Restaurante Pedra Alta dos Campos Elísios sofre com Coletes Amarelos

Um restaurante português no « olho do furacão » dos « coletes amarelos » em Paris. O restaurante Pedra Alta, numa transversal aos Campos Elísios, sofre com os protestos dos « coletes amarelos ». Perde 90 % da clientela aos sábados.

Alfa/Lusa

Joaquim Baptista é o dono do restaurante português Pedra Alta, uma referência na zona mais emblemática de Paris. Todos os sábados tem de decidir se abre ou não as portas do restaurante da rua de Marbeuf, uma transversal dos Campos Elíseos, o centro das manifestações dos « coletes amarelos ».

« Hoje de manhã tive de ir ao restaurante de Marbeuf. As entregas não são feitas como habitualmente e isso complica-nos o dia. Tive de me deslocar lá, conhecer a realidade e tomar a decisão se havia ou não condições para abrir. E decidi abrir para que, embora aberto não a 100%, porque não há clientes, os poucos que ainda frequentam os Campos Elísios ao fim de semana, não percam o hábito de ir à minha casa, ao Pedra Alta », disse Joaquim Baptista à agência Lusa. É dono de 14 restaurantes Pedra Alta .

Paulo Magalhães, gerente do restaurante e radicado em França há oito anos, descreve o seu trabalho habitual como « no limite ». Lembra a época em que era « gente, gente, gente » a entrar no estabelecimento, uma realidade muito diferente do que vive agora.

É o deserto do Saara, não há ninguém, não há clientes

Ao almoço é bastante calmo e ao jantar é o que se vê », afirma apontando para uma casa meia vazia.

« Normalmente, ao jantar havia duas de fila de espera e, neste momento, os « coletes amarelos » são sinónimo de prejuízo », afirmou o gerente à agência Lusa.

Este sábado, os manifestantes fizeram quase o pleno dos restaurantes de Joaquim Baptista no centro da cidade. Começaram com um cortejo em Bercy, junto do Ministério das Finanças, onde há um Pedra Alta, passaram pela praça da Bastilha, onde há outro restaurante da cadeia e, como já é tradicional, terminaram em confrontos com a polícia nos Campos Elísios.

« Toda a França vive um clima de instabilidade e quando saímos ao sábado ninguém sabe o que vai acontecer, porque os « coletes amarelos » aparecem de surpresa. Isso leva a que muita gente, especialmente famílias, não queiram sair de casa e todos os restaurantes são penalizados », afirmou Joaquim Baptista.

« Ao sábado ninguém sabe o que vai acontecer »

No entanto, de todos os estabelecimentos no centro da capital, o que está situado na Marbeuf é mesmo o que mais tem sofrido nestes dois últimos meses de protestos, descreve o empresário português.

« Temos uma quebra entre os 20% e os 25% mensais, sendo que aos sábados temos uma quebra de 90%. Dezembro é um mês com festas de Natal e empresas, há muito turismo, é uma grande quebra se não podermos trabalhar ao sábado. E não é só o sábado, é também a sexta-feira à noite por causa das barricadas e toda a envolvente que nos deixa em desespero », afirmou o dono da cadeia Pedra Alta.

O governo francês estima que os comerciantes nas zonas mais afetadas pelas manifestações perderam cerca de 25% do seu volume de negócios.

« Estamos a falar de uma média de 25%, mas com grandes diferenças. Os comerciantes com produtos perecíveis são mais afetados porque nunca poderão recuperar a sua mercadoria que acaba por se estragar », explicou Agnès Pannier-Runacher, secretária de Estado da Economia, em declarações à BFM TV no final de dezembro.

« Isto tem de ter um fim porque está insuportável continuar assim. Está a ser criado o hábito de as pessoas escolherem outros destinos que não os Campos Elísios e, claro, todos começamos a ficar preocupados. Eu e os meus vizinhos. Eu tenho restaurantes fora de Paris que vão trabalhando bem, mas há outros proprietários que só têm um estabelecimento e é muito grave », relatou Joaquim Baptista.

