SÍNTESE. Sporting vence Braga e atrasa minhotos na corrida pelo título

O Sporting venceu na receção ao Sporting de Braga por 3-0, no ‘jogo grande’ da 22ª jornada da I Liga de futebol, aproximando-se do terceiro lugar dos minhotos e atrasando-os na luta pelo título.

Bruno Fernandes, na cobrança de um livre direto, aos 34 minutos, e Bas Dost, primeiro de penálti, aos 50, e depois aos 68, com assistência do ‘capitão’ dos ‘leões’, fizeram os golos em Alvalade.

O resultado permite retirar pressão ao treinador holandês Marcel Keizer, que começava a ser contestado pelos adeptos pelos maus resultados, e recuperar da derrota com o Villarreal (1-0), no mesmo estádio, para a Liga Europa.

Nos seis jogos em todas as competições que se seguiram à conquista da Taça da Liga, os lisboetas tinham vencido apenas um, no domingo passado, frente ao Feirense (3-1), somando agora o segundo triunfo antes do importante jogo segunda mão dos 16 avos da Liga Europa.

Os ‘verdes e brancos’ chegaram aos 45 pontos, ficando agora a quatro pontos dos bracarenses e a cinco pontos do Benfica, que só joga na segunda-feira, no encerramento da jornada, em casa do Desportivo das Aves.

Os minhotos sofreram a terceira derrota na prova e ficaram a cinco pontos do líder e campeão FC Porto, que venceu no sábado o Vitória de Setúbal (2-0), mas podem ainda ficar a quatro do Benfica, em caso de vitória das ‘águias’ na Vila das Aves.

Em Moreira de Cónegos, o Moreirense prosseguiu a boa temporada e consolidou o quinto lugar, ao derrotar o Tondela por 2-0, com golos do uruguaio David Texeira e do francês Bilel, que marcou três minutos depois de entrar.

A equipa de Ivo Vieira chegou aos 38 pontos, a sete do quarto classificado, o Sporting, e com três de vantagem para o sexto, o vizinho Vitória de Guimarães, que no sábado venceu o Portimonense por 2-0.

O Tondela é 11.º, com 23 pontos, os mesmos de Boavista (12.º), Marítimo (13.º) e Nacional (14.º), podendo ainda ser ultrapassado pelo Aves.

O Marítimo deixou hoje os lugares de descida, ao bater o Belenenses por 1-0 na ‘casa emprestada’ da formação de Belém, no Estádio do Bonfim, com o argentino Leandro Barrera a pôr fim a uma série de três desaires seguidos.

A equipa de Silas voltou a não vencer, somando a terceira derrota nos últimos cinco jogos, além de duas igualdades, e fica em sétimo lugar, com 30 pontos, já a oito do quinto classificado, enquanto os insulares chegaram aos 23, colocando-se na 13.ª posição, mas também podem ser ultrapassados pelo Desportivo das Aves.

Num duelo de ‘aflitos’, o penúltimo classificado Desportivo de Chaves marcou primeiro, pelo brasileiro Bruno Gallo, mas Fábio Espinho empatou para o Boavista, resgatando um ponto para os portuenses.

Os flavienses somam agora 19 pontos, a três dos lugares de permanência, seguindo na 17.ª posição, enquanto os ‘axadrezados’ estão no 12.º posto, com 23, dois acima da ‘linha de água’.

Resultados da 22ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 15 fev:

Rio Ave – Santa Clara, 1-2 (1-1 ao intervalo)

– Sábado, 16 fev:

Nacional – Feirense, 4-0 (1-0)

Vitória de Guimarães – Portimonense, 2-0 (1-0)

FC Porto – Vitória de Setúbal, 2-0 (1-0)

– Domingo, 17 fev:

Moreirense – Tondela, 2-0 (1-0)

Belenenses – Marítimo, 0-1 (0-0)

Desportivo de Chaves – Boavista, 1-1 (1-0)

Sporting – Sporting de Braga, 3-0 (1-0)

– Segunda-feira, 18 fev:

Desportivo das Aves – Benfica, 21:15

Alfa/Lusa.

E o amor voltou. Um domingo « amarelo » tranquilo em Paris

Um domingo « amarelo » tranquilo em Paris. É caso nunca visto desde o início dos “coletes amarelos”: depois de 14 sábados consecutivos de violência e de momentos de insurreição, os “coletes” manifestaram-se neste domingo sem incidentes, até meio da tarde, para comemorar o aniversário do nascimento do movimento, a 17 de novembro de 2018.

