Senado validou definitivamente o projeto de lei das finanças de 2025

Após a sua adoção pela Assembleia Nacional através do artigo 49.3, o Senado validou definitivamente o projeto de lei das finanças de 2025 esta quinta-feira.

O projeto de Orçamento do Estado para 2025 foi aprovado definitivamente esta quinta-feira no Parlamento, após uma votação final no Senado que pôs fim ao tumultuoso percurso deste texto suspenso em dezembro pela censura do Governo de Michel Barnier.

Adoptado pelo novo primeiro-ministro François Bayrou, que resistiu a duas moções de censura dos ‘Insoumis’ na quarta-feira, o projecto de lei das finanças foi definitivamente validado por uma aliança de direita e de centro, com 219 votos contra a 107.

Cristiano Ronaldo atinge os 40 anos como « o maior goleador de sempre »

O avançado português Cristiano Ronaldo chega esta quarta-feira às quatro décadas de vida, num percurso recheado de recordes e de troféus e no qual chegar aos 1.000 golos parece ser a derradeira meta da carreira.

“Sou o maior goleador da história do futebol. Mas vou subir a fasquia. Em breve, vou ter 900 golos e depois vou chegar aos 1000”, disse, em agosto, numa conversa com o ex-internacional inglês Rio Ferdinand.

Aos 40 anos, Ronaldo tem já 927 golos (contando com seleção sub-20, sub-21 e olímpica) em 1.261 jogos, mantendo a esperança de chegar ao milhar de golos, o que seria mais um momento marcante da sua história, na qual tem, entre outros prémios individuais, cinco Bolas de Ouro.

“Eu não persigo os recordes, os recordes é que me perseguem a mim”, escreveu nas redes sociais em maio, depois de se ter tornado o melhor marcador de sempre numa só edição da Liga saudita, onde não tem sido feliz, uma vez que tem falhado a conquista de grandes títulos, à exceção da secundária Liga dos Campeões Árabes.

Com muitos recordes do futebol mundial na sua posse e mais de 30 títulos, a Ronaldo falta apenas levantar um grande troféu, o de campeão do mundo, pelo qual apenas poderá lutar em 2026, então já com 41 anos, algo que não descarta, embora seja “impossível responder”, e um feito que companheiros de seleção, como Bruno Fernandes ou João Félix, já assumiram que gostariam de ajudar a alcançar.

“Quero viver neste momento que é muito positivo. Daqui a três dias jogamos já contra uma excelente equipa e até 2026 haverá muita história no meio. Não sei o que vai acontecer”, disse, antes de um encontro com a Croácia, em setembro, para a Liga das Nações, quando admitiu que nunca lhe “passou pela cabeça” deixar a seleção depois de ter ficado em branco no Euro2024.

Na Alemanha, naquele que foi o seu sexto Europeu, algo que mais ninguém alcançou, Ronaldo ficou pela primeira vez a ‘zeros’ num torneio continental, depois de ter um recorde de 14 golos nas cinco presenças anteriores.

É mesmo na equipa das ‘quinas’ que o madeirense tem um dos seus mais marcantes registos, após tornar-se o melhor marcador de sempre de uma seleção masculina, uma marca que está agora nos 133 golos em 217 jogos (mais do que qualquer jogador alguma vez conseguiu), coroados com a conquista do Euro2016 e da Liga das Nações no ano seguinte.

Formado no Sporting, Ronaldo transferiu-se jovem para o Manchester United, antes da milionária mudança para o Real Madrid, onde viveu os seus melhores anos, com uma passagem ainda com algum sucesso pela Juventus, antecedida por um regresso falhado aos ‘red devils’, que deixou para ser o impulsionador de uma onda de transferências para a Arábia Saudita.

Ainda com 17 anos, em 14 de agosto de 2002, o romeno László Bölöni lançou um então franzino Ronaldo num encontro da Liga dos Campeões frente ao Inter Milão, com o primeiro golo (e logo dois) a surgir ao sexto jogo, o terceiro a titular, frente ao Moreirense.

A primeira boa época e um particular no arranque da temporada 2003/04 frente ao Manchester United despertaram o interesse de Alex Ferguson, que não hesitou em levá-lo para Inglaterra por uns ‘míseros’ 15 milhões de euros.

Nos ‘red devils’ ganhou a sua primeira Liga dos Campeões, em 2007/08, frente ao Chelsea, num encontro em que marcou um golo, mas falhou uma das grandes penalidades no desempate.

Após seis temporadas no Manchester United, o Real Madrid decidiu bater o que era na altura o recorde de transferências, ao pagar 94 milhões de euros (a mudança para a Juventus seria mais cara em 2018), investimento que foi pago em campo pelo português, que se tornou no melhor marcador da história dos ‘merengues’, com 450 golos em 438 jogos.

A vitória na Liga dos Campeões em 2017/18, a quarta pelo Real Madrid e a terceira consecutiva, marcou a despedida dos ‘blancos’, com ‘CR7’ a mudar-se para a Juventus, a troco de mais de 100 milhões de euros, conquistando em Turim duas Ligas, uma Taça e duas Supertaças, com um total de 101 golos em 134 jogos.

O aguardado regresso a Manchester foi amargo para Cristiano Ronaldo, que, mesmo com 27 golos em 54 encontros, divididos por uma época e meia, não voltou a ser feliz e acabou por sair em claro choque com o treinador neerlandês Erik ten Hag.

