« Diamantino » e « Aquaparque » nomeados para os Prémios Europeus de Cinema

 Os filmes portugueses “Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Danel Schmidtt, e “Aquaparque”, de Ana Moreira, estão nomeados para os Prémios Europeus de Cinema (European Film Awards – EFA), que serão entregues a 15 de dezembro, em Sevilha, Espanha.

De acordo com informação disponibilizada no ‘site’ oficial dos EFA, “Diamantino”, a primeira longa-metragem de ficção do português Gabriel Abrantes e do norte-americano Daniel Schmidt, está nomeado na categoria Comédia Europeia, na qual competem também “O Espírito da Festa”, dos franceses Érice Toledano e Olivier Nakache, e “A Morte de Estaline”, do britânico Armando Iannucci.

“Aquaparque”, a estreia da atriz Ana Moreira na realização, está nomeado na categoria Curta-Metragem Europeia, na qual competem mais 14 filmes.

A curta, cuja ação se desenrola num parque aquático abandonado, recebeu em julho o prémio Kino Sound Studio do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema.

“Diamantino” venceu em maio o Grande Prémio da Semana da Crítica do Festival de Cinema de Cannes.

O filme, ainda sem data de estreia em Portugal, conta a história de Diamantino, interpretado pelo ator Carloto Cotta, uma superestrela do futebol mundial, cuja carreira cai em desgraça.

Além de Carloto Cotta, o elenco desta coprodução entre Portugal, Brasil e França inclui Cleo Tavares, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Carla Maciel, Filipe Vargas, Manuela Moura Guedes, Joana Barrios e Maria Leite.

Gabriel Abrantes e o norte-americano Daniel Schmidt têm trabalhado juntos nos últimos anos em filmes como « Tristes Monroes » (2017) e « A History of Mutual Respect » (2010).

Os vencedores da 31ª edição dos Prémios Europeus de Cinema são anunciados numa cerimónia que está marcada para 15 de dezembro em Sevilha.

Alfa/Lusa.

Presidente de Angola visita Portugal. Novo ciclo nas relações bilaterais

António Costa: “É importante que a franqueza e a transparência se mantenham com Angola”. Visita oficial de João Lourenço, que se inicia nesta quinta-feira e se prolonga até sábado, “restabelece a normalidade de uma relação que é muito frutuosa de parte a parte e que tem de continuar e desejavelmente deve prosseguir sendo aprofundada”, afirma o primeiro-ministro em entrevista à Lusa.

 

Alfa/Expresso/Lusa. Por LUÍSA MEIRELES E PEDRO MORAIS FONSECA/LUSA

 

António Costa considera a visita do Presidente angolano o fim de “um ciclo de normalização das relações”, reconhece como “complexo” o problema da regularização das dívidas e admite reflexos para as empresas se a Sonangol se retirar das suas participações.

A visita oficial de João Lourenço, que se inicia nesta quinta-feira e se prolonga até sábado, “restabelece a normalidade de uma relação que é muito frutuosa de parte a parte e que tem de continuar e desejavelmente deve prosseguir sendo aprofundada”, afirmou o primeiro-ministro, citando o próprio presidente angolano.

Quanto ao problema da regularização das dívidas, o primeiro-ministro admite que “é obviamente um processo complexo, muitas vezes moroso, mas que tem vindo a correr”, sendo importante que “a franqueza e a transparência se mantenham” entre as partes. Pela parte portuguesa, o processo é “pilotado” pela embaixada de Portugal em Angola.

“Muitas empresas têm visto já a sua situação regularizada, outras parcialmente regularizada, outras aguardam a regularização e outras aguardam ainda a certificação e o reconhecimento dos créditos que reclama”, diz António Costa, acrescentando que é um processo que está em curso e “felizmente, com bons sinais até agora”.

Para o primeiro-ministro, o importante para o Estado português é ter sido assegurado que, “em primeiro lugar, Angola reconheceria a existência de situações de dívida para com as empresas portuguesas e que haveria um processo transparente com participação das empresas portuguesas para o apuramento do montante dessas dívidas e a sua certificação”.

“Foi muito importante a forma muito franca como o ministro das Finanças angolano (…) expôs a questão de como havia um conjunto de dívidas reclamadas que não estavam registadas oficialmente na contabilidade das entidades devedoras e, portanto, era necessário certificar a sua existência e quais eram as dificuldades relativamente ao pagamento e ao cálculo designadamente cambial desses montantes”.

