Guerra na Ucrânia. Ataques russos em larga escala em todo o país. Capital Kiev também atingida

Ataques russos em larga escala em todo o país na madrugada e manhã desta quinta-feira. Kiev atingida, mas também Kharkiv e Odessa, bem como cidades e localidades do leste, do sul e oeste do país. A central nuclear de Zaporijia está sem energia elétrica. 

Presidente Volodymyr Zelensky denuncia « táticas miseráveis ».

Diversos feridos e mortos (pelo menos nove vítimas mortais), segundo balanços provisórios.

Trata-se claramente de uma nova campanha de bombardeamentos russos.

Segundo agências de notícias internacionais, militares ucranianos dizem que Rússia disparou 81 mísseis,incluindo seis mísseis hipersónicos Kinzhal e oito drones durante esta madrugada e manhã deste dia nove de março.

A Ucrânia indicou ter destruído 34 mísseis de cruzeiro e quatro drones Shahed.

 

50 anos. « The Dark side of the Moon » dos Pink Floyd. Há arte que nunca envelhece. Por Ricardo Figueira

Nos  50 anos do genial disco « The Dark side of the Moon » dos Pink Floyd.

Há arte, no caso, músicas, que nunca envelhecem, nem uma ruga têm.

Crónica de Ricardo Figueira, jornalista da Euronews, para ouvir na Rádio Alfa na sexta-feira, 10.

Ou ouça aqui:

 

Liga dos Campeões. Paris SG eliminado, Milan nos ‘quartos’

O Bayern Munique afastou o PSG, vencendo a segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões por 2-0. (3-0 no conjunto da eliminatória).

Os golos foram apontados por Choupo-Moting e Gnabry.

 

Em Inglaterra e depois da vitória do Milan, na 1ª mão, por 1-0 sobre o Tottenham, registou-se um 0-0 em Londres. Resultado que chegou para os rossoneri, com Rafael Leão a titular, seguirem para os quartos de final da Champions League.

 

Resultados dos oitavos de final da Liga dos Campeões em futebol:

 

SEGUNDA MÃO (07, 08, 14 e 15 de março)

– Terça-feira, 07 mar:

(+) Benfica, Por – Club Brugge, Bel, 5-1 (Rafa 38, Gonçalo Ramos 45+2, 57, João Mário 71 gp, David Neres 77/ Meijer 87)

(+) Chelsea, Ing – Borussia Dortmund, Ale, 2-0 (Sterling 43, Havertz 53 gp)

 

– Quarta-feira, 08 mar:

Tottenham, Ing – (+) AC Milan, Ita, 0-0

(+) Bayern Munique, Ale – Paris Saint-Germain, Fra, 2-0 (Choupo-Moting 61, Gnabry 89)

 

– Terça-feira, 14 mar:

Manchester City, Ing – Leipzig, Ale, 21:00

FC Porto, Por – Inter Milão, Ita, 21:00

 

– Quarta-feira, 15 mar:

Real Madrid, Esp – Liverpool, Ing, 21:00

Nápoles, Ita – Eintracht Frankfurt, Ale, 21:00

(+) – Apurado para os quartos de final.

PRIMEIRA MÃO (14, 15, 21 e 22 de fevereiro)

 

– Terça-feira, 14 fev:

AC Milan, Ita – Tottenham, Ing, 1-0 (Brahim Díaz 07)

Paris Saint-Germain, Fra – Bayern Munique, Ale, 0-1 (Coman 53)

 

– Quarta-feira, 15 fev:

Club Brugge, Bel – Benfica, Por, 0-2 (João Mário 51 gp, David Neres 88)

Borussia Dortmund, Ale – Chelsea, Ing, 1-0 (Adeyemi 63)

 

– Terça-feira, 21 fev:

Liverpool, Ing – Real Madrid, Esp, 2-5 (Darwin Núñez 04, Salah 14/ Vinícius Júnior 21, 26, Éder Militão 47, Benzema 55, 67)

Eintracht Frankfurt, Ale – Nápoles, Ita, 0-2 (Osimhen 40, Di Lorenzo 65)

 

– Quarta-feira, 22 fev:

Leipzig, Ale – Manchester City, Ing, 1-1 (Gvardiol 70/ Mahrez 27)

Inter Milão, Ita – FC Porto, Por, 1-0 (Lukaku 86)

« Direito a saber » (n°1) – Direito das mulheres – ALFA 10/13

« Direito a saber » é uma rubrica do ALFA 10/13. Todos os meses, Didier Caramalho recebe Paula Manuel para abordar um tema relativos ao direito e às leis. Este mês, a jurista e professora de direito veio falar do direito das mulheres.

