Crianças a fumar em aldeia de Mirandela: a culpa é das televisões, diz autarca

A Festa dos Reis na aldeia de Vale de Salgueiro, em Mirandela, ganhou visibilidade pela polémica imagem de crianças a fumar cigarros que o presidente da junta garante ser uma tradição, mas em idades mais avançadas.

(Pedro Correia/Global Imagens)

Carlos Cadavez reiterou, em declarações à Lusa, que os mais velhos desta localidade do distrito de Bragança atestam que se trata de um ritual antigo e que Reis sem cigarros não é festa, mas reconheceu que tem sofrido alterações.

“Começaram a aparecer as televisões e as pessoas põem o cigarro na boca dos filhos com quatro ou cinco anos, só para aparecer. Antigamente só os rapazes e raparigas a partir dos 10, onze anos”, afirmou.

Os Reis, como disse à Lusa, são a festa mais importante desta aldeia, supera inclusive a do verão, e ocorre religiosamente sempre nos dias 05 e 06 de janeiro.

Se a data calhar durante a semana, é como que “feriado” para a população rural da localidade.

Ao certo ninguém sabe como é que o cigarro foi introduzido nesta festa. Segundo o presidente da junta, “o que se fala é que teria a ver com a emancipação” dos jovens.

“Há aqui na aldeia um senhor com 101 anos que diz que já no tempo dele fumavam rapazes e raparigas”, afiançou.

O autarca tem 45 anos e garantiu que também ele fumou desde novo nesta festa, assim como a restante juventude da época.

“Não sou fumador e entre o pessoal da nossa juventude poucos são os que fumam”, assegurou.

O presidente da junta tem três filhas e adiantou que só a mais velha, com 11 anos, vai fumar este fim de semana, assim como a maioria das cerca de 20 crianças e jovens desta aldeia com aproximadamente 200 habitantes.

Segundo disse, é tradição, mas não é obrigatório e o próprio defende que os mais pequenos não devem fumar, assim como há pais que não deixam os filhos pegar nos cigarros, independentemente da idade.

A prática, como admitiu, já trouxe problemas com um deputado municipal a levantar a questão na Assembleia Municipal de Mirandela e o presidente da junta antevê que “amanhã ou passado o cerco irá apertar-se”.

Este fim de semana a tradição repete-se numa festa em que é o “Rei” que paga as despesas, no caso, um jovem da aldeia.

A conta rondará os “2.000 a 2.500 euros” segundo o presidente da junta e não têm faltado mordomos, apesar dos custos que incluem gaiteiro, música, comida, tremoços e vinho.

A celebração dos Reis arranca, no sábado, em Vale de Salgueiro, com uma arruada a cargo do gaiteiro, no final da tarde.

Depois de uma merenda, o animador volta a sair já acompanhado pelo “Rei” e vão de casa em casa a distribuir tremoços e vinho.

O autarca acredita que antigamente estes seriam os produtos com menos custo para oferecer, daí se manterem de ano para ano com o “Rei” a começar a preparação no dia de Natal. É ele que coze os tremoços, para serem curados até á festa.

No domingo, às seis da manhã o gaiteiro faz a alvorada pela povoação e o “Rei” com uma carapuça enfeitada com ouro emprestado pelas pessoas da aldeia, volta a andar de casa em casa a desejar bom ano.

A população contribuiu com o que entender para ajudar nas despesas da festa.

A missa é um dos momentos altos, durante a qual o « Rei” escolhe o sucessor que, depois da procissão de Santo Estêvão, oferece aos populares uns aperitivos.

Um almoço e uma tarde com a dança de origem celta da Murinheira, ao som da gaita-de-foles, encerram as festividades.

Apesar do despovoamento, esta aldeia já teve mais dificuldade em arranjar mordomo do que agora, segundo o presidente da junta.

Como contou, antigamente chegaram a ter de ser os mais velhos a aceitar a coroa e houve anos em que a festa não se realizou por falta de interessados.

“Agora, ainda há muita juventude e a coroa fica logo encomendada”, garantiu o autarca.

Alfa/LUSA

Éric Drouet, camionista, 33 anos. A França está em convulsão por causa dele

Chama-se Éric Drouet, tem 33 anos, esteve detido uma noite e França está em convulsão por causa dele. Trata-se do ‘colete amarelo’ mais mediático

Foto: EPA

Alfa/LUSA

A detenção da figura mais mediática do movimento « coletes amarelos », Éric Drouet, gerou esta quinta-feira em França uma polémica pela alegada motivação política da ação policial, muito criticada pelo movimento e pela oposição.

