POLÍCIA ABANDONA BUSCAS POR EMILIANO SALA

A polícia de Guernsey, que tem coordenado as buscas pelo jogador argentino Emiliano Sala, referiu esta tarde que foram abandonadas as buscas pelo aparelho que transportava o jogador de Nantes (França) para Cardiff (Gales) na segunda-feira à noite e perdeu contacto com a torre de controlo sobre o Canal da Mancha.

David Barker, chefe de operações, e comandante do porto de Guernsey, emitiu um comunicado dando conta do extenso trabalho feito, sem que tenham sido encontrados vestígios do Piper Malibu em que seguiam o piloto David Ibbotson e o jogador.

«Depois de uma reunião com a minha equipa, e após termos examinado uma vasta extensão de quilómetros quadrados – em alguns sítios mais que uma vez -, analisado dados de telemóvel e imagens de satélite, não encontrámos qualquer vestígio do avião, do piloto ou do passageiro. Já registámos mais de 24 horas contínuas de buscas, com três aviões, cinco helicópteros, barcos, e até a ajuda de navios de passagem e barcos de pesca. Tomámos a difícil decisão de terminar as buscas. As chances de sobrevivência são extremamente remotas. As famílias foram informadas desta decisão», refere em comunicado.

«A última aeronave que trabalhava num esforço concertado entre vários países já aterrou. Embora não estejamos já numa busca ativa, o incidente continua em aberto e mantemos o alerta para os navios ou aeronaves que passem para que fiquem atentos a qualquer vestígio», conclui.

Este será o último update do dia, a menos que algo de relevante suceda.

Alfa/aBola.

Benfica recebe Boavista na terça-feira, FC Porto e Sporting jogam na quarta

O Benfica, eliminado nas meias-finais da Taça da Liga em futebol, antecipou a receção ao Boavista, da 19ª jornada da I Liga, para terça-feira, enquanto os finalistas FC Porto e Sporting jogam na quarta-feira.

O encontro no Estádio da Luz realiza-se a partir das 20:00 (Paris), o mesmo horário do embate entre Portimonense e Desportivo de Chaves, enquanto o Sporting de Braga, que também falhou a final da Taça da Liga, recebe no mesmo dia o Santa Clara, pelas 22:15.

O Sporting e o FC Porto, que se defrontam sábado na final da Taça da Liga, jogam na quarta-feira, com os ‘leões’ como anfitriões do Vitória de Setúbal, pelas 20:00, e os ‘dragões’ do Belenenses, pelas 22:00, no encerramento da ronda.

Na terça-feira, o conjunto comandado por Sérgio Conceição venceu o Benfica por 3-1, na primeira meia-final da Taça da Liga, e, na quarta-feira, o Sporting superou o anfitrião Sporting de Braga por 4-3, nos penáltis, após 1-1 nos 90 minutos.

Como já havia sido anunciado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), a ronda 19 abre na segunda-feira, com quatro jogos, o primeiro dos quais o Marítimo-Rio Ave, às 18:00.

Após 18 jornadas, o detentor do título FC Porto lidera a classificação, com 46 pontos, contra 41 do Benfica, 40 do Sporting de Braga, 38 do Sporting e 29 do Belenenses.

Programa da 19ª jornada da I Liga (Horas de Paris):

– Segunda-feira, 28 jan:

Marítimo – Rio Ave, 18:00

Moreirense – Nacional, 20:00

Tondela – Desportivo das Aves, 20:00

Feirense – Vitória de Guimarães, 22:15

– Terça-feira, 29 jan:

Portimonense – Desportivo de Chaves, 20:00

Benfica – Boavista, 20:00

Sporting de Braga – Santa Clara, 22:15

– Quarta-feira, 30 jan:

Vitória de Setúbal – Sporting, 20:00

FC Porto – Belenenses, 22:15

Alfa/Lusa.

Novo álbum de Salvador Sobral « Paris, Lisboa » editado a 29 de março

O novo álbum a solo de Salvador Sobral, “Paris, Lisboa”, no qual o músico português se estreia a cantar em francês, é editado a 29 de março, anunciou hoje o agenciamento do artista.

O disco, sucessor de “Excuse Me” (2016), “que terá o selo da Valentim de Carvalho em Portugal e da Warner Music Spain para o resto do mundo, estará disponível nas lojas e em todas as plataformas digitais a 29 de Março”, refere a empresa de agenciamento e produção cultural Fado in a Box, num comunicado divulgado, referindo que esta “é a primeira vez que um artista português assina pela Warner Music Spain, um contrato de representação no mundo inteiro, à exceção de Portugal”.

