Paris Saint-Germain vence em Rennes e sobe a terceiro com Vitinha a marcar

O Paris Saint-Germain venceu hoje o Rennes por 1-3 e ascendeu à terceira posição da Liga francesa de futebol, após um encontro da oitava jornada na qual o médio internacional português Vitinha marcou o primeiro golo.

Acompanhado no ‘onze’ parisiense por outro internacional luso, o avançado Gonçalo Ramos, Vitinha ‘inaugurou o marcador’ aos 32 minutos, num remate à entrada da área, ao ângulo superior esquerdo, e viu Achraf Hakimi dilatar a vantagem aos 36.

A equipa da casa ainda reduziu por Amine Gouiri, aos 56 minutos, mas a formação treinada por Luis Enrique, com o internacional português Danilo Pereira no banco de suplentes, repôs a margem de dois golos aos 58, por Randal Kolo Muani.

Depois do empate (0-0) na visita ao ‘lanterna-vermelha’ Clermont, o Paris Saint-Germain regressou aos triunfos no campeonato e passou a somar 15 pontos, a dois do líder Mónaco, e um do segundo classificado, o Nice, e em igualdade pontual com o quarto da tabela, o Brest.

Já o Marselha recebeu e venceu o Le Havre por 3-0, numa partida em que o avançado português Vitinha entrou aos 79 minutos, e ascendeu ao sexto lugar, com 12 pontos, tendo encerrado uma série de quatro jogos sem triunfos.

O Lille, do treinador português Paulo Fonseca, empatou 1-1 no reduto do Lens e é sétimo classificado, com os mesmos 12 pontos, enquanto o Lyon, do guarda-redes internacional português Anthony Lopes, empatou 3-3 na receção ao Lorient e ocupa o 17.º lugar, com três pontos.

Já a partida entre Montpellier e Clermont, da oitava jornada da Liga francesa de futebol, foi suspensa pelo árbitro Florian Batta nos descontos, após um petardo arremessado da bancada ter atingido o guarda-redes do Clermont, Mory Diaw.

O guardião senegalês, de 30 anos, foi atingido nos pés ao minuto 90+2, na sequência do petardo lançado da bancada norte do Stade de la Mosson, em Montpellier, tendo sido retirado do terreno de jogo numa maca.

O Montpellier, 12.º da tabela, com nove pontos, estava a vencer o Clermont, 18.º e último, com dois, por 4-2.

O Brest, por seu turno, empatou 1-1 na receção ao Toulouse, 10.º da tabela.

 

Com Agência Lusa.

Sporting vence Arouca e regressa à liderança do campeonato

O Sporting venceu hoje na receção ao Arouca por 2-1, no encerramento da oitava jornada da I Liga de futebol, e recuperou a liderança do campeonato, em jogo com duas expulsões.

No estádio José Alvalade, o Sporting adiantou-se no marcador com um golo do sueco Gyökeres, aos 31 minutos, mas o Arouca empatou aos 52 pelo espanhol Mújica, numa altura em que os ‘leões’ já jogavam com menos um por expulsão de Diomandé, aos 42.

O Sporting conseguiu regressar às vantagem aos 68, pelo japonês Morita, com o Arouca a terminar também com 10 jogadores por expulsão de Rafael Fernandes, aos 87.

Com este triunfo, o quarto consecutivo no campeonato, o Sporting lidera a I Liga com 22 pontos, mais um do que o Benfica e três do que FC Porto, enquanto o Arouca soma a quarta derrota seguida e é 16º, com seis.

 

Resultados da oitava jornada da I Liga portuguesa de futebol:

– Sexta-feira, 06 out:

Moreirense – Boavista, 1-1 (1-1 ao intervalo)

 

– Sábado, 07 out:

Desportivo de Chaves – Gil Vicente, 4-2 (1-2)

Farense – Vizela, 0-0

Sporting de Braga – Rio Ave, 2-1 (0-1)

Estoril Praia – Benfica, 0-1 (0-0)

 

– Domingo, 08 out:

Casa Pia – Estrela da Amadora, 0-1 (0-0)

Famalicão – Vitória de Guimarães, 1-3 (0-2)

