Benfica perde pela primeira vez com o Portimonense e cede segundo lugar da Liga

O Benfica sofreu hoje a primeira derrota de sempre com o Portimonense, ao perder fora por 2-0, com dois autogolos, e cedeu o segundo lugar da I Liga portuguesa de futebol ao Sporting de Braga, na 15.ª jornada.

Os centrais Ruben Dias e Jardel marcaram na própria baliza, aos 12 e 38 minutos, e o Portimonense, que nunca tinha derrotado o Benfica nos 40 jogos anteriores, travou a série de cinco triunfos seguidos dos ‘encarnados’ no campeonato.

O Benfica, que viu Jonas ser expulso aos 72 minutos, caiu para terceiro lugar, com 32 pontos, menos quatro do que o líder FC Porto, e foi ultrapassado pelo Sporting de Braga, que bateu em casa o Marítimo (2-0) e soma 33 pontos.

O FC Porto, que visita o Desportivo das Aves na quinta-feira, pode consolidar o comando, e o Sporting, que leva 31 pontos, pode voltar à segunda posição de bater o Belenenses em casa.

Resultados e programa da 15ª jornada da I Liga de futebol (Horas de Paris):

– Quarta-feira, 02 jan:

Santa Clara – Tondela, 1-2 (0-0)

Boavista – Vitória de Setúbal, 1-0 (0-0)

Sporting de Braga – Marítimo, 2-0 (2-0)

Nacional – Vitória de Guimarães, 1-0 (1-0)

Portimonense – Benfica, 2-0 (2-0)

Rio Ave – Moreirense, 1-2 (1-0)

– Quinta-feira, 03 jan:

Desportivo das Chaves – Feirense, 17:00

Sporting – Belenenses, 19:00

Desportivo das Aves – FC Porto, 21:15

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Uma reunião « muito boa, entre irmãos ». Marcelo/Bolsonaro

Marcelo considera que reunião com Bolsonaro foi “muito boa” e um encontro “de irmãos”.

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O Presidente da República avançou ainda que Jair Bolsonaro deverá visitar Portugal entre o final deste ano e princípio de 2020.

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O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta quarta-feira que a sua reunião com o novo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília, foi « muito boa » e decorreu num « tom fraternal » de encontro « entre irmãos ».

« A reunião foi muito boa, foi formalmente muito boa, foi substancialmente muito boa », declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no final do encontro, realizado no Palácio do Planalto, adiantando ainda que o 38.º Presidente brasileiro virá a Portugal entre o final deste ano e princípio de 2020.

O Presidente português salientou o « tom fraternal » do encontro: « Como eu disse, e como disse o Presidente Bolsonaro, era uma reunião entre irmãos, e entre irmãos o que há a dizer se diz rápido, como se diz em família, e há uma empatia natural entre povos que facilita fazer passar a mensagem ».

« Houve um leque de temas bilaterais e multilaterais que foram tratados. E foi tão positivo quanto rápido », acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou na segunda-feira a Brasília para assistir à posse de Jair Bolsonaro, na terça-feira, foi hoje recebido pelo novo Presidente do Brasil pelas 10:55 (12:55 em Lisboa), num encontro que terminou perto das 11:15 (13:15 em Lisboa).

No Palácio do Planalto, o chefe de Estado português esteve acompanhado pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, pelo seu chefe da Casa Militar, o tenente-general Vaz Antunes, e pelo embaixador de Portugal em Brasília, Jorge Cabral.

Papa: é melhor viver como ateu do que ir à igreja e odiar os outros

Papa diz que é melhor viver como ateu do que ir à igreja e odiar os outros. Na audiência geral desta quarta-feira, Francisco evocou o evangelho de São Mateus, em que se referem os hipócritas que rezam “para serem vistos pelas pessoas”.

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O Papa Francisco afirmou esta quarta-feira que é preferível viver como ateu do que ir todos os dias à igreja e passar a vida a odiar e a criticar os outros.

« Quantas vezes vemos o escândalo dessas pessoas que passam o dia na igreja, ou que lá vão todos os dias, e depois vivem a odiar ou a falar mal dos outros », assinalou Francisco durante a audiência geral que tem todas as quartas-feiras com os fiéis.

