Avião que transportava Emiliano Sala encontrado – autoridades

A Agência Britânica de Investigação a Acidentes Aéreos (AAIB) revelou que foi encontrado um corpo entre os destroços do avião em que viajava o futebolista argentino Emiliano Sala, detetados no domingo no fundo do canal da Mancha.

“É visível um ocupante entre os destroços. A AAIB está a avaliar os próximos passos, em articulação com as famílias do piloto e do passageiro, e com a polícia”, refere a agência responsável pela investigação ao acidente.

As buscas subaquáticas para tentar encontrar o avião privado em que seguia Emiliano Sala começaram no domingo de manhã, dia em que foram descobertos destroços da aeronave, tendo hoje sido possível identificar um corpo, através do sistema de vídeo de um veículo operado remotamente.

Alfa/Lusa.

Benfica vence em casa do Sporting e segura segundo lugar da I Liga

O Benfica venceu hoje o Sporting por 4-2, em jogo da 20.ª jornada da I Liga de futebol, num encontro que dominou quase por completo e que pôs fim a um ciclo de 28 jogos do Sporting sem perder em Alvalade para o campeonato.

Com este triunfo, o Benfica reassume o segundo posto na classificação da liga, com mais um ponto do que o Sporting de Braga e mais oito do que os ‘leões’, que em caso de vitória do FC Porto sobre o Vitória de Guimarães podem ficar a 13 da liderança.

O primeiro golo surgiu para o Benfica, aos 11 minutos, por Seferovic, e as ‘águias’ ampliaram a vantagem ao minuto 36, por João Félix. Ainda no primeiro tempo, Bruno Fernandes reduziu para o Sporting, aos 43, mas logo no recomeço de jogo, aos 46, Rúben Dias colocou a vantagem dos ‘encarnados’ novamente em dois golos, fazendo o 3-1. Aos 73, na marcação de uma grande penalidade, Pizzi fez o 4-1, e Bas Dost, aos 89, também da marca dos 11 metros, fechou o resultado em 4-2.

O Benfica entrou melhor no encontro de Alvalade e, aos quatro minutos, Grimaldo criou o primeiro lance de golo. O lateral arrancou pelo flanco esquerdo, foi até à linha de fundo e assistiu Seferovic, que só não inaugurou o marcador porque Coates cedeu canto.

Era o prenúncio do 1-0 para o Benfica, que chegaria ao minuto 11, com os mesmos protagonistas: Gabriel abriu na esquerda para Grimaldo, o espanhol cruzou certeiro para Seferovic, que desta feita enganou Coates e saltou sozinho para de cabeça inaugurar o marcador.

O Benfica controlava o jogo a meio-campo, pressionava o Sporting na saída de bola e num desses lances João Félix tem um lance genial que acaba com a bola no fundo das redes da baliza leonina. Contudo, Artur Soares Dias consultou o VAR, viu as imagens, e marcou falta do avançado ‘encarnado’ no início do lance.

Contudo, aos 36 minutos, o Benfica chegou mesmo ao 2-0 em mais um lance finalizado por João Félix: Seferovic viu a desmarcação do 79 do Benfica e meteu a bola na frente do jovem português, que com facilidade bateu Renan.

O Sporting estava apático no jogo, mas o segundo golo das ‘águias’ despertou os ‘leões’, que à passagem do minuto 43 reduziram para 2-1, por Bruno Fernandes. Num lance em que apanhou a defesa do Benfica em contrapé, Nani viu Bruno Fernandes desmarcado no flanco oposto e o médio rematou de primeira, forte, sem hipótese de defesa para Vlachodimos.

A segunda parte praticamente arrancou com o 3-1 para o Benfica. Aos 46, num livre batido por Pizzi na direita do ataque, Rúben Dias saltou mais alto do que toda a gente e de cabeça colocou a bola ao ângulo, fazendo o seu primeiro golo neste campeonato.

Aos 56 minutos, Seferovic comemorou o ‘bis’ em Alvalade, mas o lance já estava invalidado por fora de jogo, depois de uma jogada exemplar de contra-ataque das ‘águias’.

