ITALIANOS AVANÇAM QUE JUVENTUS JÁ DEFINIU VALOR PARA VENDER RONALDO

Não serão inocentes as recentes declarações de Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, a demonstrar admiração por Cristiano Ronaldo. Terá sido a primeira operação de charme dos parisienses tendo em vista o sonho de contratar o internacional português.

 

Gazzetta Dello Sport desta quinta-feira dá conta de que o emblema francês pondera mesmo tentar avançar para esta contratação e a Juventus já terá estabelecido um valor para que tal seja possível: entre 60 a 70 milhões de euros, depois de em 2018 ter pago 115 ao Real Madrid pelo português.

 

Ainda assim, o jornal italiano não deixa de reforçar que, para já, a vontade do avançado passa por continuar em Turim, onde pretende conquistar mais uma Liga dos Campeões e também igualar as Bolas de Ouro (6) de Lionel Messi. A especulação adensa-se e o valor acima referido é aquele que os dirigentes da Velha Senhora terão em mente para abrirem mão de CR7 num futuro próximo.

 

Alfa/abola.

Retoma a « meio gás » no aeroporto de Lisboa – inclui Paris, Londres, Genebra e outros destinos(partidas e chegadas)

Confirmado no aeroporto de Lisboa pela Rádio Alfa.

Retoma a meio gás da atividade aérea no aeroporto de Lisboa, incluindo voos de e para Paris, Genebra, Londres e outros destinos, incluindo cidades de Amesterdão, Luanda e do Brasil ….  Contacte a sua companhia ou agência de viagens.

O aeroporto tem à sua disposição máscaras e líquidos para purificar as mãos.

informe-se na net (https://www.aeroportolisboa.pt/pt/lis/voos-e-destinos/encontrar-voos/chegadas-em-tempo-real):  Informação de chegadas e partidas – Saiba os voos  em tempo real. Informe-se.

PARTIDAS

 

Covid-19: mais 14 mortes e 252 casos em Portugal (1.277 mortos e 29.912 infetados)

Portugal/Covid. Mais 14 mortes e 252 casos em Portugal, recuperados estagnam

Informação oficial:

Covid-19: Portugal com 1.277 mortos e 29.912 infetados

Covid-19: Portugal com 1.277 mortos e 29.912 infetados

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Informação oficial: Portugal regista hoje 1.277 mortes relacionadas com a covid-19, mais 14 do que na quarta-feira, e 29.912 infetados, mais 252, segundo o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção-Geral da Saúde.

Em comparação com os dados de quarta-feira, em que se registavam 1.263 mortos, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 1,1%.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (29.912), os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) revelam que há mais 252 casos do que na quarta-feira (29.660), representando uma subida de 0,8%.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (717), seguida da região de Lisboa e Vale do Tejo (297), do Centro (232), do Algarve (15), dos Açores (15) e do Alentejo, que regista um óbito, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de quarta-feira, mantendo-se a Região Autónoma da Madeira sem registo de óbitos.

Oficial/Lusitanos St Maur. Adérito Moreira regressa a ‘casa’

Adérito Moreira é o novo ‘Manager’ geral dos Lusitanos de St Maur.

O antigo jogador e treinador do clube regressa assim a uma casa que conhece bem.

Leia o comunicado oficial do clube da comunidade portuguesa de paris.

 

 

Só salvando postos de trabalho e ajudando os mais necessitados se pode acreditar no futuro. Opinião

Covid-19.

É preciso acreditar no futuro, mas só apoiando empresas em crise, salvando a todo o custo postos de trabalho e ajudando os mais necessitados se consegue ter alguma esperança no futuro.

Ouça aqui a última crónica de Daniel Ribeiro:

 

©CARLOS BARROSO/EPA/MAXPPP –

Ouça também, neste sábado, 23: Espaço Aberto Programa Solidariedade/Covid-19. Vamos apoiar quem mais precisa

Espaço Aberto Especial: sábado 23 de maio entre as 11h00 e as 12h00, com apresentação de Manuel Pinto Lopes e Francisco Francisco. Participação de diversos convidados (leia mais sobre este programa nesta página radioalfa.net)

 

 

Covid-19: Governo português elogia proposta franco-alemã

Covid-19: Proposta franco-alemã coloca fundo da UE perto da bazuca – Santos Silva

Covid-19: Proposta franco-alemã coloca fundo da UE perto da bazuca – Santos Silva

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Alfa/Lusa
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A proposta franco-alemã para o fundo de recuperação coloca a resposta europeia à crise “perto da bazuca”, considerou hoje Augusto Santos Silva, sublinhando que, a ser aprovada, ela eleva o valor global além do bilião de euros.

