A Missão portuguesa parte para Paris2024 com o ‘peso’ de igualar ou melhorar os resultados de Tóquio2020, depois de quase todos os objetivos prévios inscritos no contrato-programa com o Governo terem sido alcançados.
Depois das inéditas quatro medalhas conquistadas na capital japonesa – o ouro de Pedro Pichardo no triplo salto, disciplina em que Patrícia Mamona alcançou a prata, e os bronzes do judoca Jorge Fonseca (-100kg) e do canoísta Fernando Pimenta (K1 1.000 metros) -, dos 11 diplomas, e da melhor pontuação de sempre em Jogos Olímpicos (78 pontos, atribuídos aos atletas classificados entre o primeiro e o oitavo lugares, mais 27 do que em Atenas2004), “ninguém está preparado para ter menos” em Paris2024, avisou o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) ainda em dezembro de 2021.
“Se tivemos um determinado número de posições de pódio, a expectativa dos portugueses é que não fique aquém. Porque se ficar aquém, isso é entendido como um objetivo não atingido. Nós tivemos quer pelas posições de pódio, quer pelas posições de finalistas, quer pelas posições até ao 16.º lugar, a melhor participação olímpica das diferentes missões desportivas nacionais. Não podemos encarar a participação em Paris tendo como objetivo ficar aquém do alcançado”, insistiu no primeiro ‘balanço’ público depois da histórica prestação na capital japonesa.
As metas a que o COP se propôs, e que foram plasmadas no contrato-programa assinado com o Governo em 14 de outubro de 2022, perspetivavam uma melhoria não apenas “do ponto de vista dos resultados” mas também na diversificação da representação.
“Precisamos de ter as modalidades que já tivemos, espero que haja outras modalidades que consigam alcançar resultados de apuramento olímpico e que possamos ter uma Missão com mais modalidades, com níveis competitivos mais elevados, e que os resultados finais se traduzam numa melhoria relativamente à situação que alcançámos”, antecipou José Manuel Constantino há mais de dois anos e meio.
Inscritos no contrato-programa, esses objetivos para Paris2024 consistem em classificações não inferiores a quatro posições de pódio, 15 diplomas, 57 pontos entre os oito primeiros, 36 classificações entre os 16 primeiros, a presença em 66 eventos de medalhas distribuídos “de forma equitativa em termos de género”, em 17 modalidades.
Para já, apenas o último não foi alcançado, com Portugal a estar representado nos Jogos Olímpicos, que decorrem entre sexta-feira e 11 de agosto, em 15 desportos, incluindo o breaking, em estreia no programa olímpico.
Com uma delegação de 73 atletas, a mais pequena desde Sydney2000, mas também a primeira com as mulheres em maioria (são 37), Portugal ‘sofreu’ com as alterações promovidas pelo Comité Olímpico Internacional nos critérios de apuramento – há uma redução de cerca de 6% no número global de atletas, consequência também da diminuição do número de eventos -, mas também dos ‘fracassos’ do andebol e do futebol, que surpreendentemente falharam a qualificação para Paris2024.
As lesões, num país com “uma elite desportiva muito pequena”, facto para o qual José Manuel Constantino foi alertando ao longo do ciclo olímpico, também privaram a Missão lusa de duas medalhadas olímpicas, Patrícia Mamona e a judoca Telma Monteiro (bronze no Rio2016), e de uma potencial medalhada, Auriol Dongmo, quarta no lançamento do peso em Tóquio2020, e que, ao contrário das outras duas, tinha o apuramento garantido mas lesionou-se.
Ainda assim, Portugal estará nos próximos Jogos com “uma missão olímpica mais pequena, mas mais qualificada do ponto de vista desportivo”, na opinião de Constantino, sobretudo depois de um ciclo em que o país teve “resultados de topo”, nomeadamente os títulos mundiais dos canoístas Fernando Pimenta (K1 1.000), João Ribeiro e Messias Baptista (K2 500), do ciclista Iúri Leitão (omnium), e do nadador Diogo Ribeiro (100 mariposa), com a também nadadora Camila Rebelo (200 costas) e atiradora Maria Inês Barros (fosso olímpico) a serem campeãs europeias.
