«Astérix en Lusitanie» chega hoje às livrarias

Os autores da obra veem esta banda desenhada como uma homenagem à cultura portuguesa.

A nova banda desenhada de Astérix e Obélix, intitulada “Astérix na Lusitânia”, publicada hoje mundialmente, pretende ser uma homenagem à cultura lusitana e dar a conhecer a história de Portugal, segundo os autores Fabcaro e Didier Conrad.

“É uma homenagem à cultura lusitana, à saudade. Nós fomos a Portugal, vimos concertos de fado e foi maravilhoso. Quando fazemos um álbum de viagem a um país que existe realmente, nós queremos que o país goste”, disse à Lusa o argumentista Fabcaro, nome artístico de Fabrice Caro, numa entrevista nas instalações da Éditions Albert René.

Durante uma das três visitas ao país, Fabcaro, que já tinha escrito “Astérix – O Lírio Branco” (2023), teve a ideia de levar os dois gauleses para Portugal pela primeira vez para dar a conhecer “um pouco da cultura lusitana” e da história de Portugal aos leitores, após visitarem mais de 15 países acompanhados do seu fiel companheiro de quatro patas, Ideiafix.

“Eu queria um álbum ao lado do mar, num país do Sul, com água, sol, luz bonita, fachadas coloridas. Um álbum que me desse vontade de ir de férias, então Portugal foi perfeito”, acrescentou.

Apesar de não terem muitos conhecimentos sobre Portugal na época romana, foi através da pesquisa – que incluiu conhecer “a história de Viriato” e a produção de garum (molho popular na Roma Antiga, feito a partir da fermentação de peixes e sal) – que surgiu a história para a nova aventura da dupla de gauleses mergulhada num sentimento de saudade, símbolo da identidade portuguesa.

O livro com 48 páginas aborda ainda vários estereótipos, com referências a fado, bacalhau, calçada, azulejo e vinho, sempre com o humor característico das personagens, que o autor espera “não conter erros” e agradar a todos, mas principalmente aos leitores portugueses.

“Eu tento fazer um álbum que funcione em francês, que seja engraçado e o melhor possível em francês, sem me perguntar muito sobre como vai ser traduzido, mas quando terminei pensei: pobres tradutores, como vão traduzir as brincadeiras, os jogos de palavras?”, revelou Fabcaro.

Em março, quando foi anunciado que a nova aventura do tempo dos romanos seria em terras lusitanas, os autores revelavam à imprensa internacional que a história inclui uma personagem que já tinha aparecido na BD “O Domínio dos Deuses” (1971), um escravo lusitano.

“Desde que decidimos que seria a Lusitânia, eu pensei nessa pequena personagem, nesse escravo. Eu gosto muito da ideia de fazer ligações entre os álbuns”, afirmou Fabcaro, revelando que tiveram de lhe dar um nome, porque seria ele o responsável por trazer Astérix e Obélix para Olissipo (Lisboa).

A tiragem mundial prevista é de cinco milhões de exemplares, em 19 línguas e dialetos, para o 41.º álbum de uma das mais conhecidas séries de banda desenhada, que surgiu em 29 de outubro de 1959, nas páginas da revista francesa Pilote pelas mãos de René Goscinny e Albert Uderzo.

Este novo álbum, que levou um ano e meio a ser produzido, foi desenhado por Didier Conrad, que já ilustrou sete álbuns de Astérix a tentar respeitar a “difícil” tarefa de manter o estilo do Uderzo, “que evoluiu muito através dos álbuns”, ao dar vida às novas personagens e às paisagens portuguesas.

“Uderzo sempre fez como ele queria, podia variar bastante de um álbum para outro. Então, eu tenho de escolher o que me parece o melhor e isso pode ser complicado”, afirmou Didier Conrad.

Segundo o ilustrador, após mais de 60 anos de aventura, humor e cultura misturados, Astérix mantém-se “intemporal” por “falar da Antiguidade”, em que a cada história há “uma espécie de desenvolvimento da Antiguidade sobre os comportamentos e as situações que são muito próximas do que se encontra na realidade atual”, fazendo assim um paralelo entre o presente e o tempo dos romanos.

“Astérix na Lusitânia”, publicado hoje em Portugal pela editora Asa numa tiragem de 80.000 exemplares, será apresentado pelos autores no espaço cultural do El Corte Inglés no dia 27 de outubro, com apresentação do humorista Hugo van der Ding.

