Covid-19: FC Seoul pede desculpa por colocar bonecas sexuais a simular adeptos

O clube de futebol sul-coreano FC Seoul pediu hoje desculpa por ter colocado bonecas sexuais nas bancadas no jogo de domingo, em substituição dos adeptos, que decorreu à porta fechada devido à covid-19.

As bonecas foram colocadas sentadas nos lugares dos espetadores, com máscara, e ‘assistiram’ à vitória por 1-0 do FC Seoul na receção ao Gwangju FC, para a segunda jornada da liga sul-coreana, com um golo de Han Chan-Hee, aos 67 minutos

“Lamentamos ter criado uma situação desconfortável para os nossos adeptos. Garantimos que as bonecas não tinham nada a ver com brinquedos sexuais”, refere o clube em comunicado, após os adeptos se terem insurgido contra a iniciativa.

O clube refere que a empresa responsável pelas bonecas, distribuídas pelas bancadas de acordo com as regras de distanciamento social, assegurou que eram manequins sem qualquer conotação sexual, mas o facto é que ostentavam cartazes com publicidade a sítios porno.

O FC Seoul referiu que era sua intenção adicionar um elemento de diversão e incentivo sem qualquer conteúdo erótico, neste período difícil de pandemia, mas durante a transmissão foram chegando perguntas relacionadas com o facto de os manequins parecerem bonecas sexuais.

As bonecas mantinham a distância de segurança adequada nas bancadas, usavam máscara de proteção e as roupas oficiais do clube e mantinham os braços levantados simulando fazer ondas ou carregando sinais de encorajamento para a equipa.

Alguns dos cartazes que as bonecas apresentavam, ainda de acordo com um ‘tweet’ na rede social do clube, faziam referência, em um tamanho de letra menor, a sítios na Internet com transmissão ao vivo de conteúdos de cariz sexual.

O clube sul-coreano admitiu que esse erro é injustificável e foi devido à falta de atenção por parte de toda a equipa responsável ao conteúdo dos cartazes.

O FC Seoul, que terminada a segunda jornada segue na sexta posição da Liga K1 com três pontos, conclui a sua declaração com a promessa de « tomar medidas para evitar que esse mal-entendido ocorra novamente no futuro ».

A liga sul-coreana começou em 8 de maio com jogos à porta fechada e um calendário reduzido, após o seu início ter sido adiado por mais de dois meses devido ao coronavírus, cuja estabilização no país asiático permitiu retomar as competições desportivas.

Após a declaração de pandemia, em 11 de março, as competições desportivas de quase todas as modalidades foram disputadas sem público, adiadas – Jogos Olímpicos Tóquio2020, Euro2020 e Copa América -, suspensas, nos casos dos campeonatos nacionais e provas internacionais, ou mesmo canceladas.

Os campeonatos de futebol de França, Países Baixos e Bélgica foram cancelados, enquanto outros países preparam o regresso à competição, com fortes restrições, como sucede em Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal, que tem o reinício da I Liga previsto para 04 de junho, depois de a Liga alemã ter sido retomada no sábado.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 315.000 mortos e infetou mais de 4,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,7 milhões de doentes foram considerados curados.

Alfa/Lusa.

Morreu o ator francês Michel Piccoli, um dos protagonistas do cinema de Manoel de Oliveira

O ator francês Michel Piccoli, protagonista, entre outros, de “Vou para casa”, de Manoel de Oliveira, morreu na semana passada, aos 94 anos, avançou hoje a Agência France Presse (AFP).

O ator, a quem a agência de notícias francesa chama “monumento do cinema francês”, morreu “em 12 de maio nos braços da mulher, Ludivine, e dos seus filhos Inord e Missia, após um derrame cerebral”, refere a família de Michel Piccoli, num comunicado citado pela AFP.

 Revelado em “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard, filme no qual forma um casal com a atriz Brigitte Bardot, Michel Piccoli participou em mais de 150 filmes.

Da vasta filmografia de Michel Piccoli fazem parte obras do realizador português Manoel de Oliveira, como “Vou para casa”, “Party” e “Belle Toujours”.

