Portugueses saem tarde de casa dos pais, mas a culpa não é da falta de vontade

Estudo diagnosticou o que leva os jovens portugueses a serem dos europeus que mais tarde saem do ‘ninho’.

 

Os jovens portugueses saem, de facto, mais tarde da casa dos pais, mas a culpa não é da falta de vontade, existindo uma forte correlação com o nível de rendimento, nomeadamente com os salários dos mais novos.

A conclusão é de um estudo sobre « Igualdade de género ao longo da vida: Portugal no contexto europeu », feito por investigadores do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e publicado há dias pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

O documento de mais de 300 páginas tem uma parte específica onde se analisa a saída da casa dos pais, área onde se sabe há anos que os portugueses são dos que saem mais tarde.

O trabalho conclui, em primeiro lugar, que elas saem em geral de casa da família mais cedo que eles. É assim em todos os países europeus e também em Portugal onde a idade média de saída de casa dos pais chega aos 29,7 anos neles e aos 28,2 anos nelas, ou seja, ano e meio mais cedo nas mulheres.

No entanto, o estudo também destaca que os portugueses, homens e mulheres, vão viver sozinhos bem mais tarde que a média europeia e muito mais tarde do que acontece nos países do Norte da Europa. Por exemplo, na Suécia essa autonomização acontece quase uma década antes.

Os investigadores salientam, citando vários outros estudos feitos sobre o assunto, que o fenómeno português é semelhante a outros países da Europa do Sul, como Portugal, e não é alheio à precariedade que os jovens dessas regiões enfrentam nos mercados de trabalho nacionais, com baixos salários, ao contrário do que acontece no Norte da Europa, em percursos pessoais classificados como « ziguezagueantes » com grande instabilidade laboral e risco acrescido de desemprego, num « impasse vivido por muitos jovens em relação ao futuro ».

O estudo destaca que os dados mostram que « muitas das mulheres e homens jovens que estão na casa dos pais podem já não ser dependentes economicamente destes, e estarem a trabalhar, sem terem ganhos suficientes para adquirirem autonomia residencial ».

Sem segurança no emprego ou salários razoáveis, mantém-se uma « relativa dependência financeira » da família, adiando um marco na « transição para a idade adulta » a que se segue, por norma, a vida em comum com um parceiro ou a decisão de ter filhos (que se sabe que em Portugal também é cada vez mais tardia).

O estudo destaca que a saída precoce da casa da família nos países nórdicos deve-se, pelo menos em parte, ao Estado social mais forte e com políticas que promovem a articulação entre escola e autonomização do jovem desde cedo, como bolsas e empréstimos a longo prazo (caso da Noruega).

O mercado de trabalho na Europa do Norte também é menos « hostil » e menos precário que em Portugal onde ficar na casa dos pais é uma « importante fonte de apoio » financeiro pois os apoios sociais em Portugal são bem mais fracos.

« De facto », sublinha o estudo, « quanto mais baixo for o rendimento do trabalho (os salários) dos jovens [e quanto menor for o desemprego], mais tarde saem da casa dos pais », algo visível pelos investigadores quando cruzam os números dos vários países europeus, num « fosso » que separa a Europa do Norte (mais cedo) da Europa Central e do Sul (mais tarde).

Alfa/TSF

Por nova ligação à fronteira em Bragança. Portugueses e espanhóis lançam petição. Pedem nova estrada.

Os autarcas das localidades raianas de Rio de Onor, em Portugal, e Puebla Sanábria, em Espanha, lançaram uma petição para que seja construída uma estrada, reclamada há 20 anos, que permita a ligação rodoviária entre si.

 

As duas localidades raianas são pontos de atração turística que não conseguem fazer circular entre si um autocarro, por falta de uma estrada reclamada há 20 anos.

Os autarcas dos dois lados da fronteira decidiram avançar para mais uma forma de luta com uma petição dirigida aos governos dos dois países, para que seja construída a estrada entre Bragança e Puebla de Sanábria e, concretamente, que Portugal inclua a rodovia com menos de 40 quilómetros no Programa Nacional da Política do Ordenamento do Território em discussão pública até ao final de junho.

