Violência doméstica na base de 37% dos homicídios ocorridos em 2018 em Portugal

Mulheres que foram mortas não estavam referenciadas antes pela APAV, o que significa que muitas das vítimas “continuam a sofrer em silêncio”.

Dos 87 homicídios registados em 2018 em Portugal, 32 (37%) tiveram como ponto em comum a existência de violência doméstica, sendo que em 20 destes casos as vítimas foram mulheres. Esta é uma parte da realidade mostrada pelo Observatório de Imprensa de Crimes de Homicídio em Portugal e de Portugueses Mortos no Estrangeiro (OCH) num relatório divulgado nesta segunda-feira e que tem 2018 como ano de referência.

O que estes dados mostram é que 23% dos casos de homicídio tiveram mulheres como alvo e que estas foram mortas por homens com quem viviam ou tinham vivido. Esta estatística negra arrisca-se a ser ultrapassada em 2019 já que só nos primeiros meses do ano foram mortas mais de 10 mulheres em contexto de violência doméstica.

O OCH é uma estrutura da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) que colige a informação relativa a crimes de homicídio reportada pela imprensa, televisões e rádios nacionais e locais.

Estes dados são utilizados pela Rede de Apoio a Familiares e Amigos de Vítimas de Homicídio e Vítimas de Terrorismo (RAFAVHVT), também ligada à APAV, com o objectivo, entre outros, de aferir se os casos reportados pela imprensa dizem respeito a pessoas que já antes estavam referenciadas.

Primeira conclusão: em 2018 nenhuma das vítimas dos homicídios resultantes de violência doméstica estava a ser acompanhada antes pela APAV. “O facto de não haver processo de apoio relativo a estas vítimas tranquiliza a instituição pelo trabalho que tem vindo a fazer para proteger as inúmeras pessoas que pedem apoio à APAV, mas por outro lado mostra que muitas vítimas continuam a sofrer em silêncio, tornando a sua vitimação conhecida da sociedade, infelizmente, quando o crime de homicídio já foi realizado”, destaca-se no relatório.

É o que se passa também com as vítimas de homicídio de forma tentada: “11 em 28 vítimas acompanhadas pela APAV mantinham uma relação de intimidade com o agressor, começando a ser acompanhadas apenas após ter havido uma tentativa de homicídio”.

Este grupo (vítimas de homicídio tentado) está em maioria nos processos de apoio da APAV e representa 25% dos utentes da RAFAVHVT. Quanto aos homicídios consumados, esta rede presta sobretudo apoio a pessoas que tinham uma relação de parentesco com a vítima – filhos (36%), pais (26%) e irmãos (18%).

Ainda sobre os homicídios consumados, foi possível constatar que em 62% dos casos os seus alegados autores são do sexo masculino. As mulheres foram responsáveis por 8,4% destes crimes. Em cerca de 30% não foi possível apurar o autor do crime. Dos 87 homicídios consumados registados em 2018, em 20% o autor do crime e a vítima “apesar de não manterem nenhuma relação íntima, conheciam-se por serem familiares, vizinhos ou colegas de trabalho”.

As mulheres representam também a maioria dos utentes apoiados pela RAFAVHT tanto nos homicídios tentados (66%), como nos consumados (74%).

Alfa/Público

Europeias: Maioria dos candidatos recusa fim da unanimidade na fiscalidade e política externa

A maioria das candidaturas às eleições europeias quer a continuação da regra da unanimidade, sobretudo na política externa, mas PS e PSD defendem que só decisões por maioria permitirão combater a evasão e o ‘dumping’ fiscal.

Em resposta à pergunta enviada pela agência Lusa, questionando todas as candidaturas sobre o fim da unanimidade em matérias fiscais e de política externa, apenas o cabeça de lista do PDR, Marinho e Pinto, respondeu afirmativamente e sem reservas para ambas as áreas.

O socialista Pedro Marques admitiu o fim da unanimidade como forma para combater os bloqueios a “medidas de combate à fraude e à elisão fiscal” na União Europeia, e com vista a uma “aproximação das bases fiscais, impedindo as grandes multinacionais de promoverem concorrência fiscal entre os Estados-membros”.