Preferem abrir para « não deixar casa ao abandono »

Até agora, nenhum dos restaurantes deste empresário português foi visado pela violência dos protestos, ao contrário do que acontece aos seus vizinhos, e Paulo Magalhães justifica isto por terem estado abertos sete dos nove sábados de protestos.

« Eu penso que uma casa fechada é uma casa ao abandono e uma casa abandonada mais facilmente é partida. Foi o que aconteceu em alguns estabelecimentos aqui mais perto onde vemos montras partidas, não há segurança e não há ninguém. Enquanto estiver aqui alguém [no restaurante] fica mais seguro para nós. Então os que podem vir trabalhar, porque há alguns que não podem por causa dos transportes, vamo-nos mantendo ocupados e mantemos o cliente o mais seguro possível », relatou o gerente.

Mas o restaurante não fica aberto sem medidas de segurança adicionais. Desde logo, apolícia passa durante a semana para alertar os comerciantes das ruas adjacentes aos Campos Elísios das expectativas para cada manifestação, lembrando que o Estado não se responsabiliza por danos causados por vandalismo.

Durante o sábado, caso haja maior conflito entre as forças da ordem e os manifestantes, os clientes são sentados longe dos vidros que dão para a rua ou acomodados no andar superior.

Com uma clientela baseada no turismo e com uma perda na atividade hoteleira de cerca de 20%, segundo indicaram duas entidades que representam o setor da hotelaria, as previsões de Joaquim Baptista não são animadoras.

« Não podemos prever o futuro, mas comparando com o que aconteceu com os ataques terroristas, as pessoas não vinham e tinham medo. Como os protestos estão a acontecer muitas vezes seguidas, as pessoas nem sabem se devem vir ou não. E isto leva-nos a crer que as pessoas não estão a comprar viagens e podemos ver quebras até aos 50% », disse o empresário português.

Ataques à imprensa: URSS, Bolsonaro, Trump e… Coletes Amarelos. Opinião, Ricardo Figueira

Os ataques à liberdade de imprensa: da União Soviética ao Brasil, aos Estados Unidos e … a França, onde jornalistas e imprensa têm sido atacados pelos Coletes Amarelos. Volte a ouvir aqui a crónica de sexta-feira passada do jornalista da Euronews, Ricardo Figueira, em Lyon:

Sporting e FC Porto empatam a zero

O Sporting e o FC Porto empataram hoje a zero, em jogo da 17ª jornada da I Liga portuguesa, disputado no Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Os ‘dragões’ interromperam uma série de 18 jogos consecutivos a vencer em todas as competições, mas mantêm a liderança isolada do campeonato no final da primeira volta, com cinco pontos de vantagem sobre o Benfica, seis sobre o Sporting de Braga e oito sobre o Sporting.

Os ‘leões’ perderam pela primeira vez pontos em casa esta temporada na I Liga, ao nono encontro.

Resultados da 17.ª jornada da I Liga de futebol:

– Quinta-feira, 10 jan:

Portimonense – Sporting de Braga, 1-1 (1-0 ao intervalo)

– Sexta-feira, 11 jan:

Santa Clara – Benfica, 0-2 (0-1)

Desportivo das Aves – Feirense, 1-1 (1-0)

Vitória de Guimarães – Moreirense, 1-0 (0-0)

– Sábado, 12 jan:

Sporting – FC Porto, 0-0

Boavista – Marítimo, 21:30

– Domingo, 13 jan:

Nacional – Belenenses, 16:00

Desportivo de Chaves – Tondela, 18:30

Rio Ave – Vitória de Setúbal, 21:00

Alfa/Lusa.

Confrontos em Paris e Bourges. Coletes amarelos não desistem

Manifestações do ATO 9 dos coletes amarelos decorreram com calma durante a manhã. Mas eclodiram confrontos desde o início da tarde em Paris e, novidade, também em Bourges, no centro geográfico da França, que conheceu hoje a primeira grande manifestação deste tipo.

