascendência, quer por terem nascido (ou os seus pais), no caso de Angola, quando este país ainda era oficialmente parte do território português.

Sobre a crescente vaga de pedidos de esclarecimento de dúvidas sobre o que acontecerá após dia 31 de outubro, o Governo sublinha que reforçou o atendimento consular. “Em 2018 realizaram-se um total de 22 sessões exclusivamente dedicadas a prestar esclarecimentos sobre o processo do Brexit e foi também reforçado o número de permanências consulares que permitem o atendimento aos cidadãos de forma descentralizada. Em 2018 realizaram-se 82 dias de atendimento desta natureza e para este ano estão previstos 128 dias de atendimento por esta via”, diz o Governo. Estas permanências consulares abrangem Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte, País de Gales, mas também Bermudas, Ilha de Man e Ilha de Jersey.

Em abril deste ano entrou em funcionamento o Centro de Atendimento Consular dedicado ao Reino Unido, que funciona em Lisboa e proporciona o esclarecimento de dúvidas sobre o Brexit, mas também permite o agendamento de atendimentos para a realização de atos consulares nos consulados de Londres e de Manchester. Um serviço bastante concorrido, segundo números do Governo: “Entre abril e julho, este serviço atendeu 22.268 chamadas, das quais 10.459 eram pedidos de informação e 11.799 para efeitos de agendamento de atendimentos. Foram ainda respondidas 13.675 mensagens de correio eletrónico enviadas por cidadãos portugueses para este serviço”.

O email enviado ao Expresso pelo MNE esclarece ainda que todas as regras que possam vir a aplicar-se depois da saída do Reino Unido da União Europeia só vão afetar eventuais novos migrantes.

« Brasil precisa de solidariedade, não de sanções ». Amazónia: António Costa afasta-se de Macron

António Costa é contra ameaça de sanções europeias ou internacionais ao Brasil e diz: « O país precisa de solidariedade, não de sanções ». A oposição da França e da Irlanda ao acordo comercial entre a Europa e o Mercosul « é conhecida desde sempre porque querem defender a sua produção bovina », afirma o primeiro-ministro. A tragédia dos incêndios na Amazónia não deve ser utilizada para « aumentar o número de problemas que existem nestas relações entre a Europa e o Brasil », acrescenta António Costa.

O primeiro-ministro, António Costa, rejeita a ideia da França de sair do acordo comercial com o Mercosul por causa da vaga enorme de incêndios na Amazónia e a proposta da Irlanda de a UE suspender as importações de bovinos do Brasil.

« O Brasil precisa de solidariedade, não de sanções. O que nós precisamos é que haja intervenção para ajudar a salvar a Amazónia, não é aumentar o número de problemas que existem nestas relações entre a Europa e o Brasil », afirmou António Costa aos jornalistas, durante uma visita à Fatacil, em Lagoa, no Algarve.

A oposição da França e da Irlanda ao acordo comercial entre a Europa e o Mercosul « é conhecida desde sempre », afirma o primeiro-ministro, porque « querem defender a sua produção bovina ».

“Mercosul é um acordo comercial muito importante para a economia portuguesa, que esteve mais de 20 anos a ser negociado, em que finalmente houve um acordo, em julho (…). A tragédia não deve ser utilizada, por aqueles países que sempre se opuseram, para reabrir o tema”, alertou o primeiro-ministro português, lembrando a historial de relações fraternas entre Portugal e Brasil.

A questão dos incêndios da Amazónia, que está a concentrar as atenções em todo o mundo, deve merecer a solidariedade para com o povo brasileiro, defende António Costa, e não ser utilizada para um braço de ferro comercial.

« A Amazónia é um dos maiores pulmões do mundo, portanto, o que acontece na Amazónia diz respeito aos cidadãos de todo o mundo, é um problema global. Queria manifestar a nossa total solidariedade para com o povo brasileiro, com o Brasil, pela situação dramática que se está a viver. E devemos manifestar toda a disponibilidade de apoio que o Brasil entenda que precisa para enfrentar esta situação que nos tem que preocupar a todos. Agora, não podemos confundir o que está a acontecer na Amazónia com um acordo comercial muito importante », frisou o primeiro-ministro.