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Ontem, pelo 14º sábado consecutivo, a violência voltou a marcar diversas manifestações dos “coletes amarelos” em Paris e noutras cidades francesas.

Mas, neste domingo, em vez da pancadaria habitual, das bombas, das correrias, dos gases lacrimogéneos, das bastonadas e pedradas, dos feridos e dos detidos, tudo decorria, até meio da tarde, num ambiente de paz e de sossego, quase de espantosa concórdia.

De facto, em relação aos 14 desfiles anteriores, o que se viu hoje em Paris até às 17h locais (menos uma hora em Lisboa) foi um autêntico “paz e amor”, parecia que a cidade tinha de repente voltado a um tempo anterior, ao da eterna cidade rezingona, mas também, sobretudo, à sua bela imagem de “cidade do amor”.

Os idosos voltaram aos desfiles de Paris (há três concentrações na capital para comemorar o aniversário), onde até se viam famílias inteiras com três gerações – avôs, pais e crianças – a gritarem palavras de ordem contra o Governo e o Presidente Emmanuel Macron.

Até às 17h, a tensão era visível, mas essa impressão devia-se à forte presença de milhares de polícias antimotim nos quarteirões mais sensíveis da capital.

No entanto, apesar dos agentes superarmados e das suas imponentes viaturas, a essa hora, junto à Torre Eiffel ou na praça da República, o Sol brilhava, a temperatura era de 15º, a cidade estava lindíssima e viam-se até turistas japonesas a tirar fotografias com “coletes amarelos”.

Nalguns locais, só faltava um bolo com velas acesas. De vez em quando, as dezenas de manifestantes que estavam na praça da República deixavam de pedir a demissão de Macron e entoavam em coro: “Feliz aniversário. coletes”. Até ao próximo sábado?

« O Presidente-Celebridade » em tese de doutoramento e no… « El País »

Há uma tese de doutoramento sobre Marcelo. É da autoria de uma jornalista da RTP e intitula-se « O Presidente Celebridade ». É o mote para um trabalho do « El País » sobre Marcelo Rebelo de Sousa

Foto – MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Alfa/Expresso

Há uma tese de doutoramento sobre Marcelo Rebelo de Sousa. A autoria é de uma jornalista, que é também professora universitária. « O Presidente-Celebridade » é uma tese que explora o que o atual Presidente da República tem de diferente na política. O tema chegou, até, a notícia no El País.

O jornal, num artigo assinado pelo correspondente em Lisboa, percorre as provas de popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa. Fala nos abraços que dá aos portugueses com que se vai cruzando nas viagens que vai fazendo pelo país, no contacto com sem-abrigo, no facto de ter deixado cair a ligação partidária, e também na sua presença na política portuguesa e nos problemas que as suas declarações vão trazendo ao Governo.

Marcelo Rebelo de Sousa compreendeu, antes do resto do panorama política, que os novos políticos tinham de estar próximos das pessoas. Numa proximidade sincera, especifica o jornal espanhol, relatando as conclusões da tese.

O artigo é escrito devido à existência da tese de doutoramento da autoria da jornalista da RTP, Sandra Sá Couto, que é também professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Aliás, ao jornal da instituição, o JPN, a também académica contou, em entrevista, que há algo de novo em Marcelo Rebelo de Sousa – desde logo por ser chamado pelo primeiro nome: “Marcelo é alguém que se senta no passeio com um sem-abrigo a comer pão, mas é alguém a quem o povo português reconhece saber e credibilidade para governar”.

DESENCANTO LEVOU AO ENCANTO

À mesma publicação, Sandra Sá Couto explicou que, ao tentar perceber quais as razões do encanto pelo Chefe de Estado, concluiu que se justifica não só com o impacto que gerou nos media, mas também com o « desencanto das pessoas com os partidos políticos tradicionais”.

“Afastar os políticos não é, apesar de tudo, fazer campanha contra eles. Marcelo Rebelo de Sousa não critica a classe política, simplesmente considera que a sua mensagem (enquanto candidato) é mais eficaz se não estiver formatada e comprometida com os partidos que o apoiam. Além de que é, também, naturalmente uma tentativa de chegar a eleitores que não são da sua área política”, disse, igualmente, a professora ao Observador, que também fez um trabalho sobre a tese.

