Violência policial em França. Até o Governo se começa a questionar, diz Luísa Semedo, escritora e presidente para a Europa do Conselho das Comunidades, na sua crónica desta quarta-feira, 15, na Rádio Alfa.
A cronista da Alfa está em linha com muitas críticas à polícia e ao Governo que se ouvem e lêem nos últimos dias em França.
Por exemplo, Laurent Joffrin, diretor do jornal Libération, afirma num comentário que o próprio ministro do Interior reagiu, tarde e a más horas, à violência policial. A crónica de Joffrin chama-se « O mea culpa de Castaner, a castanha ».
Opinião de Luísa Semedo para ouvir nesta quarta-feira, 15, na Rádio Alfa.
Liderança das tabelas de vendas e de streaming mantêm-se inalteradas, com Xutos & Pontapés e Piruka a dominar
Numa semana em que não se regista uma única nova entrada no top nacional de vendas de álbuns, os Xutos & Pontapés seguram o primeiro lugar com a coletânea « 40 Anos a Dar no Duro ». Leonard Cohen sobe à vice-liderança com « Thanks for the Dance » e a completar o pódio está o projeto de Aurea e Marisa Liz, Elas, com o disco de estreia « 9 ».
1. Xutos & Pontapés – « 40 Anos a Dar no Duro »
2. Leonard Cohen – « Thanks for the Dance »
3. Elas – « 9 »
4. Harry Styles – « Fine Line »
5. Camané & Mário Laginha – « Aqui Está-se Sossegado »
6. Carlos do Carmo – « Oitenta »
7. Dulce Pontes – « Best Of »
8. Nick Cave & The Bad Seeds – « Ghosteen »
9. Coldplay – « Everyday Life »
10. Diogo Piçarra – « South Side Boy »
A liderança da tabela de streaming também se mantém inalterada, com ‘Louco’ de Piruka e Bluay a manter-se à frente. ‘Dance Monkey’ de Tones and I segura a segunda posição e em terceiro lugar está esta semana o tema ‘Menina Solta’ de Giulia Be. A entrada nova mais alta da semana pertence a Justin Bieber e o novo single ‘Yummy’, que, no entanto, se fica pelo 14º lugar.
1. Piruka & Bluay – ‘Louco’
2. Tones and I – ‘Dance Monkey’
3. Giulia Be – ‘Menina Solta’
4. Travis Scott – ‘Highest in the Room’
5. Julinho KSD – ‘Hoji N’ka ta Rola’
Portuguesa que acusa hotel do Luxemburgo de « escravatura » vence caso em tribunal – noticia o JN
Uma portuguesa a trabalhar num grupo hoteleiro no Luxemburgo acusa a empresa de a obrigar a trabalhar até 100 horas semanais e não ser devidamente paga, tendo o Tribunal de Trabalho lhe dado razão.
Daniela Araújo, 25 anos, chegou ao Luxemburgo há cinco anos para se juntar ao marido que já se encontrava a trabalhar neste país.
A primeira experiência com o grupo hoteleiro « SP Group » aconteceu entre 1 de abril de 2016 e 31 de janeiro 2017.
« Cheguei a trabalhar 100 horas semanais e não me pagavam horas suplementares », contou à Lusa, acrescentando que, na altura, não sabia como nem a quem queixar-se.
Após uma queda na cozinha do restaurante onde trabalhava — o grupo tem ainda um outro restaurante e um hotel — e quando estava em baixa clínica, foi despedida.
Daniela foi entretanto mãe e, quando se encontrava a trabalhar numa estação de serviço, não conseguiu renovar o contrato, pois ausentava-se devido à doença do filho.
Desesperada, aceitou voltar a trabalhar para o restaurante que alegara melhorias nas condições de trabalho.
« Caí novamente na asneira », desabafou, contando que logo na primeira semana chegou a trabalhar 13 horas por dia. Aguentou duas semanas.
Por causa dos horários de trabalho só via o filho — agora com dois anos — dez minutos por dia.
Decidiu apresentar uma queixa na Inspeção de Trabalho e, apesar das pressões que sentia dos responsáveis do restaurante, esteve lá até 26 de agosto de 2019.
Nessa altura, adiantou, teve um acidente de trabalho e, tal como na primeira vez em que trabalhou neste espaço, foi despedida em baixa médica.
Após apresentar uma queixa no sindicato, que envidou esforços para chegar à fala com a entidade patronal, avançou para o Tribunal de Trabalho.
Governo de Paris recua na chamada idade “pivot” (64 anos) das reformas francesas e mete a França numa grande complicação.
As alternativas que restam ao Governo para restabelecer o equilíbrio financeiro do sistema das pensões de reforma são complicadas e muito pouco evidentes.