Aos 62, num livre exemplar, Raphinha fez a bola raspar no poste da baliza de Vlachodimos, mas a noite em Alvalade era ‘vermelha’ e Pizzi aumentou para 4-1 ao minuto 73, na conversão de uma grande penalidade, por falta sobre João Félix.

O Sporting estava completamente abatido e a cada lance de ataque do Benfica soavam os alarmes. Aos 76, depois de Seferovic atirar ao poste, João Félix falhou um golo feito: com a baliza aberta e Renan no chão, o avançado errou o alvo e atirou para a bancada.

Aos 79, Diaby conseguiu o 4-2 para o Sporting, mas mais uma vez o VAR atuou e cancelou a festa dos adeptos ‘verde e brancos’, o que levou a que muitos abandonassem mais cedo as bancadas de Alvalade.

Aos 89, depois de muito tempo de espera e indecisão de Artur Soares Dias ao consultar o VAR, o Sporting beneficiou também de um pénalti, Vlachodimos foi expulso por derrubar Bas Dost, e o holandês colocou o resultado final em 4-2.

Com esta vitória, o Benfica eleva para sete o número de jogos sem perder na casa dos ‘leões’ e iguala, com 32 vitórias, o número de triunfos do Sporting nos jogos para o campeonato em Alvalade.

 Resultados da 20ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 01 fev:

Rio Ave – Tondela, 2-2 (1-1 ao intervalo)

– Sábado, 02 fev:

Desportivo de Chaves – Marítimo, 1-0 (0-0)

Boavista – Feirense, 2-0 (0-0)

Desportivo das Aves – Sporting de Braga, 0-2 (0-0)

– Domingo, 03 fev:

Santa Clara – Portimonense, 2-1 (1-1)

Nacional – Vitória de Setúbal, 0-0

Sporting – Benfica, 2-4 (1-2)

Vitória de Guimarães – FC Porto, 21:00

– Segunda-feira, 04 fev:

Belenenses – Moreirense, 21:15

Alfa/Lusa.

Dois polícias franceses condenados a sete anos por violarem uma turista

Dois polícias franceses condenados a sete anos por violarem uma turista canadiana dentro da sede da polícia. Inicialmente o tribunal decidiu não os acusar, mas a persistência da vítima, que prescindiu do anonimato para poder falar, acabou por ter efeitos.

Alfa/Expresso: Por Luís M. Faria

 

Dois membros de uma força policial de elite francesa foram condenados a sete anos de cadeia por terem violado uma turista canadiana. Os factos aconteceram em 2014, após a vítima se ter embebedado num pub e ter aceite o convite para ir com eles conhecer a sede da polícia – o Quai des Orfèvres, que aparece em tantos livros e filmes policiais.

Uma vez lá, contou Emily Spanton (que prescindiu do anonimato que a lei lhe concede para poder falar do caso à vontade), fizeram-na beber mais whisky, obrigaram-na a praticar sexo oral e violaram-na diversas vezes. Também a agrediram de outras formas, por exemplo atirando-lhe a cara contra a parede.

Quando finalmente a mandaram embora, uma hora e vinte minutos depois, ela disse a um agente à entrada do edifício que tinha sido violada. Mais tarde seria alegado que esse agente tinha percebido « vol » (roubo) em vez de « viol » (violação) quando a ouviu.

Qualquer que fosse o motivo, o tribunal inicialmente decidiu não acusar os polícias. Só após um recurso eles foram submetidos a julgamento. E mesmo assim, o modo como os procuradores agiram por vezes sugeriu que a verdadeira ré era Spanton. A sua vida pessoal foi examinada a fundo, tendo os investigadores chegado a ir ao Canadá entrevistar família e amigos dela, sem mostrarem em relação aos acusados um zelo equivalente.

OUTROS PARTICIPANTES NA VIOLAÇÃO EM GRUPO?

No final, as defesas apresentadas pelos acusados não resistiram às provas. Um deles começou por garantir que não tivera contacto com Spanton, mudando de versão quando o seu ADN apareceu na roupa interior dela. A justificação última – que o sexo fora consensual – não convenceu os jurados.

