Termina esta segunda-feira o prazo para os bancos aplicarem juros negativos nos contratos.
A associação de consumidores DECO pede atenção a quem tem crédito à habitação. Os bancos têm até esta segunda-feira de refletir totalmente nos contratos a descida que se tem verificado para números negativos da taxa de juro Euribor.
A proposta foi aprovada por quase todos os partidos (apenas com a abstenção do PSD) e promulgada com algumas dúvidas pelo Presidente da República.
O economista da DECO, Nuno Rico, adianta que os bancos têm de cumprir a lei e aplicar a taxa de juro negativa diretamente abatendo ao capital em dívida os juros negativos ou dando ao cliente um crédito de juros que será compensado quando os juros subirem.
Se os clientes não receberem até esta segunda-feira uma carta do banco a explicar como vão cumprir a lei o caminho do consumidor deve ser uma queixa para o Banco de Portugal.
Recorde-se que as taxas Euribor estão negativas há cerca de três anos e os bancos têm sido acusados de não fazerem corretamente os cálculos da prestação do crédito à habitação.
A DECO defende que um contrato indexado a uma taxa variável pressupõe que as duas partes assumem o risco de oscilação da prestação, pelo que quando a Euribor sobe a prestação deve subir e quando desce a prestação também deve descer.
A Associação Portuguesa de Bancos tem contestado a nova lei argumentando que também não estão a refletir nos depósitos dos clientes as taxas de juro negativas que se praticam nos mercados.
Jean-Luc Rocha é um ‘chef’ de origem portuguesa, galardoado com duas estrelas Michelin, que se apaixonou pela cozinha em criança graças à avó portuguesa e que conquistou o paladar dos inspetores do famoso ‘Guia Vermelho’.
Jean-Luc Rocha
O ‘chef’, de 41 anos, que também obteve o título de ‘Meilleur Ouvrier de France’ em 2007, sempre orbitou em torno de estrelas Michelin, como Thierry Marx, Patrick Henriroux e Gilles Blandin até ser ele próprio recompensado.
Foi em 2011 que Jean-Luc Rocha conquistou duas estrelas Michelin no restaurante Le Château Cordeillan-Bages, em Pauillac, perto de Bordéus, onde trabalhava desde 2002 e onde substituiu, em 2010, o mediático ‘chef’ Thierry Marx que já tinha dado à casa duas estrelas.
Desde janeiro de 2017, o ‘chef’ lusodescendente passou para os comandos da cozinha do Saint James Paris, na capital francesa, um restaurante distinguido até agora com uma estrela ao qual Jean-Luc Rocha gostaria de acrescentar uma segunda, « sem pressão ».
« Se pudermos ter duas estrelas, está bem. Se não pudermos: uma estrela, com o pessoal contente, fica bem. Se fizermos bem o trabalho, vamos ter duas estrelas. Não é o objetivo, mas se pudermos atingir isso, muito bem », explicou à Lusa, num português hesitante, já que desde pequeno ouve português em casa mas sempre respondeu em francês.
Basicamente, o ‘chef’ considera que « não vale a pena colocar-se sob pressão para alcançar a estrela » porque « se se trabalhar bem, a recompensa virá » e porque o critério « não é apenas a cozinha, mas um todo, desde o local, à decoração, à equipa, ao acolhimento ».
Jean-Luc Rocha, que nasceu na cidade francesa de Vesoul, herdou da avó portuguesa a paixão pela cozinha porque « a família sempre esteve reunida à volta de uma mesa », onde havia, por exemplo, pastéis de bacalhau, pastéis de nata, sopa de feijão ou burlhões da Beira Baixa.
« Cada prato é uma história, é um sabor, uma imagem, uma lembrança, um momento de convívio, de viagem. Há sempre algo por trás. Não se mete um ou outro produto no prato porque é bonito. Não. É preciso que tenha um sentido e um equilíbrio. É preciso que a pessoa que vá comer sinta uma emoção. Um simples alho frito no azeite é uma emoção porque para mim tem um sabor e uma lembrança », descreveu.
