Crónica de segunda, 18.
« Convite a um exemplar desconfinamento artístico, mas em Portugal ». Em França é impossível, mesmo no dia dos museus.
Ouça aqui a última crónica de João Pinharanda, historiador de Arte, diretor do Instituto Camões em Paris :

Desinfeção a fundo no restaurante Mauritânia Grill, em Leça da Palmeira (Porto)FOTO RUI DUARTE SILVA
Alfa/Expresso (Parcial) Por CONCEIÇÃO ANTUNES, HUGO FRANCO E MARGARIDA CARDOSO
A última refeição na Taskinha do Pão Mole, em Cascais, foi um cozido à portuguesa servido por Gabriela Fitas aos clientes na véspera de ter sido decretado o primeiro estado de emergência, a 18 de março. Quase dois meses depois, a empresária decidiu entregar as chaves do estabelecimento ao senhorio e já não vai abrir mais as portas. “Temos capacidade para 32 pessoas e com metade dos lugares não me sustentaria. Além disso, vivíamos dos almoços de grupos e havia muita rotatividade de clientes. Tudo isso é agora impossível com as desinfeções entre cada refeição. Os restaurantes pequenos não vão ter hipóteses de sobreviver com as novas regras”, vaticina.
Sem direito a receber o subsídio de desemprego, aos 57 anos a empresária foi obrigada a ir viver com os pais, no Alentejo. “Tive de despedir as empregadas e fiquei com algumas dívidas a fornecedores e tenho contas da luz e da água por pagar.” A mágoa em abandonar o negócio com sete anos é quase palpável. “Isto é o que mais gosto de fazer na vida.”
Os dados de um inquérito da principal associação de hotelaria e restauração (AHRESP) revelam que 27% destas empresas ponderam avançar para a insolvência por não terem capacidade para enfrentar as limitações impostas pelas autoridades de saúde. E a esmagadora maioria dos donos dos restaurantes que vão reabrir nesta segunda fase do desconfinamento (88%) garante que o negócio só sobreviverá com a ajuda do Governo. “Prevejo que 40% a 50% dos restaurantes vão desaparecer até ao fim do ano: entre os que não reabrem de vez e os que abrem as portas e que depois vão ser obrigados a encerrar quando se aperceberem que não têm clientes”, argumenta José Avillez.
O conhecido empresário e chefe de cozinha confidencia ao Expresso que deverá fechar 20% dos seus restaurantes. “Tenho de me concentrar nos projetos e nos postos de trabalho que vou conseguir salvar.” A abertura está agendada para 1 de junho, nesta fase só o Bairro do Avillez.
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“A situação das tripulações retidas em navios-cruzeiro, ao largo dos Estados Unidos e México, está a ser acompanhada de forma muito próxima pela rede diplomática, no sentido de garantir o desembarque das tripulações”, afirmou Berta Nunes, numa declaração enviada à agência Lusa.
O desembarque encontra-se, no entanto “impedido pelas normas sanitárias e de segurança em vigor naqueles países”, acrescentou.
O caso passa-se com a tripulação de vários navios da companhia Seabourn, que ficaram retidos ao largo do México e dos Estados Unidos no âmbito das medidas de segurança aplicadas para conter a pandemia da covid-19.
A Lusa tentou contactar alguns dos portugueses que estão num dos navios, mas, até ao momento, foi impossível estabelecer ligação.
No entanto, um desses portugueses enviou um e-mail, explicando estar ancorado na baía de Porto Vallarta, no México, a bordo do Koningsdam.
“Não tenho a certeza de quantos portugueses temos a bordo, considerando que temos membros da tripulação de oito navios diferentes e mais de 70 nacionalidades”, refere, adiantando que têm sido cumpridas todas as regras necessárias para o desembarque.