O Papa acrescentou que o melhor é nem ir à igreja: « Vive como um ateu. Se vais à igreja, então vive como filho, como irmão, dá um verdadeiro exemplo », instou.

Francisco aludia ao evangelho de São Mateus, em que se referem os hipócritas que rezam « para serem vistos pelas pessoas ».

« Os pagãos acreditam que se reza a falar, a falar, a falar. Eu penso em muitos cristãos que acreditam que rezar é falar com Deus, salvo seja, como um papagaio. Não, rezar faz-se com o coração, a partir do interior », defendeu.

Centenas de carros incendiados na passagem do ano em França. Governo recusa dar balanço oficial

O ministério francês do Interior recusa divulgar balanço dos incêndios de carros na noite de São Silvestre. Imprensa aponta para diversas centenas de viaturas queimadas.

Segundo o Governo (ministério do Interior), não se verificaram « incidentes maiores » durante a noite do fim do ano, para a qual foram mobilizados 147.935 agentes das forças de segurança.

Mas a imprensa avança com estimativas de diversas centenas de carros queimados em toda a França durante a passagem do ano de 2018 para 2019.

O jornal Le Parisien informa que 277 carros foram incendiados na região parisiense.

De acordo com mais dados divulgados pela imprensa regional, as estimativas apontam para um total de centenas de carros queimados.

Em 2016 e 2017, os balanços rondaram um milhar de viaturas incendiadas.

De acordo com Le Parisen, foram detidas 370 pessoas na noite de 31 de dezembro para um de janeiro. Em 2017, tinham sido detidas 300 pessoas, indica o mesmo jornal.

A lista dos desejos do PR Marcelo para 2019

Mensagem de Ano Novo. Marcelo deixa alerta para eleições de 2019. O Presidente da República apelou ao exercício do voto nos três atos eleitorais de 2019 e considerou fundamental que haja bom senso nessas campanhas, advertindo que radicalismos, arrogâncias e promessas impossíveis destroem a democracia.

Mensagem de Ano Novo. Marcelo deixa alerta para eleições de 2019

|Foto: António Cotrim, Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa assumiu estas posições sobre os riscos da demagogia e do populismo na sua tradicional mensagem de Ano Novo, na qual assinalou que o clima pré-eleitoral para as três eleições que se realizam em 2019 (europeias, regionais da Madeira e legislativas) « já começou em 2018 ».

« O que vos quero pedir, hoje, é simples, mas exigente. Votem. Não se demitam de um direito que é vosso, dando mais poder a outros do que aquele que devem ter. Pensem em vós, mas também nos vossos filhos e netos, olhem para amanhã e depois de amanhã e não só para hoje », defendeu o chefe de Estado.

Ainda num apelo contra a abstenção, o Presidente da República incentivou os portugueses a « debater tudo, com liberdade », mas sem criar « feridas desnecessárias e complicadas de sarar ».

« Chamem a atenção dos que querem ver eleitos para os vossos direitos e as vossas escolhas políticas, pela opinião, pela manifestação, pela greve, mas respeitem sempre os outros, os que de vós discordam e os que podem sofrer as consequências dos vossos meios de luta », completou, referindo-se à conjuntura de contestação social.

Neste contexto, Marcelo Rebelo de Sousa deixou depois uma série de avisos a todos aqueles que pretendem candidatar-se nas próximas eleições europeias, regionais da Madeira e legislativas: « Se quiserem ser candidatos analisem, com cuidado, o vosso percurso passado e assumam o compromisso de não desiludir os vossos eleitores ».

« Pensem como demorou tempo e foi custoso pôr de pé uma democracia e como é fácil destruí-la, com arrogâncias intoleráveis, promessas impossíveis, apelos sem realismo, radicalismos temerários, riscos indesejáveis. Com o mundo e a Europa como se encontram bom senso é fundamental », salientou o chefe de Estado.

Na sua mensagem, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou também que « bom senso » e « ambição » não são incompatíveis em democracia e, nesse sentido, traçou objetivos para Portugal nos planos político, económico e social.

