Macron aumenta salário mínimo e paga para acalmar revolta dos “coletes amarelos”. “Compreendi a cólera”

Presidente francês anunciou esta segunda-feira um aumento de 100 euros do salário mínimo (que passa para 1598 euros brutos)

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Emmanuel anunciou igualmente medidas favoráveis aos reformados que recebem pensões até 2 mil euros, a suspensão das taxas sobre as horas de trabalho extraordinário e um “prémio de fim de ano” para os trabalhadores das empresas que o podem pagar.

No que respeita ao imposto sobre as grandes fortunas, reclamado pelos “coletes”, não cedeu, bem como nas reformas políticas, nomeadamente a introdução do sistema proporcional nas eleições legislativas francesas.

Na sua comunicação ao país, que era muito aguardada, não há também o anúncio de uma remodelação governamental, que alguns analistas tinham previsto.

O aumento de 100 euros do salário mínimo será sem encargos para os patrões e terá efeito já em 2019. Macron justificou as medidas sociais numa comunicação gravada esta segunda-feira de tarde no Palácio do Eliseu porque o país se encontra num “estado de emergência económica e social”.

Em primeira análise, trata-se de uma viragem à esquerda do chamado “Presidente dos ricos”, considerado demasiado altaneiro e arrogante, que até pediu desculpa aos franceses por “ter ferido alguns” com algumas suas declarações durante os seus 18 meses de mandato.

É de realçar que não há qualquer medida política anunciada esta segunda-feira pelo Presidente, que pela primeira vez e certamente devido à pressão do extraordinário e inédito movimento dos “coletes amarelos”, parece ter decidido ser mais concreto e humano do que nunca.

Emmanuel Macron parece ter desejado atingir diversas categorias dos franceses que se têm manifestado desde há um mês em França e que, apesar da violência dos “casseurs”, contam com o apoio de mais de dois terços da população. A certa altura da sua comunicação chegou a dizer que os protestos revelam uma “cólera justa”.

Condenou no entanto a violência e prometeu castigar os que cometem atos de “desordem e anarquia”.

No que respeita às reações, a generalidade dos representantes dos “coletes amarelos” disse que se tratou de um “primeiro passo” do Presidente.

Este movimento, nascido na internet sem líderes nem ideologia, continuava nesta segunda-feira à noite a bloquear estradas um pouco por toda a França. Alguns dos manifestantes disseram esta noite que o movimento vai continuar e alguns sublinhavam que o Presidente não respondeu, designadamente, à sua reivindicação de referendos de iniciativa popular nem à introdução do sistema proporcional nas legislativas, nem à reposição do ISF.

No campo político, Marine le Pen, chefe dos nacionalistas e populistas franceses, afirmou que “Macron recua para melhor saltar”. “Perante a contestação, renuncia às suas divagações fiscais, é bom, mas recusa admitir que é o seu modelo de globalização selvagem ultraliberal que é contestado”, declarou.

Benoît Hamon, candidato socialista às presidenciais, disse que “é demasiado pouco”. “O aumento do salário mínimo através das cotizações sociais quer dizer que será a Segurança Social que o vai financiar, não os ricos nem os grandes acionistas das empresas”, explicou.

Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda não alinhada e também candidato às últimas presidenciais, criticou Emmanuel Macron, dizendo: “ele julga que ao distribuir umas moedas vai acalmar a insurreição que rebentou … os que estão nesse movimento vão responder-lhe”.

No campo sindical, a confederação CGT, próxima dos comunistas, apela a uma mobilização conjunta já na próxima sexta-feira com os “coletes amarelos”. Philippe Martinez, secretário geral da central sindical disse que as medidas “são insuficientes”.

Quanto ao Governo, reagiu pela voz do duro ministro do Interior, Christophe Castaner, que afirmou: “a violência tem de terminar e a calma deve voltar ao país” depois da comunicação do Presidente da República.