“Se esta proposta vencer estaremos perto” da bazuca, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, utilizando a expressão usada pelo primeiro-ministro, António Costa, que disse ser necessário saber se a União Europeia (UE) vai disponibilizar “uma fisga ou uma bazuca”, para saber “o poder de fogo” do plano de resposta à crise provocada pela pandemia de covid-19.

Recordando que o objetivo é um montante global da ordem de um bilião, Santos Silva, entrevistado para o podcast do PS « Política com Palavra », frisou que o plano franco-alemão, no valor de 500 mil milhões de euros, se junta, se for aprovado, ao pacote de 540 mil milhões de euros do Eurogrupo, ultrapassando o bilião de euros (um milhão de milhões).

Augusto Santos Silva frisou que a decisão ainda não está tomada, porque o plano tem de ser aprovado por consenso no Conselho Europeu, mas admite que ter a Alemanha do lado dos que defendem “uma resposta europeia que não deixe cada país sozinho”, “faz a diferença” e acrescenta “capacidade de persuasão no Conselho Europeu para chegar à unanimidade”.

“O facto de a Alemanha ter endossado esta proposta é muito importante, não para Portugal, Itália, Espanha ou França, é muito importante para o conjunto da União Europeia”, disse.

As reservas dos chamados países “frugais” – Áustria, Holanda, Dinamarca e Suécia – a um plano de recuperação assente em subsídios ou financiado pela emissão comum de dívida, como prevê o plano franco-alemão, devem-se, segundo o ministro, a “miopia económica”, ou “a incapacidade de olhar a uma certa distância”.

Santos Silva defendeu a necessidade de “olhar com cuidado” para as previsões económicas da Comissão Europeia, que anteveem “uma pancada brutal” na economia europeia em 2020, mas também uma “recuperação económica imediata” nos dois anos seguintes.

“Se reparar, [as previsões] são mais ou menos equivalentes para todos os Estados-membros. A Suécia, a Holanda, a Alemanha, têm previsões de queda do produto iguais ou superiores às de Portugal e, portanto, esta é uma crise que nos toca a todos”, salientou.

Noutro passo, e questionado sobre o impacto da pandemia na presidência portuguesa da UE, no primeiro semestre de 2021, o ministro afirmou que a questão se coloca sobretudo do ponto de vista logístico.

“Estamos neste momento a trabalhar com um plano A, um plano B um plano C”, disse.

O plano A, dependente de não haver uma segunda vaga e as condições de mobilidade estarem adquiridas, passa por reuniões informais “distribuídas pelo território português, uma cimeira informal dos líderes no Porto e a sede da presidência aqui no Centro Cultural de Belém”.

O plano B, numa situação de mobilidade um pouco mais reduzida, implica a redução do número das reuniões presenciais e o recurso a reuniões, por exemplo, por videoconferência, e o C, o pior dos cenários, com uma mobilidade suspensa, em que “o essencial da logística” assentará na dimensão digital.

“Mas, qualquer que seja o plano que do ponto de vista logístico venha a efetivar-se, do ponto de vista político a presidência portuguesa vai ser, como as anteriores, abrangente, bem sucedida e um contributo positivo para a integração europeia”, disse.

Comissão Política do PS reune-se em clima de crise económica e de polémica nas presidenciais

Comissão Política do PS reune-se em clima de crise económica e de polémica nas presidenciais

Comissão Política do PS reune-se em clima de crise económica e de polémica nas presidenciais

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Alfa/Lusa
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A Comissão Política do PS volta hoje a reunir-se numa conjuntura em que o país entrou em crise económica por causa da covid-19 e em que se instalou nos socialistas uma polémica em torno das eleições presidenciais.

« Nós não vamos enfrentar, nós já estamos a enfrentar uma crise económica e social », declarou o primeiro-ministro, António Costa, na quarta-feira, no parlamento, corrigindo o sentido de uma intervenção antes feita pelo deputado socialista Miguel Costa Matos.

