Comunicado da Embaixada em França sobre reabertura progressiva dos Consulados (a partir de 11 de maio)

Um comunicado da Embaixada de Portugal em França: 

« Reinício progressivo do atendimento presencial nos Postos Consulares em França

Como é do conhecimento geral, as autoridades francesas estabeleceram – caso as condições sanitárias relativas à epidemia do COVID-19 o possibilitarem – que a partir do próximo dia 11 de maio se ponha fim, de forma progressiva, ao confinamento actualmente em vigor.

Neste cenário, a Embaixada de Portugal em Paris, em estreita coordenação com os Consulados-Gerais em Paris, Lyon, Marselha, Bordéus, Estrasburgo e o Vice-Consulado em Toulouse, prevê que o início da normalização do funcionamento dos serviços consulares portugueses em França possa ter também lugar a partir daquela data.

Este processo obedecerá aos princípios gerais de regresso progressivo à normalidade definidos pela Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, sob orientação da Secretaria de Estado das
Comunidades Portuguesas, estando sempre dependente das circunstâncias e orientações das autoridades de saúde locais, nomeadamente as relativas à concentração de pessoas em serviços públicos que terão um impacto sobre as modalidades de atendimento da rede consular.

Aconselhamos a consulta frequente das páginas Internet dos Postos Consulares, onde serão disponibilizadas oportunamente todas as informações úteis (que terão também em conta a realidade específica de cada Posto, designadamente sua dimensão, recursos disponíveis e as características especificas da Comunidade que serve).

Alerta-se ainda para o facto crucial que o confinamento não terminou, por isso é essencial continuar a respeitar as medidas que protegem a saúde de cada um de nós e a dos outros.

Enquanto se mantiver o confinamento, só as urgências devidamente comprovadas poderão ser atendidas.
Paris, 15 de Abril de 2020

Jorge Torres Pereira
Embaixador de Portugal em França »

Covid-19/Portugal: Estado de emergência prolongado até 2 de maio

Estado de emergência: novo decreto abre espaço ao Governo para abertura “gradual” de serviços e comércio.

Informação do Expresso:

« (Presidente) Marcelo já enviou para o Parlamento o decreto para renovar o estado de emergência até 2 de maio.

O diploma levanta restrições aos trabalhadores, prevê “a possibilidade de futura reativação gradual » de « serviços, empresas e estabelecimentos » e prepara o fim do confinamento, que pode ser diferenciado por idade e região. Condição prévia: desde que a realização de testes seja « robusta » e a monitorização « conveniente ».

O Governo decidirá ».

Governo concorda com o decreto do Presidente da República

Em conferência de imprensa, ao início desta tarde, António Lacerda Sales, secretário de estado da Saúde, reagiu a esta notícia desta forma: “o discurso do Presidente da República vai ao encontro do discurso cauteloso do Governo. Portanto, sim, o decreto vai ao encontro das medidas cautelosas que temos tomado”.

Covid-19/Portugal: mais 750 casos (ritmo de crescimento aumenta), 30 mortos e 110 recuperados em 24h

Covid-19 em Portugal: mais 750 casos (ritmo de crescimento aumenta), 30 mortos e 110 recuperados.

Informação oficial. Covid-19: Portugal com 629 mortos e 18.841 infetados

Portugal regista hoje 629 mortos associados à covid-19, mais 30 do que na quarta-feira, e 18.841 infetados (mais 750), indica o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Terceiro maior aumento do número de internados

O número de internados atinge um novo pico: são agora 1.302, mais 102 do que na véspera. Trata-se do terceiro maior aumento em números absolutos e de um crescimento de 8,5% em relação a ontem. Este acréscimo materializa-se depois de alguns dias de recuos tímidos no número de camas ocupadas.

O número de infetados nos cuidados intensivos também cresceu para 229, mais 21 do que na véspera e um aumento relativo de 10,1%.

A taxa de letalidade (relação entre o número de infetados e de óbitos) aumentou ligeiramente, de 3,34% para 3,31%, um novo máximo.

O relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24h de quarta-feira, indica que a região Norte é a que regista o maior número de mortos (355), seguida pelo Centro (146), pela região de Lisboa e Vale Tejo (115) e do Algarve, com nove mortos.