FC Porto – Portimonense, 1-0 (1-0)

Sporting – Arouca, 2-1 (1-0)

Programa da nona jornada:

 

– Sexta-feira, 27 out:

Arouca – Moreirense, 21:15

 

– Sábado, 28 out:

Portimonense – Estoril Praia, 16:30

Benfica – Casa Pia, 19:00

Vitória de Guimarães – Desportivo de Chaves, 19:00

Gil Vicente – Sporting de Braga, 21:30

 

– Domingo, 29 out:

Rio Ave – Farense, 16:30

Estrela da Amadora – Famalicão, 19:00

Vizela – FC Porto, 21:30

 

– Segunda-feira, 30 out:

Boavista – Sporting, 21:15

 

Com Agência Lusa.

Râguebi/Mundial: Portugal consegue primeira vitória de sempre ao bater as Fiji

Portugal conquistou hoje a primeira vitória de sempre num Campeonato do Mundo de râguebi, ao vencer as Fiji por 24-23, em jogo da última jornada do Grupo C, que decorreu em Toulouse.

A seleção lusa, que ao intervalo estava empatada 3-3, conseguiu dois ensaios na segunda parte, por Storti e Francisco Fernandes, as Fiji responderam, mas um ensaio de Rodrigo Marta já perto do fim foi decisivo para o triunfo.

Portugal, que tinha empatado com a Geórgia e perdido com País de Gales e Austrália, termina a sua participação com o quarto lugar no grupo, com seis pontos, enquanto País de Gales, primeiro com 19, e as Fiji, em segundo com 11, seguem para os quartos de final.

A Austrália acaba em terceiro, também com 11 pontos, e está fora da competição, que decorre em França, tal como a Geórgia, que ficou em quinto e último com três.

 

Com Agência Lusa.

 

 

FC Porto regressa aos triunfos na receção ao Portimonense

O FC Porto venceu hoje o Portimonense por 1-0, na oitava jornada da I Liga portuguesa de futebol, e regressou aos triunfos, num jogo em que acabou reduzido a 10 jogadores.

No Estádio do Dragão, o FC Porto, que vinha de derrotas frente a Benfica, na I Liga, e FC Barcelona, na Liga dos Campeões, marcou o único golo da partida pelo brasileiro Evanilson, aos nove minutos, com os ‘dragões’ a jogarem desde os 83 minutos com menos um, por expulsão de David Carmo.

Com este triunfo, o FC Porto continua no terceiro lugar do campeonato com 19 pontos, os mesmos do Sporting, que joga ainda hoje com o Arouca, e a dois do Benfica, enquanto o Portimonense, que vinha de uma vitória, é 12.º, com oito.

Resultados da oitava jornada da I Liga portuguesa de futebol:

– Sexta-feira, 06 out:

Moreirense – Boavista, 1-1 (1-1 ao intervalo)

 

– Sábado, 07 out:

Desportivo de Chaves – Gil Vicente, 4-2 (1-2)

Farense – Vizela, 0-0

Sporting de Braga – Rio Ave, 2-1 (0-1)

Estoril Praia – Benfica, 0-1 (0-0)

 

– Domingo, 08 out:

Casa Pia – Estrela da Amadora, 0-1 (0-0)

Famalicão – Vitória de Guimarães, 1-3 (0-2)

FC Porto – Portimonense, 1-0 (1-0)

Sporting – Arouca, 21:30

 

Com Agência Lusa.

“Trabalho docente na Era Digital” – O Livro da Semana

O Livro da Semana. Próximos programas:

 

11, 15 e 17 de Outubro: EUSÉBIO ANDRÉ MACHADO, autor de « TRABALHO DOCENTE NA ERA DIGITAL »

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (11h30), aos domingos (14h30) e às terças (01h30). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Ser professor, hoje, é muito diferente de ser professor no passado. E é essa revolução do trabalho docente que Eusébio André Machado estuda no seu recente livro, que tem o revelador título “Trabalho docente na Era Digital”.

O Eusébio é doutorado em Educação e professor universitário no Porto. É representante de Portugal no Conselho de administração da ADMEE (Association pour le Développement des Méthodologies d’Évaluation en Éducation) e coordenador nacional do Projeto MAIA (Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica).

