Conferência, esta terça-feira, na Gulbenkian de Paris, sobre ingerências e desinformação nas eleições europeias.
Volte a ouvir aqui a crónica de segunda-feira de Miguel Magalhães, diretor da delegação da Fundação na capital francesa:
Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Sporting deu conta da “revogação, por mútuo acordo, do contrato de trabalho desportivo celebrado” com o avançado de 32 anos.
“Este é um dia entusiasmante para a nossa organização. O Nani confere tremenda experiência ao nosso plantel. Ele é um extremo dinâmico com qualidade técnica para transportar e cruzar a bola, com impacto no jogo e liderar o ataque”, afirmou o diretor para o futebol dos Orlando City Luiz Muzzi, citado pelo clube norte-americano.
De acordo com os Orlando City, Nani chegou a custo zero ao emblema norte-americano, pelo qual assinou um contrato válido por três temporadas.
« São 141 jogos, 33 golos, três troféus oficiais e uma certeza: foi um orgulho ver-te com as nossas cores. Alvalade é, sempre foi, e sempre será a tua casa. Obrigado e boa sorte, Nani », lê-se no Twitter oficial do Sporting.
https://twitter.com/OrlandoCitySC/status/1097536365330382848
Alfa/Lusa.
O dia 19 de fevereiro será perfeito para contemplar o satélite natural da Terra. Depois da Super Lua de Sangue, vem aí a Super Lua de Neve.

Este é o nome dado no hemisfério norte à primeira Lua cheia de fevereiro, época das tempestades de neve nesta região.
O evento não é tão raro como o fenómeno astronómico do mês passado, um eclipse lunar total que coincidiu com a Lua estar no ponto mais próximo da Terra. Mas será imperdível, pois será a maior Super Lua do ano — e a estimativa é que só em 2026 o satélite apareça tão grande como terça-feira.
O fenómeno será visível na terça-feira (19 de fevereiro) e a Lua estará na sua plenitude enquanto estiver a uma distância de cerca de340 mil quilómetros da Terra — 27,4 mil quilómetros mais próxima que a distância média, de acordo com o USA Today. A Super Lua ficará especialmente bonita durante o seu “nascimento” pelas 19h17 (hora de Paris).
A Super Lua ocorre quando a Lua cheia coincide com o perigeu lunar, que faz com que a Lua pareça 14% maior e 30% mais brilhante do que o normal.
“Quando a Lua cheia aparece no perigeu [o ponto mais próximo da Terra] é ligeiramente mais brilhante e maior do que uma Lua cheia normal — e é aí que obtemos uma Super Lua”, explica a NASA.
Conhecida já há milhares de anos, a Lua de Neve também é chamada de Lua de Tempestade e Lua de Fome. Entre as tribos indígenas norte-americanas, a Super Lua de fevereiro era usada para acompanhar as mudanças das estações.
Uma famosa edição americana, chamada “The Old Farmer’s Almanac”, indica que os povos indígenas do sudeste da América do Norte se referiam ao satélite natural de fevereiro como a “Lua de Osso”.
“A Lua de Osso significava que havia tão pouca comida que as pessoas roíam ossos e comiam sopa de medula óssea“, explica o almanaque.
Além disso, o novo eclipse lunar acontecerá um mês após a Super Lua de Sangue, ocorrida no dia 21 de janeiro e que foi visível no mundo inteiro, dando origem a uma variedade de profecias baseadas em previsões bíblicas.
Espera-se que a próxima Super Lua ocorra no dia 21 de março, mas não será tão grande como a Lua de Neve.
“Grotesto”, titula o jornal Sport Piacenza depois de um jogo do terceiro escalão do futebol italiano ter terminado 20-0.
O Pro Piacenza entrou em campo com seis rapazes, um deles de 15 anos, e um massagista (para completar o número mínimo de jogadores em campo) na partida contra o Cuneo. Um oitavo jogador acabou por entrar no decorrer da partida depois de resolvido um problema com o bilhete de identidade.
A equipa está sem treinador e sem mais jogadores, após uma série de rescisões nas últimas semanas devido a graves problemas financeiros, e ao intervalo o resultado era um já esclarecedor 16-0.
Sempre più assurdo quanto accade in #LegaPro… ecco come la #ProPiacenza, oggi, affronterà il #Cuneo.