Alfa/Expresso: Por Daniel Ribeiro

Os coletes amarelos não desistem. Apesar das ameaças diretas de repressão da parte das autoridades (reiteradas durante toda a semana) e da forte presença policial (80 mil agentes mobilizados em todo o país) as manifestações do ATO 9, o nono sábado consecutivo de mobilização dos “coletes”, voltaram a reunir hoje em França milhares de pessoas.

Desde as 14h30 (13h30 em Portugal continental) verificam-se confrontos em Paris, na praça da Étoile (Arco do Triunfo), e também em Bourges. Nesta pequena cidade do centro geográfico do hexágono francês, cinco mil “coletes” (números da polícia), concentraram-se para um desfile organizado pela “França em cólera”, uma das fações mais fortes e organizadas do movimento inédito de protesto nascido na internet.

Em toda a França decorrem desfiles em diversas cidades do país e os manifestantes são sem dúvida numerosos.

A polícia procedeu a detenções preventivas antes do início das concentrações de hoje, mas mesmo assim a presença dos “coletes” nas ruas de França é bastante significativa.

O Governo e o Presidente Emmanuel Macron apostavam numa desmobilização e no controlo policial das manifestações para poder lançar, com calma, na próxima semana, o anunciado “debate nacional” sobre as suas revindicações. Mas não é isso que se verifica na tarde de hoje.

Apesar da violência (mais de dois mil feridos em dois meses) e da repressão (centenas de detidos em igual período) que têm marcado quase todas as ações dos “coletes”, estes não desistem.

Mais de dois meses depois do início do movimento, parece evidente que a resposta policial não parece chegar para o travar.

O Presidente Macron anunciou que na segunda-feira escreverá uma carta aos franceses para enquadrar o “debate nacional”. Mas os “coletes” diziam hoje nas ruas que não acreditam nessa iniciativa.

“O Presidente sabe o que queremos: aumentos das pensões e dos salários mais baixos, o Referendo de Iniciativa Cidadã, a redução do número de deputados, o fim do Senado e dos privilégios, reposição do Imposto sobre a Fortuna e o sistema proporcional nas eleições”, dizia ao Expresso um “colete” quando um dos desfiles parisienses atravessava ao meio dia a praça da Bastilha em direção à zona dos Campos Elísios, onde se continuavam a verificar confrontos cerca das 16h locais (uma hora a menos em Lisboa).

“Não é preciso debate, o que ele quer é dar-nos tanga, nós não participamos”, acrescentou o manifestante.

Pouco depois do meio-dia, a polícia contabilizava oficialmente 32 mil manifestantes em França, oito mil deles em Paris. 82 pessoas tinham sido detidas até essa hora.

Pelo menos dois mortos. Grave explosão de gás no centro de Paris

Dois mortos. Uma dezena de feridos muito graves. Balanço provisório. Ministro do Interior anunciou quatro mortos. Mas depois balanço foi retificado, em baixa: dois bombeiros mortos

Une explosion a retenti ce samedi à Paris, rue de Trévise. Compte Twitter @croissandeau
A explosão, às 8h30, numa « boulangerie » (Padaria/Pastelaria) da rua Trévise (bairro número 9 de Paris), é acidental (fuga de gás), segundo as autoridades.
Os dois mortos são bombeiros. Alguns dos feridos estão em estado de « urgência absoluta ». O Ministro do Interior anunciou quatro mortos. Mas depois balanço foi retificado: dois bombeiros mortos, diversos feridos em estado muito grave.
Depois da explosão, todo o quarteirão parecia uma cena de guerra, devido à destruição provocada pela violenta explosão.

