14 de julho. PR Macron vaiado durante descida protocolar dos Campos Elísios

PR Macron vaiado durante revista às tropas nos Campos Elísios
 
Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

O Presidente Emmanuel Macron foi fortemente vaiado por gritos e assobios hostis durante uma boa parte da muito protocolar revista às tropas e a descida da avenida dos Campos Elísios, que abriu esta manhã oficialmente as comemorações do Dia Nacional francês..

As vaias ao chefe de Estado são atribuídas ao movimento dos « coletes amarelos » que apelou a protestos durante o dia em Paris..
As comemorações do também chamado Dia da Tomada da Bastilha decorrem sob fortes medidas de segurança e praticamente todos os populares que assistem ao desfile foram revistados antes de acederem à zona
A Parada militar, à qual assiste o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e outros dirigentes políticos europeus,, como comvidados especiais de Macron., decorre este ano sob o lema « Agir em conjunto » para homenagear as forças militares dos países que fazem parte da Iniciativa Europeia de Intervenção, entre eles Portugall.

 

Paris/14 de julho. Programa minuto a minuto da Parada militar a que assistirá o PR Marcelo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assiste ao tradicional desfile militar do 14 de julho, em Paris, a convite do homólogo francês, no qual participam militares portugueses que desfilarão na Avenida dos Campos Elísios.

A parada militar  decorrerá este ano sob o mote “Agir em conjunto” homenageando as forças dos países que fazem parte da Iniciativa Europeia de Intervenção, entre eles Portugal.

 

Eis o programa do desfile (e do Presidente Marcelo) do Arco do Triunfo à Praça da Concórdia (transmitido em direto em diversas TV): 

Pouco antes das 10h – Presidente da República portuguesa chegará à Praça da Concórdia

 

10h00 – Início da cerimónias com  o Presidente da República francesa a passar revista, em viatura, às forças em parada

 

10h15 – Cerimónia Militar na Praça da Concordia

 

Hino da República Francesa. A seguir, o Presidente da República Francesa passa revista à guarda de honra, após o que cumprimenta os convidados

 

10h20

 Desfile militar, subordinado ao tema «Agir ensemble», sobre a cooperação europeia no domínio da defesa

 

No início: «L’Innovation dans et au service des Armées» (15min.)

Desfile aéreo (10min.)

Desfile apeado (35min.)

Desfile aéreo (3min.)

Desfile motorizado (12min.)

Desfile da Guarda Republicana a cavalo (4min.)

Cerimónia militar em homenagem aos mortos (13min.)

 

12h00

Fim do desfile militar

 

13h15

Chegada do Presidente da República Portuguesa ao Palácio dom Eliseu

 

15h00

 

Fim do almoço e partida do Presidente da República Portuguesa para o aeroporto e regresso a Portugal

 

Forças militares portugueses presentes na Parada:

Esta força é coordenada pela França e que reúne 10 países europeus, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Estónia, Finlândia, Holanda, Portugal e Reino Unido, que terão as respetivas forças armadas representadas.

A Força Área portuguesa enviará um avião C295 tripulado por quatro militares nacionais, dois oficiais e dois sargentos. Esta aeronave tem tido intervenções nas missões da agência Frontex e tem estado deslocada em Itália e Espanha, cumprindo missões ao abrigo da cooperação entre os países da União Europeia.

A comitiva do Exército português será composta por sete paraquedistas do Regimento nº10 de Aveiro que fizeram parte da 4ª Força Nacional Destacada na República Centro Africana e regressaram em março deste ano da sua missão.

A Marinha marcará presença com cerca de 15 militares, entre oficiais, sargentos e praças, tendo todos participado em missões de cooperação próxima com a França. Uma delas foi a Corymbe, no Golfo da Guiné, um exercício conjunto coordenado por França e por Espanha e a outra foi a escolta do mais novo porta-aviões da Armada francesa, o Charles de Gaulle, pela fragata Corte-Real.

Macron anuncia criação de comando militar do Espaço

PR francês anuncia criação de comando militar do Espaço. Emamanuel Macron discursava na véspera do desfile de 14 de julho, feriado nacional em França

Macron anuncia criação de comando militar do Espaço

Alfa/Lusa

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou no sábado a criação de um comando militar do Espaço, destacando a importância desta área para a segurança nacional do país.