P.S. Allenatore: vedi capitano (classe 2000)… pic.twitter.com/4a4gbaFkwb
— Matteo Migliori (@MatteMiglio10) February 17, 2019
O Pro Piacenza fez falta de comparência nas últimas partidas (já não jogava desde Dezembro do ano passado), sofrendo a consequente derrota, mas se não comparecesse neste jogo, seria expulso da competição.
A equipa do Pro Piacenza na partida: Sarr, Di Bella, Isufi, Valente, Migliozzi, Cirigliano, Del Giudice.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=MhnHws-vt6U
Alfa/RR/jornal Sport Piacenza.
O item fazia parte de um leilão de objetos fora do comum (« Out of the ordinary » era o nome do leilão), onde foram vendidos, por exemplo um urso polar embalsamado (22 800 euros), um fato que Michael Jackson usou na Dangerous Tour, em 1992 (18 200 euros), ou o esqueleto de um urso da Pré-História (14 800 euros).
Apesar do tamanho, o falo pesa apenas um pouco mais de 8 quilos, uma vez que é oco e está recheado com pelo de cavalo. Mark Wilkinson, especialista da leiloeira Sworders, explicou ao Atlas Obscura que dizia-se que antigamente os marinheiros usavam estes pénis da baleia para guardar tabaco, uma vez que ali ele se mantinha húmido e fresco durante toda a viagem.
O objeto pertencia a um particular que o comprou há cerca de 20 anos. Wilkinson diz que colocar um preço no objeto foi um desafio pois « não havia qualquer referência », nunca tal coisa tinha aparecido em leilões. A leiloeira fixou um valor de referência de 3900 a 5100 euros: o pénis acabou por ser vendido por 5200 euros. Agora fica a curiosidade de saber quem terá comprado tal objeto.
Alfa/DN.
“Às vezes nem a noite nem Deus, nem diabos nem ateus, nem a terra nem os céus querem resolver o meu problema. Às vezes nem o dia nem a luz, nem o sangue nem o pus, nem o fogo nem a cruz querem resolver o meu problema. E o problema é: eu adoro bolos”. É desta forma dramática e inflamada, mas com um twist no final, que arranca a canção que dá nome ao terceiro álbum de Conan Osiris, músico lisboeta que depois de vários anos a fazer música assume começar agora a ser levado mais a sério. Adoro Bolos, editado no final de 2017, equilibra-se entre um humor direto, com tanto de ingénuo quanto de sarcástico, e uma tragédia subliminar, transversal a canções com nomes tão originais quanto “Titanique”, “Celulitite” ou “Nada Nada Nada Nada”, que encontra o eco perfeito na inflexão afasdistada da voz de Osiris.
« É TUDO PARA MIM. EU ESTOU A CANTAR PARA MIM, MAS NÃO É PARA MIM NO SENTIDO EGOÍSTA, SOU EU A FALAR COMIGO PRÓPRIO »
Quando o confrontamos com as reações pouco consensuais à sua música, ri-se e mostra-se surpreendido. Mas leva-se a sério? “Agora é mais a sério porque as pessoas também acham que é a sério”, atira, “para mim sempre foi a sério, mas se agora as pessoas pensam que é mais verdadeiro fico ‘OK’. Normal”. A tragicomédia de temas como “100 Paciência” (“Eu fui à médica ver se era encefalite / eu fui à médica ver se era uma hepatite / mas não tinha solução”) ou a faixa inicial, “Borrego” (“A noite é uma assassina / a noite é tua inimiga / a noite não é menina com se queira casar / mas a culpa é minha (…) eu é que sou borrego”), encaixa como uma luva na esquizofrenia de composições anárquicas, que tocam em coisas tão díspares quanto o folclore, eletrónicas com pingo cigano, visões exóticas do fado (“Barcos (Barcos)”; “Titanique”), funaná mal assumido ou batalhas entre riffs agressivos de guitarra e ritmos a la Bollywood (“Ein Engel”).
“A vida é mesmo assim: é para chorar e também é para rir, então tenho de ter essas duas coisas”, assume Osiris, “eu choro e rio, tenho de fazer coisas que são para ter graça, e para pôr-me graça a mim próprio, e também coisas para chorar, se for para chorar”. E acrescenta que se há alguma coisa que não cabe na sua música é mesmo o jazz, “como não sei tocar, aí é mais difícil eu ir… É só jazz, talvez, porque [no jazz] é só improvisar, e para mim tem de estar tudo bem, na escala”. Explica que é autodidata e que decidiu experimentar fazer música quando ainda andava na escola (hoje, trabalha numa sex shop): “instalei o programa e, com tanta experimentação, comecei a conseguir fazer o que estava na minha cabeça, basicamente”.