Enquanto a avó lhe transmitiu a importância de conquistar as bocas para arrebatar emoções, o avô e o pai, marceneiros, passaram-lhe a precisão e o rigor milimétrico com que faz as composições de cada prato.
« Julgo que é de família: fazer bom, lindo e preciso. Eles cortavam árvores para fazer móveis, eu pego na cenoura para fazer um prato », resume, com simplicidade, o homem que tem « a sorte » de ser « oriundo de uma família de artistas » da Covilhã que chegaram a França nos anos 60 e que impuseram o apelido Rocha no ramo da serralharia artística e na invenção de revestimentos de ponta para a construção civil.
Os ossos do ofício estão ainda ancorados na família materna que tem unidades hoteleiras na Serra da Estrela, mas a possibilidade de aí trabalhar não o motiva neste momento porque « é economicamente complicado » e não se imagina « a cozinhar só comida tipicamente portuguesa » mesmo que a ideia de « ter um restaurante com estrela Michelin a 1800 metros de altitude seja altamente ».
O ‘chef’ realiza uma « cozinha francesa e internacional » e não gosta muito que lhe perguntem o que é que as suas receitas têm de português para não lhe colarem o rótulo de que só cozinha coisas lusas, mas ao longo da conversa vai-se descobrindo que até pastéis de bacalhau faz « às vezes ».
Afinal, as suas ‘receitas de autor’ têm fortes raízes portuguesas, a começar pelo azeite da terra dos pais e a passar pelas ostras da bacia de Arcachon « que foram trazidas para a bacia de Arcachon pelos portugueses » mesmo que hoje a região seja « o ‘rendez-vous’ dos parisienses e de todo o ‘jet set’ internacional, ao princípio eram aldeias de pescadores, sobretudo portugueses ».
« As ostras e o caviar, os frutos do mar, os crustáceos, a mistura da terra e do mar. Peixe e carne, gambas e porco, qual é o problema? » – sorri o ‘chef’, acrescentando que gosta de carne de porco à alentejana mas que não se deixa levar pela tentação dos mesmos ingredientes porque « isso seria redutor ».
A lagosta também é uma das suas matérias-primas favoritas e gosta de a moldar, por exemplo, com manjerona – uma erva aromática meia-irmã do oregão – mas também adora o ‘foie gras’ que utiliza « todo o ano », por exemplo, com uma folha crocante de sésamo por cima e com melão, figo, maçã ou cogumelos.
Entre classicismo francês e modernidade, Jean-Luc Rocha aposta numa « cozinha autêntica, apoiada nos produtos e identificável », vogando então « entre terra e mar », entre equilíbrio de sabores e ritmo das estações, algo que se vê na ementa de degustação do Saint James Paris.
Depois de um aveludado de batata com ostras e caviar da Aquitânia, há um ‘foie gras’ quente com uma folha crocante de sementes de sésamo e de papoila, pickles de legumes e doce de castanha, seguido de uma lagosta, com caldo da casca, ervas aromáticas e legumes em risotto, mais um ‘moelleux’ de cogumelos em ‘capuccino’ e peito e coxas de pombo marinado com chá Earl Grey à maneira de um ‘pot-au-feu’.
Para a sobremesa, destaque para os gomos de toranja e toranja em creme com pimenta de Timut, acompanhados com sorvete de lichia e lima, com finas folhas de merengue, e para o chocolate Carupano em creme estaladiço com nozes-pecã, calda de cacau e gelado de nata.
Hoje, quando há pratos portugueses na casa dos pais « é uma verdadeira identidade portuguesa » e « um prazer », mas a avó continua agarrada à cozinha lusa e não se deixa converter pelo neto: « Ao ‘foie gras’, ela chama-lhe ‘paté’. Quando trago para as férias de natal e de ano novo o ‘foie gras’, ela diz: ‘Dá cá um bocadinho de paté’. ‘Avó, não é paté, é ‘foie gras’! », conclui com um enorme sorriso.