Cumprimos a “distância social, usamos uma máscara facial em todos os momentos numa área pública, [estamos em] cabine individual, [os] horários de refeições [são] de meia hora [e] para um certo número limitado de pessoas, [cumprimos a] higienização obrigatória de mãos e a verificação de temperatura duas vezes por dia”, garantiu.
Referindo que já ultrapassaram os 75 dias em autoisolamento, o português garante que não foi registado a bordo nenhum caso de infeção pelo coronavírus que provoca a covid-19.
“Estamos todos saudáveis e em boa forma e, portanto, não entendemos qual a razão que leva todos os países a que chegamos a recusar o nosso pedido de desembarque” e “a oportunidade de regressar aos nossos países”, lamenta, acrescentando não entender também o tratamento de governos e políticos.
A edição de hoje do Jornal de Notícias adianta estarem 14 portugueses no navio, além de outros tripulantes de diferentes nacionalidades.
A embarcação começou o seu percurso em Miami, nos Estados Unidos, com o objetivo de passar por todos continentes.
“Entretanto, após algumas paragens, alguns portos começaram a proibir-nos a entrada. No Sri Lanka, por exemplo, só conseguimos receber provisões. Fizemos então uma travessia de 18 dias, sem parar, até a Austrália porque nenhum porto antes disso nos deixou desembarcar. Até porque a seguir ao Sri Lanka era a Ásia”, contou uma das portuguesas a bordo, Joana Ferreira, ao JN.
Segundo a mesma fonte, os hóspedes conseguiram desembarcar a 18 de março, quando chegaram à Austrália, mas a tripulação manteve-se a bordo, até porque se pensava que a pandemia seria “algo temporário”.
Seguiram depois viagem até ao Havai, Los Angeles e, por fim, México, onde foi sempre negado o desembarque de qualquer elemento da tripulação que não fosse originário do país.
A 28 de abril, a tripulação, já em isolamento, foi transferida para um segundo navio, que acolhe tripulações de outros barcos da mesma companhia, com a justificação de que “supostamente seria mais fácil ir para casa”, lembrou.
Na declaração hoje enviada à Lusa, a secretária de Estado das Comunidades assegurou que “a rede diplomática tem feito diligências, em conjunto com outros países com nacionais retidos a bordo, tanto junto das empresas, como das autoridades norte-americanas e mexicanas”.
O objetivo das diligências é, segundo Berta Nunes, procurar que, “no diálogo com empresas e autoridades locais, os cidadãos nacionais possam ser autorizados a desembarcar o mais rapidamente possível”.
“No que respeita ao navio Konigsdam, com 12 nacionais a bordo, entre quase duas centenas de tripulantes europeus, prosseguem diligências para que seja autorizado o desembarque pelas autoridades locais e federais do México”, concluiu.
A notícia é dada pelo Expresso que indica que um prédio em Dafundo e um dos projetos de Leça da Palmeira avançam já em outubro. O terceiro, também em Leça, virá depois.
Estes projetos de três edifícios integrarão 299 apartamentos e alguns avançam ainda em tempo de pandemia.
« A promotora imobiliária francesa Nexity, que saiu de Portugal em 2008, decidiu regressar ao país e prepara-se para aplicar, numa primeira fase de investimento, €68 milhões em habitação em Leça da Palmeira, no Grande Porto, e no Dafundo, na Grande Lisboa », escreve o jornal.
“A Nexity veio em 2000 e ficou com um terreno em Lisboa onde construiu o Amoreiras Plaza, que depois vendeu. Nessa altura, o objetivo era ficar à procura de projetos comerciais, só que em 2008 houve questões com os licenciamentos e, depois, a crise financeira internacional. Em 2018 percebeu que havia falta de casas para a classe média, fez um plano de negócio de longo prazo e eu comecei a trabalhar em maio desse ano, a construir a equipa que, neste momento, tem 12 pessoas”, conta ao Expresso o diretor-geral da Nexity em Portugal, Fernando Vasco Costa.