Quase não há alternativas credíveis, diz Pascal de Lima, economista e professor em SciencesPo. Ouça aqui a última crónica do especialista luso-francês:
A cantora australiana Sia fez um convite sexual muito direto a Diplo, dos Major Lazer
Sia revelou uma mensagem que enviou a Diplo, dos Major Lazer e seu colega no projeto LSD, na qual lhe pergunta se quer manter relações sexuais casuais. Em entrevista à revista GQ, utilizada num perfil do músico, a cantora australiana começa por dizer: « muita da nossa relação é passada a tentarmos não ter sexo para não arruinarmos a nossa relação profissional, porque ele é muito sexy ».
« Este ano, enviei-lhe uma mensagem de texto e disse ‘hey, ouve, és tipo uma das cinco pessoas por quem me sinto sexualmente atraída e agora que decidi ficar solteira para o resto da minha vida e acabei de adotar um filho, não tenho tempo para uma relação… Se estiveres interessado em sexo sem complicações, diz-me ».
A voz de ‘Chandelier’ falou ainda sobre o facto de Diplo não ser uma pessoa muito confiante, « ele acha que não é suficientemente bom em nada », e de ter uma « autoestima muito baixa »: « é tão interessante, porque ele é uma das pessoas mais talentosas e atraentes no mundo. Mas não sabe que é ». Recorde abaixo o vídeo de ‘Thunderclouds’, dos LSD, projeto que junta os dois músicos a Labrinth.
Com o 25 de Abril ainda fresco, os Jafumega ajudaram a erguer, a partir do Porto, um movimento que tinha nos Taxi, GNR ou Heróis do Mar outros agentes valiosos. No dia em que é notícia o falecimento do teclista Eugénio Barreiros, recuperamos a história da banda portuense, contada pelos seus principais protagonistas em 2013. O regresso aos “fabulosos anos 80”, uma década “irrepetível” em que o grupo dos irmãos Barreiros chegaram a ‘abrir’ para os U2.
Praia da Aguda, Gaia, março de 2013. É nos escritórios da agência Chave do Som, responsável pelos concertos de regresso dos Jafumega, em maio, que a BLITZ se encontra com quatro dos seis músicos da banda de «Nó Cego». O dia é de inverno rigoroso – a certa altura, alguém teme que «uma faneca» entre a voar pela sala de reuniões, projetada pela força do mar, mesmo ali à frente, mas as memórias correm calorosas e pacíficas. Os Jafumega, cuja formação fica completa com os dois irmãos de Mário Barreiros, Eugénio (teclados) e Pedro (baixo), existiram na primeira metade da década de 1980 e esta baliza temporal é parte obrigatória da conversa que se estende tarde fora. Noutra época, esta banda não teria sido a mesma coisa – mas os anos 80 em Portugal também não teriam sido os mesmos sem os Jafumega, é a conclusão que parece ressaltar das memórias cruzadas.
«Ainda estava fresquinha, a Revolução», lembra-se Mário Barreiros (guitarra), hoje um produtor consagrado (no dia da entrevista, teve de encontrar tempo entre trabalho de estúdio com a fadista Cuca Roseta e a partida para a Austrália, onde tinha três concertos «ao serviço» dos The Gift, com quem toca bateria). «Todos temos memórias incríveis dessa altura. Foi uma época fabulosa e irrepetível, que não tem nada a ver com o que se passa hoje». Os companheiros corroboram, salientando que os anos 80 «foram anos de muitas descobertas, todos os dias se descobriam coisas!». Particularmente conversador, José Nogueira, saxofonista da banda, oferece um enquadramento ao surgimento dos Jafumega, na viragem da década de 1970 para a de 1980: «Portugal viveu fechado até ao 25 de Abril. Meia dúzia de nós viajámos alguma coisa, mas o grosso da população não sabia o que se passava no mundo. O país parecia que tinha arame farpado à volta». A taxa de analfabetismo «monstruosa» e a iliteracia generalizada faziam de Portugal um lugar consideravelmente diferente, mas ao mesmo tempo abriam porta àquilo a que hoje se chamaria empreendedorismo.
«De repente, o país abre as portas ao mundo e o boom do rock português é uma consequência disso, com [o crescimento das] artes, do cinema, do teatro. Vivíamos uma altura privilegiada, de abertura: tudo era novo e nós também!», exulta José Nogueira. Perante as contrariedades e a inexistência de infraestruturas, sobretudo a nível dos espetáculos ao vivo, os Jafumega arregaçavam as mangas e faziam-se à vida: «Se não havia PA, nós inventávamos um! Andávamos com ele às costas, e um dia ele queimou-se num concerto e começa a deitar fumo… Improvisa-se, arranja-se, desenrasca-se».