Dentro de um ano deverá chegar a Puebla de Sanábria o AVE, o comboio de alta velocidade espanhol, enquanto um autocarro com turistas não consegue fazer a ligação entre a localidade espanhola e a vizinha portuguesa de Rio de Onor, devido ao traçado da estrada que liga a fronteira a norte de Bragança.

Há 20 anos que esta ligação é reivindicada e chegou a ser incluída no Plano Nacional Rodoviário português, mas o projeto foi abandonado pelo Governo central, com a justificação dos entraves ambientais devido ao facto de atravessar o Parque Natural de Montesinho.

Portugueses e espanhóis constituíram a associação « Autovía Léon Bragança », com o principal objetivo de reivindicar a construção de “um acesso digno”, que daria continuidade até Léon, do lado espanhol.

A mesma associação decidiu agora avançar com mais uma ação de luta em forma de petição a reivindicar a inclusão da estrada nos investimentos públicos, concretamente como estava inicialmente prevista, dando continuidade ao IP2, que liga todo o interior de Portugal, até à fronteira no extremo norte do país.

“É inadmissível que em Rio de Onor um autocarro não consiga passar de Portugal para Espanha. Ainda na semana passado um autocarro de turistas espanhóis teve de voltar para trás e fazer mais quilómetros para chegar ao lado português”, segundo o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias.

O autarca português apontou que “o Governo central tem permanentemente vindo a Bragança dizer que está num mercado de 60 milhões de habitantes (Península Ibérica), mas depois nada acontece”

Hernâni Dias está convencido de que esta “ligação representa uma economia relativamente a outras ligações já existentes”, nomeadamente, mais a sul, na fronteira de Quintanilha.

“Não fosse uma decisão política de nível central, se fosse de nível local, teríamos hipotecado todos os nossos meios para fazer esta intervenção, mas não temos essa autonomia”, vincou.

O autarca espanhol de Puebla de Sanábria, José Fernandez, lembrou que a Puebla está a chegar o AVE, o comboio de alta velocidade espanhol, o que esperam venha a acontecer já em 2019, e “para que não digam que não há passageiros”, o outro lado da raia deixa claro que também precisa desta estrada para que a estação exista.

Além do mais, Rio de Onor é uma das sete maravilhas de Portugal e a Puebla um dos povos de Espanha com procura permanente por parte dos turistas.

“Muito mudou, menos a estrada. Continuamos a ter uma ligação na fronteira para contrabando”, enfatizou.

Puebla de Sanábria promete fazer pressão também junto de Castela e Leão e os responsáveis locais perguntam como combater o despovoamento se para fazer 40 quilómetros se demora uma hora.

Alfa/Lusa

Cruz Vermelha lança número de apoio às populações em caso de catástrofe

A Cruz Vermelha disponibiliza, a partir desta segunda-feira, uma linha telefónica de alerta para ajudar a proteger as populações perante catástrofes, que vai funcionar 24 horas por dia, durante todo o ano.

 

número 1415 pretende « complementar as operações que visam assegurar a proteção das populações perante a iminência de catástrofes, nomeadamente incêndios florestais », mas não substituindo o 112, pretendendo antes ser um contacto complementar e de proximidade, segundo a Cruz Vermelha Portuguesa.

O presidente da instituição, Francisco George, disse à agência Lusa que o objetivo é acelerar respostas e estar mais próximo das pessoas, tendo sido criada uma linha telefónica com quatro dígitos para fácil memorização.

Segundo a Cruz Vermelha, qualquer cidadão pode ligar para a linha ao identificar um eventual processo de ignição de um incêndio, uma emergência ou uma situação de risco social.

As chamadas são atendias 24 horas por dia e 365 dias por ano, na sala de operações nacional da Cruz Vermelha, em Coimbra.

A informação recebida na linha será transmitida aos serviços competentes de Proteção Civil, forças de segurança, emergência médica e emergência social, para, em articulação com a Cruz Vermelha, ser possível intervir atempadamente e maximizar as capacidades de resposta.