Emamanuel Macron discursava na véspera do desfile de 14 de julho, feriado nacional em França.

« Para garantir o desenvolvimento e fortalecimento de nossas capacidades espaciais, um comando militar do Espaço será criado em setembro próximo » na Força Aérea, que « acabará por se tornar na Força Aérea e Espaço « , adiantou o Chefe de Estado francês.

Macron falava na sede do Ministério do Exército, durante a receção tradicional que reúne a comunidade militar, na véspera do desfile nos Campos Elíseos.

Apontando o Espaço como uma « verdadeira questão de segurança nacional », Emmanuel Macron tinha prometido, no ano passado, que iria dotar a França de « uma estratégia de defesa espacial ».

« Agora está pronto », disse Macron.

« O novo projeto e doutrina militar que me foi proposto vai garantir a nossa defesa no espaço » sublinhou, acrescentando: »Vamos reforçar a nossa compreensão da situação espacial, é melhor proteger os nossos satélites, de forma ativa », o presidente francês a propósito deste investimento militar.

Espionagem, ataques cibernéticos, armas anti satélite, o espaço tornou-se, segundo conselheiros militares, num campo de confronto entre nações, permitindo este projeto dotar a França com capacidade neste campo altamente estratégico e cada vez mais militarizado, a par das grandes potências militares.

A Lei de Planeamento Militar de França (LPM) prevê um orçamento de 3,6 biliões de euros para o espaço de defesa, o que deve, em particular, permitir financiar a renovação dos satélites franceses de observação e comunicação das OSC (Siracusa), lançar três satélites de escuta eletromagnética (CERES) em órbita e modernizar o radar de vigilância espacial.

Nos Estados Unidos, o Pentágono anunciou a intenção de estabelecer uma Força Espacial desejada pelo presidente Donald Trump, sujeita à aprovação do Congresso.

Esta força espacial será idêntica a outros corpos militares dos EUA, permanecendo no seio da Força Aérea, e reunirá todos os militares e civis que trabalham no setor espacial no Pentágono (satélites, foguetões, armas, tecnologias). A monitorização do Espaço será uma de suas prioridades.

PR Marcelo em Paris. « É bom haver núcleo duro » de defesa na Europa

O Presidente da República chegou este sábado à noite à capital francesa para participar no tradicional desfile militar do Dia Nacional francês, este domingo, que este ano vai dar ênfase especial à Iniciativa Europeia de Intervenção, uma força coordenada pela França que reúne 10 países europeus, incluindo Portugal. Marcelo diz que « é bom haver núcleo duro » de defesa na Europa

ESTELA SILVA/LUSA

O Presidente da República considera que um núcleo duro de defesa de países europeus com capacidades reforçadas « é bom » e que Portugal « tem capacidade para dar a sua opinião », devido à posição geoestratégica e ao envolvimento em missões militares

Alfa/Lusa

« É bom haver um núcleo duro que defenda uma capacidade reforçada de atenção em termos de terrorismo, segurança, defesa, mas também de diálogo com os países vizinhos, e que faça a ponte com o Reino Unido », disse o Presidente da República, em declarações aos jornalistas em Paris, lembrando que a possibilidade do ‘Brexit’ nos próximos meses torna ainda mais urgente este tema.

O Presidente da República chegou este sábado à noite à capital francesa para participar no tradicional desfile militar do Dia da Bastilha, este domingo, que este ano vai dar ênfase especial à Iniciativa Europeia de Intervenção, uma força coordenada pela França que reúne 10 países europeus, incluindo Portugal.

« Portugal tem, pela sua posição geoestratégica e pelo conhecimento que tem do Sul da Europa, e pela sua presença quer no Oeste quer no Báltico, capacidade para dar a sua opinião junto de outros países que aqui estarão », afirmou o chefe de Estado.

Além de Portugal, a França convidou representantes da Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Estónia, Finlândia, Holanda, Portugal e Reino Unido para se juntarem ao seu maior desfile anual. Após o desfile, haverá também um almoço, onde aquela iniciativa será discutida.

