PSP de Lisboa faz 53 detenções, 39 relacionadas com festejos do futebol

A PSP efetuou 53 detenções entre a manhã de sábado e hoje, 39 das quais relacionadas com os festejos da conquista do campeonato de futebol pelo Benfica, informou a PSP.

Uma nota da PSP revelou que, no âmbito da atividade operacional do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis), através de operações de fiscalização num período de 24 horas, desde as 09:00 de sábado, “efetuou 53 detenções”, das quais 17 por “posse ilegal de artifício pirotécnico”.

Os restantes detidos respondem por “condução em estado de embriaguez” (dez), “condução sem habilitação” legal para conduzir (seis), “posse ilegal de arma” (seis), “tráfico de estupefacientes” (cinco), “resistência e coação sobre funcionário” (três), “cumprimento de mandado de detenção” (três), “desobediência” (duas) e “furto” (uma).

A maioria das detenções por posse de objetos pirotécnicos estão relacionadas com os festejos da conquista do título de campeão português de futebol pelo Sport Lisboa e Benfica, que se prolongou noite dentro na Praça Marquês de Pombal, admitiu à Lusa uma fonte da PSP.

No âmbito da operação preparada para a segurança no Marquês de Pombal e na envolvente do estádio da Luz, antes e após o jogo que ditou a conquista da 1ª Liga, foram efetuadas 39 detenções, afirmou a mesma fonte.

A mesma nota do Cometlis acrescentou que, no mesmo período, foram ainda apreendidas 203 armas brancas “que se encontravam em local de armazenamento e exposição”.

As operações levaram também à apreensão de 103,91 gramas de haxixe, a que correspondem 207,82 doses individuais de consumo, explicou a PSP no mesmo comunicado.

O Benfica assegurou no sábado o seu 37.º título de campeão português de futebol, ao golear em casa o Santa Clara por 4-1, em jogo da última jornada, que terminou com 87 pontos, mais dois do que o FC Porto.

Alfa/Lusa.

Holanda venceu pela quinta vez o Festival Eurovisão da Canção

 A Holanda venceu no sábado, pela quinta vez, o Festival Eurovisão da Canção, com o tema “Arcade”, interpretado por Duncan Laurence, que era o favorito à vitória de acordo com a média de várias casas de apostas.

A Holanda, que venceu pela última vez há 44 anos, foi o país que obteve maior pontuação (492 pontos), atribuída pelos espetadores de cada país e pelos júris nacionais dos 41 países que participaram na edição deste ano, embora apenas 26 canções tenham competido na final.

A final da 64.ª edição do Festival Eurovisão da Canção decorreu hoje à noite em Telavive e foi transmitida em direto em todo o mundo.

A Holanda ocupava, desde 07 de março, o primeiro lugar de um ranking dos 41 países concorrentes, cuja classificação é definida pela média de várias casas de apostas, calculada pelo ‘site’ eurovisionworld.com, especializado no concurso.

 

 

Alfa/Lusa.

Adeptos apontam Bruno Lage como principal obreiro do título do Benfica

O treinador do Benfica, Bruno Lage, que guiou os ‘encarnados’ à 37º vitória do clube na I Liga de futebol, foi, no sábado, apontado pelos adeptos como o principal responsável pelo título nacional.

 

 

De acordo com os adeptos ouvidos pela Lusa na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, onde muitos milhares aguardavam ainda a chegada da equipa para a festa, o treinador de 43 anos, que apenas assumiu o comando técnico em janeiro, recebeu todos os elogios pelo feito e por ter devolvido a confiança à massa associativa quando o Benfica estava a sete pontos do primeiro lugar.

“Foi sofrer até ao fim, mas quando recuperámos o primeiro lugar sentimos que viríamos aqui. [O principal responsável] Foi o ‘mister’ Bruno Lage. Sempre tivemos fé na equipa, mas a sete pontos era complicado. Sem retirar mérito a Rui Vitória, sentíamos um afastamento da equipa dos adeptos e o Bruno Lage veio reatar esse amor que estava aqui algo apagado”, afirmou Vanessa Alcobia, que veio de Queluz para a festa do título ‘encarnado’.