Alfa/JN

Milhares de fiéis sobem monte de Santa Luzia para cumprir promessa centenária

Milhares de fiéis são esperados, no domingo, na peregrinação ao Sagrado Coração de Jesus, promessa com 100 anos, que liga a cidade de Viana do Castelo ao santuário de Santa Luzia, disse hoje fonte da organização.

 

O percurso, com cerca de cinco quilómetros, começa no jardim Dom Fernando, no centro da cidade até ao templo situado no cimo do monte de Santa Luzia.

« É sempre uma peregrinação muito participada. Além das mais de 40 paróquias do arciprestado de Viana do Castelo, participam outras paróquias da diocese e muitos outros fiéis que fazem questão de marcar presença nesta importante manifestação de fé », afirmou hoje à agência Lusa o vigário paroquial de Santa Maria Maior, Vítor Rocha.

A tradição, organizada em conjunto pela Confraria de Santa Luzia e pela Diocese de Viana do Castelo, realiza-se desde 1918, antes do verão. Tem a sua origem num voto formulado pela população da cidade rogando proteção à epidemia pneumónica que na altura provocava muitos mortos na região.

« O ano de 2018 carrega consigo uma recordação histórica. Decorrem, no dia 10 de novembro os 100 anos do voto – prometido pelos vianenses – de consagrar a cidade e o seu povo ao Sagrado Coração Jesus, na imagem que já se encontrava em frente à capela de Santa Luzia », explicou o padre Vítor Rocha.

No entanto, acrescentou, « a primeira peregrinação ao Sagrado Coração de Jesus só se cumpriria três anos depois, em 1921, porque até então eram proibidas as manifestações religiosas e a subida ao monte de Santa Luzia ».

A fonte destacou ainda « o impacto desta promessa, e consequentes peregrinações, na edificação do santuário no alto do monte de Santa Luzia ».

« O retomar das obras de construção do templo, interrompidas desde a Implantação da República, em 1910, deveu-se à renovada afluência de fiéis (a partir de 1921). Mais uma vez, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus impulsionou a construção do Santuário – com toda a sua envolvência espiritual », reforçou.

A peregrinação diocesana reúne crentes de todas as freguesias do concelho e de outros pontos do país.

O percurso parte às 09:00 de domingo da igreja de S. Domingos, no centro da cidade, e termina após a eucaristia que decorrerá no anfiteatro construído pela Confraria no jardim das Tílias, com capacidade para acolher cerca de 700 pessoas sentadas, presidida pelo bispo diocesano de Viana do Castelo, Anacleto de Oliveira.

A peregrinação até ao santuário de Santa Luzia faz-se por um percurso sinuoso de acentuado declive, que leva cerca de duas horas a percorrer a pé. Há quem decida cumprir a promessa subindo os 742 degraus do escadório que liga a cidade ao monte.

Outra alternativa ao dispor dos peregrinos é o elevador de Santa Luzia. O funicular tem um percurso de 650 metros que leva cerca de oito minutos a completar e é considerado o mais extenso do país.

Reza a tradição que, no final das cerimónias religiosas, os peregrinos almocem em família, distribuídos nos inúmeros espaços verdes espalhados pela envolvente ao santuário.

Este ano, os peregrinos já têm ao dispor um edifício polivalente de três andares, num investimento de cerca de 1,2 milhões de euros. O edifício das Tílias está dotado de albergue de peregrinos, arquivo e museu do santuário de Santa Luzia.

« Em breve será dotado de um espaço de restauração ao dispor de todos os turistas », explicou o padre Vítor Rocha que destacou ainda « as intervenções de restauro realizadas no interior do templo de Santa Luzia ».

O arranjo urbanístico e paisagístico daquela área foi iniciado, em 2014, pela confraria de Santa Luzia, que zela por aquele santuário desde 19 de março de 1884.

A empreitada incluiu a recuperação do interior e exterior do templo-monumento, o tratamento de todo o espólio, a instalação de sinalética e a criação de ferramentas para a sua divulgação, entre elas, uma aplicação para telemóveis e ‘tablets’, um novo sítio na internet, para a divulgação e promoção turística do santuário.

Do zimbório existente no topo do templo, o ponto mais alto de Viana do Castelo, os visitantes avistam uma paisagem de vários quilómetros.