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Eusébio André Machado e descubra um livro que analisa os novos desafios que esta transição digital acarreta para a comunidade educativa, sejam os alunos, os professores ou, claro, os encarregados de educação.

Entrevistador – O Livro da Semana

Benfica e Braga ultrapassam Estoril e Rio Ave agarrados aos ‘descontos’

Benfica e Sporting de Braga necessitaram de golos tardios para vencerem na visita ao lanterna-vermelha Estoril Praia (1-0) e na receção ao penúltimo colocado Rio Ave (2-1), respetivamente, na oitava jornada da I Liga de futebol.

Na Amoreira, um cabeceamento letal do defesa central António Silva, aos 90+3 minutos, conferiu uma vitória sofrida dos campeões nacionais, que se isolaram provisoriamente no topo da prova, com 21 pontos, dois sobre o Sporting, que recebe o Arouca no domingo.

O Benfica chegou ao sétimo triunfo consecutivo na prova, uma semana depois da vitória caseira no clássico com o FC Porto (1-0), sendo que, pelo meio, saiu derrotado da visita aos italianos do Inter Milão (1-0), da segunda ronda do Grupo D da Liga dos Campeões.

Já o Estoril somou a segunda derrota seguida sob orientação de Vasco Seabra e está na 18.ª e última posição, com quatro pontos, tendo sofrido golos decisivos no tempo de compensação pela quinta vez, contexto que já implicou quatro derrotas e um empate.

Dramática também foi a vitória do Sporting de Braga perante o Rio Ave, com os tentos do francês Simon Banza, aos 90+1 minutos, e do espanhol Abel Ruiz, aos 90+6 – ambos na sequência de cruzamentos protagonizados na direita pelo suplente Roger Fernandes, de apenas 17 anos – a darem a volta ao golo do colombiano Leonardo Ruiz, logo aos cinco.

Os minhotos, que se tinham imposto igualmente nos ‘descontos’ a meio da semana face aos alemães do Union Berlim (3-2), no Grupo C da Liga dos Campeões, atingiram o seu quarto triunfo seguido em todas as provas e igualaram a melhor sequência desta época.

Em contraste com a retoma do Sporting de Braga, que subiu provisoriamente à terceira posição, com os mesmos 16 pontos do FC Porto, quarto colocado e anfitrião no domingo do Portimonense, o Rio Ave ‘tombou’ para a zona de descida e é 17.º, com cinco pontos.

Os vila-condenses averbam três derrotas seguidas e não ganham há sete jogos, mas até estiveram quase a dobrar a vantagem no quarto de hora final, fruto de um golo de Fábio Ronaldo, que foi invalidado pelo videoárbitro (VAR), por posição ilegal no início do lance.

Do 18.º e derradeiro posto saiu o Desportivo de Chaves, ao protagonizar igualmente uma reviravolta vitoriosa em casa sobre o Gil Vicente (4-2), fruto de um ‘hat-trick’ do espanhol Héctor Hernández (26, 81 e 90+8 minutos), que se destacou como melhor marcador da prova, com sete golos, e de um tento de Sandro Cruz (58), que ‘anularam’ as conclusões certeiras de Félix Correia (19) e do suíço Maxime Dominguez (39) a favor dos visitantes.

Os flavienses triunfaram pela primeira vez em casa, continuam invictos desde a chegada do treinador Moreno Teixeira e ‘saltaram’ para o 13.º lugar, com sete pontos, dois abaixo do Gil Vicente, nono colocado, que averbou a quarta derrota em outros tantos jogos fora.

Na metade inferior da classificação mantêm-se Farense e Vizela, que empataram 0-0 no Algarve, elevando para três e quatro as suas sequências de jogos sem vitórias na I Liga.

Os ‘leões’ de Faro travaram um ciclo de duas derrotas e ‘seguraram’ a 12.ª posição, com sete pontos, mais um do que o clube minhoto, 13.º, que empatou pela segunda vez fora.