 

 

Comunidades. Festa anual de Pontault-Combault anulada. « Em 2021 será a 22 e 23 de Maio »- Cipriano Rodrigues

No seguimento do discurso do presidente francês Emmanuel Macron, na passada segunda-feira, a Associação Portuguesa Cultural e Social (APCS) de Pontault-Combault (região de Paris-Dep.77) anunciou o cancelamento da festa ‘Franco-Portuguesa’.

Conhecida como uma das maiores festas portuguesas nas comunidades, a 45a edição deveria realizar-se nos dias 30 e 31 de Maio.

A organização anunciou o cancelamento no facebook oficial do evento.

 

 

A Rádio Alfa ouviu hoje o presidente da APCS, Cipriano Rodrigues, que avançou em ‘primeira mão’ a data da festa do próximo ano 22 e 23 de Maio de 2021.

 

Cipriano Rodrigues

 

Entrevista Ricardo José e Manuel Alexandre.

Moratória sobre crédito à habitação vai ser alargada aos emigrantes

Moratória sobre crédito à habitação também vai ser alargada aos emigrantes

« Medida será fechada nos próximos dias », informa a rádio TSF.

A moratória sobre o crédito à habitação vai ser alargada aos emigrantes. A medida será fechada nos próximos dias, correspondendo à reivindicação dos portugueses que trabalham no estrangeiro mas que têm empréstimos junto da banca para o pagamento de casas em Portugal.

Foi uma das novidades dadas esta segunda-feira à noite pelo presidente da Associação Portuguesa de Bancos. Faria de Oliveira declarou também que, muito em breve, vai avançar a moratória aos créditos ao consumo.

No entanto, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos portugueses admite que nem tudo tem funcionado bem no financiamento às empresas, no âmbito das linhas de crédito que o Governo acertou com a banca. Faria de Oliveira reconheceu que é preciso agilizar esses procedimentos.

« Inicialmente houve algumas dificuldades de natureza processual e burocrática. Nas novas linhas que vão ser anunciadas em breve espero que este tipo de problemas seja facilitado. Os bancos estão a levar cerca de dois, três dias a fazer a sua aprovação inicial, o que é muito bom », reconheceu o presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

Nesta entrevista, Faria de Oliveira também foi questionado sobre a possibilidade de os bancos virem a fechar o ano com lucros e vem, a propósito, lembrar que Rui Rio declarou que, se isso acontecesse, seria uma vergonha. Na sua opinião dificilmente o setor terá margem para gerar dividendos.

« Neste momento vivemos uma situação única, isto é muito mais que uma recessão. Ter, como tivemos nestes três meses, uma queda de 20% do produto é praticamente inimaginável, é algo de novo, uma bomba. Portanto, não pode deixar de afetar o sistema bancário », afirmou Faria de Oliveira.

Faria de Oliveira respondeu ainda à iniciativa do PCP, que esta segunda-feira deu entrada na Assembleia da República a um projeto de lei que proíbe a aplicação de juros, spreads e outros encargos às linhas de apoio à economia lançadas pelo Governo para responder à pandemia de Covid-19. O representante do setor bancário considera que os comunistas desejam criar o que será uma redundância.

« Compreendo que a taxa de juro possa parecer alta, mas corresponde à cobertura de custos pelo sistema bancário com o acréscimo da garantia mútua concedida pela sociedade. É absolutamente marginal para o sistema bancário. A marginalidade é na ordem de 0,1 ou 0,2%, é completamente marginal », acrescentou o presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

Por que não é possível registar pela internet os nascimentos de portugueses no estrangeiro? Opinião

« Querer é poder”. O problema do registo pela internet dos nascimentos de portugueses no estrangeiro.

Há a possibilidade em Portugal, mas no estrangeiro não.

Ouça aqui a última crónica de Carlos Pereira, jornalista e diretor do Lusojornal:

 

Bruno le Maire/Entrevista: “É o fim da Zona Euro” se só a Holanda e a Alemanha puderem investir

Ministro das Finanças francês: “É o fim da Zona Euro” se só a Holanda e a Alemanha puderem investir. Em entrevista ao Expresso, o ministro francês das Finanças defende a emissão conjunta de dívida com maturidades de « 10 a 20 anos », para financiar investimentos nos próximos « 3 a 5 » anos. O novo fundo de retoma funcionaria numa lógica de subsídios e não em empréstimos, e seria a Comissão a decidir a aplicação do dinheiro. Le Maire acredita que é possível convencer alemães e holandeses a aceitarem partilhar responsabilidade porque a alternativa pode ser o fim do euro.