O Douro dedica o mês de agosto ao tomate coração de boi que será o protagonista de um concurso, nos pratos dos restaurantes e numa festa de aldeia, numa iniciativa que pretende valorizar este produto das hortas durienses.
Nesta terceira edição, o Concurso Tomate Coração de Boi realiza-se no dia 24 de agosto e o palco para a prova é a Quinta do Vallado, no Peso da Régua.
A organização do evento está a cargo de Abílio Tavares da Silva, produtor dos vinhos Foz Torto, e Celeste Pereira, proprietária da empresa de comunicação Greengrape, que desenvolve o projeto de animação turística e produção de eventos alltodouro.com.
O concurso « visa contribuir para a valorização e promoção deste produto », que encontra no Douro as condições ideais para o seu amadurecimento, « bem como revitalizar a tradição das hortas de quinta nesta região vinhateira ».
“São estas virtudes naturais que os produtores de vinho do Douro valorizam quando mantêm vivas as hortas de quinta e a produção do tomate, ainda que numa escala familiar e de produção local. É este também um modo de promover o território, a sua diversidade de produto e originalidade”, salientou a organização.
O concurso reúne vários especialistas para elegerem o melhor tomate da temporada, desde chefes de cozinha como Vítor Sobral, Miguel Castro e Silva e Leopoldo Calhau, enólogos ou jornalistas.
A par do concurso, e durante todo o mês de agosto, a organização convida os restaurantes da região a participarem no “Mês do Tomate”, propondo a inclusão nas ementas de pratos inspirados neste produto.
Em todos os restaurantes aderentes vai ser possível degustar o tomate coração de boi em saladas, com azeite e flor de sal, ou em pratos especiais concebidos para esta quinzena.
A iniciativa cruza-se ainda também com o projeto Capella, que visa o desenvolvimento da economia local e que tem levado à praça e capela de Arroios, em Vila Real, a arte, a cultura, a música e os produtos locais.
No dia 25, realiza-se neste espaço uma prova de tomate combinado com diferentes perfis de azeite e flor de sal.
Terminada a prova, os participantes são convidados a participar, no largo da aldeia, na décima edição do Mercadinho da Capella, um misto de venda de produtos das hortas locais, com destaque para o tomate, e lugar de festa, com animação e petiscos.
A capela de Arroios é um imóvel de estilo Barroco, classificado como Monumento de Interesse Público desde 1993.
Portugal é o segundo país da União Europeia (UE) onde a taxa de emprego de cidadãos nascidos noutro Estado-membro é mais elevada (83,6%), revelou hoje o Eurostat.
De acordo com o gabinete de estatísticas da UE, os cidadãos europeus que vivem num Estado-membro diferente do seu registaram, em 2017, uma taxa de emprego de 75,4%, uma percentagem ligeiramente superior à das pessoas que residem no seu país de origem (73%).
Entre os 28, o Reino Unido foi o país onde os migrantes de outro Estado-membro registaram uma maior empregabilidade (83,6%), seguindo-se Portugal (82,7%), Suécia (80,7%), e Estónia (80,2%).
As taxas de emprego da população ‘nativa’ foram maiores na Suécia (85,5%), Alemanha (81,6%), e Holanda (80,5%), com Portugal a ficar-se pelos 73%.
Os migrantes nascidos fora da UE – cuja percentagem média comunitária se fixou nos 63% – registaram as maiores taxas de emprego na República Checa (79,4%) e na Roménia (76,3%), com Portugal a ficar no terceiro lugar deste ‘ranking’ (74,5%).
Do lado oposto está a Bélgica, que empregou apenas 52% dos migrantes não comunitários em 2017, enquanto a Grécia foi o país que registou uma taxa mais reduzida de emprego da população nativa (58,1%) e de cidadãos nascidos noutro Estado-membro (56,1%).