Com Agência Lusa

 

Sporting dá a volta ao resultado e vence na receção ao Marselha

O Sporting venceu hoje ao Marselha, por 2-1, na terceira jornada da fase de liga da Liga dos Campeões de futebol, numa partida em que os anfitriões deram a volta ao resultado com os franceses reduzidos a 10.

No Estádio José Alvalade, em Lisboa, o Marselha marcou pelo brasileiro Igor Paixão, aos 14 minutos, mas o Sporting conseguiu a reviravolta com golos de Geny Catamo, aos 69, e Alisson Santos, aos 86, dois jogadores que saíram do banco, numa altura em que o Marselha já estava em inferioridade, com a expulsão de Emerson, aos 45+2.

Com este resultado, os ‘leões’, que tinham vencido em casa o Kairat Almaty (4-1) e foram derrotados em Nápoles (2-1), passam a somar seis pontos, em zona de play-off de acesso aos oitavos de final, enquanto o Marselha tem três.

 

Resultados da terceira jornada da fase de liga da Liga dos Campeões em futebol:

– Quarta-feira, 22 out:

Athletic Bilbau, Esp – Qarabag, Azb, 3-1

Galatasaray, Tur – Bodo/Glimt, Nor, 3-1

Sporting, Por – Marselha, Fra, 2-1

Mónaco, Fra – Tottenham, Ing, 0-0

Atalanta, Ita – Slavia Praga, Cze, 0-0

Bayern Munique, Ale – Club Brugge, Bel, 4-0

Chelsea, Ing – Ajax, Hol, 5-1

Real Madrid, Esp – Juventus, Ita, 1-0

Eintracht Frankfurt, Ale – Liverpool, Ing, 1-5

– Terça-feira, 21 out:

Kairat Almaty, Caz – Pafos, Chp, 0-0

FC Barcelona, Esp – Olympiacos, Gre, 6-1

Arsenal, Ing – Atlético de Madrid, 4-0

Newcastle, Ing – Benfica, Por, 3-0

Villarreal, Esp – Manchester City, Ing, 0-2

PSV Eindhoven, Hol – Nápoles, Ita, 6-2

Bayer Leverkusen, Ale – Paris Saint-Germain, Ale, 2-7

Union Saint-Gilloise, Bel – Inter Milão, Ita, 0-4

Copenhaga, Din – Borussia Dortmund, Ale, 2-4

 

Com Agência Lusa.

Morreu no passado domingo Delfim Rodrigues

Morreu no domingo passado, com 80 anos de idade, no Hospital Henri Mondor, em Créteil, onde estava hospitalizado, Delfim Rodrigues.

Natural de Salgeiral, Luso, mas residente em Noisy-le-Grand, uma primeira celebração religiosa teve lugar ontem na Igreja Saint Sulpice desta cidade da região parisiense.

Delfim Rodrigues marcou presença constante, durante muitos anos, às portas dos Consulados de Portugal em Paris, Nogent-sur-Marne e Versailles, onde distribuía publicidade de empresas portuguesas.

Percorreu também grande parte das festas portuguesas na região parisiense com o mesmo propósito, quase sempre acompanhado pela mulher Maria Adelaide Martins Esteves. Era pai de Carlos e Sílvia Rodrigues.

Faria 81 anos no dia 9 de novembro. Pessoa amável, simples e sorridente, era bom conversador e sabia respeitar para ser respeitado.

Entretanto o corpo seguiu para Portugal e o funeral vai ter lugar esta quinta-feira, dia 23 de outubro, às 12h00, na Igreja Paroquial de Luso. O corpo extinto vai permanecer em câmara ardente a partir das 10h30 e Delfim Rodrigues vai ficar sepultado no cemitério local.

Notícia Lusojornal.

Madalena Costa sagra-se campeã mundial em patinagem artística livre

A portuguesa Madalena Costa, de 17 anos, fez hoje história ao sagrar-se campeã mundial de seniores de patinagem artística, estilo livre, em Pequim, na China.

Madalena Costa, que ainda cumpre o seu primeiro ano de júnior e este ano se sagrou tetracampeã europeia, tornou-se na primeira patinadora portuguesa a conquistar o título mundial sénior na disciplina.

“Sinto-me muito feliz. Muito satisfeita com a minha capacidade de estar no escalão com atletas mais velhas e de conseguir fazer aquilo a que me tinha proposto”, considerou Madalena Costa.