A estes nomes na lista de possíveis medalhados juntam-se os inevitáveis Pichardo e Jorge Fonseca, Liliana Cá, quinta no lançamento do disco em Tóquio2020, o skater Gustavo Ribeiro, ou Yolanda Hopkins, a surfista que foi quinta nos anteriores Jogos.
A comitiva portuguesa para Paris2024 será de 73 atletas. Um longo programa de provas que obrigará a muita ginástica para quem quiser seguir os atletas nacionais. Este calendário (horas de Portugal) poderá sofrer algumas alterações dependendo da qualificação ou não dos nossos representantes.
Sábado, 27 de julho
8:30 – Manuel Grave (Equestre – concurso completo, dressage)
9:00 – Catarina Costa (Judo – eliminatórias -48 kg)
11:00 – Gustavo Ribeiro (Skate – ronda preliminar de street)
11:00 – Nuno Borges (Ténis – 1.ª ronda singulares) b)
11:00 – Nuno Borges/Francisco Cabral (Ténis – 1.ª ronda em pares) b)
14:00 – Fu Yu (Ténis de mesa – ronda preliminar do torneio individual) b)
14:00 – Shao Jieni (Ténis de mesa – ronda preliminar do torneio individual) b)
14:00 – Marcos Freitas (Ténis de mesa – ronda preliminar do torneio individual) b)
14:00 – Tiago Apolónia (Ténis de mesa – ronda preliminar do torneio individual) b)
15:00 – Catarina Costa (Judo – finais -48 kg) a)
15:34 – Nelson Oliveira (Ciclismo – contrarrelógio)
15:34 – Rui Costa (Ciclismo – contrarrelógio)
16:00 – Gustavo Ribeiro (Skate – finais de street) a)
19:00 – Fu Yu (Ténis de mesa – 1.ª ronda do torneio individual) a)
19:00 – Shao Jieni (Ténis de mesa – 1.ª ronda do torneio individual) a)
19:00 – Marcos Freitas (Ténis de mesa – 1.ª ronda do torneio individual) a)
19:00 – Tiago Apolónia (Ténis de mesa – 1.ª ronda do torneio individual) a)
22:48 – Yolanda Hopkins (Surf – 1.ª ronda) b)
22:48 – Teresa Bonvalot (Surf – 1.ª ronda) b)
a) Caso se qualifique. b) Horário de participação ainda a definir.
Domingo, 28 de julho
9:00 – Fu Yu (Ténis de mesa – ronda de 64 do torneio individual) a) b)
9:00 – Shao Jieni (Ténis de mesa – ronda de 64 do torneio individual) a) b)
9:00 – Marcos Freitas (Ténis de mesa – ronda de 64 do torneio individual) a) b)
9:00 – Tiago Apolónia (Ténis de mesa – ronda de 64 do torneio individual) a) b)
9:30 – Manuel Grave (Equestre – concurso completo, cross country)
10:00 – João Costa (Natação – 100 metros costas, eliminatórias) b)
11:00 – Nuno Borges (Ténis – 1.ª ronda singulares) b)
11:00 – Nuno Borges/Francisco Cabral (Ténis – 1.ª ronda em pares) b)
Jovens lusodescendentes em França promovem campanha de prevenção rodoviária em Portugal
A associação de jovens lusodescendentes em França Cap Magellan promove mais uma campanha anual de prevenção rodoviária destinada aos emigrantes que rumam a Portugal no fim de julho, para alertar para a segurança e vigilância.
Com a aproximação das férias de verão para milhares de emigrantes portugueses residentes nos vários países europeus, a Cap Magellan organiza a campanha “Sécur’été 2024 – Verão em Portugal”, com a ajuda de centenas de jovens voluntários residentes em Vilar Formoso, Chaves e Valença.
“A campanha são dois eixos complementares, um eixo direcionado aos automobilistas », com uma ação de prevenção na fronteira entre Portugal e Espanha “no fim de semana de maior passagem, que será o próximo”, mas também um “eixo complementar direcionado aos jovens, com ações em discotecas e em festivais de música”, disse à Lusa Luciana Gouveia, delegada-geral da Cap Magellan e coordenadora da iniciativa.