Alfa/Expresso (Entrevista de Susana Frexes) 

GONZALO FUENTES/REUTERS

O ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, avisa que a Zona Euro está em risco, principalmente se não se tomarem medidas para garantir que todos os países terão oportunidades semelhantes de financiar a retoma. Só assim, argumenta, o bloco europeu não perderá a carruagem e poderá continuar a concorrer com potências económicas como os Estados Unidos ou a China.

Segundo Bruno Le Maire, em entrevista conjunta ao Expresso e a outros jornais europeus, a emissão conjunta de dívida é incontornável no financiamento da retoma, para fazer face à pandemia e ao enorme investimento que será preciso fazer. Não sabe se é preciso « um bilião ou dois biliões de euros », mas está certo de que o custo do regresso ao crescimento será elevado. Por isso, defende um Fundo de Retoma, disponível não só para os 19 países da moeda única, mas para o conjunto dos 27. E não está a falar de « empréstimos » aos Estados, mas sim de « subsídios ou subvenções » (‘grants’), que seriam geridas e decididas pela Comissão Europeia.

« O Fundo de Retoma é claramente pensado para despesas públicas através de subsídios. Não estou a falar de empréstimos. Por isso é que este fundo seria útil e eficiente ». No entanto, admite que « dentro de 10 a 20 anos » teria de haver um « reembolso » por parte dos Governos, mas que não seria feito com base no que receberam, mas sim no Produto Interno Bruto de cada um.

« Se queremos mover-nos ao mesmo ritmo, a 27, necessitamos de um financiamento comum para investimentos », argumenta Le Maire. « Caso contrário, há o risco de países como a Alemanha ou a Holanda recuperarem mais rapidamente – porque têm o financiamento nacional – enquanto outros países que não têm as mesmas possibilidades ficam para trás, correndo-se o risco de se criarem mais divergências e diferenças de desenvolvimento entre os 19 da moeda única, o que significaria o fim da zona euro. É isso que está em jogo ».

RESPONSABILIDADE CONJUNTA É A MELHOR OPÇÃO, MAS NÃO É A ÚNICA

A criação de um novo Fundo para financiar a retoma económica e o pós-crise da covid-19 está no relatório que o Eurogrupo enviou aos chefes de Estado e de Governo, e que os líderes vão discutir no próximo dia 23.

Não foi fácil arrancar um consenso aos ministros das Finanças, nem incluir dentro do Fundo de Retoma a possibilidade de ser financiado por « instrumentos financeiros inovadores ». E se, para o ministro holandês das Finanças, este é apenas um « conceito vago », para Le Maire quer dizer apenas uma coisa: « Emissão conjunta de dívida ».

A questão passa agora por convencer os países mais relutantes – sobretudo a Alemanha e os nórdicos – o que implica entrar nos detalhes do processo e são as muitas questões técnicas que estão por responder. Como será feita a mutualização da dívida e o financiamento do Fundo? Cada Estado-membro garantirá apenas uma fatia de acordo com o rácio do PIB (algo que poderia funcionar para Berlim) ou o montante global (algo que a Alemanha rejeita)?

Para Le Maire a « responsabilidade conjunta é a melhor opção » para se avançar com a emissão conjunta de dívida. No entanto, não descarta « a ideia de responsabilidade parcial dos Estados-membros, dependendo do respetivo PIB », uma possibilidade em cima da mesa. O compromisso nesta matéria está ainda longe de ser alcançado. Mas para o governante francês há algo que é claro: a primeira opção « seria um claro sinal de solidariedade » entre países.

O fundo de retoma deverá ser desenhado para financiar os « investimentos » nos Estados « mais afetados » pela crise. « É uma questão de justiça apoiar Itália, Espanha e outros países », justifica. No entanto, não seriam eles a decidir sozinhos onde aplicar o dinheiro.

SUBSÍDIOS MAS COM REEMBOLSO BASEADO NO PIB

A « ideia é a de deixar que seja a Comissão a decidir os investimentos », defende o ministro francês das Finanças. « Não caberia a cada nação decidir », explica. Ao Executivo comunitário, caberia também financiar-se junto dos mercados e emitir dívida. Ou, em alternativa, seria criado um « veículo de investimento » (SPV) especial para essa emissão.

