Atum rabilho bate recorde e é vendido em Tóquio por 2,7 milhões de euros

A licitação no leilão de Ano Novo do mercado de peixe da capital japonesa foi feita pelo presidente da cadeia de restaurantes de sushi Sushizanmai, Kiyoshi Kimura, o “Rei do Atum”.

O mais apreciado predador dos mares, o atum rabilho, bateu todos os recordes e um exemplar gigante com 278 quilos de peso foi vendido em Tóquio por 2,7 milhões de euros. Aconteceu no tradicional leilão de Ano Novo no mercado de peixe de Tóquio, tratou-se da primeira venda de 2019 e a licitação foi feita por Kiyoshi Kimura, presidente da cadeia japonesa de restaurantes de sushi Sushizanmai, que se auto-intitula o « Rei do Atum ».

Kimura disse à Agência Reuters que acabou por gastar cinco vezes mais do que estava à espera. Se tivesse sido num dia normal do mercado de peixe de Tóquio, teria gasto provavelmente 53 mil euros. Mas a verdade é que o império do sushi do empresário japonês ganhou publicidade de graça em todo o mundo com esta venda recorde.

Aliás, em sete dos últimos oito anos, Kimura fez sempre a maior licitação neste leilão de Ano Novo. O seu anterior recorde era de 2013, quando pagou 1,2 milhões de euros por um atum rabilho. O « Rei do Atum » confessou que se excedeu na sua última oferta, o que está certamente relacionado com a crescente escassez do grande atum rabilho do oceano Pacífico no mercado, devido à sobrepesca. Com efeito, segundo a BBC, « as capturas caíram bastante em 2018 e desde o verão os preços em Tóquio aumentaram mais de 40% ».

ESPÉCIE EM RISCO DE EXTINÇÃO

A espécie está em risco de extinção e figura nas listas vermelhas da organização ambientalista WWF (World Wildlife Fund) e da União Internacional para a Conservação da Natureza. Se a sua captura continuar ao atual ritmo poderá mesmo desaparecer, porque os stocks diminuíram mais de 85% desde 1973 e a moda do sushi e do sashimi espalhou-se rapidamente por todo o mundo como uma epidemia.

Tiago Pitta e Cunha, presidente executivo da Fundação Oceano Azul, que gere o Oceanário de Lisboa, alertou há poucos meses numa conferência de imprensa para um pradoxo: estamos a comer os predadores dos oceanos como o atum ou o espadarte, que ocupam o topo da cadeia alimentar marinha, coisa que não fazemos em terra porque não comemos lobos, raposas, águias, leões, tigres ou leopardos.

O mercado de peixe da capital japonesa é o maior do mundo e uma grande atração turística, tendo sido transferido recentemente do centro da cidade (a maior do mundo, com 38 milhões de habitantes), para uma ilha artificial na Baía de Tóquio, devido à necessidade de mais espaço comercial.

Jornal Expresso.

 

Macron garante justiça face a « extrema violência » em dia recorde de « coletes amarelos »

O presidente francês, Emmanuel Mácron, garantiu que a “justiça será feita” face à “extrema violência” contra a República num sábado que registou, em todo o país, o número recorde de 50 mil “coletes amarelos”.

Na rede social Twitter, o governante notou como “mais uma vez, uma extrema violência atacou a República – os seus guardiões, os seus representantes, os seus símbolos”, depois de manifestantes terem tentado forçar a entrada em vários ministérios, em Paris.

“Os que cometem estes atos esquecem o coração do nosso pacto cívico. Justiça será feita”, garantiu Macron, apelando a que todos voltem ao caminho de promoção do debate e do diálogo.

O denominado VIII ato dos “coletes amarelos”, em França, contou com 50 mil participantes, passando a deter o recorde de manifestantes, que têm exigido alterações nas políticas e causado inúmeros distúrbios.

O ‘pico’ dos protestos tinha sido registado no sábado passado, com 32 mil pessoas, segundo os números oficiais do ministério francês do Interior, que desdramatizou os dados.