Jafumega em 1983
ARQUIVO GESCO
No meio musical da época, os Jafumega eram conhecidos não só pelo grande domínio instrumental, como pelo facto de, à semelhança dos UHF, terem construído a sua própria estrutura. «Conhecíamos as outras bandas e encontrávamo-nos nos bastidores. Fazíamos muita coisa em conjunto», recorda Mário Barreiros. «Pisávamos os mesmos palcos de Xutos & Pontapés, Heróis do Mar, Sétima Legião, Street Kids, GNR, Grupo de Baile…». Mas a independência do sexteto do Porto era um dos fatores que faziam a diferença. «As pessoas não fazem ideia que na altura não havia infraestruturas: não havia managers, agentes, companhias de aluguer de PA ou de [sistemas de] som e luz», enumera José Nogueira. «Os roadies eram aos milhares mas não era para trabalhar, era para entrar de borla nos concertos!», ri Álvaro Marques, baterista. «Nós, o pessoal do boom do rock português, inventámos tudo. Tal como os UHF, tínhamos uma estrutura própria: fazíamos de managers, tratávamos dos contratos, tínhamos um PA, luzes próprias, técnicos que andavam sempre connosco. Algumas dessas coisas deram origem a coisas que continuaram», congratula-se José Nogueira, salientando então o «grande desenvolvimento da tecnologia» verificado no início dos anos 80. «Quando começámos, praticamente não havia sintetizadores; todas essas coisas começaram a aparecer de 1980 em diante. E nós, sempre que podíamos, agarrávamos tudo o que aparecia! Até ao nível tecnológico desbravámos bastante caminho, desenvolvendo técnicos de som e técnicas de gravação».
Quando nasceram como banda, porém, o boom do rock português, cantado na língua de Camões, ainda estava em incubação. «Nós nem sabíamos quem era o Rui Veloso!», contam, entre risos. Ainda que bastante jovens, os Jafumega tinham já vasta experiência musical, alguma dela anterior a 1974: os irmãos Barreiros (Mário, Pedro e Eugénio) tinham pertencido à banda jovem Mini-Pop, criada pelo pai Barreiros, fundador também da Escola Jazz do Porto. Tanto Mário como Pedro haviam acompanhado José Nogueira no quarteto de António Pinho Vargas, enquanto Pedro e Álvaro Marques tinham tocado na banda rock Psico. A variedade de influências e a familiaridade com a linguagem jazz faziam dos Jafumega uma banda de perfeccionistas dados à improvisação, recordam agora os músicos, três décadas depois do fim.
«A ideia base das canções, normalmente, saía de cada um de nós», explica José Nogueira. «A maior parte dos temas são do Eugénio, do Mário ou meus. O Luís [Portugal, vocalista] também tem alguns, mas a maior parte saiu deste trio. E o Eugénio é um compositor incrível!», elogia, referindo-se ao autor do maior êxito dos Jafumega, «Ribeira». «Nós saíamos com a ideia base e depois o tema era acabado em conjunto, com contribuições: na bateria o Álvaro é que sabe, no baixo o Pedro é que sabe. Há muita discussão e muita improvisação pelo menos – 50 por cento do grupo são músicos de jazz, o que faz com que tenhamos uma música qualquer e comecemos a fazer outra coisa por cima, naturalmente. Os músicos rock não têm muito essa tradição. Nós encontrávamos sempre qualquer coisa diferente para fazer por cima das músicas, elas nunca estavam acabadas», reconhece.
José Nogueira, Eugénio Barreiros, Álvaro Marques, Mário Barreiros, Luís Portugal e Pedro Barreiros (esq-dir)
ARQUIVO GESCO
PRIMEIRO FOI O VERBO (EM INGLÊS)
No primeiro álbum, “Estamos Aí”, lançado em 1980, os Jafumega já obedeciam a esta dinâmica de composição, mas as músicas eram cantadas em inglês. «É preciso perceber que, nessa altura, ainda não havia o boom do rock português», sublinha José Nogueira, interrompido por Mário Barreiros: «Até o Rui Veloso cantava em inglês!». Nogueira retoma a narrativa: «Nós nem conhecíamos o Rui. Estávamos em estúdio a gravar o disco, praticamente com tudo pronto, quando foi lá alguém que conhecíamos ouvir [o álbum] e nos disse: vem aí o disco de um puto giro, cantado em português. Um tipo do Porto». Nem o facto de os Jafumega serem, também, naturais da Invicta fazia com que conhecessem o futuro Chico Fininho. «Esse nosso primeiro disco foi gravado numa altura em que não havia em Portugal a tradição de fazer grupos rock. E muito menos de editar discos». O que levou, então, os seis amigos a arriscar uma carreira na música? «Nós metemo-nos nisso porque éramos músicos, porque gostávamos de tocar e porque era essa a nossa vida. Mas foi complicado, porque ninguém gravava nem queria gravar», confessa José Nogueira. «Passámos imenso tempo a tentar sobreviver, sem concertos, sem discos, sem nada. Fomos compondo e as letras saíam em inglês, porque era o que se fazia na altura. Só depois de o Rui Veloso ter rebentado com o Ar de Rock e as editoras terem saltado e aproveitado esse sucesso, abrindo as portas a outros grupos rock a cantar em português, é que o fenómeno se desenvolveu».