« Coletes ». Chegou a hora da verdade para Emmanuel Macron

“Coletes amarelos”. Chegou a hora da verdade para Emmanuel Macron, que fala esta noite ao país. Os tumultos e a revolta dos “coletes” encostaram o jovem Presidente francês à parede. Macron fala esta noite à nação, nas televisões. Se falhar, morreu. A França continuará a arder até ele cair. E Marine le Pen ficará com a porta do poder aberta.

Emmanuel Macron, com o primeiro-ministro Edouard Philippe (em segundo plano), vai ser obrigado a recuar. Foto: YOAN VALAT / EPA

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro (adaptação)

A comunicação de Emmanuel Macron ao país (esta noite, à hora dos telejornais – 19h em Lisboa) está a gerar tantas ou mais expectativas no país do que uma final de um Mundial de futebol disputada pela França.

Depois de quatro sábados consecutivos de violência extrema e de manifestações muito radicalizadas em todo o país, o jovem chefe de Estado (41 anos), sem passado político e com muito pouca experiência nessa área, joga tudo esta noite.

Emmanuel Macron chegou ao poder máximo em França depois do seu antecessor, François Hollande, o ter chamado para o seu Governo, por ser um brilhante economista com uma carreira excecional num conhecido banco de negócios (Rothschild).

Depois de entrar no Executivo, manobrou nos bastidores, traiu Hollande e ganhou as presidenciais da primavera de 2017 graças a um movimento original que lançou e porque, na segunda volta, teve pela frente a líder nacionalista e populista, Marine le Pen, que a maioria dos franceses não quis.

O seu movimento chamava-se “Em Marcha” e era algo inédito no país. Macron lançou os seus “marcheurs” (caminhantes) e eles foram de porta em porta, literalmente, dizer aos franceses, quase um a um, que a forma de fazer política em França iria mudar com ele no Eliseu. Prometeu tudo e, designadamente, que seria um Presidente que sempre escutaria os seus compatriotas e que nunca deixaria de estar em contacto com eles.

Nas eleições, Macron destruiu todos os partidos, menos o de Marine le Pen (RN – Ajuntamento Nacional). Até a “França Insubmissa”, de Jean-Luc Mélenchon (esquerda não alinhada) entrou recentemente em crise.

RECUO INEVITÁVEL DO “PRESIDENTE ARROGANTE DOS RICOS”

Mas, depois de ser eleito, o Presidente fechou-se no Eliseu, aboliu o Imposto sobre as Grandes Fortunas, e disse que queria ser um “Presidente Júpiter” (em oposição ao “Presidente normal”, que tinha desejado ser Hollande).

Desprezou os chamados “corpos intermediários”, sobretudo os sindicatos – e é agora chamado nas ruas de França, pelos “coletes”, de o “Presidente arrogante dos ricos”.

As taxas sobre os carburantes, previstas para entrarem em vigor a 1 de janeiro e que já foram anuladas devido à pressão das manifestações, foram a gota de água que fez transbordar o vaso do descontentamento.

Agora os “coletes” querem mais, muito mais – aumentos de salários e de pensões, baixas de impostos e até novas eleições legislativas e presidenciais, bem como a introdução do sistema proporcional no escrutínio para o Parlamento.

Encostado à parede, Emmanuel Macron chamou esta manhã, à pressa, ao Eliseu, as centrais sindicais. Reuniu-se com os sindicalistas (e também com representantes do patronato e “eleitos dos territórios”) durante várias horas, mas tudo parecia muito improvisado.

O seu objetivo era claro: preparar a sua comunicação desta noite, apagar o incêndio que atinge todo o país desde há quase um mês e pediu ajuda aos sindicatos.

Parece evidente que Emmanuel Macron vai ter de recuar e sobretudo de anunciar medidas concretas e muito claras sobre o poder de compra dos seus compatriotas.