Para isso contribuíram as circunstâncias do caso, o facto de os acusados terem destruído várias provas e até uma mensagem enviada por um dos réus a outro agente: « Despachem-se, ela é uma swinger. » Ao que parece, pelo menos mais um polícia poderá ter estado envolvido na violação, mas Spanton não conseguiu explicar quem.

No seu resumo dos factos, o procurador declarou: « Ao aproveitarem-se de uma estrangeira jovem e alcoolizada, tratando-a como um objeto, eles passaram para o lado daqueles que perseguem. Mentiram, falharam, esconderam. »

Quanto às falhas da investigação interna, o homem que a conduziu lamentou não ter sido chamado mais cedo, o que o impediu de isolar o local do crime e ouvir os agentes imediatamente. Durante o julgamento foi confirmado que quando ela se queixou a submeteram logo a testes de álcool e drogas, enquanto os agentes foram simplesmente para casa.

O júri levou oito horas a pronunciá-los culpados. Os condenados têm agora dez dias para recorrer. Um deles, ao ouvir o veredicto, chorou. Qualquer que venha a ser o veredicto final, o caso já é um embaraço para Brigade de Recherche et d’Intervention, a que eles pertencem.

Le 36 quai des Orfèvres, siège de la police judiciaire, s’apprète à quitter l’Île de la Cité, pour s’installer aux Batignolles.

Chega a França e é logo elevado a obra prima. Último romance de Lobo Antunes fascina franceses

« Antonio Lobo Antunes fait couler le sang de la langue portugaise dans son nouveau roman ». É este o título do jornal Le Monde para anunciar o livro editado em francês com o título « Jusqu’à ce que les pierres deviennent plus douces que l’eau » (na edição original: « Até que as pedras se tornem mais leves que a água »). 

Com este livro, escreve Florence Noiville no Le Monde, « o grande romancista volta, mais trágico do que nunca, à guerra da independência de Angola ».

« Jusqu’à ce que les pierres deviennent plus douces que l’eau » , de António Lobo Antunes, foi traduzido por Dominique Nédellec e é editado em França pela Christian Bourgois –  (576 p., 23 €). 

No texto, no Le Monde, é também confirmado que a obra do escritor português vai ser editada na Pléíade e a crítica demonstra espanto que António Lobo Antunes ainda não tenha sido laureado com o prémio Nobel da literatura.

Muito entusiasmada com o livro, Florence Noiville fala em « maravilhamento » – « o que se sente perante uma peça de joalharia muito rara ou um sumptuoso vitral: um casamento empolgante da arte e do ‘savoir-faire' ».

« No caso, uma literatura extremamente trabalhada », acrescenta.

O livro foi apresentado em Portugal como um trabalho « vertiginoso, violento e por vezes duro, num regresso do autor aos fantasmas da guerra de Angola ».

 

 

 

Sporting de Braga ascende provisoriamente a vice e pressiona dérbi de Alvalade

O Sporting de Braga venceu por 2-0 o Desportivo das Aves e ascendeu provisoriamente ao segundo lugar da I Liga de futebol, liderada pelo FC Porto, e colocou pressão no dérbi de Alvalade entre o Sporting e o Benfica.

A formação ‘arsenalista’, com 46 pontos, soma menos três do que o líder FC Porto, que domingo se desloca a casa do Vitória de Guimarães (quinto), e mais dois do que o Benfica (terceiro) e sete do que o Sporting (quarto), que se defrontam em Alvalade.

Marcelo Goiano, aos 60 minutos, e Paulinho, aos 66, marcaram os golos dos bracarenses, que somaram a terceira vitória consecutiva e impuseram a primeira derrota ao treinador Augusto Inácio, que vinha de duas vitórias consecutivas.

Com a derrota frente ao Sporting de Braga, o Desportivo das Aves caiu para a zona de despromoção, do 17.º para o 16.º lugar, com 18 pontos, os mesmos do Desportivo de Chaves (17.º), que venceu em casa por 1-0 o Marítimo.

