PROMESSA: CASA DE PORTUGAL DE CHAMPIGNY PRONTA A 25/4/2019

O edifício já existe, era a antiga casa do guarda da atual Casa das Associações de Champigny.  Este ano, a Mairie de Champigny decidiu oferecer a casa à Associação portuguesa socio-cultural e recreativa (APSCR) da histórica cidade que acolheu milhares de emigrantes portugueses a partir dos anos 1960. No entanto, as obras de renovação ficam por conta da associação, que apela ao apoio da Comunidade. Manuel Marques, um dos dirigentes da associação portuguesa à Rádio Alfa:

 

Mediterrânico em risco de ser « mar de plástico » com impacto em Portugal

A conclusão é do estudo do WWF- Fundo Mundial para a Natureza e marca o dia Mundial dos Oceanos, assinalado a 8 de Junho revelando que 95% dos resíduos que flutuam no Mediterrâneo são de plástico, o que coloca este mar em risco, de se transformar numa armadilha plástica, com níveis recorde de poluição que ameaçam tanto espécies marinhas como a saúde humana.

 

Portugal não escapa ileso a este impacto devido à proximidade geográfica com o Mediterrâneo, afirma este relatório do WWF – – Fundo Mundial para a Natureza intitulado « Sair da Armadilha Plástica: Salvar o Mediterrâneo da poluição. »

O documento alerta para os efeitos dramáticos que o uso excessivo de plástico, a má gestão dos resíduos e o turismo em massa estão a ter sobre uma das regiões mais visitadas no mundo, como Portugal, que dada a proximidade geográfica e o aumento exponencial do turismo, partilha destes problemas.

Apesar da real dimensão do perigo do plástico no oceano não ser conhecida em Portugal, uma vez que não existem estudos específicos recentes sobre a temática, há artigos científicos que colocam o nossos país com dados preocupantes ao longo da cadeia alimentar marinha, nomeadamente em espécies que servem de alimento a peixes e mamíferos, como o zooplâncton.

De acordo com a ANP – Associação Natureza Portugal, representante do WWF na península ibérica, essas reflexões científicas destacam as zonas de Lisboa e Costa Vicentina pela sua proximidade com os Estuários do Tejo e Sado, apresentando elevadas densidades de microplásticos.

De notar também que 20% dos peixes de consumo quotidiano revelam microplásticos nos seus estômagos, e que 80% das Tartarugas-Marinhas-Comuns (Caretta caretta), cujos juvenis gostam de se alimentar na zona dos Açores, comem lixo, na sua maioria plástico.

Hoje, o plástico representa 95% dos resíduos que flutuam no Mediterrâneo e que dão à costa nas praias. A maior parte desse plástico é proveniente da Turquia e Espanha, seguida pela Itália, Egito e França. Os turistas que visitam a região a cada verão são responsáveis por um aumento de 40% no lixo marinho.

O relatório reúne provas científicas e os dados mais recentes sobre o uso de plástico na Europa e o impacto que estes têm na vida marinha, apresentando um roteiro detalhado das ações urgentes que as instituições, empresas e cidadãos têm de implementar para evitar que os resíduos plásticos cheguem ao mar europeu.

Para Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP/WWF, este problema dos plásticos é um sintoma do declínio geral da saúde do Planeta, defendendo a ambientalista que « Precisamos agir com urgência e em toda a cadeia para salvar os nossos oceanos da presença generalizada de plásticos ».

Grandes pedaços de plástico ferem, sufocam e matam frequentemente animais marinhos, incluindo espécies protegidas e ameaçadas, como tartarugas marinhas e focas-monge. Mas são os microplásticos – fragmentos menores e mais insidiosos – que atingiram níveis recordes de concentração de 1,25 milhão de fragmentos por km quadrado no Mar Mediterrâneo, quase quatro vezes mais altos do que na « ilha de plástico » encontrada no Oceano Pacífico Norte. Ao entrar na cadeia alimentar, esses fragmentos ameaçam um número crescente de espécies animais, bem como pessoas.