Terá de ser mesmo muito concreto e jogará tudo esta noite. Se falhar, não terá uma segunda hipótese porque os “coletes” permanecem mobilizados, têm o apoio de dois terços da população e continuam a gritar, nos bloqueios de estradas, que continuavam nesta segunda-feira, “Macron demissão”.

Mesmo uma remodelação governamental ou uma mudança de primeiro-ministro não chegarão para acalmar o fogo que atinge a França. Mesmo um pedido de desculpas pela forma distante como tem exercido o poder não chegará para acalmar a revolta.

Emmanuel Macron está encostado à parede – e Marine le Pen e o seu partido surgem como os melhor colocados para vencerem eleições antecipadas, se elas tiverem lugar.

Rádio Alfa. Estamos a emitir para Paris, Lyon, Estrasburgo e Lille

A RÁDIO ALFA pode agora ser ouvida também, através do sistema radiofónico digital, DAB, nas regiões de LYON, ESTRASBURGO, LILLE e PARIS.

Na região parisiense pode continuar a ser sintonizada, claro, em FM, 98.6.

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River Plate bate Boca Juniors no prolongamento e conquista Taça Libertadores

O River Plate conquistou hoje pela quarta vez a Taça Libertadores em futebol, ao bater o Boca Juniors por 3-1, após prolongamento, na segunda mão da primeira final 100% argentina da prova, disputada no Santiago Bernabéu, em Madrid.

Darío Benedetto adiantou os ‘xeneides’, aos 44 minutos, mas os ‘milionários’, que repetiram 1986, 1996 e 2015, deram a volta ao resultado, com tentos de Lucas Pratto, aos 68, do ex-portista Juan Quintero, aos 109, e de Pity Martínez, aos 120+2.

O encontro realizou-se em Madrid porque adeptos do River Plate atacaram o autocarro do Boca Juniors quando este se dirigia para o Monumental Nünez, a casa dos novos campeões sul-americanos, que deveria ter recebido a segunda mão a 24 de novembro.

O River Plate, que vai agora disputar o Mundial de clubes, igualou os compatriotas do Estudiantes no quarto lugar do ‘ranking’, que é liderado pelos também argentinos do Independiente, com sete cetros, contra seis do Boca.

Na primeira mão, no La Bombonera, a 11 de novembro, registou-se uma igualdade a dois golos, numa final em que os golos apontados fora não valiam a ‘dobrar’.

Alfa/Lusa.

Sporting vence Desportivo das Aves e segura segundo lugar da I Liga

O Sporting somou hoje a quarta vitória seguida na I Liga de futebol, ao derrotar em casa o Desportivo das Aves, por 4-1, na 12.ª jornada, e conservou o segundo lugar, a dois pontos do FC Porto.

Na estreia de Marcel Keizer em jogos no Estádio José Alvalade, o Sporting viu-se a perder, após um golo de Rodrigo Defendi (17 minutos), mas deu a volta e somou a quarta vitória sob comando do treinador holandês, segunda no campeonato.

Bas Dost marcou por duas vezes (40 e 48), a primeira de grande penalidade, e passou para o topo da lista de marcadores da Liga, com oito golos, enquanto Nani (45+1) e Diaby (59) fizeram os restantes tentos, o último já depois de o Sporting estar reduzido a 10, por expulsão de Acuña (57).

O Sporting, que fez 17 golos nos quatro jogos de Marcel Keizer, passou a somar 28 pontos e manteve a segunda posição, atrás do FC Porto, e com um ponto de vantagem sobre o Sporting de Braga e dois em relação ao Benfica.

Resultados da 12.ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 07 dez:

FC Porto – Portimonense, 4-1 (1-1 ao intervalo)

– Sábado, 08 dez:

Belenenses – Desportivo de Chaves, 1-0 (1-0)

Tondela – Sporting de Braga, 0-1 (0-1)

Vitória de Setúbal – Benfica, 0-1 (0-1)

– Domingo, 09 dez:

Nacional – Boavista, 0-0

Moreirense – Santa Clara, 0-1 (0-0)

Vitória de Guimarães – Rio Ave, 3-2 (2-1)

Sporting – Desportivo das Aves, 4-1 (2-1)

– Segunda-feira, 10 dez:

Feirense – Marítimo, 21:15

Alfa/Lusa.