Drouet, camionista de 33 anos, foi posto em liberdade ao início da tarde depois de ter sido detido na noite de quarta-feira nas proximidades da praça da Concórdia, em Paris,quando participava numa iniciativa não autorizada para homenagear os dez ‘coletes amarelos’ mortos em diferentes acidentes.

« Não foi uma manifestação, foi uma reunião num restaurante », disse Drouet à saída da esquadra da polícia, acompanhado do seu advogado, Khéophs Lara. Drouet considerou que a motivação da sua detenção é « política » e pediu o fim do que chama ser « assédio judicial » contra si.

O camionista tornou-se conhecido desde o início do movimento dos ‘coletes amarelos’ em novembro passado, especialmente após 5 de dezembro. quando anunciou na televisão a sua intenção de tomar os Campos Elísios, uma declaração que lhe rendeu a abertura de uma investigação por incitamento a cometer um crime.

Drouet foi detido numa manifestação a 22 de dezembro por ter consigo um bastão e será julgado a 5 de junho num processo que pode levar a uma sentença até seis meses de prisão.

Um dos primeiros políticos a reagir à sua nova detenção foi o líder da esquerda France Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, que na sua conta no Twitter considerou que a prisão não era justificada e que era um « abuso de poder » e uma ação de « polícia política » que « atormenta » os ‘coletes amarelos' ».

« Chega de violência, de condenações e prisões dos ‘coletes amarelos’. ‘Free’ Éric Drouet, deixem os porta-vozes do povo em paz », acrescentou Mélenchon, que através do Facebook declarou na quarta-feira o seu « fascínio » por Drouet.

Benjamin Cauchy, outro porta-voz do movimento conhecido pelas suas posições muito mais moderadas do que Drouet, chamou a prisão do seu companheiro « um flagrante crime de crueldade » e considerou « um mau presságio ».

A líder da extrena-direita Marine Le Pen estimou que « a violação sistemática dos direitos políticos da oposição atrai um rosto terrivelmente perturbador » do Presidente francês, Emmanuel Macron.

PR Marcelo elogia PM Costa

Foto: LUSA/MIGUEL A. LOPES
Alfa/Público

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou nesta quinta-feira o « relevo do primeiro-ministro », António Costa, no xadrez europeu e a estabilidade política do Governo como factores que permitiram o reforço significativo do « peso de Portugal » na Europa.

Na cerimónia de cumprimentos de Ano Novo dos chefes de missão, embaixadores e cônsules-gerais de Portugal acreditados junto de vários Estados e organizações internacionais, que decorreu nesta quinta-feira no Antigo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa avisou ainda que « qualquer que seja o veredicto eleitoral » das legislativas deste ano, « a política externa portuguesa é e continuará a ser, no essencial, a mesma ».

« No plano europeu, o peso de Portugal reforçou-se significativamente pela sensatez das políticas e dos resultados financeiros, pela liderança do Eurogrupo, pelo relevo do primeiro-ministro no xadrez europeu, xadrez esse complexificado nos últimos meses, e até pela estabilidade política, fazendo do chefe do Governo português um dos seis ou sete mais antigos da União Europeia no curto lapso de três anos », elogiou.

Segundo o chefe de Estado, « não é fruto do acaso a intensíssima e coordenada actividade externa do Presidente da República, do primeiro-ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros, envolvendo em 2018 encontros com todas as principais potências globais e seus líderes ».

FC Porto reforça liderança da I Liga com triunfo nas Aves

O campeão FC Porto reforçou hoje a liderança da I Liga portuguesa de futebol, ao vencer por 1-0 no reduto do Desportivo das Aves, no fecho da 15.ª jornada da prova.

Um golo do central brasileiro Éder Militão, aos 25 minutos, selou o 17.º triunfo consecutivo em todas as provas e oitavo no campeonato do conjunto comandado por Sérgio Conceição, após o desaire por 1-0 com o Benfica, na Luz, em 07 de outubro.

Na classificação, o FC Porto passou a somar mais cinco pontos do que o segundo classificado, agora o Sporting, que venceu hoje em casa o Belenenses por 2-1 e ultrapassou o Benfica, derrotado por 2-0 em Portimão, na quarta-feira. O Aves é 15º, com 11 pontos.