De acordo com o relatório, atrasos e lacunas na gestão de resíduos plásticos na maioria dos países do Mediterrâneo estão entre as causas da poluição por plásticos. Das 27 milhões de toneladas de resíduos plásticos produzidos anualmente na Europa, apenas um terço é reciclado; metade de todos os resíduos plásticos na Itália, França e Espanha acaba em aterros sanitários.

Os plásticos reciclados representam atualmente apenas 6% da procura de plásticos na Europa. A WWF pede aos governos, empresas e indivíduos que adotem uma série de ações para reduzir a poluição por plásticos em ambientes urbanos, costeiros e marinhos, no Mediterrâneo e no mundo, incluindo: a adoção de um acordo internacional juridicamente vinculativo para eliminar a descarga de plástico nos oceanos, com alvos nacionais ambiciosos para atingir 100% de resíduos plásticos reciclados e reutilizáveis até 2030 e proibições nacionais para itens plásticos descartáveis, como sacos de plástico. Também reforça o pedido para as empresas investirem em inovação e projetarem um uso de plástico mais eficaz e sustentável.

« A poluição plástica afeta-nos a todos. Somente agindo em conjunto podemos limpar os nossos oceanos, rios e cidades de plásticos desnecessários », concluiu Ângela Morgado.

 

Alfa/JN/VDigital

O Dia de Portugal em França. Opinião. Uma crónica desencantada de Carlos Pereira

As comemorações, em França,  do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas. Uma crónica desencantada do jornalista Carlos Pereira sobre as comemorações do 10 de junho. Volte a ouvir aqui a última crónica do diretor do Lusojornal:

 

Portugal vence Argélia por 3-0, a oito dias do jogo com a Espanha

A seleção portuguesa de futebol venceu hoje a sua congénere da Argélia por 3-0, no último encontro de preparação para a fase final do Mundial de 2018, realizado no Estádio da Luz, em Lisboa.

Gonçalo Guedes, aos 17 e 55 minutos, assistido por Bernardo Silva e Raphaël Guerreiro, respetivamente, e Bruno Fernandes, aos 37, após centro de Cristiano Ronaldo, que cumpriu a 150.ª internacionalização ‘AA’, apontaram os tentos lusos.

Na fase final, Portugal joga no Grupo B, defrontando a Espanha, a 15 de junho, em Sochi, Marrocos, a 20, em Moscovo, e o Irão, de Carlos Queiroz, a 25, em Saransk.

Alfa/Lusa.

França a um passo de proibir os telemóveis nas escolas

Ministro da Educação fala em « medida de desintoxicação » para combater a distração na sala de aula e o bullying.

 

O governo francês quer proibir o uso de telemóveis nas escolas a nível nacional e essa medida é analisada hoje na Assembleia Nacional, onde o La Republique en Marche do presidente Emmanuel Macron tem a maioria.

O ministro da Educação francês, Jean-Michel Blanquer, fala numa « medida de desintoxicação » para combater a distração nas salas de aulas e o bullying.

Segundo os defensores da lei,o uso de telemóveis entre as crianças e jovens tem aumentando os casos de cyber-bullying, facilitou o acesso à pornografia e dificultou a capacidade dos jovens de interagir socialmente. O ministro da justiça justifica ainda a medida com o aumento dos roubos de telemóveis, extorsão e obsessão com as marcas da moda.

O objetivo do governo é que a lei seja aprovada rapidamente, a tempo de conseguir que as escolas alterem as suas diretrizes e imponham a proibição no início do próximo ano, em setembro.

Para o sindicato dos diretores de escolas, Philippe Vincent, a medida não implica uma grande mudança, já que metade das escolas já proibem o uso do telemóvel nas aulas ou na totalidade ou parte do tempo de recreio.

A nova lei deixa às escolas a decisão sobre como querem aplicar a proibição, podendo numa versão mais simples implicar que os telemóveis são colocados em bolsas específicas dentro das mochilas para permitir o acesso em caso de emergência ou para uso pedagógico, nas aulas. Mas há também a versão mais extrema, de os proibir totalmente na escola, sob pena de sanções.

 

Mais de 90% das crianças com mais de 12 anos têm telemóvel em França

 

Mais de 90% das crianças com mais de 12 anos têm telemóvel em França, segundo a proposta de lei. O debate em França tem gerado discussão noutros países, como Reino Unido ou Irlanda.