Mas essa figura distinta do restante cenário político não limita a sua autoridade, comprova o El País.

No artigo, é relatada uma cena que envolve Marcelo Rebelo de Sousa. Costuma jantar com os correspondentes estrangeiros em Portugal. “No primeiro jantar, depois de quatro horas de conversa, um dos jornalistas começou a bater repetidamente com a colher na taça do café”, escreve o jornal. A mensagem foi percebida e a reunião acabou. No jantar seguinte, a associação dos jornalistas recebeu uma nota da presidência com uma sugestão: « que a colher não aparecesse no jantar”.

Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito presidente da República em janeiro de 2016 com 52% dos votos. O mandato presidencial termina em 2021. O atual Presidente já admitiu que se poderá recandidatar.

(Notícia atualizada com declarações da académica ao Observador)

Gelson Martins dá vitória ao Mónaco com assistência de Rony Lopes

O internacional português Gelson Martins deu ontem a vitória ao Mónaco sobre o Nantes, por 1-0, ao marcar o único golo da partida da 25ª jornada da Liga francesa de futebol, após assistência do compatriota Rony Lopes.

O lance decisivo do encontro aconteceu logo aos 13 minutos.

O treinador português Leonardo Jardim optou por incorporar no onze inicial da equipa monegasca três internacionais lusos, Adrien Silva e Gelson Martins, emprestados pelos ingleses do Leicester e pelos espanhóis do Atlético Madrid, respetivamente, na ‘janela’ de mercado de janeiro, e Rony Lopes.

Com este triunfo, o Mónaco saiu da zona de despromoção, sendo agora o 16º classificado, com 22 pontos, enquanto o Nantes é 14º, com 27.

Alfa/Lusa.

Região de Coimbra de braços abertos para receber emigrantes portugueses

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, deslocou-se a Coimbra para assinar 10 protocolos com vista à criação de outros tantos Gabinetes de Apoio ao Emigrante nos municípios da Região de Coimbra.

Alfa – com Lusa e outras fontes

Os autarcas da zona Centro reuniram-se na sede da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM RC) para formalizar o acordo que promete facilitar a reintegração dos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo, incluindo claro os que se encontram na Venezuela.

O protocolo sobre a criação destes gabinetes foi assinado pelos municípios de Cantanhede, Condeixa-a-Nova, Góis, Miranda do Corvo, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Soure e Tábua.

Neste momento, todos os 19 concelhos que integram a CIM RC contam com este serviço.

É uma forma simbólica de dar as chaves de entrada aos municípios, dando uma garantia plena de que estes cidadãos podem ter acesso aos seus direitos, com conforto e recorrendo aos meios tecnológicos. Temos cerca de 5,7 milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados por 178 países, de acordo com informação das Nações Unidas. Esta diáspora deve sentir que o seu país está de braços abertos”, explicou José Luís Carneiro.

Gabinetes de Apoio ao Emigrante já estão protocolados em 153 municípios

Os Gabinetes de Apoio ao Emigrante (GAE) já estão protocolados com 153 câmaras municipais e quatro juntas de freguesia, tendo gerado 30 mil atendimentos e três mil processos em 2018, informou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Para além dos GAE protocolados no território nacional, já fora criados gabinetes em países com uma forte presença de comunidades portuguesas, como é o caso da França, Alemanha, Reino Unido, Brasil e Austrália, disse à agência Lusa José Luís Carneiro, no final da assinatura de protocolos para a formalização de dez Gabinetes de Apoio ao Emigrante de municípios da Região de Coimbra.

« Cada vez mais cidadãos que saíram durante a crise ou que saíram de Portugal na década de 60 desejam regressar e estas unidades de trabalho constituídas com os municípios constituem portas de entrada e de regresso no país », vincou.

Em 2018, foram registados cerca de 30 mil atendimentos nos diferentes GAE, que deram origem a cerca de três mil novos processo, relativos a pedido de apoio relacionados com pensões, Segurança Social, recuperação de direitos sociais, acesso aos cuidados de saúde primário ou legalização de viaturas, entre outros, explicou.

Segundo José Luís Carneiro, só em 2018, o Estado conseguiu recuperar « sete a oito milhões de euros » de pensões de trabalhadores portugueses no estrangeiro.

No entanto, o secretário de Estado nota que os GAE estão a funcionar « a diferentes velocidades » nos municípios, sendo que alguns gabinetes registaram mais de três mil atendimentos em 2018 e outros não registaram qualquer movimento.