António Costa acrescenta que o acordo é  “muito importante”, que não é apenas um compromisso comercial, mas que tem também uma “cláusula ambiental muito importante”.

O acordo Mercosul inclui regras de defesa e conservação da natureza e salvaguarda dos ecossistemas mas segundo o primeiro-ministro não deve ser posto em causa devido aos atuais graves incêndios.

(Ler mais sobre os incêndios na Amazónia e as tensões entre Bolsonaro e Macron em artigos relacionados, nesta página)

Amazónia: « Rien ne va plus ». Macron acusa Bolsonaro de mentir

Amazónia: Macron acusa Bolsonaro de mentir e diz-se contra o acordo UE-Mercosul

 

O Presidente de França, Emmanuel Macron, acusou hoje o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de mentir em matéria de compromissos ambientais e anunciou que, nestas condições, França vai votar contra o acordo de comércio livre UE-Mercosul.

“Tendo em conta a atitude do Brasil nas últimas semanas, o Presidente da República não pode se não constatar que o Presidente Bolsonaro lhe mentiu na Cimeira de Osaka”, afirmou a presidência francesa, referindo-se à Cimeira do G20 que se realizou no final de junho.

Entretanto, o deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente e indicado para assumir o cargo de embaixador nos EUA, partilhou esta quinta-feira um vídeo no qual se apelida de « idiota » o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.

Bolsonaro, pelo seu lado, disse que Macron tem « mentalidade colonialista ».

(Leia mais em artigos relacionados nesta página da Rádio Alfa)

 

 

Amazónia. Macron diz: « a nossa casa arde ». Bolsonaro responde: « mentalidade colonialista »

Macron e Bolsonaro em choque devido aos incêndios na floresta amazónica. Francês diz que os gigantescos incêndios na Amazónia constituem uma crise internacional.

Presidente Emmanuel Macron diz-se muito inquieto com os incêndios na Amazónia, conhecida como sendo o pulmão da Terra.

« A nossa casa arde », afirmou o chefe de Estado francês, para quem os gigantescos incêndios na Amazónia constituem uma crise internacional.

Macron quer que a situação seja discutida este fim de semana no G7, em Biarritz.

O seu homólogo brasileiro, JairBolsonaro, não gostou do que disse Macron e fustigou o que chama uma « mentalidade colonialista ».

Na rede twitter, o presidente brasileiro acusa-o de « instrumentalizar uma questão interna do Brasil e dos outros países da região amazónica para ganhar benefícios políticos pessoais ».

(Macron fez também estas afirmações na rede twitter mas ilustrou-as com uma fotografia falsa e não atual, feita por um fotógrafo na Amazónia tirada há pelo menos 16 anos, altura em que o autor da fotografia, Loren McIntyre, morreu). Veja aqui: 

 Les présidents français et brésilien, Emmanuel Macron et Jair Bolsonaro, le 28 juin 2019 au sommet du G20 à Osaka, au Japon.
Macron e Bolsonaro a 28 de junho de 2019 na cimeira do G20 em Osaka, no Japão.
Foto: AFP / Jacques Witt.Também o líder da ONU, António Guterres, bem como o PR português, Marcelo Rebelo de Sousa, se declararam preocupados com a devastação na Amazónia.

Música. José Cid ganha Grammy Latino

O músico português José Cid vai receber um Grammy de “Excelência Musical”, anunciou hoje a Academia Latina de Gravação.

 

 

“O Prémio à Excelência Musical é concedido a artistas que fizeram contribuições de significado artístico excecional para a música latina”, refere a página oficial da Academia.

José Cid vai receber o Grammy Latino numa cerimónia em Las Vegas, nos Estados Unidos da América, em 13 de novembro.