Segundo o primeiro-ministro, “isso foi essencial para restabelecer a confiança das empresas portuguesas para poderem investir em Angola”.

Questionado sobre o anúncio feito por João Lourenço de que a empresa angolana Sonangol iria retirar-se da participação das empresas portuguesas, o primeiro-ministro reconheceu que havendo essa decisão, [ela] “terá necessariamente reflexos nas empresas onde a Sonangol tem uma participação”.

“Mas não me compete a mim estar a pronunciar-me sobre as decisões de investimento da Sonangol. E são empresas que estão no mercado, estão abertas. Portanto, naturalmente, se houver alguma recomposição acionista, haverá seguramente outros acionistas que tomem a posição que eventualmente seja libertada pela Sonangol”, conclui António Costa.

A extrema-direita e os Coletes Amarelos. Opinião. Por Luísa Semedo

Movimento contra o aumento do preço dos combustíveis. Volte a ouvir aqui a última crónica (de quarta-feira) de Luísa Semedo, presidente para a Europa do Conselho das Comunidades: 

FC Porto com ‘vida’ mais difícil do que Benfica e Sporting na Taça de Portugal

O FC Porto é o ‘grande’ com a tarefa mais espinhosa na quarta eliminatória da Taça de Portugal de futebol, ao receber o Belenenses num confronto entre primodivisionários, enquanto Benfica e Sporting defrontam adversários de escalões inferiores.

O campeão nacional protagoniza um dos três embates entre equipas da I Liga, destino ao qual ‘escaparam’ o Benfica, que recebe o Arouca, da II Liga, e o Sporting, que vai defrontar em Viseu o Lusitano Vildemoinhos, do Campeonato de Portugal, na estreia do treinador holandês Marcel Keizer.

O FC Porto regressa à competição duas semanas após o triunfo por 1-0 sobre o Sporting de Braga, que lhe permitiu isolar-se no comando do campeonato, após a interrupção para os jogos de seleções.

Apesar de ter um saldo muito positivo no histórico global de confrontos com o Belenenses, o cenário inverte-se quando se aplica apenas à Taça de Portugal, com os ‘azuis’ a apresentarem um balanço de sete vitórias e cinco derrotas, tendo-se registado sete empates.

Já nesta época, a equipa portuense teve muita dificuldade para vencer o Belenenses no Estádio Nacional, na segunda jornada do campeonato, marcando o golo do triunfo por 3-2 aos 90+6 minutos, pelo defesa brasileiro Alex Telles, de grande penalidade.

No sábado, o palco será o Estádio do Dragão, onde o FC Porto deverá alinhar sem os lesionados Aboubakar e Brahimi, no único jogo da quarta ronda entre equipas que já ergueram o troféu, atualmente, na posse do Desportivo das Aves.

O Benfica, quarto classificado do escalão principal, recebe na quinta-feira o Arouca, 13.º colocado da II Liga, numa altura em que o treinador Rui Vitória está sob pressão devido a uma série negativa de três derrotas e um empate, quebrada pelo triunfo no último jogo, com o Tondela, por 3-1.

Apesar de não contar com o defesa Jardel, suspenso, e de o médio Fejsa e o avançado Salvio continuarem lesionados, o Benfica, recordista de títulos, com 26 troféus, é claro favorito frente a um adversário que venceu oito das 10 vezes que defrontou, no jogo de abertura da ronda, na quinta-feira.

No sábado, o Sporting, segundo classificado da I Liga e finalista vencido da Taça de Portugal na época passada, enfrenta pela primeira vez o Lusitano Vildemoinhos, quinto posicionado da Série B do Campeonato de Portugal, equivalente ao terceiro escalão.

O jogo marcará a estreia de Marcel Keizer como treinador da equipa de Alvalade, na sequência da rescisão com o treinador José Peseiro, que deixou o comando técnico do clube em 01 de novembro, após a derrota por 2-1 na receção ao Estoril Praia, do segundo escalão, em jogo da Taça da Liga.

Além do encontro entre o FC Porto e o Belenenses, os 16 avos de final da Taça de Portugal proporcionam mais dois embates entre primo divisionários, entre Marítimo (13.º classificado) e Feirense (15.º) e entre Santa Clara (nono) e Desportivo de Chaves (18.º e último).

O Desportivo das Aves, também da I Liga, continua a defesa do título conquistado de forma sensacional há seis meses, deslocando-se ao reduto do ‘secundário’ Cova da Piedade, enquanto o Sporting de Braga, terceiro posicionado da divisão principal, recebe o Praiense, do Campeonato de Portugal.