O cabeça de lista do PSD, Paulo Rangel, declarou recusar a alteração da regra da unanimidade em matérias fiscais, sublinhando que a criação de impostos é sempre uma decisão que obriga à intervenção dos parlamentos nacionais, mas admitiu que “pode merecer ponderação” no domínio da “competição fiscal” entre os estados membros, considerando “negativo para Portugal” o “’dumping’ fiscal” exercido pelos regimes fiscais da Irlanda, Holanda, Áustria, Malta e Luxemburgo.

Entre os 14 candidatos que responderam às questões da Lusa, apenas Marinho e Pinto, do PDR, respondeu que concorda com o fim do princípio da unanimidade tanto na política externa como em matérias fiscais, sustentando que “a democracia assenta no princípio da maioria” e “só quem tem medo da mudança e da democracia é que quer a regra da unanimidade”, considerando que o fim daquela regra é “uma das mais urgentes reformas no funcionamento dos órgãos” da União.

A candidatura da CDU, encabeçada pelo comunista João Ferreira, considera que a unanimidade é “fundamental para assegurar um genuíno processo de cooperação”, sendo um “instrumento imprescindível de defesa dos interesses de Portugal”, que deve mesmo “lutar para recuperar a regra da decisão por unanimidade em áreas fundamentais para a salvaguarda dos interesses do país onde esta deixou de se aplicar”, sem especificar quais.

O cabeça de lista do CDS-PP, Nuno Melo, sublinhou que só com a regra da unanimidade “os países pequenos e médios asseguram que alguns outros apenas, mesmo se em maioria, não ponham em causa os seus interesses vitais”, e volta a acusar PS e PSD de defenderem a “criação de uma máquina tributária em Bruxelas”, reiterando que ambos votaram o “documento que, sobre o futuro da Europa, prevê impostos europeus e o fim da unanimidade em matéria fiscal e de política externa”.

Marisa Matias, que lidera a lista do BE, argumentou que, “o fim do princípio da unanimidade é contestável sob vários pontos de vista, sobretudo num contexto em que, após a aprovação do Tratado de Lisboa, os países deixaram de ter o mesmo peso nas votações”, frisando, contudo, que “vale a pena pensar em medidas que permitam uma real e eficaz combate à fraude, evasão e elisão fiscais”.

Pelo PAN, o cabeça de lista, Francisco Guerreiro, argumentou que, para avançar em matérias como a “implementação de determinados impostos, sobre as transações financeiras, e sobre as grandes indústrias e sectores emissores de CO2 e metano, deve, pelo menos, haver uma maioria alargada, quando não haja unanimidade”, ressalvando que, “caso o tema se refira em concreto e especifico a um determinado país, este deve ter direito de veto”.

O PCTP-MRPP, que tem Luís Júdice como primeiro candidato, considerou que não é a regra que faz a decisão justa, pugnando pelo “princípio da decisão soberana que só ao país e ao seu povo cabem”.

Já Rui Tavares, do Livre, sublinhou a defesa do fim dos paraísos fiscais, e considerou que “o fim da unanimidade apenas faz sentido após a democratização das instituições”, afirmando que, “num contexto em que todos os legisladores são eleitos, e em que o Conselho deixe de legislar com recurso a embaixadores e passe a ser um verdadeiro senado, haverá legitimidade para que a União Europeia fale a uma só voz em questões de política externa”.

O fim dos paraísos fiscais é um exemplo dado por Paulo Sande, do Aliança, de uma matéria em que a unanimidade impede mudanças. Contudo, pensa que “não é o momento adequado” para alterar a regra, porque o “reforço de políticas supranacionais fragilizaria ainda mais a coesão europeia, dando fôlego aos nacionalismos e euroceticismos”, sendo necessário às instituições “completar a união monetária, voltar ao caminho da convergência e a ser um projeto de sucesso”.

O Iniciativa Liberal, que concorre com uma lista liderada por Ricardo Arroja, pensa que a unanimidade deve ser mantida em matéria fiscal e de política externa e que “Portugal seria dos países que teria mais a perder se não fosse mantida”.

O partido Nós Cidadãos, que está na corrida ao Parlamento Europeu com uma lista liderada por Paulo Morais, defendeu que, “acabando a regra da unanimidade, os países mais ricos e poderosos imporão a sua vontade aos restantes”, para além de uma sobreposição dos “interesses das grandes corporações aos dos cidadãos europeus livres”.