De “Estamos Aí”, a estreia discreta gravada em inglês e editada pela pequena Metrosom, não reza a história dos Jafumega. «O nosso primeiro disco? Ninguém o ouviu. Alguma imprensa gostou, mas o público em geral não», admite José Nogueira. «Eu conheço gente que diz que é o nosso melhor disco!», garante Luís Portugal. «Gente ligada aos media e à rádio. Na altura, foi um disco inovador». Álvaro Marques, que durante a entrevista se mantém sempre atento, tirando até notas num caderno, concede: «é um disco diferente, não há dúvida».
Contudo, o sucesso só bateria à porta dos Jafumega em 1981, com o single «Dá-me Lume». O título não lhe diz nada? É normal, pois o passaporte para o êxito não foi o lado A , mas sim o lado B: «Ribeira», imortalizada no cancioneiro rock português pelo refrão «A ponte é uma passagem / para a outra margem».
«É uma música do meu irmão Eugénio, que tinha uma série delas bestiais», entusiasma-se Mário Barreiros. «A letra era do José Soares Martins, e o Eugénio musicou-a». Este era, habitualmente, o modus operandi da banda: «normalmente o José Carlos Martins ou o Carlos Tê traziam as letras e nós musicávamos por cima. Raramente era ao contrário», lembra-se José Nogueira. O autor da letra de «Ribeira» foi, de resto, apresentado aos Jafumega pelo «comparsa» de Rui Veloso, Carlos Tê.
«O Zé era amigo do Carlos Tê», conta Luís Portugal. «Ambos trabalhavam no Banco de Portugal… faziam-se coisas boas no Banco de Portugal, na altura (risos). E como ele escrevia sobre o Porto tanto a « Ribeira » como o « Kasbah », do Tê, são sobre o Porto nós [gostámos]. Ainda por cima eram letras bem escritas!».
A mudança do português para o inglês, que começou com o single de 1981 e se manteve nos dois álbuns seguintes, “Jafumega” e “Recados”, implicou também uma mudança no registo de Luís Portugal. Foi aqui que o cantor arriscou pela primeira vez um falsete que não deixou de gerar dúvidas. «Na altura dava trabalho [cantar em português], porque soava estranho a toda a gente!», admite Mário Barreiros. «Causava estranheza a nós mesmos, no início. Pensávamos: vamos mesmo aparecer com isto assim? Se calhar não vai resultar….», completa Luís Portugal. «Eu entretanto já tinha aprendido alguma coisa [no que toca a cantar], e gosto de cantar em português, mas a nossa língua não é a mais musical. Temos muitas vogais fechadas, não é fácil. Mas, depois de lhe apanharmos o jeito, dá imenso gozo cantar na nossa língua!». José Nogueira resume: «não havia referências [de rock cantado em Português]. Mas tivemos a sorte de encontrar gente boa a escrever. Gente musical. O Carlos Tê, ao escrever, já tinha muita musicalidade. Uma letra dele, de um certo ponto de vista, já tem música», considera, lembrando que é Tê o autor de «Chico Fininho». «E isso ajudou-nos imenso».
‘Ribeira’, um dos êxitos dos Jafumega, da autoria de Eugénio Barreiros:
DA RIBEIRA AOS U2
Nos seus quase quatro minutos, «Ribeira», canção de cadência algo misteriosa, inspirada pela zona ribeirinha do Porto, foi, mais do que um passaporte para o estrelato, um balão de oxigénio para os Jafumega. «Permitiu-nos ter concertos, funcionar. Viver como músicos e como grupo, senão tínhamos morrido ali», garante José Nogueira. Depois de o primeiro álbum ter passado despercebido, o êxito do single de 1981 ofereceu aos Jafumega um contrato com a Polygram, o que fez «toda a diferença» em termos de divulgação. «O primeiro disco foi gravado para uma pequena editora [Metro-Som]. A « Ribeira » permitiu-nos dar o salto para uma editora maior, que tinha outras condições, como mais tempo de estúdio. Mas, mesmo assim, era sempre a correr!», afiança Luís Portugal. À época, ilustra José Nogueira, «só havia três ou quatro estúdios profissionais que custavam muito dinheiro. E as editoras tinham aberto a porta ao rock português, mas uma porta pequenina!», esclarece entre risos. «Não havia muita massa. O segundo e o terceiro álbum foram gravados em cinco dias, misturados em dois dias e masterizados numa manhã manhosa. Era assim que se trabalhava naquela altura: não havia estúdios caseiros».