« Os telemóveis são um avanço tecnológico, mas não podem monopolizar as nossas vidas », afirmou Blanquer, à estação de televisão LCI (La Chaîne Info). « Não podes encontrar o teu caminho num mundo de tecnologia se não sabes ler, escrever, contar, respeitar os outros e trabalhar em equipa », afirmou.

Uma alteração de última hora à proposta de lei significa que até os professores e funcionários da escola podem ser alvo da proibição. « Acho que isso não é necessário », afirmou o ministro, sugerindo que essa alteração não será aprovada.

À rádio RTL, um representante do sindicato dos professores UNSA, Stephane Crochet, disse considerar a inclusão dos adultos na proposta de lei um insulto e um risco de segurança.

 

Alfa/DN

Portugal tem 44 praias sem poluição

Torres Vedras lidera com sete praias sem poluição na água.

 

(foto) A praia do Navio, em Santa Cruz, Torres Vedras
Foto Orlando Almeida / Global Imagens

 

Portugal tem 44 zonas balneares sem qualquer poluição na água, e os concelhos de Torres Vedras, com sete praias, e o de Grândola, com quatro, lideram a lista elaborada pela associação ambientalista Zero.

« É um número significativo, representa cerca de 7% do total das 608 zonas balneares em funcionamento este ano », disse esta quinta-feira à agência Lusa o presidente da Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, Francisco Ferreira.

Em comparação com 2017, este ano há mais 11 zonas balneares classificadas pela associação como ‘zero poluição’.

Com base em dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Zero identificou as praias que, nas três últimas épocas balneares, tiveram sempre classificação ‘excelente’ e, nas análises à água, não apresentaram contaminação pelos dois parâmetros microbiológicos previstos na legislação para controlo (escherichia coli e enterococos intestinais).

« Os concelhos com maior número de praias com zero poluição são Torres Vedras, com sete, Grândola, com quatro, Aljezur e Tavira com três cada um », avançou Francisco Ferreira.

Em Torres Vedras são praias ‘zero poluição’ as Amanhã, Centro, Física, Mirante e Pisão, em Santa Cruz, a que se junta Navio e Santa Helena.

No concelho de Grândola, não registaram poluentes as zonas balneares deAberta Nova, Atlântica, Carvalhal e Melides. Em Aljezur são indicadas as praias de Amado, Monte Clérigo e Vale dos Homens, e em Tavira Cabanas-Mar, ilha de Tavira-Mar e Terra Estreita.

Do total das 44 zonas balneares sem poluição, apenas duas são interiores. As outras são costeiras ou de transição.

« Enquanto que de 2016 para 2017 tivemos uma redução do número de ‘praias zero’, este ano o número de zonas balneares classificadas como ‘zero poluição’ aumentou, o que nos deixa particularmente satisfeitos », salientou o presidente da associação de defesa do ambiente.

Para o ambientalista, o aumento em 33% do número de praias sem poluição na comparação com o ano passado « é promissor ».

O presidente da Zero referiu ainda que, « nas praias interiores é mais difícil conseguir este tipo de registo e há que destacar quer a praia de Santa Luzia, na Albufeira de Santa Luzia em Pampilhosa da Serra, quer Montes na Albufeira de Castelo do Bode, em Tomar ».

Com a época balnear a começar em vários locais ao longo da costa portuguesa, a associação de defesa do ambiente aconselha a que só sejam frequentadas praias classificadas como zonas balneares, onde há vigilância e onde se conhece a qualidade da água.

Alerta ainda que não devem ser deixados resíduos na praia, sendo encaminhados para a recolha seletiva, e devem ser preservados a paisagem e os ecossistemas envolventes das zonas balneares.

 

Alfa/DN/Lusa

Merkel abre a porta a acordo com Macron sobre reforma da zona euro

Chanceler alemã diz estar preparada para chegar a um compromisso, a três semanas de cimeira chave sobre o tema.

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Alemanha deve estar preparada para chegar a um compromisso com a França no que diz respeito à reforma da zona euro, mostrando a sua abertura para negociar a três semanas de uma cimeira europeia em que o futuro do bloco está em jogo.