Os ‘red devils’ marcaram a despedida de Ronaldo da Europa, que deixou como melhor marcador (140 golos) e jogador com mais jogos (183) da história da Liga dos Campeões, prova que se tornou o primeiro a vencer por cinco vezes.

Cristiano Ronaldo acabou por se tornar a imagem e o impulsionador da milionária aposta da Arábia Saudita no futebol, também como forma de melhorar a imagem do país no exterior. A sua mudança para o Al Nassr abriu as portas a outros jogadores para uma liga que Ronaldo já várias vezes defendeu ser melhor do que algumas na Europa, como a portuguesa ou a francesa.

 

Seleção de frases ao longo da carreira de Cristiano Ronaldo, que cumpre 40 anos na esta quarta-feira:

 

Portugal national soccer team player Cristiano Ronaldo during todays press conference at the Cidade do Futebol (Soccer City) sport complex outskirts of Lisbon, 02 September 2024. Portugal will play against Croatia (Sept05th) and Scotland (Sept8th) for UEFA Nations League. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

“O meu sonho é jogar um dia na liga espanhola, uma competição magnífica. Estou convencido que a liga inglesa é mais competitiva em todos os aspetos, mas gostaria de jogar em Espanha para comparar.”

Cristiano Ronaldo, jogador do Manchester United

17-12-2007

“2007 foi um extraordinário ano. Fui campeão inglês, cheguei às meias-finais da Champions e à final da taça de Inglaterra. Mas em 2008 quero ainda mais: o Campeonato Europeu, novo título inglês e a Liga dos Campeões.”

The Sun

03-01-2008

“Se preciso de fazer um grande Europeu para ser o melhor do Mundo? Já estava à espera dessa pergunta. Fiz uma grande época. Marquei 31 golos, fui o melhor marcador da Liga inglesa, da Europa e da Liga dos Campeões… não acredito que precise de mais.”

24-05-2008

“É o prémio com o qual sempre sonhei quando era miúdo e sinto-me muito orgulhoso e contente. Tenho que dizer um grande obrigado aos meus colegas de equipa e a toda a gente no clube que me ajudou a ganhar.”

Eleito melhor jogador do Mundo pela revista France Football

02-12-2008

“É um momento especial minha vida e queria deixar uma mensagem à minha mãe e às minhas irmãs, que podem largar fogos. É um momento único na minha vida.”

Após receber o prémio de melhor futebolista de 2008 pela FIFA

12-01-2009

“Estou muito feliz por cumprir o meu sonho de criança que era jogar no Real Madrid. É impressionante. Não esperava que viesse tanta gente.”

Na apresentação como jogador do Real Madrid perante 85.000 adeptos presentes no estádio Santiago Bernabéu

06-07-2009

“[Leonel] Messi nunca ganhou nada com a Argentina e eu nunca ganhei nada com Portugal, pelo que temos de provar durante o Mundial que somos os melhores jogadores do Mundo.”

16-04-2010

“Assobiam-me porque sou rico, bonito e um grande jogador. Têm inveja de mim. Não há outra explicação.”

Após um jogo da Liga dos Campeões contra o Dínamo Zagreb

14-09-2011

“Jogo para o melhor treinador do Mundo [José Mourinho]. Estou rodeado de grandes futebolistas e de um treinador fantástico.”

Sky Sports News, 18-05-2012

“Eles [Sporting] não me pagavam bem e havia muita coisa que não podia comprar.”

The Sun, 12-02-2013

“É indescritível o sentimento de orgulho e honra por esta distinção [grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique] e por este reconhecimento por parte do mais alto representante do Estado português [Cavaco Silva].”

03-01-2014

“Foi um momento que não consigo explicar. Quando ouvi o meu nome senti um orgulho imenso. É muito tempo de dedicação, esforço, sacrifício.”

Depois de receber a Bola de Ouro

RTP, 13-01-2014

“Sempre me fixei nos jogadores que tinham melhor rendimento e, ao observá-los, compreendi uma coisa: o que marca a diferença entre os bons jogadores e as estrelas é o trabalho.”

Revista So Foot, 17-04-2014

“Tive um ano extraordinário, com os meus companheiros ganhei a Taça do Rei e a Liga dos Campeões, a nível individual ganhei a Bota de Ouro e bati o record de golos da ‘Champions’. Nem nos meus sonhos pensava ter um ano assim.”

Após a conquista da Liga dos Campeões pelo Real Madrid

24-05-2014

“Não quero ser só o melhor jogador de Portugal, quero ser o melhor jogador de sempre.”

Após ter recebido, em Madrid, a terceira Bota de Ouro da sua carreira

05-11-2014

“Siiii!!”

Entoando o grito de “guerra” do Real Madrid após receber a Bola de Ouro da FIFA

12-01-2015

 

“Não preciso dizer: estou na história do futebol, sou uma lenda. Os números dizem tudo.”

BBC, 06-11-2015

“Se todos estivessem ao meu nível, seríamos primeiros. Todos os anos, para a imprensa, parece que estou na merda, mas os números e as estatísticas não enganam.”

27-02-2016

“Oh! Anda bater, anda bater, anda. Tu bates bem. Se perdermos, que se f***. Anda. Personalidade, personalidade. Tu bates bem, anda. Seja o que Deus quiser. É a penáltis, é a lotaria.”