A vários níveis, há um antes e um depois de «Ribeira» no percurso do Jafumega. Nos concertos em Portugal, a reação do público era geralmente positiva, «porque nós tocávamos sempre com muita energia. Nunca tocámos para nós, mas sim para quem nos está a ver. Havia uma comunicação», diz José Nogueira. «Mas houve um fenómeno curioso de que nunca me vou esquecer: andávamos a fazer concertos um pouco por todo o lado e já tocávamos a « Ribeira », mas ainda não era conhecida. Um dia, no Algarve – penso que em Vila Real de Santo António ou Monte Gordo – tocámos a canção e de repente começa toda a gente a pinchar, aos berros. Uma coisa absolutamente extraordinária!».
O segredo da euforia residia no facto de, na semana anterior, «Ribeira» ter passado no programa da RTP, Vivamúsica. «Foi incrível a diferença da receção das pessoas, antes de as pessoas conhecerem a música e depois de ela passar na televisão. Isto mostra o quão importante foi o papel da televisão, da rádio e da imprensa em geral para a promoção e divulgação do rock em Portugal nessa altura. Sem isso, tinha sido absolutamente impossível».
Curiosamente, «Ribeira» não faz parte do alinhamento do álbum de 1982, onde habitam outros êxitos da banda, como «Kasbah», «Nó Cego» ou «Liquidamos Existência». E foi com esse disco no bolso que os Jafumega viveram um verão memorável, tocando na Festa do Avante para «um mar» de gente, ou no festival de Vilar de Mouros, imediatamente antes dos U2. «Eles estiveram atrás de nós, a ver e a ouvir o nosso concerto», recorda-se Álvaro Marques. «E foram muito simpáticos! Antes de entrarmos em palco, vieram dar-nos um abraço e dizer: que corra bem!», quer José Nogueira adicionar. Na altura entre os álbuns “October”, de 1981, e “War”, de 1983, os U2 eram, como conta Luís Portugal, risonho, «chefes, mas pouco… mas já tinham peso!». Mário Barreiros contribui para as memórias galhofeiras: «os U2 até perguntaram ao [nosso fã] José Camilo « Quem é esta banda? ». Logo a ele, que não sabia inglês, só francês». Ainda longe do estatuto de gigantes da música mundial, os irlandeses não deixavam de ser os cabeças de cartaz e o estatuto fez-se sentir. «O manager deles foi muito chato connosco», revela José Nogueira. «Disse-nos: tocam este tempo e nem mais um minuto! O público a pedir para nós tocarmos mais, e ele correu-nos para fora do palco».
Na Festa do Avante, em 1982, onde apanharam “um susto” com a enchente que os esperava
ARQUIVO GESCO
Nesse mesmo verão de 1982, os Jafumega tremeram uma segunda vez, quando no anfiteatro natural do Alto da Ajuda, em Lisboa, se viram a braços com uma enchente indescritível. O evento era a Festa do Avante e as recordações vivem até hoje. «Tínhamos estado a fazer soundcheck, à tarde, e não estava lá ninguém, só meia dúzia de gatos pingados », diz José Nogueira. «Estava tudo nos chouriços e nos canecos!», brinca Álvaro Marques. «À noite entrámos e era só gente, como se fosse um mar a vir por cima de nós. Eu tremi completamente, apanhei um susto terrível», admite José Nogueira. «Mas logo a seguir foi bestial!».
Nas viagens dos Jafumega pelos caminhos de Portugal, a banda criou, no dizer do baterista Álvaro Marques, «muitas sintonias e afinidades com várias localidades na província: Beira Alta, Trás-os-Montes, Minho, a zona de Coimbra… andávamos sempre a calcorrear essas praças». A identificação do público com as canções dos portuenses passaria muito pelo facto de serem cantadas em português, acredita José Nogueira.
«Uma das razões pelas quais o boom do rock português se deu foi por ser cantado em português. As pessoas entendiam as letras! Num país com uma taxa de analfabetismo como a que tínhamos, muitas das letras em inglês as pessoas nem as percebiam». Ao terceiro e último álbum, “Recados”, lançado em 1983, os Jafumega optaram por explorar esta ligação ao Portugal «real», sem todavia obterem muito sucesso. «Já que cantávamos em português e tínhamos uma música tradicional riquíssima, tentámos seguir esses caminhos», expõe Luís Portugal.