Resultados da 15ª jornada da I Liga de futebol:

– Quarta-feira, 02 jan:

Santa Clara – Tondela, 1-2 (0-0)

Boavista – Vitória de Setúbal, 1-0 (0-0)

Sporting de Braga – Marítimo, 2-0 (2-0)

Nacional – Vitória de Guimarães, 1-0 (1-0)

Portimonense – Benfica, 2-0 (2-0)

Rio Ave – Moreirense, 1-2 (1-0)

– Quinta-feira, 03 jan:

Desportivo das Chaves – Feirense, 0-0

Sporting – Belenenses, 2-1 (0-0)

Desportivo das Aves – FC Porto, 0-1 (0-1)

Programa da 16ª jornada:

– Sábado, 05 jan:

Marítimo – Portimonense, 21:30

– Domingo, 06 jan:

Belenenses – Vitória de Guimarães, 16:00

Feirense – Santa Clara, 16:00

Vitória de Setúbal – Desportivo de Chaves, 16:00

Benfica – Rio Ave, 18:30

Sporting de Braga – Boavista, 21:00

– Segunda-feira, 07 jan:

Tondela – Sporting, 20:00

FC Porto – Nacional , 22:15

– Terça-feira, 08 jan:

Moreirense – Desportivo das Aves, 21:15

Alfa/Lusa.

Rui Vitória deixa comando técnico do Benfica

Rui Vitória deixou hoje o comando técnico do Benfica, depois de três épocas e meia e seis títulos, anunciou o clube ‘encarnado’ em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa (…) que chegou a um princípio de acordo com o treinador Rui Vitória para a rescisão do contrato de trabalho desportivo com efeitos imediatos”, anunciaram os ‘encarnados’.

Um dia depois do desaire por 2-0 no reduto do Portimonense, Rui Vitória deixa o Benfica no quarto lugar da I Liga, nos 16 avos de final da Liga Europa, nos quartos de final da Taça de Portugal e na ‘final four’ da Taça da Liga.

Entretanto, o treinador Bruno Laje, responsável pela equipa B, vai assumir “provisoriamente” o comando da equipa principal.

“Informamos que a orientação da equipa principal do Sport Lisboa e Benfica será assegurada de imediato e provisoriamente pelo treinador Bruno Laje”, divulgou o clube da Luz.

Alfa/Lusa.

 

Ronaldo eleito melhor jogador do ano nos Globe Soccer Awards

O futebolista internacional português Cristiano Ronaldo, da Juventus, venceu hoje o prémio de melhor jogador na gala Globe Soccer Awards, no Dubai, além de um outro galardão pelo melhor golo de 2018.

O ‘capitão’ da seleção portuguesa venceu o prémio pela quinta vez, a terceira de forma consecutiva, juntando-lhe outro troféu na gala nos Emirados Árabes Unidos, graças ao pontapé de bicicleta à ‘Juve’, pelo Real Madrid, na Liga dos Campeões.

O golo “foi o melhor da carreira”, considerou o jogador da Juventus, que destacou ainda um “ano difícil”, em que viveu várias mudanças, desde logo a saída do Real Madrid para Itália.

“Desejo um bom ano novo a todos. Agora é um novo ano, 2018 já é passado, e estou a começar este novo muito bem, com esta vitória. Agradeço aos adeptos, porque sem eles o futebol não é nada”, atirou.

Ronaldo venceu em 2011, 2014, 2016 e 2017, além de novo troféu referente a 2018, e é o único atleta a ter sido o melhor jogador mais do que uma vez, depois de distinções para o colombiano ex-FC Porto Radamel Falcao (2012), o francês Franck Ribéry (2013) e o argentino Lionel Messi (2015).

Em 2016, Fernando Santos recebeu o prémio de melhor treinador do ano, quando foi campeão europeu com Portugal, numa gala que já premiou também, ao longo dos anos, nomes do futebol português como José Mourinho, Pinto da Costa, Deco ou a academia do Benfica.

O avançado luso apresentou ainda o prémio de melhor agente, que foi entregue a Jorge Mendes mais uma vez. O agente português só falhou o primeiro lugar nos Globe Soccer Awards, atribuídos desde 2010, em 2016.

Entre outros prémios, o Atlético de Madrid venceu o prémio de clube do ano, enquanto o galardão para treinadores foi para o francês Didier Deschamps, campeão do mundo, com prémios de carreira atribuídos ao croata Zvonimir Boban, ao brasileiro Ronaldo e ao francês Blaise Matuidi (Juventus), este último para jogadores no ativo.

https://twitter.com/Globe_Soccer/status/1080896927275864064

Alfa/Lusa.