Coletes Amarelos. Segurança reforçada para novo sábado de manifestações em França

ATO 9. Elevado nível de segurança para novas manifestações dos « coletes amarelos » em França

Elevado nível de segurança para manifestações dos coletes amarelos em França

Foto: IAN LANGSDON

Alfa – com Lusa e outras fontes

Um forte dispositivo de segurança aguarda hoje as manifestações que o movimento « coletes amarelos » pretende realizar em várias cidades francesas, dado o nível de violência do fim de semana passado.

O anúncio foi feito no passado dia 07 pelo primeiro-ministro Édouard Philippe e reforçado ontem pelo ministério do Interior.

O dispositivo vai voltar a mobilizar cerca de 80 mil polícias e agentes dos serviços de segurança, em toda a França, à semelhança do ocorrido em meados de dezembro, avançou o chefe do governo, prometendo que os manifestantes violentos “não vão ter a última palavra”.

O primeiro-ministro anunciou também que foi decidido interditar o acesso às manifestações dos participantes violentos identificados e que já foram condenados cerca de um milhar destes, desde o início dos protestos em 17 de novembro.

Este é o nono sábado de mobilização nacional contra o aumento dos combustíveis, por uma taxação mais justa e contra a queda do poder de compra.

A emblemática torre Eiffel estará fechada no sábado, tal como uma dezena de museus em Paris, para prevenir qualquer impacto de uma possível manifestação marcada pela violência.

Em Paris diversas zonas da cidade foram fechadas ao trãnsito na manhã de sábado, incluindo estações de metro.

Estão previstas manifestações noutras cidades, designadamente em Bourges, no centro do país.

Benfica vence nos Açores e sobe ao segundo lugar

O Benfica venceu hoje o Santa Clara nos Açores por 2-0, em partida da 17ª jornada da I Liga de futebol, resultado que lhe permite subir ao segundo lugar da prova.

Um golo do suíço Seferovic, aos 22 minutos, colocou os ‘encarnados’ de Lisboa na frente do marcador, tendo o defesa-central brasileiro Jardel ampliado já na segunda parte, aos 49.

Com esta vitória, o Benfica sobe ao segundo lugar da prova com 38 pontos, mais um do que o Sporting de Braga, terceiro e que empatou (1-1) na quinta-feira em casa do Portimonense, e menos quatro do que o FC Porto, líder e que no sábado joga em Alvalade com o Sporting, quarto com 34.

O Santa Clara é nono classificado com 21 pontos.

Resultados da 17ª jornada da I Liga de futebol:

– Quinta-feira, 10 jan:

Portimonense – Sporting de Braga, 1-1 (1-0 ao intervalo)

– Sexta-feira, 11 jan:

Santa Clara – Benfica, 0-2 (0-1)

Desportivo das Aves – Feirense, 1-1 (1-0)

Vitória de Guimarães – Moreirense, 22:15

– Sábado, 12 jan:

Sporting – FC Porto, 16:30

Boavista – Marítimo, 21:30

– Domingo, 13 jan:

Nacional – Belenenses, 16:00

Desportivo de Chaves – Tondela, 18:30

Rio Ave – Vitória de Setúbal, 21:00

Alfa/Lusa.

Para os portugueses no Reino Unido, « ir ao consulado é um martírio »

(Por FILIPA ALMEIDA MENDES do jornal Público)

Renovar um passaporte ou registar um filho em Londres é uma aventura burocrática marcada por longas esperas, chamadas que não são atendidas e emails que não são respondidos. Muitos são forçados a vir a Portugal tratar dos seus assuntos.

« Devido ao elevado número de chamadas, a sua chamada encontra-se em lista de espera ». Quem telefona para o Consulado Geral de Portugal em Londres é imediatamente avisado da falta de capacidade de resposta dos serviços. Depois de mais de 25 minutos em linha de espera, a chamada do PÚBLICO ficou por atender, assim como têm ficado várias outras chamadas e pedidos da comunidade portuguesa a viver no Reino Unido.