Nascido em Lisboa, em 1989, Salvador Sobral ganhou maior notoriedade em 2017 depois de ter vencido o Festival Eurovisão da Canção com a música « Amar pelos dois », escrita pela irmã, Luísa Sobral.

O título do segundo álbum do músico “é inspirado numa viagem sem partida nem chegada, mas cujos pontos de união se fazem entre Paris e Lisboa, cidades de grande preponderância no processo de construção deste disco”, mas é também “uma homenagem ao clássico de Wim Wenders – ‘Paris, Texas’, de 1984, cujo argumento e realização marcaram Salvador Sobral”.

“Paris, Lisboa” é composto por 12 músicas, “em várias línguas, mas onde predomina o português”.

Com produção musical de Joel Silva (baterista que integra, entre outros, o projeto Alexander Search), o disco conta com músicas da autoria e composição de, entre outros, Luísa Sobral, Jenna Thiam, Joel Silva, Júlio Resende, André Rosinha, Leo Aldrey e o próprio Salvador Sobral.

Em “Paris, Lisboa”, o músico revisita ainda “um tema do cancioneiro de Lupicínio Rodrigues, brasileiro gaúcho, e outro de Francisca Cortesão e Afonso Cabral”.

“Salvador Sobral estreia-se neste disco a cantar na língua de Piaf, com uma valsa que podia ter sido ouvida na Paris de todos os tempos”, acrescenta a Fado in a Box.

O disco será apresentado ao vivo em Portugal em maio, no Teatro das Figuras (dia 03), em Faro, e nos Coliseus de Lisboa (dia 10) e do Porto (dia 11).

Antes disso, Salvador Sobral apresenta “Paris, Lisboa” na Polónia, na Alemanha e na Suíça, numa digressão de dez concertos em abril.

Durante este ano, o músico “voltará a Espanha para visitar ou revisitar salas por onde passou em 2018, entre elas o icónico Palau de la Música Catalana em Barcelona, e viajará pelo Mundo, com concertos já confirmados nos países bálticos e Finlândia”.

Salvador Sobral estreou-se em 2016 com « Excuse me », que apresenta inéditos, feitos em parceria com o músico venezuelano Leonardo Aldrey, e versões de temas como « Autumn in New York », um ‘standard’ de jazz, e « Nem eu », de Dorival Caymmi.

Em 2017, depois de ter vencido o Festival Eurovisão da Canção, Salvador Sobral apresentou-se na banda Alexander Search, projeto inspirado na poesia inglesa de Fernando Pessoa em que os músicos, tal como o poeta, assumem personagens, e cujo álbum de estreia foi editado em junho desse ano.

No final de 2017 editou o disco « Excuse me ao vivo », foi distinguido pelos European Border Breakers Awards e, juntamente com a irmã, foi escolhido como Personalidade do Ano pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal.

Depois de uma pausa na carreira por razões de saúde – fez um transplante de coração -, Salvador Sobral regressou em 2018 aos concertos, numa digressão nacional e em Espanha por conta ainda de « Excuse me ».

Alfa/Lusa.

Marco Ferreira analisa a intranquilidade dos árbitros

O ex-árbitro Marco Ferreira, abordou, na RDP-Antena 1, os últimos erros da arbitragem no futebol português, nas suas diversas variantes e aponta responsáveis.

O juiz de campo que durante a carreira foi visado por decisões tomadas, aponta o dedo aos dirigentes de clubes e dos árbitros pela forma como foi conduzido o processo de aceitação de dispensa do árbitro Fábio Veríssimo, muito criticado como VAR no jogo FC Porto-Benfica para a Taça da Liga.

O juiz de campo tinha dirigido a final da Taça de Portugal em 2014/15 e tinha sido segundo classificado entre os árbitros da primeira categoria e não aceitou a despromoção. Decidindo sair.

Sobre as decisões polémicas que se discutem a propósito dos jogos da “final four” da Taça da Liga considera que a pressão é grande para os árbitros, até porque o comunicado do Conselho de Arbitragem da FPF abre um precedente, como revelou ao jornalista David Carvalho.

 

Para Marco Ferreira os árbitros não têm proteção. Os clubes são os culpados.

 

 

Marco Ferreira que deixou no ar algumas questões. Entre elas, « como se pode credibilizar o futebol português, criticando a arbitragem que nada manda no futebol do nosso país?