Ao contrário do habitual, por causa da covid-19, a reunião da Comissão Política Nacional do PS, com hora de início prevista para as 21:00, terá lugar não na sede nacional deste partido, no Largo do Rato, mas num espaço pertencente ao Centro de Esquerda, também em Lisboa, por dispor de uma sala que permite um maior distanciamento entre os membros deste órgão dos socialistas.

Também pela primeira vez numa reunião da Comissão Política do PS, a intervenção inicial do secretário-geral, António Costa, será aberta à comunicação social.

A questão das presidenciais dentro do PS foi desencadeada na semana passada por António Costa, na qualidade de primeiro-ministro, durante uma visita que fez à fábrica da Autoeuropa, em Palmela, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Num breve discurso, António Costa disse que contava voltar à fábrica de Palmela com Marcelo Rebelo de Sousa no primeiro trimestre do próximo ano, dando assim como quase certa a recandidatura e a reeleição do atual chefe de Estado.

A ex-eurodeputada socialista Ana Gomes condenou estas palavras do seu secretário-geral, afirmando que « o PS não é o partido do Costa » e que « a democracia não está suspensa no PS. Ana Gomes insurgiu-se ainda contra a ideia de o presidente deste partido, Carlos César, pretender adiar o congresso nacional para uma data posterior às eleições para Presidente da República.

Na SIC, no domingo, Ana Gomes classificou como « gravíssima » a situação criada por António Costa, disse que iria refletir numa sua eventual candidatura à Presidente da República e defendeu a tese de que o PS deverá ter um candidato a Belém.

Em declarações à agência Lusa, na terça-feira, o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, afirmou que « as declarações inaceitáveis » de Ana Gomes mereceram o repúdio da direção deste partido.

Antes da Comissão da Comissão Política do PS, reúne-se no mesmo espaço do Centro de Esquerda, na rua Filipe Néri, pelas 19:30, o Secretariado Nacional do PS, o órgão de direção executiva dos socialistas.

Na ordem de trabalhos da Comissão Política do PS, está a análise da situação política e do processo eleitoral interno, ou seja, o adiamento dos congressos federativos e nacional, assim como das eleições diretas para o cargo de secretário-geral, em virtude da pandemia de covid-19.

As novas datas para a realização dos congressos federativo e nacional, assim como para a eleição direta do secretário-geral deste partido, têm de ser aprovadas em Comissão Nacional, que é o órgão máximo dos socialistas entre congressos.

A Comissão Política Nacional do PS tem 71 membros efetivos, sem contar com dezenas de elementos que ali têm assento por inerência, mas esta reunião de quinta-feira será simultaneamente « em versão presencial e por meios telemáticos, o que permitirá reduzir o número de presenças físicas ».

Segundo o PS, por causa da covid-19, nas reuniões do Secretariado e da Comissão Política será « garantido um distanciamento mínimo de dois metros entre os participantes, correspondendo às normas fixadas » pela Direção Geral da Saúde.

« Os participantes presenciais terão de utilizar máscara sempre que se encontrem a menor distância do que a fixada, nomeadamente à entrada e saída da reunião. Será disponibilizado gel alcoólico para desinfeção das mãos a todos os participantes presenciais », acrescenta-se num comunicado do PS.

O Ocidente face ao Coronavírus 2: arrogância e decadência. Opinião, Cristina Semblano

OPINIÃO 

O Ocidente face ao Coronavírus 2: arrogância e decadência

O contexto é apenas um: o de Estados que confinaram os cidadãos a larga escala – com excepção dos das “actividades essenciais para a economia”, que enviaram para o labor de mãos nuas, expondo-os a uma contaminação certa e a uma morte provável – por que se despojaram dos meios necessários para os proteger.

Enquanto os mortos da pandemia se contam aos milhares por dia nos países ocidentais e, nomeadamente, na Europa e nos Estados Unidos, comentadores e medias mainstream entretêm-nos dias afora com as mentiras da China que demorou tempo a revelar o novo vírus (o que é certamente verdade), favorecendo a sua propagação. Os mesmos entretêm-nos com o problema dos números falsos comunicados pela China e, cereja no topo do bolo, falam-nos, com ou sem reportagens a corroborá-lo, no autoritarismo do regime para combater a epidemia.