O internacional bielorrusso Bressan marcou o único golo da partida, aos 70 minutos, permitindo ao Desportivo de Chaves somar pela primeira vez esta temporada duas vitórias consecutivas no campeonato.

Os flavienses mantiveram o 17.º lugar, mas agora com 18 pontos, mantendo-se abaixo da linha de manutenção, enquanto o Marítimo é 13.º, com 20, mas pode ser ultrapassado pelo Nacional (15.º, com 19 e menos um jogo).

O Boavista voltou às vitórias, após quatro derrotas consecutivas, a última das quais por 5-1 frente ao Benfica, ao bater o lanterna-vermelha Feirense, por 2-0, num jogo entre duas equipas na luta direta pela manutenção.

Os golos só surgiram na segunda parte, o primeiro pelo angolano Mateus, aos 57 minutos, e o segundo pelo estreante espanhol Alberto Bueno, ex-FC Porto, na cobrança irrepreensível de um livre direto, aos 82.

A formação ‘axadrezada’, com Lito Vidigal no banco, saiu da zona de despromoção e subiu provisoriamente ao 14.º lugar, com 19 pontos, tantos como os do Nacional (15.º), que domingo recebe o Vitória de Setúbal (11.º, com 20 pontos).

Sem David Simão, que saiu para o clube belga Antuérpia, e Rochinha, que foi para o Vitória de Guimarães, o Boavista ganhou hoje o espanhol Alberto Bueno e um novo ânimo para enfrentar o que falta do campeonato.

O Feirense está há 18 jornadas sem vencer e em casa do Boavista agravou a sua situação na tabela classificativa da I Liga, mantendo-se no 18.º e último posto, com 14 pontos, a quatro do Desportivo das Aves (16.º) e do Desportivo de Chaves (17.º).

Resultados da 20.ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 01 fev:

Rio Ave – Tondela, 2-2 (1-1 ao intervalo)

– Sábado, 02 fev:

Desportivo de Chaves – Marítimo, 1-0 (0-0)

Boavista – Feirense, 2-0 (0-0)

Desportivo das Aves – Sporting de Braga, 0-2 (0-0)

– Domingo, 03 fev:

Santa Clara – Portimonense, 16:00

Nacional – Vitória de Setúbal, 16:00

Sporting – Benfica, 18:30

Vitória de Guimarães – FC Porto, 21:00

– Segunda-feira, 04 fev:

Belenenses – Moreirense, 21:15

Alfa/Lusa.

Mais um sábado « normal » em Paris. O 12º consecutivo com violência

Mais violência, em mais um sábado ‘normal’ em Paris, o 12º consecutivo.

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

YOAN VALAT/LUSA

Novas manifestações dos “coletes amarelos” em França. Milhares de pessoas desfilaram em toda a França pelo 12º sábado consecutivo desde o início do movimento, em novembro de 2018. Confrontos graves esta tarde com a polícia na zona da praça da República (no centro de Paris)

Já quase todos os franceses se habituaram a este tipo de notícias: mais um sábado de manifestações dos “coletes amarelos” e de confrontos violentos com as forças da ordem.

Os incidentes semanais, muito radicais, todos os sábados, perturbam fortemente a vida dos franceses e o poder político francês desde há quase três meses.

Mas continuam, como se fossem algo do mais natural. Mais uma vez, este sábado, 02/02, os confrontos eclodiram na praça da República, de novo muito duros entre manifestantes e forças policiais.

Os “coletes” desfilaram este sábado em França em homenagem aos manifestantes feridos (cerca de dois mil), desde o início do movimento (3100 feridos no total, incluindo agentes policiais, de acordo com números oficiais).

Desde 17 de novembro de 2018, quando começaram as manifestações dos “coletes amarelos”, já morreram 11 pessoas (em acidentes relacionados com o movimento) e cerca de duzentas ficaram feridas com gravidade (algumas dezenas feridas nos olhos ou nos membros).

O luso-francês Jérôme Rodrigues, de 39 anos e que foi atingido gravemente no olho direito no sábado passado por uma bala de borracha, foi um dos líderes da manifestação de hoje em Paris.