A coligação Basta (PPM/PPV/CDC), encabeçada por André Ventura recusa igualmente o fim da regra: “Afinal queremos a União Europeia para aprofundar a coesão, a solidariedade e a afirmação política externa ou para afundar ainda mais os cidadãos em impostos?”, questiona.

O MAS (Movimento Alternativa Socialista), com uma lista encabeçada por Vasco Santos, argumentou que “o fim da unanimidade pressuporia a definição prévia de objetivos consensualmente aprovados”, e que, “sem essa definição de objetivos não há lugar a políticas comuns, e logo a qualquer processo de decisão”.

A Lusa enviou um questionário a todas as 17 candidaturas às eleições de 26 de maio ao Parlamento Europeu. PNR e PTP não responderam, tendo o PURP declarado que não respondia como protesto pelo tratamento que alega estar a receber da comunicação social.

Alfa/LUSA

Benfica vence fora Rio Ave (3-2) e fica a um ponto do 37º título de campeão nacional

O Benfica colocou-se hoje a um ponto de conquistar o seu 37º título de campeão nacional de futebol, ao vencer fora o Rio Ave por 3-2, em encontro da 33ª e penúltima jornada.

Rafa, aos três minutos, João Félix, aos 45+2, e Pizzi, aos 56, apontaram os tentos dos ‘encarnados’, que somaram o 18º jogo consecutivo sem perder (17 vitórias e um empate), em 18 jogos sob o comando de Bruno Lage, e o oitavo triunfo consecutivo.

Pelo conjunto de Vila do Conde, que se manteve com 42 pontos, no oitavo lugar, marcaram Tarantini, aos 50 minutos, e o suplente Ronan, aos 84.

Os ‘encarnados’, que passaram a contar 84 pontos e 99 golos, só precisam de empatar na receção ao Santa Clara, numa última ronda em que o ainda campeão FC Porto, que está a dois pontos, é anfitrião do Sporting, terceiro.

 

Resultados da 33ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 10 mai:

Desportivo das Aves – Moreirense, 0-1 (0-0 ao intervalo)

– Sábado, 11 mai:

Portimonense – Marítimo, 3-2 (1-2)

Santa Clara – Feirense, 4-4 (2-3)

Boavista – Sporting de Braga, 4-2 (3-2)

Sporting – Tondela, 1-1 (1-0)

– Domingo, 12 mai:

Vitória de Guimarães – Belenenses, 5-1 (0-0)

Desportivo de Chaves – Vitória de Setúbal, 1-2 (0-2)

Nacional – FC Porto, 0-4 (0-2)

Rio Ave – Benfica, 2-3 (0-2)

 

Alfa/Lusa.

 

 

Sporting campeão europeu de hóquei em patins 42 anos depois

O anfitrião Sporting conquistou hoje, 42 anos depois, o seu segundo título de campeão europeu de hóquei em patins, ao bater na final o FC Porto por 5-2, numa ‘final four’ disputada no Pavilhão João Rocha, em Lisboa.

Toni Pérez, Vítor Hugo, Ferran Font (dois) e Gonzalo Romero marcaram os tentos do conjunto ‘leonino’, que já vencia por 4-1 ao intervalo e repetiu o título de 1976/77, na sua terceira presença na final.

Por seu lado, Reinaldo Garcia e Gonçalo Alves faturaram para os ‘dragões’, que perderam a sua 12.ª final, e 10.ª consecutiva, para apenas dois triunfos, em 1985/86 e 1989/90.

Além de Sporting e FC Porto, também o Benfica conta dois títulos europeus (2012/13 e 2015/16), enquanto o Óquei de Barcelos arrebatou, em 1990/91, o outro de Portugal, que tem agora sete, contra 46 da Espanha, 22 dos quais do FC Barcelona.

 

https://twitter.com/Sporting_CP/status/1127651674259111936

 

Alfa/Lusa.

FC Porto despromove Nacional e é líder provisório da I Liga

O FC Porto ascendeu hoje, provisoriamente, à liderança da I Liga portuguesa de futebol, ao golear fora por 4-0 e despromover o Nacional, em encontro da 33ª e penúltima jornada.

Alex Telles, aos 14 minutos, Óliver, aos 28, Corona, aos 59, e Marega, aos 88, de penálti, apontaram os tentos dos ‘azuis e brancos’, agora com 82 pontos, mais um em relação ao Benfica, que defronta ainda hoje o Rio Ave, em Vila do Conde.