Não sendo, de forma alguma, defensora do regime chinês – ​como, aliás, de qualquer regime autoritário –, não deixo, todavia, de interpretar esta avalanche de comentários e análises dos responsáveis das nossas democracias liberais como uma tentativa para esconder a sua própria incúria, não só face à antecipação de uma situação deste tipo, perfeitamente previsível – não fora o  SARS-CoV-1 na China em 2002-2004 [1], o MERS-CoV [2] na Península Arábica em 2012, e os alertas regulares dos epidemiologistas –, mas também à sua gestão, caótica, irresponsável e opaca.

Em vez de nos preocuparmos com o atraso do governo chinês em comunicar sobre a pandemia (há tempo para, em seu tempo, o fazer), deveríamos interrogar-nos sobre as razões pelas quais, tendo esta sido declarada em finais de Dezembro, na China, não nos antecipámos para lhe fazer frente, chegando ao cúmulo de sustentar – como a então ministra francesa da Saúde, Agnès Buzyn, em 23 de Janeiro – que o risco de propagação do vírus em França era quase nulo, já que as autoridades chinesas o estavam a conter em Wuhan…

Para além da falta de antecipação dos riscos de pandemia – em geral – e desta – uma vez declarada – em particular, haveria que olhar com modéstia para o que estava a ser feito na China – berço da pandemia – e nos países limítrofes – Coreia do Sul, Taiwan, Singapura… – para a conter, e a jugular. É que os chineses são, com os sauditas, os grandes especialistas mundiais de coronavírus, por um lado; por outro, tinham um relativo avanço em relação a nós, pelo que a China nos poderia ter servido, de alguma forma, de laboratório…

Mas uma tal postura era impossível de assumir. O Ocidente desenvolvido revelou-se – com a rara excepção, na Europa, da mercantilista e predadora Alemanha [3] – “sub-desenvolvido” para fazer face à crise sanitária, com um défice abissal do mínimo sindical em matéria de máscaras, luvas, batas, toucas, testes, respiradores e profissionais de saúde, resultado de décadas de destruição dos serviços públicos da saúde, da gestão de hospitais como empresas privadas e da globalização que, em nome da competitividade, delegou para países terceiros investigação e produção científica e fabrico de bens essenciais à soberania sanitária.

Perante um vírus intrusivo, a quem se abriu de par em par as portas principais de entrada – como se de um hóspede de honra se tratasse –, com as mãos cheias de nada para proteger as populações, e fazendo assentar este vazio criminal numa vulgata científica adaptada às circunstâncias – o uso de máscara é desaconselhável na ausência de contaminação, a prática de testes a larga escala pode ser contraprodutiva… –, os governantes dos nossos países viram-se, em última instância, acossados ao confinamento dos cidadãos – em detrimento da actividade económica que sempre privilegiaram, contrariamente, afinal,  à produtivista China [4] –, expondo-se ao risco de uma potencial explosão de ocorrências no fim do período de isolamento.

Indispensável para conter o risco de revolta iminente das populações, o confinamento destas últimas – sem equivalente na história da Humanidade e sem nenhuma outra justificação que não seja a falta de meios para adoptar as boas práticas – vai constituir um poderoso instrumento nas mãos dos poderes políticos neoliberais, permitindo-lhes mudar a responsabilidade de campo, ou seja, transpô-la do plano colectivo (político), onde efectivamente se encontra, para o plano individual, segundo o princípio basilar do neoliberalismo. Cada cidadão é doravante responsável pelo que lhe vier a acontecer, com a agravante de que poderá também vir a ser responsável, com a sua atitude, pelo que vier a acontecer aos outros.

De culpado e criminoso, o Estado tornou-se zeloso e protector da população, não hesitando em fazer uso do seu arsenal preventivo-repressivo para chamar à ordem ou sancionar os cidadãos prevaricadores, desde os drones a sobrevoar os céus de Itália, Espanha ou França, para lembrar à população as instruções governamentais decorrentes dos estados de emergência entretanto adoptados, até à aplicação de coimas e penas de prisão a cidadãos “culpados de irem apanhar ar”. O Inimigo mudou de campo. Deixou de ser o Estado austeritário que cortou na saúde para dar às multinacionais e à finança, a sua impreparação e gestão criminosas, mas o Outro, o que sai à rua, vizinho, familiar ou desconhecido.