Na manhã de sábado, 27 de julho, a associação organizará a ação anual na fronteira de Vilar Formoso, a principal fronteira e a mais utilizada, que contará com a presença do secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, e da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), parceira da campanha há mais de 15 anos, que será representada pelo seu presidente Rui Ribeiro.
“Os portugueses que vão de cá [França] até Portugal, [viajam] agora talvez mais espalhados, há menos a questão do mês de agosto, mas, ainda assim, o último fim de semana de julho é sempre dado como um ponto em termos do tráfico rodoviário, tanto na França como na passagem em Vilar Formoso”, referiu.
Já a ação de prevenção ao álcool direcionada aos jovens ocorre de norte a sul do país e tem como objetivo “identificar os condutores, quando chegam às discotecas, com a pulseira de um bom condutor, que, no fina,l quando saem, fazem o teste do álcool », e, em função do resultado, os membros da associação sabem que tipo de discurso devem adotar para prevenir acidentes.
Para Luciana Gouveia, esta ação de sensibilização responde a uma necessidade em Portugal, pela falta de mais iniciativas, e é também uma “ação pilar da associação” da qual faz parte desde 2010.
A coordenadora da iniciativa conhece bem a realidade dos emigrantes que regressam a Portugal de carro nas férias de verão, já que é natural de Vieira de Leiria, tendo-se mudado para França aos cinco anos com os seus pais e regressado a Portugal durante três anos para começar a sua licenciatura, que concluiu já em França. Atualmente junta-se aos voluntários nestas ações em Portugal.
“Não havia nenhuma campanha de prevenção rodoviária que respondesse a esta realidade, a estes mil e quinhentos, dois mil quilómetros, que todos fazem para chegar às férias no tradicional mês de agosto”, afirmou, acrescentando que atualmente “a campanha continua a fazer sentido”.
A Cap Magellan, principal e maior associação de jovens lusodescendentes em França, organiza esta campanha de segurança rodoviária desde 2003, após a observação de que “existe uma particularidade nas comunidades portuguesas a partir de fora, nomeadamente em França e na Europa, que é esta tradição de ir até Portugal no verão, especialmente no mês de agosto, e de fazer a viagem de carro”, devido à emigração oriunda do norte e centro de Portugal, onde é mais fácil chegar de carro do que por outros meios de transporte.
Paris é hoje uma cidade imprópria para turistas, dececionados pela dificuldade de acesso a alguns dos postais da capital, e mesmo para os parisienses, cujo quotidiano se perde entre as ‘barreiras’ dos Jogos Olímpicos.
A capital francesa é, por estes dias, o epicentro desportivo mundial, uma realidade que transformou Paris numa sucessão de barreiras, baias e cordões de segurança, incompatíveis (ou quase) com memórias fotográficas dos monumentos mais emblemáticos da sede dos Jogos Olímpicos e com passeios tranquilos, em família ou não.
Esta não é a Paris de sempre, sobretudo junto à Torre Eiffel: saindo na estação de Bir-Hakeim, a polícia que não se vê noutros lugares mais afastados dos recintos é quase tanta como os turistas, com as ruas mais vazias do que o habitual, praticamente sem carros ou veículos, à exceção de bicicletas, as únicas que cruzam tranquilamente as largas avenidas.
Onde os carros não passam, há patrulhas a cavalo, agentes que andam aos 10, coabitando pacificamente com as esplanadas ainda cheias, mas às quais, em alguns locais, só se acede através de código QR.
As fitas vermelhas e brancas multiplicam-se de dia para dia, assim como as estradas cortadas. Ainda há corajosos em filas diante da Torre Eiffel, identificados com camisolas, bandeiras dos seus países, embora as regras mudem de um dia para outro, sendo mesmo obrigatório descarregar um bilhete gratuito para entrar nos jardins que rodeiam o local – mas nem todos os voluntários se preocupam com essa nova imposição, deixando as pessoas entrar sem controlo.