Emmanuel Macron fala aos franceses na segunda-feira

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O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai dirigir-se à nação na segunda-feira às 20:00, anunciou hoje o Eliseu, após o silêncio em relação às últimas manifestações dos « coletes amarelos ».

O Eliseu não forneceu mais detalhes sobre a intervenção de Macron.

Esta será a primeira intervenção pública de Macron na sequência das últimas manifestações dos « coletes amarelos », já que foi o primeiro-ministro, Edouard Philippe, que deu a cara na gestão dos protestos que assumiram momentos de grande violência.

Durante a manhã, Emmanuel Macron vai reunir-se com os sindicatos, entidades patronais e altas instituições do Estado, preparando terreno para enfrentar a crise dos « coletes amarelos ».

No sábado, o primeiro-ministro francês tinha anunciado que Emmanuel Macron iria propor « medidas » que visam « recuperar a unidade nacional ».

« O Presidente da República vai falar. Vai propor medidas que vão contribuir para o diálogo e que permitirão, assim espero, que a nação francesa se encontre e esteja à altura dos desafios que existem e que vão continuar a surgir nos próximos anos », disse o chefe do Governo no sábado, sem avançar detalhes.

Durante esta fase de ‘mutismo’ do Presidente francês, termo escolhido pelas agências noticiosas para aludirem ao silêncio de Macron, Philippe e vários ministros esforçaram-se para transmitir a mensagem de que Macron está consciente do descontentamento e abriu « uma fase de escuta ».

O porta-voz do Governo, Benjamin Griveaux, fez em seu nome um ato de contrição ao contar que o chefe de Estado « reconheceu que algumas das suas palavras poderão ter ferido », numa alusão a frases que davam uma imagem arrogante de Macron e que alimentaram o ódio contra o Presidente francês, visível nos atos dos « coletes amarelos ».

A questão agora é que tipo de medidas poderão acalmar o descontentamento porque os números de participantes nas manifestações de sábado, 136.000 segundo o Ministério do Interior, estão em linha com as da semana anterior.

O dispositivo de segurança « excecional » (89.000 agentes) que o Governo mobilizou em véspera do quarto sábado consecutivo de mobilização dos « coletes amarelos » limitou a violência física.

O ex-primeiro-ministro Alain Juppé destacou que as « consequências de tudo isto são desastrosas », não só para o comércio, como para o turismo, mas, pior ainda, provocam « danos na imagem internacional de França ».

O conservador Juppé, ‘padrinho’ político de Philippe, insistiu que « isto deve cessar » e que o Presidente da República deve falar « rápido e forte » e que algumas das exigências dos « coletes amarelo » « merecem resposta, nomeadamente no caso do poder de compra.

Já numa linha mais distante está o chefe da diplomacia, Jean-Yves Le Drian, antigo barão socialista, que sublinhou que « agora a questão principal é o poder de compra », manifestando-se convencido que as palavras de Macron demonstrarão « que entendeu este movimento » e irá fixar a direção para que França se encaminha para « um novo contrato social indispensável ».

Independentemente da solução, uma coisa é certa, « a crise atual terá um impacto significativo sobre o nível de crescimento no final do ano », de acordo com o ministro da Economia e Finanças, Bruno Le Maire.

Por sua vez, a Federação do Comércio e Distribuição antecipou que o setor vai perder mais de 1.000 milhões de euros em faturação e o presidente da Confederação de Pequenas e Médias Empresas, François Asselin, advertiu que haverá « muitas quebras », em entrevista ao Le Journal du Dimanche.

Asselin adiantou que as perdas poderão chegar 10.000 milhões de euros e terá o seu corolário de despedimentos.

Alfa/Lusa.