O processo de inversão da responsabilidade, do campo político para o individual, foi acompanhado pela estratégia do medo, que a própria adopção do estado de confinamento, se bem que parcial e tardia, contribuiu para forjar – como é que governos que sempre privilegiaram o Deus-mercado passaram a privilegiar os humanos? –, mas que foi cientemente ampliada e instrumentalizada, através, nomeadamente, das conhecidas encenações das conferências de imprensa a contar o número de mortos e de sobreviventes, de infectados e de suspeitos, de camas e de ventiladores, e a responsabilizar os comportamentos individuais de forma, não só infantilizante, como, sobretudo, descontextualizada.

Com efeito,  o contexto é apenas um: o de Estados que confinaram os cidadãos a larga escala – com excepção dos das “actividades essenciais para a economia”, que enviaram para o labor de mãos nuas, expondo-os a uma contaminação certa e a uma morte provável – por que se despojaram dos meios necessários para os proteger. É esta causalidade que a inversão do campo da responsabilidade quis romper, e é ela que não deve falhar na análise, quando os mesmos Estados vierem apresentar aos trabalhadores que confinaram compulsivamente, e aos outros, reformados, desempregados e demais precários, a factura do confinamento.

Resta saber se a estratégia do medo que acompanhou este último resultará. Mas o que se sabe, para já, é que milhões de pessoas, anestesiadas, se barricaram, sem revolta aparente, oferecendo ao espectro dos poderes políticos uma experiência em tamanho natural da predisposição à submissão voluntária. Ao romper as cadeias da causalidade, e reduzidos à vida nua (Agamben) [5] num cenário em que o medo do vírus parece ter mutado em vírus do medo, os livres cidadãos das nossas democracias liberais parecem mais predispostos do que nunca a aceitar a perpetuação dos estados de emergência e o confisco duradouro da Vida.

É que, como no-lo lembra Agamben, o que é preocupante não é tanto, ou, sobretudo, o presente, é o que virá a seguir. “Tal como as guerras que deixaram em herança à paz uma série de tecnologias nefastas, do arame farpado às centrais nucleares, também é provável que, após a urgência sanitária, os governos sejam tentados a levar a cabo experiências que ainda não tinham conseguido concretizar antes: fechar universidades e escolas, dispensar aulas através de plataformas, pôr um termo definitivo aos encontros e às discussões políticas ou culturais, limitar os intercâmbios a mensagens electrónicas e, sempre que puderem, substituírem por máquinas o contacto – o contágio – entre os seres humanos.” [6] Será necessário acrescentar: e proceder ao seu rastreio digital, que a Europa e os Estados Unidos estão a organizar, à imagem da autoritária China?

[1] Acrónimo inglês de Several Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 1 (Síndrome Respiratório Agudo Severo); o que designamos por coronavírus 2, no título, ou a OMS por covid-19, tem como nome científico SARS-CoV-2.

[2] Acrónimo em inglês de Middle East respiratory syndrome-related coronavirus, ou Síndrome Respiratório do Médio Oriente.

[3] Com efeito, se a Alemanha, que confinou mais tarde e desconfinou mais cedo,  fica, de muito longe, melhor na fotografia da gestão da crise sanitária, com menos de 8000 mortos (7861) em 13 de  de Maio, contra cerca de 31.000 na Itália (31.106), 27.000 em França (27.074) e em Espanha (27.321), é, em grande parte, porque goza da  vantagem  sanitária e industrial que lhe advém de mecanismos europeus concebidos para ela: os do mercado único e da moeda única, que vieram ancorar-se numa indústria previamente (e por razões históricas) mais desenvolvida e, por conseguinte, mais atractiva para os capitais produtivos, o que, juntamente com a mão-de-obra barata do seu Hinterland da Europa de Leste, se traduzem numa indústria poderosa e competitiva. Quanto à margem de manobra orçamental que permite à Alemanha gastar sem olhar para a despesa para fazer face à crise sanitária, se ela se deve igualmente ao sub-investimento crónico da Alemanha, tal sub-investimento não afectou o sector da saúde, devido – como no-lo explica o historiador Johann Chapoutot (entrevista a Médiapart, 24.04.2020) – à pressão de um eleitorado de direita composto de reformados detentores de pensões privadas (fundos de pensões) adepto do défice zero, mas não em detrimento da (sua) saúde.