 

 

Uma verdadeira solução seria a independência do sector:

 

 

Marco Ferreira deixou a arbitragem no final da época de 2014/15, quando soube que iria ser despromovido à segunda categoria.

 

Alfa/Antena 1/RTP.

Real Madrid bate Manchester United e é o clube mais rico do mundo, Benfica na 30ª posição

O Real Madrid, que venceu pela terceira vez consecutiva a Liga dos Campeões, voltou ao primeiro lugar dos clubes mais ricos do mundo, que era ocupado pelos ingleses do Manchester United, segundo revela o estudo do Deloitte.

O Benfica desceu da 27ª posição na época anterior para a 30ª posição, com 150.7 milhões de euros.

Os «merengues» são mesmo o primeiro clube a superar a barreira dos 750 milhões de euros na temporada de 2017/2018.

O Barcelona também subiu na tabela e ascendeu ao segundo lugar, com 690.4 milhões.

O Manchester United, que liderava no ano anterior, desceu para o terceiro lugar, com 678 milhões de euros.

Ranking Top-5 Mundial:

1.º Real Madrid, 764 milhões de euros

2.º Barcelona, 702

3.º Manchester United, 678

4.º Bayern, 640

5.º Manchester City, 578

30.º Benfica, 150.7

Bruxelas insta Portugal a implementar lei da UE contra abuso sexual de crianças

A Comissão Europeia instou Portugal a implementar a lei da UE contra abuso sexual de crianças, referindo haver falhas na transposição para a legislação nacional das regras europeias de combate à exploração sexual de crianças e pornografia infantil.

No quadro do pacote mensal de processos de infração hoje divulgado, o executivo comunitário aponta que abriu processos a Portugal, Itália e Espanha, dado estes três Estados-membros ainda não terem implementado integralmente a legislação europeia revista referente ao combate a abuso sexual de crianças, o que deveriam ter feito até dezembro de 2013.

Sublinhando que “a União Europeia tem regras muito rígidas na criminalização de tais abusos na Europa, assegurando penas severas para os agressores, protegendo as crianças vítimas de abusos e ajudando a prevenir que tais ofensas sequer ocorram”, a Comissão lembra que a diretiva (lei comunitária) em causa “também contempla medidas para combater o abuso sexual de crianças na Internet”.

Bruxelas admite, no entanto, que a diretiva é “extremamente complexa e quase todos os Estados-membros enfrentaram atrasos durante o período de implementação”.

“A Comissão está consciente de tais desafios, mas para garantir uma proteção eficaz das crianças face a abusos sexuais, os Estados-membros devem cumprir integralmente as provisões da diretiva. É por isso que a Comissão decidiu abrir processos de infração contra estes Estados-membros, que têm agora dois meses para responder”, referiu hoje Bruxelas.

O executivo comunitário conclui que se não obtiver respostas satisfatórias no prazo de dois meses avançará para um “parecer fundamentado”, o segundo e último passo de um processo de infração antes de decidir apresentar queixa perante o Tribunal de Justiça da UE.

Alfa/Lusa.

Lusodescendente da seleção do Luxemburgo detido preventivamente

Jogador lusodescendente da seleção nacional de futebol do Luxemburgo detido preventivamente

Jogador lusodescendente da seleção nacional do Luxemburgo detido preventivamente

Foto: PAULO CUNHA

Alfa/Lusa

Daniel da Mota, jogador lusodescendente que integra a seleção nacional luxemburguesa, está em prisão preventiva, por suspeitas de exploração fraudulenta de pessoa em situação de vulnerabilidade (abuso de fraqueza), segundo a procuradoria do Luxemburgo.

A informação foi avançada na quarta-feira pelo jornal luxemburguês Tageblatt e confirmada à Lusa pela Procuradoria do Luxemburgo.

« Ele foi ouvido pelo juiz de instrução e constituído arguido no dia 16 de janeiro », tendo o juiz determinado a prisão preventiva nesse mesmo dia, disse à Lusa o porta-voz da Procuradoria, Henri Eippers.

O porta-voz recusou no entanto avançar as razões para a detenção preventiva, apontando apenas que se aplicam os motivos de ordem geral, que no Luxemburgo incluem perigo de fuga ou de perturbação do inquérito.

Segundo a Rádio Latina, emissora em português no Luxemburgo, que cita o advogado do jogador, Daniel da Mota é suspeito de se ter “aproveitado da debilidade de uma idosa », de quem terá recebido « quantias avultadas de dinheiro, através de transferências bancárias, durante os últimos três anos”.