A tentar convencer João Moutinho a marcar um penalti no jogo com a Polónia a contar para o Europeu

04-07-2016

 

“Não sou nenhum vidente, mas sigo os meus ‘feelings’ e senti que o Éder ia marcar o golo da vitória.”

Referindo-se ao golo de Éder que levou à conquista do Euro’2016

10-07-2016

“É incrível. É a primeira vez que recebo este prémio… o que posso dizer?”

Após receber o prémio “The Best” pela eleição como melhor jogador do ano 2016 da FIFA

09-01-2017

“Quando comecei a marcar golos na ‘Champions’ nunca pensei que ia bater este recorde [100 golos nas competições europeias]. Para mim, é uma honra, porque é um número muito difícil. Estou maravilhado e muito contente.”

13-04-2017

“O que incomoda as pessoas é o meu brilho, insetos só atacam lâmpadas que brilham!!!!”

31-07-2017

“Parece que tenho de demonstrar jogo a jogo o que sou. Uma vez mais os números falam por si próprios. Estou muito contente por fazer o meu encontro 400 [pelo Real Madrid] e por fazer não sei quantos golos. (…) Muito feliz porque sabia que estou bem, quando tenho oportunidades marco, às vezes os guarda-redes ou os paus param, faz parte do futebol.”

No final do encontro com o Borussia Dortmund (3-1), da Liga dos Campeões, no qual bisou

26-09-2017

“Sou o melhor jogador da história, nos bons e nos maus momentos (…). Respeito as preferências de todas as pessoas, mas não vejo ninguém melhor do que eu.”

France Football, 08-12-2017

“Estes anos no Real Madrid e nesta cidade de Madrid foram possivelmente os mais felizes da minha vida. Só tenho sentimentos de enorme agradecimento ao clube, à cidade e aos adeptos. Só posso agradecer o carinho que deles recebi.”

Em carta de despedida do Real Madrid

10-07-2018

“Não vim para Turim para passar férias, eu quero brilhar.”

Na apresentação como jogador da Juventus

16-07-2018

“Nego terminantemente as acusações de que sou alvo. Considero a violação um crime abjeto, contrário a tudo aquilo que sou e em que acredito. Não vou alimentar o espetáculo mediático montado por quem se quer promover à minha custa.”

Acusado de ter violado uma norte-americana, em 2009

Twitter, 03-10-2018

“Quando era criança disse ao meu pai que eu iria ser rico e ter uma grande casa e meu pai respondeu: ‘Só os ricos de verdade têm isso’. Hoje, eu tenho tudo isso que disse a ele, a única coisa que eu não tenho, é o meu pai.”

13-11-2018

“Foi para isto que a Juventus me contratou, para ajudar e para fazer o meu trabalho. Estou feliz por uma noite mágica.”

Após um hat-trick no jogo com o Atlético Madrid

12-03-2019

“Eu vejo o futebol como uma missão. Estar em campo, ganhar, melhorar, sinto uma pressão extra. As pessoas julgam sempre: ‘Ele já está acabado. Ele tem 33, 34 ou 35 anos e deve deixar’ [o futebol]. Mas com o risco de surpreender as pessoas, a fera ainda está viva.”

El País, 03-05-2019

“Acordo todos os dias para treinar com o objetivo de alcançar algo e não apenas ganhar dinheiro. Não preciso de mais dinheiro, graças a Deus. Quero conquistar o meu lugar na história do futebol, ganhar mais e mais.”

DAZN, 12-08-2019

“Jogar pela seleção para mim é a coisa mais bonita que pode haver.”

TVI, 21-08-2019

“Não tenho dúvidas nenhumas de que ele [Messi] me faz melhor jogador e que eu o faço melhor jogador a ele. As rivalidades são saudáveis.”

TVI, 21-08-2019

“Um dos melhores de todos os tempos. Um mágico inigualável. Parte demasiado cedo, mas deixa um legado sem limites e um vazio que jamais será preenchido. Descansa em paz, craque. Nunca serás esquecido.”

Sobre a morte de Diego Maradona

25-11-2020

“Hoje parto de um clube incrível, o maior de Itália, e com certeza um dos maiores de toda a Europa. Eu dei meu coração e alma pela Juventus e sempre amarei a cidade de Turim até aos meus últimos dias.”

Em mensagem de despedida da Juventus

Instagram, 27-08-2021

“Como toda a gente sabe, desde que assinei pelo United aos 18 anos que Alex Ferguson foi a chave. Lembro-me quando joguei pelo Sporting contra o Manchester. Para mim, é um pai no futebol. Ajudou-me muito, ensinou-me muito, e para mim teve um grande papel [no regresso], porque com a relação que tivemos, estamos sempre em contacto.”

01-09-2021

“Um mundo, um desporto, uma família global. Obrigado, Anfield. Eu e a minha família nunca esqueceremos este momento de respeito e compaixão.”

Agradecendo a manifestação de apoio em Anfield Road em homenagem ao filho que morreu à nascença durante a semana

Instagram, 21-04-2022

“Era impensável (ser o maior goleador de sempre das seleções). Foi um caminho longo, mas aproveito para dizer que ele ainda não terminou, ainda vão levar um bocadinho mais com o Cris.”

