A sua filha fala no julgamento. Primeira vítima dos atentados de há 6 anos em Paris foi o português Manuel Dias

Alfa

Atentados em Paris, há pouco menos de 6 anos. Sophie Dias vai testemunhar em memória do seu pai, primeira vítima mortal dos atentados conjugados que provocaram terror e pânico indiscretíveis em Paris, a 13 de novembro de 2015.

A filha de Manuel Colaço Dias falou ao jornal Le Parisien, com uma foto dela escondendo a cara. 

O emigrante português tinha 63 anos e dois filhos (um rapaz então com 28 anos e uma rapariga, a Sophie, com 30) e era motorista. Morreu nessa noite na primeira explosão junto ao Stade de France, em Saint-Denis, a norte da capital, junto ao « Periférico », a auto-estrada circular que envolve Paris. Tinha transportado três pessoas para assistirem ao jogo de futebol entre a França e a Alemanha, dessa noite, nesse estádio. No interior do recinto desportivo, repleto, estava o então Presidente, François Hollande, que foi rapidamente evacuado do local.

Na entrevista ao diário francês, Sophie diz: « É importante que toda a gente se lembre que estes atentados não atingiram apenas o Bataclan ». Vai testemunhar, por esse motivo, no julgamento que decorre, desde esta quarta-feira, no Palácio da Justiça de Paris.

Sophie Dias vai ser a porta-voz de uma família portuguesa, que caiu então repentinamente, na dor e no luto. O pai, natural do Alentejo, era emigrante em França desde há 45 anos.

Ensino do Português em França. Perspetivas. Entrevista com a coordenadora. E outros temas. Passagem de Nível, domingo, 12

« Passagem de nível » na Rádio Alfa. Domingo 12.  Das 12h às 14h

Os destaques: 

Ensino da Língua Portuguesa em França, balanço e perspectivas
Convidada:Adelaide Cristovão, Coordenadora do Ensino de Português (foto de abertura)

 

Rentrée política em Portugal e a diáspora
Convidado: Paulo Pisco, deputado socialista do Círculo da Europa

Estadia forçada e em condições deploráveis de uma professora portuguesa na Itália, vítima da COVID
Convidada: Sara Conceição, professora de Economia na região parisiense

-A Associação Cap Magellan lançou um apelo a candidaturas aos prémios da Noite de Gala na Mairie de Paris (dia 9 de Outubro). Enviar candidaturas até ao dia 19 de Setembro
Convidada: Luciana Gouveia, delegada-geral da Cap Magellan

-Na perspectiva do Encontro Nacional das Associações (dia 9 de Outubro) a CCPF lançou um inquérito relativo à grave situação provocada pelo confinamento e medidas sanitárias em França
Convidada: Marie-Hélène Euvrard, presidente da CCPF


Centenário do nascimento de Georges Brassens, homenagem do autor, compositor e
intérprete Dan Inger, dia 18 de Setembro na Maison des Arts, em Crosnes

-Dia 14 de Setembro, retomam os ateliers de canto polifónico alentejano em Paris 3
Convidado: Carlos Balbino, da Compagnie Rêves Lucides, organizadora da iniciativa

Apresentação e Coordenação: Artur Silva

Festas do Povo de Campo Maior candidatas a Património Cultural Imaterial da Humanidade

Candidatura das Festas do Povo de Campo Maior aceite pela UNESCO

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whatsapp sharing button A candidatura das Festas do Povo de Campo Maior (Portalegre) a Património Cultural Imaterial foi aceite pela UNESCO e vai ser analisada em dezembro, na 16.ª reunião do Comité do Património Mundial, no Sri Lanka.

A Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo explicou, em comunicado, que a candidatura, a “única” apresentada por Portugal, foi aceite pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e vai ser analisada entre os dias 13 e 18 de dezembro, em Colombo, no Sri Lanka.

As Festas do Povo de Campo Maior, no distrito de Portalegre, passaram, em dezembro de 2018, a estar inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial e o processo relativo à candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, está em curso desde 2015.

Tradição secular e realizadas pela última vez em 2015, estas festividades tradicionais são conhecidas por apresentarem dezenas de ruas, sobretudo localizadas no centro histórico, “engalanadas” com milhares de flores de papel, feitas pela população.