 

Entrevista conduzida por Didier Caramalho no ALFA 10/13 do dia 8 de março de 2023.

A crise nas associações portuguesas. Uma associação não é uma máquina fotocopiadora. Análise

A crise que as associações portuguesas em França conhecem atualmente.

Existem desde há mais de 40 anos. « Mas uma associação não é uma máquina fotocopiadora ».

Crónica de Carlos Pereira, jornalista e diretor do Lusojornal, para ouvir na Rádio Alfa, na quinta-feira, 09.

Ou ouça aqui:

Dia da Mulher. PR Marcelo: Quem sabe Ana Gomes não será a próxima Presidente da República

(foto de abertura: arquivo Alfa)

Quem sabe Ana Gomes não será a próxima Presidente da República

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linkedin sharing buttonAlfa/ com Lusa (adaptação Alfa)
whatsapp sharing buttonO chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou ontem esperar que Portugal venha a ter uma mulher Presidente da República, e admitiu que a primeira possa ser Ana Gomes, sua ex-adversária nas presidenciais de 2021.

Marcelo Rebelo de Sousa falava em inglês, na sessão de encerramento de um seminário sobre mulheres na diplomacia e globalização, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, num discurso em que considerou que ainda há muita misoginia em Portugal.

« Em quase 49 anos de democracia em Portugal, nunca tivemos uma mulher Presidente », assinalou.

Em seguida, referindo-se à diplomata Ana Gomes, que estava na assistência, e às presidenciais de 2026, Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou: « Tivemos ali uma candidata, e quem sabe se ela não será a próxima Presidente da República Portuguesa. Quem sabe, daqui a dois anos e dez meses ».

« É algo que todos esperamos que mude em breve », afirmou.

A este propósito, o Presidente da República mencionou que Portugal foi « um dos poucos países europeus com rainhas, isso era muito raro na Europa, e algumas delas realmente excecionais ».

Marcelo Rebelo de Sousa realçou que desde o 25 de Abril de 1974 Portugal teve « só uma ministra dos Negócios Estrangeiros, Teresa Gouveia, em 2003, 2004, só uma », e lamentou que as mulheres sejam apenas « cerca de um terço » do atual corpo diplomático português.

« Ainda mais preocupante, e isso são as más notícias do ano passado: os últimos números de candidatos selecionados para a carreira diplomática mostram uma redução da presença de mulheres », apontou, questionando: « Porquê tão poucas mulheres selecionadas? ».

Marcelo Rebelo de Sousa apelou a estudantes e diplomatas para que « não se contentem com o que já foi atingido em termos de igualdade de género » e elegeu a luta pelos direitos e por um papel ativo das mulheres em Portugal como « um imperativo não apenas para o poder político mas também para a sociedade civil ».

« Nós em Portugal ainda somos muito, muito misóginos em tantos casos », considerou, defendendo que há « barreiras por quebrar » e « muito por fazer » nesta matéria.

Este seminário realizou-se na véspera do Dia Internacional da Mulher, que se celebra em 08 de março.

Ana Gomes, militante socialista, antiga embaixadora em Jacarta, foi candidata às presidenciais de 2021 sem apoio do PS, nas quais Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa obteve 60,67% dos votos expressos nessas eleições. Ana Gomes, que apenas recebeu do seu partido uma saudação à sua candidatura, ficou em segundo, com 12,96%.

Dia da Mulher. Associações de mulheres marcham em 12 cidades portugueses por mais direitos

Associações de mulheres marcham em 12 cidades portugueses por mais direitos

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Alfa/com Lusawhatsapp sharing button
Associações feministas e sindicatos vão marchar hoje em 12 cidades portuguesas pelos direitos das mulheres, no âmbito da Greve Feminista Internacional, que acontece em Portugal desde 2019.

“Além da celebração das nossas vidas, queremos também dar visibilidade à violências, às opressões, às desigualdades que as mulheres são alvo numa sociedade desigual, quer as mulheres cis [cisgénero], quer as mulheres trans [transexuais]”, adiantou à Lusa Cheila Collaço Rodrigues, ativista do núcleo de Lisboa da Rede 8 de Março.