Segundo dados do Observatório da Emigração do ISCTE, em 2017 havia aproximadamente 235 mil portugueses a residir no Reino Unido. Nesse mesmo ano, o número de actos consulares chegou quase aos 70 mil, de acordo com dados mais recentes disponibilizados na página do Consulado de Portugal em Londres.

São números tão grandes quanto numerosas são queixas dos cidadãos portugueses sobre o funcionamento do consulado português em Londres, entre atrasos na resposta a pedidos de renovação do passaporte e do cartão de cidadão, registos de nascimento ou casamento, a mera inscrição na representação diplomática ou o exercício do direito de voto, o que em alguns casos obriga a viagens de urgência a Portugal.

Questionada pelo PÚBLICO sobre as críticas ao funcionamento destes serviços no Reino Unido, a Secretaria de Estado das Comunidades disse apenas que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, vão apresentar nesta sexta-feira « medidas de preparação e contingência dirigidas aos cidadãos, relacionadas com a saída do Reino Unido da União Europeia ». Ainda assim, alguns portugueses a residir no Reino Unido, com que o PÚBLICO falou, garantem que o « Brexit » não tem « culpa no cartório » e que esta é uma realidade que já dura há algum tempo.

« É melhor ir a Portugal fazer os documentos »

Na Internet, as reclamações chegam às dezenas. Os motivos são vários, desde o tempo de espera à impossibilidade de agendar uma marcação no site do consulado, ou até mesmo pela « maneira como falam com as pessoas ». Para muitos, a solução tem passado por viajar até Portugal, com todos os custos que isso acarreta, para garantir que os documentos fiquem em ordem no próprio dia.

Foi o caso de uma residente portuguesa, a viver em Londres há mais de 12 anos, cujo passaporte caducava em Janeiro e que, após dois meses de tentativas infrutíferas para agendar uma marcação no consulado em Londres e com a paciência esgotada, marcou viagem para o aeroporto de Lisboa, na próxima segunda-feira, para renovar o passaporte.

« Vou ter que ir a Portugal fazer um passaporte porque o meu trabalho envolve muitas viagens e tudo isso vai-me custar à volta de 300 euros entre transportes, voos, a emissão urgente do passaporte [que custa 100€] e ainda se tiver que alugar um hotel », nota ao PÚBLICO uma cidadã portuguesa que prefere não ser identificada (chamemos-lhe Joana), garantindo que este procedimento « agora é regra ».

« Eu tenho a possibilidade de ir a Portugal e de o pagar, mas pode haver gente que não consiga. Como é que isto é suposto ser a regra? », questiona.

Por vezes, é o próprio consulado que aconselha os cidadãos residentes no Reino Unido a ir a Portugal resolver os seus problemas. Foi o caso de Maria Inês Pinheiro, que trabalha na editora Penguin Random House e vive na capital britânica há cinco anos. Foi assaltada, tendo perdido os seus documentos. Após procurar auxílio junto do consulado português, em Agosto de 2018, um funcionário respondeu-lhe que « era melhor ir a Portugal fazer os documentos ».

Um sistema « arcaico » e um incentivo à « cunha »

O problema mais frequentemente referido entre os portugueses ouvidos pelo PÚBLICO é a dificuldade na marcação de idas ao consulado.

Os agendamentos são feitos actualmente através de um sistema online, que todos os dias às 16h disponibiliza 100 vagas de atendimento. E todos os dias às 16h o sistema acaba por entupir ou « as vagas esgotam num curto espaço de tempo », como admite o próprio consulado no site, causando frustração aos utilizadores.

« Isto tem sido a minha vida todos os dias. Às 15h45 tenho um alarme no telemóvel, meto-me à frente do computador e estou sempre ali a recarregar a página e, depois, o site vai abaixo », conta Joana. « Entretanto, uma pessoa liga e ninguém atende, até porque a partir das 16h o consulado já está fechado. Ligo no dia seguinte e fico em lista de espera. O sistema é assim », lamenta a portuguesa a viver em Londres. « Tal é o desespero », conta a cidadã lusa, que « existem até pessoas a publicarem na Internet o seu número do passaporte para obterem ajuda ».