Promovidas pela Associação das Festas do Povo de Campo Maior, as festas na vila alentejana só se realizam quando a população quer e são reconhecidas internacionalmente pela sua originalidade e cariz popular, com os habitantes a prepararem, durante meses, a ornamentação das ruas.

Esta tradição, identitária do povo de Campo Maior, tem vindo a ser transmitida de geração em geração oralmente e de forma informal, com os mais velhos a ensinar os mais novos a elaboração das flores que ornamentam os espaços públicos da vila.

A candidatura, que recebeu agora a “luz verde” da UNESCO, foi desenvolvida pelo município, ERT do Alentejo e Ribatejo e pela Associação das Festas do Povo de Campo Maior:

No Sri Lanka, onde vão ser avaliadas “60 candidaturas” de bens e manifestações apresentadas por diferentes países, vai ser votada.

A ERT do Alentejo e Ribatejo sublinha ainda que, caso a candidatura seja aprovada em dezembro, este será o 6.º título da UNESCO a ser atribuído ao território do Alentejo e Ribatejo.

Já estão classificados pela UNESCO o Centro Histórico de Évora e as Fortificações Abaluartadas de Elvas, como Património Mundial da Humanidade.

Já como Património Cultural Imaterial, a UNESCO distinguiu o Cante Alentejano e o Figurado de Barro de Estremoz, no Alentejo, assim como a Falcoaria de Salvaterra de Magos, no Ribatejo, enquanto o Fabrico de Chocalhos, baseado na tradição artesanal de Alcáçovas, em Viana do Alentejo (Évora), consta do Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.

Nuno Mendes agradece ao Sporting e garante ser “mais um sportinguista”

O futebolista internacional português Nuno Mendes, que hoje se apresentou ao trabalho no Paris Saint-Germain, despediu-se do Sporting, a quem agradeceu, garantindo ser “mais um sportinguista a apoiar de fora”.

“Hoje foi muito difícil despedir-me daquela que foi a minha casa durante tantos anos. Agradeço a toda a estrutura que me ajudou a crescer e a tornar-me no profissional que sou hoje, devo-lhes muito”, escreveu o lateral esquerdo, numa publicação na rede social Instagram.

Mendes agradeceu aos que contribuíram para a sua carreira e a “todos os sportinguistas”, pelo carinho e ajuda que levou à conquista do campeonato, em 2020/21, mas também ao “crescimento como jogador e como pessoa”.

“Levo-vos a todos no meu coração. A partir de hoje serei mais um sportinguista a poiar de fora. Eu sou feito de Sporting”, acrescentou.

O jogador, de 19 anos, marcou pela primeira vez presença no centro de treinos do PSG, em Saint-Germain-en-Laye, onde foi recebido pelo técnico argentino Mauricio Pochettino e participou na sessão de treino juntamente com o compatriota e colega de seleção Danilo e também a ‘estrela’ Kylian Mbappé.

Nuno Mendes foi contratado pelo PSG, numa transação que envolve o empréstimo por parte do Sporting por sete milhões de euros e uma opção de compra no final da temporada de 40 milhões de euros.

No negócio ficou também definida a cedência do espanhol Pablo Sarabia por uma temporada aos ‘leões’, com o clube francês a assumir o pagamento do salário do jogador.

https://twitter.com/PSG_inside/status/1435941958225219586

Com Agência Lusa.

Portugal. Trabalhadores da francesa Saint-Gobain querem que Governo trave despedimento coletivo

Trabalhadores da Saint-Gobain querem que Governo trave despedimento coletivo

 

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Os trabalhadores da Saint-Gobain em Santa Iria da Azoia, Loures, vão pedir ao Governo para travar o despedimento coletivo dos 130 funcionários da fabrica, que é a única a produzir vidro para veículos em Portugal, disse fonte sindical.

« Vamos pedir a intervenção do Governo junto desta multinacional, para que impeça o encerramento da fábrica e defenda os interesses do país e o aparelho produtivo nacional », disse à agência Lusa Fátima Messias, coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM).

A sindicalista participou esta tarde na segunda reunião para discutir o despedimento coletivo que contou com a participação de um representante da Direção-Geral do Emprego e Relações de Trabalho (DGERT) e de representantes dos trabalhadores e da empresa.

