Greve geral em França. Macron enfrenta novas manifestações e novas reivindicações

Greve geral em França. Macron enfrenta novas manifestações e novas reivindicações

ERIC GAILLARD/REUTERS

Governo começou a ceder sobre as reformas, mas greve geral prossegue, hoje, com novas revindicações e mais manifestações

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro (Leia mais em expresso.pt)

Com a França em greve geral contra a revisão do sistema de cálculo das pensões de reforma, hoje vive-se mais um sábado tenso de manifestações, por vezes violentas, mas com objetivos muito diversos em Paris e noutras cidades.

O Governo não tem mãos a medir, encontra-se em grandes dificuldades e enfrenta mobilizações – “e cóleras”, como disse um manifestante “colete amarelo” ao Expresso – que exprimem variadas reivindicações e angústias.

Os sindicatos continuam a apelar à continuação da greve geral, que prossegue este fim de semana e no início da próxima, designadamente nos transportes e noutros setores de atividade. Os sindicalistas convocaram igualmente novas massivas manifestações em todo o país, designadamente para mais “um dia negro” na próxima terça-feira, dia 10, pelo menos idêntico ao do passado dia 5, quando o país esteve praticamente todo paralisado.

Mas os descontentamentos e os protestos, por vezes duros como já se verificou hoje em Paris. não são apenas contra a revisão do sistema das reformas.

Neste sábado, como constatou o Expresso, decorrem pelo menos três importantes manifestações na capital e na região: uma dos “coletes amarelos”, que apresentam revindicações generalistas variadas e se declaram também contra a revisão do sistema de reformas – este desfile já foi marcado por diversos incidentes com a polícia, ao princípio da tarde, na zona sul da capital; outro desfile, em Montparnasse, igualmente no sul da cidade, reúne milhares de desempregados – que lutam contra a revisão, para eles desfavorável, do sistema de atribuição dos subsídios de desemprego; e ainda decorre outra mobilização, dos camionistas, que protestam desde cedo esta manhã contra o aumento do imposto sobre os combustíveis previsto pelo Governo.

Os camionistas continuam a provocar esta tarde engarrafamentos enormes em autoestradas e estradas de acesso às principais cidades de França, incluindo Paris.

Dentro de Paris, os “coletes amarelos” e os “desempregados” reuniram, por agora separadamente, certamente diversos milhares de manifestantes, mas os números apenas serão conhecidos ao fim do dia.

Outras manifestações decorrem noutras cidades do hexágono francês, designadamente dos “coletes amarelos” e de desempregados contra a reforma do sistema do desemprego e, claro, também do cálculo das pensões dos reformados, que é o centro da atual crise social em França.

O primeiro-ministro, Édouard Philippe, disse ontem estar aberto ao diálogo e à concertação sobre a revisão do sistema de cálculo (por pontos) das pensões de reforma e anunciou que falará ao país na quarta-feira, logo a seguir ao novo “dia negro” de manifestações convocado pelos sindicatos para a véspera.

O Governo recuou no calendário sobre a revisão do sistema das reformas, prometeu diálogo mas não o retirou, como pedem os grevistas. Hoje, enfrenta outras reivindicações – o que certamente lhe complica muito a vida.

Timor Leste, França – greves e municipais, brasileiros em Paris. « Passagem de Nível »

« Passagem de nível » na Rádio Alfa – Domingo, 8 de dezembro 2019 – Entre as 12h00 e as 13h30

Destaques :

-Encontro “Património e Desenvolvimento em Timor-Leste”, dia 11 de Dezembro na Assembleia Nacional francesa
Convidados:
Pascale Boyer, deputada LREM, Presidente do Grupo parlementar de Amizade França- Timor
Dominique Guillaud, Geografa Cultural, membro do IRD (Institut de Recherche pour le Développement)
e Carlos Semedo, Associação France Timor Leste

Carlos Semedo:

-Eleitos locais e a actualidade social e política em França
Convidada: Patricia Tordjman, Maire de Gentilly (94)