Quando começaram os confrontos, cerca das 15h30 locais (14h30 em Lisboa), Jérôme apelou à desmobilização dos “coletes” mas, mais de uma hora depois, os incidentes continuavam muito duros, na praça da República.

As novas manifestações deste sábado decorrem depois de ter sido lançado pelo Presidente Emmanuel Macron, há poucas semanas, o “Grande Debate Nacional” sobre as reivindicações dos “coletes”.

Mas, visivelmente, esta iniciativa não chega para acalmar a crise dos “coletes amarelos” em França.

12º sábado de manifs de « coletes amarelos » em França. Opinião, por Daniel Ribeiro

12º sábado de manifs de « coletes amarelos » em várias cidades de França. Hoje, desfilam em Paris alguns dos « coletes » feridos durante manifestações precedentes.

Governo limita direito de manifestação no meio de uma polénica sobre a forma como a polícia controla as manifestações. Volte a ouvir aqui a crónica de ontem, sexta-feira, de Daniel Ribeiro:

Paulo Pisco, o deputado que é do Benfica e do Sporting. « Geringonça no futebol », escreve o DN

Geringonça no futebol. O deputado que é adepto do Benfica e do Sporting

O bem conhecido deputado e amigo da Rádio Alfa é notícia por ser do Sporting e também do Benfica!

Reportagem de David Pereira no Diário de Notícias/Alfa – adaptação

« Paulo Pisco, do PS, gosta tanto de leões como de águias. Foi o resultado de ter um tio que era « absolutamente doente pelo Sporting » e o pai « fanático pelo Benfica ». Toda a gente estranha este amor pelos dois clubes, menos o próprio », escreve o DN.

Há os que são adeptos de um dos três grandes, os que apoiam o clube da terra, os que conciliam as duas paixões, os que não têm clube e ainda o que se julgava ser impossível. Um adepto tanto do Sporting como do Benfica. Parece ser difícil de acreditar, mas existe. Chama-se Paulo Pisco, tem 57 anos, nasceu em Queluz e é deputado do Partido Socialista pelo círculo eleitoral da Europa.

Antes de mais, a pergunta que se impõe: como é que é possível tal gerigonça clubística? « Quando era miúdo, tinha um tio que era absolutamente doente pelo Sporting, nos tempos do Joaquim Agostinho, e procurava levar-me aos jogos e provas desportivas do clube, arrastava-me com ele e eu gostava. Mas por outro lado, o meu pai era um fanático pelo Benfica, embora acompanhasse os jogos pela rádio e não ao vivo. Com cada um a tentar convencer-me para ser do seu clube, acabei por oscilar entre os dois. Houve alturas em que era mais do Sporting, outras em que era mais do Benfica, dependendo dos resultados. Era normal nos miúdos », contou ao DN em conversa na Assembleia da República.

« Com a minha filha aconteceu a mesma coisa, mas ela acabou por fixar-se no Sporting. Já eu não me fixei em nenhum. Fui aprendendo a gostar dos dois clubes, sem ser doente ou fanático do futebol. Gosto de jogos de futebol, sobretudo dos desafios em que as equipas nacionais jogam com estrangeiras, e os únicos jogos que me põe realmente nervoso e ansioso são os da seleção nacional », acrescentou, confessando que só a conquista do título europeu em 2016 por parte da seleção nacional o fizeram sair de casa para comemorar efusivamente.

Capaz de « dar um grito » pelos dois

Outra pergunta pertinente: como viverá Paulo Pisco os dérbis? « Nessas alturas fico eu próprio surpreendido, porque o que gosto de ver é o futebol. Se o Benfica marcar um golo sou capaz de dar um grito e fico satisfeito, e se o Sporting marcar um golo, idem. Manifesto-me com o mesmo entusiasmo. Para mim é natural, são os clubes da minha cidade, que sempre vi como os grandes clubes de Lisboa, com grandes jogadores », confessou o ex-jornalista, que só há uns anos passou a assumir declaradamente ser dos dois clubes.