« A reunião foi longa, mas não conclusiva », os representantes dos trabalhadores reafirmaram a rejeição do despedimento e pediram várias informações, nomeadamente um estudo sobre o impacto económico do encerramento da fábrica e os resultados líquidos da mesma entre 1996 e 2020.

« Precisamos desses dados antes da próxima reunião, no dia 21, porque achamos que nestes 24 anos a soma dos resultados desta unidade são altamente positivos em relação aos negativos invocados pela empresa para o encerramento », disse Fátima Messias.

Após a reunião, os representantes sindicais participaram num plenário de trabalhadores, em que estes reafirmaram a sua determinação em continuar a lutar contra o despedimento coletivo e o encerramento da fábrica.

« Os trabalhadores estão decididos a fazer tudo para manter a empresa e os seus postos de trabalho, por isso, estão há 13 dias concentrados junto à fábrica, fardados, disponíveis para retomar o trabalho de imediato », afirmou a sindicalista.

Na quinta-feira de manhã estes trabalhadores vão fazer um desfile e uma concentração no Largo de Camões, em Lisboa, junto ao Ministério da Economia, onde os seus representantes se vão reunir com o ministro Pedro Siza Vieira.

« O Governo tem o direito e o dever de intervir neste processo, pois se a fábrica encerrar, o vidro para os automóveis, comboios e autocarros, que ali é produzido, passará a ser importado, o que agravará o défice », considerou a coordenadora da FEVICCOM.

Para a próxima semana está prevista uma reunião idêntica com a ministra do Trabalho.

11 de Setembro: Reconstrução de Nova Iorque não sarou feridas emocionais dos residentes

11 de Setembro: Reconstrução de Nova Iorque não sarou feridas emocionais dos residentes

 

Alfa/Lusa
whatsapp sharing buttonA reconstrução do World Trade Center em Nova Iorque, ainda em andamento 20 anos depois do atentado terrorista de 11 de Setembro, não significou para os residentes ou trabalhadores uma reconciliação com o passado.

São muitos os nova-iorquinos que, mesmo sem familiares, amigos ou colegas entre os quase três mil mortos provocados pelo atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, passaram anos a evitar o local conhecido como “Ground Zero”, no Centro Mundial do Comércio (WTC, na sigla em inglês), que esteve sempre em constante reinvenção e reconstrução.

A cidade de Nova Iorque dedicou oito meses de trabalho incessante, com milhares de voluntários e trabalhadores, para limpar os escombros provocados pelo derrube das Torres Gémeas e 10 anos até inaugurar um museu e memorial dedicados ao 11 de Setembro. Vinte anos depois, a reconstrução no World Trade Center ainda continua.

“Muitos turistas querem ir ver [o local do atentado], mas como nova-iorquinos, a maior parte de nós não. Até certo ponto, é uma ferida em que não queremos tocar”, declarou Alan Fausel à agência Lusa.

Curador de arte, Fausel vive há várias décadas em Nova Jérsia, e faz uma viagem diária para o trabalho, em Nova Iorque. Só no ano passado foi, pela primeira vez, ao “Ground Zero”.

Alan Fausel trabalhava noutro lado da cidade, em Upper East Side, quando viu o desastre na televisão e não perdeu nenhuma pessoa próxima no 11 de Setembro. No entanto, com o fumo e destroços que se viam desde Nova Jérsia e com os ‘posters’ afixados por toda a cidade de Nova Iorque a procurar pessoas perdidas, as semanas e meses seguintes foram de “muito choque” para todos.

Ainda agora, o regresso ao World Trade Center “é realmente uma coisa muito emocional”, declarou, em entrevista à agência Lusa.

No início do milénio, a zona de Lower Manhattan, ou a baixa de Nova Iorque – mais precisamente toda a zona desde a rua 14 até ao rio – era um centro onde se entrelaçavam a economia e negócios da cidade, o governo local e demonstrações culturais.

Em 2001, o World Trade Center, um complexo com sete edifícios, albergava mais de 430 companhias e era o local de trabalho para cerca de 30 mil a 50 mil pessoas.

Atualmente, este entrelace de negócios, poder político e cultura foi reforçado e o WTC é visto como um lugar de “constante reinvenção”, segundo se lê no ‘website’ do edifício 3 WTC.