A patinadora nacional reforça o feito com o facto de a nível mundial ser a mais jovem de sempre a realizar esta conquista, conseguindo também a maior pontuação de sempre em todos os escalões da patinagem artística mundial feminina (260.15).

“Sinto-me muito realizada com o trabalho que foi feito com a minha equipa técnica e ainda com mais motivação para alcançar novos títulos e a continuar a fazer história na modalidade”, afirmou.

Madalena Costa terminou com a pontuação 260.15 no total das provas de programa curto e longo, à frente da italiana Cioia Fiori (224.76), prata, e da espanhola Sira Bella Gallardo (185.66), bronze, tendo as compatriotas Catarina Craveiro e Mariana Almeida terminado em sétimo (151.78) e oitavo (142.91), respetivamente.

“Este título representa todas as coisas que abdiquei e todas as horas que passei a treinar enquanto os meus amigos se divertiam. Todos aqueles dias que não me apetecia treinar mas com ajuda da minha mãe, que é a minha treinadora, consegui superar esses obstáculos”, explicou.

Madalena Costa disse ainda que o ouro representa todas as quedas que custaram um pouco mais a levantar e todas as vezes que duvidou de si, bem como de outras pessoas que também duvidaram, e que o título representa tudo isso e muito mais.

“Representa a Madalena pequenina que tinha sonhos muito grandes, mas provavelmente não tão grandes como estar a competir no campeonato do mundo com 17 anos e sair com a medalha de ouro”, adiantou.

A patinadora disse ainda que o título mundial traduziu todo o trabalho e ambição que é cada vez maior, apesar dos muitos títulos que já conquistou.

“Agora é ir para casa, descansar e aproveitar este momento tão especial e depois começar a preparar a próxima época”, finalizou.

Esta é a primeira medalha de ouro de sempre, em patinagem livre, no escalão de seniores, para Portugal.

Madalena Costa, que completou 17 anos em 14 de outubro, está este ano a competir no escalão de seniores, tendo já conquistado o Campeonato da Europa em setembro.

Com RTP.

Acidente/Elevador: Conselho de administração da Carris renuncia ao cargo e Moedas aceita

O presidente da empresa municipal Carris, Pedro de Brito Bogas, apresentou a renúncia ao cargo ao presidente da Câmara de Lisboa, resignação que é extensível a todos os restantes elementos do conselho de administração, revelou hoje a autarquia.

A renúncia acontece na sequência das conclusões do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgado na segunda-feira, relativamente à tragédia com o elevador da Glória, que ocorreu no dia 03 de setembro e provocou 16 mortos e duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

Em comunicado, a Câmara Municipal de Lisboa informou que o presidente da autarquia, Carlos Moedas (PSD), “compreende e aceita os motivos apresentados” no pedido de renúncia do conselho de administração da Carris, “considerando fundamental a nomeação de uma nova administração, que será apresentada oportunamente, para um novo mandato”.

De acordo com a autarquia, a atual administração da Carris garantirá a gestão, dentro dos prazos e limites legais, até à escolha de um novo presidente e conselho de administração desta empresa municipal.

Pedro de Brito Bogas apresentou a renúncia ao cargo de presidente da Carris durante um encontro com Carlos Moedas, em que informou que a resignação é “extensível a todos os restantes elementos do conselho de administração da empresa”.

A este propósito, o presidente da Câmara de Lisboa destacou “a forma profissional e corajosa com que no momento mais duro do mandato, na sequência do trágico acidente do elevador da Glória, o atual conselho de administração defendeu os interesses da empresa e, apesar de terem colocado o lugar à disposição desde a primeira hora, aceitaram manter-se em funções”.

Na sequência desta decisão, de acordo com o comunicado da autarquia, “Carlos Moedas reforça e assume a preocupação de querer restabelecer o mais depressa possível a total confiança e credibilidade de uma empresa fundamental para a cidade de Lisboa”.

De acordo com informação avançada na terça-feira pela SIC, citando fonte próxima de Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Lisboa não iria reconduzir a atual administração da Carris e assumia “a preocupação de querer recuperar o mais depressa possível a confiança e credibilidade da empresa”.

Atualmente, a administração da Carris é presidida por Pedro de Brito Bogas, após nomeação aprovada pela Câmara de Lisboa em maio de 2022, para substituir Tiago Farias, que ocupava o cargo desde 2016.