Por seu lado, o Nacional, que somou o nono encontro consecutivo sem ganhar (dois empates e sete derrotas), manteve-se com 28 pontos e já não se pode manter na I Liga, um ano depois de ter subido, ao vencer a edição 2017/18 da II Liga.

 

Resultados da 33ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 10 mai:

Desportivo das Aves – Moreirense, 0-1 (0-0 ao intervalo)

– Sábado, 11 mai:

Portimonense – Marítimo, 3-2 (1-2)

Santa Clara – Feirense, 4-4 (2-3)

Boavista – Sporting de Braga, 4-2 (3-2)

Sporting – Tondela, 1-1 (1-0)

– Domingo, 12 mai:

Vitória de Guimarães – Belenenses, 5-1 (0-0)

Desportivo de Chaves – Vitória de Setúbal, 1-2 (0-2)

Nacional – FC Porto, 0-4 (0-2)

Rio Ave – Benfica, 21:00.

 

Alfa/Lusa.

Manchester City sagra-se bicampeão inglês

O Manchester City sagrou-se hoje campeão inglês de futebol pela sexta vez, a segunda consecutiva, ao vencer por 4-1 no estádio do Brighton, em jogo da 34ª e última jornada da liga.

Os ‘citizens’ até estiveram a perder, na sequência do golo marcado aos 27 minutos por Glenn Murray, mas deram a volta ainda antes do intervalo, com golos do argentino Sergio Aguero, aos 28, e do francês Aymeric Laporte, aos 38, tendo aumentando a vantagem durante a segunda parte, pelo argelino Riyad Mahrez, aos 63, e o alemão Ilkay Gundogan, aos 72.

Apesar ter ficado em ‘branco’, o avançado internacional português Bernardo Silva foi na época 2018/19 uma das principais referências do Manchester City, que revalidou pela primeira vez o título, terminando o campeonato com um ponto de vantagem sobre o Liverpool, cuja vitória por 2-0 alcançada hoje na receção ao Wolverhampton se revelou insuficiente.

A equipa treinada pelo espanhol Pep Guardiola, que conquistou o segundo título inglês consecutivo, 26.º da carreira, já se tinha sagrado campeã em 1936/37, 1967/68, 2011/12, 2013/14 e 2017/18, passando a totalizar seis troféus, ainda longe do recordista da prova, o rival citadino Manchester United, com 20.

 

https://twitter.com/BernardoCSilva/status/1127609372383809536

 

Alfa/Lusa.

Sporting ‘despede-se’ da Liga dos Campeões, ao empatar com Tondela (1-1)

O Sporting perdeu hoje qualquer hipótese de chegar ao segundo lugar da I Liga portuguesa de futebol, e aceder à Liga dos Campeões, ao empatar 1-1 na receção ao Tondela, na 33ª e penúltima jornada.

A formação ‘leonina’, que jogou com 10 unidades desde os 37 minutos, por expulsão de Ristovski, adiantou-se aos seis, num penálti de Bruno Fernandes, que passou a contar 20 golos na prova, mas Tomané restabeleceu a igualdade, aos 67.

Na classificação, os ‘leões’, que vinham de nove triunfos consecutivos, passaram a somar 74 pontos, menos cinco do que o FC Porto, segundo classificado, que já não podem alcançar, pois só têm um jogo por disputar, precisamente no reduto dos ‘dragões’.

Por seu lado, o Tondela igualou, provisoriamente, o Desportivo de Chaves no 15º lugar, mantendo-se na corrida à manutenção, até porque recebe os transmontanos na última ronda.

 

Resultados da 33ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 10 mai:

Desportivo das Aves – Moreirense, 0-1 (0-0 ao intervalo)

– Sábado, 11 mai:

Portimonense – Marítimo, 3-2 (1-2)

Santa Clara – Feirense, 4-4 (2-3)

Boavista – Sporting de Braga, 4-2 (3-2)

Sporting – Tondela, 1-1 (1-0)

– Domingo, 12 mai:

Vitória de Guimarães – Belenenses, 16:00

Desportivo de Chaves – Vitória de Setúbal, 16:00

Nacional – FC Porto, 18:30

Rio Ave – Benfica, 21:00.