De Paris para o Marquês de Pombal veio Micael Martins. Com a camisola do Benfica e a pronúncia francesa bem vincada, este jovem adepto revelou não ter hesitado na ideia de vir para Lisboa no fim do campeonato, depois de ver a equipa sair vencedora (2-1) do jogo com o FC Porto, no Estádio do Dragão, no Porto.

“Venho de Paris. Vim cá uns dias, mas sabia que íamos ser campeões. Sabia que íamos ser campeões, por isso vim de propósito. O jogo no Dragão foi o momento em que soube que íamos ser campeões. Agora é festejar, depois vê-se quando voltamos. Espero estar aqui, neste mesmo lugar, no próximo ano”, disse, acrescentando: “O grande responsável pela vitória foi Bruno Lage. Ele mudou tudo e fez uma segunda volta espetacular”.

Já Paulo Lopes, que veio para a festa acompanhado da esposa e dos dois filhos, de dois e cinco anos, enalteceu o treinador do Benfica por “unir a equipa e ter sido a pessoa essencial para reunir as forças do Benfica”, mas destacou também o papel do presidente do clube.

“Luís Filipe Vieira apostou sempre no clube, num treinador novo, nos jogadores e em todos os benfiquistas. Em janeiro ninguém acreditava, hoje estamos aqui e para o ano logo se vê”, frisou, apontando o veterano avançado brasileiro Jonas, de 35 anos, como “o melhor” do plantel.

Por fim, João Catarino, acompanhado da filha Sara, partilhou o mérito da conquista do 37.º título “por todos os jogadores, o treinador e o presidente”, reconhecendo ainda que “será complicado” segurar algumas das maiores promessas ‘encarnadas’ e que o momento mais marcante surgiu com o triunfo sobre os ‘dragões’.

“Não estava confiante, era muito difícil dar a volta à situação e felizmente conseguimos. Creio que o momento decisivo foi ganharmos em casa do FC Porto”, observou.

A equipa de futebol do Benfica esteve na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, às 01:58 (Paris), num ambiente de euforia entre centenas de milhares de adeptos em festa pela conquista do 37º título de campeão português de futebol.

Cerca de quatro horas depois de vencer o Santa Clara, por 4-1, no Estádio da Luz, no jogo da 34ª e última jornada da I Liga, os ‘encarnados’ entraram no epicentro dos festejos pela Avenida Fontes Pereira de Melo, onde, da estrada às varandas de inúmeros edifícios, os adeptos ovacionaram jogadores, equipa técnica e dirigentes.

O Benfica assegurou no sábado o seu 37º título de campeão português de futebol, ao golear em casa o Santa Clara por 4-1, em jogo da 34ª e última jornada da competição, que terminou com 87 pontos, mais dois do que o FC Porto.

Alfa/Lusa.

Benfica ‘cilindra’ Santa Clara na conquista do 37º título nacional

O Benfica conquistou hoje o 37º título de campeão português de futebol ao receber e golear o Santa Clara, por 4-1, em jogo da 34.ª e última jornada da I Liga.

O ‘bis’ de Seferovic, aos 16 e 56 minutos, os golos de João Félix, aos 23, e Rafa, aos 39, fizeram o Benfica somar 103 golos esta temporada, igualando o registo de 1963/64, na altura num campeonato disputado em 26 jornadas. César Martins fez o golo de honra para o Santa Clara, aos 59.

Ao Benfica bastava o empate para garantir o primeiro lugar do escalão maior do futebol nacional e, para isso, contribuiu fortemente o desempenho de Bruno Lage, treinador que desde assumiu o comando técnico dos ‘encarnados’ nunca perdeu na I Liga, somando um empate de 18 triunfos. Ou seja, somou 55 dos 87 pontos conquistados esta temporada.

Frente aos insultares, o Benfica não apresentou novidades no ‘onze’ inicial, sinal claro de que Bruno Lage não estava disposto a inventar no derradeiro jogo.

O ascendente dos ‘encarnados’ tornou-se evidente logo nos minutos iniciais. Embora a posse de bola tenha sido dividida, a verdade é que o Santa Clara mostrou fortes dificuldades sair a jogar na fase de transição, o que se traduziu em poucas ocasiões de golo.