Na noite do acidente com o elevador da Glória, que ocorreu em 03 de setembro, segundo a CNN Portugal, o presidente da Carris colocou o lugar à disposição, mas Carlos Moedas não aceitou o pedido de demissão.

A investigação do GPIAAF ao acidente com o elevador da Glória detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, apontando também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.

Segundo os investigadores, “embora as ações de manutenção contratualmente previstas e planeadas estivessem a ser registadas como cumpridas em sistema de registo próprio, ao qual a Carris tem acesso direto, foram recolhidas evidências de que tal registo não corresponde às tarefas que efetivamente foram executadas”.

Na segunda-feira, em resposta ao relatório preliminar do GPIAAF, a Carris disse desconhecer qualquer incumprimento por parte do atual prestador dos serviços de manutenção do elevador da Glória, a empresa MNTC.

“De momento, estão a ser apuradas as respetivas responsabilidades, sendo que o diretor de Manutenção do Modo Elétrico foi, entretanto, demitido”, adiantou a Carris.

A agência Lusa questionou a empresa externa contratada pela Carris, responsável pela manutenção do elevador da Glória, mas Ricardo Serrano Vieira, advogado da MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia, Lda, remeteu para mais tarde uma reação ao relatório preliminar do GPIAAF.

Segundo a Carris, há mais de 20 anos que a manutenção dos subsistemas dos ascensores da Glória, Bica e Lavra e do elevador de Santa Justa está contratada a um prestador de serviços.

O atual prestador, a MNTC, “assegura a manutenção desde 2019”.

 

Com Agência Lusa.

Tempestade Benjamin. 18 departamentos em alerta laranja esta quinta-feira

A Météo-France colocou 18 departamentos em alerta laranja para quinta-feira, 23 de outubro, devido à tempestade Benjamin. O departamento da Corrèze estará já em alerta a partir desta quarta-feira à noite.

Chuva, vento, ondas e risco de submersão… À medida que a tempestade Benjamin se prepara para atingir grande parte de França, a Météo-France colocou 18 departamentos em vigilância laranja para esta quinta-feira, 23 de outubro. Um deles, a Corrèze, estará em alerta já esta quarta-feira à noite devido ao risco de chuva e inundações.

« Podem esperar-se acumulados frequentemente superiores a 50 mm e que poderão ultrapassar os 70 mm na ‘Montagne Limousine’ durante as próximas 24 horas », precisou a Météo-France.

Os départements do ‘Nord, Pas-de-Calais, Somme, Manche, Vendée, Deux-Sèvres, Charente-Maritime, Charente, Pyrénées-Orientales, Haute-Corse, Corse-du-Sud, l’Aude e Puy-de-Dôme estão em alerta laranja por “vento” a partir da meia-noite de quinta-feira.

Outros departamentos estão em alerta laranja não só por “vento”, mas também por “ondas e submersão” na quinta-feira. Trata-se da Gironde, Landes e Pyrénées-Atlantiques.

O departamento de la Seine-Maritime, por sua vez, estará em alerta laranja por “ondas e submersão” a meio do dia de quinta-feira.

Com Météo-France.

Presidente do Louvre defende a instalação de uma « esquadra de polícia » dentro do museu

Na sequência do assalto ocorrido no Museu do Louvre no domingo, 19 de outubro, a sua presidente-diretora, Laurence des Cars, é ouvida pela Comissão de Cultura do Senado. Esta audição tem como objetivo esclarecer eventuais falhas de segurança no museu mais visitado do mundo.

A presidente do Louvre explica que fez da instalação de câmaras « uma prioridade absoluta » e observa que « essa decisão não tinha sido tomada » no passado.

« Hoje vivemos um fracasso terrível no Louvre, do qual assumo a minha parte de responsabilidade », reconhece a presidente, Laurence des Cars.

« Que não me acusem injustamente de gastos excessivos. A segurança do Louvre e das suas coleções está no centro das minhas prioridades », argumentou no Senado.

A presidente do Louvre confirma ter apresentado a sua demissão a Rachida Dati, que a « recusou ».
« Após ter constatado (…) as consequências do terrível ataque que acabávamos de sofrer, apresentei à ministra da Cultura responsável a minha demissão. Ela recusou-a », declarou a presidente do Louvre.

Laurence des Cars defende a instalação de uma « esquadra de polícia dentro do museu ».

 

Com BFMTV.

Morte de Francisco Balsemão. Governo decreta luto nacional de dois dias

O Governo aprovou esta quarta-feira, em Conselho de Ministros, o decreto de luto nacional de dois dias pela morte de Francisco Pinto Balsemão, a observar até quinta-feira.