20-09-2022

“Estás com uma pressa do car**** para me tirar, fod****…”

Quando Fernando Santos decidiu substituí-lo aos 65 minutos do jogo com a Coreia do Sul

02-12-2022

“Um mero ‘adeus’ ao eterno Rei Pelé nunca será suficiente para expressar a dor que abraça neste momento todo o mundo do futebol.”

29-12-2022

“Sou um jogador único, bati todos os recordes, é uma boa oportunidade, este contrato é único, mas eu sou um jogador único, por isso é normal.”

Na apresentação como novo jogador do Al Nassr

03-01-2023

“[A chegada de Roberto Martínez foi uma] lufada de ar fresco [na seleção].”

22-03-2023

“Nunca abdicarei de vir cá [seleção nacional], porque é sempre um sonho. Fazer 200 internacionalizações não é para qualquer um, demonstra o amor que tenho pelo meu país e pela nossa seleção.”

Em conferência de imprensa antes do jogo com a Islândia, da quarta jornada do Grupo J de qualificação para o Euro2024

19-06-2023

“Não existem palavras suficientes para expressar o quanto significas para mim, amigo. Ganhámos tudo o que havia para ganhar em campo, mas a maior conquista é a amizade e o respeito que tenho por ti. És único, meu irmão. Obrigado por tanto.”

Após Pepe anunciar o fim da carreira de futebolista

Instagram, 08-08-2024

“O que sinto é que, neste momento, ainda continuo a ser uma mais-valia na seleção. Quando sentir que não sou uma mais-valia, sou o primeiro a ir-me embora e vou com a consciência tranquila, como sempre.”

02-09-2024

“O problema do Manchester United não é o treinador. É muito mais que isso. É toda a estrutura. Se um dia for dono do clube, eu tratarei disso. Sei exatamente o que fazer”.”

Na cerimónia da 15.ª edição dos Globe Soccer Awards, no Dubai

27-12-2024

 

Morreu Aga Khan, líder dos muçulmanos xiitas ismailis

Morreu hoje em Lisboa Aga Khan, fundador e presidente da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN),  e líder dos muçulmanos xiitas ismailis,  confirmou fonte oficial do imamat ismaili. Tinha 88 anos.

 

Aga Khan: O homem discreto, o líder carismático

Aga Khan, líder dos muçulmanos ismaelitas, viveu uma longa vida de homem discreto mas foi como príncipe e imam que se destacou, deixando uma das maiores agências de desenvolvimento do mundo que apoia dezenas de milhões de pessoas.

Aga Khan morreu hoje aos 88 anos, em Lisboa.

Shah Karim al Hussaini, príncipe Aga Khan, 49.º Imam hereditário dos muçulmanos ismaelitas, nasceu na Suíça, cresceu e estudou no Quénia e nos Estados Unidos, e tem ligações ao Canadá, Irão e França, e nos últimos anos também a Portugal, com a escolha de Lisboa para sede mundial da comunidade ismaelita, “Imamat Ismaili”, tornando-a uma referência para os cerca de 15 milhões de muçulmanos da minoria xiita.

Discreto, tido como uma das pessoas mais ricas do mundo, Aga Khan IV nasceu a 13 de dezembro de 1936 na Suíça, filho do príncipe Aly Khan e da princesa Tajuddawlah Aly Khan. Cresceu no Quénia, frequentou a Le Rosey School, na Suíça, durante nove anos, e licenciou-se depois em Harvard, nos Estados Unidos.

Era aí que estava, no primeiro ano de faculdade, quando o avô, doente, o convocou. Disse apenas “vem ver-me”, recordou numa entrevista há cerca de uma década à revista Vanity Fair.

Karim só voltaria a Harvard ano e meio depois mas já como o Imam hereditário (líder espiritual) dos muçulmanos xiitas ismailis, tornado Aga Khan IV, por vontade do avô, que na sua morte, em testamento, justificou a escolha do neto como seu sucessor com os novos tempos que um jovem entenderia melhor.

O salto de uma geração na liderança da comunidade nunca tinha acontecido. O sucessor natural seria Aly, que se tinha divorciado da mãe de Karim para se casar com a atriz norte-americana Rita Hayworth, de quem entretanto também já se divorciara.

Em 1957, com 20 anos e com responsabilidades para com 15 milhões de pessoas, Karim tornava-se Aga Khan IV mas também “Sua Alteza”, um título que a rainha Isabel II, de Inglaterra, lhe concedera entretanto. Mas também, dois anos depois, em 1959, o de “Sua Alteza Real”, concedido pelo Xá do Irão. O título de Aga Khan fora concedido pela primeira vez a Aga Hassanaly Shah, o 46.º Imam Ismaili, pelo Xá da Pérsia, na década de 1830.

Para os muçulmanos ismaelitas Aga Khan é descendente direto do profeta Maomé e como novo líder o jovem Karim passou meses a viajar para conhecer as comunidades espalhadas pelo mundo e voltando depois a Harvard para se formar em História Islâmica dois anos depois, em 1959.

Definiu-se como um “otimista mas cauteloso”, alguém que não sendo um homem de negócios aprendeu a sê-lo, que acreditou que a pobreza existe, mas não é inevitável. E nas palavras de amigos foi alguém que nunca bebeu nem fumou e que dedicou muito do seu tempo ao trabalho e a visitas à comunidade.