A partir do momento que o marcador começou a funcionar, aos 16 minutos, com o golo de Seferovic, após um passe de Samaris para as costas da linha defensiva do Santa Clara, onde apareceu o internacional suíço para fazer o 100.º golo do Benfica na temporada [22.º na conta pessoal], os açorianos deixaram de acreditar numa eventual conquista de pontos.

Ainda assim, os comandados de João Henriques estiveram perto de igualar o encontro, aos 21 minutos, mas Fábio Cardoso, na sequência de um pontapé de canto, não teve a frieza necessária para bater Vlachodimos.

Na jogada seguinte, aos 23 minutos, João Félix deixou os mais de 60 mil espetadores presentes no Estádio da Luz ao rubro, depois de sentar César Martins, na área do Santa Clara, e fuzilar o guarda-redes Marco Pereira.

Antes do intervalo, aos 39, Pizzi recebeu a bola na direita cruzou em meia altura, Seferovic falhou o cabeceamento na zona do primeiro poste, César Martins cortou, mas Rafa apareceu para fazer o 3-0.

O Santa Clara apareceu ligeiramente melhor na segunda parte, e, aos 52 minutos, Ukra, que aproveitou um desacerto de Ferro, rematou, de trivela, ligeiramente ao lado da baliza do Benfica.

Severovic bisou, aos 56, e garantiu o título de melhor marcador da temporada (23 golos) na sequência de um cruzamento de Grimaldo, e, três minutos depois, César Martins, que não festejou o golo por já ter representado o Benfica (2014/15), reduziu ao receber a bola depois de um cabeceamento de Fábio Cardoso à trave da baliza.

O Santa Clara ‘cresceu’ e procurou chegar ao segundo golo, motivo pelo qual o treinador dos ‘encarnados’ mexeu na equipa, colocando Jonas em campo, para o lugar de João Félix, e depois chamou Taarabt em substituição de Samaris.

O brasileiro dispôs de duas ocasiões, aos 74 e 78 minutos, mas viu no guarda-redes dos forasteiros negar-lhe o golo.

Palmarés da equipa principal de futebol do Benfica, que conquistou hoje o seu 37.º título de campeão nacional:

Nome: Sport Lisboa e Benfica.

Fundação: 28 de fevereiro de 1904 (ano de fundação do Sport Lisboa, cuja fusão em 1908 com o Grupo Sport Benfica deu origem ao Sport Lisboa e Benfica).

Estádio: Estádio da Luz, Lisboa (65.000 lugares).

Presidente: Luís Filipe Vieira.

Treinador: Bruno Lage (substituiu Rui Vitória após a 15.ª jornada da I Liga 2018/19).

– Palmarés:

Taça dos Campeões Europeus: 2 (1960/61 e 61/62).

Taça Latina: 1 (1949/50).

Campeonato Nacional: 37 (1935/36, 36/37, 37/38, 41/42, 42/43, 44/45, 49/50, 54/55, 56/57, 59/60, 60/61, 62/63, 63/64, 64/65, 66/67, 67/78, 68/69, 70/71, 71/72, 72/73, 74/75, 75/76, 76/77, 80/81, 82/83, 83/84, 86/87, 88/89, 90/91, 93/94, 2004/05, 2009/10, 2013/14, 2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18).

Taça de Portugal: 26 (1939/40, 42/43, 43/44, 48/49, 50/51, 51/52, 52/53, 54/55, 56/57, 58/59, 61/62, 63/64, 68/69, 69/70, 71/72, 79/80, 80/81, 82/83, 84/85, 85/86, 86/87, 92/93, 95/96, 2003/04, 2013/14, 2016/17).

Taça da Liga: 7 (2008/09, 2009/10, 2010/11, 2011/12, 2013/14, 2014/15, 2015/16).

Supertaça Cândido de Oliveira: 7 (1979/80, 84/85, 88/89, 2004/05, 2013/14, 2015/16, 2016/17).

Campeonato de Portugal: 3 (1929/30, 30/31 e 34/35).

Campeonato de Lisboa: 10 (1909/10, 11/12, 12/13, 13/14, 15/16, 16/17, 17/18, 19/20, 32/33 e 39/40).