 


Crónica. Os “casseurs” fazem parte da paisagem

Os “casseurs” fazem parte da paisagem – Crónica publicada por Daniel Ribeiro (Jornalista, correspondente do Expresso e diretor de antena da Alfa), no semanário Expresso de 08/12/18.

Alfa/Expresso

Há décadas que Daniel Ribeiro, jornalista e correspondente do Expresso, vive em França. Aqui nos traz o seu olhar sobre os tumultos dos ‘coletes amarelos’ (crónica publicada no semanário a 08/12/2018):

É espantoso, mas é verdade. A violência dos casseurs (vândalos) é vista como algo quase normal pelos franceses, que estão muito habituados a conviver com ela. No que me diz respeito, os casseurs estão ligados à minha vida de jornalista. Desde 1980, quando cheguei a França, vi poucas grandes manifestações — e segui muitas — que não acabassem em tumultos mais ou menos graves, por vezes até com mortos.

Neste aspeto — e isso surpreendeu-me —, os protestos sociais, em França, são muito diferentes dos de Portugal, onde predominam os balões, os sons da ‘Grândola Vila Morena’, os apitos, os cartazes e, no fim, os discursos dos líderes sindicais, bem como “finos”, tremoços e umas bifanas entre camaradas.

Em França, ouve-se também, por vezes, ‘Le Chant des Partisans’ em alguns desfiles, mas os casseurs nunca estão muito longe. Quando eles entram em ação a música é desligada. Os sindicalistas enrolam as bandeiras e os cartazes e deixam-nos sozinhos no terreno para os confrontos com a polícia. É quase sempre assim. São geralmente jovens extremistas políticos, mas também podem ser apenas vândalos ou mesmo simplesmente ladrões que querem servir-se nas lojas que assaltam no meio do caos.

Em maio de 1968, os jovens franceses revoltosos também foram chamados todos os nomes por erigirem barricadas, ocuparem bairros inteiros, universidades e fábricas, atacarem e destruírem bancos e lojas de luxo. Pouco tempo depois, os casseurs de 68 passaram a heróis, foram incensados como se fossem poetas ou visionários que contribuíram para criar um mundo mais feliz e mais livre.

Antes, durante a Segunda Guerra Mundial, os resistentes franceses eram apelidados de terroristas pelo regime colaboracionista (com o nazismo) do marechal Philippe Pétain, que tinha, sublinhe-se, legitimidade democrática. Depois, com a chegada ao poder do general de Gaulle, muitos desses “terroristas” foram condecorados e elogiados por terem provocado descarrilamentos de comboios, dinamitado pontes, incendiado prédios e atacado e maltratado colaboracionistas que respeitavam as leis da época. Alguns deles chegaram a ministros e a chefes políticos.

Os “casseurs” colocam em questão a segurança das pessoas e a ordem pública, mas contribuem, à sua maneira, para forçar as saídas das crises

Aprendi por isso, em França, a relativizar e a ter cuidado com as palavras que escrevo nos meus textos.

Um dia, conheci e entrevistei longamente um advogado que era uma pessoa fora do comum e muito polémica. Chamava-se Jacques Vergès e tinha defendido o indefensável: além do “terrorista Carlos”, que assim ficou conhecido para a história, representara o torcionário nazi e criminoso de guerra Klaus Barbie. Justificou o seu papel no processo porque, disse, todo o acusado tem direito a uma defesa digna desse nome.

Durante o nosso encontro de duas horas, Vergès deixou correr a conversa e, a certa altura, disse-me algo que nunca esqueci: “Olhe, no Direito, tudo depende de quem escreve a lei, um bombista palestiniano, por exemplo, pode ser condenado como terrorista em Israel, em França ou noutro país ocidental qualquer, mas quando houver um Estado palestiniano, pode ser declarado herói nacional”.

Vergès, que faleceu em 2013, defendia a mesma linha em relação aos casseurs. Nunca condenou por exemplo a violência que incendiou as periferias de Paris, em 2005.

Se ainda fosse vivo, poderia ser advogado de alguns dos réus que estão a responder — em sessões sumárias, com “comparecimento imediato” — nos julgamentos das centenas de pessoas detidas nos dois últimos sábados durante os incidentes muito radicais e violentos dos ‘coletes amarelos’ contra os impostos e pelo aumento do poder de compra. São julgamentos rápidos, ainda não terminaram, mas já permitem tirar algumas conclusões: entre 400 dos acusados presentes a tribunal, menos de 20 têm ficha na polícia como anarquistas do black bloc ou como militantes de extrema-esquerda ou de extrema-direita.