De acordo com o advogado do jogador, citado pela Rádio Latina, o caso terá sido denunciado pelo banco onde o jogador tem conta.

O Código Penal luxemburguês pune o crime de « abuso de fraqueza », previsto no artigo 493, com « pena de prisão de três meses a três anos e multa de 251 a 50.000 euros ».

O crime é definido como « o abuso fraudulento do estado de ignorância ou da situação de fraqueza, quer de um menor, quer de uma pessoa cuja particular vulnerabilidade, por causa da sua idade, doença ou enfermidade, deficiência física ou psíquica, é aparente ou conhecida do seu autor », de forma « a conduzir » a vítima « a um ato gravemente prejudicial » para si mesma.

O futebolista, de 33 anos, foi candidato em outubro de 2018 às eleições legislativas pelo partido luxemburguês ADR, conhecido pelas posições contra os direitos dos estrangeiros.

Em 2012, o jogador nascido em Ettelbruck, filho de imigrantes de Celorico de Basto, marcou um golo contra a seleção nacional portuguesa que foi aplaudido pela maioria do público, incluindo os muitos imigrantes portugueses que assistiam ao jogo do Grão-Ducado contra a equipa liderada por Cristiano Ronaldo.

Como seria Portugal se muros tivessem existido em França, Luxemburgo, EUA?

Migração e remessas. O(s) muro(s) é um tema nosso! Com toda esta diáspora portuguesa, a pergunta impõe-se: como seria o nosso país se (mais) muros se tivessem erguido em França, no Luxemburgo ou nos EUA?

 In publico.pt – OPINIÃO; por João Pedro Ferreira, Investigador na área do planeamento regional e urbano na Universidade de Rutgers, Nova Jersey, EUA 

Os fenómenos migratórios estão na ordem do dia e a discussão está (infelizmente) enviesada. Na secção internacional de um qualquer jornal vemos que Donald Trump “fechou” o Governo numa batalha solitária pela edificação de um muro. Noutra página, o recém-empossado presidente brasileiro decidiu abandonar o Pacto Global das Migrações, numa medida que prejudicará tanto os estrangeiros no Brasil como os brasileiros que também são estrangeiros fora do seu país. Este discurso assenta, fundamentalmente, no ódio e demonização dos imigrantes e lá, como cá, tem também feito o seu caminho e muitos são os episódios que nos devem alertar e preocupar.

É claro que, perante a atual falta de soluções para problemas locais e globais, o arsenal de mentiras e preconceito é usado para impor a ideia dos migrantes como um inimigo. Querem fazer-nos esquecer que essa pessoa é o nosso vizinho ou companheiro diário de autocarro ou metro. A partir de julgamentos baseados nas diferenças de cor, de feições, de linguagem ou de hábitos que à primeira vista não entendemos, deixamos de encarar o “próximo” como alguém que tem exatamente os nossos problemas, anseios e perspetiva de felicidade. Tal como os portugueses sempre fizeram, estamos perante alguém que quer apenas ter um trabalho, um rendimento melhor, segurança, dar um futuro melhor aos seus filhos e, quem sabe um dia, regressar ao seu país de origem para gozar a velhice.

De acordo com os últimos Censos, em Paris, cerca de 20% da população nasceu no estrangeiro e mais de 41% dos jovens com menos de 20 anos têm um progenitor nascido fora de França. Entre estes, cerca de 15% são portugueses. Em Aulnay-sous-Bois, cidade periférica de Paris e associada à comunidade portuguesa, o peso dos imigrantes chega a 32% do total da população. Em Champigny-sur-Marne, outra localidade com uma importante comunidade portuguesa, quase 25% da população é imigrante. No Luxemburgo, há cerca de 100 mil portugueses, o que corresponde a 16% da população total. Em Larochette, a vila mais portuguesa do Luxemburgo, há mais portugueses que luxemburgueses. Em Newark, Nova Jersey, cerca de 30% da população nasceu no estrangeiro. No entanto, especificamente no distrito de North Ironbound, mais de 65% da população nasceu fora dos EUA e uma parte significativa destes é portuguesa. Com toda esta diáspora portuguesa, a pergunta impõe-se: como seria o nosso País se (mais) muros (físicos ou legais) se tivessem erguido em França, no Luxemburgo ou nos Estados Unidos?