Porém, José Luís Carneiro acredita que « há uma consciencialização cada vez maior dos autarcas » de que a diáspora é fundamental para o processo de internacionalização das empresas do território, bem como para a atração de novo investimento.

« Há milhares de projetos que estão a ser desenvolvidos no país que têm origem na diáspora, seja no agroalimentar, hotelaria, restauração ou até as novas tecnologias », sublinhou.

A assinatura dos protocolos que decorreu na Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra acaba por concluir o processo nesta região.

Com os dez municípios que assinaram o protocolo com a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, todos os 19 municípios da Região de Coimbra vão passar a ter um GAE, explicou, durante a sessão, o presidente da CIM, João Ataíde, que destacou o potencial de investimento dos emigrantes no território.

SÍNTESE. FC Porto consolida liderança da I Liga e pressiona rivais

O FC Porto venceu em casa o Vitória de Setúbal por 2-0, na 22ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, e consolidou a liderança do campeonato, pressionando os rivais na luta pelo título.

O mexicano Héctor Herrera abriu o marcador aos 15 minutos, antes de o brasileiro Soares fixar o resultado aos 65, numa vitória tranquila para os campeões nacionais, que recuperaram de dois empates seguidos no campeonato, contra Vitória de Guimarães (0-0) e Moreirense (1-1), ambos fora de casa.

No regresso ao Dragão, depois da derrota por 2-1 em Roma, para a primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, os ‘dragões’ não facilitaram e ainda beneficiaram da expulsão do brasileiro Éber Bessa, aos 54 minutos, impondo ao Vitória de Setúbal o 60.º jogo caseiro sem vencer no confronto direto entre os dois emblemas.

Os portistas consolidaram a liderança da liga, agora com 54 pontos, mais quatro do que o Benfica, segundo classificado, que fecha a jornada na segunda-feira, em casa do Desportivo das Aves, já depois do Sporting de Braga, terceiro, jogar no reduto do Sporting, quarto, no domingo.

Quanto aos sadinos, este foi o 11.º jogo sem vencer na prova, com a equipa orientada por Sandro Mendes, que ao quarto jogo no comando da equipa ainda não conseguiu triunfar, a seguir em 13.º, com 22 pontos.

O Vitória de Guimarães também voltou às vitórias, frente ao Portimonense, graças aos golos do brasileiro Mattheus Oliveira, aos 40 minutos, e de Alexandre Guedes, aos 73, sendo que os minhotos não venciam para a I Liga por mais do que um golo de diferença desde 11 de novembro de 2018, frente ao Santa Clara (2-0).

Os tentos de Mattheus e Guedes foram os primeiros golos dos vimaranenses em 2019 que não foram apontados por Tozé, que tinha marcado os três tentos neste ano para a equipa de Luís Castro.

Com este resultado, o Vitória igualou o Moreirense no quinto lugar, com 35 pontos, ainda que a equipa de Moreira de Cónegos só jogue no domingo, em casa frente ao Tondela, enquanto o Portimonense segue em 10.º lugar, com 27, e somou o quarto desaire consecutivo.

Depois da goleada por 10-0 sofrida às mãos do Benfica, o Nacional recuperou hoje e goleou o lanterna-vermelha Feirense por 4-0, pondo fim a uma série de seis jogos consecutivos sem vencer.

No Funchal, a ‘ressaca’ da goleada na Luz foi suave, principalmente, devido à ação do ‘reforço’ uzbeque Sardor Radhidov, ex-Lokomotiv Tashkent, que fez um ‘hat-trick’ aos 12, 54 e 67 minutos, antes de o hondurenho Bryan Róchez completar o marcador, aos 80.

Os madeirenses subiram provisoriamente ao 12º posto, com 23 pontos, enquanto o Feirense é cada vez mais último, com 14 pontos, já sete abaixo da ‘linha de água’, continuando sem vencer um jogo na I Liga desde 20 de agosto de 2018, quando bateu o Vitória de Guimarães por 1-0.

No domingo, o Belenenses recebe o ‘aflito’ Marítimo pelas 15:00, à mesma hora em que o Moreirense procura voltar a ‘descolar’ do Vitória de Guimarães no quinto posto, antes de o Desportivo de Chaves e o Boavista se defrontarem, com o 17.º e penúltimo a procurar vencer para sair dos lugares de descida, antes do ‘jogo grande’ da jornada, o Sporting-Sporting de Braga.