« [O que é importante tratar nessa iniciativa é] Saber como a iniciativa se liga com a NATO, com o resto dos membros da União Europeia, que tipo de intervenções pode vir a ter. A Portugal interessa tudo o que tem a ver com a atenção ao Sul da Europa, as relações com África, o fomentar dessas relações e ver, em termos de cooperação económica e social, uma atenção especial a África », indicou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente defendeu ainda, tal como já tinha feito anteriormente, que « Portugal entende que não se coloca a questão de um exército europeu ».
Além da participação do Presidente da República, que ficará na tribuna de honra, junto ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, Portugal vai ter mais quase 30 militares a participarem no desfile em Paris, com representação dos três ramos das Forças Armadas nacionais.

Representante da diáspora pede reforço do gabinete das comunidades

I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa: Representante da diáspora portuguesa pede reforço do gabinete das comunidades

 Aleixo Vieira, do Conselho da Diáspora e fundador do jornal Correio da Venezuela, pediu hoje mais apoio para o gabinete das Comunidades Portuguesas, porque há “quatro ou cinco pessoas a trabalhar para 10 milhões”, um trabalho “muito difícil e ingrato”.

“O Presidente [da República] falou em 10 milhões de emigrantes, temos cerca de 250 deputados a tratar dos assuntos de Portugal e dos portugueses residentes, e temos quatro ou cinco pessoas a trabalhar para 10 milhões de portugueses lá fora. Às vezes é muito difícil e ingrato o seu trabalho. De uma maneira ou de outra, temos de melhorar essa parte”, apelou, no final da sua intervenção no I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa.

Ainda antes, o também representante da comunicação da rede da diáspora, enalteceu o trabalho que tem sido desempenhado pela embaixada portuguesa na Venezuela, pelo diretor-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, Júlio Vilela, e pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro.

“Têm estado preocupados com a proximidade dos consulados com a comunidade portuguesa. Nos momentos bons estávamos desamparados, nos menos bons temos sentido o carinho e apoio das utilidades portuguesas. Tem sido [um apoio] incondicional, estão do nosso lado e preocupados, através das diversas iniciativas e visitas. Agradecemos, a comunidade sente e transmite e é isso que transmitimos a partir do jornal também”, afirmou.

Salientou igualmente que, para existir eventos como um encontro de gerações, “tem de haver muito cuidado e aceitação de Portugal”, sobretudo dos interlocutores na Venezuela, “neste caso, a embaixada e consulados”, admitindo que em ambos os casos “estão muito bem servidos”.

“O embaixador é muito preocupado com a nossa comunidade e o que fazemos, promove atos culturais que enaltecem a nossa portugalidade. O secretário de Estado tem sido uma pessoa incondicional. Nos momentos difíceis é quando aparecem verdadeiros amigos. O Dr. Júlio Vilela [diretor-geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas] tem sido uma pessoa preocupada com os consulados, os programas e a proximidade deles com os portugueses na Venezuela”, destacou.

Aleixo Vieira fundou o Correio da Venezuela há 20 anos, “uma experiência gratificante” que criou a oportunidade de “conhecer a comunidade portuguesa na Venezuela” e “perceber aquilo que é o grande tesouro: as segundas, terceiras e quartas gerações de emigrantes”.

“Tentamos ressaltar aquilo de bom que [os portugueses] fazem e que geralmente é tudo. Os portugueses na Venezuela são muito ativos, trabalhamos muito no associativismo, destacamos a luso-descendência, a parte desportiva… um pouco de tudo. Não sentimos tanto a falta de compra de jornais, porque pensamos que Portugal é um só. Portugal une-se para tratar os assuntos da diáspora e isso para nos é gratificante. Perceber que a politica faz-se num sentido de agradar as nossas comunidades”, explicou.

Enzo Zidane no Desportivo das Aves

Treinador Augusto Inácio confirma Enzo Zidane no Desportivo das Aves.

Depois do encontro amigável frente ao Tondela, que os avenses venceram por 2-1, Augusto Inácio confirmou a chegada do centrocampista que estava sem contrato.

O filho do francês Zinedine Zidane vai juntar-se aos trabalhos de pré-época do emblema da Vila das Aves, que estão a decorrer no Luso.

Enzo tem 24 anos e formou-se no Real Madrid.

Costa e Marcelo voltam a realçar importância da diáspora portuguesa

Na sessão de abertura, no Porto, do I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa, Costa destaca diáspora como “poderosa rede global” que país deve articular. Já o PR Marcelo disse querer colocar  a diáspora como « prioridade global » dos portugueses

Alfa/Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, destacou hoje as redes da diáspora portuguesa como uma “poderosa rede global” que o país tem de ser “capaz de articular”, reforçando a “proximidade” com as suas comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo.