« Podemos e devemos ter a ambição de assegurar que a nossa economia não só se prepare para enfrentar qualquer crise que nos chegue, como queira aproximar-se das mais dinâmicas da Europa, prosseguindo um caminho de convergência agora retomado. Podemos e devemos ter a ambição de ultrapassar a condenação de um de cada cinco portugueses à pobreza e a fatalidade de termos portugais a ritmos diferentes, com horizontes muito desiguais », lamentou o Presidente da República.

O chefe de Estado assumiu ainda como ambição do país « dar mais credibilidade, transparência, verdade » às suas instituições políticas, fazendo com que « a confiança tenha razões acrescidas para se afirmar ».

« Ponto de encontro entre povos, economia mais forte, sociedade mais justa, política e políticos mais confiáveis. Será pedir muito a todos nós, neste ano de 2019? Não, não é. Quem venceu crises e delas saiu, com coragem e visão, é, certamente, capaz de converter esse esforço de uma década num caminho mobilizador e consistente de futuro », concluiu o Presidente da República.

Nesta sua tradicional mensagem de Ano Novo dirigida aos portugueses, o Presidente da República referiu-se com preocupação à atual conjuntura internacional, considerando que « estes tempos continuam difíceis ».

« Num mundo em que falta em direito, paz, diálogo, justiça, certeza o que sobra em razão da força, conflito, desigualdades, incerteza. Numa Europa que fica mais pobre com a partida do Reino Unido, desacelera na economia, vê crescerem promessas sem democracia e sem pleno respeito da dignidade das pessoas. Num Portugal, que saiu da crise, reganhou esperança, mas que precisa de olhar para mais longe e mais fundo », adverte o chefe de Estado.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, « a resposta a estes tempos só pode ser uma: valores, princípios e saber aprendido em quase novecentos anos de História; dignidade da pessoa, de todas as pessoas, a começar nas mais frágeis, excluídas, ignoradas ».

Ainda em defesa da liberdade, do direito à diferença, do pluralismo e do Estado de Direito, o Presidente da República deixou o aviso de que « não há ditadura, mesmo a mais sedutora, que substitua a democracia, mesmo a mais imperfeita ».

« Justiça social, combate à pobreza, correção das desigualdades. Que não há democracia que dure onde alguns poucos concentrem tanto quanto todos os demais », acrescentou.

Bolsonaro, um Salazar brasileiro – Editorial do jornal Público

Bolsonaro traz para ideologia oficial do Brasil tudo aquilo que foi a cartilha da ditadura portuguesa, o mesmo ódio às « ideologias », a religião como parte do Estado, a defesa dos valores das famílias ultraconservadoras, o mesmo horror aos « vermelhos ».

Editorial do jornal Público, por Ana Sá Lopes

Os dois discursos que ontem Jair Messias Bolsonaro fez na tomada de posseprenunciam o pior. Já sabíamos, evidentemente, desde o início da campanha, mas o capitão reformado entendeu não desiludir quem o elegeu para o cargo de Presidente do Brasil. O elevado grau de aprovação com que Bolsonaro chega ao Planalto é, evidentemente, um susto para quem defende a liberdade e a democracia no sentido ocidental do termo.

Para nós, portugueses, assistir ontem aos discursos de Bolsonaro, trouxe reminiscências dos discursos de um homem que saiu do poder em 1968, embora isso tivesse acontecido por doença: Oliveira Salazar. Bolsonaro traz agora para ideologia oficial do Brasil tudo aquilo que foi a cartilha da ditadura portuguesa, o mesmo ódio às « ideologias », a religião como parte do Estado, a defesa dos valores das famílias ultraconservadoras, o mesmo horror aos « vermelhos ».

Há uma frase que não poderia nunca ter sido usada durante a ditadura, porque naquele tempo a expressão « ideologia de género » era desconhecida, mas é todo um programa: « Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar a religião, a nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de género, conservando os nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre de amarras ideológicas ». A ideologia dos que são « contra os políticos » foi expressa por Salazar na sua época – aliás, a sua ascensão ao poder e o golpe de 20 de Maio de 1926 tiveram, como tem agora Bolsonaro, um esmagador apoio popular.