 Programa e Resultados da 22ª jornada da I Liga de futebol (Horas de Paris):

– Sexta-feira, 15 fev:

Rio Ave – Santa Clara, 1-2 (1-1 ao intervalo)

– Sábado, 16 fev:

Nacional – Feirense, 4-0 (1-0)

Vitória de Guimarães – Portimonense, 2-0 (1-0)

FC Porto – Vitória de Setúbal, 2-0 (1-0)

– Domingo, 17 fev:

Moreirense – Tondela, 16:00

Belenenses – Marítimo, 16:00

Desportivo de Chaves – Boavista, 18:30

Sporting – Sporting de Braga, 21:00

– Segunda-feira, 18 fev:

Desportivo das Aves – Benfica, 21:15

Alfa/Lusa

Coletes amarelos. Os números vertiginosos: milhares de detenções e feridos

Os números de detidos e feridos ligados ao movimento dos coletes amarelos são aos milhares e são tão elevados que até dão vertigens. Os coletes amarelos voltam à rua neste fim de semana.

O movimento de revolta contra os impostos e pelo poder de compra das classes com pequenas pensões e salários mais baixos, iniciado na internet a 17 de novembro de 2018, já fez cerca de 3300 feridos (1300 agentes policiais e 2000 manifestantes), segundo números oficiais.

Mais de oito mil manifestantes foram identificados ou detidos e 1800 já foram condenados em tribunal, 316  dentre eles a penas de prisão, de acordo com o ministério do Interior.

Os coletes apelam a novas manifestações em França neste sábado e domingo para o chamado ATO XIV do inédito movimento nascido nas redes sociais.

Algumas dezenas dos feridos, sobretudo manifestantes, são graves e foram atingidos nos olhos, nas mãos, nas pernas ou nos pés durante os confrontos que geralmente têm lugar todos os sábados.

De acordo com os números do ministro do Interior, Christophe Castaner, divulgados nesta quinta-feira, 14, cerca de 8400 pessoas foram identificadas pela polícia desde o início do movimento e 7500 foram detidas para averiguações.

Segundo o governante, 1800 manifestantes foram já condenados em tribunal, designadamente em 1300 processos sumários.

No total 316 pessoas foram até agora condenados a penas de prisão.

O ministério informa que, há dois dias, ainda estavam 1500 pessoas a aguardar julgamento.

11 pessoas morreram em acidentes relacionados com o movimento.

Sorbonne admite anular mestrado a Sócrates

Universidade de Paris considera graves as alegações de fraude contidas na Operação Marquês. Ex-primeiro-ministro nega versão do MP de que não é ele o autor da tese

Alfa/Micael Pereira, em Paris// Foto Rui Duarte Silva

Leia texto integral no Expresso, edição semanal deste sábado

prestigiado Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), da Universidade de Sorbonne, revelou ao Expresso que pode vir a anular o diploma de mestre a José Sócrates. “Temos conhecimento do processo judicial contra o Sr. Sócrates, que inclui a acusação de branqueamento de capitais [em pagamentos feitos] a favor do Sr. [Domingos] Farinho, suspeito de ter contribuído para a tese de Sócrates”, esclarece o diretor de comunicação daquela universidade, Jérôme Guilbert. “Entendemos que esta acusação é séria o suficiente para considerarmos a retirada por fraude do diploma emitido. Estamos a aguardar que haja uma decisão do tribunal para tomarmos uma decisão”, sublinha, referindo-se implicitamente a uma condenação que venha a ser proferida em julgamento em Portugal, no âmbito da Operação Marquês.

O esclarecimento do Sciences Po foi feito depois de os três membros do júri que avaliaram no verão de 2013 a tese de mestrado de Sócrates sobre a tortura, incluindo a sua orientadora, Astrid von Busekist, terem sido confrontados pelo Expresso com excertos de alguns e-mails enviados por Domingos Farinho, professor da Faculdade de Direito de Lisboa, ao ex-primeiro-ministro durante o período em que a tese estava a ser elaborada e que foram selecionados para o relatório final da Operação Marquês, quando a investigação do caso chegou ao fim em outubro de 2017. Farinho recebeu 40 mil euros entre janeiro e agosto de 2013 pela colaboração com o antigo chefe de Governo através de uma companhia, a RMF, de Rui Mão de Ferro, sócio de Carlos Santos Silva, o empresário que está acusado de ser o seu o principal testa de ferro.