Entusiasmado, José Nogueira desenvolve: «A que propósito é que havíamos de fazer uma música influenciada a 100 por cento pelo que se passava em Londres, que era a Meca, quando vivíamos aqui? Tínhamos essa discussão permanentemente. Então se vivemos em Portugal, se nos encontramos no dia-a-dia nos mercados, nos restaurantes, nas ruas, nos transportes públicos com portugueses, com gente que vive problemas diferentes de quem vive em Londres, porque é que a nossa música há de ser igual à deles? [Concluímos que] não fazia sentido e que iríamos aproveitar as novas tecnologias, os instrumentos modernos, mas também ser permeáveis àquilo que nos rodeava».
Apresentado pelo single «La Dolce Vita/ Romaria», Recados acabou por não ter «a receção que deveria ter tido», defende uma vez mais José Nogueira. «Acho que é o nosso melhor disco, onde chegámos ao amadurecimento de uma série de ideias, como a conjugação com a Música Tradicional Portuguesa. Temos temas lindíssimos, como « Rústica » e « O Outro Dia do Ano », que foram pouco divulgados e conhecidos». Estariam os Jafumega à frente do seu tempo? «Se calhar eram coisas que não estavam na moda na altura», admite o músico. «E se tivessem aparecido uns anos mais tarde teriam tido mais recetividade».
Na cozinha do restaurante O Churrasquinho, da mãe dos irmãos Barreiros. Ao centro, Pedro Barreiros
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O FOGO NÃO SE APAGOU
Em 2013, os Jafumega reuniram-se para concertos no Porto e em Lisboa, recuperando os êxitos de outrora. Na altura, apresentavam assim os concertos:
«Não é que estejamos a fazer grandes alterações: estamos é a tocar as músicas à nossa maneira, hoje em dia. E sentimo-nos confortáveis. Às vezes havia gente que nos dizia: os temas ainda hoje soam atuais! E a prova parece estar aqui: trinta anos depois, depois de termos passado pelos jazzes e pelas músicas todas que andámos a fazer, ainda gostamos das canções». Mário Barreiros, que nos últimos anos tem produzido incontáveis artistas, gostou «de rever todas as músicas. Não sei se é por serem nossas, mas o « Nó Cego » ou a « Ribeira » ficam para sempre, são intemporais». Num misto de nervosismo e excitação, «tudo misturado!», os ensaios têm-se prolongado de forma gostosa, o que, para Álvaro Marques, é sinal de dedicação à causa. «Nós marcámos que os ensaios acabavam à meia-noite e saímos sempre às duas, duas e meia apesar dos vizinhos».
Nos casos de maior popularidade, como «Ribeira», as canções subirão a palco como vieram ao mundo, sem grandes alterações. «Tocamos um bocadinho mais descontraídos do que há 30 anos, com outra segurança, mas quem ouvir reconhece imediatamente. Mas há outras, como « Sei que Pareço um Ladrão », a que demos uma volta bastante grande».
Esta é, de resto, uma das letras que, para os Jafumega, conservam maior atualidade. «A « Latin’América » menos, porque a América Latina mudou imenso nestes 30 anos. A « Sei que Pareço um Ladrão », [com um verso] do António Aleixo, ou a « Só Sai a Ti (Society) » são mais atuais, tal como a « Liquidamos a Existência » ou a « Guida Peituda » [inspirada em Margaret Thatcher], se for de Inglaterra para a Alemanha… No fundo, os problemas subsistem. Aquilo que o Eça de Queirós ou o Aquilino [Ribeiro] diziam continua a fazer sentido hoje. A choldra da altura é a mesma choldra de hoje», rematam.
Apesar do muito que se evoluiu na música em Portugal, desde os tempos em que os Jafumega dominavam as ondas radiofónicas, a banda continua a assistir a concertos «em que a qualidade do som é mais ou menos, para não ser mauzinho», brinca José Nogueira. «E para nós um concerto tem de soar quase como um disco, em termos de qualidade de som. Claro que a prestação é completamente diferente, porque [contempla] toda a energia e improvisação. Mas, se tudo correr bem, as pessoas vão ter, também a esse nível, uma surpresa engraçada». Acima da nitidez do som e do perfeccionismo que norteia o grupo, porém, estará o prazer. «Nos ensaios, começámos a tocar as músicas que já não tocávamos há uma data de tempo e gostámos delas», assegura Mário Barreiros. «Se não gostássemos, não valia a pena».
O FC Barcelona ultrapassou o Real Madrid e tornou-se no clube de futebol com mais receitas em 2018/19, segundo um estudo publicado hoje pela Deloitte, no qual o Benfica surge no 24º posto e o FC Porto no 29º.
