Covid-19: Número de mortes em Reguengos de Monsaraz sobe para 14 com mais dois óbitos
Alfa/Lusa
A morte de mais duas idosas, de 88 e 94 anos, utentes do lar de Reguengos de Monsaraz, elevou para 14 o número de óbitos relacionados com o surto de covid-19 neste concelho, revelou hoje a câmara.
No comunicado divulgado hoje, com a última atualização do boletim epidemiológico do concelho, a Câmara de Reguengos de Monsaraz (Évora) informou que as duas idosas se encontravam internadas no Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE).
A utente de 88 anos morreu na segunda-feira e a outra idosa, de 94 anos, faleceu “ao início do dia de hoje”, precisou a autarquia.
Novos filmes de Miguel Gomes e Cristèle Alves Meira apoiados pelo fundo Eurimages
Cristèle Alves Meira vive em Paris e tem raízes portuguesas entre Viana do Castelo e Trás-os-Montes, região à qual regressa várias vezes por ano para produzir azeite.
Alfa/Lusa
Os projetos cinematográficos “Selvajaria”, do português Miguel Gomes, e “Bruxa”, da luso-francesa Cristèle Alves Meira, vão receber, respetivamente, 310 mil e 180 mil euros, de apoio financeiro, do fundo Eurimages, criado pelo Conselho da Europa, foi hoje anunciado.
Este ano, o fundo financeiro Eurimages, criado em 1988, vai apoiar a produção de 20 filmes de ficção, um de animação e cinco documentários, num total de cerca de 6,1 milhões de euros, segundo o comunicado do Conselho da Europa hoje divulgado.
O Eurimages destinou 310 mil euros à coprodução luso-francesa “Selvajaria”, de Miguel Gomes, selecionado para um programa do Festival de Cinema de Locarno (Suíça), em agosto, criado na sequência da covid-19, e 180 mil euros à coprodução, repartida entre França, Portugal e Bélgica, de “Bruxa”, de Cristèle Alves Meira.
De acordo com o Conselho da Europa, este ano “52% dos projetos apoiados são realizados por mulheres, tendo sido destinados 2,5 milhões de euros a estes projetos, o que representa 41% do valor total”.
Devido às “dificuldades causadas pela pandemia da covid-19”, a equipa que gere o Eurimages decidiu aumentar a validade dos apoios de 12 para 20 meses, “desde a data da decisão do Conselho de Administração do Eurimages”.
“Selvajaria” é o novo filme de Miguel Gomes, com a produtora portuguesa O Som e a Fúria, numa coprodução com França, Brasil, China e Grécia, interrompida por causa da covid-19.
O filme é uma adaptação livre da obra literária brasileira “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, “dando conta da obscura guerra que teve lugar na Bahia no ano de 1897”, refere a produtora.
Com argumento de Mariana Ricardo, Maureen Fazendeiro, Miguel Gomes e Telmo Churro, “Selvajaria” sucede ao tríptico do realizador “As mil e uma noites” (2015).
“Selvajaria” foi selecionado para um programa do Festival de Cinema de Locarno (Suíça), em agosto, criado na sequência da covid-19.
O programa – intitulado “The Films After Tomorrow” (“Os Filmes Depois de Amanhã”) – pretende apoiar “realizadores que foram forçados a parar de trabalhar por causa da pandemia”, com um júri a atribuir prémios aos melhores projetos, num valor entre os 65 mil euros e os 46 mil euros.
“Bruxa” é a primeira longa-metragem de ficção de Cristèle Alves Meira, que vive em Paris e tem raízes portuguesas entre Viana do Castelo e Trás-os-Montes, região à qual regressa várias vezes por ano para produzir azeite.
França, covid. Motorista de autocarro em morte cerebral depois de agressões de passageiros: há versões diferentes sobre o motivo
ANDIA
Serviços regionais de Bayonne têm sido significativamente interrompidos porque os outros motoristas estão a recusar trabalhar depois deste incidente
Alfa/com Expresso
Cinco pessoas foram detidas depois de um motorista de um autocarro em Bayonne, no sul de França, a cerca de 800 quilómetros de Paris, ter sido espancado este domingo à noite. O funcionário está em morte cerebral, conta a BBC.