[4] Com efeito, se é verdade que a China tentou, no início, censurar a divulgação do vírus, também não é menos verdade que a partir de meados de Janeiro adoptou medidas drásticas de contenção da epidemia, que levaram à paralisia quase total da actividade económica.

[5] Por “vida nua” entendemos, como o filósofo italiano Giorgio Agamben (Homo sacer, volume I, O poder soberano e a vida nua, 1997), a politização da vida natural, que é o fundamento do poder soberano e da sua manutenção, ou seja, a constituição de uma vida que não é apenas natural, mas considerada na sua relação com o poder e mantida através deste. Para Agamben, a vida nua é o ponto de ancoragem do poder, ou seja, o que torna possível o seu exercício. A soberania não se exerce sobre sujeitos de direito, mas sobre a vida nua, ou seja, sobre uma vida que se encontra exposta à violência do poder soberano, e que é o fundamento deste poder. A vida nua resulta de uma decisão soberana que a qualifica e lhe determina o valor.

Covid-19. Segunda vaga na Europa vem aí: « Só falta saber quando e que dimensão terá »

Segunda vaga na Europa vem aí: « Só falta saber quando e que dimensão terá »

A diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) afirma que o novo coronavírus não desaparecerá tão cedo e irá ter novo pico. Teme que haja já um relaxamento imprudente nas medidas de distanciamento social.

Uma segunda vaga de Covid-19 na Europa é praticamente certa, diz a diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC). « A questão é saber quando e que dimensão terá, na minha perspetiva », afirmou Andrea Ammon, em declarações ao jornal inglês « The Guardian ».

A responsável europeia diz que é preciso realismo e não deve haver facilitismos. « Observando as características do vírus e vendo o que emerge dos diferentes países em termos de imunidade populacional – que não é empolgante, está entre 2% e 14%, que deixa ainda 85% a 90% da população suscetível – o vírus está em nosso redor, circulando muito mais do que em janeiro e fevereiro. Não quero traçar um retrato de dia do juízo final, mas acho que temos de ser realistas. Agora não é o momento de relaxar completamente », justificou.

A médica, ex-consultora do governo alemão, que dirige o ECDC desde 2017 refere que « uma segunda vaga desastrosa não é inevitável se as pessoas seguirem as regras e mantiverem o distanciamento »,

Contudo, Ammon, cujo trabalho no ECDC passa por detetar precocemente qualquer aumento de infeções e examinar as consequências, aponta que vê já menos determinação no cumprimento das regras pela população. « Especialmente agora quando se vê as infeções diminuírem, as pessoas pensam que acabou. O que não é definitivamente verdade. »

« Estamos a ver um certo desgaste nas pessoas », diz, apontando há a pressão da « parte económica das pequenas e médias empresas », mas também a « experiência das pessoas não poderem exercer todas as liberdades que normalmente possuem: ir aonde gostariam, estar com quem querem. E essa é uma mudança fundamental no nosso modo de vida normal ».

Questionada se os dados já evidenciam alguma tendência de novo pico, Andrea Ammon deu uma resposta cautelosa. « Ainda não. Talvez isso nunca aconteça, talvez todo o ajustamento das medidas seja feito de forma prudente. Isso é o que estamos a monitorizar de perto: o que está a acontecer agora depois de todas as medidas tomadas. »

Até esta quarta-feira, 158.134 pessoas morreram de Covid-19 na UE e no Reino Unido, Noruega, Liechtenstein e Islândia, de acordo com dados do ECDC para os países que a agência monitoriza. Neste espaço europeu, um total de 1.324.183 casos de infeção foram registados.

Foi a 26 de janeiro que o ECDC alertou os governos sobre o vírus que alastrava em Wuhan, na China, e ameaçava na Lombardia, no norte de Itália. Os governos « subestimaram, na minha opinião, a velocidade do contágio ». Aponta também que o regresso dos turistas das férias de esqui alpino na primeira semana de março foi um momento crucial na propagação de Covid-19 na Europa, a partir dos Alpes, na Itália e na Áustria. « São locais perfeitos para um vírus assim. Tenho certeza de que isso contribuiu para a ampla disseminação na Europa. »

As férias em 2020 nunca poderão ser iguais às do passado, avisa. É preciso manter as distâncias, a higiene. Andrea Ammon diz que a batalha contra o coronavírus será um longo caminho. « Não sei se é para sempre, mas acho que não desaparecerá muito rapidamente. Parece estar muito bem adaptado aos humanos. »

In – DN.