“Esta aproximação é de extrema importância. O conjunto destas redes [da diáspora] é uma poderosa rede global que temos de ser capazes de articular, desde logo dentro dos novos espaços económicos regionais”, afirmou o chefe do governo português, no Porto, na sessão de abertura do I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa.

De acordo com António Costa, o fortalecimento das relações entre as várias redes da diáspora portuguesa é importante no espaço da União Europeia e das suas relações com o Canadá, mas também quando na América do Norte “se constitui a NAFTA [Tratado Norte-Americano de Livre Comércio]” ou, na América do Sul, se organiza o Mercosul [Mercado Comum do Sul]”.

“Quando, na América do Norte, se constitui a NAFTA, é importante que comunidades portuguesas possam ter uma relação forte entre si”, afirmou o primeiro-ministro, frisando que o mesmo é válido quando, “na América do Sul se organiza o Mercosul”.

De acordo com o primeiro-ministro, “quando, ainda recentemente, se abriu o espaço económico africano”, tal “foi uma enorme oportunidade para as comunidades portuguesas residentes nos diversos espaços de África se articularem entre si”.

“De cada vez que a União Europeia [UE] celebra um acordo de comércio livre com o Canadá ou o Mercosul, é uma extraordinária oportunidade para perceber que a presença de Portugal na UE e a presença de cada um de vós em cada um desses espaços económicos cria um enorme espaço para desenvolvermos e reforçarmos as relações entre todos”, disse.

Costa considerou como uma “realidade absolutamente essencial” a “valorização do contributo da economia da diáspora”, por ser um elemento importante para o crescimento das exportações portuguesas.

O primeiro-ministro destacou, ainda, os “cinco eixos” da diáspora que o Governo procurou desenvolver nos últimos anos.

A aprovação da nova lei da nacionalidade, “que agilizou a obtenção de nacionalidade portuguesa por parte dos netos das comunidades mais antigas”, e o recenseamento eleitoral automático foram dois aspetos destacados por Costa.

De acordo com o governante, o “reforço dos vínculos” com as comunidades portuguesas no mundo tem sido feito, também, por “atos simbólicos”, designadamente decidindo que as celebrações do Dia de Portugal deixam de ser feitas exclusivamente em território nacional.

A melhoria e o “esforço de modernização dos serviços administrativos” junto das comunidades e o desenvolvimento de 157 gabinetes de apoio ao emigrante também foram mencionados pelo primeiro-ministro.

Costa destacou também a “valorização da língua” e da cultura, lembrando a criação de mecanismos de “apoio e incentivo” para “quem deseja regressar”.

Já o PR Marcelo disse querer colocar  a diáspora como « prioridade global » dos portugueses

PR quer colocar diáspora como prioridade global dos portugueses

Pelo seu lado, o Presidente da República apontou hoje como “grande desafio” do país colocar a diáspora como “prioridade global” dos residentes em território nacional, porque a presença dos portugueses “no mundo” é uma das razões pelas quais eles “são muito bons”.

“Há aqui uma luta cultural que é um desafio para a diáspora também: explicar aos portugueses que somos muito bons e que uma das razões para isso tem a ver com a nossa presença no mundo”, disse Marcelo Rebelo de Sousa no Porto, na abertura do I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa.

O chefe de Estado explicou que este é o desafio que o “preocupa mais” e para o qual não tem encontrado “solução”, porque para os portugueses residentes em Portugal a emigração é um “problema e vivência pessoal, mas não uma prioridade global”.

As lagostas e os vinhos a 500 euros que põem um grande problema ao ministro francês Rugy

Lagosta e garrafas de vinho de 500 euros. Tudo para os amigos, e à custa do erário público

François de Rugy – NURPHOTO/GETTY IMAGES

Era o estilo do atual ministro do Ambiente francês no seu cargo anterior, de presidente da Assembleia Nacional

Alfa/Expresso: Por Luís M. Faria

Jantares num edifício histórico de Paris, com lagosta na ementa e garrafas de vinho de 500 euros, provenientes das caves do parlamento. É isto que o atual ministro da Energia e do Ambiente francês, François de Rugy, parece ter feito pelo menos uma dúzia de vezes quando era presidente da Assembleia Nacional, segundo o site Mediapart revelou na quarta-feira.