-Livro: Les brésiliens à Paris, éditions Chandeigne, que será apresentado no dia 12 de
Dezembro na Librairie Brésiliènne, em Paris
Convidada: Adriana Brandão, Jornalista na RFI e historiadora, autora do livro

 

Apresentação e coordenação: Artur Silva

Sindicatos obrigam Macron a ceder de novo

Greve geral em França. Sob pressão, Governo acelera negociações

Greve geral em França. Sob pressão, Governo acelera negociações. França está mesmo em greve geral contra a revisão do sistema das pensões de reforma. Depois do êxito de mobilização do primeiro dia de greve (800 mil pessoas nas ruas, segundo números oficiais), hoje é dia de assembleias gerais por todo o país. Greve prossegue, manifestações também, e Governo começa a recuar.

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Bastou a este repórter um pequeno “passeio” matinal na capital francesa para constatar a realidade de que a greve geral saiu reforçada do primeiro dia (ontem), de paralisação quase total do país, onde decorreram imensos protestos nas ruas (sindicatos avançam com 1,5 milhões de manifestantes, o Governo com 800 mil).

Hoje, continua a verificar-se uma penúria quase total de transportes públicos, começa mesmo a faltar gasolina nas bombas, e há assembleias gerais de assalariados por todo o lado. Em Paris, as reuniões até decorrem em estações das linhas do metropolitano, como constatou o Expresso nos ramais números 6 e 9. Em todas se vota, por unanimidade e com um visível entusiasmo, pela continuação da greve e por mais manifestações.

As direções das principais centrais sindicais também apelaram, hoje, ao fim da manhã, ao endurecimento da greve e ao reforço das manifestações, designadamente para um novo “dia negro”, provavelmente mais forte do que o de ontem, na terça-feira, 10, véspera de uma anunciada “comunicação ao país” do primeiro-ministro, Édouard Philippe.

Amanhã, sábado, também decorrerão novas manifestações, designadamente em Paris, com os “coletes amarelos” e os desempregados a entrarem num movimento que os mais ousados desejam “revolucionário e de conjugação das lutas e dos descontentamentos contra Macron”, que continua a ser considerado como sendo o “presidente dos ricos”.

Ontem, verificaram-se incidentes em Paris entre polícia e manifestantes mais radicais, durante pelo menos três horas e o Governo, colocado sob forte pressão, começa a dar sinais de cedência.

Os sindicatos pedem a retirada do projeto de revisão do sistema de cálculo das pensões de reforma que o Governo e o Presidente Emmanuel Macron pretendem implementar – em nome da universalidade do sistema e do fim de 42 regimes especiais de reforma,  pretendem substituir o método atual de repartição solidária das pensões entre gerações pelo de “pontos”, calculados anualmente, com base nos descontos dos assalariados e dos défices das contas públicas e da segurança social.

Os sindicatos consideram que “todos os trabalhadores” vão perder direitos (e dinheiro) com a reforma do sistema e, ontem, além de funcionários públicos, ferroviários e motoristas de autocarros, viam-se também nas ruas advogados, professores, estudantes, médicos, enfermeiros, empregados de refinarias, etc.

O Governo começou já a ceder sobre os “regimes especiais”, designadamente na polícia e promete, agora, aumentos salariais aos professores.

Receando a “conjugação das lutas e dos descontentamentos” e uma revolta de muito maior envergadura no país, o executivo anunciou uma aceleração do calendário das negociações com os sindicatos e marcou uma reunião entre as duas partes já para a próxima segunda-feira.

O objetivo é tentar limitar a contestação porque para amanhã, sábado, estão marcadas novas manifestações que podem provocar incidentes e confrontos violentos e, sobretudo, porque, para terça-feira, foi convocado pelos sindicatos mais um “dia negro”, com o país de novo completamente paralisado.

«Eu não sou importante, o que é importante é a música» Ricardo Ribeiro em entrevista na Rádio Alfa

Editado em 2019, « Respeitosa Mente » é o álbum onde Ricardo Ribeiro explora novos caminhos musicais e poéticos com a cumplicidade do pianista João Paulo Esteves da Silva e do percussionista Jarrod Cagwin.