« Só aí é que percebi que consideravam um fenómeno, muito difícil de encontrar. Foi a partir daí que assumi declaradamente o meu biclubismo. Passei a dizer com orgulho que gosto tanto do Benfica como do Sporting. Sempre tinha vivido com este biclubismo sem nunca ter dado grande importância a esta questão », prosseguiu o deputado, alvo de reações incrédulas das pessoas com que se cruza.

« Há os que me dizem: ‘és maluco, não podes dizer isso a ninguém!’, ‘vais perder os votos dos benfiquistas e dos sportinguistas’, ‘isso é uma coisa que não acontece em lado nenhum’, ‘isso é impossível’… E eu divertia-me com a reação das pessoas, porque diziam isso com um misto de surpresa e divertimento », frisou, bem-disposto.

(…)

Embora admita que possam existir « algumas pessoas » para as quais o seu biclubismo « possa ser importante », diz que continuará a assumi-lo « com convicção e honestidade », apelando ao civismo para o grande jogo deste fim de semana. « Espero que os adeptos se comportem. Que não se agridam como muitas vezes acontece, o que destrói a imagem e a beleza do futebol. E que os dirigentes estejam à altura das suas responsabilidades e que não incitem direta ou indiretamente os seus adeptos a serem antagonistas dos outros », rematou Paulo Pisco, motivo de sorrisos e comentários enquanto posava e passeava pelos corredores do Palácio de São Bento com os almanaques de Benfica e Sporting.

Reportagem para le na íntegra no DN

“Sou o Rui Pinto, o ‘John’ dos Football Leaks, e sei que as autoridades portuguesas não querem investigar os crimes”

Entrevista exclusiva (EXPRESSO): “Sou o Rui Pinto, o ‘John’ dos Football Leaks, e sei que as autoridades portuguesas não querem investigar os crimes”. Depois de o seu advogado francês, William Bourdon, ter assumido na semana passada que Rui Pinto é “John” —  o whistleblower por detrás de 70 milhões de documentos do Football Leaks —, o português deu uma entrevista à Der Spiegel, ao Mediapart e ao canal público alemão NRD no seu apartamento em Budapeste onde se encontra em prisão domiciliária, para responder às acusações de que é alvo em Portugal

Por: Rafael Buschmann e Michael Wulzinger (Der Spiegel), Yann Philippin (Mediapart), Hendrik Maaßen e Nino Seidel (NDR)

É a primeira vez que Rui Pinto fala em público, assumindo desde já o seu papel como “John”, o whistleblower que está por detrás do Football Leaks e que forneceu mais de 70 milhões de documentos à Der Spiegel nos últimos três anos e que esta revista alemã partilhou com o consórcio de jornalismo EIC (European Investigative Collaborations), de que o Expresso faz parte. Esta é uma versão resumida de uma entrevista alargada feita em Budapeste pela Der Spiegel, em conjunto com o Mediapart e o NDR, e que será publicada este sábado na edição impressa do Expresso.

Alfa/Expresso: Leia mais este sábado no Expresso

É um hacker?
Não me considero um hacker, mas um cidadão que agiu em nome do interesse público. A minha única intenção era revelar práticas ilícitas que afetam o mundo do futebol.

Pode dizer-nos como conseguiu obter mais de 70 milhões de documentos confidenciais e, nalguns casos, bastante delicados sobre a indústria internacional de futebol?
Iniciei um movimento espontâneo de revelações sobre a indústria do futebol. Não sou o único envolvido. Ao longo do tempo, mais e novas fontes de informação foram aparecendo e partilhando material comigo e a base de dados foi crescendo. Isto mostra que há muita gente preocupada com este assunto.

O mandado europeu emitido pelo Ministério Público português em seu nome e que levou à sua detenção há duas semanas acusa-o de cibercrime. Tem a ver com o Sporting e com a publicação de mails confidenciais em 2015. O que tem a dizer disso?
Estou pronto para explicar isso à autoridades judiciais quando for a altura certa, mas nego essa descrição das coisas.

Além disso, é acusado de utilizar informação privilegiada para chantagear a Doyen Sports no outono de 2015.
A única razão pela qual contactei a Doyen foi para confirmar a ilegalidade das suas ações, com base na quantidade de dinheiro que estivessem dispostos a pagar para que os documentos não fossem divulgados.