« O interesse deste financiamento é dispersar os custos no tempo ». E é neste ponto que defende que a emissão de dívida tem vantagens em relação ao financiamento através do Quadro Financeiro Plurianual para 2021 a 2027, que pode não ser suficiente.

« A crise é excecional, e vamos precisar de expandir massivamente a nossa capacidade de financiar investimento público nos próximos três a cinco anos », diz Le Maire. « No entanto, não temos necessariamente os recursos nacionais imediatos para fazê-lo no curto prazo. Assim, a ideia é ter um fundo comum, que emita dívida com maturidades bastante longas – por exemplo 10 a 20 anos ».

Quanto ao contributo dos países para o fundo, seria espalhado no tempo e indexado à riqueza de cada um. « Os países recebem dinheiro de acordo com a forma como foram atingidos pela crise e reembolsam-no de acordo com o PIB de cada um », conclui o ministro do governo de Emmanuel Macron.

ISTO NÃO SÃO EUROBONDS

A estratégia para convencer alemães e holandeses passa também pela escolha das palavras. Le Maire diz que é tempo de ultrapassar a « disputa linguística » em torno de coronabonds e eurobonds. Entende que não se trata de esquecer para sempre este último conceito – que entende fazer sentido – mas de pô-lo para já de lado, sugerindo algo diferente. « Propomos emitir dívida comum para o futuro. Essa é a diferença-chave em relação aos eurobonds, que significa termos a nossa dívida passada e futura em comum ».

A mutualização de dívida que defende é « apenas para o futuro, por um período limitado de tempo e com um único objetivo: investimento ». E é assim que acredita haver espaço para a negociação. « Os nossos amigos holandeses e alemães deverão ser sensíveis a este argumento », diz, justificando que se trata « da melhor solução », melhor do que recorrer ao Quadro Financeiro Plurianual (QFP).

« Para o financiamento comum, podemos usar o QFP ou a emissão conjunta de dívida », diz, insistindo, no entanto, que o orçamento comunitário « não é a fórmula apropriada », uma vez que « há um impacto direto no nível da despesa pública ».

« A emissão de dívida não é tão cara, é mais apropriada do que o QFP. Isto possibilitaria taxas de juro muito baixas », continua.

A troca de argumentos entre os países que defendem a mutualização da dívida e os que rejeitam esta opção está ainda longe do fim. E o próprio Le Maire admite que há muito trabalho por fazer, e que não se podem descartar opções, incluindo uma maior interligação entre o Fundo de Retoma e o próximo orçamento comunitário.

(leia a versão original deste trabalho em expresso.pt)

Covid-19. A dupla pena do Brasil e dos Estados Unidos. Opinião

A tragédia do novo coronavírus e a dupla pena em que vivem os povos dos Estados Unidos da América e do Brasil.

O Covid-19 e os Presidentes Trump e Bolsonaro.

Crónica de Ricardo Figueira, jornalista da Euronews, para ouvir nesta sexta-feira, 17, na Rádio Alfa.

 

Covid-19: Parlamento Europeu debate hoje respostas da UE à pandemia

O Parlamento Europeu debate hoje, em sessão plenária, as respostas da União Europeia (UE) à pandemia, visando uma ação coordenada para a recuperação económica pós-crise e para o levantamento progressivo das medidas de contenção.

Num debate realizado em plenário a partir de Bruxelas e que conta com intervenções dos grupos políticos por videoconferência, dadas as medidas de distanciamento social, os eurodeputados vão discutir a ação coordenada da UE para combater a pandemia da covid-19 e as suas consequências, o roteiro europeu para o levantamento progressivo das medidas de contenção e o plano de recuperação para mitigar os efeitos económicos da crise.

A discussão, que começa pelas 09:00, conta com a presença dos presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, Charles Michel.

No final do debate, será votada uma resolução na qual a assembleia europeia apela a uma maior cooperação e solidariedade entre os Estados-membros e à construção de uma UE mais forte e resiliente.

No debate do Parlamento Europeu deverá estar também em foco o roteiro europeu apresentado quarta-feira para o levantamento progressivo das medidas de contenção, no qual a Comissão Europeia a recomenda aos Estados-membros que respeitem três critérios prévios para começarem a levantar as restrições impostas no quadro ao combate à covid-19, reiterando o apelo a uma ação coordenada entre os 27.