“Cinquenta mil são um pouco mais do que uma pessoa por comuna em França. Essa é a realidade do movimento dos “coletes amarelos” hoje. Pode-se ver que não é um movimento representativo em França”, disse o ministro do Interior, Christophe Castaner, que também condenou os confrontos que surgiram à margem das manifestações.

O anterior balanço, feito pelas 15:00, referia 25 mil pessoas em toda a França, segundo a polícia.

A autarquia de Paris referiu que um total de 101 pessoas foram detidas em Paris e 103 interrogadas pela polícia.

Na capital francesa, o porta-voz do Governo francês, Benjamin Griveaux, foi retirado do seu gabinete, em Paris, depois de uma violenta entrada com uma retroescavadora no edifício localizado na rua de Grenelle.

Os confrontos entre as forças de segurança e manifestantes, nesta oitava mobilização repetiram-se por várias cidades francesas, como nas localizadas a Oeste: Rouen, Caen e Nantes, enquanto em Rennes um grupo destruiu uma porta de acesso à autarquia.

Para sudoeste no mapa do país, cerca de 4.600 « coletes amarelos » marcharam nas ruas de Bordéus, onde o nível de mobilização se mantém alto e mais uma vez se repetiram confrontos entre manifestantes e forças da ordem.

Com a chegada da noite, a polícia interveio e deteve várias pessoas, havendo o registo de várias montras partidas.

O Governo francês acusou na sexta-feira o movimento dos « coletes amarelos » de estar a ser instrumentalizado por grupos de agitadores que pretendem derrubar o executivo.

Alfa/Lusa.

‘Coletes amarelos’: Violência regressa a Paris, Ministério atacado e ministro evacuado

Perturbado pelos protestos, que neste sábado voltaram a aproximar-se de um clima de insurreição popular, o Presidente Emmanuel Macron vai escrever uma carta aos franceses para tentar convencê-los a participar num “debate nacional” sobre as reivindicações dos “coletes”. Um ministério foi atacado, o portão destruído e o ministro teve de ser evacuado

SAMEER AL-DOUMYA

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Às 19 horas de Paris, menos uma hora em Lisboa, veículos continuavam a ser incendiados na zona da avenida dos Campos Elísios, na principal sala de visitas de França, onde também ainda se verificavam confrontos.

O clima era de insurreição. O ministério de Benjamin Griveaux, porta-voz do executivo, que chamara ontem aos manifestantes de “agitadores políticos que apenas querem a insurreição e derrubar o Governo” foi atacado. O portão do ministério foi vandalizado, manifestantes chegaram a entrar no pátio e o ministro e seus funcionários tiveram de ser evacuados. Nalgumas regiões outros símbolos da República também foram atacados hoje e nos últimos dias.

A essa hora, a polícia ainda não tinha completamente controlado a situação na capital, onde se verificaram confrontos e incêndios desde o início da tarde em diversos bairros, todos eles históricos e turísticos.

Os problemas principais verificaram-se nos Campos Elísios e, também, junto aos museus do Louvre e de Orsay e na avenida de Saint-Germain, que liga a Assembleia Nacional ao “quartier latin”, o quarteirão onde eclodiu a revolta estudantil de 1968 que, então, abalou a França e o mundo.

QUATRO MIL MANIFESTANTES NAS RUAS DA CAPITAL

Durante este sábado, no Ato 8 do movimento dos “coletes”, ou seja, o oitavo sábado consecutivo de manifestações desde o início do inédito protesto nascido na internet, cerca de quatro mil manifestantes (segundo números da polícia) desfilaram em Paris.

Ainda não foram contabilizados todos os manifestantes deste sábado em França, mas os desfiles foram também importantes nas cidades da província, onde se verificaram igualmente por vezes incidentes com a polícia.

Na capital, verificaram-se confrontos graves em pontes e nas margens do rio Sena, onde um grande barco turístico, com restaurante, foi também incendiado. Barricadas e veículos foram incendiados em diversos locais mas, desta vez, foram até agora registados poucas destruições e ataques de lojas e outros estabelecimentos comerciais.

Com estas novas manifestações, as primeiras do ano de 2019, os “coletes amarelos” surpreenderam os observadores, que previam uma menor mobilização depois das festas do Natal e do fim do ano e, igualmente, depois das cedências do Presidente Emmanuel Macron (no valor de 10 mil milhões de euros) aos “coletes”.