A greve, que acontece no Dia Internacional da Mulher, vai para a sua quinta edição e decorrerá hoje nas cidades de Aveiro, Barcelos, Braga, Bragança, Coimbra, Évora, Faro, Guimarães, Leiria, Lisboa, Porto e Vila Real, e, no sábado, em Chaves.

“Esta greve assenta numa onda muito específica do feminismo e em três pilares principais: a greve laboral, a estudantil, mas também as dos cuidados – que é, basicamente, o trabalho que as mulheres desempenham na sociedade e que sem o qual a sociedade colapsa”, salientou.

Cheila Rodrigues acrescentou que “o capitalismo colapsa sem o trabalho doméstico das mulheres”.

Segundo a ativista, na iniciativa que vai decorrer em Lisboa, serão homenageadas todas as vítimas de feminicídio durante o ano passado em Portugal.

“Todos os anos temos acesso aos números, que são vergonhosos, e estamos a falar apenas dos casos de feminicídio. Nem sequer falamos dos casos de violação. Há uma maior visibilidade, mas ainda há muito trabalho a fazer”, realçou.

Planeando “gritar” hoje pelos direitos que têm faltado às mulheres nos últimos anos, a ativista prometeu fazer muitas críticas ao Governo por não apresentar soluções.

“É a altura de nos unirmos. Nós feministas, mulheres de esquerda e todos os aliados”, sublinhou, ressalvando que as mulheres devem “fazer frente à conjuntura nacional e internacional, que atualmente é bastante difícil”.

A Rede 8 de Março vai também contar hoje com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores de Call Center (STCC), do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSSS) e do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), que também já tinha agendado uma greve para o mesmo dia.

O movimento, segundo Cheila Rodrigues, pretende “passar a mensagem de que o feminismo não é o que separa”, mas sim o capitalismo, o patriarcado e a opressão.

Apontado ainda para uma “luta histórica”, a ativista recordou que os anos da pandemia foram muito complicados, apesar de a Rede 8 de Março nunca ter saído das ruas.

“Fizemos sempre questão de garantir que algumas companheiras estariam sempre nas ruas, embora existissem assembleias ‘online’”, indicou, acrescentado que a partir de quinta-feira, um dia após a marcha, será iniciada a preparação para a iniciativa de 2024.

Benfica goleia Club Brugge e confirma ‘quartos’ da Liga dos Campeões

O Benfica confirmou hoje o apuramento para os quartos de final da Liga dos Campeões de futebol, depois de vencer novamente os belgas do Club Brugge, por esclarecedores 5-1, na segunda mão dos ‘oitavos’, em Lisboa.

Após o triunfo por 2-0 na primeira mão, em Bruges, os ‘encarnados’ construíram a goleada no Estádio da Luz com golos de Rafa (38 minutos), Gonçalo Ramos (45+2 e 57), João Mário (71, de grande penalidade) e David Neres (77), antes de Meijer (87) reduzir para os visitantes.

O sorteio dos quartos de final e das meias-finais da Liga dos Campeões está agendado para 17 de março, na sede da UEFA, em Nyon, na Suíça.

A final terá lugar em 10 de junho, no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, na Turquia.

 

SEGUNDA MÃO (07, 08, 14 e 15 de março)

– Terça-feira, 07 mar:

(+) Benfica, Por – Club Brugge, Bel, 5-1 (Rafa 38, Gonçalo Ramos 45+2, 57, João Mário 71 gp, David Neres 77/ Meijer 87)

(+) Chelsea, Ing – Borussia Dortmund, Ale, 2-0

 

– Quarta-feira, 08 mar:

Tottenham, Ing – AC Milan, Ita, 21:00

Bayern Munique, Ale – Paris Saint-Germain, Fra, 21:00

 

– Terça-feira, 14 mar:

Manchester City, Ing – Leipzig, Ale, 21:00

FC Porto, Por – Inter Milão, Ita, 21:00

 

– Quarta-feira, 15 mar:

Real Madrid, Esp – Liverpool, Ing, 21:00

Nápoles, Ita – Eintracht Frankfurt, Ale, 21:00

(+) – Apurado para os quartos de final.