De acordo com a edição anual do ‘Football Money League’, o Benfica subiu seis lugares neste ‘ranking’, ao registar 197,7 milhões de euros (ME) em receitas, numa época em que reconquistou o título de campeão nacional e chegou aos quartos de final da Liga Europa, depois de ter ‘caído’ na fase de grupos da Liga dos Campeões.
Com uma receita calculada em 176,2 ME, o FC Porto, vice-campeão nacional e que chegou aos ‘quartos’ da ‘Champions’, ocupa o 29.º lugar, numa lista em que apenas os dois emblemas portugueses, os holandeses do Ajax (23.º com 199,4 ME) e os russos do Zenit São Petersburgo (28.º com 180,3 ME) se intrometem entre os representantes das cinco principais ligas da Europa.
O ‘ranking’ é liderado pelo campeão espanhol FC Barcelona, que destronou o rival Real Madrid ao tornar-se no primeiro clube a ultrapassar a barreira dos 800 ME, totalizando 840,8, mais 83,5 do que os ‘merengues’ (757,3), vencedores da última edição da “liga do dinheiro”.
O Manchester United continua a ser o clube com mais receitas da Premier League, com 711,5, apesar de ter falhado a qualificação para a ‘Champions’, à frente dos rivais e campeões do Manchester City (610,6) e do Liverpool (604,7), vencedor da Liga dos Campeões e do Mundial de clubes.
O Bayern Munique manteve o quarto lugar do ‘ranking’, com 660,1 ME, à frente do Paris Saint-Germain (635,9), que subiu ao quinto lugar, por troca com os ‘citizens’.
O Tottenham (521,1), agora comandado por José Mourinho, subiu ao oitavo lugar do ‘ranking’, numa época em que chegou à final da ‘Champions’ e inaugurou o seu novo estádio, conquistando o título de emblema mais rentável de Londres, ao ultrapassar Arsenal e Chelsea.
A octocampeã italiana Juventus, que conta com Cristiano Ronaldo, recuperou o 10.º posto, com um total de 459,7 ME, enquanto os franceses do Lyon (17.º) e os italianos do Nápoles (20.º) foram as novidades no ‘top-20’, que continua a ser um exclusivo para os ‘big 5’ (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França).
Segundo a Deloitte, “as receitas de transmissões televisivas continuam a ser a maior fonte de receita individual, representando 44% da receita total”, mais um ponto percentual do que na época anterior.
No total, os 20 clubes de futebol com maiores ganhos do mundo geraram um valor recorde de 9,3 mil ME em 2018/2019.
O realizador português Pedro Costa é um dos destaques do festival francês Cinema du Réel com a programação especial de quatro das suas principais obras e uma ‘carta-branca’ de nove sessões, anunciou hoje o evento.
« O cinema de Pedro Costa tem um efeito avassalador no espectador assim como desafia constantemente a relação entre ficção e documentário », pode ler-se em comunicado enviado hoje pelo Cinema du Reel às redações sobre a escolha do realizador português.
Este ano, o Cinema du Reel, uma mostra internacional de cinema documental que decorre anualmente em Paris, não vai estar só presente no Centro Pompidou, como já é habitual, mas vai também prolongar-se ao recém-inaugurado Jeu de Paume, um pavilhão no jardim das Tulherias que agora acolhe um museu de fotografia moderna.
Pedro Costa estará presente nestes dois polos. Primeiro com sessões especiais durante o festival, onde as obras « No Quarto de Vanda » (2000), « Juventude em Marcha » (2006), « Cavalo Dinheiro » (2014) e « Vitalina Varela » (2019) vão ser mostradas entre 13 e 22 de março.
Estas sessões vão ser acompanhadas por uma ‘masterclass’ de Pedro Costa, onde o realizador falará da sua obra e também de aspetos técnicos dos seus filmes e ainda uma discussão sobre o filme « No quarto de Vanda ».
Num segundo tempo, de 24 a 31 de março, Pedro Costa recebeu ‘carta-branca’ para nove sessões que vão contar com filmes seus como « O Nosso Homem » ou « O Sangue », mas também obras de outros realizadores. A ‘carta-branca’ de Pedro Costa vai decorrer no Jeu de Paume.
Nascido em Lisboa, em 1959, Pedro Costa é um cineasta independente, herdeiro das experiências feitas em 16mm no documentário pelos seus pares do chamado Novo Cinema, tendo-se formado na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.
Iniciou a atividade nos anos 1990, tendo sido assistente de realização de Jorge Silva Melo e de João Botelho, criando, até hoje, 15 longas e curtas-metragens como « Ne Change Rien » (2009), « Juventude em Marcha » (2006), « Ossos » (1997), « Casa de Lava » (1994) e « O Sangue » (1989).