Duas vezes casado, teve quatro filhos (um deles deve ser o seu sucessor mas não Zahara, a única filha, porque mulher Imam “absolutamente não”), foi um apaixonado por esqui mas também por cavalos, e criou um império que vai da banca à hotelaria, que financia projetos de desenvolvimento social, incluindo em Portugal, onde existe desde 1983 a Fundação Aga Khan.

Numa entrevista ao jornal Público, em 2008, admitiu ter muito dinheiro embora não comparável com a fortuna de Bill Gates, e frisou que não era nem nunca seria um empresário.

E também não foi um líder mediático. “Somos uma comunidade discreta, é uma das nossas tradições”, disse na entrevista ao Público.

A comprová-lo, desde 2018, quando terminou em Lisboa as comemorações dos 60 anos como líder da comunidade ismaelita, poucas são as notícias centradas nele. A sua própria biografia oficial foca-se mais na obra e menos no homem.

Contudo, proliferaram as notícias relacionadas com a Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN), em Portugal ou no estrangeiro, fosse na área da cultura, da moda e dos festivais, da educação, com apoio a universidades, do ambiente, a ajudar a preservação de sítios, da área social, da sustentabilidade ou da saúde.

Em 2019 ofereceu um robô cirúrgico a um hospital de Lisboa, a partir de 2020 apoiou em várias frentes a luta contra a covid-19. E enquanto comprava dois palácios, em Lisboa, para concentrar a sede mundial do “Imamat Ismaili”, apoiava imigrantes, projetos culturais, de saúde, a luta contra a desnutrição infantil, e de inclusão social.

Em março de 2023 um ataque ao Centro Ismaili em Lisboa também trouxe para a ribalta a comunidade, constituída em Portugal por mais de 8.000 pessoas, mas o príncipe manteve-se discreto.

Três meses depois assinalaria na capital portuguesa os 66 anos da sua liderança, falando da prioridade da AKDN: a proteção e melhoria das condições de vida dos mais pobres, fracos, vulneráveis.

Aga Khan criou também a Fundação Aga Khan em 1967, para acabar com a fome, a pobreza, a iliteracia e a doença em algumas regiões mais pobres do mundo. Foi a origem de uma das maiores redes privadas para o desenvolvimento do mundo, empregando 80.000 pessoas.

Um dos países apoiados é Portugal. Em março deste ano a Câmara de Castelo Branco entregou ao príncipe a medalha de ouro da cidade. Mas a homenagem foi só a mais recente, de uma lista que começou em 1960, quando foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Aga Khan recebeu dezenas de condecorações em dezenas de países. Em Portugal, em 1998 recebeu a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, em 2005 a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo e em 2017 a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Foi doutorado honoris causa em mais de duas dezenas de universidades de todo o mundo, incluindo a Universidade de Évora, 2006, e Nova de Lisboa, em 2017. E recebeu as chaves da cidade de Lisboa (1996) e do Porto (2019), e a distinção de Correspondente Estrangeiro da Academia das Ciências de Lisboa (2009), o Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa (2014). Em 2019 Portugal atribuiu-lhe a nacionalidade portuguesa.

Numa entrevista ao jornalista e historiador francês Henri Weil, em 2019, disse que não se considerava nem chefe de Estado nem príncipe mas sim um Imam de uma comunidade muçulmana xiita que existe há séculos. E um bom homem, porque esse é o papel de um Imam.

Educado, sorridente, simpático, mas discreto. “Acredito que, enquanto uma instituição muçulmana no Ocidente, posso ser mais eficaz se não estiver constantemente nas primeiras páginas. Não há razão para eu aparecer nas notícias. Quando existem problemas, tento resolvê-los discretamente. Nem sempre consigo, mas de um modo geral, a discrição tem-me sido útil”.

Na entrevista à Vanity Fair, em Aiglemont, uma propriedade perto de Chantilly (França), que foi o sítio onde passou mais tempo, Aga Khan falou da sua paixão pelos cavalos, aos quais se dedicou após a morte do pai, ainda que nada soubesse deles até então. “Harvard é uma grande instituição, mas não ensina sobre a criação de cavalos puro-sangue”.

De outras paixões, da sua vida pessoal, sempre foi parco em palavras. Casou em 1969 com Sally Crichton-Stuart com quem teve três filhos, Zahra, Rahim, e Hussain. Em 1995, três anos após se divorciar, casou com Gabriele zu Leiningen, com teve mais um filho, Aly, em 2000, mas acabou por se divorciar alguns anos depois.

Mas nunca foi, ao contrário do seu pai, uma pessoa social. “As festas não são o seu forte”, disse um amigo, citado na revista. Consensualmente era referido por amigos como alguém de porte que inspirava confiança, que se impunha com graciosidade, que educadamente fazia sempre prevalecer a sua vontade.

“Karim tem muito charme, mas por baixo é feito de aço. Ele faz exatamente o que quer, quando quer”, dizia um amigo citado na revista.

Que numa frase poderá ter resumido assim a vida de Aga Khan IV: “De facto, poucas pessoas ultrapassam tantas divisões – entre o espiritual e o material; o Oriente e o Ocidente; o muçulmano e o cristão – tão graciosamente como ele”.

 

O grande legado de um homem discreto

Foto de arquivo datada de 2 de maio de 2019 do Príncipe Aga Khan, fundador e presidente da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN) e líder dos muçulmanos xiitas ismailis, que hoje morreu com a idade de 88 anos, Lisboa, 4 de fevereiro de 2025. ESTELA SILVA/LUSA

Aga Khan viveu uma vida discreta, mas deixou ao mundo uma das maiores redes privadas para o desenvolvimento, empregando mais de 80.000 pessoas e ajudando milhões em 30 países, incluindo Portugal.