O velório vai decorrer esta quarta-feira entre as 19h30 e as 23h00 (hora de Paris) no Mosteiro dos Jerónimos e a missa será esta quinta-feira, às 14h00 (horas em Paris), no mesmo local.

Na sequência do luto nacional, os plenários da Assembleia da República desta quarta e quinta-feira foram cancelados com a concordância de todos os partidos.

O primeiro-ministro também cancelou toda a agenda prevista até ao final das cerimónias fúnebres.

O primeiro-ministro cancelou também a viagem já hoje para Bruxelas, na qual participaria no jantar informal com o presidente do Egito por ocasião da Cimeira UE-Egito.

Nas últimas horas têm-se multiplicado as reações à morte de Balsemão. O presidente da República recorda o político e empresário como uma das dez grandes figuras da democracia.

Numa nota publicada na página da Presidência, o chefe de Estado destaca o papel de Pinto Balsemão como « coautor dos projetos de revisão constitucional, lei de imprensa, lei de reunião e associação e lei de liberdade religiosas », decisivo para « mudar o Portugal » entre o final dos anos 60 e o início dos anos 70.

O atual presidente da República destaca os vários papéis desempenhados por Pinto Balsemão na política portuguesa, desde « parlamentar, governante, presidente do partido, primeiro-ministro », destacando também que foi chefe de Governo « durante a revisão constitucional que pôs termo ao Conselho da Revolução, com a transição para a Democracia plena ».

 

Com Lusa e RTP.

Tribuna Desportiva – 20 Outubro 2025

Um programa de Manuel Alexandre com Armindo Faria, Marco Martins e Eric Mendes. Atualidade Desportiva, Entrevistas, Comentários, Crónicas e Reportagens.

Tribuna Desportiva é um programa desportivo da Rádio Alfa às Segundas-feiras, entre as 21h e as 23h. Redifusão às zero horas, na noite de quarta para quinta-feira (seguinte).

Primeira Hora:

 

Segunda Hora:

 

 

Morreu Francisco Pinto Balsemão

O militante do número um do PSD Francisco Pinto Balsemão morreu hoje, confirmou à Lusa fonte oficial do partido.

A notícia da morte do antigo primeiro-ministro foi transmitida pelo presidente do PSD, Luís Montenegro, durante o Conselho Nacional do partido, sendo audíveis aplausos na sala.

 

Com Agência Lusa.

Balsemão: Militante nº 1 do PSD que recusou ser político profissional

Francisco Pinto Balsemão fundou o PPD, que queria que se tivesse logo chamado PSD, e do qual foi o militante número um, chefiou dois governos depois da morte de Sá Carneiro e recusou transformar-se num político profissional.

“Nunca me passou pela cabeça ficar toda a vida na política, transformar-me num político profissional. Havia uma missão a cumprir e foi isso que basicamente me motivou a ir para a frente”, contou Pinto Balsemão nas suas “Memórias” (Porto Editora, 2021), sobre o momento em que se torna primeiro-ministro, após a morte de Francisco Sá Carneiro, em dezembro de 1980.

Eleito aos 32 anos para a Assembleia Nacional (1969 – 1973) nas listas da União Nacional, pelo círculo da Guarda, integrou a chamada Ala Liberal, juntamente com Sá Carneiro, seu “companheiro de carteira”, já que os lugares no hemiciclo eram dispostos por ordem alfabética.

O grupo, onde também estavam Mota Amaral, Miller Guerra, Magalhães Mota, entre outros, era uma congregação mais ou menos desorganizada de descontentes com a ditadura, que acreditava, num momento inicial, nas potencialidades democratizadoras da “Primavera Marcelista”.

Pinto Balsemão destacou-se na defesa de um projeto de Lei de Imprensa, com Sá Carneiro, totalmente derrotada, assim como numa revisão constitucional, igualmente condenada, que defendia o regresso à eleição direta do Presidente da República, mais poderes para a Assembleia Nacional e mais direitos e liberdades individuais.

Com Sá Carneiro e Correia da Cunha chegou a visitar presos políticos em Caxias.

A exceção de sucesso foi a aprovação da lei que permitiu aos diretores dos jornais deixarem de ser aprovados pelo Governo, de que viria a beneficiar a fundação do Expresso, em 1973, que esteve na origem do grupo Impresa.