É o imponente símbolo parisiense que todos procuram, testando ângulos ideais para as fotos, poses e até acessórios, havendo mesmo quem se muna de uma baguete ou do seu melhor ‘outfit’ para tornar a recordação ainda melhor, sob a vigilância atenta de helicópteros, que podem mesmo ascender a três em simultâneo naquele local.
Seguindo pela cidade, entre os edifícios ou ao longo do Sena, as cores de Paris2024 estão um pouco por todo o lado — ao contrário da polícia, pouco ou nada visível em zonas mais recuadas relativamente aos locais de competição -, como se um imenso papel de embrulho envolvesse a cidade, ou pelo menos aqueles que são os seus pontos de referência.
A beleza do Grand Palais, por exemplo, está escondida atrás de um muro de metal, com a magia de Paris ofuscada por inestéticas proteções metalizadas. Ali, ninguém pode entrar a não ser munido de acreditação ou bilhete para as provas, uma interdição extensível a outros locais.
Por exemplo, quem quiser visitar o jardim de Tuileries terá de regressar em setembro e o Louvre só mesmo com marcação prévia, à exceção dos dias 25 e 26 de julho, em que o famoso museu está encerrado ao público.
Apesar de bem identificados, os caminhos dos Jogos são quase sempre confusos e resultam em becos sem saída. A mesma confusão estende-se aos voluntários, que até levam jornalistas pelos bastidores do imponente palco da esgrima, ainda a ser montado, num atraso que não é exclusivo ao Grand Palais.
As acreditações dos media também não são um processo fácil: supostamente passíveis de serem validadas no Aeroporto Charles de Gaulle, sofreram alterações e, por falta de impressora, só puderam ser validadas nos centros de imprensa, onde a internet pode nem sempre funcionar e até há cortes de eletricidade.
Durante o dia, mas sobretudo à noite, um ‘comboio’ de segurança passa periodicamente para mostrar que existe, inundando as artérias da cidade de sirenes que ressoam durante largos segundos.
Mas a escuridão disfarça os engarrafamentos em horas de ponta, as vias cortadas que dificultam os acessos aos hospitais, as dificuldades dos taxistas que não sabem quando e onde podem passar, confiando na sorte de encontrarem um agente da autoridade compreensivo ou não.
Também com os voluntários é preciso ter-se sorte, com a maioria a ser extremamente prestável, embora muitas vezes sem informações precisas, e com uma minoria a ser intransigente, até quando o azar bate à porta dos mais desatentos.
São estes os Jogos Olímpicos complexos e ‘desorganizados’ que a França tem para oferecer ao mundo, com o início oficial marcado para sexta-feira e o final para 11 de agosto.
O médio de 19 anos do Benfica já chegou acordo total sobre as suas condições de transferência para o PSG segundo divulga a Bola-on-line.
Segundo a edição on-line do jornal a Bola João Neves assinará um contrato com a duração de entre cinco e seis anos e vai ganhar um ordenado na ordem dos €5 milhões por temporada, nas águias ganhava 500 mil euros por ano.
João Neves aguarda apenas que Benfica e PSG fechem o negócio para seguir para França.
O jovem médio internacional português, esteve a representar Portugal no Campeonato da Europa da Alemanha e tinha indicação para se apresentar no Seixal na sexta-feira, mas tal já não deverá suceder e o médio da formação dos encarnados tem prevista viagem entre quinta e sexta-feira, logo que receba luz verde da SAD do Benfica.
PSG e Benfica continuam a montar a operação financeira para a transferência e nesta altura tudo indica que o negócio será mesmo concretizado.
A diplomata Mónica Lisboa acaba de assumir as funções de Cônsul-Geral de Portugal na capital francesa e, nesse quadro, recebeu em audiência privada a direção da Rádio Alfa – (na foto, com Fernando Lopes, diretor-geral da nossa emissora).
Além de lhe desejar boas-vindas, Fernando Lopes manifestou à nova Cônsul-Geral o desejo de continuar a desenvolver a cooperação intensa, muito produtiva e já muito antiga entre as duas partes, designadamente em termos de comunicação e informação com a vasta Comunidade portuguesa e lusodescendente residente em França .
Na ocasião, o diretor-geral da Alfa sublinhou que a Alfa (rádio marcadamente cultural e lusófona) continuará a defender em França a importância da língua portuguesa, que é uma das suas principais « missões » neste país.