Tudo naquela cerimónia de posse foi um monumento à tragédia anunciada: o discurso do número 2, o general Hamilton Mourão, foi um regresso às cavernas que o povo aplaudiu em delírio; o fim do discurso de Bolsonaro, quando ergue a bandeira brasileira em conjunto com Mourão e grita: « Esta é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será vermelha se for do nosso sangue derramado para a manter verde e amarela ».

Bolsonaro vem preencher um anseio profundo da população, o da segurança seja de que maneira for. « Temos o desafio de enfrentar a ideologia que descriminaliza bandidos, pune polícias e destrói famílias, vamos restabelecer a ordem no país », disse ontem, já depois de ter prometido liberalizar o acesso às armas. O anseio da « ordem » também foi o que levou Salazar ao poder. A democracia brasileira é demasiadamente jovem, mas também as democracias jovens podem morrer.

“Esta é a nossa bandeira, jamais será vermelha, daremos o nosso sangue para mantê-la verde e amarela » – Bolsonaro

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse no discurso que proferiu junto ao Palácio do Planalto, em Brasília, que este « é o dia em que o povo se começou a libertar do socialismo ».

Alfa/Expresso/LUSA/Outras fontes

Bolsonaro recebeu a faixa presidencial e voltou a defender a legítima defesa e o direito de propriedade. Também voltou a dizer que é preciso acabar com as « ideologias nefastas », a corrupção, « os privilégios e as vantagens », e restabelecer « padrões éticos e morais que transformarão o Brasil ».

O novo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, recebeu esta terça-feira a faixa presidencial de Michel Temer, chefe de Estado cessante, que sucedeu a Dilma Rousseff há dois anos.

Milhares de brasileiros encheram o espaço defronte do Palácio do Planalto, em Brasília, para assistir ao fim das cerimónias de tomada de posse do novo Presidente, que terminaram com a passagem da faixa presidencial entre os dois políticos.

« A NOSSA BANDEIRA JAMAIS SERÁ VERMELHA »

Depois de receber a faixa presidencial, Bolsonaro leu um discurso já escrito. « Este é o dia em que o povo começou a libertar-se do socialismo, a libertar-se da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto », começou desde logo por referir o Presidente brasileiro, perante milhares de apoiantes e ladeado pela sua mulher e por uma intérprete de linguagem gestual.

Depois, sublinhou que é preciso tirar « o peso do governo de quem trabalha », « acabar com a ideologia que defende bandidos e criminaliza polícias » e defendeu ainda o direito de propriedade e a legítima defesa, conforme tinha já feito no Congresso no momento da tomada de posse, momentos antes.

Jair Bolsonaro afirmou que é preciso « fazer com que o Brasil ocupe o lugar de destaque que merece no mundo » e chamou a atenção para a necessidade de « tirar o viés ideológico das relações internacionais. « Vamos restabelecer a ordem nesse país. Sabemos do tamanho da responsabilidade e dos desafios que vamos enfrentar ». Mas também sabemos, continuou Bolsonaro, « onde queremos chegar e do potencial que nosso Brasil tem » – « por isso, vamos dia e noite perseguir o objetivo de tornar o nosso país um lugar próspero ».

O recém-empossado Presidente brasileiro voltou a falar em acabar com as « ideologias nefastas » que, a seu ver, destroem os valores e as tradições do país e apelou ao restabelecimento de « padrões éticos e morais que transformarão o Brasil ». « A corrupção, os privilégios e as vantagens precisam acabar. Os favores partidarizados devem ficar no passado para que o governo e a economia sirvam de verdade à nação ».

Voltou também a agradecer ao povo brasileiro – que ajudou a « montar um governo sem conchavos ou acertos políticos » e permitiu que Bolsonaro fosse eleito « com a campanha mais barata da história », e referiu-se várias vezes a Deus – Deus que « preservou » a sua vida e Deus que lhe está no « coração » e ao qual pediu « sabedoria » para conduzir os destinos da nação. « Brasil acima de tudo, Deus acima de todos ».

O Presidente brasileiro encerrou o seu discurso exibindo uma bandeira do Brasil e afirmou: « A nossa bandeira jamais será vermelha ». E se for necessário « derramar sangue » para que ela « continue verde e amarela », então que assim seja.