A larga maioria dos réus são pessoas “normais” — gente com empregos, da província ou da grande periferia de Paris — que se deslocaram à capital para manifestar contra a carestia da vida e que, por um motivo ou outro, se encontraram no meio do turbilhão da revolta, nos Campos Elísios e ruas adjacentes e foram, então, detidas.

Os verdadeiros casseurs, os que aproveitaram para roubar ouro e perfumes das marcas Dior ou Chanel, sapatos e roupas ou dinheiro e telefones, não estão no tribunal. Desapareceram. Tal como os que profanaram o símbolo dos símbolos da pátria e até da Humanidade, o Arco do Triunfo, e que, diz-se, até tentaram apagar a chama do túmulo do soldado desconhecido. Entre estes também poucos foram presos.

São geralmente jovens extremistas, mas também podem ser apenas vândalos ou ladrões que querem servir-se nas lojas que assaltam no meio do caos

Em todas as grandes manifestações francesas há casseurs, repito. Já fazem parte da paisagem da contestação à la française. Os governos, a polícia, os sindicalistas e, no caso desta crise, a maioria dos ‘coletes amarelos’, que é pacifista, tentam prevenir e conter a violência, sabem que eles se infiltram nos desfiles, mas não deixam de se manifestar mesmo sabendo que a qualquer momento podem eclodir confrontos verdadeiramente perigosos.

Precisamente porque a presença de vândalos, por vezes muito brutais, nos protestos é já quase uma banalidade e porque já se habituaram a cenas de guerrilha e a batalhas campais, o poder e os analistas voltam sempre também, depois de numa primeira fase condenarem veementemente a violência, ao fundo do problema: porquê os protestos?

Os casseurs colocam em questão a segurança das pessoas e a ordem pública, mas contribuem, à sua maneira, para forçar as saídas das crises, seja desmobilizando e desmoralizando os pacifistas ou obrigando o Governo a abrir negociações.

Na crise atual, a violência extrema assusta grande parte dos manifestantes, mas também perturba fortemente o poder do chefe do Estado, Emmanuel Macron. Mas isso também não é novo. Já aconteceu numerosas vezes no passado com todos os presidentes da V República, de De Gaulle a Pompidou, de Giscard d’Estaing a Mitterrand, passando por Chirac, Sarkozy ou Hollande.

No entanto, Macron, de 41 anos, enfrenta um desafio mais espinhoso do que os outros: como não tem passado e peso político e partidário nem de longe nem de perto comparável aos seus antecessores e fez carreira num grande banco de negócios, os casseurs e mesmo os ‘coletes’ mais pacifistas respeitam-no pouco e insultam-no ferozmente sempre que ele sai à rua.

Ferrari inaugura exposição sobre Schumacher no dia dos seus 50 anos

A Ferrari inaugurou hoje uma exposição sobre o ex-piloto alemão Michael Schumacher no seu museu, em Maranello, no norte de Itália, homenageando o heptacampeão mundial de Fórmula 1 no dia em que celebra 50 anos.

“O nosso campeão cumpre hoje 50 anos. Estamos contigo”, lê-se na página oficial da Ferrari na rede social Twitter, adiantando que, a partir de hoje, a exposição “Michael 50” está aberta e mostra a “história e a extraordinária carreira” de Schumacher.

O alemão, que esteve 11 anos ligado à Ferrari, está afastado da vida pública desde que sofreu graves lesões cerebrais em consequência de um acidente de esqui, em 2013, e a sua condição atual tem sido mantida na privacidade da família.

Na exposição, estão em exibição vários monolugares que Schumacher utilizou nos cinco títulos mundiais que conquistou com a escuderia italiana, entre 2000 e 2004, e também o monolugar que levou ao triunfo no campeonato de construtores, em 1999.

Schumacher, que detém ainda o recorde de vitórias em Grandes Prémios, com 91, sagrou-se igualmente campeão mundial de F1 pela Benetton, em 1994 e 1995.

Alfa/Lusa.

Reformas de emigrantes: « Aliança » de Santana Lopes denuncia “incúria” do Estado

“Incúria” do Estado nas reformas de emigrantes, a nova causa da Aliança. É a nova causa do partido de Santana Lopes. Reformas de emigrantes pagas por outros países estão “suspensas” porque a Segurança Social portuguesa não passa uma certidão. Vídeo no You Tube denuncia “incúria” do “Estado que temos”.