« Acho que vamos ao encontro um do outro com reformas à união monetária, mas estas reformas não são as únicas reformas de que precisamos », afirmou, mencionando as políticas de asilo, migração, desenvolvimento e segurança, segundo a agência Reuters.

« Com estas reformas, só vamos trabalhar com acordos », afirmou Merkel, num debate sobre a Europa promovido pela televisão alemã WDR.

« Aqueles que não forem capazes de chegar a um compromisso, vão contribuir para a rutura da Europa », afirmou.

Emmanuel Macron defendeu em março, durante a visita de Merkel a Paris após ter sido confirmada para um quarto mandato à frente da Alemanha, a necessidade de preparar um « roteiro claro e ambicioso até final de junho » para refundar a União Europeia, procurando ultrapassar as diferenças que existem entre ambos.

Merkel tem estado dividida entre chegar a acordo com Macron e manter os parceiros conservadores, que acusam o líder francês de procurar « uma união de transferências », na qual os países que recusam qualquer reforma seriam compensados com dinheiro alemão.

« Pessoalmente, não vejo fundos tão extensos que possam ser administrados a nível intergovernamental como a proposta francesa prevê », afirmou Merkel à WDR.

« Mas consigo imaginar que temos que fazer algo, e algo mais do que para os países que não estão no euro, para a convergência da zona euro », acrescentou.

Alfa/Dn/Reuteurs

Sá Pinto diz que “não estão criadas condições” para regressar agora ao Sporting

O treinador Ricardo Sá Pinto afirmou hoje que « não estão criadas condições » para regressar ao comando da equipa de futebol do Sporting e revelou que vai continuar a treinar no estrangeiro, após abandonado os belgas do Standard Liège.

« Estou triste com o que se está a passar no clube. Não existe a estabilidade nem estão criadas as condições que eu acho fundamentais e necessárias para voltar nesta altura ao Sporting. Muito provavelmente, irei voltar ao Sporting no futuro, mas nesta altura, não », afirmou aos jornalistas.

O antigo jogador e técnico dos ‘leões’ falava à margem de uma visita a uma escola em Lisboa, após ter regressado da Bélgica, onde orientou o Standard Liège na última época. O antigo internacional português admitiu que tem uma « ligação eterna » ao Sporting, mas confessou que deverá continuar a trabalhar fora de Portugal.

« O futuro, em princípio, não passará por Portugal. A minha ligação ao Sporting é eterna, mas, para mim, treinar o Sporting, não é só um trabalho, é muito mais do que isso. É uma grande responsabilidade emocional. O meu sucesso ou insucesso no Sporting terá sempre um impacto muito grande na minha vida profissional e pessoal », referiu.

Por outro lado, Sá Pinto, que enquanto jogador disputou 227 jogos pelos ‘verde e brancos’, frisou que apenas « com união e estabilidade » será possível que o clube de Alvalade ultrapasse o período conturbado que tem vivido.

« Tenho amigos no Sporting que estão divididos, que estão dos dois lados. Não é um clube unido nesta altura e eu apelo a essa união. Só todos juntos conseguirão fazer um Sporting forte, como já foi anteriormente. Tem de haver união em torno do Sporting », salientou.

Ricardo Sá Pinto abordou ainda a presença de Portugal no Mundial2018, considerando que a seleção nacional deve apresentar-se « sem pressão » e pensando « jogo a jogo ».

« O discurso e a forma de estar têm de ser os mesmos do último Europeu. A seleção deve pensar jogo a jogo, passar a fase de grupos e tentar ir o mais longe possível. A equipa tem de continuar unida. Só as grandes equipas podem fazer grandes campeonatos e temos de manter essa linha do Europeu », analisou o antigo futebolista, que somou 45 internacionalizações pela seleção principal e esteve presente nos Europeus de 1996 e 2000.

Alfa/Lusa.

10 Junho: Recenseamento automático vai acabar com « desigualdade incompreensível »

O secretário de Estado das Comunidades considerou hoje que o recenseamento automático, em discussão no parlamento, acabará com “uma desigualdade incompreensível” entre portugueses, pedindo aos emigrantes que votem “para mostrar que valeu a pena”.