 

« Respeitosa Mente » não é um disco de fado, mas também não é obra de um qualquer alter ego de Ricardo Ribeiro até porque tudo o que aqui está é o espelho de outros horizontes musicais aos quais vai beber.

 

 

De Tiago Torres da Silva a João Paulo Esteves da Silva passando por Ary dos Santos ou ainda, entre outros, Pedro Homem de Melo, os poemas que Ricardo Ribeiro aqui canta não poderiam pertencer ao seu fado, não por uma questão de regras mas sim de características.

 

 

Ricardo Ribeiro e o « Respeitosa Mente » em destaque no programa Back Stage com Ester de Sousa.

Ricardo Ribeiro (Facebook)

Para ouvir este sábado, 7 de Dezembro, a partir das 15 horas, (14h em Portugal) na Rádio Alfa.

« Os portugueses vão votar nas municipais francesas » – Crónica

Os portugueses e as eleições autárquicas francesas, nas quais têm direito de voto. Volte a ouvir aqui a última crónica de Carlos Pereira, jornalista e diretor do Lusojornal:

 

Petição pelo ensino do português no estrangeiro

« Assine a petição pelo ensino de português no estrangeiro ». Volte a ouvir aqui a última crónica de Luísa Semedo, escritora e presidente para a Europa do Conselho das Comunidades:

 

Greve continua em França. 800 mil pessoas nas ruas no 1º dia de manifestações

Mais de 250 mil nas ruas em Paris, 800 mil em todo o país segundo o Governo.  Sindicatos prosseguem com greve e mais protestos

Mais de 250 mil nas ruas em Paris e sindicatos prometem mais protestos

Alfa/com Lusa e outras fontes
A coesão entre profissões e sindicados, dificilmente encontrada em França nos últimos anos, foi conseguida esta quinta-feira na greve geral e nas manifestações com ela relacionadas que, em Paris, segundo os sindicatos, contaram com mais de 250 mil pessoas. O Governo contabiliza 800 mil manifestantes em todo o país, a central CGT 1500 mil.

A convicção de sindicalistas ouvidos pela agência Lusa é que o protesto só acaba quando o Governo recuar no projeto de reforma do sistema de pensões, ideia reforçada pelo facto de a greve se ter generalizado a todos os setores da sociedade francesa, com cortejos nalguns pontos perturbados por ‘black blocs’ [grupos que se reúnem, mascarados e vestidos de preto, para protestar em manifestações de rua].

« Em 1995 partimos dos mesmos princípios, mas não tivemos o tempo de preparação que tivemos agora. Nessa altura era muito mais os regimes especiais e hoje está toda a gente na rua. Estamos muito mais num modelo 1968 do que em 1995 », afirmou Bertrand Hammache, secretário-geral da CGT-RATP em declarações à Agência Lusa, que já trabalhava na empresa de transportes de Paris em 1995 quando houve uma greve que durou três semanas também devido a uma proposta do Governo para mudar o sistema de pensões.

« O Governo não recuou na sua proposta apresentada em julho, portanto o que aconteceu foi que fomos angariando mais apoio para a nossa causa em todo o país. A reforma não é só dos regimes especiais, é de todos como se pode ver », indicou o secretário-geral da empresa que gere os transportes de Paris e que esteve na vanguarda desta greve.

Para informar os utentes sobre a iniciativa de hoje e lutar contra a reforma do sistema de pensões, o sindicato da RATP distribuiu milhões de panfletos nos últimos meses numa ação sem precedentes.

« Fizemos muita pedagogia, distribuímos muito material. Tivemos panfletos com tiragens de dois milhões de exemplares, algo que nunca tínhamos feito antes. Assim, toda a gente que precisava saber o que é a reforma por pontos e a posição da CGT, já sabe. Esta reforma não é credível », disse Hammache.

Mas não foram só sindicatos e pessoas preocupadas com as pensões que responderam à chamada. O cortejo em Paris viu o trajeto cortado devido a incidentes entre a polícia e ‘black blocs’ que não permitiram o avanço dos tradicionais carros com os símbolos dos sindicatos que assinalam a presença das diferentes classes profissionais.