Nesta sexta-feira, o Governo tinha apostado na marginalização do movimento e na repressão. Benjamin Griveaux, ministro e porta-voz do executivo, disse ontem, designadamente, que depois das recentes cedências e do lançamento de um “debate nacional” de três meses sobre as revindicações, apenas restavam “agitadores políticos que querem derrubar o Governo”. Griveaux garantiu que a lei seria aplicada – “a lei, nada mais que a lei, só a lei”, afirmou.

ONZE MORTOS E 2500 FERIDOS EM MÊS E MEIO DE PROTESTOS

O protesto dos “coletes” já provocou, em mais de mês e meio de manifestações, 11 mortos (um devido à explosão de uma granada e os outros em acidentes), cerca de 2500 feridos (a maioria manifestantes, mas também polícias), e levou aos tribunais centenas de pessoas.

Segundo uma sondagem, 55% dos franceses continuavam ontem, sexta-feira, a apoiar os “coletes amarelos”.

As palavras de ordem mais ouvidas, hoje, em Paris, são as habituais: “Macron demissão”, “RIC” (Referendo de Iniciativa Cidadã) e outras relacionadas com o aumento do poder de compra e a fiscalidade.

Emmanuel Macron, que reconheceu há menos de um mês que terá sido demasiado sobranceiro com os seus compatriotas, a quem chamou “irredutíveis gauleses refratários à mudança”, aposta no “debate nacional” para encontrar uma saída para a crise.

Nos seus votos de bom ano novo aos franceses indicou que lhes vai escrever uma carta com as suas propostas para o debate. Mas os “coletes”, nas manifestações deste sábado, indicavam que esperavam pouco dessa iniciativa.

“Macron e o Governo sabem bem o que queremos, não é preciso debate: queremos participar na vida democrática com o RIC (Referendo de Iniciativa Cidadã), queremos aumentos das pensões e dos salários mais baixos, queremos a reposição do Imposto Sobre a Fortuna, que ele revogou, queremos mais igualdade e baixa dos impostos sobre os produtos de primeira necessidade”, dizia um “colete”, aos jornalistas, na Praça da Câmara de Paris, alguns minutos antes do início de mais uma tarde e de um início de noite de confrontos na capital.

Novos confrontos em Paris. Coletes amarelos

Confrontos em pontes sobre o rio Sena, em Paris. Polícia e manifestantes entraram em confronto em pontes sobre o rio Sena, entre os museus de Orsay e do Louvre, perto da Assembleia Nacional e das praças dos Inválidos e da Concórdia

 

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Alguns milhares de “coletes amarelos” (quatro mil, segundo fontes oficiais) manifestavam-se esta tarde, “mais ou menos pacificamente”, no centro de Paris.

Mas, repentinamente, confrontos entre alguns deles e a polícia eclodiram em pontes sobre o rio Sena, entre os museus de Orsay e do Louvre, perto da Assembleia Nacional e das praças dos Inválidos e da Concórdia. Situação continuava muito tensa na zona às 15h30 locais, onde durante meia hora já tinham sido disparadas dezenas de granadas lacrimogéneas.

Primeiras manifestações de 2019 também reúnem milhares de “coletes” noutras cidades francesas, onde se verificam por vezes confrontos esporádicos com as forças da ordem.

“Coletes amarelos” já se manifestam de novo em Paris

Mais manifestantes do que previsto. “Coletes amarelos” estão já a manifestar-se em Paris e  noutras grandes cidades, apesar de o Governo os ter ameaçado, ontem, com a repressão. Para a tarde de hoje estão marcadas mais manifestações na capital.

Alfa/Expresso. Adaptação, por Daniel Ribeiro

Aparentemente, os “coletes” franceses voltaram a mobilizar-se com alguma força, mas de forma até agora pacífica. Na capital, diversas centenas de manifestantes concentraram-se desde as 10h locais (9h em Lisboa) nos Campos Elísios com o objetivo de, numa primeira fase se deslocarem para a Praça da Bolsa e, a seguir, se reunirem a uma outra manifestação da fação “França em cólera”, que está marcada para as 14h locais, junto à praça da Câmara de Paris.