O autarca daquela cidade fala em “ato bárbaro” e fontes do sindicato, em declarações à rádio France Bleu, afirmaram que o motorista se terá insurgido contra alguns passageiros por tentarem levar a bordo um cão. Uma fonte policial contou uma história diferente à Agence France-Presse: o conflito terá acontecido depois de alguns passageiros entrarem no autocarro sem bilhete e sem máscaras, o que levou às agressões. As máscaras são obrigatórias nos transportes públicos em França.
A BBC conta que os serviços regionais daquela cidade têm sido significativamente interrompidos porque os outros motoristas estão a recusar trabalhar depois deste incidente.
Covid-19: Paulo Pisco considera que há « imagem errada » de Portugal em França
O deputado socialista eleito pelo círculo da Europa, Paulo Pisco, que esteve em França para uma visita de quatro dias à comunidade portuguesa, considera que « há uma imagem errada » sobre a situação sanitária em Portugal devido à pandemia de covid-19.
« Há uma imagem errada que está a passar em França em virtude de repetir de forma obsessiva notícias sobre Lisboa e sobre as condições sanitárias em Portugal. É importante que os portugueses e os franceses saibam que podem ir para Portugal », afirmou Paulo Pisco em declarações à agência Lusa.
O deputado fez a primeira deslocação a França desde o início da pandemia, tendo encontrado várias figuras-chave da comunidade e fazendo visitas a diferentes associações e instituições lusas na região parisiense.
A informação relativamente à situação da covid-19 em Portugal levou o deputado a ter de assegurar a diferentes interlocutores que é seguro passar férias no país.
« Existem alguns focos, nos limites de Lisboa. Mas há um controlo por parte das autoridades sanitárias e da proteção civil, até das forças de segurança, para que estes surtos sejam controlados », sublinhou o socialista.
Quanto à situação económica e social da comunidade, o deputado admitiu que possa piorar em setembro.
« Em termos económicos e sociais, a comunidade tem demonstrado alguma resiliência. (…) Em contrapartida, a generalidade dos empresários disse-me que temem que a partir de setembro comecem a surgir mais problemas », afirmou.
Quanto à situação das associações portuguesas em França, Paulo Pisco alertou que algumas podem mesmo vir « a fechar portas ».
« Algumas associações importantes têm estado fechadas e sem possibilidade de angariação de fundos. Pode dar-se o caso de algumas fecharem portas », avisou.
De forma a limitar as dificuldades das associações, Paulo Pisco indicou que vai fazer um diagnóstico da situação ao Governo português sobre os maiores problemas que enfrentam estas instituições.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de 535 mil mortos e infetou mais de 11,52 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 1.620 pessoas das 44.129 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
Covid-19: O economista e professor em SciencesPo, Pascal de Lima, analisa os diferentes cenários possíveis, otimistas ou pessimistas, de recuperação das economias na Europa.
O futebolista português Gelson Martins está autorizado a regressar em agosto, depois de ser revista a medida de congelar os castigos, o que o deixava apenas apto em novembro, devido a uma suspensão de seis meses.
“A suspensão de Gelson Martins terminará em 06 de agosto, o que permitirá ao jogador do Mónaco fazer parte do arranque do campeonato de França ‘Ligue 1’ 2020/21, cuja primeira jornada está prevista para o fim de semana de 22/23 de agosto”, referem os monegascos em comunicado na sua página oficial.
O clube explica ter recebido ao final do dia um ofício do Comité Nacional Olímpico e Desportivo francês (CNOSF), confirmando a reversão, num pedido de conciliação das medidas adotadas pela Federação Francesa de Futebol, que congelava entre 13 de março e 30 de junho todos os castigos.
Um cenário que deixava o internacional português numa situação muito difícil, depois de ter sido suspenso por seis meses em março, com retroativos a fevereiro, o que significava que apenas tinha cumprido um mês da sua suspensão e que a mesma só voltaria a contar em julho, ‘adiando’ o regresso para novembro.
O castigo foi imposto depois de o futebolista ver no início de fevereiro o cartão vermelho direto na derrota por 3-1 da sua equipa em Nimes, para a 22.ª jornada da Liga francesa, após ter empurrado por duas vezes o árbitro Mikael Lesage, em reação à expulsão do seu colega de equipa Bakayoko.