PRIMEIRA MÃO (14, 15, 21 e 22 de fevereiro)

– Terça-feira, 14 fev:

AC Milan, Ita – Tottenham, Ing, 1-0 (Brahim Díaz 07)

Paris Saint-Germain, Fra – Bayern Munique, Ale, 0-1 (Coman 53)

– Quarta-feira, 15 fev:

Club Brugge, Bel – Benfica, Por, 0-2 (João Mário 51 gp, David Neres 88)

Borussia Dortmund, Ale – Chelsea, Ing, 1-0 (Adeyemi 63)

– Terça-feira, 21 fev:

Liverpool, Ing – Real Madrid, Esp, 2-5 (Darwin Núñez 04, Salah 14/ Vinícius Júnior 21, 26, Éder Militão 47, Benzema 55, 67)

Eintracht Frankfurt, Ale – Nápoles, Ita, 0-2 (Osimhen 40, Di Lorenzo 65)

– Quarta-feira, 22 fev:

Leipzig, Ale – Manchester City, Ing, 1-1 (Gvardiol 70/ Mahrez 27)

Inter Milão, Ita – FC Porto, Por, 1-0 (Lukaku 86)

 

Com Agência Lusa.

PASSAGE À NIVEAU – 5 MARS 2023

Apresentação e Coordenação: Artur Silva

Domingo 5 de Março 2023

Entre as 12h00 e as 14h00

Aqui fica a emissão:

França. Mais uma reforma ou princípio do desmantelamento do sistema de pensões? Opinião

Mais uma reforma ou princípio do desmantelamento do sistema de pensões em França?

Além de acontecer num momento económico e social particularmente delicado, marcado pela forte inflação e a diminuição do poder de compra , esta reforma é não só injusta como desnecessária – Opinião de Cristina Semblano (Economista, dirigente do BE), publicada no jornal Público de 06/03, enviada à Alfa).

Após as grandes manifestações de 2019 e o parêntese da pandemia, o Governo Macron resolveu voltar à carga com a reforma das pensões que constitui um compromisso de campanha com o seu eleitorado de reformados abastados e o grande patronato, desencadeando uma ira popular inédita, e ressuscitando uma frente sindical unida de que já não havia memória há mais de uma década em França.

Com efeito, esta reforma – para além de acontecer num momento económico e social particularmente delicado, marcado pela forte inflação e a diminuição do poder de compra das famílias afectando com particular violência as classes populares – é não só injusta, como desnecessária.

É injusta ao propor um recuo da idade da reforma de dois anos, de 62 para 64, e uma aceleração do período contributivo de 43 anos, que vai prejudicar, em primeiro lugar, os trabalhadores mais modestos e com trabalhos mais penosos, bem como as mulheres com carreiras profissionais intermitentes e salários desiguais.

Com efeito, a esperança de vida não é igual para todos (um operário tem uma esperança de vida inferior em sete anos à de um executivo), sendo que 1/3 dos trabalhadores já não está empregado na altura de poder aceder à reforma, o que, no império do novo projecto, implicará o prolongamento dos períodos em que se não é nem empregado nem reformado e a criação ou intensificação de bolsas de pobreza, com as respectivas consequências negativas para a saúde dos trabalhadores e o valor das pensões…

Por fim e, contrariamente à narrativa do Governo, este projecto não é mais justo para as mulheres, não contendo nenhuma medida que contrarie as desigualdades de género ao nível de pensões que continuam a ser muito importantes, nomeadamente no que respeita ao valor das pensões directas das mulheres, inferiores em 40% às dos homens, ao tempo de carreira mais curto, 40% das mulheres contra 32% dos homens, reformando-se com carreiras incompletas, enfim, à idade mais avançada na qual as mulheres acedem, em média, à reforma, já que 19%, contra 10% dos homens, aguardam pelos 67 anos a fim de evitar sofrer cortes nas suas pensões.

Mas, para além de injusta, esta reforma é desnecessária, o que acresce à percepção da sua injustiça. O argumento avançado pelo Governo para a justificar é o remake da mesma encenação que serviu para justificar as reformas anteriores, a saber, o factor demográfico, traduzido na diminuição do rácio número de activos/número de reformados, e o défice insustentável daí decorrente.