O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, elogiou Bolsonaro pelo seu « grande discurso ».

Foto : RICARDO MORAES / POOL / AFP)

ANÁLISE: O Brasil parte à aventura

Foto: RICARDO MORAES / POOL / AFP

O padrinho de Richard, morador numa das imensas favelas do Rio de Janeiro, disse numa frase aquilo que muitos cientistas políticos ou jornalistas foram incapazes de explicar em milhares de textos sobre a eleição de Jair Bolsonaro. Ele disse à jornalista Joana Gorjão Henriques que votou no presidente do Brasil que é amanhã empossado por ser “uma verdadeira incógnita”. A explicação que troca a certeza de um país corrompido e violento pela aventura incerta de um líder boçal, retrógrado e agressivo permite-nos situar o Brasil que aí vem. O país que emerge dos escombros de um sistema político falhado abomina o passado e está disposto a correr riscos pelo futuro. Em vésperas de tomar posse, Bolsonaro conta com uma taxa de aprovação de 75% dos brasileiros, a mais alta desde que Fernando Henrique Cardoso foi reeleito em 1997. Perante este estado de graça, todos os erros serão perdoados, todas as divisões internas serão toleradas, todas as ameaças desvalorizadas.

Na guerra cultural, Bolsonaro e a sua linha dura vão continuar a sua luta pelas palavras e vão resistir ao uso do poder político para hostilizar os índios que são “indigentes”, os negros que só fazem filhos, os homossexuais ou os milhões de pobres que tantas vezes não passam de peças subalternas do tecido social. A palavra do presidente será suficiente para estimular uma cultura de medo entre as minorias habituadas às amenidades de uma sociedade aberta e tolerante. Medo de ser, medo de fazer, medo de falar. Bolsonaro e os seus pares prometem uma profunda e brutal revolução conservadora. Os seus credos a favor das armas, do culto da violência como resposta à violência, a sua homofobia ou o seu racismo nem sempre velado tendem a criar uma legião de milicianos da nova moral dispostos a concretizar nas ruas a revolução que Bolsonaro apregoa desde o Planalto. O “renascimento político e espiritual” do Brasil que anuncia o ministro dos Assuntos Exteriores, Ernesto Araújo, vai por isso entrar em execução, mas este programa só terá consequências se Bolsonaro consolidar o seu poder.

É aqui que se encontram as maiores incógnitas. No Congresso, e em particular na Câmara dos Deputados, vai ser difícil Bolsonaro obter maiorias. O seu partido tem apenas 10% dos deputados (52 em 513) e a estratégia de agregar o “baixo clero” (deputados menos conhecidos e influentes) e os segmentos mais conservadores dos diferentes partidos pode dar resultados. Mas está tudo em aberto. A decisão de Bolsonaro de não trocar apoios por cargos de ministros, uma quebra crucial dos vícios do “fisiologismo” que está na origem da corrupção endémica do Brasil, torna difícil a obtenção de maiorias numa câmara fragmentada e desde sempre mais preocupada com o umbigo dos seus titulares do que com os compromissos da governabilidade. O facto de quase metade dos deputados serem de “primeira viagem” (estreantes) pode ajudar. Mas maiorias qualificadas como a que a premente reforma da Previdência precisa são uma miragem nos tempos próximos.

Do lado da Justiça federal (ao nível da verificação da constitucionalidade), as incertezas aumentam. Parece claro que as diferentes instâncias judiciais fizeram parte do movimento de transformação que acabou na eleição de Bolsonaro. O rosto desta transformação através do combate à corrupção dos políticos, Sérgio Moro, está no Governo e com poderes reforçados. Saber se a Justiça será tolerante a desvios de Bolsonaro por os considerar instrumentais num processo de “limpeza” do país, ou se será intransigente na defesa da Constituição é uma dúvida que só a realidade pode esclarecer. Saber se a Justiça terá mão dura com as suspeitas sobre eventuais actos de corrupção que pairam sobre cinco ministros ou sobre os filhos de Bolsonaro como teve com os desmandos do PT, ajudará a perceber o papel que os magistrados terão no futuro próximo. O caso do motorista de um dos filhos de Bolsonaro, apanhado com 1.2 milhões de reais de proveniência duvidosa, será um bom ponto de partida para se perceber o que aí vem.