 

“Aproxima-se a data da votação final, na Assembleia da República, do recenseamento automático dos portugueses no estrangeiro. O Governo fez o seu trabalho e provou que é possível concretizar esta importante medida política”, afirma José Luís Carneiro, na tradicional mensagem aos cidadãos portugueses por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que se assinala no próximo domingo.

Caso esta medida venha a ser aprovada pelos deputados, refere, “os portugueses no estrangeiro vão receber uma carta a perguntar se querem ser inscritos nos cadernos de recenseamento eleitoral para poderem votar” e “deixam de ter que deslocar-se aos consulados, muitas vezes centenas de quilómetros, para se recensearem”.

“Iremos pôr um fim a uma desigualdade incompreensível entre os portugueses que vivem em Portugal e os portugueses que vivem no estrangeiro”, considera o governante, que sublinha a importância de os emigrantes “participarem nos futuros atos eleitorais, seja qual for o sentido de voto, para mostrarmos que valeu a pena promover esta importante mudança nas condições de participação cívica e política das comunidades portuguesas”.

Na mensagem, que é também publicada na página online do Portal das Comunidades, o secretário de Estado reitera “o empenho do Governo no reforço humano e material dos serviços consulares”.

“Após vários anos marcados por constrangimentos, é agora tempo de repor, gradualmente, a capacidade de resposta dos serviços consulares. Trata-se de uma questão de justiça para os trabalhadores consulares, que todos os dias dão o seu melhor, mas também para os portugueses que por esta via reforçam a sua vinculação a Portugal”, afirma.

Carneiro também aponta como exemplo da “ligação inabalável” dos emigrantes a Portugal o “esforço solidário no apoio aos territórios afetados pelos trágicos incêndios de 2017”.

Este ano, as cerimónias oficiais do 10 de Junho decorrem entre os Açores e os Estados Unidos da América, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa; do primeiro-ministro, António Costa, e do presidente do governo açoriano, Vasco Cordeiro.

“Adicionalmente, o Dia de Portugal será assinalado um pouco por todo o mundo, nos diversos continentes, graças ao trabalho conjunto da nossa rede diplomática e consular, do movimento associativo português na diáspora e de muitos cidadãos portugueses e lusodescendentes que, a título individual, dão o seu contributo para que a história, a cultura e as tradições de Portugal sejam enaltecidas com particular entusiasmo e significado”, menciona o governante.

Algo que o Governo vê como “um sinal inequívoco de que, apesar de estarem fisicamente longe, os portugueses no mundo têm o seu coração em Portugal”.

Alfa/Lusa

Grevistas da CGD França receberam deputado do BE e vão a Belém

Os trabalhadores em greve da sucursal francesa da Caixa Geral de Depósitos vão ser recebidos em Belém, Lisboa, e contaram, hoje, em Paris, com o apoio do deputado bloquista Moisés Ferreira no quinto protesto « contra a alienação » da sucursal.

À oitava semana de greve, durante a manifestação junto ao Consulado-Geral de Portugal, Moisés Ferreira reafirmou a solidariedade do Bloco de Esquerda com os grevistas, cerca de um mês depois de a deputada Mariana Mortágua se ter disponibilizado, em Paris, para « dar voz e megafone » à sua luta.

« Seja megafone, altifalante ou outra coisa qualquer, aquilo que nós queremos é efetivamente dar visibilidade a esta luta e torná-la mais visível também em Portugal porque é preciso que em Portugal se saiba que aqui se está a defender o interesse público », afirmou à Lusa Moisés Ferreira.

O deputado acrescentou que vai « recolher o que está a acontecer aqui para levar ao parlamento, para levar ao Governo » e que o Bloco de Esquerda vai fazer novas perguntas ao executivo de António Costa sobre a situação da CGD em França, nomeadamente sobre ações judiciais movidas contra dirigentes sindicais e contra os membros da comissão de negociação dos trabalhadores em greve.