Dois deles foram produzidos por Paulo Branco (« Party » e « Vou para Casa »), à semelhança de « Genealogias de um Crime » e « Aquele Dia », de Raúl Ruiz, a que se sucederam « Linhas de Wellington » e a série televisiva « Linhas de Torres Vedras », de Valeria Sarmiento, um dos seus derradeiros trabalhos, à semelhança de « Vocês ainda Não Viram Nada », de Alain Resnais, e « O Gosto dos Mirtilos », de Thomas De Thier, onde teve o seu derradeiro desempenho, no cinema.

Piccoli é também o protagonista de « Temos Papa », de Nanni Moretti, o ator de « Bela de Dia”, « O Fantasma da Liberdade » e “O Charme Discreto da Burguesia”, de Luis Buñuel, “A Grande Farra”, de Marco Ferreri, « A Bela Impertinente », de Jacques Rivette, « Má Raça », de Leos Carax, « As Coisas da Vida », de Claude Sautet, « Topázio », de Alfred Hitchcock, trabalhou com realizadores como Claude Chabrol, Jacques Demy, Jacques Doillon, Jacques Rozier, numa carreira que se estendeu por quase 70 anos e mais de 200 filmes

Além de ator, Michel Piccoli foi também realizador, de obras como “E então” (1997), “La plage noir” (2001) e « C’est pas tout à fait la vie dont j’avais rêvé » (2005), produzidos por Paulo Branco.

Na década de 1970 foi igualmente produtor de filmes que interpretou, como “Os Barões da Medicina”, de Jacques Rouffio, “Geração Estagnada”, de Bertrand Tavernier, e “Violência Selvagem”, de Francis Girod.

Michel Piccoli nasceu em Paris, em 27 de dezembro de 1925, numa família de músicos. O pai, Henri Piccoli, era violinista e, a mãe, Marcelle Experto-Bezançon, pianista.

O jornal francês Le Monde lembra que Michel Piccoli descobriu o teatro aos nove anos, quando vivia em Compiègne, cidade a norte de Paris. Terá sido aí que se estreou num palco.

A estreia no cinema aconteceu mais tarde, em 1945, em “Sortilèges”, de Christian-Jacque.

Quatro vezes nomeado aos César, os prémios franceses de cinema, nunca foi recompensado pela Academia.

Em 2013, a Cinemateca Francesa homenageou-o com um ciclo de 60 filmes, que atravessou quase todo o cinema francês.

 

Alfa/Lusa.

PM Costa admite verão sem bares e discotecas. Covid-19: mais 13 mortos em 24h

Expresso: PM Costa toma pequeno-almoço em café e diz que “não é essencial estar em casa”; depois, em entrevista à TSF, recusa austeridade, admite verão sem bares e discotecas e fala em retoma a dois anos. Portugal registava ontem 1.218 mortes relacionadas com a covid-19, mais 13 do que no sábado, e 29.036 infetados, mais 226.

Informação oficial  (Hoje): Covid-19: Portugal com 1.231 mortos e 29.209 infetados

Covid-19: Portugal com 1.231 mortos e 29.209 infetados

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Portugal regista hoje 1.231 mortes relacionadas com a covid-19, mais 13 do que no domingo, e 29.209 infetados, mais 173, segundo o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção Geral da Saúde.

Em comparação com os dados de domingo, em que se registavam 1.218 mortos, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 1,1%.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (29.209), os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) revelam que há mais 173 casos do que no domingo (29.036), representando uma subida de 0,6%.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (698), seguida da região de Lisboa e Vale do Tejo (279), do Centro (223), do Algarve (15), dos Açores (15) e do Alentejo, que regista um caso, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de domingo, mantendo-se a Região Autónoma da Madeira sem registo de óbitos.

Segundo os dados da Direção-Geral da Saúde, 633 vítimas mortais são mulheres e 598 são homens.

Das mortes registadas, 824 tinham mais de 80 anos, 242 tinham entre os 70 e os 79 anos, 111 tinham entre os 60 e 69 anos, 40 entre 50 e 59, 13 entre os 40 e os 49 e um dos doentes tinha entre 20 e 29 anos.