 

Alfa/Lusa.

Sporting de Paris conquista pela sexta vez a Taça de França de Futsal, ao golear o Garges Djibson por 7-1

O Sporting Clube de Paris conquistou este sábado a Taça de França de Futsal, ao golear na final, o Garges Djibson por 7-1.

O encontro teve lugar em Blois, a 180 km a sul de Paris e ao intervalo a equipa presidida por José Lopes já vencia por 3-1.

Esta é a sexta vitória na Taça de França, depois das conquistas em 2010, 2011, 2012, 2013 e 2015 da equipa ligada à comunidade portuguesa de França e filial do Sporting clube de Portugal.

A Rádio Alfa falou depois do jogo com David de Clercq, do Sporting clube de Paris:

 

 

https://twitter.com/ParisSporting/status/1127269762894041091

 

 

Ananás e chá dos Açores dão origem a novas cervejas artesanais

Uma cervejaria do Minho criou cervejas artesanais com sabores dos Açores, uma com ananás e outra com chá preto, e a adesão tem sido positiva, segundo o co-proprietário da Letra, Francisco Pereira.

“Este primeiro lote destas duas cervejas acredito que esteja praticamente já a acabar. Eventualmente, teremos de repetir em breve”, avançou, em declarações à agência Lusa, o responsável pela fábrica de cerveja artesanal Letra, de Vila Verde, Braga.

O desafio partiu do distribuidor da Letra no arquipélago, Azbeer Meet, e o ananás foi uma escolha óbvia.

“Chegámos facilmente ao ananás, quer pela vertente das diferentes plantações de ananás e pelo facto de ser um produto que os turistas visitam e bastante característico dos Açores”, contou Francisco Pereira.

A Gorreana, dona da única plantação de chá da Europa, também se juntou à parceria e a escolha da Letra recaiu no chá preto por ser “mais aromático” e “com notas mais frutadas”.

“As cervejas são efetivamente bastante diferentes do normal. No caso da de ananás, é mesmo um sumo de ananás. É uma cerveja com 4,5% de álcool, muito leve, e tem uma carga aromática e tropical do ananás muito forte. Mesmo a pessoa que não goste de cerveja normal vai gostar desta cerveja. No caso da Gorreana é uma cerveja muito leve, muito neutra, e só se nota mesmo a particularidade de ter aquelas notas mais frutadas da variedade de chá que selecionámos”, salientou o co-proprietário da Letra.

Criada em 2013, a cervejaria minhota já criou cerca de 50 cervejas diferentes e, segundo Francisco Pereira, a procura por cervejas artesanais em Portugal é “cada vez maior”.

Com um primeiro lote de 1.000 litros (3.000 garrafas), a Letra pretende com as cervejas de ananás e chá preto projetar a marca nos Açores, mas também valorizar os produtos açorianos junto do mercado nacional e dos turistas.

“O mercado dos Açores é um mercado pequeno, mas neste momento a Letra tem venda há cerca de um ano, temos cerca de 40 clientes, e é um mercado que está a crescer, principalmente pelo facto de existir cada vez mais turismo nos Açores”, frisou o empresário.

Segundo Francisco Pereira, a Azores Juicy IPA (India Pale Ale) e a Gorreana APA (American Pale Ale) têm despertado a curiosidade nos Açores e a cervejeira está já a pensar em aumentar a produção.

“Cada vez mais espaços estão a adquirir, por serem duas cervejas que os açorianos têm vontade de experimentar, porque são feitas com produtos dos Açores”, salientou.

Alfa/Lusa

Europeias: Maioria das candidaturas a favor de rápida reforma da lei de asilo na UE

A maioria dos partidos candidatos às eleições europeias de 26 de maio defende uma reforma da lei de asilo na União Europeia que assegure o acolhimento de refugiados e o controlo dos migrantes.

Em resposta a questões enviadas pela Lusa a todas as candidaturas, PS, PSD, CDS-PP, BE, PDR, Livre, PAN, Aliança, Iniciativa Liberal, Nos, Cidadãos!, MAS e BASTA! defendem a importância ou mesmo a urgência de uma política europeia de acolhimento.

Para a CDU, pelo contrário, a política europeia para os refugiados e migrantes é desumana e os países devem ser soberanos nessa matéria.