No dia da morte do líder dos muçulmanos ismaelitas desaparece o homem que sempre fugiu das capas dos jornais, mas também o fundador e presidente de um império alicerçado na Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN, Aga Khan Development Network).

Trata-se de um grupo de agências privadas internacionais que procuram melhorar as condições de pessoas em várias regiões do mundo, com um orçamento anual, para atividades sem fins lucrativos, que ronda os 600 milhões de euros.

Os números oficiais indicam ainda que mais de dois milhões de alunos beneficiam dos programas anuais de educação, que em cada ano a AKDN, em colaboração com diferentes parceiros, providencia cuidados de saúde de qualidade a cinco milhões de pessoas.

São por ano oito milhões de consultas em ambulatório em mais de 700 unidades de saúde, são 2,3 milhões de crianças em idade pré-escolar apoiadas, e mais um milhão de alunos em 200 escolas e duas universidades.

Através da rede AKDN, em cada ano mais de 770.000 pessoas têm acesso a água potável, são fornecidos 1,8 mil milhões de kwh de eletricidade limpa, 50 milhões de pessoas têm acesso a serviços financeiros, 40.000 voluntários são formados e mais de 3,2 milhões de árvores são plantadas.

Sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de pessoas mais desfavorecidas, a AKDN trabalha especialmente em países da Ásia e África, sem restrições de fé, origem ou género.

Os projetos podem ir de áreas como a saúde ou educação a melhoramentos dos ambientes naturais e construídos, em áreas urbanas ou rurais, a serviços financeiros ou oportunidades económicas, mas também às áreas culturais, como música tradicional, arquitetura e arte.

Em 1967, a AKDN criou a Fundação Aga Khan, uma agência internacional, a primeira de nove, focada em problemas de desenvolvimento específicos, que forma parcerias intelectuais e financeiras com organizações com os mesmos objetivos.

Tem como missão ajudar a encontrar soluções para problemas, especialmente na Ásia e em África, mas como fundação privada e sem fins lucrativos, com poucos trabalhadores, mas milhares de voluntários chega a populações necessitadas de todos os continentes.

Portugal é um dos países onde a Fundação está presente, além de ser o país escolhido por Aga Khan para sede do “Imamat Ismaili” (imamato ismaelita), a instituição, ou gabinete do imã dos muçulmanos, depois de ter assinado em junho de 2015 com o governo português um acordo para a sede formal e permanente do “Imamat”, em Lisboa.

Em Portugal, as atividades da Fundação têm-se centrado na educação de infância, no apoio à inclusão social e económica.

Mas abrange muito mais áreas, como a saúde, como a área da ciência, com um acordo de cooperação de 10 milhões de euros, ou a cultura, com o donativo de 200 mil euros para aquisição do quadro “A Adoração dos Magos”, de Domingos Sequeira, e o apoio para aquisição de outras obras de arte.

O trabalho da fundação no país passa também pelo apoio a imigrantes, pelos 500 mil euros de doação de Aga Khan para bolsas de estudo para crianças cujas famílias foram vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande (em 2017), ou pelos 100 mil euros para plantação de árvores na mata de Leiria. Ou pelo anúncio da criação de uma Academia Aga Khan, um projeto de ensino de mais de 80 milhões de euros.

A nível internacional, as nove agências de desenvolvimento da AKDN incluem áreas, além da saúde, ensino e a economia, como o habitat ou como a cultura, incluindo o Prémio Aga Khan para a Arquitetura, o Programa das Cidades Históricas, o Programa Aga Khan para a Música, o Museu Aga Khan e o Programa Aga Khan para a Arquitetura Islâmica (em Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, MIT).

Os muçulmanos ismailis são uma comunidade global e multiétnica cujos membros, de diversas culturas, línguas e nacionalidades, vivem na Ásia Central e Meridional, Médio Oriente, África Subsaariana, Europa e América do Norte.

Aga Khan sucedeu ao seu avô, Sir Sultan Mahomed Shah Aga Khan, enquanto Imam dos muçulmanos xiitas ismailis em 1957, aos 20 anos.

 

O adoçante artificial aspartame deve ser proibido? Petição europeia lançada face a “riscos inaceitáveis”

Apontando os « riscos inaceitáveis » para a saúde humana decorrentes do consumo de aspartame, três associações convocaram esta terça-feira, « uma mobilização sem precedentes dos consumidores em toda a Europa ».

Estas organizações, incluindo a Food Watch, querem retirar o ingrediente da nossa alimentação.

« Não há mais tempo a perder ». Este é o grito do coração partilhado esta terça-feira 04 de fevereiro, pela ONG Food Watch, a Liga contra o Cancro e a Yuka.

Num comunicado de imprensa conjunto, as três organizações pedem solenemente às autoridades da União Europeia que proíbam definitivamente o adoçante artificial aspartame, classificado como « possivelmente » cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em julho de 2023.

« Ao destacar os possíveis riscos de cancro associados ao aspartame, a OMS enviou um sinal claro sobre o risco para a nossa saúde.

Os nossos decisores europeus devem proteger-nos », exige Camille Dorioz, diretora de campanhas da Food Watch France.

 

Com BFMTV.