Outros admitem ter de recorrer a outros expedientes perante as dificuldades desta plataforma online. É o caso de Nuno Valinhas, que diz ter tido problemas aquando do registo dos seus filhos e da renovação de cartões do cidadão. « Numa das três vezes que tive de contactar o consulado acabei por desbloquear a situação com uma tradicional cunha », assume.

No próprio posto consular, e para serviços que não exigem marcação prévia, há portugueses que ficam horas à espera de atendimento, muitos destes oriundos de cidades e regiões distantes de Londres. A ansiedade aumenta à medida que se aproxima o « Brexit », com portugueses contactados pelo PÚBLICO a admitirem recear não ter os seus documentos em dia no momento em que o Reino Unido abandonar oficialmente a União Europeia.

« Sadiq Khan está mais preocupado com os portugueses do que o consulado »

Foi precisamente com o « Brexit » em mente que Afonso Carrêlo deslocou-se há um ano ao consulado português, por precaução, para se inscrever junto da representação diplomática. Até hoje não sabe se a sua inscrição está efectivamente concluída. No consulado não lhe disseram quando e como iriam informá-lo, fazendo saber que « não enviam emails e os documentos são processados à mão », como conta ao PÚBLICO.

Por outro lado, quando se inscreveu no site da câmara municipal de Londres para receber informações sobre o « Brexit », diz ter recebido « imediatamente » um e-mail automático onde Sadiq Khan, o mayor da capital britânica, se compromete a defender « os direitos do milhão de europeus londrinos a viver na cidade ». « Sadiq Khan está mais preocupado com os portugueses que por aqui andam do que o nosso consulado », diz ao PÚBLICO.

O problema do consulado está num « sistema online arcaico que nunca funcionou », afirma Márcio Silva, consultor informático a viver no Reino Unido há 11 anos. O português é outro que já teve de vir a Lisboa para renovar o passaporte no próprio dia, para poder realizar uma viagem de trabalho aos Estados Unidos. Já a sua mulher, Margarida Santos, « depois de ter sido avisada sobre a demora para agendar marcações », teve de telefonar para o consulado para marcar o registo de nascimento do filho do casal quando ainda estava grávida.

« O consulado em Londres está completamente pelas costuras », diz Margarida, que descreve cada ida ao posto consular como « um martírio ».

Processos que voltam à estaca zero e problemas na hora de votar

Já João Neves e a mulher, ambos portugueses, não tiveram outra solução senão deslocarem-se repetidas vezes ao consulado aquando do nascimento da sua filha. Isto porque o registo da menina implicou a apresentação de inúmeros documentos, entre registos de casamento e de dissolução de um matrimónio anterior. Para cada papel, um agendamento, num processo que se prolongou no tempo e que ameaçou voltar à estaca zero: numa das idas ao consulado, foi-lhes dito que não havia qualquer informação sobre o seu processo — valeu-lhes a boa memória de uma funcionária que os reconheceu e que assumiu a responsabilidade pelo seu caso.

« Se não fosse a senhora reconhecer-nos, não havia qualquer historial e provavelmente a nossa situação seria considerada irresolúvel », conta Neves, que responsabiliza a « falta de pessoal » e « falhas organizacionais ».

Carolina Santos, que se mudou para o Reino Unido em 2015, ano das últimas eleições legislativas, queixa-se de ter sido impedida de votar no consulado, apesar de se ter inscrito na representação diplomática logo no dia após a sua chegada a Londres. Após três horas à espera para exercer o seu direito, foi-lhe apenas dito que não o poderia fazer. « Foram extremamente rudes e nunca me foi explicado por que razão não me foi autorizado votar », diz.

« Até hoje, não voltei lá e evitarei fazê-lo porque foi o consulado do meu país que me negou um direito básico sem justificação », conta ao PÚBLICO.

