Filme « Bohemian Rhapsody » é o grande vencedor dos Globos de Ouro

Em noite de surpresas, “Bohemian Rhapsody », filme biográfico centrado na vida do músico Freddie Mercury, foi o grande vencedor da 76.ª edição dos Globos de Ouro, ao arrecadar dois dos mais importantes prémios, incluindo melhor filme.

REUTERS/Mario Anzuoni

Numa cerimónia marcada por poucos comentários políticos, « Roma », o drama semi-autobiográfico de Alfonso Cuarón, foi eleito melhor filme estrangeiro. A obra filmada a preto e branco na cidade do México valeu a Cuarón o prémio de melhor realizador.

Rami Malek, que dá vida à lenda dos “Queen”, foi eleito melhor ator, categoria para a qual estava nomeado Bradley Cooper, realizador e protagonista de “Assim Nasce Uma Estrela”, um dos filmes derrotados da noite.

« Obrigado a Freddie Mercury por me dar a alegria de uma vida » disse Rami Malek, ao agarrar a estatueta que o distinguiu num filme do produtor e realizador norte-americano Bryan Singer.

Outra das surpresas aconteceu no prémio de melhor atriz: venceu a veterana Glenn Close, em “The Wife”, no papel de mulher de um Nobel da Literatura. A também cantora Lady Gaga era apontada como favorita ao galardão, pela sua atuação em “Assim Nasce Uma Estrela”.

Regina King venceu o prémio de melhor atriz secundária em « A Favorita » e Mahershala Ali o prémio de melhor ator secundário em « Green Book: Um Guia para a Vida », do realizador Peter Farrelly, filme distinguido nas categorias de melhor comédia ou musical e de melhor argumento.

Um ano depois do discurso de Oprah Winfrey contra « os homens poderosos e brutais », em pleno desenvolvimento do movimento #MeToo, esta edição não ficou marcada por comentários políticos, pelo menos até Christian Bale subir ao palco para receber o prémio de melhor ator em comédia ou musical, pela sua performance em « Vice », de Adam McKay.

« O que acham? Mitch McConnell a seguir? » brincou o ator nascido no País de Gales, referindo-se ao líder da maioria do Senado norte-americano. « Obrigado a Satanás por me dar inspiração para este papel”, acrescentou.

Olivia Colman foi distinguida como melhor atriz na mesma categoria.

No campo televisivo, « The Americans », que retrata a vida de dois espiões russos nos EUA dos anos 1980, foi eleita a melhor série dramática, na sexta e última temporada, enquanto a melhor série de comédia foi « O Método Kominsky ».

Alfa/Lusa

Mulheres « coletes amarelos » manifestaram-se em França

Centenas de mulheres com coletes amarelos manifestaram-se nas ruas de França. Em Paris, centenas de mulheres reuniram-se na praça da Bastilha e marcharam até à praça da Ópera.

Alfa/Lusa: Fotos: Daniel Ribeiro/Alfa

Várias manifestações de mulheres « coletes amarelos » decorreram neste domingo sem incidentes em diferentes cidades francesas, um dia depois de 50 mil ‘coletes amarelos’ terem saído à rua e do registo de vários incidentes.

Em Paris, centenas de mulheres reuniram-se na praça da Bastilha e marcharam até à praça da Ópera, onde ao início da tarde se mantinha um forte dispositivo de segurança, com mais de uma dezena de viaturas policiais. Outras marchas semelhantes registaram-se em Toulouse (sul), com 300 participantes, Caen (norte), Saint Nazaire à La Rochelle (oeste).

Algumas mulheres estavam acompanhadas de crianças para mostrar que na origem do protesto está a incerteza pelo futuro, além de insistirem em desmentir a associação que se tem feito entre violência e « coletes amarelos ».

No oitavo sábado consecutivo de protestos e exigência de mudança de políticas foi registado um recorde de manifestantes — 50 mil pessoas — em toda a França, segundo os números do Ministério do Interior. Foram registados incidentes em Paris, incluindo uma tentativa de entrada forçada no Ministério dos Assuntos Parlamentares, Bordéus, Toulouse e Ruão.

Braga sobe a segundo da I Liga, Benfica vence na estreia de Bruno Lage

O Sporting de Braga isolou-se no segundo lugar da I Liga portuguesa de futebol, ao vencer em casa o Boavista por 1-0, em jogo da 16ª jornada, em que o Benfica regressou aos triunfos.

Os minhotos colocaram-se no segundo posto, a três pontos do líder FC Porto, de forma provisória, graças a um tento de Ricardo Horta, aos 25 minutos, que deu à formação do técnico Abel Ferreira a oitava vitória em casa, em nove jogos.

Depois da vitória do Benfica por 4-2 em casa sobre o Rio Ave, os bracarenses precisavam de vencer para voltarem a estar à frente dos vice-campeões nacionais na tabela classificativa, colocando ainda pressão sobre os ‘dragões’ e o Sporting, que apenas jogam na segunda-feira.

Do outro lado, as dificuldades continuam para o Boavista quando não joga em casa, uma vez que não consegue ganhar fora do Estádio do Bessa desde a primeira jornada (vitória por 2-0 em Portimão).

Os ‘axadrezados’ seguem em 13º lugar, com 16 pontos, mais quatro que os clubes em zona de despromoção, mas ainda pode cair para 14º, se o Tondela vencer o Sporting na segunda-feira.

Na estreia de Bruno Lage no comando técnico, o Benfica teve de se aplicar para dar a volta a uma desvantagem de 2-0 no Estádio da Luz, que o Rio Ave, também a viver o primeiro jogo com o novo treinador, Daniel Ramos, tinha imposto nos primeiros 20 minutos.