Finalista vencido da Taça dos Campeões Europeus: 5 (1962/63, 64/65, 67/68, 87/88 e 89/90).

Finalista vencido da Taça UEFA: 1 (1982/83).

Finalista vencido da Liga Europa: 2 (2012/13, 2013/14).

 

Resultados da 34.ª e última jornada da I Liga de futebol:

– Quinta-feira, 16 mai:

Belenenses – Nacional, 3-0 (1-0 ao intervalo)

– Sexta-feira, 17 mai:

Sporting de Braga – Portimonense, 2-0 (1-0)

– Sábado, 18 mai:

Feirense – Desportivo das Aves, 2-1 (0-0)

Marítimo – Boavista, 0-1 (0-1)

Vitória de Setúbal – Rio Ave, 1-3 (0-1)

Benfica – Santa Clara, 4-1 (3-0)

FC Porto – Sporting, 2-1 (0-0)

– Domingo, 19 mai:

Tondela – Desportivo de Chaves, 18:30

Moreirense – Vitória de Guimarães, 21:00

 

Alfa/Lusa.

Créteil-Lusitanos e Lusitanos de St Maur empatam, 1-1

Terminou empatado a um golo, o derbi ‘Lusitano’ da região de Paris entre o Créteil-Lusitanos e o Lusitanos de St Maur.

No estádio Duvauchelle em Créteil, a equipa de Carlos Secretário, ainda esteve a vencer, graças ao golo marcado por Gendrey aos 57′. Mas o Lusitanos de St Maur, aos 74′ acabou por estabelecer a igualdade por intermédio de Latour.

Em termos classificativos o Créteil-Lusitanos é lider e campeão da série D do Nacional 2, com 59 pontos. O Lusitanos de St Maur guarda o segundo lugar com 46 pontos.

 

 

Europeias. António Costa com Emmanuel Macron e… no BHV

António Costa estará em Paris, nesta segunda-feira, 20, com Emmanuel Macron, durante a campanha das europeias. Alguns dias antes, enviou um vídeo, de apoio ao partido de Macron… antes de dizer que era apenas uma mensagem sobre o « futuro da Europa ».

O encontro entre Costa e Macron decorre nesta segunda-feira à hora do jantar, às 20h30, no Palácio do Eliseu.

Antes disso, o primeiro-ministro vai visitar os conhecidos armazéns BHV, no coração de Paris – nas zonas de Chatelet/Marais -,  que até 25 de junho estão a promover Portugal, os seus produtos e o turismo lusitano. Trata-se da vistosa campanha « BHV – Sous le soleil du Portugal ».

Esta visita a França acontece antes das eleições europeias que, neste país, estão a ser disputadas sobretudo entre os partidos da nacionalista Marine le Pen e do Presidente Macron, os dois favoritos para a vitória.

No fim-de-semana passado, uma mensagem vídeo de apoio, gravada por António Costa, passou num dos comícios do partido do Presidente Macron e deu muito que falar. Posteriormente, numa mensagem escrita enviada à Lusa, António Costa justificou o vídeo como uma retribuição às mensagens que aquele líder e também o primeiro-ministro grego fizeram chegar à Convenção do PS de fevereiro passado.

“Macron e Tsipras enviaram mensagens para a nossa Convenção e eu enviei mensagens a ambos”, disse o líder do executivo, recordando que “nenhuma das mensagens contém apelos ao voto”. Costa sublinhou que “todas [as mensagens] se centram numa visão sobre o futuro da Europa”.

Os portugueses de França podem votar nestas eleições, tanto nas listas francesas como nas portuguesas. O PS francês – bem como uma lista dissidente –  também tem uma lista própria a estas eleições.

 

Liga portuguesa de futebol: Hoje é o dia do campeão. Relatos

SL Benfica e FC Porto disputam este sábado, na última jornada da liga, os jogos que podem dar-lhes o título de campeão nacional.
Na Luz, o Benfica defronta o Santa Clara dos Açores.
No Dragão, o Porto joga com o Sporting CP.
Siga os relatos na Alfa, com a Antena1.