E quando decidiu mostrar as suas composições ao mundo? “Inicialmente, fazia música só para mim e para os meus amigos. Coisas muito simples, sem batida, sem nada”, recorda, “depois comecei a desenvolver mais e foi quando tive o meu PC e consegui instalar o programa que passei a fazer as batidas”. Ultrapassou a vergonha inicial criando uma “banda”, os Powny Lamb, com uma amiga – “ela não fazia nada, só dizia ‘está bom’ ou ‘não está bom’. E era mesmo isso que eu queria” –, partilhando as suas composições no MySpace. Ao fim de alguns anos, a referida amiga cansou-se… “Arranjei outro nome e foi aí que comecei a fazer o que estou a fazer agora”. Nasceu o Conan Osiris, casamento feliz entre O Rapaz do Futuro (da série anime do cineasta japonês Hayao Miyazaki) e a divindade egípcia associada à vida no além (“sempre gostei de mitologia”). “O Conan Osiris veio ao encontro do Tiago”, defende, “se calhar antigamente até havia um bocadinho de personagem no Conan, mas agora são a mesma coisa…”.
Quando questionado sobre a música que ouvia em criança, mencionando as comparações que têm surgido a artistas como António Variações ou Carlos Paião (às quais juntamos, também, Paulo Bragança e o sírio Omar Souleyman), não hesita: “ouvia tudo!”. Refere primeiro a banda infantil Onda Choc, mas junta-lhe algumas preferências da mãe: “sempre ouviu Leandro e Leonardo, mas também bachata [ritmo musical originário na República Dominicana]… quando eu acordava estava a aspirar com a Amália e depois trocava e punha o Midjor di Kizomba”. Fala também das Spice Girls, Iran Costa, Evanescence, kuduro, quizomba e funaná, sem esquecer as “coisas estranhas” que começou a ouvir quando surgiu a SIC Radical, como Sigur Rós e Björk.
A inflexão afadistada da voz, que não se ouvia em Silk, álbum quase totalmente instrumental de 2014 (só canta, curiosamente, em “Amália”), e só começou a ensaiar, timidamente, em Música, Normal (de 2016), é algo que só chegou com o passar do tempo, defende. “Antigamente não tinha maturidade para apreciar as pessoas a cantar fado, música portuguesa”, assume, acrescentando que o facto de a mãe assistir muito a programas de televisão antigos fez com que a vontade de cantar em português se fosse tornando maior. “Não é que seja melhor eu cantar assim, mas sai-me mais normal. Não sei explicar muito bem… A voz sai-me mais normal. Não é que não saísse em inglês, nada disso, mas parece que sai melhor”.

« Adorava competir por Portugal nos Jogos Olímpicos. Gostava muito, era um orgulho enorme e há de ser um objetivo. O surf já é um desporto superprofissional, mas acho que os Jogos Olímpicos vão trazer ainda mais profissionalismo ao nosso mundo do surf. E acaba por dar mais força ao surf, porque há pessoas que nunca ouviram falar de surf que vão ouvir falar por causa dos Jogos Olímpicos », afirmou, em entrevista à Lusa.
Segundo ‘Kikas’, Portugal já tem « muitos miúdos a surfar bem », pelo que a promoção do surf a modalidade olímpica « vai dar mais força » ainda ao desporto.
De resto, o surfista do Guincho – que em 2017 e em 2018 disputou o circuito mundial de surf (CT) – considera que, para a dimensão do país, esta modalidade está bem implementada em Portugal.
« Já tivemos um [surfista no CT, Tiago Pires], outro [o próprio ‘Kikas’], podemos um dia ter dois, estamos a tentar. Por isso acho que os números estão corretos. As coisas devem ser feitas com calma. Há trabalho para fazer, mas temos ótimas ondas, temos boas infraestruturas e o mais importante é surfar, surfar e surfar », considerou.

Frederico Morais não conseguiu garantir a continuidade entre a elite do surf mundial em 2019, mas não baixa os braços e vai correr o circuito de qualificação para tentar voltar já em 2020 ao circuito mundial (CT), tendo a possibilidade de ser chamado para disputar algumas provas do CT em caso de lesões ou desistências de outros competidores.
