Josep Borrel, ministro dos Assuntos Exteriores de Espanha, avisou hoje no Egito, no âmbito da cimeira União Europeia-Liga Árabe, que o seu país não apoiará uma intervenção militar estrangeira na Venezuela e assegurou que nem todas as soluções sobre a mesa ajudam a encontrar uma saída para esta crise.
Trata-se de uma posição relevante, dada a importância de Espanha no contexto das relações com os diferentes países da América Latina, mas que choca com as afirmações de Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, para quem, pelo contrário, “todas as opções estão em cima da mesa”. As declarações de Pompeo revelam total sintonia com o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, que no sábado se dirigiu aos líderes internacionais para pedir um reforça da ajuda e admitiu o recurso a uma intervenção militar internacional.
O Minsitro dos negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, também veio entretanto esclarecer a posição protuguesa.Santos Silva defendeu hoje que a solução política para a Venezuela passa pela pressão política e diplomática internacional e não por confrontação interna, nem por uma intervenção militar externa.
“Para nós, a solução política de que a Venezuela carece não se obtém através de uma intervenção [militar] externa. Essa intervenção só agravaria ainda mais o problema. Há países que têm dito que todas as soluções estão em cima da mesa. Não é essa a posição da União Europeia. Nós achamos que a solução por via de uma confrontação interna não é solução, e a solução por via de uma intervenção externa também não é solução”, vincou Augusto Santos Silva, em declarações à agência Lusa.
O ministro espanhol, por sua vez, foi muito assertivo ao frisar que “nem todas as soluções estão sobre a mesa. Temos dito claramente que não apoiaremos e condenaremos firmemente qualquer intervenção militar estrangeira, que esperamos que não venha a acontecer”.
Citado pela agência Efe, o ministro precisou que a solução para a Venezuela tem de resultar de uma solução democrática, que envolva o povo venezuelano, e da realização de eleições presidenciais.
Acrescentou que é neste sentido que « Espanha tem procurado encontrar uma posição comum » junto dos parceiros europeus.
Numa entrevista à emisora « France 24 », emitida a 11 de fevereiro, o ministro das Relações Exteriores de Espanha já se tinha pronunciado contra uma intervenção militar dos Estados Unidos da América na Venezuela, acentuando que esta não é a solução para a crise política que o país enfrenta.
Pompeo justifica as suas afirmações com a necessidade de « garantir que a democracia prevalece » na Venezuela e avisou que Washington “vai tomar medidas” após os distúrbios registados sábado.
“Todas as opções estão sobre a mesa. Vamos fazer o que for necessário para garantir que a democracia prevalece e que há um futuro melhor para o povo venezuelano”, referiu o secretário de Estado durante uma entrevista à cadeia de televisão Fox, em que foi questionado sobre a possibilidade de haver uma intervenção militar.
“Os dias de Maduro estão contados”, precisou Mike Pompeo citado pela agência Efe. O responsável da Administração Trump considerou o dia de sábado um “dia trágico”, tendo em conta os atos violentos que rodearam a entrada dos primeiros camiões com ajuda humanitária e que acabaram por resultar na morte de pelo menos quatro pessoas e em quase 300 feridos.
Neste contexto, Pompeo afirmou que Washington “vai tomar medidas”.
“Há mais sanções que podem ser aplicadas e mais assistência humanitária para oferecer”, precisou ainda o responsável pela diplomacia dos EUA, numa outra entrevista à CNN, mas sem avançar mais detalhes.
Mike Pompeo assinalou que o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, participa na segunda-feira numa reunião do Grupo de Lima, que vai decorrer em Bogotá (Colômbia), onde os EUA vão reafirmar o seu apoio a Juan Guaidó como o Presidente legítimo da Venezuela.
Através da plataforma Twitter, o secretário Estado escrever que “os Estados Unidos tomarão medidas contra aqueles que se opõem à restauração pacífica da democracia na Venezuela”, mas acrescentou que, “por agora, o tempo é de agir para apoiar as necessidades do desesperado povo venezuelano”.