Após o 25 de Abril de 1974, funda, com Sá Carneiro e Magalhães Mota, em 06 de maio, o Partido Popular Democrático (PPD) (depois PSD), de que é o militante número um.

Está em todos os momentos fundamentais do início do partido, desde a criação do nome, uma sugestão de Ruben Andresen Leitão, pseudónimo literário de Ruben A., após um telefonema de Pinto Balsemão para a redação do Expresso a pedir sugestões, dado que já existia um PSD.

Participa da redação das Linhas Programáticas do partido, aprovadas em sua casa e batidas à máquina pela sua mulher, Mercedes, assim como no I Congresso, em Lisboa, a 24 de novembro de 1974, em que é eleito para a comissão política nacional.

Eleito deputado em 1975, 1976, 1979, 1980 e 1985, após a vitória por maioria absoluta da AD nas eleições legislativas intercalares de dezembro de 1979, é ministro de Estado Adjunto no Governo liderado por Sá Carneiro.

Na atribulada vida inicial do PSD, esteve sempre com Sá Carneiro e apesar de ter participado ativamente na redação final do documento “Opções Inadiáveis”, que assinou em 1978, diz nas suas memórias que cedo percebeu que “o objetivo não era obrigar a uma discussão estratégica séria e profunda dentro do partido”, mas “defenestrar definitivamente” o líder, pelo que abandonou a fação.

Na noite de 04 de dezembro de 1980, Pinto Balsemão esperava no aeroporto de Pedras Rubras, no Porto, por Sá Carneiro, a quem convencera a estar presente no comício da campanha presidencial do general Soares Carneiro, que defrontava o Presidente Ramalho Eanes, candidato à reeleição.

Sá Carneiro nunca chega ao aeroporto que décadas mais tarde terá o seu nome. O avião cai após a descolagem, em Camarate, provocando a morte de todos os ocupantes.

Balsemão fica em “estado de choque”, conforme relata nas suas memórias, e não só pela morte de Sá Carneiro, mas também da companheira deste, Snu Abecassis, sua amiga, do seu primo, António Patrício Gouveia, que era chefe de gabinete do primeiro-ministro, e de Adelino Amaro da Costa, o ministro da Defesa e dirigente do CDS.

Sucederia a Sá Carneiro na chefia do Governo, tomando posse a 09 de janeiro de 1981 como primeiro-ministro do VII Governo Constitucional.

Balsemão recorda nas memórias que, além do trauma da morte de Sá Carneiro, teria de trabalhar com um Presidente da República que a AD não apoiara, mas cuja legitimidade tinha sido reforçada nas urnas, e presidia a um Conselho da Revolução “com fortes poderes constitucionais”. Teve ainda que enfrentar uma “oposição forte”, tendo Mário Soares como líder do PS e Álvaro Cunhal à frente do PCP, uma crise económica mundial a despontar com a subida do preço do petróleo e também o “terreno minado” pelo PSD e CDS.

A “permanente existência de frentes internas”, com um Cavaco Silva “ativo e destrutivo” apoiado por Eurico de Melo (ambos tinham recusado estar no Governo), mas também Pedro Santana Lopes e os opositores congregados em torno de Helena Roseta (então do PSD) e da distrital de Lisboa, levam à sua demissão em agosto de 1981. “Enchi o saco”, resume nas suas memórias.

O gesto acaba por reforçar a autoridade de Balsemão dentro do partido e toma posse como primeiro-ministro do VIII Governo Constitucional (1981-1982). Desta vez, leva para o executivo os líderes dos outros partidos da AD, Diogo Freitas do Amaral, do CDS-PP, e Gonçalo Ribeiro Telles, do PPM.

Para esse Governo entram ainda João Salgueiro nas Finanças, Ângelo Correia, para a administração Interna, Francisco Lucas Pires, para a Cultura, e Marcelo Rebelo de Sousa, que sai do Expresso para ser secretário de Estado da Presidência do Conselho. “Para o ter mais perto de mim”, contou, descrevendo-o como o escorpião da fábula.

Tumultuadas foram também, por vezes, as relações com o Presidente da República, Ramalho Eanes, chegando a haver um período em que os encontros semanais entre ambos em Belém eram gravados.

Um dos motivos dessa tensão, segundo Balsemão nas suas memórias, seria a perda de poder que Ramalho Eanes sofreria com um dos objetivos do Governo: uma revisão constitucional que acabasse com o Conselho da Revolução, ao qual o Presidente da República presidia, o que só veio a acontecer em 1982.