O Vale Formoso, que foi eliminado nas duas primeiras rondas, mas foi repescado em ambas – na segunda devido à utilização irregular de um jogador por parte da União de Leiria – e o Silves são os ‘sobreviventes’ dos distritais, que tentam prosseguir a ‘aventura’ frente ao Tondela e ao Rio Ave.

Programa da quarta eliminatória da Taça de Portugal (Horas de Paris):

– Quinta-feira, 22 nov:

Benfica (L) – Arouca (II), 21:45

– Sábado, 24 nov:

Cova da Piedade (II) – Desportivo das Aves (L), 16:30

Lusitano Vildemoinhos (CP) – Sporting (L), 16:00

FC Porto (L) – Belenenses (L), 21:45

– Domingo, 25 nov:

Montalegre (CP) – Águeda (CP), 15:30

Sporting da Covilhã (II) – Moreirense (L), 15:30

Rio Ave (L) – Silves (D), 16:00

Leixões (II) – Anadia (CP), 16:00

Paços de Ferreira (II) – Casa Pia (CP), 16:00

Penafiel (II) – Vitória de Setúbal (L), 16:00

Sporting de Espinho (CP) – Boavista (L), 16:00

União da Madeira (CP) – Vitória de Guimarães (L), 16:00

Tondela (L) – Vale Formoso (D), 16:00

Marítimo (L) – Feirense (L), 17:00

Santa Clara (L) – Desportivo de Chaves (L), 18:00

Sporting de Braga (L) – Praiense (CP), 20:30

Alfa/Lusa.

A vida e as letras todas de Chico Buarque pela primeira vez reunidas num só livro

0

A vida do músico Chico Buarque e todas as letras que escreveu estão pela primeira vez reunidas num único livro, intitulado “Tantas Palavras”, que a Companhia das Letras publicou este mês em Portugal.

Esta “arca do tesouro literária”, como a editora lhe chama, reúne todas as letras escritas por Chico Buarque – mais de 300 -, desde “Tem mais samba” (1964), que o músico considera o marco zero da sua carreira, até “Tua cantiga” (2017).

A única letra que não consta desta compilação é a da música “Sonho impossível”, uma versão que Chico Buarque e Ruy Guerra fizeram, em 1972, a partir da canção norte-americana « The impossible dream », de Joe Darion e Mitch Leigh.

A música foi gravada e lançada em 1975, no disco « Chico Buarque e Maria Bethânia Ao Vivo », na voz de Maria Bethânia, que consagrou esta versão brasileira.

No entanto, “os detentores dos direitos autorais da canção original não permitiram a reprodução da versão de Chico Buarque e Ruy Guerra”, lê-se no livro.

“Tantas palavras” traça também o percurso de vida do compositor, cantor e ficcionista brasileiro, através de uma extensa reportagem biográfica escrita pelo jornalista Humberto Werneck a partir de pesquisas e de entrevistas feitas com o próprio Chico Buarque e com personalidades da cultura e música brasileiras, como Tom Jobim, Edu Lobo, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

A reportagem começa com o episódio que deu origem à primeira letra que Chico Buarque escreveu: Luiz Vergueiro, publicitário e produtor, encomendou ao “seu amigo Chico” uma música para o musical que estava a preparar.

Dois dias antes do espetáculo, à noite, o compositor apareceu com uma música que “até não era ruim”, mas não servia, porque não passava a mensagem pretendida.

“Chico saiu furioso. No dia seguinte, às dez da manhã, o produtor o vê chegar outra vez, ‘os olhos vermelhos pela noite em claro e um tremendo bafo de cana’, e com uma canção ainda quentinha no violão. Era ‘Tem mais samba’”.

A partir daí a história recua no tempo, até ao nascimento de Chico Buarque, para depois discorrer sobre a evolução do seu crescimento como pessoa e músico, a que não faltam episódios da vida familiar, da vida no estrangeiro, de “colisões de adolescente com a Lei”, da efervescência política até à ditadura no país, que o leva a aproximar-se do partido comunista brasileiro e de outras correntes de esquerda, e do exílio no estrangeiro.

“Num texto a que não faltam humor e emoção, revelando saborosas histórias, o leitor acompanha Chico Buarque na sua fascinante trajetória de homem e de artista, para com ele desembocar na serena maturidade de um músico que se afirmou também como grande romancista”, segundo a sinopse do livro.