No dia seguinte, o extremo luso assumiu, através das redes sociais, ter tido uma “atitude irrefletida” e pediu desculpa ao árbitro, aos colegas de equipa e aos adeptos do Mónaco.
Gelson estava então a cumprir a segunda temporada ao serviço do Mónaco, pelo qual marcou quatro golos em 23 jogos.
Após o primeiro fim de semana de março, a Liga francesa, à semelhança de outras, suspendeu o campeonato devido à pandemia da covid-19 e, no final de abril, foi decidido dar por concluído o campeonato, sem que se realizassem mais jogos, ao contrário de Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália ou Alemanha, que retomaram as competições.
O Sporting empatou hoje 0-0 na visita ao Moreirense, no jogo de encerramento da 30.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, e viu o Sporting de Braga aproximar-se na luta pelo terceiro lugar.
Os ‘leões’, que vinham de quatro vitórias consecutivas, não conseguiram dar continuidade aos triunfos frente ao Moreirense, que jogou com menos um elemento desde os 51 minutos, após a expulsão de Halliche.
Com este empate, o Sporting está em terceiro, com 56 pontos, mais três que o Sporting de Braga, que venceu nesta jornada o Desportivo das Aves e aproximou-se dos ‘leões’, enquanto o Moreirense, que não perde há quatro jogos, está em oitavo, com 39 pontos.
Resultados da 30ª jornada da I Liga de futebol:
– Sexta-feira, 03 jul:
Santa Clara – Marítimo, 0-1 (0-0)
– Sábado, 04 jul:
Vitória de Setúbal – Paços de Ferreira, 2-3 (2-0)
Portimonense – Vitória de Guimarães, 0-1 (0-0)
Benfica – Boavista, 3-1 (3-0)
Sporting de Braga – Desportivo das Aves, 4-0 (0-0)
– Domingo, 05 jul:
Gil Vicente – Rio Ave, 1-0 (1-0)
Tondela – Famalicão, 0-1 (0-0)
FC Porto – Belenenses SAD, 5-0 (1-0)
– Segunda-feira, 06 jul:
Moreirense – Sporting, 0-0
Programa da 31ª jornada (hora de Paris):
– Quarta-feira, 8 jul:
Boavista – Marítimo, 20:00
Desportivo das Aves – Vitória de Setúbal, 22:15
– Quinta-feira, 9 jul:
Rio Ave – Portimonense, 18:00
Tondela – FC Porto, 20:15
Famalicão – Benfica, 22:30
– Sexta-feira, 10 jul:
Vitória de Guimarães – Gil Vicente, 18:00
Sporting – Santa Clara, 20:15
Paços de Ferreira – Sporting de Braga, 22:30
– Sábado, 11 jul:
Belenenses SAD – Moreirense, 20:15 (Cidade do Futebol)
Um Governo de “união e missão” com poucas surpresas, para levar Macron até às presidenciais. Mas tem uma ministra nascida em Cabo Verde
Jean Castex tomou posse como primeiro-ministro de França a 3 de julho de 2020
THOMAS COEX/GETTY IMAGES
Macron quer agarrar as rédeas da governação nesta segunda metade do seu mandato presidencial, mas o novo primeiro-ministro não pretende ser uma marioneta. Da equipa governativa, anunciada esta segunda-feira, faz parte uma ministra lusófona
O Executivo de Castex inclui outra novidade, esta “lusófona” – Elisabeth Moreno, empresária de 49 anos, nascida em Cabo Verde, foi nomeada ministra da Igualdade entre Homens e Mulheres e da Diversidade.
Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro
A escolha do Presidente francês para primeiro-ministro surpreendeu o país, pois Jean Castex era quase desconhecido nos meios políticos de Paris. Não quer ser um chefe de Governo “sob tutela” nem um “simples colaborador” do chefe do Estado, mas Emmanuel Macron já lhe disse quem manda.
O Executivo de Castex, anunciado esta segunda-feira, apresenta poucas novidades, salvo a saída do polémico Christophe Castaner da pasta do Interior. Mantêm-se os pilares do Governo anterior, designadamente Bruno le Maire na Economia, Olivier Véran na Saúde, Gérald Darmanin no Interior (vindo do Orçamento, naquela que é uma das principais mexidas) ou Jean-Michel Blanquer na Educação. Jean-Yves le Drien continua ministro dos Negócios Estrangeiros.