MÁRIO CRUZ/LUSA

Alfa/Expresso. Por Ângela Silva

A Aliança tem um novo vídeo no Youtube, desta vez para denunciar a situação de emigrantes portugueses no Luxemburgo que estarão impedidos de receber a reforma a que têm direito por responsabilidade das instituições portuguesas.

A porta-voz é Rosário Águas, ex-membro dos Governos de Durão Barroso e de Santana Lopes, na altura pelo PSD, e atual militante da Aliança. « Parece mentira, mas não é. É o estado a que o nosso Estado chegou. Uma máquina trituradora de impostos que não consegue retribuir os mais elementares direitos », ouve-se no vídeo, que denuncia a situação de « muitos emigrantes portugueses no Luxemburgo que estão impedidos de receber a sua reforma por incúria do Estado português ».

« São portugueses que partiram há 20 ou mais anos à procura da vida que o país não lhes conseguia oferecer e que tendo reunido todas as condições para aceder à reforma ficam dependentes da emissão de um certificado pelas instituições portuguesas », explica Rosário Águas, « o conhecido certificado E305 ».

Segundo as informações difundidas no vídeo da Aliança, « a Segurança Social arrasta estes processos durante meses e nalguns casos anos, retardando a emissão do certificado sem o qual não têm direito à reforma, paga pelo Governo do Luxemburgo ».

« A Aliança não se conforma com esta situação e assume esta causa », concluem, acrescentando mais uma achega para o dossié das falhas do Estado. À espera de Marcelo?

China é o primeiro país a aterrar no lado ‘oculto’ da Lua

A agência espacial chinesa é a primeira a enviar uma sonda e um veículo robotizado para o lado oculto da Lua, o hemisfério lunar que não pode ser visto da Terra.

REUTERS /MUHAMMAD HAMED

Alfa/Lusa

A China tornou-se hoje o primeiro país a aterrar uma sonda no lado mais afastado da Lua, a Chang’e-4, informou a televisão estatal, ilustrando os ambiciosos planos espaciais do país.

A sonda Chang’e 4, que é o nome da deusa chinesa da Lua, pousou no satélite natural da Terra, às 10:26 em Pequim (04:26 em Paris).

O Chang’e 4 foi lançado no sábado do Centro Espacial de Xichang, sul da China.

Em 2013, a China conseguiu fazer aterrar uma sonda espacial na Lua, pela primeira vez, numa proeza só realizada até então pela antiga União Soviética e pelos Estados Unidos.

Mas a nova missão da agência espacial chinesa é a primeira a enviar uma sonda e um veículo robotizado para o lado oculto da Lua, o hemisfério lunar que não pode ser visto da Terra.

Em maio, a China tinha já lançado um satélite de retransmissão para assegurar a comunicação entre os controladores e a sonda lunar Chang’e-4.

O objetivo é testar o crescimento de plantas e captar sinais de radiofrequência, normalmente bloqueados pela atmosfera terrestre.

A missão ilustra ainda a crescente ambição de Pequim no espaço, símbolo do progresso do país.

Este ano, Pequim planeia ainda iniciar a construção de uma estação espacial com presença permanente de tripulantes e, no próximo ano, enviar um veículo de exploração a Marte.

Em 2020, a China planeia ainda enviar a sonda Chang’e 5, com o objetivo final de regressar à Terra com amostras de matéria recolhida na Lua. A verificar-se será a primeira missão deste género desde 1976.

Até agora, o país realizou também cinco missões tripuladas, a primeira em 2003 e a mais recente em 2013, enviando para o espaço dez astronautas (oito homens e duas mulheres).

A primeira tentativa da China de entrar na corrida espacial foi no final dos anos 1950, como resposta ao lançamento do Sputnik 1 – o primeiro satélite em órbita – pela União Soviética.

Mao Zedong ordenou então a construção e envio do primeiro satélite chinês, antes de 1 de outubro de 1959, por altura do 10.º aniversário da fundação da República Popular. A iniciativa acabou por falhar devido à inexperiência do país em tecnologia aeroespacial.

No entanto, em abril de 1970, em plena Revolução Cultural, uma radical campanha política de massas lançada por Mao, a China concluiu com êxito o lançamento do seu primeiro satélite para o espaço, o Dong Fang Hong (« O Leste é Vermelho »).