« Para nós é injustificável e inadmissível que qualquer administração atue desta forma, tentar intimidar e tentar fazer tábua rasa dos direitos do trabalho. Portanto, sendo inadmissível, nós vamos exigir junto do Governo e da Assembleia da República que seja tomada uma posição quanto a esta posição de força da administração da Caixa Geral de Depósitos », afirmou o deputado que foi membro das duas comissões parlamentares de inquérito à CGD.

Moisés Ferreira disse, também, que, depois das reuniões, em Paris, de Mariana Mortágua com os trabalhadores grevistas, a 09 de maio, o BE questionou o executivo, através de uma pergunta escrita, sobre a alienação da sucursal francesa da CGD e sobre o movimento de greve, mas « o Governo ainda não deu resposta ».

Cristina Semblano, porta-voz da intersindical FO-CFTC, adiantou à Lusa que « uma pequena delegação » de trabalhadores em greve vai ser recebida em Belém, a 21 de junho, pelos assessores para os assuntos do trabalho e para a economia, em resposta ao « pedido de audiência urgente ao Presidente da República », enviado em 29 de maio.

A responsável, que é também membro da comissão de negociação dos trabalhadores em greve, afirmou que o objetivo da audiência é mostrar as razões que justificaram o movimento de greve que « está a ser gerido de forma muito pouco célere » pela direção, o que « tem impacto ao nível comercial, financeiro e ao nível de reputação e imagem » do banco público.

« A França é um país que tem uma imigração portuguesa muito importante, de mais de um milhão de pessoas. Por conseguinte, nós estimamos que a sucursal de França deve ser mantida no perímetro das instituições da Caixa Geral de Depósitos. É um ativo que não deve ser alienado. Dirigimo-nos ao Presidente da República porque temos sentido sempre, desde a sua eleição, que a emigração é algo que o preocupa », afirmou.

De acordo com Cristina Semblano, a notificação que a intersindical FO-CFTC e os membros da comissão de negociação dos trabalhadores em greve receberam para comparecerem a uma audiência por « delito do abuso do direito de greve », a 12 de junho, no Tribunal de Grande Instância de Paris, « só vai revoltar ainda mais os trabalhadores » e adiantou que « as pessoas continuam determinadas ».

Cristina Semblano precisou que nesse dia a Justiça francesa se deve também pronunciar sobre « o delito de entrave por não entrega do plano de reestruturação da CGD », que já tinha dado entrada junto no Tribunal de Grande Instância e que foi apresentado pela comissão de trabalhadores.

O protesto de hoje foi o segundo desta semana e o quinto desde o início do movimento, estando marcada nova manifestação, para esta sexta-feira, junto à Embaixada de Portugal em França, no dia em que há uma receção de comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

A porta-voz da intersindical FO-CFTC avançou, também, que « para a semana vão haver novas manifestações », incluindo uma junto à sede da Autoridade de Controlo e de Resolução, o organismo francês de supervisão dos bancos.

A greve na sucursal em França da Caixa Geral de Depósitos, que tem 48 agências e mais de 500 trabalhadores, começou a 17 de abril e foi apoiada pela intersindical francesa FO-CFTC, mas não foi seguida pelos sindicatos CGT e CFDT.

Na terça-feira, à margem de uma conferência organizada pela Caixa Geral de Depósitos, em Setúbal, o presidente da Comissão Executiva da CGD, Paulo Macedo, escusou-se a comentar o conflito com os trabalhadores da sucursal em França e as notícias divulgadas nos últimos dias sobre a alegada intenção do banco de encerrar 75 balcões até final deste mês.

A redução da operação da Caixa Geral de Depósitos fora de Portugal (nomeadamente Espanha, França, África do Sul e Brasil) foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

Em 24 de maio, o Governo aprovou os cadernos de encargos com as condições para a venda dos bancos da Caixa Geral de Depósitos na África do Sul e em Espanha, segundo comunicado de Conselho de Ministros.

Em 10 de maio, Paulo Macedo afirmou querer manter a operação da CGD em França e adiantou que está a negociar isso com as autoridades, apesar de ter sido também acordada a sua venda, mas acrescentou que isso só acontecerá se a « operação for sustentável, rentável e solidária » com os esforços feitos pelo banco.

Alfa/Lusa