Coletes amarelos. Macron recua, mas inquieta europeus

“Coletes amarelos”. Macron recua, mas continua a inquietar europeus. Presidente Emmanuel Macron vai finalmente falar ao país no início da semana. Vai recuar perante a revolta dos “coletes amarelos”, mas diplomatas europeus continuam inquietos. “Se ele cair a porta fica aberta para Marine le Pen”, diz um embaixador ao Expresso.

Alfa/Expresso. Adaptação. Por Daniel Ribeiro

França voltou ao caos, ontem, sábado. Menor em Paris do que nos dois sábados precedentes, mas muito maior em grandes cidades da província como Bordéus ou Marselha.

O Presidente Emmanuel Macron precisava de mostrar que as autoridades eram capazes de limitar os estragos em Paris e de certo modo conseguiu-o embora as pilhagens e os confrontos tivessem de novo atravessado a cidade de lés a lés. Desta vez até chegou ao chique bairro do Marais e, também, à praça da República e à zona do bairro dourado do Parque Monceau (onde está instalado o Consulado-Geral de Portugal), além dos problemas já habituais nos Campos Elísios e ruas e avenidas mais próximas.

Nas manifestações, a palavra de ordem mais ouvida continuava a ser “Macron demissão”, gritada em coro por todo o lado e escrita em monumentos e um pouco por todo o lado, incluindo no resto do país. A segunda e terceira continuava a ser o aumento do poder de compra e dos salários e das pensões e a baixa dos impostos.

Na província, o centro de Bordéus viveu um inferno, com incêndios simultâneos de diversas barricadas gigantes e confrontos e pilhagens graves.

Cenas de caos aconteceram um pouco por todo o país – de Paris e Bordéus a Lyon, Nantes, Avignon, Toulouse, Saint-Étienne ou Marselha, entre outras cidades. E, apesar da violência, durante quatro sábados consecutivos, os “coletes” continuam a ter o apoio de dois terços da população.

Finalmente consciente, diz-se nos corredores do poder em Paris, de que há “um corte profundo” entre ele e os franceses, Emmanuel Macron vai falar ao país provavelmente amanhã, segunda-feira, à noite. E recuará, designadamente na fiscalidade e nas ajudas aos assalariados mais desfavorecidos.

Segundo as informações recolhidas pelo Expresso em Paris, estará disposto quase a “pedir desculpa” (de forma indireta, claro) aos franceses “pela sua arrogância”, designadamente por ter chamado, na Dinamarca, “gauleses refratários à mudança”, aos seus compatriotas. Ou pela forma displicente e fanfarrã como encarou o caso do seu ex-chefe de segurança, Benalla, suspeito de ter tentado montar uma polícia paralela no Eliseu e que foi filmado a bater em manifestantes no passado dia um de maio, em Paris.

O Presidente jogará tudo na sua comunicação ao país. Falará sob pressão porque os “coletes” querem ouvir respostas claras e concretas e marcaram, entretanto, para o próximo sábado, novas manifestações para todo o país.

Emmanuel Macron, que desejou ser Júpiter, no Eliseu, vai descer ao terreno. Esteve durante vários dias fechado no Palácio Presidencial, mas soube que, por exemplo no edifício da Ópera Garnier foi escrito: “Macron = Louis 16”, numa alusão ao rei guilhotinado pela Revolução Francesa.

Diplomatas europeus em Paris contatados este fim de semana e nos últimos dias pelo Expresso, seguem com muita apreensão o que se passa em França. Para eles, um descalabro de Macron, que foi o seu herói há poucos meses por ter travado o populismo, poderia abrir as portas do poder a Marine le Pen, a líder nacionalista e populista francesa.

Se ele cair a porta fica aberta para Marine le Pen”, diz um embaixador ao Expresso.