A humanidade terá consumido, na quarta-feira, o total dos recursos que a natureza consegue renovar este ano, sendo que os seres humanos vão viver os próximos cinco meses « a crédito », afirmou hoje uma rede de organizações não governamentais ambientalistas.
O dia 01 de agosto é « a data em que terão sido utilizadas todas as árvores, água, solos férteis e peixes que a Terra consegue fornecer em um ano para alimentar e abrigar os seres humanos e terá sido emitido mais carbono do que os oceanos e florestas conseguem absorver », afirmou a porta-voz da WWF, Valérie Gramond, organização que pertence à rede Global Footprint Network.
« Hoje, precisaríamos de 1,7 Terras para satisfazer as nossas necessidades », ilustrou, num comunicado divulgado hoje.
O total dos recursos renováveis consumidos nunca tinha sido atingido tão cedo desde que a data começou a ser assinalada, nos anos 1970, quando o total só era consumido a 29 de dezembro. No ano passado, a data foi 03 de agosto.
Um terço dos alimentos acumulados pelos seres humanos acaba no lixo, indicou, afirmando que a antecipação progressiva da data se deve ao excesso de consumo.
A distribuição do consumo é desigual no mundo, com países pequenos e com poucos habitantes como o Qatar e o Luxemburgo com uma pegada ecológica muito forte.
Se todos os países consumissem assim, a data seria atingida logo no mês de fevereiro, alerta a organização.
Ricardo Robles anunciou hoje a sua renúncia como vereador do BE da Câmara de Lisboa, afirmando ser « uma decisão pessoal » com o « objetivo de criar as melhores condições para o prosseguimento da luta do Bloco pelo direito à cidade ».
« Informei ontem, domingo, a coordenadora da Comissão Política do Bloco de Esquerda da minha intenção de renunciar aos cargos de vereador na Câmara Municipal de Lisboa e de membro da comissão coordenadora concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda », refere uma nota a que agência Lusa teve acesso.
Esta é, de acordo com Ricardo Robles, « uma opção privada, forçada por constrangimentos familiares » e « no respeito pelas regras legais », para ultrapassar aquilo que se tornou « um problema político real » e que criou um enorme constrangimento à « intervenção como vereador ».
« Esta é uma decisão pessoal que tomo com o objetivo de criar as melhores condições para o prosseguimento da luta do Bloco pelo direito à cidade », conclui a mesma nota.
Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do partido remeteu mais esclarecimentos para depois da reunião da comissão política do BE, que vai decorrer hoje à noite.
A demissão surge na sequência de uma notícia avançada na edição de sexta-feira do Jornal Económico segundo a qual, em 2014, o autarca adquiriu um prédio em Alfama por 347 mil euros, que foi reabilitado e posto à venda em 2017 avaliado em 5,7 milhões de euros.
Na sequência desta notícia, a concelhia de Lisboa do PSD pediu a demissão do vereador bloquista, acusando-o de « falta de ética, seriedade e credibilidade política ».
Numa nota enviada à agência Lusa na noite de sexta-feira, o BE defendeu que a conduta do vereador na Câmara de Lisboa Ricardo Robles « em nada diminui a sua legitimidade na defesa das políticas públicas que tem proposto e que continuará a propor ».
No sábado de manhã, a coordenadora bloquista, Catarina Martins, disse que Ricardo Robles « nada fez de errado », classificando as notícias de alegada especulação imobiliária de « mentiras ».
Em conferência de imprensa realizada ao final da tarde de sexta-feira, Ricardo Robles reiterou que a avaliação do prédio « foi feita por uma agência imobiliária, que o teve à venda por seis meses até abril » e que « desde então, o imóvel não está a venda ».
Por isso, sublinhou nessa conferência de imprensa, « esta compra não foi uma operação especulativa », assegurando que iria « colocar o imóvel em propriedade horizontal, de forma a poder dividir as frações ».