Isso não é um jogo. Parece chantagem.
Queria perceber o quão valiosos e o quão importantes eram os documentos para a Doyen. Achei que conseguia descobrir isso se soubesse o quanto a Doyen estava disposta a pagar pelo meu silêncio. Nunca foi minha intenção aceitar o dinheiro. Só queria expor a Doyen.

Até arranjou um advogado que ficou de arranjar um acordo para si. Ele encontrou-se com o diretor executivo da Doyen.
É verdade. Quis perceber quanto lhe ofereciam. Enquanto ele negociava, eu continuei a ler os documentos. Enquanto o fazia, dizia para mim mesmo: se os deixo comprarem-me agora, não valho mais que todos estes esquemas. Por isso escrevi à Doyen e disse-lhes para ficarem com o dinheiro. Não me pagaram um único cêntimo. O que fiz foi muito ingénuo. Olhando para trás, arrependo-me. Mas repito, nego ter cometido qualquer crime.

Foi divulgado que os investigadores em Portugal suspeitam que deu ao FC Porto e-mails incriminatórios do Benfica. A publicação desses documentos incendiou Portugal e mergulhou o Benfica numa crise. Teve alguma coisa a ver com isso?
Não li nenhuma declaração das autoridades sobre uma relação entre mim e o escândalo do Benfica. Uma revista publicou a história do Benfica no outono passado. Isso mudou a minha vida. A minha fotografia estava nas primeiras páginas dos jornais por todo o país. A minha conta de Facebook e o meu e-mail foram inundados com ameaças de morte.

Alguma vez ganhou dinheiro com o conhecimento que tinha dos crimes relacionados com a indústria do futebol?
Sei que esses rumores existem em Portugal. Para lhe dar uma resposta direta: não, nunca.

Recebeu ofertas para revelar os dados que possui?
Várias. Uma vez recebi um e-mail anónimo em que me era oferecido mais de meio milhão de euros. Recusei todas as ofertas, porque nunca agi com o propósito de ganhar dinheiro, mas sim com base no interesse público.

O advogado que negociou com a Doyen em seu nome em 2015 já o tinha representado antes numa disputa com o Caledonian Bank nas Ilhas Caimão. Os jornais portugueses dizem que roubou 300 mil dólares desse banco. É verdade?
No final, não recebi nenhum dinheiro desse banco. Não é que tenha roubado o dinheiro, essa não é a verdadeira história.

Qual é então a verdadeira história?
Não estou autorizado a falar sobre essas circunstâncias específicas porque assinei um contrato de confidencialidade com o banco. Uma coisa é certa: se tivesse cometido um crime, o banco ter-me-ia levado a tribunal. O caso nunca foi a tribunal e o meu registo criminal está limpo até hoje, em Portugal e em qualquer parte do mundo.

Por que é que comprou uma guerra com o Caledonian Bank?
Naquela altura, os bancos em Portugal estavam a falir; as pessoas perderam as suas poupanças de uma hora para a outra. Ao mesmo tempo, cada vez mais dinheiro desaparecia da Europa. Era claro que algo de errado se passava. Quis perceber melhor o que se passava. Quis perceber o sistema das offshore.

De onde tirou a ideia de, no outono de 2015, lançar o site Football Leaks?
Sou fanático por futebol desde criança e já tinha percebido, desde o Caso Bosman, que o futebol estava a caminhar na direção errada. Os melhores dos jogadores jovens estavam a ir para as melhores equipas; toda a competição estava a dar vantagem aos clubes de topo. O grande impulsionador para mim foi o escândalo da FIFA em 2015. Além de todas as detenções que foram feitas na FIFA, vi que havia irregularidades em muitas transferências dentro de Portugal. Que mais e mais investidores invadiam o mercado. Comecei a recolher dados.

Foi contactado por alguma autoridade depois de ter feito as primeiras revelações do Football Leaks em 2016?
Recebi alguns emails de autoridades fiscais, incluindo uma da Alemanha, de Munique.