Para Bruxelas, três critérios-chave devem presidir à decisão dos Estados-membros de começarem a levantar as medidas restritivas: os dados epidemiológicos devem mostrar que a propagação do novo coronavírus diminuiu significativamente e estabilizou; os sistemas de saúde devem ter suficiente capacidade de resposta, designadamente a nível de cuidados intensivos, camas disponíveis e acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos; e, por fim, deve haver uma capacidade de monitorização apropriada, incluindo capacidade de testes em grande escala para detetar a propagação do vírus e eventuais novas vagas.

Alfa/Lusa

Covid-19/Portugal: Presidente decide hoje sobre estado de emergência

O Presidente da República decide hoje, com parecer do Governo, sobre o prolongamento do estado de emergência por novo período de 15 dias, que durante a tarde será debatido e votado no parlamento.

Marcelo Rebelo de Sousa já fez saber na sexta-feira passada que pretendia renovar mais uma vez o estado de emergência, que vigora em Portugal desde 19 de março, defendendo que não se pode « brincar em serviço » nem « baixar a guarda » no combate à propagação da covid-19.

« Está formada a minha convicção – como sabem, é iniciativa do Presidente da República – quanto à renovação do estado de emergência », afirmou na altura aos jornalistas. Na quarta-feira, após ouvir os especialistas, confirmou que « tudo se encaminha » para essa decisão.

« Mas essa renovação pode ser que nalgumas facetas signifique, não diminuir a exigência de abril, não em relação à circulação das pessoas, mas apontar já para aquilo que vai ser a realidade de maio », admitiu o chefe de Estado, considerando que o próximo mês poderá ser já « de transição » para uma « retoma progressiva da vida social e económica ».

De acordo com a Constituição, compete ao Presidente da República declarar o estado de emergência, mas essa decisão depende da audição do Governo e da autorização do parlamento, e não pode vigorar por mais de 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações com o mesmo limite temporal.

O atual período de estado de emergência é o segundo decretado por Marcelo Rebelo de Sousa e termina às 23:59 desta sexta-feira, 17 de abril. Se for novamente renovado por 15 dias, vigorará de 18 de abril até 02 de maio.

PS, PSD, BE, CDS-PP e PAN votaram favoravelmente os dois pedidos de autorização do Presidente da República para declarar o estado de emergência.

A primeira declaração do estado de emergência, há um mês, inédita em democracia, foi aprovada pelo parlamento sem votos contra, com abstenções de PCP, PEV, Iniciativa Liberal e da deputada não inscrita Joacine Katar Moreira.

A renovação do estado de emergência, há duas semanas, teve um voto contra, do deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, e contou com abstenções de PCP, PEV, Chega e de Joacine Katar Moreira.

Quanto aos termos em que decorrerá um terceiro período de estado de emergência, Marcelo Rebelo de Sousa disse na sexta-feira passada que era « cedo para dizer qual a versão final », mas que considerava não ser necessário haver « restrições tão restritivas como aquelas da Páscoa », época em que habitualmente as famílias se reúnem.

A reunião do Conselho de Ministros em que será apreciada a proposta de decreto do Presidente da República está marcada para as 09:30 de hoje no Palácio da Ajuda, em Lisboa, e o debate na Assembleia da República sobre o pedido de autorização de renovação do estado de emergência está agendado para as 15:30.

Com o estado de emergência decretado pelo Presidente da República, estão parcialmente suspensos os direitos de deslocação e fixação em qualquer parte do território nacional, bem como de circulação internacional, de propriedade e iniciativa económica privada, de direitos dos trabalhadores, de reunião e de manifestação, de liberdade de culto na sua dimensão coletiva, de liberdade de ensinar e aprender, de proteção de dados pessoais e estão impedidos atos de resistência às autoridades em execução das normas adotadas neste quadro de exceção.

O Governo, a quem cabe regulamentar a aplicação do estado de emergência, impôs a suspensão de um conjunto de atividades e o « confinamento obrigatório » para os doentes com covid-19 e infetados com o novo coronavírus, um « dever especial de proteção » para maiores de 70 anos e pessoas consideradas de risco, por serem imunodeprimidas ou terem outras patologias, e um « dever geral de recolhimento domiciliário » para o resto da população.

Ao abrigo do estado de emergência, o executivo tem adotado um conjunto de medidas extraordinárias e de caráter urgente de resposta à situação epidemiológica da covid-19.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou quase 127 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Em Portugal, morreram 599 pessoas das 18.091 confirmadas como infetadas.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Alfa/LUSA