Ronald Nap, proveniente de Princess Anne, Maryland, visitou a cidade de Nova Iorque várias vezes nos anos 1990 e viu o World Trade Center intacto. Um ano após o ataque terrorista, Ronald regressou à cidade por razões profissionais e religiosas e ainda viu sinais da destruição de 2001.

“Era só buracos e destroços”, recordou, em entrevista à agência Lusa.

Do outro lado da rua das torres destruídas, encontra-se a St. Paul’s Chapel (Capela de São Paulo), que serviu como ponto de paragem e descanso para as equipas de resgate e se transformou num centro de voluntariado durante todo o processo de limpeza.

Em 2002, Ronald viu a Capela de São Paulo cheia de objetos, lembranças e mementos do desastre.

“Os assentos na igreja estavam cobertos com todo o tipo de notas das pessoas que fizeram parte dos esforços de resgate. Emocionou-me até às lágrimas”, disse Ronald Nap.

Em 2021, sentado num banco de cimento na praça do 11 de Setembro, data conhecida como 9/11 nos Estados Unidos, Ronald Nap diz-se agora “encantado” com “o desenvolvimento” que nota no World Trade Center.

O atual Centro Mundial do Comércio é formado por cinco prédios, inaugurados entre 2006 e 2018. Ainda estão por acabar dois edifícios, nomeadamente os números 2 e 5 do WTC, ao lado de um centro de artes performativas, o Ronald O. Perelman, que também está inacabado.

O edifício número 1 do WTC, aberto em 2014, é o prédio mais alto dos Estados Unidos, com uma altura de 541 metros, simbolizando a união e o reemergir depois dos destroços.

No lugar das antigas Torres Gémeas, que desapareceram no ataque terrorista de 11 de Setembro, que ceifou a vida a 2.753 pessoas só em Nova Iorque, foi criado o memorial e museu, com uma área de 32.375 metros quadrados.

Restaurantes, bares, capelas, parques e o centro comercial Oculus encontram-se a alguns minutos de distância do memorial, assim como a Bolsa de Valores de Nova Iorque, para além de outros marcos culturais e arquitetónicos.

Na opinião de Naomi Ibrahim, de 16 anos, a zona demonstra modernismo e ostenta a sua novidade. No entanto, o pai de Naomi não se rendeu às novas construções, porque, na sua opinião, causam uma sensação mais fraca do que a antiga ‘skyline’ (linha do horizonte).

“Ele não gosta muito da nova construção, porque não tem muito a ver com as antigas. (…) As Torres Gémeas eram icónicas. Os edifícios são bonitos, mas acho que não têm o mesmo efeito”, considerou Naomi à agência Lusa.

Várias estações de metropolitano estão à volta do “Ground Zero”, sendo a principal a Fulton Center, onde se encontram 12 linhas de metro.

O WTC é de fácil acessibilidade e comunicação para outras importantes partes da cidade, onde vivem 8,8 milhões de habitantes, como East Village, Williamsburg, Downtown Brooklyn, e ainda para Hoboken e Jersey City, no Estado vizinho de Nova Jérsia.

Carlos Queiroz é o novo selecionador de futebol do Egito

O treinador português Carlos Queiroz é o novo selecionador do Egito, sucedendo a Hossam El-Badry, nove meses após ter deixado o comando técnico da Colômbia, anunciou hoje a Federação Egípcia de Futebol nas redes sociais.

De acordo com a informação publicada na conta oficial do organismo federativo no Facebook, Carlos Queiroz, de 68 anos, deverá chegar ao Cairo durante o próximo fim de semana.

Carlos Queiroz, antigo selecionador português e campeão mundial sub-20 em 1989 e 1991, também com as seleções lusas daqueles escalões, tinha orientado antes da passagem pela Colômbia, a seleção do Irão, entre 2011 e 2019.

Com Agência Lusa.

Árbitro francês no Paços de Ferreira-Sporting de Braga, Luís Godinho em França

O jogo Paços de Ferreira-Sporting de Braga, da quinta jornada da I Liga, será dirigido por um árbitro francês, marcando a estreia do intercâmbio com o conselho de arbitragem francês, anunciou hoje a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Em comunicado, o Conselho de Arbitragem (CA) da FPF revelou a nomeação do francês Willy Delajod para arbitrar o encontro entre bracarenses e pacenses, liderando uma equipa de arbitragem francesa, com os assistentes Banjamin Pages e Phillippe Jeanne e o videoárbitro (VAR) Eric Wattelier.