 

 Resultados da oitava jornada da I Liga portuguesa de futebol:

– Sexta-feira, 06 out:

Moreirense – Boavista, 1-1 (1-1 ao intervalo)

 

– Sábado, 07 out:

Desportivo de Chaves – Gil Vicente, 4-2 (1-2)

Farense – Vizela, 0-0

Sporting de Braga – Rio Ave, 2-1 (0-1)

Estoril Praia – Benfica, 0-1 (0-0)

 

– Domingo, 08 out:

Casa Pia – Estrela da Amadora, 16:30

Famalicão – Vitória de Guimarães, 16:30

FC Porto – Portimonense, 19:00

Sporting – Arouca, 21:30

 

Com Agência Lusa.

Palestina/Israel. Guerra: número de mortos em Israel sobe para 600. Em Gaza sobe para 370 mortos

Imagem: The New York Times

Guerra total: Número de mortos em território israelita sobe para 600. Em Gaza sobe para 370 mortos 

 

Mais de 600 pessoas morreram em Israel na sequência do ataque surpresa que as milícias do Hamas iniciaram no sábado a partir de Gaza, segundo fontes médicas israelitas citadas pelos meios de comunicação locais. Na resposta israelita terão morrido em Gaza 370 pessoas. Mais de uma centena de israelitas terão sido sequestrados pelo Hamas.

Um milhar de mortos e milhares de feridos: a guerra voltou a Israel e à Palestina e Netanyahu promete usar « toda a potência » para destruir o Hamas

« “Vamos derrotá-los até à morte e vingar este dia negro”, prometeu o primeiro-ministro de Israel.

« Vários israelitas continuam reféns do Hamas, depois da entrada de militantes do grupo islâmico em território de Israel. O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se este domingo de emergência para discutir os últimos acontecimentos », escreve o jornal Expresso.

Netanyahu acrescentou que as Forças Armadas israelitas vão utilizar “toda a sua potência” para “destruir as capacidades” do movimento islâmico palestiniano Hamas e pediu à população para abandonar a Faixa de Gaza.

 

 

Israel/Palestina. Netanyahu declara guerra ao Hamas. Ataque a Israel causou pelo menos 26 mortos

Netanyahu declara guerra ao Hamas após ataque a Israel que já causou pelo menos 26 mortos

 

twitter sharing buttonAlfa/ com Lusa (adaptação Alfa)
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O primeiro-ministro israelita declarou hoje que Israel está “em guerra” com o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, na sua primeira intervenção pública após um múltiplo ataque deste grupo palestiniano a território israelita, causando pelo menos 26 mortos.

“Cidadãos de Israel, estamos em guerra. Não numa operação, não são rondas de combates, é uma guerra”, disse Benjamin Netanyahu, num vídeo difundido nas suas redes sociais.

“Estamos em guerra e vamos vencê-la”, sublinhou, horas depois do início de um ataque do Hamas, considerado um grupo terrorista por Israel, pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Segundo fontes oficiais israelitas e palestinianas, pelo menos 22 pessoas morreram em Israel pelo ataque do Hamas desde a Faixa de Gaza, enquanto quatro palestinianos morreram em Gaza.

“As vítimas mortais em Israel são pelo menos 22 pessoas”, disse fonte médica israelita à agência Efe, enquanto do lado palestiniano foram relatados quatro mortos em Gaza, um dos quais jornalista.

O primeiro-ministro israelita acrescentou que ordenou, “em primeiro lugar, que os militares limpassem as cidades onde se infiltraram militantes do Hamas, onde decorriam tiroteios com soldados israelitas.

“Isto está atualmente a ser feito. Ao mesmo tempo, ordenei uma ampla mobilização de reservas e que devolvamos o fogo com uma magnitude que o inimigo nunca conheceu. O inimigo pagará um preço sem precedentes », acrescentou.

Israel bombardeou pelo ar várias instalações do Hamas na Faixa de Gaza, no início da sua operação “Espadas de Ferro”, em resposta ao ataque surpresa que o grupo islâmico lançou hoje de manhã contra o território israelita, sob o nome de operação “Tempestade al-Aqsa”, e que incluiu o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados por terra, mar e ar no território israelita.