« Se 2019 fosse como 2018 [em termos de lesões] eu estaria no World Tour ainda », lançou, admitindo que pode vir a ser convidado para disputar a prova do CT que se disputa em outubro em Peniche.
« Creio que sim, mas não gosto de criar expectativas. Agora estou focado no circuito de qualificação. Se houver algum bónus do World Tour, ótimo, senão, também estou focado nos meus objetivos », sublinhou.
Questionado sobre se a sua despromoção do CT afetou os patrocínios, ‘Kikas’ disse que tal não aconteceu.
« Não. Felizmente eu tenho ótimos patrocínios, que me apoiam desde que eu tenho 14/16 anos, ou seja, vêm desde há muito tempo e não é pelo WT ou pelo QS. Felizmente tenho patrocinadores que acreditam no meu sonho e que acreditam na minha pessoa, naquilo que eu faço e na mensagem que tento transmitir e isso é ótimo », salientou.
Sobre as condições existentes em Portugal para fazer uma carreira no surf, ‘Kikas’ considerou que os mais novos não se devem deslumbrar, mas devem seguir os seus sonhos.
« Eu acabei o meu 12.º ano. Por isso, acho que não é preciso deixar os estudos para se ter uma carreira profissional no desporto, ainda para mais hoje em dia, em que é tudo muito mais fácil. Em termos de dinheiro, eu acho que o sonho não deve ser alimentado pelo dinheiro, mas sim pela paixão que nós temos por aquilo que queremos fazer. Por isso, acho que trazer dinheiro para esta conversa é completamente errado », vincou.
Sobre a importância do surf na atração de turistas das mais variadas geografias para Portugal, Frederico Morais não tem dúvidas que o país oferece condições naturais excelentes para a modalidade, e vê com bons olhos esse reconhecimento internacional.
« Acho que é sempre bem-vinda [a onda de turista em busca das ondas portuguesas]. Porque isto está tudo ligado. Se nós tivermos turismo, provavelmente irá haver mais investimento para termos campeonatos, cá em Portugal, se isso acontecer, podemos dar retorno aos nossos patrocinadores, e isso trará novos patrocínios. Ao fim do dia, dá a conhecer este país bonito que nós temos », assinalou.
E será que uma piscina de ondas, semelhante à desenvolvida pelo mítico Kelly Slater no seu Surf Ranch, no Texas, Estados Unidos, faz falta a Portugal? ‘Kikas’ diz que a construção de uma infraestrutura semelhante seria interessante, mas não fundamental.
« Gostei muito de surfar no Surf Ranch, mas competir acho que não foi a experiência mais divertida. Acho que é muito melhor surfarmos no mar. O mar é o mar, é a natureza. A piscina de ondas tem o fundo de cimento. É bom em termos técnicos, porque podemos surfar e repetir a mesma coisa várias vezes, o que é uma coisa que não temos no surf. Porque nenhuma onda no mar é igual, muda sempre alguma coisa. Seja a secção ou a velocidade da onda, muda sempre qualquer coisa. Enquanto ali, na piscina, as ondas são todas iguais. Ou seja, para nós repetirmos uma manobra várias vezes é ótimo », disse, antes de destacar que Portugal tem das melhores ondas do mundo.
Já sobre a renovação geracional no CT, com a retirada voluntária de surfistas como Mick Fanning ou Joel Parkinson, ‘Kikas’ destaca o papel ímpar destas estrelas na atual projeção da modalidade.
« Eu tive a sorte de competir contra eles todos. Conheço-os bem. Ver agora os jovens que se começam a apoderar e eles a sair de cena, em termos competitivos, mas vão estar sempre muito presentes no mundo do surf, nem que seja em filmes de surf e livros de surf. Acho que representam super bem o surf e acima de tudo apoiam os mais novos. Gostam de ver surf e gostam de nos ver brilhar. Não têm medo de nos dar força e de nos dar conselhos, e isso é o que eu acho mais bonito no surf », realçou.
De resto, Frederico Morais admitiu que ficou feliz com o título mundial conquistado pelo brasileiro Gabriel Medina em 2018, até porque ambos mantêm uma « boa amizade », reforçada durante o último ano.
« Eu sabia bem o quanto ele trabalhou para conseguir este título e o quanto ele queria este título, por isso, vê-lo a realizar um objetivo – ainda para mais sob pressão no fim do ano – foi bonito », assinalou.