O Executivo de Castex inclui outra novidade, esta “lusófona” – Elisabeth Moreno, empresária de 49 anos, nascida em Cabo Verde, foi nomeada ministra da Igualdade entre Homens e Mulheres e da Diversidade.
O Presidente, que se zangou com o anterior primeiro-ministro, Édouard Philippe (daí o afastamento deste), pretende relançar a segunda metade do seu mandato no Eliseu e chegar nas melhores condições possíveis às presidenciais de 2022. Vai fazê-lo com um Governo que mantém uma certa continuidade e com Castex, militante da direita e amigo do antigo Presidente Nicolas Sarkozy, que gosta de “andar e decidir depressa”, segundo quem com ele trabalhou no pequeno município rural de Prades, na Gasconha.
FALAS TU OU FALO EU?
Macron quer um “novo caminho”, mas já fez saber distintamente ao chefe do Governo que é ele quem manda (em França o chefe de Estado preside ao Conselho de Ministros e tem poderes executivos na Defesa e Política Externa, naquele que é um semipresidencialismo bem mais presidencialista do que o que vigora em Portugal).
Diversos analistas perguntam se Castex não será um primeiro-ministro sob tutela. Teve, por exemplo, de adiar para o próximo dia 15 um anunciado discurso de política geral no Parlamento, porque o Presidente lhe fez saber que poderia falar, sim, mas apenas depois de ele próprio fazer a sua tradicional comunicação ao país no dia nacional de França, a 14 de julho.
Uma das primeiras e principais tarefas de Castex será tentar pacificar o grupo parlamentar do partido A República em Marcha (LREM), de Macron, que está muito dividido e sofreu recentemente uma dissidência que obriga o Governo a procurar constituir maiorias fazendo alianças com os centristas. “O novo Governo será de missão e união”, prometeu Macron.
Foram anunciadas duas dezenas de ministros (os secretários de Estado serão designados dentro de dias) e a ideia geral é trabalhar com um Governo integrado numa certa “mudança na continuidade”. Macron pediu a Castex para andar depressa, porque as consequências da crise sanitária poderão ser catastróficas para a economia e conduzir a revoltas que, como no passado, nunca são pacíficas em França.
Na comunicação social, alguns comentadores dizem prever uma rentrée política e social muito agitada e espinhosa para o poder em setembro/outubro. Sindicalistas referiram o mesmo ao Expresso. Laurent Berger, líder da forte central sindical moderada CFDT, pede “uma lógica do diálogo”. Analistas como Marc Landré, do jornal “Le Figaro”, preveem um fim de verão e início de outono “apocalíptico”.
DO SENHOR DESCONFINAMENTO AO SENHOR RETOMA
Numa entrevista ao “Journal du Dimanche”, domingo, Castex, conhecido por ser o “homem do desconfinamento” que dirigiu a saída da França da quarentena quase geral em esteve mergulhada desde março, disse que “o plano de relançamento da economia deve ser finalizado”.
Mas garantiu igualmente que vai avançar com o projeto de reformas que tinha sido preparado pelo seu antecessor e que arrisca pôr de novo os franceses a baterem-se nas ruas com a polícia, como é seu hábito – designadamente os projetos da revisão do sistema de pagamento das reformas dos pensionistas e a do seguro do desemprego.
Castex fala em coerência, continuidade e desejo de dialogar com os parceiros sociais. Estes parecem esperar para ver e estão desconfiados porque o novo governante acrescentou nessa primeira entrevista que “tudo vai ser reexaminado e adaptado às novas circunstâncias dolorosas” provocadas pela crise sanitária.
“Por exemplo, a crise agravou duramente os défices dos nossos regimes de segurança social e é indispensável chegar a acordo com os parceiros sociais a curto prazo”, explicou. Ele próprio sabe que este dossiê é explosivo. “Será possível um acordo rápido? É o meu desejo, quero agir depressa.”
Édouard Phillippe (à esquerda) sai por desentendimentos com Macron; Jean Castex quer ser autónomo do Presidente mas é escolhido sobretudo para favorecer a reeleição deste último em 2022
PIERRE SUU/GETTY IMAGES
PRIMEIRO A GRIPE DAS AVES, DEPOIS O CORONAVÍRUS
Uma das principais surpresas do novo Executivo é a saída de Castaner do Interior (era contestado pela polícia e pelos “coletes amarelos”) e a nomeação de Barbara Pompili, figura importante da ecologia, para um importante Ministério do Ambiente.