Realçou igualmente que a nossa emissora vai continuar a ajudar o mundo associativo a divulgar os seus eventos e que é seu desejo permitir às instituições comunicarem com a Comunidade através das nossas emissões e das redes sociais, nas quais a nossa presença é muito forte.
Entre outros aspetos, salientou também a importância da publicidade, nomeadamente para manter vivo o mercado de produtos portugueses em França.
Realçou igualmente a forte ligação da Alfa a Portugal, evocando por exemplo o acordo de cooperação já muito antigo com a RDP-Antena1.
Fernando Lopes comunicou igualmente à Cônsul-Geral que a rádio tem 6 jornalistas profissionais entre os seus quadros e que difunde atualmente em Paris, Lyon, Estrasburgo, Lille, Monaco e Nice (além de poder ser ouvida em todo o mundo através do seu site radioalfa.net).
A nova Cônsul-Geral, Mónica Pereira de Sales Lisboa dos Santos Ferro, nasceu a 16 de janeiro de 1971, em Lisboa, e tem no seu currículo uma rica carreira diplomática, na qual entrou em 1994, tendo exercido funções de relevo em Portugal e também em diversas cidades espalhadas um pouco por diversos pontos do globo.
Paris2024: A incerteza política é só mais uma preocupação nuns Jogos problemáticos
A agitação política em França é apenas mais um problema que as delegações olímpicas vão encontrar em Paris2024, aliada às dificuldades de mobilidade, aos receios de segurança e à presença de russos e bielorrussos, ainda que sob bandeira neutra.
Apesar dos efeitos da pandemia de covid-19 e da inflação, o orçamento de Paris2024 não derrapou, mas apenas porque não foram cumpridas promessas como os transportes gratuitos para aqueles que viajassem para os Jogos, com o preço dos bilhetes inclusive a disparar e a motivar tantas ou mais críticas do que os dos ingressos para as competições.
A todas elas, a organização respondeu com argúcia, alegando, no primeiro caso, que o objetivo é evitar visitantes sem ser os dos Jogos, e, no segundo, que houve muitos bilhetes baratos, sem nunca referir que aqueles eram para as provas menos concorridas – os preços dos da cerimónia de abertura chegaram aos 2.700 euros e os das eliminatórias do atletismo aos 690, por exemplo.
As autoridades francesas pediram aos parisienses para tirarem férias e saírem de Paris no período dos Jogos Olímpicos e, caso não fosse possível, optarem pelo teletrabalho e por deslocações desfasadas dos principais momentos de Paris2024.
Mas os problemas não se esgotam aí: estão previstas greves gerais, bloqueios, o preço dos alojamentos disparou, ao ponto da capital parisiense ser mais cara do que Tóquio, famosa pelos seus preços exorbitantes.
Há receios também quanto à segurança, quer quanto à pequena criminalidade quanto a eventuais atentados, numa altura em que há dois conflitos armados com impacto mundial e que Rússia e Bielorrússia não estarão representadas enquanto nações, mas sim com atletas individuais (não apoiantes da invasão da Ucrânia) sob bandeira neutra.
“Não há nenhuma ameaça identificada à segurança dos Jogos Olímpicos”, disse recentemente numa entrevista o ministro do Interior, Gérald Darmanin.
No entanto, o centro de Paris está blindado’ e só acessível através de acreditação ou QR Code – quem não tiver telemóvel ou estiver sem bateria, como faz?
As restrições à liberdade de movimentos desagradam os parisienses, com cenas de revolta a serem partilhadas diariamente nas redes sociais, o mesmo veículo escolhido por turistas para expressar a desilusão por não poderem visitar sítios emblemáticos da ‘Cidade Luz’, agora repleta de barreiras metálicas depois de, ainda há poucas semanas, estar transformada num ‘estaleiro’ de obras – o impacto no comércio local já se fez sentir, com os comerciantes a queixarem-se de uma “baixa de atividade e de frequência inéditas” neste período do ano.