A imagem de cinco enormes lagostas deitadas numa mesa captura a essência da história. Entre outubro de 2017 e junho de 2018 Rugy, que é de origem aristocrática, tratou o cargo que então detinha como uma licença para festejar em grande estilo com os seus amigos. Porque era sobretudo de amigos que se tratava, aparentemente.

O artigo notava que grande parte dos convidados para os referidos jantares na residência oficial do presidente da Assembleia Nacional – o Hôtel de Lassay, um edifício do século XVIII – eram relações pessoais de Rugy e da sua mulher, jornalista na Gala, uma conhecida revista de celebridades.

« UNS NÓS CONHECÍAMOS, OUTROS NÃO »

Perante a indignação gerada, Rugy começou por reagir agressivamente. Admitiu os jantares e o facto de por vezes estarem lá amigos seus (« uns que nós conhecíamos, outros que não ») mas considerou o artigo grotesco. Alegou que uma pessoa na sua posição tinha de manter « encontros informais ao jantar com líderes empresariais, figuras de topo da cultura e presidentes universitários ».

Também acusou a Mediapart de o querer difamar. Mas a sua argumentação não colheu. Não ajudou o facto de um artigo subsequente ter revelado que o casal Rugy encomendou renovações de luxo na residência (o ministro explicou que, dada a natureza histórica do edifício, tivera de usar « artesãos qualificados »). Outro artigo surgido na mesma altura denunciou que a chefe de gabinete de Rugy, Nicole Klein, não tinha deixado uma habitação social que lhe fora concedida mesmo após ter deixado de viver em Paris.

Embora garantindo que a situação era legal, Klein demitiu-se. Quando a Rugy, o artigo da Mediapart disse que tinha « vivido como realeza à custa do erário público » quando era presidente da Assembleia Nacional. Rugy, que substituiu o anterior ministro do Ambiente o ano passado depois de este se demitir por achar que o presidente Macron não estava a fazer tanto pelo ambiente como tinha prometido, acabou por aceitar que tinha de dar respostas.

Ciente de que a situação reforça a ideia de Macron como presidente dos ricos num momento em que o governo procura efetuar reformas sociais difíceis, o primeiro-ministro Edourd Phillipe anunciou que o caso ia ser investigado.

« François de Rugy está consciente da emoção legítima dos nossos concidadãos nesta controvérsia, e não quer deixar dúvidas », concluiu Phillipe. « Se restar alguma ambiguidade após as verificações, ele compromete-se a reembolsar qualquer euro em disputa ».

Juan Branco o luso-franco-espanhol de quem se fala. Entrevista com o inimigo público número 1 de Macron

Macron, oligarcas, poder, coletes amarelos, elites, redes, influência…… Entrevista com o advogado e escritor Juan Paulo Branco (29 anos), é este o seu nome exato. Juan estudou nas escolas das elites, mas denuncia-as.

Alfa/Expresso (publicado no semanário, edição de 06/07)

O FILHO DO PRODUTOR DE CINEMA PORTUGUÊS PAULO BRANCO, NASCIDO EM ESPANHA E ATUALMENTE COM 29 ANOS, É UM ADVOGADO FORMADO NAS ESCOLAS DAS ELITES FRANCESAS. “CRÉPUSCULE” É O SEU SEGUNDO LIVRO CONTRA EMMANUEL MACRON. A OBRA DE 312 PÁGINAS DENUNCIA SEM NUANCES AS “REDES OLIGÁRQUICAS” QUE “FABRICARAM” O PRESIDENTE FRANCÊS E É UM FENÓMENO

ENTREVISTA DANIEL RIBEIRO

Denuncia o poder das oligarquias e um boicote dos grandes media e, apesar disso, seja nos descarregamentos na internet seja nas livrarias, o seu livro está em primeiro lugar. Como explica isso?