De acordo com dados da confraria, entre 80 mil a 90 mil pessoas acedem (entrada paga) anualmente ao zimbório.

Projetado pelo arquiteto Ventura Terra, o templo de Santa Luzia, cuja construção decorreu entre 1904 e 1943, é hoje um ex-líbris de Viana do Castelo, sobranceiro à cidade na montanha com o mesmo nome.

Alfa/Lusa

Portuguesa finalista de prémio para mulheres inspiradoras no País de Gales

A fundadora da associação Comunidade de Língua Portuguesa de Wrexham (CPLW) Iolanda Banu Viegas é uma das finalistas do Prémio Mulheres Inspiradoras Womenspire 2018, cujos vencedores serão anunciados na terça-feira no País de Gales.

 

Banu Viegas foi selecionada enquanto Ativista Comunitária entre mais de 400 mulheres nomeadas para as categorias de Liderança, Desporto, Criatividade, Estrela em Ascensão, Gales Rural, Construir Gales, Negócios, Aprendizagem e Escolha do Público, além do ativismo comunitário.

« Tem sido uma experiência de outro mundo », confessou a portuguesa à agência Lusa, referindo que tem recebido muitas mensagens de apoio, « mesmo de desconhecidos, e até [fui] abordada na rua e nas lojas com abraços! »

Para esta popularidade contribuiu uma reportagem da estação de televisão ITV a nível local que conta o seu trabalho na ajuda a portugueses da região que têm poucos conhecimentos da língua inglesa.

Além de intermediar os contactos com serviços de saúde ou sociais, a CPLW organiza regularmente eventos de terapia, artes, educação e cultura.

No dia 16 de junho, para celebrar o Dia de Portugal, terá lugar um concerto em que vão partilhar o palco um grupo de fado de Coimbra e um grupo de hip hop, a 21 de junho promove um workshop sobre demência e a 26 de junho outro sobre a confeção de pastéis de nata.

A organização Chwarae Teg, responsável pela organização dos prémios, elogia a portuguesa pelo seu papel no combate ao isolamento social e no reforço dos laços culturais dos portugueses

« Iolanda é uma defensora da integração e da diversidade, defendendo os direitos e a participação dos membros da comunidade africana e minorias étnicas em eventos comunitários, públicos e privados », que tem trabalhado « incansavelmente para erradicar o crime de ódio e a discriminação e consciencializar para os direitos civis ».

Esta é a terceira edição dos Prémios Womenspire, que Louise David, uma responsável da Chwarae Teg, considera importantes por dar destaque a mulheres de todo o País de Gales

« Muitas vezes, as conquistas das mulheres passam despercebidas e nós, da Chwarae Teg, queremos mudar isso e mostrar essas mulheres como exemplo. Os Womenspire reconhecem as mulheres por feitos em todos os aspetos, de realizações pessoais a contribuições notáveis, e [mulheres] de todas as origens e etapas da vida ou do trabalho », referiu, num depoimento enviado à Lusa.

A portuguesa de 44 anos reside há cerca de 18 anos em Wrexham, cidade galesa com uma comunidade portuguesa estimada em cerca de 2.000 pessoas, e criou a CPLW em 2013.

É Conselheira das Comunidades Portuguesas desde 2015 e é representante do Conselho do Norte de Gales para as questões das Minorias Étnicas, além de trabalhar com as autoridades locais e regionais em diversos programas.

No ano passado candidatou-se, sem sucesso, às eleições locais pelo partido nacionalista Plaid Cymru.

A nomeação para os Prémios Womenspire, disse à Lusa, representa um reconhecimento pelo seu trabalho ao longo dos anos.

« É sinal de que estamos no bom caminho, o que nos dá ainda mais coragem de continuar », vincou.

Alfa/Lusa

« 13 de Novembro: Terror em Paris ». Filme. A noite em que a escuridão tomou a cidade-luz

Gédeon e Jules Naudet, responsáveis pelo documentário “9/11” sobre o 11 de Setembro, centram agora as atenções nos atentados terroristas da capital francesa em 2015. A série documental “13 de Novembro: Terror em Paris” já está disponível em streaming no Netflix.