Quantos aos favoritos para ganhar o título de campeão do mundo em 2019, ‘Kikas’ aponta novamente para os três surfistas que disputaram até ao fim entre si esse reconhecimento em 2018.
« É uma aposta difícil. Diria que o Julian [Wilson] há de voltar forte. Eu quase que aposto nos mesmos três que disputaram este ano, que são o Julian, o Filipe [Toledo] e o Gabriel [Medina] », rematou.
https://twitter.com/FredericoMorai1/status/1097252325314433024
Alfa/Lusa.
Depois de ter chegado à segunda ronda do torneio de Buenos Aires, João Sousa reentrou no ‘top40’ de singulares – é 33.º em pares –, enquanto Pedro Sousa, que na semana passada se tornou no sexto português entre os 100 primeiros, subiu uma posição e ocupa o melhor lugar de sempre (99.º).
João Domingues desceu dois lugares, para o 216.º, Gastão Elias teve uma ‘queda’ mais acentuada, para o 262.º posto, enquanto Gonçalo Oliveira permanece na 290.ª posição.
O topo do ‘ranking’ permanece praticamente inalterado, com Djokovic no primeiro lugar, à frente do espanhol Rafael Nadal e do alemão Alexander Zverev, segundo e terceiro classificados, respetivamente.
Entre os 10 primeiros registou-se a descida do suíço Roger Federer para o sétimo lugar, por troca com o japonês Kei Nishikori, que chegou às meias-finais do torneio de Roterdão. O vencedor do torneio holandês, o francês Gaël Monfils, que vai estar na edição 2019 do Estoril Open, subiu ao 23.º lugar.
No cimo do ‘ranking’ feminino registaram-se mais alterações, apesar de a japonesa Naomi Osaka continuar no primeiro posto, agora à frente da romena Simona Halep, finalista no Qatar, e da norte-americana Sloane Stephens, segunda e terceira classificadas, enquanto a checa Petra Kvitova ‘caiu’ para o quarto lugar.
Alfa/Lusa.
De vez em quando, creio que é salutar não menosprezarmos uma pequena lição de humildade. Por exemplo, a propósito do falecimento do ator Bruno Ganz (no dia 15, na sua cidade natal, Zurique, contava 77 anos).
Assim, qualquer cinéfilo que se preze sabe que Ganz participou em A Cidade Branca(1983), filme incontornável no imaginário cinematográfico e, arrisco dizê-lo, na iconografia mitológica da cidade de Lisboa. Produzido por Paulo Branco, sob a direção do suíço Alain Tanner (tão brilhante, tão esquecido e tão amigo de Portugal…), Ganz interpretava a odisseia afetiva de um marinheiro que encontrava nas margens do Tejo um lugar de pausa e reflexão, envolvendo-se amorosamente com uma portuguesa (personagem que é, por certo, uma das melhores composições de Teresa Madruga), enredando-se numa nostalgia utópica, amarga e doce, porventura sem solução.
Pois bem, consultem-se os obituários internacionais de Ganz. Sugiro The New York Times, The Guardian e a BBC; ou ainda as duas bíblias da indústria audiovisual dos EUA, Variety e The Hollywood Reporter. Que há de comum em todas essas evocações da notável carreira de Ganz? Uma simples omissão: nenhuma delas cita o filme de Tanner.
Eis uma evidência difícil de aceitar, sobretudo se julgarmos que os lugares de estacionamento concedidos pela capital do país aos automóveis de Madonna nos colocam no centro do mundo… Ah, o assombramento da memória: O Centro do Mundo (1974) é também o título de outro belíssimo filme de Tanner, melodrama para acabar com todos os melodramas que, se me permitem uma benigna evocação narcisista, tive o privilégio de apresentar no Teatro São Luiz, algures em 1975, com o próprio Tanner e o meu amigo Camacho Costa (quando Eduardo Prado Coelho ocupava o cargo de diretor-geral da Ação Cultural).
Enfim, não podemos esperar, muito menos exigir, que os outros, estrangeiros ou não, partilhem as memórias que são nossas. Até porque sei bem que, nos tempos que correm, qualquer exercício do género tende a ser anulado pela avalancha de vulgaridades « sociais » em que nos obrigam a viver: há três décadas, reconhecer a exuberância criativa de Madonna era, para muitos, um gesto desprezível do jornalismo mais pretensioso… agora, há quem a confunda com um ex-líbris de Lisboa.