Foi um milagre. É o paradoxo das redes sociais. Estas formam uma oligarquia em si, têm um poder imenso, mas o objetivo delas é fazer dinheiro com o negócio. Não é o caso dos oligarcas franceses que compraram os media. Nove pessoas compraram 90% dos mediafranceses para influir na política nacional e para que esta sirva os seus interesses. As redes sociais não funcionam assim e se, para ganharem dinheiro, provocarem revoluções sobretudo fora dos Estados Unidos, não interessa, o que querem é dinheiro e, portanto, não se servem do filtro político que os media franceses usam.

Mas é estranho o êxito do livro.

É. Evidentemente dependemos das redes sociais. Quando eles decidirem que não é bom difundirem este tipo de conteúdos estamos lixados. Temos de aproveitar esta abertura, mas sei que tudo pode mudar a qualquer momento. Para este milagre também contribuiu muito o forte movimento dos ‘coletes amarelos’, o facto do livro estar em acesso livre na net e de termos realizado dezenas de reuniões com centenas de pessoas por sessão.

“OS ‘COLETES AMARELOS’ LEVARAM A CABO UMA BATALHA ORGANIZADA. VERIFICOU-SE UMA INTELIGÊNCIA COLETIVA, E AGORA ESTAMOS NUMA ESPÉCIE DE TRÉGUA, PORQUE NÃO HOUVE VITÓRIA NEM DE UM LADO NEM DO OUTRO”

No livro diz que a ascensão de Macron foi planeada pelas oligarquias, que ele é um instrumento nas mãos delas — e dá nomes.

Sim. Não há teorias conspirativas, nada disso. Faço uma descrição muito detalhada e fundamentada, pessoa por pessoa, do que fez cada um para influenciar eleições e enfraquecer e controlar a democracia e a informação.

Descreve reuniões de gente importante, antes das presidenciais, para levar Macron ao Eliseu.

Sim. Também se verificou um sistema de nomeações nos media para promoverem alguém que não era conhecido no espaço público. Falo por exemplo do grupo Lagardère, que teve um papel determinante nesse domínio.

Fala noutros “oligarcas”, dos quais o Juan esteve muito perto ou conheceu pessoalmente.

Sim. Antes das eleições quase ninguém sabia que Macron era próximo de multimilionários como Bernard Arnault, de Xavier Niel, Lagardère, Gabriel Attal ou Patrick Drahi e, como os jornalistas não tinham esses dados, ficaram fascinados com a história que lhes contaram. Os franceses descobriram tarde demais que a pessoa que elegeram não era aquela que lhes tinham vendido. E estes oligarcas continuam a controlar e a apoiar o PR.

O Juan foi apoiado ainda muito jovem pelo ex-primeiro-ministro, Dominique de Villepin, trabalhou com o ex-presidente François Hollande, antes de se separar dele e do Governo e de apoiar os ‘coletes’ e de ser candidato pela França Insubmissa (esquerda radical). O maior erro de Hollande foi ter trazido Macron para a ribalta política?

Foi uma falta de coerência dele, mas que corresponde ao personagem, ele era o ‘sim para tudo’. O que Hollande não viu foi a mudança de sistema: o fim dos partidos e o peso que estavam a ganhar os oligarcas. Macron aproveitou-se disso.

Você formou-se nas “grandes escolas”, mas denuncia-as por formarem castas especiais, exclusivamente para que o poder não lhes escape.

Sim, estudei em SciencesPo, na ENA, em Normale Sup, na Escola Alsaciana e é por isso que consigo explicar muitas coisas do que afirmo. Hoje, nas três “grandes escolas” francesas, a percentagem de estudantes vindos das classes baixas é de 1 a 3%. A dos filhos de dirigentes económicos é de 60 a 70%. Macron vem daí e por isso não teve dificuldades para se integrar no Banco Rothschild, na administração e na política, onde, nesta, foi ‘fabricado’ pelos oligarcas.

O livro é um ataque frontal a gente poderosa. Sente-se perseguido ou ameaçado?

Não. Já ganhámos um certo avanço sobre eles. O livro vai sair em edição de bolso em outubro e com novas revelações e, como eles vão perceber que eu na realidade estive mais próximo da intimidade deles do que eles pensam, acho que pode haver algum problema.

Participou em almoços, jantares, em reuniões privadas com essas pessoas. Começou cedo, aos 19 anos?