Alfa/Expresso – por João Miguel Salvador

Uma noite de terror, 130 mortos e 413 feridos. Praticamente dois anos de estado de emergência em França. E uma cidade que durante muito tempo não foi a mesma — mesmo que os parisienses tudo fizessem para voltar à normalidade o quanto antes. Como se enfrenta a vida depois de olhar a morte? Como se ultrapassa a morte e se continua a viver? É a isso que se propõem Gédeon e Jules Naudet, com um trabalho documental onde pretendem dar voz “às histórias humanas por detrás dos ataques que aconteceram em Paris a 13 de novembro de 2015”.

“13 de Novembro: Terror em Paris” não é nem uma investigação nem um relatório do que aconteceu, asseguram os realizadores, mas isso não lhe retira realidade. Apenas a apresenta de uma forma diferente, que foge ao sensacionalismo característico de vários trabalhos sobre tragédias. Para isso, decidiram usar o mínimo possível de imagens de arquivo. “Sentimos que é um grande privilégio poder partilhar estas histórias incríveis de sobrevivência e esperança”, expressaram os realizadores a propósito do documentário, que segue de forma cronológica os eventos da fatídica noite em Paris e que conta com um grande número de testemunhos.

Com o auxílio das associações de familiares das vítimas e de sobreviventes, Gédeon e Jules Naudet chegaram à fala com aqueles que viveram o ataque de perto, tendo também contactado com aqueles que os socorreram num primeiro momento no Bataclan e com os políticos responsáveis à época. O antigo Presidente François Hollande — que nesse dia havia assistido a um jogo de futebol no Stade de France, um dos alvos dos ataques — é uma das figuras que aceitou falar para as câmaras de Naudet, com a presidente da Câmara de Paris Anne Hidalgo a responder também ao apelo dos cineastas.

Sobre a sua proximidade ao projeto, os irmãos lembram a experiência pela qual passaram no início da década passada. Em setembro de 2001, estavam em Nova Iorque a filmar um novo documentário da sua autoria quando a realidade lhes trocou as voltas. O filme documental em que trabalhavam à época seria centrado nas várias corporações de bombeiros nova-iorquinas, mas os ataques terroristas do 11 de Setembro mudaram o foco da ação. Jules Naudet, o irmão mais novo, planeava passar o dia com um dos grupos de bombeiros, no entanto a agenda acabou por mudar. A corporação seria uma das primeiras a responder aos ataques e esse relato cru da dura realidade não podia ser ignorado.

Foi assim que nasceu “9/11” (também com o título “Onze de Setembro”), um dos primeiros documentários sobre a tragédia em solo americano e um dos mais prestigiados. Apresentado por Robert de Niro e estreado no canal norte-americano CBS em 2002, venceu dois Emmys (Melhor especial de não-ficção e Melhor mistura de som para um programa de não-ficção) e esteve nomeado para outros três (Melhor direção de fotografia, Melhor edição de imagem e Melhor edição de som). A estas distinções juntou também o reconhecimento dos prémios Peabody e DuPont.

Embora “9/11” seja o seu projeto mais celebrado, Gédeon e Jules Naudet assinaram outros trabalhos documentais de referência e que fazem deles dois dos nomes mais requisitados do género. “Em Nome de Deus: Um Olhar Íntimo Sobre as Vidas dos Maiores Líderes Religiosos do Mundo” (também para a norte-americana CBS), “Os Porteiros dos Presidentes” (Discovery Channel) — sobre a história presidencial americana ao longo de 50 anos, contada a partir dos relatos daqueles que os serviram — e “Os Chefes dos Espiões: a CIA na Mira” (Showtime/CBS) são alguns dos títulos a que vale a pena dedicar algumas horas, numa altura em que os irmãos Naudet regressam às luzes da ribalta com o seu novo projeto.