Marcelo reúne-se esta quarta-feira com Bolsonaro

Encontro vai realizar-se um dia após a tomada de posse do novo Presidente brasileiro

Alfa/LUSA/Expresso

O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, vai reunir-se com o novo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, esta quarta-feira, em Brasília, no dia seguinte à sua posse, disse à Lusa fonte diplomática. O encontro está marcado para as 10h45 locais (12h45 em Lisboa), no Palácio do Planalto, adiantou a mesma fonte.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou esta segunda-feira a Brasília, juntamente com o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, para assistir à cerimónia de posse de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil, que se realiza esta terça-feira. O Presidente da República viajou de Lisboa no domingo, em voo da Força Aérea Portuguesa, com escala em Cabo Verde.

São esperados nesta cerimónia de posse sobretudo presidentes de países sul-americanos como Chile, Colômbia, Peru, Uruguai, Paraguai e Bolívia e também os primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orbán, e de Israel, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado dos Estados Unidos da América, Mike Pompeo.

A 29 de outubro, um dia após a eleição de Jair Bolsonaro, o chefe de Estado português defendeu que Portugal e o Brasil « têm de se dar bem » e disse esperar « um trabalho em conjunto a nível de chefes de Estado » durante o mandato do novo Presidente brasileiro. Marcelo Rebelo de Sousa salientou na altura que « há uma comunidade portuguesa e lusodescendente fortíssima no Brasil, de várias gerações, e agora há uma comunidade brasileira fortíssima em Portugal ».

O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro, de 63 anos, capitão do Exército brasileiro na reforma, filiado no Partido Social Liberal (PSL), foi eleito o 38.º Presidente da República Federativa do Brasil – atingiu 55,1% dos votos na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, a 28 de outubro. O seu adversário, Fernando Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), obteve 44,9% dos votos, numas eleições com cerca de 147,3 milhões de eleitores inscritos e em que a abstenção registada foi de 21,3%, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil.

Alta segurança em França para a passagem de ano

O Ministério do Interior de França destacou 147.000 agentes das forças de segurança para garantir a ordem durante as comemorações da passagem de ano, devido aos « movimentos reivindicativos na via pública » e à « ameaça terrorista ».

Alfa/Lusa/Expresso

O Ministério do Interior de França destacou 147.000 agentes das forças de segurança para garantir a ordem durante as comemorações da passagem de ano, devido aos « movimentos reivindicativos na via pública » e à « ameaça terrorista ».

« Com efeito, a celebração do novo ano de 2019 inscreve-se num contexto de ameaça terrorista que continua elevada e em movimentos reivindicativos na via pública », escreveu este domingo o Ministro do Interior num comunicado divulgado na rede social Twitter e citado pela agência de notícias espanhola Efe.

Depois de um sábado de protestos dos « coletes amarelos » em que o executivo contabilizou 12.000 manifestantes (contra os 38.600 registados na semana passada e os 66.000 na anterior) o grupo organiza-se agora através das redes sociais para fazer novas reivindicações na noite de segunda-feira.

Além das propostas de bloqueios de rotundas e estradas, está ainda prevista uma concentração nos Campos Elísios, ideia que o governo parece disposto a cortar pela raiz.

As autoridades locais estabeleceram dois perímetros de proteção para assegurar a segurança nos lugares de maior afluência, seguindo as diretivas de reforço da segurança interna e da luta contra o terrorismo. Um deles será a avenida dos Campos Elísios, acrescenta a nota do ministério.

Menos de um mês depois do atentado no mercado de Estrasburgo, entre as medidas antiterroristas conta-se a cobertura de todo o território com o dispositivo de vigilância antiterrorista Vigipirate, que dará prioridade à segurança em grandes espaços comerciais, lugares de reunião e infraestruturas de transportes públicos.

Nas estradas, o ministro indicou que se realizarão operações para dissuadir os cidadãos de conduzirem sob o efeito do álcool e/ou estupefacientes e prevenir os comportamentos perigosos.