Tal e qual todos os outros imigrantes, os portugueses deixam a sua marca nos espaços urbanos onde se fixam. Sair da estação da Newark é, em muitos aspetos, como fazer uma visita a casa, não fosse a sistemática intrusão do inglês naquilo que são os nomes, logotipos e cheiros tão característicos de Portugal. Um americano conservador poderá brindar-nos com a pérola de que Newark não é a América. Saindo da estação de Newark, entramos na Ferry Street que nos brinda com um monumento dedicado à imigração portuguesa. De seguida, do lado esquerdo podemos observar a “Coimbra Jewelers”, uma ourivesaria paredes meias com um prédio onde existe um advogado italiano, especialista em imigração, e em cujas janelas podemos ver bandeiras brasileiras e portuguesas. As duas marcas de cerveja mais vendidas em Portugal concorrem pelo maior número de toldos e cadeiras espalhados nas esplanadas das ruas. Num dos poucos restaurantes mexicanos, uma imagem familiar com mais de metro e meio pousa numa mesa junto à porta de entrada. É a Nossa Senhora de Fátima. Serve mexicanos e portugueses, reforça um dos empregados do restaurante.

As conclusões deste trabalho são relevantes e evidenciam com clareza mais uma (entre muitas outras) razões para Portugal escolher o lado da tolerância e do combate ao ódio. Se, por um lado, é claro que os maiores canais de remessas partem dos Estados Unidos com o México, a Índia ou a China, ou da Grã-Bretanha para a Índia, quando a análise tem em conta o peso entre as relações de cada grupo de países, Portugal emerge como um dos casos mais relevantes à escala mundial. Em termos líquidos, as remessas de emigrantes representam mais de 20% das nossas interdependências do Canadá, mais de 15% com a Suiça e 12% da nossa dependência com França. Estas três relações de dependência por via das remessas de emigrantes estão entre as 15 com maior peso relativo à escala mundial. E, recentemente, soubemos que o envio de remessas para o nosso país voltou a aumentar. Das 44 economias analisadas, só a Índia e o México têm um peso tão expressivo em termos relativos como Portugal. A diferença em termos de impacto mediático resulta de termos 2,4 milhões de pessoas que nasceram em Portugal a viver fora do País, enquanto o número de indianos expatriados é de 16,5 milhões e de mexicanos 12 milhões (estimativas do Banco Mundial). Em termos percentuais, somos dos que mais emigram.

Somos um País de emigrantes e imigrantes. Na batalha pela busca de uma vida melhor fomos dos primeiros a partir. Ainda hoje temos quem o faça. Se queremos proteger o nosso direito a ser recebidos temos que saber que todos os muros que afastam famílias, que colocam o ser humano numa situação mais precária e frágil devem e têm de ser derrubados. O racismo e xenofobia crescem no clima de ausência de soluções mas nenhum remédio é de facto solução quando mete nas costas dos mais desfavorecidos e vulneráveis a responsabilidade pelo que se vai passando na sociedade. Nos Estados Unidos, no Brasil ou aqui, enquanto se erguem muros e barreiras, sejam fisicos ou legais, e se promove o discurso de ódio em canal aberto, os vistos gold permitem que oligarquias que geram a miséria nos seus países comprem o paraíso. Enquanto isso, quem apenas quer trabalhar é barrado, considerado criminoso e ilegal. Diz muito da nossa hipocrisia, não diz?

 

« Coletes amarelos, je vous aime ». Opinião, por Luísa Semedo

Anatomia de uma crise francesa. « Coletes amarelos, je vous aime ». Volte a ouvir aqui a crónica de quarta-feira de Luísa Semeda, do Conselho das Comunidades e doutorada em Filosofia:

Coletes amarelos. Governo quer lei para limitar direito de manifestação

Com “coletes amarelos” mobilizados, Governo francês defende lei para limitar direito de manifestação.

<span class="creditofoto">Christian Hartmann / Reuters</span>

Foto/ CHRISTIAN HARTMANN / REUTERS

Alfa/Expresso Diário. Adaptação: Por Daniel Ribeiro

O Governo chama-lhe “lei anti-casseurs” (anti-vândalos). Mas, em pleno Grande Debate Nacional, com o qual o Presidente Emmanuel Macron pretende sair airosamente, em março, da atual crise radical dos “coletes amarelos”, o ministro do Interior, Christophe Castaner, confirmou esta quarta-feira na Assembleia Nacional que o Governo quer adotar o mais rapidamente possível um pacote legislativo de “proibição administrativa de manifestação”. Uma iniciativa polémica e já considerada “liberticida e provavelmente anticonstitucional”.