A caracterização clínica dos casos confirmados indica que 628 doentes estão internados em hospitais, menos 29 do que no domingo (-4,4%), e 105 estão em Unidades de Cuidados Intensivos, menos três (-2,8%).

A recuperar em casa estão 20.920 pessoas.

Os dados da DGS precisam que o concelho de Lisboa é o que regista o maior número de casos de infeção pelo novo coronavírus (1.962), seguido por Vila Nova de Gaia (1.485), Porto (1.318) Matosinhos (1.236), Braga (1.154) e Gondomar (1.053).

Desde o dia 01 de janeiro, registaram-se 295.449 casos suspeitos, dos quais 2.260 aguardam resultado dos testes.

Há 263.980 casos em que o resultado dos testes foi negativo, refere a DGS, adiantando que o número de doentes recuperados subiu para 6.430, mais 1.794 (+38,7%) relativamente a domingo.

A região Norte continua a registar o maior número de infeções, totalizando 16.396, seguida pela região de Lisboa e Vale do Tejo, com 8.361, da região Centro, com 3.628, do Algarve (356) e do Alentejo (243).

Os Açores registam 135 casos de covid-19 e a Madeira contabiliza 90 casos confirmados, de acordo com o boletim hoje divulgado.

A DGS regista também 25.360 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Do total de infetados, 17.095 são mulheres e 12.114 homens.

A faixa etária mais afetada pela doença é a dos 50 aos 59 anos (4.942), seguida da faixa dos 40 aos 49 anos (4.907) e das pessoas com mais de 80 anos (4.351 casos).

Há ainda 4.263 doentes com idades entre 30 e 39 anos, 3.627 entre os 20 e os 29 anos, 3.250 entre os 60 e 69 anos e 2.419 com idades entre 70 e 79 anos.

A DGS regista também 528 casos de crianças até aos nove anos e 922 de jovens com idades entre os 10 e os 19 anos.

Segundo o relatório diário da situação epidemiológica em Portugal, 177 casos resultam da importação do vírus de Espanha, 137 de França e 88 do Reino Unido. Há ainda centenas de casos importados de dezenas de outros países.

De acordo com a DGS, 41% dos doentes positivos ao novo coronavírus apresentam como sintomas tosse, 29% febre, 21% dores musculares, 20% cefaleia, 15% fraqueza generalizada e 12% dificuldade respiratória. Esta informação refere-se a 89% dos casos confirmados.

A pandemia de covid-19, que teve origem na China, já provocou mais de 315.000 mortos e infetou mais de 4,7 milhões de pessoas.

Mais de 1,7 milhões de doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

Expresso:

Verão sem bares e discotecas? « Se for necessário », sim

António Costa diz na entrevista à TSF, que « ainda não está no calendário » do Governo a reabertura de bares e discotecas. Questionado se estes podem permanecer encerrados no Verão, responde: « Se for necessário. Se não for, melhor ». « Não podemos pôr em causa o que conseguimos », disse e por isso estas atividades serão « as últimas » a abrir.

O primeiro-ministro diz que caso diferente são os ginásios e diz que está a trabalhar com o setor para ver como será possível reabrir. Costa lembra no entanto que foi um setor que se reinventou com aulas online e agora com atividades ao ar livre. « Vamos poder ir avançando », reforçou.

Total compra à EDP duas centrais de gás e carteira de 2,5 milhões de clientes em Espanha

Total compra à EDP duas centrais de gás e carteira de 2,5 milhões de clientes em Espanha

Total compra à EDP duas centrais de gás e carteira de 2,5 milhões de clientes em Espanha

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A petrolífera francesa Total anunciou hoje em Paris a compra à portuguesa EDP de uma carteira de 2,5 milhões de clientes residenciais em Espanha e duas centrais de gás com capacidade para 850 megawatts por 515 milhões de euros.

A empresa explica em comunicado que a transação inclui cerca de 2,1 milhões de contratos de clientes da EDP Comercializadora e cerca de 400.000 da CHC, uma joint-venture entre a EDP (Energia de Portugal) e a distribuidora de eletricidade CIDE.