A aprovação de uma nova Lei da Defesa Nacional seria um prolongamento lógico dessa revisão constitucional em que os militares são definitivamente submetidos ao poder eleito, o que também foi alcançado pelo seu Governo, que inovou ainda na criação na Reserva Ecológica Nacional (REN) e da Reserva Agrícola Nacional (RAN).

Para Balsemão, a missão estava cumprida e renuncia ao cargo de primeiro-ministro, “depois de concluída a revisão constitucional, de fechados todos os dossiês da negociação com Bruxelas” com vista à integração de Portugal na CEE e de legitimada a sua “gestão como primeiro-ministro, pela vitória nas eleições autárquicas de dezembro de 1982”.

Sempre presente na vida do PSD, Balsemão não volta a desempenhar qualquer cargo eleito, embora tenha tido um sonho presidencial, quando, em 1995, Cavaco Silva, que deixara dez anos de poder, “parecia hesitante” e “não havia um entusiasmo transbordante” com o ex-líder.

“Na altura, ponderei seriamente candidatar-me”, escreveu nas suas memórias.

Sondado por várias pessoas sobre uma candidatura, incluindo do PS, Balsemão chega “a ter uma conversa, num almoço no Gambrinus”, com António Guterres, então secretário-geral dos socialistas, mas Fernando Nogueira, líder do PSD, “não morria de entusiasmo pela hipótese e, mais do que isso, já estava comprometido com Cavaco, se este quisesse avançar”. E Balsemão não avançou à margem do partido de que é militante n.º 1.

Recorde a entrevista do Povo Livre e o PSDTV ao fundador do Partido e militante nº1, Francisco Pinto Balsemão.

 

Memórias de Balsemão entre o “bom amigo” Soares e Sá Carneiro, “o estadista”

Francisco Pinto Balsemão descreve, nas memórias, a sua experiência política e de vida, em que se cruzou com as principais figuras da democracia, de Mário Soares a Eanes, de Sá Carneiro a Marcelo Rebelo de Sousa.

Nas 999 páginas de “Memórias” (Ed. Porto Editora), editado em 2021, o fundador do Expresso e do grupo Impresa recorda os tempos em que foi deputado da Ala Liberal, ainda em ditadura, a fundação do então PPD, hoje PSD, e as atribulações do tempo em que foi primeiro-ministro e sucedeu a Sá Carneiro.

Ao longo de 23 capítulos, Balsemão assume que o “jogo de memória é perigoso e complicado”, mas realça o que quis escrever: “Aquilo que ficou e visto à minha maneira.”

+++ Mário Soares +++

Balsemão escreve que conversou pela primeira vez com Mário Soares ainda em ditadura, em 1968, quando o futuro líder do PS era um ativista antifascista. Foi num almoço. “Conversámos muito, e acho que gostámos um do outro”, escreve Balsemão, embora assuma as diferenças políticas e ideológicas.

A política levou-os para campos opostos e Balsemão teve de enfrentar Soares quando esteve no Governo da AD com Sá Carneiro ou quando ele próprio liderou o executivo. Além da crise económica, e da crise do petróleo, em 1982, recorda, tinha também pela frente dois dos líderes do Portugal saído do 25 de Abril – Mário Soares e Álvaro Cunhal.

Esses foram anos em que Balsemão também negociou uma revisão constitucional com Soares, que retirou poderes aos militares que ainda tinham um papel preponderante após o 25 de Abril de 1974.

As divisões no PS, lembra ainda no livro, não deixam ir “Soares tão longe quanto podia”.

Os caminhos aproximaram-no ainda de Soares, a quem apoiou na segunda volta das presidenciais, em que Freitas do Amaral, histórico do CDS, apoiado pela direita, foi derrotado.

Quando Soares morreu, o título do artigo que escreveu foi: “Democrata, Estadista, Homem de Cultura e Bom Amigo.”

+++ Sá Carneiro +++

Por ambos terem o nome Francisco, sentavam-se lado a lado no parlamento, ainda durante o Estado Novo, quando pertenceram à Ala Liberal, durante a chamada Primavera Marcelista. A ligação ficou para sempre, dado que fundaram os dois o então PPD, hoje PSD, e estiveram ambos no primeiro Governo de centro direita do pós-25 de Abril.