As milícias de Gaza continuam a lançar foguetes e as sirenes de ataque aéreo não pararam de soar durante toda a manhã nas cidades do sul e centro de Israel, incluindo Telavive e Jerusalém.

Em Jerusalém, os civis deixaram as ruas desertas, muitos deles abrigaram-se em “bunkers”, enquanto numerosas tropas patrulham e inspecionam minuciosamente as ruas, parques e estacionamentos de centros comerciais.

« Nascer numa aldeia pobre e morrer em Paris » – opinião, Paulo Pisco

Nascer numa aldeia pobre e morrer em Paris

A emigração é um fenómeno que tem acompanhado Portugal ao longo de toda a sua História, é algo enraizado em todos nós, está entranhado na sociedade e, por isso mesmo, não pode haver um « nós » e um « eles », nem deixar que a passagem das fronteiras portuguesas possa apagar a nossa existência e história comum.

Altina Ribeiro, nascida em Chaves e a viver em Paris há mais de 50 anos, faz um relato surpreendente num livro de memórias de um emigrante que traça o seu percurso pessoal e familiar no tempo da ditadura e da pobreza, que é um espelho onde milhares de portugueses se podem rever. A emigração é a nossa história comum, que não podemos esquecer nunca e muito menos agora que preparamos as celebrações dos 50 Anos do 25 de Abril e o advento da liberdade e da democracia, do progresso económico e social.

É uma história de gerações que ganha dimensão a partir de uma aldeia muito pobre do Sabugal, onde uma família igualmente pobre tem uma filha, Maria José, que se torna professora em meados dos Anos 30, no período em que a autoridade do Estado Novo e da Igreja Católica estavam omnipresentes.

Ser professora era símbolo de respeito e importante estatuto social, tal como ser padre, médico, militar ou juiz. Mas a sua vida foi dura, obrigada a andar de aldeia em aldeia para dar aulas, por vezes com o filho nos braços, atravessando a pé terras pobres e pedregosas, a ter de ir buscar os alunos aos campos que os pais queriam na lavoura e não a aprender.

Para se ser professor era preciso ser leal ao regime de Salazar. Defendê-lo ativamente, professar os seus valores e fazer sacrifícios por eles, combater as atividades subversivas e o comunismo, que era o grande papão de Salazar. Por isso tinha de fazer parte da Legião Portuguesa, comprovado com o cartão, que a identificava como tal e expunha o catálogo de regras de obediência e submissão.

A professora, a quem carinhosamente chamavam Dona Zezinha, queria que o filho fosse padre e por isso mandou-o para o Seminário de Beja, mesmo contra a sua vontade. E aí o sistema de ensino era absurdamente repressivo, com uma pedagogia do castigo, da bofetada e da humilhação. Uma opressão pela religião e uma repressão por via da máquina do Estado e da sua polícia política, a PIDE.

O marido da professora, mesmo sendo oriundo da burguesia rural, foi o primeiro a emigrar para França no início dos anos sessenta, passando a fronteira a salto e sendo acolhido depois no conhecido bidonville de Champigny, onde viveu em condições miseráveis, até se mudar para um pequeno quarto mais próximo do centro de Paris. Depois partiu o filho, que a mãe, numa rara desobediência ao regime, mandou para França a pretexto de ir passar umas férias com o pai, quando na verdade queria evitar que fosse morrer na Guerra Colonial, transformando-o assim em desertor. Entretanto, as aldeias iam-se esvaziando e não voltaram a ganhar população.

Um pouco mais tarde é a mãe que vai para França, porque achava que o filho estava a tornar-se muito independente e subversivo. Na realidade, o filho estava a libertar-se da educação castradora que recebera e a gozar a liberdade que nunca teve na aldeia, nem nas escolas religiosas por onde passou. Como viviam num espaço muito apertado, Maria José torna-se porteira, para ter um salário e melhores condições. Para ela foi um choque, perder o seu estatuto de professora e deixar de ser a figura central como era na aldeia, para passar a ser a « Madame Arraújo« , a cuidar do prédio e dos caixotes do lixo. Mas adapta-se. Não tem outro remédio. O filho casa-se com uma francesa, deixa descendentes franco-portugueses e a vida vai seguindo o fio do tempo.