São precisamente os acessos, e mais especificamente a mobilidade, a maior das preocupações das delegações, com os comités olímpicos nacionais a ignoraram a sugestão do Comité Organizador para que viajassem de transportes públicos, depois de perceberem algo denunciado inclusive pelas autoridades locais: a frequência e o número de transportes, nomeadamente de metro e comboios, não é suficiente.
“As deslocações para os locais das competições, a mobilidade dentro da própria cidade… tudo isso me preocupa. Mas eu acho que me preocupa mais a mim do que aos franceses e aos organizadores, que têm soluções para tudo, e oxalá tenham razão e que as minhas dúvidas não tenham motivo para existir”, realçou, em entrevista à agência Lusa, o presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino.
A todas as críticas e apreensões suscitadas pelas delegações nacionais, o Comité Organizador e as autoridades francesas responderam sempre com a mesma displicência, mantendo-se firmes nas suas convicções, nomeadamente ao insistirem que o Rio Sena seria palco das provas de natação em águas abertas e no setor de natação do triatlo.
Embora análises recentes tenham revelado melhorias na qualidade da água do rio, onde não se pode nadar desde 1923, a perspetiva de trovoadas e chuva durante esta semana pode aumentar o seu caudal e, consequentemente, o nível de poluição.
“Todos os indicadores dão luz verde ao Sena”, palco também da cerimónia de abertura, a primeira fora de um estádio e ao final da tarde, garantiu o presidente do Comité Organizador, Tony Estanguet
Será precisamente essa cerimónia que inaugurará, na sexta-feira, os Jogos Olímpicos Paris2024, que vão decorrer, com mais ou menos sobressaltos, até 11 de agosto.
O PR Emmanuel Macron não vai nomear um primeiro-ministro antes do fim dos Jogos Olímpicos. Numa entrevista na televisão, ontem, terça-feira à noite, o Presidente francês ignorou a candidatura a primeira-ministra da funcionária pública Lucie Castets, de 37 anos, que fora apresentada momentos antes da sua intervenção no canal France2 pela coligação de esquerda Nova Frente Popular, que tem apenas maioria relativa na Assembleia Nacional.
Macron disse que “não há uma maioria” de esquerda no Parlamento. Os Jogos Olímpicos terminam a 11 de agosto e Macron indicou não querer « criar confusão” durante o evento desportivo.
Para o Presidente francês, a lição das eleições legislativas antecipadas é que nenhum partido “pode implementar o seu programa” e apelou às forças políticas para se unirem contra a União Nacional (RN, extrema-direita) e trabalharem em conjunto.
Por agora, o demitido primeiro-ministro Gabriel Attal continua em funções a tratar dos assuntos correntes do Estado.
Reagindo à poisção do Presidente, o líder de esquerda, Jean-Luc Mélenchon, disse que Macron terá de ceder porque « não tem escapatória ».
O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) exaltou hoje os valores olímpicos como importando “mais do que nunca, nestes tempos obscuros”, num discurso de abertura da 142ª Sessão COI antes de Paris2024.
Thomas Bach abriu o conselho do comité que lidera, para lembrar os valores de solidariedade, igualdade e dignidade que considera importantes para os tempos que correm, na véspera de nova edição dos Jogos Olímpicos.
Na presença do presidente de França, Emmanuel Macron, Bach discursou na Fundação Louis Vuitton, destacando a mesma mensagem a que já tinha aludido quando os atletas inauguraram hoje o Muro da Trégua Olímpica apelando à paz.
“Os atletas deixaram-no muito claro hoje de tarde, quando se reuniram no Muro e enviaram, dali, um chamamento a todos os dirigentes políticos mundiais. Estavam lá todos, unidos, os desportistas de países em guerra. (…) Só com os nossos valores podemos unir o mundo inteiro em paz”, declarou.
O dirigente máximo do organismo de cúpula do movimento olímpico ressalvou depois a forma como Paris2024 são os Jogos “mais jovens, inclusivos, urbanos e sustentáveis” de sempre, saudando os organizadores, passando em revista outros pontos da agenda que tem para o futuro, da estratégia digital aos Jogos Olímpicos de esports.
A Comissão Executiva do COI propôs à 142ª Sessão, que terá de aprovar, um acordo com a Arábia Saudita, para que organize e acolha os Jogos Olímpicos de desportos eletrónicos.