No livro, Pinto Balsemão descreve como foi difícil suceder a Sá Carneiro, após a morte do então primeiro-ministro, na queda de um avião, em 04 de dezembro de 1980. “Sabia que ia ser muito difícil, para não dizer que se tratava de uma missão impossível” substituir “com êxito um estadista” com a sua envergadura.

“Sá Carneiro não era apenas o líder incontestável do PSD (e da AD que, sem ele não teria existido e não sobreviveu mais de dois anos), nem era apenas, embora isso fosse muito, quem culminara e legitimara, dois meses antes de falecer, em eleições legislativas, a sua actuação como primeiro-ministro. Tinha um carisma pessoal que o colocava acima dos outros, mesmo quando provocava cisões, e os seus apoiantes indefectíveis contam-se por muitas centenas de milhar. Arrastava multidões”, descreveu.

+++ Marcelo Rebelo de Sousa +++

São conhecidas as divergências e desencontros com Marcelo Rebelo de Sousa, que foi um dos fundadores do Expresso e atual Presidente da República. Balsemão assume-as abertamente no livro de memórias, com críticas e alguns elogios ao “jovem muito inteligente e rápido” que tinha “sentido de humor” quando o conheceu, na década de 1970.

Balsemão está à frente do Governo e convida Marcelo para secretário de Estado da Presidência do Conselho, apesar dos avisos de amigos: “Estás a aproximar-te do escorpião da fábula, e tu serás a rã”. A rã da fábula do escorpião que morreu afogado a atravessar um rio porque não resistiu à tentação de dar uma ferroada mortal na rã, apesar de esta lhe dar uma boleia às costas. Lado positivo, para Balsemão, é “a incrível capacidade de trabalho e de produção” de Rebelo de Sousa.

O lado de “escorpião”, recorda, correspondeu, montando “intrigas desnecessárias entre ministros e/ou secretários de Estado”, aproveitando “intervalos do Conselho de Ministros ou idas à casa de banho para ir dar notícias a jornalistas”

Outro “balde de água fria de Marcelo”, ou “a maior traição”, foi quando os dois combinaram a saída de Marcelo do Governo – era ministro para os Assuntos Parlamentares -, mas que só seria tornada pública depois das autárquicas de dezembro de 1982. No entanto, a notícia estava nos jornais no dia seguinte.

+++ Ramalho Eanes +++

Apesar das divergências e relações tensas, logo na introdução das “Memórias”, o nome do ex-Presidente Ramalho Eanes surge, a par de Sá Carneiro, José Pedro Leite Pinto e Mário Soares, como uma das pessoas marcantes com quem contactou.

No livro, conta o episódio dos gravadores no Palácio de Belém, em que eram gravadas, em duplicado, as conversas entre os dois, e que retrata a desconfiança de Eanes relativamente ao que era dito naquelas conversas. Balsemão até gracejou: “Para que é isto? Vamos fazer um programa de rádio?”

“Eanes fez aquela cara-de-pau que ele sabe fazer quando está zangado ou quando, recorrendo às suas tácticas de psicólogo encartado, quer que os outros pensem que está zangado”.

Balsemão ficou “chocado, magoado e furioso e disse-lhe”.

+++ Cavaco Silva +++

No livro, são relatados os incidentes em que o grupo de críticos, em que se incluía Cavaco Silva e Eurico de Melo, atacavam Pinto Balsemão, o Governo e as opções de política económica e que, na prática, ajudaram a desgastar a imagem do executivo. “[Vivi num] ambiente venenoso alimentado, constantemente, por uma minoria” dentro do PSD, descreve.

Balsemão tem até um subtítulo num dos capítulos sobre o ex-primeiro-ministro – “Cavaco: Activo e Destrutivo” – numa parte do livro que trata os problemas internos no PSD que levaram à sua demissão. E chega a escrever que “é curioso e lamentável que, na sua ‘Autobiografia Política’, Cavaco assuma sempre a postura do inocente ou ingénuo cidadão que ‘às vezes troca impressões’ com outros militantes do PSD”.

“Durante todo o meu tempo de Governo, Cavaco esteve sempre ativo e destrutivo”, concluiu.

+++ PSD +++

Militante n.º 1, Pinto Balsemão afirma: “O PSD é parte integrante, importante e inseparável da minha existência e do rumo que, ao longo dos anos, lhe fui dando”.

 

Com Agência Lusa.

Flash Info

Flash INFO

0:00
0:00
Advertising will end in 

Journal Desporto

0:00
0:00
Advertising will end in 

x