Solidariedade. Santa Casa da Misericórdia de Paris faz 25 anos. Alfa/Especial: dia 22, 11h

Programa especial  na Rádio Alfa: Humanismo e solidariedade com os mais desfavorecidos, designadamente com os emigrantes portugueses e lusodescendentes que vivem nessa situação e necessitam de ajuda.

Em relevo no programa: os 25 anos da Santa Casa da Misericórdia de Paris.

Na quarta-feira, dia 22, às 11 horas,  entrevistas em direto com o Provedor, empresário Antonio Fernandes, e com José Barros, conhecido militante associativo e humanista e igualmente da direção da instituição.

Em destaque estará igualmente: a Corrida Solidária, dia 9 de junho, em Jouy-en-Josas: 4 ou 8 Km (corrida ou marcha).

Em relevo também, as Jornadas Socias da Santa Casa, no dia 16 de Junho, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris.

E, ainda, claro, o balanço da atividade dos 25 Anos da instituição (aniversário será assinalado com a publicação de um livro).

Fotos: António Fernandes e José Barros

Dos sapatos ao turismo. Nunca visto: Imprensa francesa rendida a Portugal

Nos últimos dois dias, apareceu na imprensa francesa uma série inacreditável de artigos muito elogiosos para Portugal.

A recente série começou com o Libération e um artigo que já aqui publicámos e que pode encontrar no site: « Portugal, o país europeu modelo das energias verdes ».

Depois, os espantosos elogios dos jornais gauleses avançaram em poucas horas para outros setores.

Le Figaro escreveu sobre os sapatos portugueses que, segundo este jornal, avançam « em passo acelerado », marcando cada vez mais pontos a nível internacional, mesmo junto das mais prestigiadas marcas mundiais:

« La chaussure portugaise avance à grands pas »

La chaussure portugaise avance à grands pas

« REPORTAGE – En pleine relance, les industriels du secteur parient à la fois sur leur succès auprès de griffes internationales en quête de sous-traitants et leurs petites marques à eux, telles la chic Luis Onofre, l’innovante Softwaves, ou la ludique Lemon Jelly ».

A seguir, L’Echo Touristique, evocou o turismo e a forte e bem conseguida promoção de Portugal no BHV, em pleno coração de Paris, com o evento « Le BHV/Marais – Sous le Soleil du Portugal » (que será visitado pelo primeiro-ministro António Costa nesta segunda-feira, 20). 

Por fim, realce-se ainda outro trabalho, desta vez publicado em Capital.fr sobre o setor do imobiliário com o título « IMMOBILIER : CE NOUVEAU DISPOSITIF ALLÉCHANT QUI VA VOUS PERMETTRE D’INVESTIR AU PORTUGAL »
Trata-se de uma série jamais vista em França de artigos positivos sobre Portugal que, decididamente, continua na moda em França.

Emigrante filho da troika, porque foi que voltaste ? Um artigo do Diário de Notícias

Voltou por amor, como Joana. Para ter liberdade, como Susana. Para mudar de vida, como Pedro. Ou com ideias de negócios, como Cássia e Victor. Não é fácil, cá não é tão fácil. Mas escolhem ficar – sem promessas. Cinco histórias de portugueses que saíram com a troika e decidiram regressar.

Há quem diga que emigrar é desígnio nacional. E a história recente não o desmente. Em 2011, com Portugal a resgate da troika, quase 200 mil portugueses saíram do país em apenas quatro anos. Desde então, o mercado de trabalho perdeu um quinto da juventude que tinha. Sai-se menos agora, mas as perdas não foram estancadas. Se a emigração existia antes, há de continuar a existir. Mas há quem volte, e « não é pelo dinheiro, de certeza ». Dizem-lhes que o país está melhor, mas o que conta são os projetos pessoais de retorno. Sem promessas de ficarem por cá.

Pedro Galinha

« Agora estou aqui, mas não fecho a porta a uma nova experiência fora. » Pedro Galinha saiu do país em 2011, com a troika a entrar. O espectro largo do que acontecia na economia misturou-se com uma ideia antiga de partir. Era jornalista, e o salário que recebia ia ser reduzido. « Houve o anúncio de cortes no sítio onde eu estava. Curiosamente, o tipo que anunciou os cortes chegou nesse mês com um novo carro – um daqueles sinais das reestruturações à portuguesa. » E Pedro tinha por princípio não ganhar menos do que o valor do seu primeiro salário de sempre – na altura, mil euros.