“Portugal deve […] assumir o seu dever humanitário indeclinável de acolhimento dos refugiados e implementar uma política integrada e solidária para as migrações, ao mesmo tempo que reforça as suas políticas de fronteiras e combate sem tréguas o tráfico de seres humanos”, defende o PS, cuja lista é encabeçada por Pedro Marques.

Para os socialistas, esta é a abordagem “justa e equilibrada”, que passa igualmente por “promover a integração efetiva dos refugiados” e “desenvolver uma forte política de cooperação para o desenvolvimento e estabilização política de África”.

Para o PSD, cujo cabeça de lista é Paulo Rangel, “todo o sistema europeu comum de asilo tem de ser refundado”, para “harmonizar os critérios para reconhecimento do estatuto de refugiado, as normas processuais e as condições de acolhimento”, “criar uma Agência Europeia para o asilo com meios suficientes para ajudar Estados-Membros em dificuldades” e “reforçar o mecanismo de reinstalação de refugiados de países terceiros para a União em parceria com a comunidade internacional”.

Rangel também considera “fundamental” rever o Regulamento Dublin, segundo o qual os pedidos de asilo devem ser analisados no Estado pelo qual o refugiado entrou no espaço europeu, para que passe a prever “uma redistribuição automática e centralizada dos requerentes de asilo por toda a União”.

O CDS-PP e o seu “número um” às europeias, Nuno Melo, são também partidários de “novas regras” europeias, tendo em conta “novas realidades” e “a obrigação legal que impende sobre o primeiro país de inscrição”, na origem de “casos de vários pedidos de asilo por parte das mesmas pessoas, por vezes gerando situações de múltiplas identidades falsas”, causadores de “riscos e incerteza jurídica”.

“Simultaneamente, tem de se tratar diferentemente o que é diferente. Uma coisa são requerentes de asilo, outra coisa são migrantes. Esta distinção, permitirá conceder aos verdadeiros requerentes de asilo, em muitíssimo menor número que os migrantes, a adequada proteção e a boa gestão de recursos sempre escassos”, defenderam igualmente os centristas.

Marinho e Pinto, cabeça de lista do Partido Democrático Republicano (PDR), também defendeu a aprovação, “rapidamente”, de “uma política comum quanto ao asilo e à imigração”, como quanto “a muitas outras áreas”, mas frisou que “isso não resolverá o problema dos refugiados”.

“Esta questão só será resolvida com um programa de investimento em África que ponha fim à miséria que cada vez é maior em muitos dos seus Estados”, afirmou, considerando que “a posição que Portugal tem adotado nesta matéria é correta”: “Como país de emigrantes não tratamos os imigrantes como cidadãos de segunda categoria, mas também não podemos ter as nossas fronteiras (e as da Europa) escancaradas”, sustentou.

Entre os que defendem a revisão de Dublin está igualmente o BE, e a cabeça de lista do partido, Marisa Matias, para quem o assunto “já ultrapassou qualquer definição de urgência”, mas não teve, apesar disso, “uma resposta de solidariedade” da UE.

O BE critica nomeadamente que a UE tenha antes decidido “investir o seu tempo e o seu dinheiro na construção e alargamento da fortaleza Europa em vez de encontrar soluções solidárias e de acolhimento”, privilegiando “uma resposta securitária em detrimento da solidariedade”, como no caso dos acordos assinados com a Turquia e a Líbia “para que não deixassem os refugiados chegar à Europa”, a criminalização das “operações de busca e salvamento no Mediterrâneo” ou “o tratamento desumano infligido por vários governos dos seus Estados Membros aos refugiados”.

Contra uma política europeia destaca-se a CDU, que tem como cabeça de lista João Ferreira, para quem o problema dos refugiados “é consequência das guerras de agressão que a UE apoiou e apoia – Afeganistão, Iraque, Líbia ou Síria”, pelo que a gestão do problema passa pelo “fim da ingerência e da agressão e efetivas políticas de cooperação no respeito pela soberania dos Estados”.

Para os comunistas, a questão deve ser tratada a nível nacional e não europeu: “A UE tem uma política para os refugiados e migrantes cada vez mais desumana, seletiva e exploradora, de que é exemplo o acordo UE/Turquia. Portugal deve ser soberano quanto à política de asilo e de imigração, no cumprimento da Constituição e da aplicação da legislação nacional pertinente”, defendem.