Chico Buarque escreveu “Estorvo” (1991), pelo qual recebeu o Prémio Jabuti para melhor romance do ano, “Benjamim” (1995), “Budapeste” (2003) e “Leite derramado” (2009), ambos distinguidos com o Prémio Jabuti para Livro do Ano, e ainda “O irmão alemão”.

A relação destes livros, com as datas de lançamento, os países onde foi publicado, e as adaptações cinematográficas de que foram alvo, está descrita no final do volume, num capítulo dedicado à “obra” do autor.

Nesse capítulo encontra-se também uma lista de todos os discos que editou, e respetivas datas, bem como as peças de teatro que escreveu: “Roda-Viva” (1967), “Calabar” (1973), “Gota d’Água” (1975) e “Ópera do Malandro” (1978).

A compor toda a parte escrita, esta obra de 495 páginas contempla ainda um conjunto de fotografias e imagens da vida de Chico Buarque, sozinho, com a família, com colegas estudantis, ou com outros músicos, que ajudam a ilustrar o percurso pessoal e profissional do músico.

Hoje com 74 anos, e já sete netos, Chico Buarque continua a escrever e a compor, e imagina-se a chegar aos “noventa e tantos anos”, com saúde, imaginação, vontade de criar e “virando a noite por causa de uma música, de um livro…”.

Alfa/Lusa.

Macron admite aplicar “severidade” contra violência nos protestos dos “coletes amarelos”

 O Presidente francês, Emmanuel Macron, admitiu hoje “medidas severas” contra “comportamentos inaceitáveis” nas manifestações dos “coletes amarelos”, indicou o porta-voz do Governo Benjamin Griveaux após um conselho de ministros.

“Existem sofrimentos legítimos que é preciso entender, mas também comportamentos inaceitáveis. Devemos ser intransigentes com a ordem pública. Não podemos aceitar as duas pessoas que morreram, os feridos entre os manifestantes e as forças da ordem, nem os propósitos racistas, antissemitas e homofóbicos”, acrescentou, em declarações aos media.

“A resposta do Estado foi firme e a severidade será aplicada como tem sido aplicada desde o primeiro dia”, sublinhou.

O porta-voz sublinhou que o Governo se prepara para promover “soluções visíveis nas próximas semanas” e que “vão incluir as forças de transformação do país: eleitos locais, coletividades locais, responsáveis sindicais e patronais”.

O movimento dos “coletes amarelos” parecia estar hoje a abrandar ao quinto dia de mobilização, antes de uma concentração marcada para sábado em Paris.

Segundo Benjamin Griveaux, o movimento “inclui uma parte de verdade com o sentimento de desqualificação real para as pessoas que desde há muitos anos veem o seu horizonte em recuo”.

“Devemos explicar melhor e ter em consideração a diferença evidente entre as medidas aplicadas nos textos votados e o que altera o quotidiano dos nossos cidadãos”, acrescentou.

O porta-voz do Governo também recordou as medidas de apoio anunciadas na semana passada, incluindo um cheque energia alargado e um ‘super prime’ para a conversão de veículos, e que poderá alcançar 4.000 euros para as famílias mais pobres.

Os « coletes amarelos » são um movimento cívico à margem de partidos e sindicatos criado espontaneamente nas redes sociais e alimentado pelo descontentamento da classe média-baixa.

O movimento, que começou contra o aumento do imposto sobre o combustível e alargou os protestos contra a carga fiscal em geral, é um novo obstáculo para o executivo de Emmanuel Macron, que decidiu aumentar os impostos dos combustíveis para promover a transição energética no país.

Desde o início desta mobilização popular contra o aumento dos preços dos combustíveis, no passado sábado, contam-se já dois mortos e cerca de 530 feridos.

Os “coletes amarelos” convocaram novos bloqueios para o próximo sábado, com o objetivo de obrigar Paris a parar.

Alfa/Lusa.

As cinco mensagens dos coletes amarelos. Opinião. Pascal de Lima

As cinco mensagens dos coletes amarelos. O economista e professor de SciencesPo, Pascal de Lima, analisa o inédito movimento de protesto. Volte a ouvir aqui a crónica de terça-feira, de Pascal de Lima:

Coletes amarelos. E se o Governo francês também for responsável? Opinião. Por Carlos Pereira

Crónica do dia, quinta-feira, 22. Coletes Amarelos. E se o Governo francês fosse o responsável por este movimento? « Faz o que digo, não o que faço »,  diz Carlos Pereira, jornalista e diretor do Lusojornal. Para ouvir, na Rádio Alfa, alguns minutos antes das 7, 9, 11, 15, 17 e 19 horas. 