Ontem o ministro e porta-voz do executivo, Benjamin Griveaux, acusou os “coletes” que se continuam a manifestar de serem “agitadores políticos que apenas querem derrubar o Governo”. O governante ameaçou com a repressão – “faremos respeitar e aplicar a lei, nada mais do que a lei”, disse.

Diversas manifestações decorrem noutras cidades desde o início desta manhã, o que deixa antever uma nova mobilização algo significativa dos “coletes” depois do movimento ter dado sinais de estar em baixa durante o período das festas de Natal e de fim de ano e depois das cedências (no valor de 10 mil milhões de euros) do Presidente Emmanuel Macron ao movimento.

Para esta tarde está marcada a manifestação organizada pela “França em cólera”, cujos líderes mais conhecidos são Éric Drouet, recentemente detido, e Priscillia Ludoski, uma das iniciadoras do movimento dos “coletes amarelos”.

O Governo considera que as recentes cedências aos “coletes”, bem como o lançamento de um “debate nacional” de três meses sobre as suas reivindicações, deveriam ter posto fim ao movimento de protesto inédito e que nasceu na internet.

O porta-voz disse que agora apenas restam nas manifestações elementos “radicais e agitadores”, o que irritou particularmente muitos dos « coletes » que estão hoje a desfilar em diversas cidades francesas.

O protesto já provocou, em mais de mês e meio de manifestações, 11 mortos ( um devido à explosão de uma granada e os outros em acidentes), cerca de 2500 feridos (a maioria manifestantes, mas também polícias), e levou aos tribunais centenas de pessoas.

Segundo uma sondagem, 55% dos franceses continuavam ontem, sexta-feira, a apoiar os “coletes amarelos”.

As palavras de ordem mais ouvidas esta manhã em Paris são as habituais: “Macron demissão”, “RIC” (Referendo de Iniciativa Cidadã) e outras relacionadas com o aumento do poder de compra e a fiscalidade.

Coletes amarelos. Novo sábado de alta tensão em Paris

Hoje é o dia da verdade para os “coletes” e o Governo franceses. As duas partes radicalizaram os discursos nas últimas horas.

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro (adaptação)

A “França em cólera”, a mais forte e mais organizada fação do protesto popular nascido na internet (dirigida por Éric Drouet, recentemente detido, e por Priscillia Ludosky, fundadora do movimento dos “coletes”), convocou novas manifestações para Paris e outras cidades e declarou, numa carta aberta, que o Presidente Emmanuel Macron está a conduzir a França para a “guerra civil”.

O Governo respondeu-lhe ontem, sexta-feira, de forma extremamente dura. O ministro e porta-voz do executivo, Benjamin Griveaux, classificou os “coletes” que se continuam a manifestar e a bloquear estradas, como “agitadores que apenas querem a insurreição e deitar o Governo abaixo” e ameaçou com a repressão. “Será aplicada a lei, nada mais do que a lei”, disse o governante.

Para este sábado, foram convocadas diversas manifestações em Paris e noutras grandes cidades francesas.

O Governo considera que as recentes cedências aos “coletes” e o lançamento de um “debate nacional” sobre as suas reivindicações puseram fim ao movimento e que só restam radicais e « agitadores políticos ».

O protesto já provocou, em mês e meio, uma dezena de mortos (em acidentes), cerca de 2500 feridos (a maioria manifestantes, mas também polícias), e levou aos tribunais centenas de pessoas.

Segundo uma sondagem, um pouco mais de 50% dos franceses continuavam nesta sexta-feira a apoiar os “coletes amarelos”.

Louvre em Paris bate recordes com mais de dez milhões de visitantes em 2018

O Louvre, o museu mais visitado do mundo, ultrapassou pela primeira vez a marca de dez milhões de visitantes em 2018, disse a administração do museu de Paris.

Foto: CHRISTOPHE PETIT TESSON

« Pela primeira vez na sua história, e acho que pela primeira vez na história dos museus, mais de dez milhões de visitantes visitaram o Louvre em 2018 », disse o presidente do Louvre, Jean-Luc Martinez.