Ora, como pertinentemente faz notar o economista Michäel Zemmour, as reformas anteriores que o mercado de trabalho ainda não absorveu (recorde-se inclusivamente a passagem ainda recente (2010) da idade da reforma dos 60 para os 62 anos) exigiram esforços superiores ao aumento da esperança de vida que, sendo um facto, se realiza a um ritmo cada vez mais lento.

Por outro lado, e longe do catastrofismo do Governo, o défice do sistema de pensões previsto para os próximos anos é despiciendo (12 mil milhões de euros anuais) quando comparado com o valor total que as pensões envolvem (mais de 300 mil milhões de euros) e com o défice público (172 mil milhões projectados para 2023), não justificando qualquer precipitação reformista.

Na realidade, a atitude do Governo francês, apresentando-se como salvador de um sistema em perigo, reside no facto de a reforma das pensões não proceder de um diagnóstico inerente ao sistema de pensões, constituindo, antes, a forma (ou a variável de ajustamento) que escolheu para poder respeitar a trajectória das finanças públicas que traçou e com que se comprometeu com Bruxelas 3), numa altura em que decidiu continuar a baixar os impostos de produção das empresas num valor que vai representar 8 mil milhões de euros anuais, a partir de 2024.

Sacrificar a saúde e o merecido direito ao descanso da população, sobretudo da mais vulnerável, destronando a França do lugar que ocupava no pódio dos países onde o sistema de pensões era o mais generoso e produzia o menor número de pobres, para presentear o capital em nome do sempiterno mas desmentido aumento da competitividade da economia francesa: eis mais um passo que é dado na construção já avançada da sociedade com que o neoliberalismo – de que o macronismo é um dos expoentes máximos – sonha: a sociedade da regressão social.

É na via desta sociedade de regressão social que se insere a reforma imediatamente anterior a este projecto, do seguro de desemprego que é, como justamente a analisa o economista Romaric Godin, a outra face da mesma moeda, amputando drasticamente os direitos dos desempregados, mas fazendo poupar ao Estado 4 mil milhões de euros de despesa pública. No fundo do túnel já se vê com nitidez uma sociedade de pleno emprego, mas um pleno emprego de miséria, como o qualifica justamente o mesmo autor, já que o objectivo é assegurar às empresas, numa economia de baixa produtividade, uma mão-de-obra cada vez mais barata, constrangida, para sobreviver, a produzir riqueza até à última possibilidade.

Desmistificados os objectivos da reforma das pensões, a saber, continuar a empanturrar as empresas com ajudas públicas – que só no período 2006-2018, sob diversas formas, das subvenções às prendas fiscais, passando pela diminuição (ou isenção) das contribuições sociais sobre os salários, e sem nenhuma exigência de contrapartida, cresceram cinco vezes mais depressa do que o PIB – e oferecer ao patronato um “mercado de trabalho” domesticado, podemos dizer, com o economista e filósofo Frédéric Lordon, que a reforma em questão se deveria chamar “serviço do capital”.

Este serviço do capital exige doravante que se vá para além do objectivo de estabilização das pensões no Orçamento do Estado, enveredando pela sua diminuição. É a razão pela qual esta reforma pode constituir um marco na via do desmantelamento do sistema de pensões por repartição em França, criado no pós-guerra e baseado na solidariedade intergeracional, satisfazendo assim o apetite voraz do capital financeiro, que vê com cada vez menos bons olhos um tesouro de mais de 300 mil milhões de euros escapar-lhe.

As economias que esta reforma vai permitir realizar serão parcialmente anuladas, desde já, pelo aumento inelutável do desemprego dos seniores, pela degradação da respectiva saúde e pelo recrudescimento dos acidentes de trabalho num país onde estes já atingem um triste lugar de relevo nas comparações europeias.

Mas a reforma das pensões deve ser analisada no âmbito mais vasto da filosofia política dominante que a sustém, como no-lo propõe a filósofa Barbara Stiegler, a saber, o neoliberalismo. Querendo fazer tábua rasa do passado, o seu objectivo é suprimir todos os espaços e temporalidades que possam oferecer abrigos face ao grande jogo da competição mundial no qual cada um deve participar. Assim analisada, a ideia mesmo de se retirar (de se reformar) é, para a ideologia neoliberal, um arcaísmo.

Ouça aqui outra opinião (de Pascal de Lima) sobre as greves: 

As consequências e os custos das greves em França. Análise

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