A receção do Paços de Ferreira, oitavo classificado, com seis pontos, ao Sporting de Braga, quinto, com sete, está marcada para sábado, às 15:30.

Ainda no âmbito do intercâmbio entre os CA da FPF e da Federação Francesa de Futebol (FFF), o português Luís Godinho vai estrear-se no principal escalão do futebol gaulês, no domingo.

O árbitro da associação de Évora, de 35 anos, vai dirigir o encontro entre Bordéus e Lens, da quinta jornada da ‘Ligue 1’, tendo como assistentes Rui Teixeira e Bruno Jesus, como VAR Bruno Esteves e este como assistente (AVAR) Miguel Nogueira.

Em 19 de abril último, FPF e FFF anunciaram a ação, tendo em vista a aquisição de experiência internacional e a evolução do setor nos dois países.

Para o ‘clássico’ do fim de semana entre Sporting e Porto vai estar o árbitro Nuno Almeida  anunciou a FPF.

Nuno Almeida, de 46 anos, vai dirigir pela terceira vez um clássico entre ‘grandes’ do futebol português, depois de ter estado na final da Taça de Portugal de 2020/21, entre Sporting de Braga e Benfica, que os bracarenses venceram por 2-0.

O campeão Sporting e o vice-campeão FC Porto, que dividem o segundo lugar com o Estoril Praia, a dois pontos do líder Benfica, vão protagonizar o primeiro clássico da edição 2021/22 da I Liga de futebol, no sábado, a partir das 21:30 (Paris), no Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Com Agência Lusa.

Julgamento dos atentados de Paris « aguardado pelas vítimas » mas vai reavivar traumas – advogados

Julgamento dos atentados de Paris « aguardado pelas vítimas » mas vai reavivar traumas – advogados

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O processo que começa hoje no Palácio de Justiça de Paris é « muito aguardado » pelas vítimas, segundo advogados ouvidos pela agência Lusa, mas pode também ter um impacto negativo nas pessoas afetadas pelos atentados terroristas na capital francesa.

« Este processo é muito aguardado pelas vítimas. Foram seis longos anos de espera, o que é muito. Este processo vai permitir perceber melhor os eventos daquela noite, que tiraram a vida aos familiares dos meus clientes ou os transtornaram profundamente, alguns de forma irremediável », afirmou Samia Maktouf, advogada de cerca de 40 vítimas dos atentados terroristas em Paris e seus familiares, em declarações à Lusa.

Samia Maktouf é uma das advogadas mais conhecidas em França na defesa de vítimas de terrorismo, tendo já defendido as vítimas do atentado terrorista a uma escola judia em março de 2012, em Toulouse. Para esta penalista, o início do processo é um dos momentos mais difíceis para quem procura justiça neste tipo de casos.

« Quanto mais a data do início do processo se aproxima, mais as vítimas que eu represento se sentem mal. É um momento extremamente difícil. As pessoas estão apreensivas, é doloroso, há raiva, muitos sentimentos que se misturam. Quanto mais se aproxima a abertura deste processo, mais essa dor é revisitada e o trauma volta à superfície », declarou.

Estes sentimentos são confirmados por Philippe Pirard, coordenador da resposta aos acidentes, catástrofes e atentados no organismo público Santé Publique France, equivalente à Direção Geral de Saúde em Portugal.

« O processo pode permitir a algumas das vítimas compreender o que se passou. Noutros casos pode reavivar os sintomas e perturbações a que ficaram sujeitos após terem sido expostos a estes atentados », explicou o médico em respostas enviadas à Lusa.

Cerca de um ano após os atentados e novamente no final de 2020, o serviço de Philippe Pirard levou a cabo inquéritos com mais de 500 vítimas e cerca de 900 profissionais como polícias ou bombeiros que intervieram após os ataques do 13 de novembro.

Este estudo visou compreender « o impacto psicológico » dos atentados em todos que vivenciaram os ataques, tendo demonstrado que pelo menos 52% das vítimas diretas apresentavam um quadro de stress pós-traumático.