A transação vai permitir à Total tornar-se na quarta maior empresa do mercado espanhol no subsetor do gás, com uma quota de 12%.

Casa de Portugal em Paris sem casos e muita solidariedade

COVID-19: Casa de Portugal em Paris sem casos e muita solidariedade

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twitter sharing buttonReportagem Lusa por Catarina Falcão

A Cidade Universitária Internacional de Paris registou cinco dezenas casos de covid-19 durante o confinamento, mas nenhum na Casa de Portugal, que tem tido apoio médico, financeiro, alimentar e psicológico aos estudantes que passaram 55 dias fechados no campus.

Dos cerca de 7.000 residentes deste espaço na capital francesa dedicado ao acolhimento de alunos internacionais ou de outras regiões de França que vêm para aqui fazer os seus estudos superiores, cerca de 4.500 passaram o período de confinamento nas 40 casas espalhadas pelo parque de 34 hectares.

« Tivemos durante o primeiro mês de confinamento 49 casos [na Cidade Universitária Internacional de Paris] que não foram confirmados. Só quatro foram confirmados porque há uma grande dificuldade de acesso a testes em França. Não tivemos nenhum foco de infeção e há cerca de mês e meio que não temos nenhum caso », afirmou Ana Paixão, diretora da Casa de Portugal na Cidade Universitária Internacional de Paris, em declarações à Agência Lusa.

Nenhum dos casos levou a hospitalização e as pessoas estão agora recuparadas.

Na Casa de Portugal, nenhum caso foi registado. Esta contenção da pandemia num local onde a partilha é a palavra de ordem, ficou a dever-se à organização muito antes até dos anúncios oficiais das autoridades francesas, com a criação de um gabinete de gestão de crise para o campus logo em janeiro.

« Temos muitos residentes chineses no campus, são a segunda nacionalidade, e desde dezembro que nos começámos a aperceber que a pandemia podia acontecer. Criámos um gabinete de crise desde janeiro e encomedámos máscaras e todo o tipo de equipamento possível », lembrou Ana Paixão, que também integra esta célula de emergência.

Assim, a 17 de março (data oficial do início do confinamento em França), a Cidade Universitária já era « um cofre forte », com entradas e saídas controladas, organização interna nas casas para evitar aglomerações e parcerias com hospitais próximos para apoio aos residentes.

E também uma solidariedade sem precedentes. « Foi um grande movimento de solidariedade entre todos, de partilha e preocupação », lembrou Ana Paixão, referindo que houve logo voluntários para ajudar no controlo das cozinhas partilhadas e no apoio aos colegas.

Quando a pandemia chegou, havia 136 residentes na Casa de Portugal e cerca de 50, maioritariamente portugueses, decidiram partir. A escolha ficou ao critério de cada estudante.

« Eu decidi ficar, porque aqui, como já estávamos todos em quarentena, pensei que fosse mais seguro ficar do que ir para casa e contaminar a minha família. Não havia maneira de saber se eu tinha o vírus », contou Cristiana Gouveia, emigrante portuguesa na Córsega e estudante de Línguas Estrangeiras Aplicadas em Paris e que vive na Casa de Portugal.

O medo de contaminar as famílias acabou por travar alguns dos alunos portugueses na decisão de partir, embora a maioria tenha optado por voltar para Portugal logo em março. Outras nacionalidades que vivem nesta casa não tiveram a mesma possibilidade como italianos e espanhóis que, com as fronteiras fechadas, não puderam regressar.

A grande parte partiu com uma mochila ou a intenção de voltar dentro de semanas, deixando os quartos cheios dos seus pertences e esperança de voltar às aulas, algo que me França só deve acontecer para o ensino superior em setembro. Para quem não volta mais, os residentes estão a ajudar a embalar os quartos dos colegas de forma a estes não terem de pagar renda.

Voltar também não foi uma opção para Bruno Silva, estudante de Estudos Indianos e Sânscrito: « Eu fiquei pela incerteza e para me confinar de certa forma, para poder estudar e ter um ambiente reservado e pela segurança. Estar confinado dentro de um parque, dentro de uma zona muito bonita e com um apoio institucional muito forte ».