Em 2017 o museu tinha recebido 8,1 milhões de visitantes, um aumento de 10,1% em relação a 2016.

O número de visitantes tem aumentado ao longo dos últimos dois anos, em contraste com os anos de 2015 e 2016, em que o número de turistas estrangeiros em Paris diminuiu, devido aos temores de atentados assolaram a cidade nesses anos.

Alfa/Lusa

Crianças a fumar em aldeia de Mirandela: a culpa é das televisões, diz autarca

A Festa dos Reis na aldeia de Vale de Salgueiro, em Mirandela, ganhou visibilidade pela polémica imagem de crianças a fumar cigarros que o presidente da junta garante ser uma tradição, mas em idades mais avançadas.

(Pedro Correia/Global Imagens)

Carlos Cadavez reiterou, em declarações à Lusa, que os mais velhos desta localidade do distrito de Bragança atestam que se trata de um ritual antigo e que Reis sem cigarros não é festa, mas reconheceu que tem sofrido alterações.

“Começaram a aparecer as televisões e as pessoas põem o cigarro na boca dos filhos com quatro ou cinco anos, só para aparecer. Antigamente só os rapazes e raparigas a partir dos 10, onze anos”, afirmou.

Os Reis, como disse à Lusa, são a festa mais importante desta aldeia, supera inclusive a do verão, e ocorre religiosamente sempre nos dias 05 e 06 de janeiro.

Se a data calhar durante a semana, é como que “feriado” para a população rural da localidade.

Ao certo ninguém sabe como é que o cigarro foi introduzido nesta festa. Segundo o presidente da junta, “o que se fala é que teria a ver com a emancipação” dos jovens.

“Há aqui na aldeia um senhor com 101 anos que diz que já no tempo dele fumavam rapazes e raparigas”, afiançou.

O autarca tem 45 anos e garantiu que também ele fumou desde novo nesta festa, assim como a restante juventude da época.

“Não sou fumador e entre o pessoal da nossa juventude poucos são os que fumam”, assegurou.

O presidente da junta tem três filhas e adiantou que só a mais velha, com 11 anos, vai fumar este fim de semana, assim como a maioria das cerca de 20 crianças e jovens desta aldeia com aproximadamente 200 habitantes.

Segundo disse, é tradição, mas não é obrigatório e o próprio defende que os mais pequenos não devem fumar, assim como há pais que não deixam os filhos pegar nos cigarros, independentemente da idade.

A prática, como admitiu, já trouxe problemas com um deputado municipal a levantar a questão na Assembleia Municipal de Mirandela e o presidente da junta antevê que “amanhã ou passado o cerco irá apertar-se”.

Este fim de semana a tradição repete-se numa festa em que é o “Rei” que paga as despesas, no caso, um jovem da aldeia.

A conta rondará os “2.000 a 2.500 euros” segundo o presidente da junta e não têm faltado mordomos, apesar dos custos que incluem gaiteiro, música, comida, tremoços e vinho.

A celebração dos Reis arranca, no sábado, em Vale de Salgueiro, com uma arruada a cargo do gaiteiro, no final da tarde.

Depois de uma merenda, o animador volta a sair já acompanhado pelo “Rei” e vão de casa em casa a distribuir tremoços e vinho.

O autarca acredita que antigamente estes seriam os produtos com menos custo para oferecer, daí se manterem de ano para ano com o “Rei” a começar a preparação no dia de Natal. É ele que coze os tremoços, para serem curados até á festa.

No domingo, às seis da manhã o gaiteiro faz a alvorada pela povoação e o “Rei” com uma carapuça enfeitada com ouro emprestado pelas pessoas da aldeia, volta a andar de casa em casa a desejar bom ano.

A população contribuiu com o que entender para ajudar nas despesas da festa.

A missa é um dos momentos altos, durante a qual o « Rei” escolhe o sucessor que, depois da procissão de Santo Estêvão, oferece aos populares uns aperitivos.

Um almoço e uma tarde com a dança de origem celta da Murinheira, ao som da gaita-de-foles, encerram as festividades.

Apesar do despovoamento, esta aldeia já teve mais dificuldade em arranjar mordomo do que agora, segundo o presidente da junta.