“13 de Novembro: Terror em Paris” tem a missão óbvia de apresentar os factos da noite dos atentados terroristas na capital francesa de forma realista, mas falar sobre algo tão presente na vida dos parisienses tem riscos acrescidos. Os trabalhos documentais sobre os ataques até agora apresentados receberam críticas negativas — os sobreviventes e os familiares das vítimas não se reviram no que foi apresentado no ecrã — e o canal estatal France 2 foi mesmo obrigado a adiar o seu projeto de um telefilme sobre o massacre no Bataclan. O drama romântico “Ce soir-la” contava a história de dois desconhecidos que se apaixonavam depois de resgatarem sobreviventes do ataque e a escolha do argumento não foi vista com bons olhos por aqueles que passaram por um trauma tão grande. Além disso, nenhuma das associações de vítimas foi consultada previamente, pelo que as vozes de protesto cresceram rapidamente e houve até uma petição na internet para que a produção fosse cancelada.

A série documental de Jules e Gédéon Naudet — que à realização somam a produção-executiva (através da Goldfish Pictures) e que trabalharam em conjunto com a Propagate e a No School Productions — é composta por três episódios e está disponível em streaming desde esta sexta-feira. Para os realizadores, que consideram ter encontrado na Netflix os “parceiros certos” para “dar vida” à sua ideia, um dos fatores importantes de ter um trabalho documental como este numa plataforma de televisão não linear é permitir que este possa ser visto ao ritmo que o telespetador entender. Segundo os responsáveis por “13 de Novembro: Terror em Paris”, o peso da narrativa pode levar algumas pessoas a necessitarem de fazer paragens enquanto veem o documentário ou a verem-no ao longo de vários dias.

CAMPEÃO. Miguel Oliveira supera vários duelos e conquista Grande Prémio de Itália de Moto2.

 O piloto português Miguel Oliveira (KTM) conquistou hoje a primeira vitória da temporada da categoria de Moto2, ao vencer um Grande Prémio de Itália em que teve de se impor em vários duelos.

O feito de Miguel Oliveira ganha ainda mais relevo se for tomado em conta que o corredor luso partiu apenas do 11.º lugar da grelha de partida, numa corrida em que a alternância no primeiro posto foi constante.

Oliveira, que já tinha sido o melhor dos pilotos KTM na qualificação – a Kalex ocupou os 10 primeiros lugares -, largou bastante bem e, no final da reta da meta, já estava no quinto posto, tendo finalizado a primeira volta no terceiro lugar.

A partir daqui, Miguel Oliveira, que à segunda volta já liderava, iniciou vários duelos pela vitória, primeiro com o italiano Mattia Pasini (Kalex), vencedor em 2015 e autor da ‘pole position’, que ao fim de algumas voltas parecia ter a corrida controlada, mas uma queda a oito voltas do fim voltou a abrir a luta pela vitória.

Miguel Oliveira herdou a liderança, mas rapidamente voltou a contar com oposição, desta feita do também italiano Lorenzo Baldarassari (Kalex), tendo ambos trocado de posição inúmeras vezes ao longo das últimas voltas.

Na fase final da corrida, Miguel Oliveira atacou forte à entrada para a última volta e ganhou um ligeiro avanço para Baldassari, que também terá acusado algum desgaste de pneus, o que foi suficiente para o corredor luso alcançar o primeiro triunfo do ano, numa pista na qual alcançou também a sua primeira vitória quando corria em Moto3.

« Vi que todos estavam com problemas na frente, pelo que decidi que tinha de tentar tudo para ganhar. O Lorenzo tinha, sem dúvida, um pouco mais de velocidade do que eu, por isso ele tentou atacar para assegurar a vitória, mas ela acabou por sorrir para mim no final », disse o piloto luso, de 23 anos, após a corrida.

O piloto italiano acabou por reconhecer a falha na parte final: « Foi um erro meu. Tinha um pequeno avanço e assumi um risco. »

Miguel cumpriu as 21 voltas do Grande Prémio de Itália, sexta prova do campeonato do mundo de motociclismo de velocidade, em 39.42,018 minutos, superando Baldassari por 184 milésimos de segundo.

No campeonato, Oliveira manteve o segundo posto com 98 pontos, mas reduziu para apenas 13 pontos a sua desvantagem para o comandante, o italiano Francesco Bagnaia (Kalex), hoje apenas quarto, logo atrás do espanhol Joan Mir (Kalex).

A prova prova do Mundial, o Grande Prémio da Catalunha, está agendo para 17 de junho.