Qual foi o seu comportamento nessa altura?
Alguns pedidos foram feitos à bruta. Os investigadores financeiros ingleses queriam saber o meu nome e onde vivia. Isto é de loucos para um whistleblower que quer manter-se anónimo; claro que não respondi. Na altura não tinha advogados. Precisava de tempo e de uma estratégia que garantisse a minha segurança. Naquela altura, o pedido mais credível veio de França.

Porque está a resistir à extradição para o seu país?
Tenho quase a certeza que não terei um julgamento justo em Portugal. O sistema judicial português não é inteiramente independente; existem muitos interesses escondidos. Claro que há procuradores e juízes que levam o seu trabalho a sério. Mas a máfia do futebol está em todo o lado. Querem passar a mensagem que ninguém se deve meter com eles.

Leia mais este sábado na edição impressa do Expresso.

« Helena » atinge Portugal continental de Norte a Sul. Alerta mantem-se amanhã, sábado

Mais de 50 ocorrências em vários distritos do continente devido ao mau tempo. Alerta mantem-se amanhã, sábado.

Mais de 50 ocorrências em vários distritos do continente devido ao mau tempo

Foto: MÁRIO CRUZ

Alfa/Lusa
Mais de 50 ocorrências relacionadas com quedas de árvores e estruturas, movimento de massas e inundações foram registadas em vários distritos do continente pela Proteção Civil entre as 00:04 e as 08:25 devido ao mau tempo.

De acordo com informação divulgada na página da Internet da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), até às 08:25 foi registado um total de 57 ocorrências, que mobilizaram 90 operacionais, com o apoio de 75 veículos.

Às 08:25, estava uma ocorrência em resolução, 16 em curso e 40 em conclusão.

As ocorrências foram registadas nos distritos de Viseu (10), Vila Real (4), Viana do Castelo (10), Setúbal (2), Porto (8), Portalegre (1), Lisboa (2), Leiria (2), Coimbra (3), Braga (4), Beja (3) e Aveiro (6).

Segundo dados da ANPC, as ocorrências dizem respeito a quedas de árvores, movimento de massas, limpezas de via e sinalização de perigo, queda de estruturas temporárias ou móveis, de elementos de construção, desabamento de estruturas edificada e inundações de estruturas ou superfícies por precipitação intensa.

Portugal continental está a ser afetado pelos efeitos da depressão “Helena”, centrada a noroeste do golfo de Biscaia, Espanha.

Esta depressão vai afetar Portugal Continental em particular no que respeita ao vento e à agitação marítima na costa ocidental.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa e Setúbal vão estar entre as 12:00 e as 21:00 de hoje sob aviso vermelho devido à previsão de agitação marítima.

Além do vermelho para a agitação marítima, o IPMA emitiu avisos laranja e amarelo para hoje e sábado de vento para todos os distritos de Portugal continental, exceto Évora, e de neve para Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aveiro e Coimbra.

Para hoje está previsto vento forte de noroeste, com rajadas até 75/85 km/h no litoral, que deverão atingir valores da ordem de 110 km/h a norte do cabo Mondego e nas terras altas do Minho e Douro litoral e da região Centro.

Quanto à agitação marítima, a previsão aponta para a costa ocidental ondas de 5 a 7 metros, e temporariamente a norte do cabo Raso, passando a 7 a 8 metros durante a tarde e início da noite, e com uma altura máxima que poderá atingir 15 metros.

Devido à passagem de uma massa de ar polar pós-frontal fria, prevê-se ocorrência de aguaceiros que poderão ser localmente intensos, de granizo e acompanhados de trovoada, e sob a forma de neve nas terras altas.

O IPMA prevê ainda uma descida da temperatura, o que associado ao vento forte aumentará o desconforto térmico.

Por causa do mau tempo, a Autoridade Nacional de Proteção Civil alertou para a possibilidade de cheias, formação de lençóis de água e gelo e quedas de árvore devido às previsões de chuva, neve, vento e agitação marítima para os próximos dias.

Também a Autoridade Marítima Nacional alertou para o agravamento das condições meteorológicas e oceanográficas na zona norte de Portugal continental, entre a madrugada de hoje e a de sábado.