Alfa/Público

Militares portugueses atacados na República Centro-Africana

Não há feridos entre o contingente português, que enfrentou armamento pesado durante cinco horas.

Os pára-quedistas portugueses em missão na República Centro-Africana ao serviço das Nações Unidas foram alvo de um « ataque violento », na tarde desta quinta-feira, no centro da cidade de Bambari, localizada a 400 quilómetros da capital Bangui, anunciou o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) em comunicado, referindo ainda que os militares se encontram « todos em segurança ».

Explica o EMGFA que « os capacetes azuis portugueses estiverem cinco horas em combate directo com elementos do grupo armado ex-Seleka UPC [União para a paz na República Centro-Africana], com o objectivo de proteger civis e restabelecer a paz, entrepondo-se entre o grupo opositor e a população civil indefesa ». A Força Nacional Destacada é composta maioritariamente por pára-quedistas do 2º Batalhão de Infantaria Pára-quedista, que conta com um efectivo total de 180 militares.

O grupo armado em questão terá usado « armamento pesado, numa demonstração da capacidade de controlo do comércio local », colocando em risco a vida de civis no confronto com as Forças Armadas centro-africanas (FACA). No comunicado, o EMGFA revela que « as organizações governamentais têm tentado a todo o custo impedir a presença de combatentes no centro da cidade, que disputam recursos e a cobrança ilegal de impostos à população ».

A prioridade dos militares portugueses, de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, passa precisamente pela protecção dos civis, lembra o EMGFA, assim como pelo « apoio ao processo de paz » e a « assistência humanitária e a protecção do pessoal, instalações, equipamentos e bens das Nações Unidas ».

Desde o início de 2017 que Portugal tem enviado para o terreno tropas especiaisdo Exército português a operarem a partir da capital Bangui, contribuindo para o « esforço internacional de manutenção da paz na República Centro-Africana ».

Alfa/Público

Portugal: Tempo frio e seco vai continuar

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O tempo frio e seco vai continuar em Portugal continental pelo menos até ao final da próxima semana, disse à Lusa a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Maria João Frada.

Nos próximos dias e pelo menos até dia 17 (quinta-feira) o tempo vai continuar seco, com céu pouco nublado ou limpo, e um enfraquecimento do vento, adiantou.

Maria João Frada indicou também que as temperaturas mínimas registada hoje não foram tão baixas como o esperado.

“Hoje as mínimas relativamente aos dias anteriores não desceram tanto como era expetável. Estava previsto o transporte de uma massa de ar com caraterísticas árticas vindas do interior do continente europeu, mas o que o aconteceu foi que a massa ficou confinada a Espanha, ou seja, não entrou em Portugal continental”, disse.

De acordo com a meteorologista, esta massa é ligeiramente mais quente, mas ainda assim poderá dar temperaturas muito baixas.

“As temperaturas mais baixas situaram-se no interior norte e centro entre os -4 e os -2. No entanto, temos regiões do litoral em que as temperaturas são de zero graus junto a Leiria e em Lisboa de 5,6 graus. No interior do Alentejo com 0 e 1 graus”, disse.

Maria João Frada indicou também que as temperaturas máximas vão descer 02 a 04 graus hoje.

“As temperaturas baixas e o vento, que vai soprar moderado, sendo forte nas terras altas com rajadas de 60 a 70 quilómetros por hora, vão dar uma sensação acrescida de frio”, salientou.

Este cenário, segundo a meteorologista do IPMA, vai manter-se no fim de semana e na segunda e terça-feira o vento vai enfraquecer significativamente e prevê-se uma pequena subida dos valores da temperatura.

“Vamos ter ainda neblinas ou nevoeiros matinais em alguns locais, mas não está prevista precipitação”, disse.

Todos os distritos de Portugal continental estão, até às 12:00 de sábado, sob aviso amarelo devido à persistência de valores baixos das temperaturas mínimas.

Alfa/LUSA