O seu mais recente filme, « Vitalina Varela », teve estreia mundial em agosto passado, no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, onde arrecadou os principais prémios do certame: Leopardo de Ouro e Leopardo de melhor interpretação feminina para a protagonista, que dá nome ao filme. Desde aí, tem recebido vários prémios em diversos festivais internacionais de cinema.
O filme « No Quarto da Vanda » deu-lhe o Prémio France Culture para o Cineasta Estrangeiro do Ano, no Festival de Cannes de 2002.
Esta presença do realizador nacional em terras francesas vai dar origem a um catálogo e livro de arte publicado pelas Edições l’Œil que abrange toda a sua participação no evento, assim como a sua obra.
115 empresas/marcas portuguesas participam na edição de janeiro da feira Maison & Objet Paris, o que representa uma das maiores participações portuguesas de sempre nesta feira internacional, uma das mais importantes do mundo
Comunicado oficial AICEP – Embaixada de Portugal
« Realiza-se de 17 a 21 de janeiro a primeira edição 2020 do salão bianual de mobiliário e decoração “Maison & Objet”, no Parque de Exposições de Villepinte, em Paris.
Esta primeira edição do ano 2020 do salão “Maison & Objet” (http://www.maison-objet.com/) contará com uma das maiores participações portuguesas na feira. Com 115 empresas/marcas constitui uma das maiores participações portuguesas em certames da fileira casa dedicados aos profissionais do sector com o destaque tradicional, nesta edição de início do ano, para as empresas do setor do mobiliário. O carácter seletivo da feira (qualidade, design, originalidade) continua a colocar este certame no topo das feiras internacionais mais importantes do sector. A presença portuguesa neste salão ao longo dos últimos anos posiciona Portugal no grupo dos principais países representados na feira, no que diz respeito ao número de expositores, conjuntamente com a Itália, Bélgica, Reino Unido, Alemanha, Espanha e Holanda.
A Maison & Objet que abrange diversos setores da fileira casa: mobiliário, têxtil, bem-estar, mesa, iluminação, artigos decorativos e projetos (“Maison & Objet – Editeurs”), realiza-se desde 1995, e é um dos salões internacionais com mais notoriedade a nível mundial, contando, nas últimas edições, com cerca de 3 mil expositores e mais de 80 mil visitantes únicos (45% estrangeiros) numa superfície de cerca de 130 000 m2 de exposição. Esta feira também beneficia de uma excelente cobertura mediática esperando-se a participação de cerca de 1 000 jornalistas estrangeiros num total de mais de 3 mil profissionais ligados à área dos media. »
Esta edição da Maison & Objet será visitada pelo Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, e pela Administradora da AICEP, Madalena Oliveira Silva, que serão acompanhados por representantes da Embaixada de Portugal em França, da APIMA-Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins e por elementos da equipa da AICEP em Paris e em Portugal. »
Churrasqueira portuguesa é o melhor restaurante no Canadá. Molho é o segredo
« Ma Poule Mouillée », em Montreal, gerida por Tony Alves, ocupa a primeira posição de uma lista dos 100 melhores locais para se comer no Canadá, estabelecida pela Yelp, uma rede social de estabelecimentos comerciais.
« Omelhor frango assado de Montreal. » É assim que muitos utilizadores da rede social Yelp, dedicada a avaliações de estabelecimentos comerciais, definem a especialidade portuguesa da churrasqueira « Ma Poule Mouillée » (A Galinha Molhada, em português), localizada no centro de Montreal, no Canadá e que ficou em primeiro na lista do 100 melhores locais para comer no Canadá, definida pela Yelp. Tony Alves é o emigrante que dirige este restaurante, aberto há seis anos. Antes, Tony Alves trabalhou mais de 20 anos numa outra churrasqueira, propriedade de um seu tio na mesma cidade do Quebeque. O segredo, diz o chef com família em Arcos de Valdevez, está no molho picante. Cujos ingredientes são isso mesmo – um segredo.
Não sendo o único prato que o restaurante oferece, o frango assado é o produto que mais consumidores atrai ao estabelecimento de restauração. Na Yelp, existem mais de 440 avaliações, quase todas positivas ou muito positivas. « Para determinar os melhores lugares para comer em 2020, a equipa de análise de dados da Yelp selecionou os melhores restaurantes por classificação e número de avaliações em 2019 por todo o Canadá », explica Yelp. Depois uma equipa de curadoria finalizou a classificação. « O resultado é uma lista tão peculiar, interessante e única », lê-se no blogue da empresa Yelp.
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