Louane é a escolhida para representar França no Festival Eurovisão 2025

Louane anunciou que representará a França no Festival Eurovisão da Canção 2025. A cantora francesa, de origem portuguesa, tomou esta decisão em homenagem à sua mãe, falecida há vários anos.

Louane será a representante da França no Festival Eurovisão da Canção 2025, que decorrerá em Basileia, Suíça, no próximo mês de maio. A cantora aceitou participar no concurso europeu em memória da sua mãe portuguesa, falecida em 2014, quando Louane tinha apenas 17 anos.

A decisão de Louane foi tomada após meses de reflexão: “É algo recente. Disse ‘sim’ há alguns meses, pouco antes do Natal”, revelou. Para a artista, não se trata de hesitação, mas de uma reflexão necessária antes de assumir uma responsabilidade tão importante. “É um momento incrivelmente significativo, não é uma decisão a tomar de forma leviana. É algo para o qual precisamos de estar preparados”, explicou.

Louane concluiu a sua mensagem de forma tocante: “Tenho a certeza de que estás orgulhosa, que estás a ver tudo de longe. Sabes o que mais? Vou fazê-lo por nós, vou fazê-lo pelos nossos sonhos. Vou representar a França na Eurovisão”.

Louane sucede assim a Slimane, que conquistou o quarto lugar no concurso em 2024, e a La Zarra, que se classificou em 16.º lugar em 2023.

O regresso da Pira Olímpica, símbolo dos Jogos de Paris 2024

Tornou-se a estrela dos Jogos Olímpicos de Paris 2024: a pira olímpica, acompanhada do seu balão de trinta metros de altura, regressará todos os verões ao Jardim das Tulherias, na capital. Poderá ser admirada até aos Jogos de Los Angeles em 2028.

A pira olímpica, um dos maiores símbolos do sucesso dos Jogos de Paris, voltará para prolongar uma história que conquistou o coração dos parisienses. Com os seus reflexos dourados, ela regressará ao Jardim das Tulherias a partir do verão de 2025. A sua reinstalação está prevista para o dia 21 de junho, coincidindo com a Fête de la Musique, e permanecerá em exibição até ao dia 14 de setembro, data da nova festa nacional do desporto em França.

Na sexta-feira, 31 de janeiro, dois amigos belgas ficaram desiludidos por terem vindo demasiado cedo para a ver: « Viemos porque pensávamos que ela já estava aqui », confessou um deles. No entanto, garantiram que voltarão no verão. Vários parisienses manifestaram o seu orgulho pela presença do monumento: « Cria recordações para todos », afirmou uma jovem entrevistada.

Desmontada completamente em setembro passado, o seu criador, Mathieu Lehanneur, passou meses a negociar o seu regresso. « Desejava-o, mas, honestamente, nem ousava imaginá-lo », revelou o designer da pira. O Comitê Olímpico Internacional autorizou a sua reutilização sob uma condição: que não tenha a mesma cor do verão passado. O seu voo simbólico terminará com o início dos Jogos de 2028 em Los Angeles.

Netanyahu recebido por Trump para discutir cessar-fogo em Gaza

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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, é recebido na Casa Branca em Washington pelo presidente norte-americano, sendo o primeiro líder estrangeiro a reunir-se com Donald Trump desde a sua tomada de posse, a 20 de janeiro.

Na véspera do encontro com o líder norte-americano, Netanyahu manteve na capital federal norte-americana conversações com Steve Witkoff, enviado especial de Trump para o Médio Oriente, sobre a segunda fase do cessar-fogo em Gaza. Estas conversações estão previstas prosseguir no final da semana com o primeiro-ministro do Qatar e com altos funcionários egípcios, os outros mediadores nesta questão.Também na segunda-feira, dois responsáveis do Hamas afirmaram que o movimento islamita palestiniano está “pronto a iniciar negociações para a segunda fase” do cessar-fogo com Israel.

Negociado durante meses, o acordo de tréguas de três fases entrou em vigor em 19 de janeiro, dia em que os combates cessaram no território palestiniano após 15 meses de guerra.

A primeira fase dura seis semanas e deverá permitir a libertação de 33 reféns em troca de mais de 1.900 palestinianos detidos por Israel e o reforço da ajuda humanitária ao enclave palestiniano.

A segunda fase tem como objetivo a libertação dos últimos reféns e o fim definitivo das hostilidades.

Uma terceira fase, ainda incerta, deverá definir os termos da reconstrução da Faixa de Gaza e da sua governação no futuro.

Estas negociações ocorrem numa altura em que Israel conduz uma vasta operação militar no norte da Cisjordânia ocupada desde 21 de janeiro.

Rádio Alfa com RTP

Mariana Mortágua recandidata-se à liderança do Bloco de Esquerda

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A coordenadora do BE, Mariana Mortágua vai recandidatar-se à liderança do partido na Convenção Nacional marcada para 31 de maio e 01 de junho, em Lisboa.

A bloquista é a primeira promotora da moção de orientação « Um Bloco para virar o jogo », entregue hoje, e à qual a Lusa teve acesso.

Esta recandidatura ocorre num contexto conturbado para o partido, o mais difícil desde que Mariana Mortágua assumiu a coordenação bloquista, devido à polémica sobre os despedimentos no BE, entre 2022 e 2024, que incluem duas mulheres que tinham sido mães recentemente.