Partiu para Macau. Foi ganhar o dobro para começar, e subir alguns degraus, salariais e de responsabilidades. Saía de casa e tinha à porta a possibilidade de conhecer mais do mundo. « Todos os dias aprendia alguma coisa, nem que fosse uma palavra em chinês ou um aspeto da história de Macau ou da Ásia. É algo de que sinto um pouco de falta aqui. »

Já no final de 2017 estava de volta. A experiência naquela região asiática tinha-se esgotado no momento em que quis deixar o jornalismo. « Percebi que seria difícil fazer ali outra coisa. » Somavam-se « os problemas de Macau: as liberdades e garantias mais limitadas, ainda que não de forma gritante, e a questão do ambiente, que também piorou ».

Com um mestrado em Relações Internacionais, interesse na China e nos direitos humanos, procurava uma organização internacional onde encaixasse. Que acabou por encontrar, um pouco por acaso, em Portugal meses após o regresso. Antes, passou alguns meses numa agência de comunicação e diz que « deu para perceber como está Portugal ». « Não melhorou assim tanto. Há um ambiente diferente e os salários aumentaram um bocadinho. Mas globalmente a situação é idêntica. Tanto que eu saio dessa empresa e devem-me salários. » Pedro lembra que « ainda há empresas em dificuldades e que têm um funcionamento que não é o mais devido ».

« A troika bateu-me aqui »

Visto de Lisboa, hoje, quase parece mais fácil largar para a Etiópia e reconstruir uma escola em ruínas do que acumular dois empregos para pagar uma renda na cidade. Cássia Lopes tem ambas as provas superadas. É enfermeira e socióloga – fez-se ambas as coisas num percurso ligado ao desenvolvimento internacional – mas em Portugal fez tudo ao contrário do que os ciclos económicos fariam prever.

Começa assim. « 1998. Final da Expo. 15 anos. » Saiu do país quando a economia estava nos seus melhores anos. Com uma tia e dois primos espanhóis, o pai disse-lhe: « Vais aprender espanhol e depois voltas para a faculdade. » Foi para Valência. « Fui estudar e nunca mais voltei. Até 2011. » Passou os anos da troika em Portugal, inteiros, até 2014, depois de ter vivido em Espanha, em Inglaterra e na Etiópia.

Depois de ter erguido a tal escola com uma amiga com quem formou uma organização não governamental, quis estudar enfermagem. « É melhor cá. Saímos mais bem preparados do que em qualquer outro lugar na Europa. » Foi trabalhadora-estudante e viveu, já perto dos 30, em casa da mãe. « Vim deixar de comer em restaurantes tanto como antigamente. Levantava 20 euros e esses 20 euros tinham de dar para o fim de semana todo. E davam! »

E veio fazer estágios em hospitais onde « saía de manhã de casa e sabia que tinha de levar jantar porque chegava a casa à meia-noite ». « Os colegas choravam porque já não viam a família. E, sim, foi na época da troika, em que toda a parte da saúde se começou a deteriorar. »

Foi nesses anos que, apesar de tudo, Cássia descobriu que adorava Portugal e que tinha de se ir embora. « A troika bateu-me aqui. Chorei muito, foi muito dramático, mas tive mesmo de me ir embora. Aí senti-me muito uma emigrante portuguesa, como aqueles que tiveram de ir para França. Eu levava azeite e farinheira. »

Voltava a Inglaterra, recrutada diretamente em Lisboa para trabalhar na unidade de cuidados intensivos do hospital de Cambridge. »Saí de Lisboa com 11 enfermeiras. » A falta de sol, as saudades e o Brexit deram, no entanto, o empurrão para o regresso após quatro anos. E Cássia veio com um projeto: lançar com um colega uma startup ligada ao turismo de saúde, uma ideia nascida quando os amigos lhe enviaram o link do programa Emprender 2020, da Fundação da Associação Empresarial Portuguesa, para fazer regressar emigrantes.