« Não venderei a minha parte do imóvel e colocarei as minhas frações no mercado de arrendamento. Não comprei este prédio para o vender com mais-valias e, pela minha parte, não o farei », afirmou então.
TOUR: GERAINT THOMAS CONFIRMA VITÓRIA NA VOLTA A FRANÇA
O galês de 32 anos venceu o Tour pela primeira vez, ao concluir a prova com 1.51 minutos de vantagem sobre o holandês Tom Dumoulin.
O britânico Geraint Thomas (Sky) confirmou hoje a conquista da Volta a França em bicicleta, após a 21.ª e última etapa, entre Houilles e os Campos Elísios, em Paris, onde o norueguês Alexander Kristoff (UAE-Team Emirates) venceu a tirada.
O galês de 32 anos venceu o Tour pela primeira vez, ao concluir a prova com 1.51 minutos de vantagem sobre o holandês Tom Dumoulin (Sunweb), segundo classificado, e 2.24 sobre o britânico e seu companheiro deequipa Chris Froome, a quem sucede no historial.
HISTÓRICO. Futebol: PORTUGAL SAGRA-SE CAMPEÃO EUROPEU DE SUB-19 PELA 1.ª VEZ
« JOGO LOUCO ». Depois de três finais perdidas, Portugal sagra-se campeão de sub-19
Portugal sagrou-se campeão europeu pela primeira vez, ao vencer a Itália por 4-3 após prolongamento, num jogo louco. Na final no OmaSP Stadion, na Finlândia, a seleção lusa esteve a vencer por 2-0, com golos de Jota e Trincão mas permitiu a recuperação italiana em dois minutos, pelo suplente Moise Kean. No prolongamento marcaram-se mais dois golos, com Jota a bisar e Scamaca a empatar. Suplente Pedro Correia fez o golo histórico e deu o título a Portugal.
No final do encontro, os jovens lusos fizeram a festa no OmaSP Stadion, em Seinajoki, Finlândia.
As reações dos novos campeões europeus de sub-19
Diogo Costa, guarda-redes: « Custou imenso [falhar a final devido a lesão]. Custou muito mais estar cá por fora. Mas tenho um orgulho enorme de ver os meus colegas jogar desta maneira. A união esteve lá, esteve lá tudo! Foi fruto de muito trabalho e foi muito merecido »
Pedro Correia, autor do golo da vitória: « Mesmo antes de começar o Europeu, tinha a ambição de estar nesta final e fazer acontecer aquilo que aconteceu. O futebol é isto. É acreditar para lograr os objetivos. Somos todos uma equipa, todos estes 21 jogadores. Estamos todos aqui para ajudar. Tem mais sabor assim. Ainda por cima quem está fora, no banco, ainda sofre mais. Na chegada a Lisboa espero que esteja lá muita gente para nos receber, pois alcançámos um feito histórico. Nunca ninguém tinha ganho este título, por isso isto é um motivo de orgulho para o nosso país »
Trincão, melhor marcador da prova: « Nem tenho palavras. É uma sensação incrível. O culminar de um grande Europeu. Estivemos muito bem, sempre com o objetivo de ganhar. Sempre quisemos esta vitória, com muito coração, crer… Tivemos mais crer do que os adversários, fomos mais competentes e conseguimos ganhar. Queremos um grande acolhecimento [em Lisboa], com muito apoio, como tem sido desde sempre, como sucedeu aqui »
Nuno Santos: « Uma vitória muito sofrida. Como disse antes do jogo, esperava um jogo difícil e foi assim. Uma final é sempre uma final. Esta foi contra a Itália, um grande adversário. Para lá de sabermos a qualidade deles, sabíamos o que queríamos e demonstrámos que temos muito valor. Esta equipa é muito forte individualmente, mas é ainda mais forte como grupo. Posso ser egocêntrico, mas acho que somos [uma geração de ouro]. Não são só 21, mas todos os que não vieram. Todos têm muita qualidade ».