Tudo isto são pormenores, bem sei. O que conta é o pano de fundo que nos ajuda a compreender a sua singularidade. A saber: o facto de Ganz ter sido um exemplo modelar de um internacionalismo artístico cujas raízes estão numa paisagem multifacetada cujo nome, Europa, passámos a utilizar quase só para suspirarmos face às atribulações dos políticos que moram em Bruxelas.
Vimo-lo, por exemplo, em A Marquesa d’O (1976), contracenando com Edith Clever, sob a direção de um dos mestres da nova vaga francesa, Eric Rohmer. Ou nessa tragédia euro-americana em formato de thriller que é o bem chamado O Amigo Americano (1977), de Wim Wenders. Ou ainda, mais recentemente, na brilhante farsa dramática A Festa (2017), de Sally Potter.
E é forçoso lembrá-lo em As Asas do Desejo (1987), também de Wenders. Vogando, literalmente, pelo céu de Berlim (título original: Der Himmel über Berlin), Ganz era o anjo Damiel, que, na companhia do seu semelhante Cassiel (Otto Sander), contemplava as linhas cruzadas das solidões de uma cidade ainda dividida. Quando revemos agora o filme de Wenders, há nele a dimensão insólita, de uma só vez perturbante e radiosa, de uma paisagem ainda dividida pelo muro: são imagens que adquiriram a intensidade de uma derradeira reportagem sobre uma monstruosidade política. Mas são também imagens que não podemos dissociar das palavras que com elas se envolviam.
Foi Peter Handke que escreveu as falas dos anjos de As Asas do Desejo. E se o leitor não vive dependente de olhar, três vezes em cada ciclo de dez segundos, para o ecrã do seu telemóvel, atrevo-me a convocá-lo para estas palavras de Damiel, na voz cristalina de Bruno Ganz (pedindo desculpa pelas limitações da tradução, feita a partir de legendas inglesas):
« Quando a criança era uma criança, caminhava balouçando os braços, queria que a corrente fosse um rio, o rio uma torrente, e que esta poça fosse o mar. Quando a criança era uma criança, não sabia que era uma criança, tudo estava cheio de vida e a vida era una. Quando a criança era uma criança, não tinha opiniões sobre nada, não tinha hábitos, sentava-se cruzando as pernas, partia a correr, tinha um tufo no cabelo e não fazia uma careta quando era fotografada. Quando a criança era uma criança, era o tempo destas perguntas. Porque é que eu sou eu e não tu? Porque é que estou aqui e não aí? Quando é que o tempo começou e onde acaba o espaço? A vida debaixo do Sol não é apenas um sonho? Aquilo que vejo, escuto e cheiro não é apenas a ilusão de um mundo antes do mundo? O mal existe realmente, e há pessoas que são realmente más? Como é possível que eu, que sou eu, não existisse antes de começar a ser e que, um dia, aquele que sou deixe de ser quem sou? »
O triunfo no encontro que encerrou a 25ª jornada da Liga acabou por valer à equipa capital francesa aumento da vantagem na liderança, uma vez que o Lille, segundo classificado, não foi além de empate a zero na receção ao Montpellier.
Resultados:
Nîmes – Dijon 2 – 0 (sexta-feira)
Lyon – Guingamp 2 – 1 (sexta-feira)
Marselha – Amiens 2 – 0 (sábado)
Angers – Nice 3 – 0 (sábado)
Monaco – Nantes 1 – 0 (sábado)
Bordéus – Toulouse 2 – 1
Caen – Estrasburgo 0 – 0
Lille – Montpellier 0 – 0
Reims – Rennes 2 – 0
Saint-Etienne – Paris Saint-Germain 0 – 1
Classificação:
1. Paris Saint-Germain 62 pontos/ 23 jogos
2. Lille 50/ 25
3. Lyon 46/ 25
4. Marselha 40/ 25
5. Saint-Etienne 40/ 25
6. Montpellier 38/ 24
7. Reims 38/ 25
8. Nice 37/ 25
9. Estrasburgo 36/ 25
10. Nîmes 36/ 25
11. Rennes 36/ 25
12. Angers 33/ 25
13. Bordéus 31/ 24
14. Nantes 27/ 25
15. Toulouse 27/ 25
16. Monaco 22/ 25
17. Amiens 21/ 25
18. Dijon 20/ 24
19. Caen 19/ 25
20. Guingamp 14/ 24
Alfa/aBola.