Não resultou, por enquanto. « Vão ajudar? Vão. Mas tens de pôr 20 mil euros. Pões o teu dinheiro e começas o teu negócio. Podes receber algum retorno. Mas isso não é uma ajuda ao emigrante. Ajudar é apresentares o teu projeto e, se for bom, dão-te X para poderes começar », entende.

« Há menos por onde escalar »

Joana Santos foi para Londres apenas com uma reserva de Airbnb e em apenas oito meses conseguiu contrato permanente e subir dois patamares de carreira com um salário que lhe sobrevivia no final do mês. Foi menos tempo do que leva Vicente, quase a nascer, a desenvolver-se totalmente na sua barriga, agora em Portugal, onde tudo leva um pouco mais de tempo.

Saiu em junho de 2015, um ano depois de terminar a licenciatura em Jornalismo e de um estágio não remunerado de três meses numa produtora audiovisual. « O estágio terminou e tive um prolongamento de um mês. Mas disseram-me logo que não havia a possibilidade de passar a contrato. Iria trabalhar a recibos verdes. Não estava disposta a outro estágio de três meses ou a trabalhar 12 horas ou mais – que era o que acontecia – a recibos verdes », conta.

Em Londres, alojou-se por um mês num Airbnb, pediu o número da Segurança Social britânica e começou à procura de trabalho. « Demorou mais ou menos três semanas. » Após três entrevistas, escolheu ficar numa loja de materiais de construção, na caixa. Rapidamente, passou para helpdesk e para a gestão da carteira dos clientes. Tudo, « em oito meses ». « Uma coisa muito comum na vida profissional em Inglaterra é que sentimos que é muito fácil crescer, mesmo que seja num simples trabalho de loja. »

Depois, esteve no Consulado Geral de Portugal em Londres a trabalhar num novo departamento de apoio a portugueses com dúvidas sobre o Brexit. « As condições não eram tão boas. O ordenado era pago pelo Estado português. Mas era um novo desafio. » E tinha « voltado de certa forma a Portugal ». « A informação que nos chegava lá era a de que as coisas em Portugal já não estavam tão más. » Tinha também um namorado, português. Fizeram planos: « Casar e, mais tarde, ter um bebé. » E regressaram.

As coisas estavam mesmo melhores? « Arranjei trabalho passados três meses de cá estar. Comecei a trabalhar na área de marketing. Confirmei aquilo de que suspeitava, que as coisas estavam a ficar mais estáveis. Claro que as condições não eram tão agradáveis como em Londres, mas permitiam-me estar junto da minha família e fazer o que vinha fazer. » Progredir no trabalho no entanto demora mais tempo. « Não é que não nos reconheçam, mas há menos por onde escalar. As empresas são mais pequenas, não há tantos patamares de carreira. »

« Uma espécie de Hollywood da dança do ventre « 

Susana Cardoso voltou a Portugal em 2014, último ano da troika, obrigada, e com saudades não tanto do país mas da liberdade após dez anos no Egito, país onde tem parte da família. A revolução no país tinha acontecido três anos antes e obrigado ao repatriamento de muitos portugueses. Susana insistiu um pouco mais. Mas voltou. « A crise foi lá. Ninguém se entendia », recorda.

É gestora de tecnologia de informação numa multinacional e foi-o também no Cairo. Mas sobretudo é conhecida no Egito por dançar. É bailarina de danças orientais e dançou com os maiores no Egito. Fala das bailarinas Raquia Hassan e Dina, do coreógrafo Mahmoud Reda. Estava no sítio certo. « É uma espécie de Hollywood da dança do ventre e é lá que as bailarinas são mesmo profissionais. » « O sonho de qualquer bailarina oriental é ser reconhecida no mundo árabe. Lá é o topo e abre-nos as fronteiras. Foi assim que eu fui para França, para a Alemanha. Somos reconhecidos por sermos profissionais no Egito. »

Se foi no Cairo que mais se realizou como bailarina profissional – tinha inclusivamente uma banda própria que a acompanhava -, ainda assim o regresso começou a acenar-lhe. Havia saudades do país, da família que estava em Portugal, da natureza, « porque lá só se vê areia ». E mesmo com as dificuldades que o país vivia então, oferecia qualidade de vida: « Poder ter a liberdade de sair à rua, de usar uma manga curta e ninguém olhar, de ir à praia – coisa que não existe lá. »