Alfa/Lusa.

Sporting de Braga vence Spartak de Moscovo por 1-0, Vitória SC empata na Roménia a 0-0 com FCSB

Um golo de Ricardo Horta bastou hoje ao Sporting de Braga para vencer 1-0 na receção ao Spartak Moscovo, em jogo da primeira mão do ‘play-off’ de apuramento para a fase de grupos da Liga Europa de futebol.

O golo do triunfo ‘arsenalista’ surgiu já na reta final da partida, aos 74 minutos, permitindo à equipa bracarense partir para a Rússia em vantagem, quando disputar o encontro da segunda mão, agendado para dentro de uma semana, em Moscovo.

O Vitória de Guimarães empatou hoje 0-0 em casa dos romenos do FCSB, dando também um passo importante para a qualificação.

Em Bucareste, os comandados de Ivo Vieira souberam segurar o nulo, adiando a decisão para a segunda mão, a disputar dentro de uma semana, em Guimarães.

A única equipa francesa envolvida neste ‘play-off’, o Estrasburgo, venceu os alemães do Eintracht Frankfurt por 1-0, golo de Kevin Zohi aos 33 minutos.

Alfa/Lusa.

Remessas de emigrantes crescem 15,1% no primeiro semestre para 1.951 ME

As remessas de emigrantes cresceram 15,1% no primeiro semestre deste ano, para 1.951 milhões de euros, enquanto as verbas enviadas pelos imigrantes para os seus países de origem caíram 10,3%, para 235,6 milhões de euros.

De acordo com dados do Banco de Portugal hoje divulgados, os trabalhadores portugueses no estrangeiro enviaram para território nacional 1.951,1 milhões de euros no primeiro semestre, o que representa um aumento de 15,1% face aos 1.695,1 milhões enviados nos primeiros seis meses do ano passado.

Em sentido inverso, entre janeiro e junho, os estrangeiros a trabalhar em Portugal enviaram para os países de origem 235,6 milhões de euros, menos 10,3% que os 262,7 milhões registados no período homólogo de 2018.

As remessas oriundas de países da União Europeia (UE) são responsáveis por 990,2 milhões, apesar da redução de 2,74% face aos 1.018,1 milhões enviados nos primeiros seis meses de 2018.

Destes 990,2 milhões enviados por portugueses nos Estados-membros da UE, destacam-se as remessas enviadas de França, que apesar da quebra de 5% – passaram de 560,8 milhões de euros, no primeiro semestre de 2018, para 532,3 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano – continuam a representar mais de metade das remessas dentro da comunidade.

Nos dados apresentados pelo Banco de Portugal destacam-se ainda as remessas com origem na Suíça, que aumentaram 13,04% no primeiro semestre, para 471,9 milhões de euros, face aos 417,44 milhões do período homólogo.

No último mês analisado, referente a junho, as remessas de emigrantes aumentaram para 309,49 milhões de euros, um crescimento de 9,88% em relação aos 281,67 milhões de maio.

Em sentido inverso, as verbas enviadas por trabalhadores estrangeiros em Portugal durante o mês de junho caíram 6,89%, para 37,82 milhões de euros, face aos 40,62 milhões de maio.

Alfa/Lusa.

Segurança máxima em Biarritz, circulação na fronteira França/Espanha perturbada

Segurança máxima em Biarritz, circulação na fronteira França/Espanha perturbada

Todo o País Basco francês está desde quarta-feira ocupado por 13.200 polícias e gendarmes (correspondentes aos guardas da GNR portuguesa) e por um número não divulgado de forças especiais militares

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Treze mil e 200 polícias e gendarmes e um número não divulgado de militares estão mobilizados para assegurar a segurança da Cimeira do G7 no próximo fim de semana, na luxuosa estância balnear de Biarritz, onde até praias e estações de caminho de ferro foram fechadas. Segurança máxima estende-se a Hendaia e Irún, com a colaboração de forças especiais espanholas, prevendo-se fortes perturbações do tráfego automóvel na fronteira a partir desta sexta-feira

É uma mobilização nunca vista na França do pós-guerra, das forças especiais da polícia, da gendarmeria e das Forças Armadas. Nem durante os pontos mais altos da crise dos ‘coletes amarelos’, quando Paris e outras cidades caíram várias vezes num caos, em episódios de autêntica guerrilha urbana e num clima de pré-guerra civil, foram tomadas de medidas de segurança, concentradas numa só localidade, com tamanha dimensão.