(…)
Os preços das casas dos dois primeiros projetos já estão definidos. No Dafundo oscilarão “entre 150 mil a 1 milhão de euros” e em Leça “haverá T2 a partir de 195 mil euros e T3 desde 260 mil euros”. Já as vendas deverão ser lançadas em setembro deste ano.
A empresa francesa anuncia novos projetos fututos na área da habitação e escritórios no valor de 160 milhões de euros, anuncia o Espresso.
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Do total de vítimas mortais causadas pelo vírus, 17.412 foram registadas em unidades hospitalares e 10 213 ocorreram em lares de idosos e centros para pessoas que, por motivos de saúde ou incapacidade, necessitam de prestação de cuidados constantes.
Atualmente há 19.432 pessoas hospitalizadas em França devido à vovid-19, 2.132 das quais estão internadas nos cuidados intensivos.
A França é atualmente o quarto país no mundo com mais mortos devido ao vírus, a seguir aos Estados Unidos (87.493 mortos), Reino Unido (34.466 mortos) e Itália (31.763 mortos).
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 307 mil mortos e infetou mais de 4,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.
“Este deverá ser o último estado de emergência e estará ativo até ao final do desconfinamento”, que deve durar até fim de junho, afirmou durante um discurso transmitido na televisão.
O estado de emergência em Espanha já foi prolongado quatro vezes, sendo que o atual deveria terminar em 24 de maio.
Decretado em 14 de março, esta exceção à normalidade permitiu ao Governo recuperar o controlo de poderes num país altamente descentralizado e limitar a circulação de pessoas, tendo sido considerado um dos mais rigorosos confinamentos do mundo.
Esta quinta extensão do prazo terá de ser aprovada pelo congresso dos deputados, onde o partido do Governo está em minoria e onde a oposição de direita recusou votar o prolongamento anterior.
A Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia da covid-19 no mundo, com mais de 27.000 mortes, lançou na segunda-feira passada o levantamento progressivo das restrições associadas ao coronavírus em metade do país.
Com o acordo dado pelo Governo para aliviar as restrições em novas províncias na próxima segunda-feira, cerca de 70% dos espanhóis terão iniciado o desconfinamento na próxima semana.
A primeira fase do processo prevê, em particular, a reabertura das esplanadas de bares e restaurantes, bem como a autorização de reuniões familiares ou de amigos até 10 pessoas.
A região de Madrid, assim como grande parte da região de Castela e Leão e a cidade de Barcelona vão ser mantidas sob confinamento, embora mais flexível, podendo as pequenas lojas e serviços de comércio começar a retomar a atividade.
Sanchez voltou a pedir aos espanhóis que encarem o desconfinamento “com a maior cautela”, sublinhando que “o risco ainda existe” e que “o vírus não se foi embora, [pelo que] a sua ameaça é real”.
Segundo o relatório do Ministério espanhol da Saúde, hoje publicado, o país registou 102 mortes em 24 horas causadas pela covid-19, o número mais baixo dos últimos dois meses, mas que eleva o total de vítimas mortais para 27.563.
Foram registados 539 novos casos de infetados pelo novo coronavírus, um número bastante próximo do contabilizado na sexta-feira (549 casos).
Desde que foi detetada na China, em dezembro passado, a pandemia da covid-19 já provocou mais de 304 mil mortos e infetou perto de 4,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço da agência de notícias AFP.
Informação oficial:
Em comparação com os dados de sexta-feira, em que se registavam 1.190 mortos, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 1%.
Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (28.810), os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) revelam que há mais 227 casos do que na sexta-feira (28.583), representando uma subida de 0,8%.
A região Norte é a que regista o maior número de mortos (684), seguida da região de Lisboa e Vale do Tejo (267), do Centro (221), do Algarve (15), dos Açores (15) e do Alentejo, que regista um caso, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de quinta-feira, mantendo-se a Região Autónoma da Madeira sem registo de óbitos.