« Entre os familiares das vítimas mortais, cerca de 50% apresentavam um quadro similar e cerca de 25% das testemunhas também. Quanto aos profissionais que intervieram naquela noite, 9,5% dos polícias apresentam a mesma síndrome », indicou o médico.

A síndrome do stress pós-traumático é uma patologia crónica que aparece um mês após a vivência de um evento traumático e caracteriza-se por reviver o acontecimento através de pesadelos ou flash-back, perturbações de humor, desenvolvimento de estados neurovegetativos intensos como hipervigilância ou dificuldades de concentração.

Segundo Pilard, estes sintomas são muitas vezes acompanhados por doenças graves como adições ou depressão.

Para quem espera que este processo traga esclarecimentos a nível do que se passou naquela noite ou a motivação dos terroristas, Samia Maktouf não antevê qualquer avanço, mesmo se na sala de audiências estará Salah Abdeslam, o único terrorista que participou ativamente no atentado e sobreviveu.

« Nós somos realistas, eu preparei os meus clientes para que Abdeslam não diga nada e se mantenha em silêncio. Ou talvez, se intervier, será para inocentar os seus amigos », indicou.

Mais do que um esclarecimento cabal, este processo vai trazer paz para algumas das vítimas, mostrando todo o processo dos atentados, desde a sua preparação até ao julgamento.

« Para ser muito honesta, mesmo sendo uma otimista, não espero quaisquer esclarecimentos ou revelações importantes. Tudo o que quero é que as vítimas fiquem em paz. Esta paz não pode vir sem haver respostas, sem saber o que se passou e sem compreensão das circunstâncias que lhe roubaram os seus entes queridos », explicou.

Das cerca de 40 vítimas que representa, entre elas pessoas que estavam no Stade de France, Bataclan e também nos cafés atingidos no 11º bairro, apenas cerca de cinco clientes de Samia Maktouf vão falar na tribuna sobre o que viveram naquela noite. A advogada espera que a justiça vá para lá dos 20 acusados.

« O apoio não está à altura dos danos causados a estas pessoas. A França e a administração francesa não apoiaram estas pessoas como elas precisavam. Estas vítimas foram visadas, porque o alvo era a França, mas elas não têm qualquer apoio », defendeu.

Todas as pessoas que figuram na lista da Segurança Social francesa como vítimas de terrorismo têm possibilidade de ser acompanhadas nas unidades de traumatismo psiquiátrico, podendo avançar depois para um tratamento coberto a 100% pelas autoridades durante dois anos.

Em 2019, face aos sucessivos ataques em França, foram abertas mais 10 unidades de atendimento a vítimas deste tipo de traumatismo.

No entanto, o inquérito liderado por Philippe Pirard mostrou que um ano após o atentado, muitas vítimas não tinham procurado ajuda médica. Os dois inquéritos serviram também para informar as vítimas de como procurar ajuda.

« Certas pessoas podem não ter sentido necessidade de procurar logo ajuda após os atentados, mas podem vir a sentir meses mais tarde », indicou o médico.

Os dois estudos do organismo liderado por Philippe Pirard vão ser apresentados na audiência do julgamento, de modo a demonstrar o impacto do atentado e as próximas etapas na investigação deste tipo de traumas. O processo dos atentados de 13 de novembro vai durar pelo menos oito meses, devendo o veredicto ser conhecido em maio de 2022.

Mundial 2022. França vence Finlândia por 2-0

A seleção francesa venceu esta terça-feira a Finlândia por 2-0, em jogo da 6ª jornada do Grupo D da zona europeia de apuramento para o Campeonato do Mundo.

Antoine Griezmann, abriu aos 25 minutos o caminho para o triunfo dos ‘Bleus’ depois de dois empates consecutivos (Bósnia e Ucrânia).

Aos 53 minutos, numa partida que teve lugar em Lyon, Griezmann voltou a marcar, fixando o resultado final em 2-0.

No outro jogo, o Cazaquistão surpreendeu a Bósnia ao empatar em Zenica a dois golos.

O conjunto de Didier Deschamps lidera com 12 pontos em seis partidas, mais sete do que Ucrânia (5 jogos) e Finlândia (4 jogos).

A Bósnia tem agora três pontos apenas, tantos quanto o Cazaquistão, embora com menos um jogo realizado.

 

Foto. Le Parisien.