Prevendo já a degeneração dos protestos, a prefeitura de Paris reforçou a segurança da capital com seis mil polícias, mas isso não impediu desacatos, incluindo alguns pequenos incêndios na Praça Republique.

Para quem veio protestar pelas suas condições de trabalho e o possível novo sistema de pensões, as respostas do Governo não são suficientes.

« Os professores arriscam-se a perder entre 300 a 800 euros, quer sejam do setor público ou do setor privado. Isto acumula-se com o descontentamento geral da profissão e as respostas dadas até agora não nos satisfazem. Vamos mobilizar-nos até este projeto ser retirado », disse Maud Ruelle-Personnaz, co-secretária-geral da FSU Versalhes, o maior sindicato do setor da educação.

Do outro lado, os estudantes também não estão satisfeitos.

« Este sistema de pontos que o Governo quer introduzir diz-nos respeito diretamente porque com o novo sistema, todo o tipo de trabalhos que temos enquanto jovens e estudantes, vão contar para a nossa carreira contributiva, enquanto que agora contam os melhores 25 anos », indicou Helno Eyriey, vice-presidente da União Nacional de Estudantes de França (UNEF) lembrando uma exigência antiga desta associação para que os anos de universidade ou formação contem para a idade da reforma já que atualmente a idade média de entrada no mercado de trabalho em França se situa nos 28 anos.

Mas as desigualdades deste novo sistema universal que quer unir os 42 sub-sistemas de pensões através da atribuição de pontos não se fica por aqui.

« As pensões das mulheres vão diminuir porque com o novo projeto vai ser considerada toda a carreira e até agora tinha-se em conta os melhores 25 anos. Assim, como são as mulheres que trabalham mais a meio tempo e têm contratos mais precários, são as que mais vão perder neste sistema de pontos », afirmou Ana Azaria, presidente da Organização de Mulheres Igualdade.

Segundo relata esta dirigente associativa, as mulheres reformadas estão entre as classes mais afetadas pela pobreza em França, com uma disparidade média face aos homens na pensão mensal de quase 700 euros.

Com estes dados e sem recuos por parte do Governo, a greve vai continuar. A RATP já anunciou que os transportes na região parisiense vão estar parados até segunda-feira, assim como é também para continuar a paralisação no setor ferroviário.

Na quinta-feira realizaram-se cerca de 250 manifestações em toda a França. Em algumas verificaram-se incidentes e violências, designadamente em Paris, Lyon, Nantes e Bordéus.

Face à forte mobilização, o Governo ficou sob pressão e anunciou que vai tomar decisões na próxima semana.

FC Porto vence Casa Pia e coloca-se a um empate da ‘final four’ da Taça da Liga

O FC Porto colocou-se hoje a um empate das meias-finais da Taça da Liga em futebol, ao vencer por 3-0 no reduto do ‘secundário’ Casa Pia, em encontro da segunda jornada do Grupo D da terceira fase.

O argentino Saravia, aos 50 minutos, o colombiano Luís Díaz, aos 68, e o brasileiro Soares, aos 72, marcaram os tentos dos ‘azuis e brancos’, que ascenderam ao primeiro lugar do agrupamento, com os mesmos seis pontos do Desportivo de Chaves.

Em 22 de dezembro, a partir das 19:15, os ‘dragões’, devido à vantagem na diferença de golos (4-0 contra 2-0), só precisam de empatar no reduto do Desportivo de Chaves, também da II Liga, que seguirá para a ‘final four’ se ganhar.

 

Alfa/Lusa.

Jogadores da seleção fazem vídeo em homenagem a Fernando Santos

Onze jogadores da Seleção Nacional fizeram um vídeo de homenagem a Fernando Santos pela distinção de ‘Melhor Selecionador Do Mundo’, prémio atribuído pela Federação Internacional de História e Estatística no Futebol. É um discurso, lido a várias vozes, inspirado nas palavras do próprio Selecionador.