 

Coletes amarelos. França está a arder e autarca fala em “cenas de apocalipse” (atualizado com balanços)

Violência, incêndios e pilhagens por todo o país. Situações muito graves em cidades da província

Alfa/Expresso (com Lusa), Por Daniel Ribeiro

JULIEN DE ROSA/EPA

Em Bordéus diversas barricadas arderam no centro da cidade, em Toulouse, Saint-Étienne, Marselha, Nantes e Lyon há relatos de confrontos e de lojas e centros comerciais pilhados. Em Paris verificaram-se confrontos durante a noite na Praça da República

O Presidente da Câmara de Saint-Étienne, Gael Perdriau (direita, do partido Os Republicanos) fala esta noite nas televisões de “cenas de apocalipse” na sua cidade e responsabiliza o Presidente Emmanuel Macron pela violência. “Ele concentrou todas as forças da polícia para controlar a situação em Paris, desleixou as outras regiões e não fala ao país, está fechado no Eliseu, as pessoas não compreendem o seu silêncio e revoltam-se, ofendidas”, disse.

De Bordéus, às 20h40 locais (menos uma hora em Lisboa) chegavam imagens terríveis: o centro da cidade estava com diversas barricadas em chamas e a situação parecia completamente fora de controlo.

De Marselha, Nantes e Lyon chegavam igualmente notícias alarmantes sobre confrontos muito violentos durante este sábado de manifestações de “coletes amarelos”.

Em Paris, os incidentes mais importantes decorriam na Praça da República. No entanto, por volta das 21h locais, a situação parecia estar controlada pela polícia no centro da capital, onde se continuava a viver apesar de tudo uma grande tensão , com momentos de confrontos esporádicos muito violentos e pilhagens.

Nos Campos Elísios, viam-se cenas que pareciam quase surrealistas. Toda a célebre avenida estava ocupada por centenas de policias e respetivos veículos e as flamejantes iluminações de Natal estavam acesas. Mas não havia civis, nem qualquer turista a passear na “mais bela avenida do mundo”, como dizem os prospetos turísticos franceses. Nem um café nem uma loja estavam abertos a essa hora nos Campos Elísios.

O Governo, pela voz do primeiro-ministro, Édouard Philippe, anunciou antes das 20 horas que a situação estava controlada na capital e que chegou “a hora do diálogo”. Na mesma ocasião, Philippe informou que o Presidente Emmanuel Macron vai falar ao país « brevemente ».

BALANÇO PROVISÓRIO DAS AUTORIDADES

O balanço provisório dos incidentes dá conta de pelo menos 1385 pessoas presas e mais de 130 feridos, anunciou este sábado o ministro do Interior francês, Christophe Castaner.

Os protestos dos « coletes amarelos » reuniram hoje 125.000 pessoas em toda a França, dos quais 10.000 em Paris, disse ainda o governante.

O ministro do Interior adiantou que 135 pessoas ficaram feridas nos protestos, incluindo 17 polícias.

« Há 1385 detenções, à hora que vos falo, e esse número vai aumentar. Havia 975 pessoas identificadas e esse número vai aumentar », declarou o ministro.

O número de detenções tem como referência as 18h locais (17h em Lisboa) prevendo-se que possa aumentar devido aos distúrbios que continuam a atingir a capital francesa, bem como outras cidades, de acordo com Castaner, que falou aos media junto do primeiro-ministro, Éduouard Philippe, que saudou a ação da polícia.

« As forças de ordem fizeram com que se respeitasse a lei », sublinhou Philippe, acrescentando que agora é o momento para o diálogo, que ele próprio iniciou este sábado com os « coletes amarelos » e que « deve continuar ».

Em Paris, até ao início da tarde, tinham sido identificadas 651 pessoas e 534 estavam sob custódia.

No total foram mobilizados para todo o território francês 89.000 membros das forças da ordem, 8000 dos quais para Paris.

Veículos blindados da polícia militarizada foram excecionalmente mobilizados para a capital francesa e circularam para dissuadir os manifestantes ou destruir barricadas.