Ricardo Benjamin: « Fui chamado por causa de uma lesão de um colega, infelizmente. Estou muito feliz. Esta é uma grande geração. Merecemos mais do que ninguém. Somos Portugal ».
Florentino: « Foi um grande jogo, uma grande equipa. Viu-se o trabalho feito ao longo dos anos e hoje foi o concretizar disso mesmo. É uma vitória para os portugueses, eles merecem. Agora vamos querer o Mundial, mas por agora vamos desfrutar ».
Alfa/Expresso (semanário, edição papel e online). Por Daniel Ribeiro. Adaptação atualizada.
Alexandre Benalla, em primeiro plano, tinha a total confiança do Presidente Emmanuel Macron
FOTO LUDOVIC MARIN/EPA
Polémica. Tentativa de criar força de segurança paralela gera pior crise desde a eleição de Macron, em maio de 2017
A queda de Alexandre Benalla, guarda-costas em quem Emmanuel Macron depositava grande confiança, colocou em dificuldades o líder francês, travou uma restruturação (que decorria no maior sigilo) de todo o sistema de segurança no Eliseu e paralisou a Assembleia Nacional, que não consegue funcionar normalmente desde há dez dias, quando o escândalo foi revelado pela imprensa.
Benalla, civil de 26 anos que já fora chefe da segurança de Macron durante a campanha das presidenciais de 2017, era uma figura central no Palácio, onde a sua importância crescente não era bem vista pela estrutura oficial de proteção do chefe de Estado, designadamente o sector militar e policial. Existiam “fricções” e “rancores” com o muito oficial Agrupamento de Segurança da Presidência da República, confessou Benalla numa entrevista, quinta-feira, ao jornal “Le Monde”. “A verdade é que a minha nomeação para esse posto chateou muita gente, porque um garoto de 25 anos que não estudou na Escola Nacional de Admnistração, que diz as coisas frontalmente, suscita rancores”, explicou.
Macron fala em “tempestade num copo de água” e tenta desvalorizar o escândalo que eclodiu depois de o mesmo diário ter divulgado um vídeo que mostra o chefe da segurança de Macron e da sua mulher, Brigitte, a espancar e deter um jovem, durante uma manifestação no dia 1 de maio. Benalla estava equipado com um capacete da polícia quando atacou o manifestante, à frente das forças antimotim, que não reagiram e pareciam vê-lo como um superior hierárquico. Antes deste episódio, já Benalla agredira uma jovem no Quartier Latin. Também fora filmado, equipado com braçadeira de agente policial, a usar um aparelho de transmissão rádio reservado às forças da ordem.
A “CÉLULA DO ELISEU”
O escândalo terá impedido a criação de uma “polícia paralela” no Eliseu que estaria em fase avançada de construção, denunciaram deputados e outros políticos da esquerda, direita e ultradireita. A existência de uma “polícia paralela” presidencial não é facto novo. Durante os mandatos de François Mitterrand (1981-1995) existiu a chamada “célula do Eliseu”, que protagonizou um dos maiores escândalos da época ao colocar sob escuta, de forma ilegal, políticos, jornalistas e artistas. Essa “célula” trabalhava com plena autonomia, sem depender dos comandos operacionais normais e reportando apenas ao chefe de Estado. Reveladas as escutas, a “célula” foi dissolvida. De igual modo, a alegada “polícia paralela” de Macron terá morrido à nascença.
O “escândalo Benalla” atinge o Presidente, porque os serviços do Palácio tiveram conhecimento dos vídeos no dia 2 de maio e tentaram abafar o caso, suspendendo apenas o agente de segurança durante 15 dias, com perda de salário “transferida” para dias de férias em atraso que não gozara. Depois da “sanção”, Benalla regressou às suas atividades no Eliseu, foi visto ao lado de Macron em múltiplas situações e chegou a organizar operações especiais como o desfile triunfal dos campeões do mundo de futebol nos Campos Elísios ou as cerimónias oficiais do Dia Nacional, a 14 de julho.