Os contactos começaram aos 17. Mas além disso também fiz e faço investigação. Mas compreendi o sistema quando era jovem: aos 16/17 anos um jovem francês já sabe que vai ser ministro… E isso, essa endogamia, também se verifica em Portugal, como em todo o lado. É preciso estudar isso porque, apesar da democracia, é preciso perceber por qual razão tal ou tal pessoa aparece de repente na política, por exemplo.

Dê-me uma explicação para a longa e violenta revolta dos ‘coletes amarelos’. É advogado de Julian Assange e também de alguns ‘coletes’ e participou em manifestações duras.

A violência é sempre a expressão de uma deficiência de comunicação e de política, quando se verifica um disfuncionamento na sociedade. A manipulação do espaço público criou frustração e quando as pessoas perceberam que o nível da mentira tinha ido longe demais, quando compreenderam que pelos mecanismos normais já não conseguiam ter influência nas decisões públicas, explodiram quando apareceu a questão da taxa sobre os carburantes, que na realidade não tinha objetivos ecológicos, mas sim apoiar os mais ricos. A revolta nasceu aí.

A violência justifica-se quando um movimento tem o apoio de 80% da população?

Não se justifica, mas compreende-se. Mas a violência foi de certo modo contida, repare que nunca foram atacadas pessoas fisicamente. Os ‘coletes amarelos’ levaram a cabo uma batalha organizada. Verificou-se uma inteligência coletiva, sem dúvida, e agora estamos numa espécie de trégua, porque não houve vitória nem de um lado nem do outro.

O seu pai é uma figura do cinema europeu, a sua mãe é uma psicanalista espanhola. Que influência tiveram em si?

São pessoas muito exigentes. Nisso e em relação às questões intelectuais e às artes, tiveram grande influência. Penso que se envergonhariam de mim se eu estivesse na política de forma tradicional. Devido a eles interagi com gente de grande relevo intelectual que não tem nada a ver com os colegas com quem convivi nas escolas. Aprendi muito em casa. Eu nunca quis ser um grande gestor ou estar na política só por estar.

Na Lua há 50 anos. O salto gigantesco para a humanidade e a bandeira cosida por uma portuguesa

O salto gigantesco para a humanidade com mão portuguesa

O salto gigantesco para a humanidade com mão portuguesa

Alfa/Lusa

A humanidade deu « um salto gigantesco » quando o astronauta Neil Armstrong se tornou o primeiro Homem a pisar a Lua, sob as cores de uma bandeira norte-americana, cosida por uma portuguesa, e perante o olhar de milhões na Terra.

Foi há 50 anos, mas, devido à diferença horária, Portugal só acordou de madrugada para as palavras de Armstrong quando poisou o pé esquerdo na Tranquilidade lunar.

Aproximavam-se as quatro da manhã do dia 21 de julho de 1969 (era ainda a noite de 20 de julho nos Estados Unidos) quando os portugueses ouviram o astronauta da agência espacial norte-americana NASA a proferir a frase que o tornou célebre: « É um pequeno passo para o Homem, um salto gigantesco para a humanidade ».

As imagens que chegaram a preto-e-branco da televisão portuguesa apanharam o artista plástico João Abel Manta, autor de cartazes do Movimento das Forças Armadas, « cheio de sono ».

« Fiz um esforço terrível para não dormir », conta, citado pelo extinto jornal Diário de Lisboa, que dedicou as três edições desse dia ao « sonho tornado realidade, o Homem já chegou à Lua ».

O vespertino titulava que « Armstrong e Aldrin caminharam duas horas sobre o solo lunar » e « pulavam como cangurus ». Na Lua, a força gravitacional é muito inferior à da Terra, devido à sua menor massa, tornando qualquer corpo na sua superfície mais leve.

Depois de Neil Armstrong, comandante da missão Apollo 11, o astronauta Buzz Aldrin, piloto do módulo lunar « Eagle », foi o segundo Homem a pisar a superfície da Lua, onde encetou como que uns passos de dança, como mostra um dos vídeos da NASA.

Apesar de ter falhado as primeiras imagens transmitidas em direto pela televisão, mas vistas por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, João Abel Manta, « um obcecado por ficção científica », relatou ao Diário de Lisboa que achou bonito o que viu, « principalmente quando um dos astronautas andou com a câmara à volta para apanhar o horizonte todo ».

« Delicioso aquele medalhão do Nixon a falar ao telefone com os tipos », acrescenta.