Os Jogos Olímpicos Paris2024 vão ser disputados entre sexta-feira, dia da cerimónia de abertura, no rio Sena, e 11 de agosto, na capital francesa.
Portugal vai estar representado por 73 atletas, 37 mulheres e 36 homens, em 15 modalidades.
Montenegro inicia hoje visita oficial a Angola com encontro com Presidente João Lourenço
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, inicia uma visita oficial de três dias a Angola, marcada hoje pelo encontro com o Presidente João Lourenço e a assinatura de instrumentos jurídicos entre os dois países.
Esta é a primeira visita oficial de Montenegro a Angola e, segundo o executivo português, traduz a prioridade conferida ao fortalecimento do relacionamento com os países de expressão portuguesa e, em particular, com Angola.
A visita servirá para definir prioridades e uma agenda comum para os próximos anos, começando pelo relacionamento político, no ano em que se comemora o 50.º aniversário do 25 de Abril em Portugal e um ano antes do cinquentenário da independência de Angola, que se assinala em 2025.
A nível do comércio e investimento, Portugal quer apostar na dinamização da linha de crédito Portugal-Angola – atualmente situada nos 2.000 milhões de euros -, na exploração de oportunidades de investimento no Corredor do Lobito – o maior projeto de desenvolvimento em Angola – e na presença portuguesa na Feira Internacional de Luanda (FILDA), que decorre esta semana.
A mobilidade de pessoas (vistos), capitais (repatriamento de lucros) e direitos sociais (portabilidade das pensões) e o ensino e formação profissional são duas outras linhas de força desta deslocação.
« Pretende-se que, com esta visita, Portugal se afirme como um parceiro de Angola para todas as horas », sustenta o Governo.
Na deslocação, que passará por Luanda e Benguela, o primeiro-ministro vai estar acompanhado pelos ministros de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e da Economia, Pedro Reis, além do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Nuno Sampaio, (em representação do ministro da tutela, Paulo Rangel, que se encontra no Rio de Janeiro na reunião do G20) e o secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, João Silva Lopes.
O programa começa em Luanda às 10:00 (mesma hora em Lisboa) com uma cerimónia de deposição de uma coroa de flores no Memorial Agostinho Neto, o primeiro Presidente da República de Angola.
Segue-se o ponto alto do primeiro dia: o encontro com o Presidente da República de Angola, João Lourenço, no Palácio Presidencial, antecedido de honras militares e cerimónia de revista às tropas.
As conversações entre as delegações dos dois países começarão primeiro com um encontro a sós entre Luís Montenegro e João Lourenço, a que se juntarão depois as comitivas alargadas, terminando com intervenções dos dois chefes de Governo e uma conferência de imprensa conjunta e assinatura de instrumentos jurídicos.
Em julho do ano passado, na visita do então primeiro-ministro António Costa a Luanda, foram assinados 13 acordos bilaterais e houve um reforço da linha de crédito Portugal-Angola de 1,5 para dois mil milhões de euros.
Depois de um almoço oferecido ao primeiro-ministro português pelo Presidente da República de Angola, Luís Montenegro visitará a Escola Portuguesa. No final de junho, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou uma solução para os 70 professores que se encontravam « em situação de precariedade grave » neste estabelecimento.
Ainda no primeiro dia da visita, o primeiro-ministro visitará a Fortaleza de São Miguel, uma fortificação militar do século XVI que passou a museu após a independência de Angola e, entre 2009 e 2013.
A agenda de hoje termina com uma receção à comunidade portuguesa, num hotel em Luanda, onde está a prevista a presença de 18 membros do Governo angolano, 200 representantes de empresas portuguesas ou luso-angolanas e 35 representantes de outros setores, entre militares, altos funcionários de organizações internacionais, academia ou associativismo.
A visita de Luís Montenegro a Angola termina na quinta-feira à noite.
Nous utilisons des cookies pour vous garantir la meilleure expérience sur notre site web. Si vous continuez à utiliser ce site, nous supposerons que vous en êtes satisfait.OkNonPolitique de confidentialité