As autoridades receiam incidentes e manifestações violentas contra a Cimeira do G7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo – Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Itália e Canadá), envolvendo nos contestatários uma amálgama de ‘coletes amarelos’, anarquistas extremistas franceses e internacionais do grupo Black Blocs, terroristas, e também esquerdistas e pacifistas de movimentos alternativos anticapitalistas e antiglobalização.

Este fim de semana, as praias de Biarritz estarão desertas <span class="creditofoto">Foto Regis Duvignau / Reuters</span>

Este fim de semana, as praias de Biarritz estarão desertas FOTO REGIS DUVIGNAU / REUTERS

Todo o País Basco francês está desde quarta-feira ocupado por 13.200 polícias e gendarmes (correspondentes aos guardas da GNR portuguesa) e por um número não divulgado de forças especiais militares que, estas, foram colocadas em alerta para intervir a qualquer momento, em caso de tumultos. Em termos militares, foram tomadas também medidas preventivas para evitar ataques aéreos e outros ligados ao terrorismo internacional.

AVISOS

As medidas de precaução são visíveis desde há alguns dias e há mesmo avisos nas estradas da região para a possibilidade de se verificarem problemas, designadamente na travessia da fronteira franco-espanhola e em todo o país basco francês.

Emigrantes portugueses contatados pelo Expresso, que atravessaram a fronteira de Hendaia/Irún na terça e na quarta-feira passadas, informaram que então já havia uma “enorme quantidade” de polícias franceses e espanhóis a controlarem todas as estradas da zona.

As autoridades francesas preveem problemas importantes de circulação nas estradas da região e na fronteira a partir de sexta-feira, na altura em que milhares de emigrantes portugueses deverão estar em viagem de regresso, depois das férias, para os seus países de acolhimento

A mobilização das forças especiais de segurança já levou, até esta quinta-feira, à detenção, na região, de pelo menos meia dúzia de suspeitos de ligação aos Black Blocs, segundo anunciaram as autoridades francesas.

O Governo e as prefeituras (Governos civis) preveem problemas importantes de circulação nas estradas da região nos dias 23, 24, 25 e 26 deste mês, na altura em que milhares de emigrantes portugueses deverão estar em viagem de regresso, depois das férias, para os seus países de acolhimento – França, Alemanha, Suíça, Luxemburgo e Bélgica, principalmente.

TOLERÂNCIA ZERO

O Governo francês promete respostas duras a eventuais incidentes violentos de manifestantes. “Não vamos tolerar violências, desde que se verifiquem responderemos imediatamente”, anunciou o ministro do Interior, Christophe Castaner. “Haverá uma resposta extremamente firme se os Black Blocs escolherem a violência”, acrescentou o secretário de Estado, Laurent Nunez.

As medidas de prevenção são extremas e gigantescas. As autoridades francesas até decidiram montar uma série de grandes “ginásios”, uns para albergar centenas de eventuais detidos e outros para dar dormida e estadia a cerca de setenta advogados de defesa (oficiosos ou outros) e a algumas dezenas de magistrados do Ministério Público.

Milhares de turistas e habitantes de Biarritz e da região estão a fugir da zona, onde até praias, estações de caminho de ferro e aeroporto foram fechados. Os principais hotéis também foram requisitados para instalar os participantes, as suas equipas e outros, na cimeira – jornalistas e ainda a ONU (António Guterres), a União Europeia e representantes dos países do G20, etc.