Qualificado por quem o conhece como calmo, simpático, caloroso e trabalhador, Castex é próximo de Sarkozy, de quem chegou a ser, já no fim do mandato deste último, secretário-geral adjunto do Eliseu. Foi um dos postos mais altos que ocupou nas áreas do poder, em Paris, a par de dois cargos de responsabilidade nos domínios da saúde e do trabalho, como diretor de gabinete de Xavier Bertrand, outro homem da direita de quem se diz ser um provável candidato presidencial.
Foi com Bertrand que Castex delineou um plano, na altura considerado eficaz, para combater o vírus H5N1 (gripe das aves). Ganhou aí galões de “homem dos dossiês complexos” e por isso foi escolhido recentemente por Édouard Philippe como “Senhor Desconfinamento”, para coordenar a saída gradual e faseada do país do confinamento ditado pela pandemia de covid-19, que paralisou e ainda ataca duramente a República Francesa.
DIREITA E ESQUERDA PREOCUPADAS
O novo primeiro-ministro é do partido de direita, Os Republicanos (criado por Sarkozy), tal como era o se antecessor. Nenhum dos dois aderiu ao liberal A República em Marcha (LREM) de Macron, que perdeu com estrondo as recentes autárquicas. Castex suspendeu a militância em Os Republicanos ao ser nomeado chefe do Governo, como fizera Philippe.
Durante as suas passagens pelos ministérios da Saúde e do Trabalho, Castex manteve contactos com os sindicatos, que o consideram um homem aberto com quem “se pode discutir”. O diálogo com o mesmo homem na pele de chefe do Governo poderá ser muito menos pacífico.
Foi também apoiante de François Fillon, o antigo primeiro-ministro que hoje poderia estar no lugar de Macron se não tivessem sido revelados escândalos que o impediram de chegar ao Eliseu. Na semana passada foi condenado a prisão efetiva por ter criado emprego fictício para a sua mulher, pago do erário público. Fillon anunciou que vai recorrer da sentença.
Macron escolheu Castex para relançar a última fase do seu mandato e melhorar as perspetivas de reeleição. Os amigos de Castex, sobretudo Xavier Bertrand, apreciam-no. “Tem qualidades como servidor do Estado que serão indispensáveis nos momentos difíceis que vamos conhecer…. Que possam corrigir as más escolhas do Presidente da República”, escreveu Bertrand nas redes sociais.
Valérie Pécresse, presidente da região de Paris e igualmente figura de proa da direita, também elogiou o primeiro-ministro, felicitando-o pela nomeação. Disse-lhe que o país necessita de mais “autoridade e firmeza” nas decisões.
A nomeação de Castex inquieta a direita (por ser uma baixa em tempo de vacas magras – este sector acaba de alcançar resultados muito sofríveis nas autárquicas ganhas pelos ecologistas) e não agrada à esquerda, onde alguns até o apreciam. Manteve contactos estreitos com autarcas esquerdistas durante a aplicação do plano de desconfinamento do país que, até agora, tem dado resultados positivos.
Sobre o novo cargo, escreveu Castex numa carta que enviou aos seus eleitores de Prades, onde é presidente da Câmara reeleito no passado dia 28 de junho: “Meço a imensidão das tarefas que me esperam”.
O novo Governo francês de Jean Castex inclui uma novidade “lusófona” – Elisabeth Moreno, empresária de 49 anos, nascida em Cabo Verde, que foi nomeada ministra da Igualdade entre homens e mulheres e da diversidade.
No novo Governo continuam alguns pilares do anterior, designadamente Bruno le Maire na Economia, Olivier Véran na Saúde, Gérald Darmanin, que passa do Orçamento para o Interior (esta é umas principais novidades, o polémico Christophe Castaner saíu) ou Jean-Michel Blanquer, na Educação. Jean-Yves le Drien continua ministro dos Negócios Estrangeiros. Barbara Pompili, figura de proa da ecologia francesa, também vai dirigir um importante ministério do ambiente.
Nous utilisons des cookies pour vous garantir la meilleure expérience sur notre site web. Si vous continuez à utiliser ce site, nous supposerons que vous en êtes satisfait.