Gravações inéditas de Amália Rodrigues em Paris editadas no centenário da fadista

Gravações inéditas de Amália Rodrigues em Paris editadas no centenário da fadista

Gravações inéditas de Amália Rodrigues em Paris editadas no centenário da fadista

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Alfa/Lusa
Gravações inéditas ao vivo de Amália Rodrigues em Paris serão editadas em julho, quando passarem cem anos sobre o nascimento da fadista, no âmbito do projeto de edição da sua discografia completa, liderado pelo musicólogo Frederico Santiago.

O investigador disse à Lusa que a edição da caixa com cinco CD está prevista para 23 de julho, data do aniversário oficial de Amália.

Apenas o material de um CD é já conhecido. Trata-se da gravação do espetáculo no Olympia, em 1956, remasterizado a partir das bobinas originais. O restante material, entre 1957 e 1965, inclui gravações ao vivo e em estúdio na Rádio France, dois espetáculos completos, novamente no Olympia, em 1967 e em 1975, e ainda uma atuação para emigrantes portugueses em 1964, « um exemplo de como Amália não só atuava nas grandes salas como, muitas vezes graciosamente, cantava para associações de portugueses », disse Frederico Santiago à Lusa.

Apesar das longas digressões que já tinha feito, desde os anos 1940, pelo Brasil, Estados Unidos ou pelo México, e das atuações na Europa nos espetáculos do Plano Marshall, em 1950, Paris ou, mais concretamente, o Olympia foram, na opinião de Santiago, fulcrais para a carreira de Amália, que em várias entrevistas se referiu à capital francesa como a rampa de lançamento do seu prestígio internacional. « De Paris parti para o mundo », afirmou a fadista numa das entrevistas que deu.

« Foi o triunfo parisiense, em 1956, que fez o mundo de então reconhecer em Amália uma das maiores cantoras do século », disse Frederico Santiago.

« O êxito foi estrondoso. No final da primeira série de apresentações foi imediatamente convidada para o espetáculo seguinte, proeza inédita no Olympia », e, « passados oito meses, em janeiro, voltou como ‘vedeta principal' », afirmou.

Nesta altura, em 1956, « a magia é puramente musical e pessoal ». « Não havia portugueses na sala » da rue des Capucînes, e praticamente ninguém entendia o português. É por isso comovente, no espetáculo de 1975, « ouvir pela primeira vez esses mesmos emigrantes misturados no público do Olympia ».

Entre os temas que se encontram nestas gravações, Santiago referiu o « Fado Madragoa » (José Galhardo/Raul Ferrão), e o fado « Sempre que Lisboa Canta » (Aníbal Nazaré/Carlos Rocha), que Amália não voltou a gravar, e também o « Fado do 31 » (Pereira Coelho/Alves Coelho), um dos extras do recital de 1975, bem como « uma extraordinária interpretação do ‘Cansaço’, de Luís Macedo e Joaquim Campos ».

Nas sucessivas digressões a Paris, Amália foi acompanhada por diferentes músicos: nos primeiros anos, Domingos Camarinha, na guitarra portuguesa e Santos Moreira, na viola; entre 1962 e 1965, Domingos Camarinha e Castro Mota; em 1967, pelo Conjunto de Guitarras de Raul Nery e, em 1975, por Fontes Rocha e Carlos Gonçalves, na guitarra portuguesa, Francisco Perez Andión ‘Paquito’, na viola, e Joel Pina, na viola baixo.

A edição da Valentim de Carvalho conta ainda com um ‘booklet’ com textos de Frederico Santigo e Jorge Muchagato, e com uma detalhada cronologia das presenças de Amália na capital francesa, desde 1949 até 1999, quando foi foi homenageada na Cinemateca Francesa, sem esquecer a primeira atuação no Olympia, em abril de 1956, num espetáculo de despedida de Josephine Baker.

Amália voltou várias muitas noites ao Olympia, até ao final da sua carreira, tendo sido a artista estrangeira que mais vezes cantou neste palco, « conquistando ao mesmo tempo outras salas da capital francesa », recorda o investigador. « Mas nunca esse patamar de vedetismo lhe subirá à cabeça », conclui.