Benfica vence em Setúbal e mantém distância para o FC Porto na I Liga

O Benfica venceu hoje no terreno do Vitória de Setúbal, por 1-0, em jogo da 12.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, e subiu provisoriamente a terceiro, aguardando o resultado do Sporting no domingo.

No Estádio do Bonfim, o avançado brasileiro Jonas fez o seu quarto golo na Liga, aos 17 minutos, e deu ao Benfica a terceira vitória seguida no campeonato, que permite aos ‘encarnados’ alcançar os 26 pontos, permanecendo a quatro do líder FC Porto e a um do Sporting de Braga.

O Benfica espera agora pelo desfecho do jogo do Sporting, que recebe o Desportivo das Aves no domingo e, em caso de vitória, retoma a segunda posição, a dois pontos dos ‘dragões’.

Resultados da 12ª jornada da I Liga de futebol (Horas de Paris):

– Sexta-feira, 07 dez:

FC Porto – Portimonense, 4-1 (1-1 ao intervalo)

– Sábado, 08 dez:

Belenenses – Desportivo de Chaves, 1-0 (1-0)

Tondela – Sporting de Braga, 0-1 (0-1)

Vitória de Setúbal – Benfica, 0-1 (0-1)

– Domingo, 09 dez:

Nacional – Boavista, 16:00

Moreirense – Santa Clara, 16:00

Sporting – Desportivo das Aves, 21:00

Vitória de Guimarães – Rio Ave, 18:30

– Segunda-feira, 10 dez:

Feirense – Marítimo, 21:15

Alfa/Lusa.

Coletes amarelos. França está a arder, mas não em Paris

Em Bordéus, há diversas barricadas a arder no centro da cidade, em Toulouse, Saint-Étienne, Marselha, Nantes e Lyon há relatos de confrontos e de lojas e centros comerciais pilhados. Em Paris continuavam a verificar-se confrontos ao princípio da noite na Praça da República.

Alfa/Expresso. Adaptação. Por Daniel Ribeiro

O Presidente da Câmara de Saint-Étienne, Gael Perdriau (direita, do partido Os Republicanos) fala esta noite nas televisões de “cenas de apocalipse” na sua cidade e responsabiliza o Presidente Emmanuel Macron pela violência. “Ele concentrou todas as forças da polícia para controlar a situação em Paris, desleixou as outras regiões e não fala ao país, está fechado no Eliseu, as pessoas não compreendem o seu silêncio e revoltam-se, ofendidas”, disse.

De Bordéus, às 20h40 locais (menos uma hora em Lisboa) chegavam imagens terríveis: o centro da cidade estava com diversas barricadas em chamas e a situação parecia completamente fora de controlo.

De Marselha, Nantes e Lyon chegavam igualmente notícias alarmantes sobre confrontos muito violentos durante este sábado de manifestações de “coletes amarelos”.

Em Paris, os incidentes mais importantes decorriam na Praça da República. No entanto, por volta das 21h locais, a situação parecia estar controlada pela polícia no centro da capital, onde se continuava a viver apesar de tudo uma grande tensão.

Nos Campos Elísios, viam-se cenas que pareciam quase surrealistas. Toda a célebre avenida estava ocupada por centenas de policias e respetivos veículos e as flamejantes iluminações de Natal estavam acesas. Mas não havia civis, nem qualquer turista a passear na “mais bela avenida do mundo”, como dizem os prospetos turísticos franceses. Nem um café nem uma loja estavam abertos a essa hora nos Campos Elísios.

O Governo, pela voz do Primeiro-ministro, Édouard Philippe, anunciou antes das 20 horas que a situação estava controlada na capital e que chegou “a hora do diálogo”. Na mesma ocasião, Philippe informou que o Presidente Emmanuel Macron vai falar ao país « brevemente ».

O balanço provisório dos incidentes, em Paris, no chamado Ato IV (quarto sábado consecutivo de protestos) das manifestações dos “coletes amarelos” deste sábado é de mais de 1100 pessoas presas e de mais de 70 feridos.