Oanúncio deste projeto do Governo foi mal recebido esta quarta-feira à tarde pela oposição de esquerda na Assembleia Nacional, e também nas ruas, pelo movimento dos “coletes amarelos”.

Estes continuam a manifestar-se em França todos os dias e, sobretudo, todos os fins de semana desde há mais de dois meses – já vão a caminho do décimo primeiro sábado seguido de manifestações. Neste momento, a revolta dos “coletes” já é uma das mais longas de sempre em França, ultrapassando mesmo a de maio de 1968.

Mas o Governo quer avançar depressa no domínio legislativo e nem sequer teve de perder tempo a escrever uma nova proposta de lei. Foi ao Senado e recuperou um texto aí aprovado em outubro, quando ele foi apresentado à votação nessa Câmara (Alta) por Os Republicanos (LR – direita).

O primeiro-ministro, Édouard-Philippe, bem como Christophe Castaner, assumem a “reciclagem” da proposta do LR. “Não é uma lei contra os coletes amarelos, nem contra as manifestações, mas sim uma lei de bom senso”, afirmou o chefe do Executivo.

O texto “visa prevenir a violência nas manifestações e sancionar os seus autores”, acrescentou o PM. O mesmo disse Castaner sobre um texto que, além de limitar o direito de manifestação, prevê a criação de um ficheiro (lista negra) de pessoas proibidas de desfilar em cortejos políticos, sindicais e sociais, um pouco à semelhança com o que já acontece, no futebol, com os “hooligans”.

A esquerda, líderes dos “coletes” e dirigentes da extrema-direita, gritaram “ó da guarda, liberticídio!”, mas políticos centristas moderados também criticaram a iniciativa. “O texto é provavelmente anticonstitucional, contrário aos nossos compromissos internacionais e perigoso para as liberdades públicas”, afirmou o deputado da UDI (centrista) Charles de Courson.

<span class="creditofoto">Foto epa</span>

FOTO EPA

No entanto, o polémico Cristophe Castaner respondeu deste modo às críticas: “Não poderemos defender a liberdade sem ordem pública, esta lei visa defender os manifestantes, os comerciantes e os polícias, no fundo destina-se a prender preventivamente 100 ou 200 ‘casseurs”.

Atacado por defender a “proibição administrativa de manifestar” antes de uma decisão judicial nesse sentido, o governante explicou as coisas deste modo: “Uma condenação judicial definitiva pode levar vários anos, apoiar-se na Justiça para nos criticar quer dizer que aqueles que vemos atacar a polícia ou partir tudo num sábado podem voltar no sábado seguinte”.

Três dezenas de deputados da maioria, liderados pela parlamentar Paula Forteza, do LAREM (movimento que apoia Macron e o Governo), pediram a retirada do artigo sobre a “proibição administrativa de manifestar”.

GRANDE DEBATE NACIONAL

Esta nova polémica surge depois de o chefe do Governo ter garantido que os “vândalos não terão a última palavra” em França. Mas também depois de ter sido lançado, há dias, em todo o país, o chamado Grande Debate Nacional sobre as propostas avançadas pelos “coletes amarelos”.

Centenas de reuniões decorrem diariamente em câmaras municipais, ginásios e escolas de toda a França. O próprio Presidente Emmanuel Macron já participou em duas, à porta fechada, com centenas de autarcas, mas com manifestações de protesto dos “coletes” nas redondezas.

O Grande Debate Nacional deverá terminar em meados de março e, em princípio, as suas conclusões serão depois divulgadas e, possivelmente ou não, adotadas pelo Executivo.

Os “coletes” – que pedem mais justiça social e fiscal, a reposição do Imposto Sobre a Fortuna, revogado por Macron, o Referendo de Iniciativa Cidadã, e a introdução do sistema proporcional na lei eleitoral, bem como aumentos dos salários e das pensões mais baixas – duvidam das intenções do poder e continuam a convocar manifestações, todos os sábados, em todo o país.

<span class="creditofoto">Foto Reuters</span>

FOTO REUTERS

Desde 17 de novembro, data da primeira manifestação, em Paris, dos “coletes amarelos”, já morreram 10 pessoas (em acidentes na estrada ligados ao movimento) e perto de três mil ficaram feridas (mais de 2500 manifestantes, os restantes sendo polícias e jornalistas). 109 manifestantes ficaram feridos gravemente e 15 perderam um olho.

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