Como contou, antigamente chegaram a ter de ser os mais velhos a aceitar a coroa e houve anos em que a festa não se realizou por falta de interessados.

“Agora, ainda há muita juventude e a coroa fica logo encomendada”, garantiu o autarca.

Alfa/LUSA

Éric Drouet, camionista, 33 anos. A França está em convulsão por causa dele

Chama-se Éric Drouet, tem 33 anos, esteve detido uma noite e França está em convulsão por causa dele. Trata-se do ‘colete amarelo’ mais mediático

Foto: EPA

Alfa/LUSA

A detenção da figura mais mediática do movimento « coletes amarelos », Éric Drouet, gerou esta quinta-feira em França uma polémica pela alegada motivação política da ação policial, muito criticada pelo movimento e pela oposição.

Drouet, camionista de 33 anos, foi posto em liberdade ao início da tarde depois de ter sido detido na noite de quarta-feira nas proximidades da praça da Concórdia, em Paris,quando participava numa iniciativa não autorizada para homenagear os dez ‘coletes amarelos’ mortos em diferentes acidentes.

« Não foi uma manifestação, foi uma reunião num restaurante », disse Drouet à saída da esquadra da polícia, acompanhado do seu advogado, Khéophs Lara. Drouet considerou que a motivação da sua detenção é « política » e pediu o fim do que chama ser « assédio judicial » contra si.

O camionista tornou-se conhecido desde o início do movimento dos ‘coletes amarelos’ em novembro passado, especialmente após 5 de dezembro. quando anunciou na televisão a sua intenção de tomar os Campos Elísios, uma declaração que lhe rendeu a abertura de uma investigação por incitamento a cometer um crime.

Drouet foi detido numa manifestação a 22 de dezembro por ter consigo um bastão e será julgado a 5 de junho num processo que pode levar a uma sentença até seis meses de prisão.

Um dos primeiros políticos a reagir à sua nova detenção foi o líder da esquerda France Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, que na sua conta no Twitter considerou que a prisão não era justificada e que era um « abuso de poder » e uma ação de « polícia política » que « atormenta » os ‘coletes amarelos' ».

« Chega de violência, de condenações e prisões dos ‘coletes amarelos’. ‘Free’ Éric Drouet, deixem os porta-vozes do povo em paz », acrescentou Mélenchon, que através do Facebook declarou na quarta-feira o seu « fascínio » por Drouet.

Benjamin Cauchy, outro porta-voz do movimento conhecido pelas suas posições muito mais moderadas do que Drouet, chamou a prisão do seu companheiro « um flagrante crime de crueldade » e considerou « um mau presságio ».

A líder da extrena-direita Marine Le Pen estimou que « a violação sistemática dos direitos políticos da oposição atrai um rosto terrivelmente perturbador » do Presidente francês, Emmanuel Macron.

PR Marcelo elogia PM Costa

Foto: LUSA/MIGUEL A. LOPES
Alfa/Público

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou nesta quinta-feira o « relevo do primeiro-ministro », António Costa, no xadrez europeu e a estabilidade política do Governo como factores que permitiram o reforço significativo do « peso de Portugal » na Europa.

Na cerimónia de cumprimentos de Ano Novo dos chefes de missão, embaixadores e cônsules-gerais de Portugal acreditados junto de vários Estados e organizações internacionais, que decorreu nesta quinta-feira no Antigo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa avisou ainda que « qualquer que seja o veredicto eleitoral » das legislativas deste ano, « a política externa portuguesa é e continuará a ser, no essencial, a mesma ».

« No plano europeu, o peso de Portugal reforçou-se significativamente pela sensatez das políticas e dos resultados financeiros, pela liderança do Eurogrupo, pelo relevo do primeiro-ministro no xadrez europeu, xadrez esse complexificado nos últimos meses, e até pela estabilidade política, fazendo do chefe do Governo português um dos seis ou sete mais antigos da União Europeia no curto lapso de três anos », elogiou.

Segundo o chefe de Estado, « não é fruto do acaso a intensíssima e coordenada actividade externa do Presidente da República, do primeiro-ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros, envolvendo em 2018 encontros com todas as principais potências globais e seus líderes ».