Não queria deixar passar mais um dia sem mostrar-lhe o que já tenho e também dar-lhe a possibilidade de comentar o que já escrevi de novo

Quando inquirido pelo Ministério Público, em julho de 2016, Farinho contou que foi Sócrates quem lhe pediu para que os pagamentos fossem feitos dessa forma e que os recibos que passou a essa empresa como tendo prestado serviços jurídicos não correspondiam à verdade, ressalvando no entanto que se limitou a fazer o “trabalho normal de uma revisão formal de uma tese” e, quando muito, “quase uma espécie de co-orientação”, dentro do que é admissível do ponto de vista académico.

“FIQUEI SURPREENDIDO”

Numa consulta realizada entretanto pelo Expresso ao exemplar que existe da tese de 121 páginas assinada por Sócrates, “Perdre La ‘Confiance Dans Le Monde’ — Discussion sur la torture en Démocratie”, que está depositado em formato de papel na biblioteca da Sciences Po e foi escrito integralmente em francês, foi possível verificar que não inclui qualquer agradecimento a Domingos Farinho.

Questionado sobre como vê o facto de não ter sido incluída na tese nenhuma menção à colaboração por ele prestada, Domingos Farinho assume que não estava à espera disso. “Fiquei surpreendido”, admite ao Expresso, acrescentando que “nestas situações cabe ao autor, de modo perfeitamente subjetivo, determinar a quem pretende agradecer”, ainda que esse tipo de agradecimento, deixado por escrito no próprio ensaio académico, “é prática habitual”.

<span class="arranque">MESTRADO</span> O Expresso consultou o exemplar da tese de 121 páginas, assinado por Sócrates, na biblioteca da Sciences Po, em Paris

MESTRADO O Expresso consultou o exemplar da tese de 121 páginas, assinado por Sócrates, na biblioteca da Sciences Po, em Paris

Sócrates, por seu lado, quando questionado sobre o assunto pelo Expresso, descreve o que considera ter sido a ajuda prestada por ele, depois de rejeitar as alegações contidas na Operação Marquês de que o professor de Direito lhe tenha escrito partes originais do ensaio: “Ajudou-me, isso sim, e no essencial, nas tarefas de revisão, formatação e aparato técnico do texto e fez-me também sugestões de bibliografia e de ângulos de análise do tema, em particular na área do direito internacional que enquadra as questões da tortura”.

O ex-primeiro-ministro considera que as ideias que recebeu de Farinho têm de ser vistas num contexto mais alargado. “Essas sugestões em nada diferem de outras que me foram feitas por outros amigos e académicos com quem discuti o texto e a quem pedi conselho e opinião crítica sobre o que escrevi.”

Os e-mails reproduzidos no relatório final da Operação Marquês, e cuja parte do conteúdo foi divulgada pelo semanário “Sol” em novembro de 2017, incluem algumas frases a que a investigação criminal deu especial relevância: “Estou a acabar de escrever agora”; “não queria deixar passar mais um dia sem mostrar-lhe o que já tenho e também dar-lhe a possibilidade, caso queira, de comentar o que já escrevi de novo”; “por favor diga-me se acha que merece maior destaque do que aquele que lhe dei neste capítulo histórico”.

CITAÇÕES E RODAPÉS

Confrontado com esses e-mails, Domingos Farinha explica-se: “Tudo o que escrevi na tese do engº José Sócrates diz respeito a referências bibliográficas e/ou citações de autores, quer no corpo de texto quer em notas de rodapé, além da normal revisão de texto que me pareceu pouco claro ou que formalmente me parecia ficar melhor de outro modo, muitas vezes consistindo em propostas de passar referências do corpo de texto para notas de rodapé ou vice-versa.”

Estou a acabar de escrever agora
e-Mails do professor que recebeu €40 mil de Sócrates para o ajudar com a tese

O professor de Direito ressalva que isso não implicou ter desenvolvido qualquer investigação para o mestrado do ex-primeiro-ministro no Sciences Po: “Essas referências ou citações não foram pesquisadas por mim e constavam de referências do próprio texto enviado pelo engº José Sócrates ou enviadas em e-mails autónomos, embora de forma sumária ou incompleta, ou ainda de livros e artigos enviados pelo engº José Sócrates.” Farinho garante que os excertos de e-mails reproduzidos na Operação Marquês “estão descontextualizados”.