O apoio institucional começou por ser médico, com a disponibilização de consultas por videoconferência aos residentes com sintomas, mas rapidamente se tornou também numa necessidade um apoio financeiro.

Muitos estudantes que pagam os seus quartos (com preços que vão desde os 450 euros aos 600 euros mensais) neste campus fazem-no através de estágios ou trabalhos temporários que terminaram durante o período de confinamento, tendo assim sido decidida uma redução de 100 euros no preço dos quartos.

Com o avanço da crise sanitária, a Cidade Universitária criou mesmo um fundo solidário de 100 mil euros para ajudar os residentes em maiores dificuldades e, em parceria com a Câmara de Paris, permitiu aos estudantes recorrerem a um cabaz alimentar todas as semanas.

Mas, acima de tudo, houve ajuda psicológica. « Esse apoio alargou-se a várias línguas. Temos duas psicólogas de língua portuguesa a quem recorremos com muita frequência e havia apoio em quase todas as línguas, sempre em video conferência, sem custos para os alunos », indicou Ana Paixão.

Ao mesmo tempo, pequenas mudanças no dia a dia permitiram aliviar o confinamento que se fazia em quartos de 12m2. A Casa de Portugal passou a ter uma horta onde cada um podia plantar o que quisesse, aulas de meditação e ioga ao ar livre com distância de segurança. uma sala de eventos que foi reconvertida em sala de estudo para apenas 10 alunos de cada vez e concursos de gastronomia entre as diferentes casas.

Cada residente foi encontrando o seu escape. Rúben Cadete, aluno de quinto ano de Medicina a fazer um estágio no serviço de doenças infeciosas no hospital Necker, encontrou nos colegas de trabalho um grande apoio.

« Ao início tinha de telefonar todos os dias à minha mãe, senão era impossível. Na casa, tentei isolar-me porque não queria pôr ninguém em risco, por isso o contacto era mais com os colegas no estágio, com os médicos, com os internos […] Acabámos por nos juntar porque estávamos todos no mesmo barco », afirmou.

Para um jovem estudante de medicina, este foi um período « assustador » na linha da frente, mas que deixou lições.

« Foi assustador ao início. Começou-se a falar ao início no nosso serviço como éramos muito especializados já em janeiro. Pensávamos que ia ser local e na altura não se sabia bem o impacto […] Quando os planos começaram a ser mais estáveis em França, aí estávamos muito mais calmos e conseguimos voltar quase à normalidade » revelou.

Ana Paixão viveu o confinamento junto dos alunos e desde o contacto com os Consulados, para permitir a quem quisesse de regressar, ao apoio emocional aos residentes, diz ter vivido uma « experiência muito intensa ».

« Foi uma experiência muito intensa e ainda não tenho um olhar distanciado sobre o que se passou. Esta pandemia trouxe ao de cima muitos dos aspectos positivos da Cidade Universitária », confessou.

A diretora da Casa de Portugal distribuiu o seu número por todos e sentiu os problemas de solidão de muitos alunos que longe da família e sem sistema de apoio em Paris só precisavam de uma palavra amiga.

« Com alguns residentes trocámos mensagens sempre, pelo menos ao levantar e ao deitar, e continuamos. Ajudava a sentir que alguém se preocupava com eles », referiu.

Sendo uma fundação que se autofinancia através dos quartos que arrenda e também com o apoio de mecenato e alguns países, a Cidade Universitária Internacional de Paris vai ter este ano um prejuízo de 4,5 milhões de euros. Muitos quartos ficaram vazios e os eventos durante o verão, que traziam novos residentes temporários ao campus, anulados.

Mas há motivo para esperança. « Só na Casa de Portugal temos 170 pedidos novos para setembro, para não falar dos residentes deste ano que se vão recandidatar para mais um ano », concluiu Ana Paixão.