Nas duas horas e meia em que caminharam no Mar da Tranquilidade, região quase plana e escura onde o « Eagle » alunou em 20 de julho, depois de se ter distanciado da zona inicialmente prevista, os dois astronautas norte-americanos falaram com o Presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, que os felicitou, recolheram amostras de solo e rocha lunar, instalaram instrumentos científicos, como um sismómetro, fixaram, sem conseguirem enterrar, uma bandeira americana, cosida por Maria Isilda Ribeiro, que trabalhava na fábrica Annin, em Nova Jérsia, e registaram imagens.

Deixaram para trás medalhas em homenagem à tripulação da primeira missão lunar, a Apollo 1, que morreu num teste de lançamento, e uma placa com a inscrição « Viemos em paz em nome de toda a humanidade ».

Antes de regressar ao módulo lunar, Neil Armstrong ainda inspecionou uma cratera com 33 metros de diâmetro, o ponto mais distante do « Eagle » na superfície da Lua.

O comandante da Apollo 11 e Buzz Aldrin voltariam a juntar-se ao restante elemento da tripulação da missão, Michael Collins, piloto do módulo de comando « Columbia », a 21 de julho, depois de o « Eagle » ter estado alunado durante 21 horas e 36 minutos.

Dos três astronautas norte-americanos, Collins foi o único que não esteve na superfície da Lua, apenas na sua órbita, a bordo do « Columbia », cerca de 28 horas, o tempo em que os dois módulos estiveram separados.

A tripulação, que descolou a 16 de julho de 1969 do Centro Espacial Kennedy, na Florida, Estados Unidos, a bordo do foguetão Saturno V, então o maior e mais poderoso, concebido por um engenheiro alemão nazi, Wernher von Braun, regressou à Terra no « Columbia », que amarou no Oceano Pacífico, a cerca de 1.400 quilómetros da oeste do Havai, em 24 de julho.

Ao todo, a missão Apollo 11 durou oito dias, três horas, 18 minutos e 35 segundos, de acordo com os arquivos da NASA.

A meta que o Presidente dos Estados Unidos John Kennedy traçara em 1961, dois anos antes de ser assassinado em Dallas, tinha sido cumprida, a de colocar astronautas na Lua e fazê-los regressar em segurança à Terra antes do fim da década de 1960.

Na sua autobiografia « Magnífica desolação », de 2009, Buzz Aldrin apresenta a alunagem como a reafirmação do sonho americano, face à ameaça da supremacia da União Soviética, que lançou para o espaço o primeiro satélite, o « Sputnik », e o primeiro Homem, o cosmonauta Iuri Gagarin.

Num outro livro, « Missão para Marte: a minha visão sobre a exploração espacial », de 2013, Aldrin, que teve dificuldade em exprimir o significado da sua estada na Lua, descreve o seu cheiro como cinzas de uma lareira borrifadas de água e define-se como « o primeiro extraterrestre, de um outro mundo, a entrar numa nave para ir para a Terra ».

O astronauta lidou mal com a fama que a viagem à Lua lhe deu, tendo-se refugiado durante vários anos no álcool e na depressão. Mas, aos 89 anos, é o mais ativo dos coroados heróis da Apollo 11, que tem defendido com garras a continuidade da exploração espacial, inclusive para Marte, multiplicando-se em projetos pedagógicos e de divulgação.

Num vídeo difundido pela NASA para assinalar o 50º aniversário da chegada do Homem à Lua, Aldrin, que foi o primeiro astronauta doutorado, com formação militar, resume o significado da Apollo 11 como « exploração, arriscar por grandes recompensas na ciência e na engenharia ».

Michael Collins, 88 anos, tem sido mais comedido nas aparições públicas. Na década de 1970 foi o primeiro diretor do Museu Nacional do Ar e do Espaço, com sede em Washington, que tem como uma das relíquias a nave « Columbia », que ele próprio pilotou.

Neil Armstrong, o único dos três astronautas que era civil e o mais reservado, que após a Apollo 11 regressou à vida universitária como professor de engenharia, morreu em 2012, aos 82 anos.

Apesar de ter morrido, o seu « salto gigantesco para a humanidade » ficou imortalizado no ecrã e num « pequeno passo » que a falta de vento e chuva na Lua, devido à ausência de atmosfera, terá preservado no solo.