Nem Sócrates nem Farinho foram contactados até hoje pelo Sciences Po, depois das suspeitas sobre a elaboração da tese de mestrado terem sido tornadas públicas. “O tema da tese foi, ao longo de vários meses, discutido e desenvolvido, beneficiando das observações criticas de vários professores e colegas em seminários organizados justamente com esse objetivo. O objeto da tese e o seu desenvolvimento estava já escrito e foi, por mim, apresentado num desses seminários, salvo erro, logo no início de 2013”, conta o ex-primeiro-ministro. “O júri de mestrado, perante o qual prestei provas orais finais, não só conhece bem o processo de elaboração da tese como não tem dúvidas sobre quem a escreveu. Finalmente, fui avaliado com a mais alta classificação da turma. Eis tudo. »

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Jérôme Rodrigues divide portugueses de França: “Tivesse ficado em casa”

Jérôme Rodrigues, luso-francês e um dos mais conhecidos “coletes amarelos” de França, confirmou que perdeu definitivamente a visão no olho direito depois de incidentes numa manifestação em Paris. Os portugueses de França reagem de forma diversa e apaixonada: uns apoiam-no e outros atacam-no duramente. “Vai trabalhar malandro”… “Mais um Camões, ainda bem que não perdeste os dois olhos”, escreveram dois nas redes sociais. Mas há quem escreva de Lisboa: “Portugal, precisava de um homem aqui como o Jérôme Rodrigues, é pena que ele não queira vir para Portugal com o colete amarelo”.

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Jérôme Rodrigues, de 39 anos, nascido em França e filho de pai português natural da região de Coimbra e mãe francesa, fala português e confirmou que perdeu o olho direito depois de incidentes muito violentos numa manifestação dos “coletes amarelos” no dia 25 de janeiro na Praça da Bastilha em Paris.

Na altura filmava os acontecimentos com o telemóvel e, como habitualmente, andava de “colete” e de cara destapada. Imagens independentes confirmam isso e até que ele tentava, no momento em que foi atingido no olho, convencer alguns “coletes” seus camaradas e amigos a saírem da zona mais perigosa, onde os confrontos com a polícia eram muito duros.

Agora, mesmo sem um olho, continua a participar muito ativamente no movimento nascido em novembro na internet e a atacar o Presidente Macron. Acusa-o a ele e ao Governo, e não à polícia, de serem os responsáveis pela violência. “Macron, vais pagar!”, escreveu no Facebook depois de os médicos terem confirmado nas últimas horas a perda da visão no olho direito.

Com um discurso político radical é, no entanto, um pacifista. Disse-o numa entrevista ao Expresso e à Rádio Alfa e repete-o a toda a hora. De facto, não é de modo algum um extremista e muito menos um “casseur” (vândalo).

Nos cafés e restaurantes portugueses da região parisiense, o seu caso é assunto de debate e por vezes em discussões apaixonadas, que terminam frequentemente em gritarias nas quais ninguém se entende.

Nas redes sociais, a controvérsia em torno dele também se incendiou com centenas, talvez milhares de comentários.

Por exemplo, José Manuel Saraiva, escreveu que ele está a destruir a imagem dos portugueses de França: “Gerações que envergonham seus pais e avós emigrantes. Esses sim sofreram e dignificaram os emigrantes portugueses e Portugal”.

Também Aldina Loureiro escreveu: “Mais um Luís de Camões, ficasse em casa que estava bem…. as manifestações que fazem é só a fazer porcaria e estragar… temos pena.”

Mas Jérôme também recebe muitas mensagens de apoio. Eurico Baptista lamentou as críticas que lhe fazem, deste modo: “Pois realmente, agora já percebo por que é que Portugal não sai da « cepa torta »! Com essa mentalidade de ficar em casa e ver o país a ser saqueado…”.

Pelo seu lado, Luísa Escudeiro Cruz comentou: “… pois é, se houvesse muitos Jérôme Rodrigues na rua talvez aqui ou noutros países houvesse menos injustiças!!!”.

Apesar de boa parte dos comentários serem críticos, alguns desejam-lhe boa sorte e coragem para continuar a luta, mesmo em Portugal, país que ele adora (segundo Jérôme disse ao Expresso quando ainda estava no hospital).

É o caso de Isabel da Silva, que escreve, aparentemente de Lisboa: “Portugal, precisava de um homem aqui como o Jérôme Rodrigues, é pena que ele não queira vir para Portugal com o colete amarelo”.