Faz em Portugal o que fazia no Egito, sem grandes diferenças, ainda que tenha posto um pouco a dança de parte. Mas quando lhe falam em apoios ao regresso do emigrante, desconfia. « Não é com benefícios fiscais que vão lá. Os salários lá fora são muito diferentes, mesmo no Egito. O salário mínimo em Portugal é muito baixo. Se não tivesse tido a proposta de trabalho para a empresa onde estou hoje, não regressava. As rendas são muito caras. » E não põe de parte voltar a sair. « Por agora, não. Embora eu mantenha a minha casa no Egito e não a queira vender. Significa que ainda há algo que me diz que qualquer dia… »

« O que é que neste país não é difícil? »

Victor Ferreira só viu ao longe o Portugal de entre 2011 e 2014. Saiu um ano antes. Voltou um ano depois. Deixou a produtora de audiovisual onde trabalhava e partiu para Buenos Aires, Argentina, para estudar Cinema. »Nunca se está totalmente satisfeito. Não estava mal, mas estava a precisar de mudar. Sentia-me estagnado, mas a questão era pessoal, de me desafiar », recorda.

O percurso lá não foi difícil, mesmo sem ser desafogado. Trabalhava e estudava. « Estava a fazer coisas muito mais parecidas com aquilo que eu quereria fazer enquanto estava cá, também por estar a estudar e ter conhecido as pessoas que conseguiram introduzir-me nessa área. » E nos últimos dois anos « já teria uma qualidade de vida se calhar maior do que aqui ». É difícil comparar. Lá, por exemplo, era mais fácil viver apenas com a namorada. Algo que não acontece agora. Em Lisboa, já regressado, Victor tem de partilhar casa com outras pessoas.

No deve e haver, diz que ganhou na Argentina « formação, experiência com as pessoas, viajar ». Admite que podia ter viajado mais, mas os amigos que fez ficaram, e visitam-no. Também lhe dizem para voltar. Ganhou assim também « um calor bom ». Mas precisava de « voltar para pensar no que queria fazer ». Ainda « demora voltar a encaixar em casa ».

Mas criou com amigos uma produtora. « Tentamos focar-nos mais em cinema. Acabámos de estrear um documentário no Indie Lisboa, mas fazemos de tudo, desde imagem institucional a trabalho publicitário. » Também estreiam neste ano uma série de animação num dos canais da RTP. É difícil? « É. O que é que neste país não é difícil? », devolve. E o mais difícil de tudo na área em que trabalha é « conseguir assegurar um fluxo de trabalho que assegure o dinheiro que permita ter qualidade de vida. Requer mesmo muitas horas de trabalho ». Além disso, há que trabalhar num « país hipercentralizado onde as coisas se passam em Lisboa e pouco mais ». E Lisboa é cara. Neste momento, a produtora de Victor está no Centro de Inovação da Mouraria. « Permite ter um espaço e com boas condições, a um preço fixe. »

É o sítio onde Victor está, por agora, a meio caminho ainda de Buenos Aires ou de qualquer outro lugar. « Fica sempre o bichinho de ir para um sítio novo onde ninguém te vai conhecer, onde tu não conheces ninguém, de ser tudo novo – incrível ou não. »

Para que estas histórias não se repitam e Portugal não perca uma nova geração de jovens, os mais qualificados de sempre, o governo lançou, no ano passado, o programa Regressar.

Inclui incentivos fiscais para quem retorne em 2019 e 2020 e medidas ainda em preparação para baixar os custos da deslocação de volta a Portugal. Victor e muitos outros chegaram cedo de mais para beneficiar das medidas.

Ainda não há um balanço do programa. Mas se não for bom para Victor, será pelo menos bom para Portugal. « Num país que está tão envelhecido, que precisa tanto de pessoas que queiram mudar as coisas e empreender – todas essas coisas que se dizem agora -, só faz sentido existirem incentivos » para que os emigrantes regressem depois dos anos negros da troika.

 

Por Maria Caetano / dn.pt