Entretanto, o pai já morrera em 1975 e depois Maria José falece em 2008, sem nunca ter deixado de ser porteira. Finalmente, é o filho Carlos que parte, em 2019. Saíram de uma aldeia portuguesa e ficarão para sempre em França.

Esta é uma história real e viva, relatada no livro Dona Zezinha, que transportamos na nossa identidade coletiva, com meio século de opressão, uma vida dura de sacrifícios que as gerações mais novas nem sequer imaginam. Mas é também uma história de superação, como é próprio da emigração portuguesa. E é esta história que os portugueses e os seus descendentes transportam ainda hoje, mesmo que já não tenham consciência disso. E será uma grande falha se não a soubermos honrar e integrar devidamente no nosso sistema de valores.

 

Deputado do PS

Macron desvaloriza falta de unanimidade na UE sobre migrações

Macron desvaloriza falta de unanimidade na UE sobre migrações

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whatsapp sharing buttonO Presidente francês, Emmanuel Macron, desvalorizou ontem a falta de unanimidade entre os países da União Europeia sobre o tema das migrações na Cimeira de Granada.

“A falta de consenso entre os 27 sobre a imigração irá bloquear a adoção de uma declaração conjunta na cimeira de Granada”, reconheceu o Presidente francês, mas qualificando os “desentendimentos” de “algo secundários », porque esta matéria « avança por maiorias qualificadas”.

A Comissão Europeia propôs o novo Pacto em matéria de Migração e Asilo em setembro de 2020, com o objetivo de « construir da melhor forma um sistema de gestão e normalização da migração a longo prazo, plenamente assente nos valores europeus e no direito internacional », na sequência da crise migratória de 2015-2016.

Com o pré-acordo desta semana, a nível de embaixadores, poderiam ser concluídas as negociações entre o Conselho e o Parlamento Europeu, sendo que o objetivo era que estas tivessem encerradas até final do ano, de modo a que o pacto fosse formalmente adotado ainda nesta legislatura, ou seja, antes das eleições europeias de junho de 2024.

A pressão da Polónia e Hungria levou hoje à retirada de um parágrafo sobre as migrações da declaração final do Conselho Europeu informal de Granada, por estes países contestarem as novas regras migratórias e defenderem uma votação por unanimidade.

Emmanuel Macron destacou ainda que os chefes de Estado e de Governo estão presentes a cimeira para “definir estratégias comuns e tomar decisões”.

“Há a convicção de que temos que ir mais rápido”, disse Macron, reconhecendo que nem todos os países estão de acordo e que preferem manter os atuais “esquemas clássicos”.

O Presidente destacou ainda que os desafios que o mundo enfrenta, tanto em questões geopolíticas como em questões económicas, exigem que a UE “esteja unida, com mais ambição em termos de investimento e tenha coerência em assuntos comerciais”.

Macron manifestou ainda a sua satisfação pelos progressos registados no acordo para a Comissão Europeia criar “mecanismos de investimento” que ajudem os países de origem e trânsito dos migrantes.

Face à estratégia de alargamento dos 27, o Presidente admitiu também que existem diferenças entre os países.

Fontes europeias revelaram hoje à agência Lusa que a Declaração de Granada – assim designada numa alusão à cidade espanhola onde decorreu a cimeira informal – foi aprovada por unanimidade, com exclusão do parágrafo das migrações.

Esse parágrafo foi antes substituído por uma declaração do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, sobre a questão migratória, de acordo com as mesmas fontes.

Este foi sempre o ponto de maior discórdia da reunião de hoje, por Varsóvia e Budapeste insistirem numa menção à necessidade de consenso, face à contestação da votação por maioria qualificada. Com unanimidade, Hungria e Polónia podem vetar.

De acordo com o rascunho a que a Lusa teve acesso, o parágrafo referia que “a migração é um desafio europeu que exige uma resposta europeia”, nomeadamente no que toca à migração irregular, que “deve ser abordada de imediato e de forma determinada”.

Isso mesmo manteve-se na declaração que passou então apenas a ser subscrita por Charles Michel.