Alfa/Lusa.

« Dizias que querias ser agricultora ou futebolista como Cristiano Ronaldo » (irmã de Maëlys no funeral).

Várias centenas de pessoas participaram neste sábado em La Tour-du-Pin, na região da Isère, nas cerimónias fúnebres de Maëlys de Araujo, nove meses depois do desaparecimento e homicídio da menina lusodescendente, cujo corpo foi encontrado em fevereiro passado.

Foi uma cerimónia digna e muito emotiva, segundo relata a imprensa francesa. Maëlys desapareceu a 27 de agosto do ano passado em Pont-de-Beauvoisin, a cerca de 20 quilómetros de La Tour-du-Pin, durante a festa de um casamento.

« As nossas vidas ficaram despedaçadas há nove meses (…) eu partilhei nove anos de felicidade contigo », afirmou a mãe de Maëlys, Jennifer Cleyet-Marrel, no início da celebração na igreja de La Tour-du-Pin, marcada por um clima de comoção e em que predominavam flores brancas.

« Ao longo destes nove meses «correram muitas lágrimas nas nossas caras », acrescentou a avó da lusodescendente.

« Gostavas de brincar, cheia de vida », disse  o pai, Joachim de Araújo, filho de emigrantes portugueses. « Ficam as lembranças, o teu lugar na mesa da família está lá », acrescentou.

Igualmente muito digna, Coline, irmã de Maëlys, disse-lhe: « adeus, amo-te, melhor irmã do mundo ». « Contigo sentia-me bem…. Dizias que querias ser agricultora ou futebolista como Cristiano Ronaldo, tive muita sorte em teres estado na minha vida », acrescentou a irmã.

(na foto, a mãe, a irmã e o pai de Maëlys de Araújo)

No centro da localidade francesa, os comerciantes colocaram balões brancos à entrada dos respetivos estabelecimentos, como um símbolo de « inocência », segundo descreveu a agência noticiosa francesa France Presse (AFP).

O misterioso desaparecimento da menina de 9 anos, no verão do ano passado, comoveu a sociedade francesa e a numerosa comunidade portuguesa de França

Os restos mortais de Maëlys de Araújo seriam só encontrados em fevereiro passado.

Na mesma altura, Nordahl Lelandais, um antigo militar de 35 anos que tinha sido detido logo após o desaparecimento, confessou que tinha matado « involuntariamente » a criança, com um violento golpe na cara.

Apesar de quase todos os restos mortais da criança terem sido encontrados em fevereiro, as causas exatas da morte ainda estão por determinar.

A cerimónia na igreja de La Tour-du-Pin, com um limite de 400 lugares reservados para a família e para os amigos mais próximos, foi transmitida num ecrã gigante colocado num pátio exterior nas imediações do edifício, onde cerca de 200 pessoas, incluindo jornalistas, permaneceram durante as exéquias.

Os pais do cabo Arthur Noyer, um jovem militar que Nordahl Lelandais também confessou ter matado, também estiveram presentes na cerimónia.

Após a cerimónia na igreja, o funeral foi apenas reservado à família.

Ao início da manhã, vários habitantes de La Tour-du-Pin, sozinhos ou em família, colocaram coroas com flores brancas nos degraus da igreja e assinaram o livro de condolências colocado no exterior do edifício.

Rádio Alfa – com imprensa francesa e agências

 

Portugal empata na Bélgica no segundo encontro de preparação.

A seleção portuguesa empatou hoje a zero em casa da Bélgica, em encontro de preparação entre duas equipas que vão estar no Mundial2018 de futebol, que se disputou em Bruxelas.

Depois do empate a dois em casa com a Tunísia, Portugal voltou a somar uma igualdade na preparação para o Mundial2018, que fecha na quinta-feira, frente à Argélia, no Estádio da Luz.

Na Rússia, a seleção portuguesa, campeã da Europa, estreia-se no Grupo B do torneio da Rússia frente à Espanha (15 junho), defrontando depois Marrocos (20) e o Irão (25).

A Bélgica está integrada no Grupo G, juntamente com Inglaterra, Panamá e Tunísia.

Alfa/Lusa.