CYF // PJA

França regista 483 novos óbitos num dia. Já ultrapassou os 28 mil mortos

França regista 483 novos óbitos num dia. Já ultrapassou os 28 mil mortos

PIERRE SUU

O número total de mortos em França aumentou este domingo para 28.108, com mais 483 óbitos registados nas últimas 24 horas, anunciou o Ministério da Saúde francês

Alfa/Lusa/Expresso

O número total de mortos em França, por causa da pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus, aumentou este domingo para 28.108, com mais 483 óbitos registados nas últimas 24 horas, anunciou o Ministério da Saúde francês.

Este aumento exponencial do número de mortos face ao dia anterior (96) ficou a dever-se à correção do número de vítimas mortais nos lares.

Assim, do total de vítimas mortais causadas pelo novo coronavírus, 17.466 foram registadas em unidades hospitalares e 10.642 ocorreram em lares de idosos e centros para pessoas que, por motivos de saúde ou incapacidade, necessitam de prestação de cuidados constantes.

Atualmente há 19.361 pessoas hospitalizadas em França devido ao novo coronavírus e 2.087 desses pacientes estão internados nos cuidados intensivos.

Nas últimas 24 horas foram confirmados 120 novos casos no país, elevando o número total desde o início da pandemia para 142.411. Há 61.213 pessoas curadas da covid-19 em França.

França é atualmente o quarto país no mundo com mais mortos devido ao novo coronavírus a seguir aos Estados Unidos da América (88.730 mortos), Reino Unido (34.636 mortos) e Itália (31.908 mortos).

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou perto de 312 mil mortos e infetou mais de 4,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,6 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Nasce segundo bebé do mundo infetado com o coronavírus

Nasce segundo bebé do mundo infetado com o coronavírus. Bebé nasceu na Rússia, filho de uma mãe infetada, no hospital de Beslan, onde 17 das 35 gestantes à espera de parto estão infetadas com covid-19

Um bebé, filho de uma mãe doente de covid-19, nasceu infetado com o novo coronavírus na Ossétia do Norte, no Cáucaso russo, anunciaram a este domingo as autoridades locais.

É o segundo caso no mundo de um recém-nascido infetado pelo Sars-cov-2. O primeiro ocorreu no Peru, há exatamente um mês.

Tal como aconteceu com a mãe e o bebé peruanos, o estado de saúde da mãe russa e do seu bebé não inspira cuidados.

« Estão em casa e a sua situação é satisfatória », confirmou um porta-voz do Ministério regional da Saúde à agência de notícias oficial russa TASS.

O bebé infetado da Ossétia do Norte nasceu no hospital central de Beslan, onde 17 das 35 gestantes internadas à espera do parto estão infetadas com a COVID-19, disse o diretor de maternidade do estabelecimento, Hasan Tagaiev, citado por uma emissora de televisão local.

Em Portugal o primeiro caso de um bebé filho de uma mulher infetada com covid-19 nasceu a 17 de março, no Hospital de São João, no Porto.

Testes feitos ao bebé mostraram que ele não estava infetado e o estado de saúde da mãe, mesmo infetada, também não sofreu complicações.

Em Portugal já nasceram cinco bebés de mães infetadas com o novo coronavírus e em todos os casos os bebés testaram negativo para a doença.

Este domingo, a diretora-geral da Saúde anunciou que « nas próximas 24 ou 48 horas » vão ser emitidas duas novas orientações relativamente ao acompanhamento de grávidas e recém-nascidos no contexto da pandemia

Governo cria programas para apoiar emigrantes portugueses afetados pela crise

Governo vai criar programas para apoiar emigrantes portugueses afetados pela crise

Objetivo é apoiar as comunidades portuguesas noutros países que estão a passar dificuldades devido à pandemia de Covid-19.

A secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, anunciou, este domingo, a criação de vários programas para ajudar as comunidades portuguesas no estrangeiro a ultrapassar as dificuldades provocadas pela pandemia da Covid-19, e pelo consequente confinamento nos vários países.

Um desses programas visa « dar um apoio adicional » às associações que ajudam os portugueses, nomeadamente em países como a Venezuela e o Brasil, e que será suplementar ao programa anual para este fim.

« O apoio adicional visa as associações que dão apoio aos mais desfavorecidos, como os idosos, os desempregados ou até os presos » e deverá ser ativado « dentro de duas a três semanas », explicou Berta Nunes, em declarações à agência Lusa.