Benalla era “muito bem visto” no Palácio, afirmaram testemunhas nas comissões parlamentares de inquérito constituídas na Assembleia Nacional e no Senado. Não obstante, a sua influência junto de Macron e a crescente importância na sede da presidência provocavam “ciúmes” aos militares e agentes do quadro oficial.
QUATRO INVESTIGAÇÕES OFICIAIS
Já depois de os serviços presidenciais terem “sancionado” Benalla, foi-lhe atribuído um luxuoso apartamento de 80 metros quadrados numa zona nobre de Paris. Tinha direito a carro oficial com motorista e porte de arma.
Além das audições a políticos, militares e policias, lançadas pelas duas câmaras do parlamento, estão em curso um processo judicial contra Benalla e quatro pessoas (um dirigente do partido República em Marcha, de Macron, e três polícias) e um inquérito interno da “polícia das polícias”. Este visa esclarecer o comportamento das forças da ordem durante a agressão de 1 de maio e a forma como Benalla obteve licença para andar armado e ostentar distintivos como uma braçadeira com grau de capitão.
Há, também, efeitos políticos. A oposição vai apresentar duas moções de censura ao Governo. Não tem hipótese de passar, pois Macron tem uma esmagadora maioria, mas o debate manterá o escândalo na agenda.
MATAR O MENSAGEIRO
Para limitar os danos políticos causados pelo seu antigo protegido (80% dos franceses dizem-se chocados com o caso, segundo uma sondagem), Macron optou numa primeira fase pelo silêncio. Depois deu respostas rápidas a algumas perguntas para desmentir que a queda de Benalla tivesse provocado uma crise no poder. Tentou aparecer a trabalhar, despreocupado e sorridente, e manteve viagens programadas há muito a Madrid e Lisboa. Anulou, no entanto, uma visita prevista a uma etapa da Volta a França em bicicleta para evitar contactos com jornalistas e populares.
Em breves declarações, atacou os jornalistas, recorrendo a fórmulas que se assemelham às utilizadas pelo seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo Philippe Moreau Chevrolet, professor de Comunicação Política no Instituto Sciences Po. “É muito ‘trumpista’ quando repete, por exemplo, que a imprensa não diz a verdade e que o país real não liga nada a este caso”, explica o perito.
Na entrevista a “Le Monde”, Benalla reconhece que errou na manifestação de 1 de maio, mas diz que, através dele, “querem atacar o Presidente”. “Sou o elo mais fraco”, sublinhou. Devido a este caso, que ainda não está encerrado, Macron enfrenta a pior crise desde que foi eleito, em maio de 2017.
A notícia, no Mundo Português (a Rádio Alfa envia à família, amigos, direção e a todos os colaboradores do jornal, as mais sentidas condolências):
Estamos de luto | Faleceu Carlos Morais
Faleceu na manhã desta sexta-feira, vítima de acidente rodoviário, o proprietário do jornal Mundo Português e CEO do SISAB PORTUGAL, Carlos Baião Morais.
Tinha 58 anos, a maior parte dos quais dedicados às causas da diáspora portuguesa e da portugalidade no mundo. Nas últimas décadas, foi figura de destaque na dinamização das exportações no sector agro-alimentar, tendo idealizado e desenvolvido desde 1995 o SISAB PORTUGAL, a maior feira para a exportação de produtos deste importante sector da economia portuguesa.
As comunidades portuguesas perdem uma grande referência que muita falta irá fazer.
Nunca esqueceremos as suas palavras: “é por isso que este jornal é diferente, e é por isso que nos afirmamos como nenhum outro. Somos o espelho de todos vós e todos vós, o cidadão anónimo e a sua família, são a força que nos alimenta diariamente. Ser diferente é cada vez mais difícil na sociedade globalizante em que vivemos”.
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