Coletes amarelos. A inquietante rutura entre povo e representantes. Opinião. Por Francisco Sena Santos

Gilets Jaunes: A inquietante rutura entre povo e representantes

Muito da França ficou neste fim de semana refém de um inédito protesto que está para continuar: centenas de milhares de pessoas bloqueiam estradas, ruas, túneis, portos e aeroportos em ação direta contra o caro custo de vida. Os sucessivos aumentos do preço dos combustíveis são o pretexto imediato. Os manifestantes têm um identificador: o “gilet jaune”, o colete amarelo que não é mais do que o colete, acessório de segurança, que todos somos obrigados a usar no automóvel.
Gilets Jaunes: A inquietante rutura entre povo e representantes
EPA/SEBASTIEN NOGIER
O que há de novo neste movimento é a grande dimensão territorial (os manifestantes provocaram milhares de bloqueios por toda a parte do território francês), o caráter popular espontâneo, fora de qualquer estrutura partidária ou sindical, com organização totalmente conduzida através de redes sociais.

Não há dúvidas sobre a grande adesão ao movimento de protesto. A policia reconhece que, no conjunto da França, terão sido umas 280 mil pessoas, todas identificadas pelo “gilet jaune”, a participar nas barragens. Para evitar que tudo descambasse para violência fora de controlo, a polícia optou por ir negociando com os manifestantes, assegurando corredores de emergência e tentando que os bloqueios fossem transitórios. Mas os manifestantes funcionaram como milícias populares que usam o colete como uniforme e que protestam contra o impopular poder político.O protesto não é de direita nem de esquerda. Não se vê qualquer marca ideológica. É gente de classes médias e baixas que está farta de políticos e de sindicalistas, gente que se sente desprezada pelos poderes, povo que protesta contra injustiças fiscais e contra a má qualidade de serviços públicos.

Os “gilet jaunes” são pessoas de diferentes gerações que descobriram que têm uma ferramenta eficaz para mobilizar aderentes ao ponto de conseguirem bloquear o país. Essa ferramenta são as redes sociais. É ali que tudo é organizado e combinado, com emoções em espiral.

Impressiona nesta movimentação a evidência de falta de corpos intermediários. Os manifestantes têm algumas figuras que assumem mais notoriedade, mas não há líderes. E não há quem esteja a negociar com eles – exceto, caso a caso, os polícias, que têm evitado responder com uso de força desproporcionada.

Os manifestantes, está demonstrado que em centenas de milhares, levam para a rua e para a estrada a fúria de todas as frustrações que têm. Transportam a revolta contra a falta de resposta política aos desequilíbrios sociais.

O governo de Emmanuel Macron e Édouard Philippe argumenta que a subida do preço dos combustíveis é irreversível, como parte da necessária transição energética. Os manifestantes mostram que não querem agora saber das ameaças do clima, o que querem, e já, é melhoria das condições de vida. Fica aqui evidente o falhanço dos políticos que não têm sabido conjugar a indispensável transição energética com as óbvias necessidades sociais.

Pretender reduzir o uso do automóvel ou promover a substituição do velho automóvel por um não poluente implica criar condições, seja o desenvolvimento de alternativas de transporte, seja possibilidades de compra do automóvel limpo.

O depósito social francês está cheio de combustível para provocar derrapagens, seja para episódios violentos, seja para escaladas populistas. A Itália está ali ao lado a funcionar como exemplo de derivas, tanto para a direita (a Liga, de Salvini) como para a esquerda (o 5 Estrelas, agora de Di Maio).

À primeira vista, parece emocionante ver emergir um movimento popular espontâneo. Mas, a falta de refinaria para tantas aspirações em confronto, tem potencial explosivo. Há o risco de decomposição social.

Estamos mesmo a viver tempos novos, cheios de incertezas. Inquietantes.

Mbappé desloca o ombro na vitória de França sobre o Uruguai

A seleção francesa venceu em casa a congénere do Uruguai por 1-0, em jogo particular realizado no Stade de France, em Paris.

Olivier Giroud anotou o único golo do jogo na conversão de uma grande penalidade aos 52 minutos.

O jogo ficou marcado pela lesão de Kylian Mbappé. O jovem avançado do PSG deslocou o ombro direito ainda na primeira parte e a real extensão do problema físico será revelada na quarta-feira.

Flash Info

Flash INFO

0:00
0:00
Advertising will end in 

Journal Desporto

0:00
0:00
Advertising will end in 

x