De acordo com a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, « muitos portugueses são apoiados por associações, como é o caso da Venezuela e do Brasil, e essas associações precisam de apoio para continuar a ajudar ».

Além disso será criado « um programa para apoio aos órgãos de comunicação social na diáspora », adiantou Berta Nunes, durante a sua intervenção na iniciativa do PS « Diálogos Digitais com as Comunidades Portuguesas Fora da Europa ».

« O programa de apoio aos órgãos de comunicação social da diáspora abrange os órgãos de comunicação social registados nos respetivos países, que tenham tido perda de receita » relacionada com a pandemia, e que sejam publicados em português ou sejam bilíngues, revelou.

O modelo será semelhante ao que foi aplicado em Portugal, antecipando a compra de publicidade, mas funcionará através de um fundo do Ministério dos Negócios Estrangeiros ligado às receitas dos consulados, disse a governante, acrescentando que serão aplicados 200 mil euros.

Um terceiro apoio em desenvolvimento será o Programa Nacional de Atração da Diáspora, que visa « encontrar oportunidades de investimento no período pós-covid-19 ».

A ideia « é atrair investimento da diáspora e aumentar as exportações através da diáspora, conseguindo novos mercados », declarou Berta Nunes.

« Sabemos que o investimento das comunidades em Portugal é importante, mas também há [pessoas] bem posicionadas em multinacionais que podem influenciar investimentos », avançou.

« Além das remessas, que são muito importantes », a comunidade portuguesa pode dar todo este « contributo que não pode ser ignorado », sublinhou a secretária de Estado, admitindo, no entanto, não ter ainda valores potenciais do investimento já que « ainda é preciso melhorar a informação ».

Estes apoios, alguns dos quais serão pontuais, visam ajudar os portugueses que vivem e trabalham noutros países a enfrentar « uma situação excecional » como é a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

As ajudas às comunidades portuguesas continuarão a funcionar também pelas formas já existentes, nomeadamente com o programa « Regressar » dos emigrantes, que irá manter o regime fiscal mais favorável, um apoio financeiro e linhas de crédito, mas que agora pretende ir mais além.

« Inicialmente o programa ‘Regressar’ não previa apoio a negócios, agora vai incluir apoios a pequenos investimentos », referiu Berta Nunes.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou perto de 312 mil mortos e infetou mais de 4,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,6 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.218 pessoas das 29.036 confirmadas como infetadas, e há 4.636 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Covid-19: É melhor estarmos preparados para que vírus se torne habitual nas nossas vidas

Covid-19: É melhor estarmos preparados para que vírus se torne habitual – Graça Freitas

Covid-19: É melhor estarmos preparados para que vírus se torne habitual - Graça Freitas

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A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, considerou hoje ser melhor que os cidadãos se preparem para que o novo coronavírus não desapareça por si mesmo e, ao invés, se torne habitual nas vidas das pessoas.

« É melhor estarmos preparado para que este vírus se venha a tornar habitual nas nossas vidas », considerou hoje Graça Freitas, falando na conferência de imprensa diária de acompanhamento da pandemia de covid-19.

Com o passar do tempo, « quer exista vacina quer não », é expectável que « os seres humanos ganhem imunidade e o vírus se torne menos agressivo », reconheceu todavia a responsável.

« Se tivermos vacina, melhor. Se não, teremos de conviver com o vírus até termos imunidade natural », concretizou a diretora-geral da Saúde.

Portugal regista hoje 1.218 mortes relacionadas com a covid-19, mais 15 do que no sábado, e 29.036 infetados, mais 226, segundo o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção Geral da Saúde.

A segunda fase de desconfinamento começa na segunda-feira, mantendo-se o dever cívico de recolhimento e com uma prorrogação do estado de calamidade pública.

E se depois da crise do Covid vier aí um capitalismo ainda mais selvagem do que o anterior?

E se depois da crise do Covid vier aí um capitalismo ainda mais selvagem do que o anterior?

Ouça aqui a última crónica de Pascal de Lima, economista e professor em SciencesPo:

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