Entre os candidatos que não têm atualmente representação no Parlamento Europeu (PE) há igualmente consenso quanto à necessidade de uma política europeia de asilo, com a única exceção do PCTP/MRPP.

Paulo Sande, da Aliança, defende que “a Europa foi sempre um continente de acolhimento e asilo” e “deve continuar a sê-lo”, frisando que “o número de refugiados que se instalam na Europa continua a ser muito baixo”, o que não invalida, afirma, que haja “um problema verdadeiro” que “é essencial” encarar para não alimentar “a demagogia enganadora dos partidos radicais”.

A resposta, aponta, passa por resolver “a questão da distribuição do esforço de acolhimento entre os Estados-membros”, “agilizar o processo de identificação dos casos de falsos refugiados e de reenvio para os países de origem” e manter “o apoio aos países de onde provêm a esmagadora maioria dos refugiados.

O PAN, que tem como cabeça de lista Francisco Guerreiro, defende que “o sistema europeu de asilo deve ser reformulado e melhorado” e considera “urgente que a UE tome uma posição”, que “rejeite visões” extremistas e “promova a partilha de responsabilidades”.

“Defendemos acima de tudo inclusão e responsabilidades partilhadas, tal como políticas económicas e comerciais mais justas entre a UE e terceiros, de modo a garantir estabilidade e segurança nos países de origem migratória”, defende.

O Livre, e o seu “número um”, Rui Tavares, consideram “prioritário” rever a política de asilo e a convenção de Dublin, frisando que “Portugal deve estar do lado da defesa de um Sistema Europeu Comum de Asilo” que “acabe com o sistema ‘hotspot’ de controlo de migrantes em países terceiros através de centros de detenção” e “deve assumir a liderança no que à proposta de revisão da Convenção de Dublin diz respeito”.

Ricardo Arroja, cabeça de lista da Iniciativa Liberal, qualifica de “essencial” um “programa de asilo” europeu para lidar com uma “questão de princípios” e “de direitos humanos” como a dos refugiados e defende que esse programa “deve envolver a negociação de acordos de devolução com países terceiros, no âmbito da luta contra a fraude nos pedidos de asilo”, e “provavelmente envolver também um reforço de fundos para o eixo de segurança e cidadania”.

O Movimento Alternativa Socialista (MAS), que tem como cabeça de lista Vasco Santos, defende a definição de “uma política de acolhimento de refugiados” que dê “resposta às necessidades reais de quem foi forçado […] a fugir do seu país” e considera “secundária” a “questão de como proceder à distribuição de refugiados pelos países da UE” perante a urgência de “impedir, desde já, que continuem a morrer seres humanos pobres” no mar do mediterrâneo.

Paulo Morais, que encabeça a lista de candidatos do Nós, Cidadãos!, defendendo que os refugiados devem ser acolhidos “com humanidade”, “conforto e dignidade”, ao abrigo de uma política que preveja o seu repatriamento “logo que resolvidos os problemas que justificaram a sua fuga”, enquanto em relação aos imigrantes defende que “as entradas na Europa devem ser reguladas” e “a forma de circulação (livre ou restrita) regulada pelos tratados já em vigor, nomeadamente o Acordo de Schengen”.

André Ventura, cabeça de lista da coligação BASTA!, considera que o tema “demonstra bem o quão ineficiente” a UE pode ser e afirma ser “evidente” a necessidade de criar “procedimentos rápidos e eficazes para receber e integrar, da melhor forma possível, os refugiados” e, ao mesmo tempo, “reforçar o controlo de fronteiras” para “acabar com a bandalheira” a que, afirma, “se tem assistido”, em que “toda a gente entra e anda livremente pela Europa”.

O PCTP/MRPP, cuja lista é encabeçada por Luís Júdice, atribui o problema a conflitos militares “consequência da intervenção imperialista”, considera que “não se pode esperar que aqueles que promovem e apoiam as guerras sejam os mesmos que estarão dispostos” a resolvê-lo e atribui a abertura de alguns países para acolher migrantes “à necessidade “de repor os ‘stocks’ de mão de obra barata e indiferenciada”, defendendo em alternativa “a unidade entre operários e trabalhadores que, em cada país europeu deve impor uma política de acolhimento sem reservas”.

 

Alfa/LUSA