De acordo com o regulamento da XIV Convenção Nacional, as listas à Mesa Nacional e à Comissão de Direitos (que ainda não são conhecidas) estão vinculadas à apresentação das moções de orientação, cujo prazo de entrega terminou hoje.

A Mesa Nacional do BE elege de entre os seus membros uma Comissão Política, atualmente coordenada por Mariana Mortágua, tendo em conta a proporcionalidade dos resultados eleitorais das diferentes moções apresentadas à Convenção Nacional, para tarefas de direção, representação e de aplicação das suas deliberações.

Por sua vez, a Comissão Política, órgão que assegura a direção quotidiana do BE, elege um Secretariado Nacional para tarefas de coordenação executiva.

Na última convenção, realizada em 27 e 28 maio de 2023, Mariana Mortágua foi escolhida pelo partido como coordenadora nacional, sucedendo a Catarina Martins que ocupou este cargo durante uma década e é atualmente eurodeputada.

Nessa reunião magna, a lista de Mariana Mortágua conquistou 67 dos 80 lugares na Mesa Nacional do BE, ficando os restantes atribuídos a membros da lista `E`, encabeçada por Pedro Soares — corrente interna que já anunciou hoje que não vai avançar com uma candidatura na próxima convenção.

Rádio Alfa com RTP

Escritora Maria Teresa Horta morre aos 87 anos

A escritora Maria Teresa Horta, a última das “Três Marias”, morreu hoje, aos 87 anos, em Lisboa, anunciou a editora Dom Quixote.

“Uma perda de dimensões incalculáveis para a literatura portuguesa, para a poesia, o jornalismo e o feminismo, a quem Maria Teresa Horta dedicou, orgulhosamente, grande parte da sua vida”, pode ler-se no comunicado enviado pela editora à Lusa.

No mesmo texto, a Dom Quixote lamenta “o desaparecimento de uma das personalidades mais notáveis e admiráveis” da literatura portuguesa, “reconhecida defensora dos direitos das mulheres e da liberdade, numa altura em que nem sempre era fácil assumi-lo, autora de uma obra que ficará para sempre na memória de várias gerações de leitores”.

Em dezembro, Maria Teresa Horta foi incluída numa lista elaborada pela estação pública britânica BBC de 100 mulheres mais influentes e inspiradoras de todo o mundo, que incluía artistas, ativistas, advogadas ou cientistas.

Em 2022, nos 50 anos da obra “Novas Cartas Portuguesas”, escrita com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta afirmava, em entrevista à Lusa, que o livro sempre foi desconsiderado em Portugal e confessava-se “perplexa” com o interesse suscitado cinco décadas depois da publicação.

“Novas Cartas Portuguesas”, escrita por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, a partir das cartas de amor dirigidas a um oficial francês por Mariana Alcoforado, constituiu-se como um libelo contra a ideologia vigente no período pré-25 de Abril, que denunciava a guerra colonial, as opressões a que as mulheres eram sujeitas, um sistema judicial persecutório, a emigração e a violência fascista.

Começou a ser escrita em maio de 1971 e foi publicada em abril de 1972, tendo sido banida pela ditadura e as suas autoras levadas a julgamento.

O livro que se assumiu como um marco na história do feminismo, da literatura portuguesa, da oposição ao regime e da luta pela liberdade, após passar o período conturbado que envolveu a sua publicação, atravessou décadas quase como uma inexistência em Portugal, considerava, então, Maria Teresa Horta, em declarações à Lusa, acrescentando não compreender esta situação.

“Ninguém ligou nenhuma às ‘Novas Cartas Portuguesas’ em Portugal, agora, de repente, enlouquece tudo”, disse à Lusa, acrescentando: “Foram escritas há tantos anos. Depois esgotou, mas ninguém fez nada, e de repente, de súbito, de cinco em cinco minutos falam das ‘Novas Cartas’, a pessoa fica perplexa”.

Até ao fim, as três recusaram-se a revelar e ninguém conhece individualmente a autoria de cada texto, como salientou à Lusa Maria Teresa Horta, que contestava uma ideia algo difundida de que a maioria seria obra de Maria Velho da Costa.

“Foram escritas pelas três. Ninguém vai dizer [quem escreveu cada texto]. Elas já estão mortas e eu nem morta nem viva digo quem escreveu, porque nós fizemos uma jura”, afirmou, em 2022.

Nascida em Lisboa em 1937, Maria Teresa Horta frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi dirigente do ABC Cine-Clube, militante ativa nos movimentos de emancipação feminina, jornalista do jornal A Capital e dirigente da revista Mulheres.

Como escritora, estreou-se no campo da poesia em 1960, mas construiu um percurso literário composto também por romances e contos.

Com livros editados no Brasil, em França e Itália, Maria Teresa Horta foi a primeira mulher a exercer funções dirigentes no cineclubismo em Portugal e é considerada um dos expoentes do feminismo da lusofonia.

Foi amplamente premiada ao longo da sua carreira literária, destacando-se, só nos últimos anos, o Prémio Autores 2017, na categoria melhor livro de poesia, para “Anunciações”, a Medalha de Mérito Cultural com que o Ministério da Cultura a distinguiu em 2020, o Prémio Literário Casino da Póvoa que ganhou em 2021 pela obra “Estranhezas”, e a condecoração, em 2022, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, pelo Presidente da República.

 

Com Agência Lusa.

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