O brasileiro Gabrielzinho fez o primeiro golo aos 17, numa boa jogada dos forasteiros, antes de Bruno Moreira fazer o segundo, de cabeça, três minutos depois, mas até ao intervalo o Benfica ainda conseguiu o empate.

Seferovic e João Félix, duas novidades no ‘onze’ das ‘águias’, marcaram aos 27 e aos 31, respetivamente, antes de bisarem na segunda parte, primeiro pelo luso, aos 64, e depois pelo avançado suíço, aos 70.

Depois do ‘susto’, os lisboetas chegaram aos 35 pontos e subiram ao segundo lugar da I Liga, tendo sido desalojados pouco depois pelo Braga para o terceiro, também provisório, ultrapassando o Sporting e regressando às vitórias após o desaire em Portimão (2-0), que precipitou a saída do treinador Rui Vitória.

Em Santa Maria da Feira, o Santa Clara esteve a ganhar por 2-0, com golos de Zé Manuel, aos 43, e Bruno Lamas, aos 48, mas o Feirense recuperou e conseguiu o empate, marcando por Edinho, de penálti, aos 59, e pelo colombiano Valencia, aos 65.

Apesar de ter ‘resgatado’ um ponto, a formação de Nuno Manta Santos somou o 14º jogo seguido sem ganhar, ainda que tenha subido ao 16º lugar da liga, com 12 pontos, ainda abaixo da ‘linha de água’.

Do lado dos açorianos, este foi o segundo jogo sem vencer e a equipa de João Henriques segue no nono lugar, com 21 pontos.

Não houve golos em Setúbal, no embate entre o Vitória e o lanterna-vermelha Desportivo de Chaves, com ambas as equipas a prolongarem a ‘crise’ de resultados no Estádio do Bonfim.

A equipa da casa segue em 12º lugar, com 18 pontos, após o quinto jogo sem ganhar, ainda que tenha perdido os quatro anteriores, enquanto os flavienses seguem em 18º e último lugar, com nove pontos, e há 11 jogos seguidos sem conseguir vencer.

O Belenenses igualou hoje os 25 pontos do Vitória de Guimarães, ao bater os minhotos por 1-0 no Estádio do Jamor, graças a um golo do brasileiro Henrique Almeida, aos 31 minutos.

Os ‘azuis’ venceram em casa pela quarta vez e subiram ao sexto lugar, com os mesmos pontos dos vimaranenses, sendo que o Moreirense tem os mesmos 25 pontos e joga na segunda-feira em casa, frente ao Desportivo das Aves.

Na segunda-feira, a 16ª jornada encerra com o campeão FC Porto a receber o Nacional, pelas 22:15, já depois do Tondela-Sporting e do Moreirense-Desportivo das Aves.

Resultados da 16ª jornada da I Liga de futebol:

– Sábado, 05 jan:

Marítimo – Portimonense, 2-1 (1-0 ao intervalo)

– Domingo, 06 jan:

Belenenses – Vitória de Guimarães, 1-0 (1-0)

Feirense – Santa Clara, 2-2 (0-1)

Vitória de Setúbal – Desportivo de Chaves, 0-0

Benfica – Rio Ave, 4-2 (2-2)

Sporting de Braga – Boavista, 1-0

– Segunda-feira, 07 jan:

Moreirense – Desportivo das Aves, 18:00

Tondela – Sporting, 20:00

FC Porto – Nacional, 22:15

Alfa/Lusa.

Atum rabilho bate recorde e é vendido em Tóquio por 2,7 milhões de euros

A licitação no leilão de Ano Novo do mercado de peixe da capital japonesa foi feita pelo presidente da cadeia de restaurantes de sushi Sushizanmai, Kiyoshi Kimura, o “Rei do Atum”.

O mais apreciado predador dos mares, o atum rabilho, bateu todos os recordes e um exemplar gigante com 278 quilos de peso foi vendido em Tóquio por 2,7 milhões de euros. Aconteceu no tradicional leilão de Ano Novo no mercado de peixe de Tóquio, tratou-se da primeira venda de 2019 e a licitação foi feita por Kiyoshi Kimura, presidente da cadeia japonesa de restaurantes de sushi Sushizanmai, que se auto-intitula o « Rei do Atum ».

Kimura disse à Agência Reuters que acabou por gastar cinco vezes mais do que estava à espera. Se tivesse sido num dia normal do mercado de peixe de Tóquio, teria gasto provavelmente 53 mil euros. Mas a verdade é que o império do sushi do empresário japonês ganhou publicidade de graça em todo o mundo com esta venda recorde.

Aliás, em sete dos últimos oito anos, Kimura fez sempre a maior licitação neste leilão de Ano Novo. O seu anterior recorde era de 2013, quando pagou 1,2 milhões de euros por um atum rabilho. O « Rei do Atum » confessou que se excedeu na sua última oferta, o que está certamente relacionado com a crescente escassez do grande atum rabilho do oceano Pacífico no mercado, devido à sobrepesca. Com efeito, segundo a BBC, « as capturas caíram bastante em 2018 e desde o verão os preços em Tóquio aumentaram mais de 40% ».

ESPÉCIE EM RISCO DE EXTINÇÃO

A espécie está em risco de extinção e figura nas listas vermelhas da organização ambientalista WWF (World Wildlife Fund) e da União Internacional para a Conservação da Natureza. Se a sua captura continuar ao atual ritmo poderá mesmo desaparecer, porque os stocks diminuíram mais de 85% desde 1973 e a moda do sushi e do sashimi espalhou-se rapidamente por todo o mundo como uma epidemia.

Tiago Pitta e Cunha, presidente executivo da Fundação Oceano Azul, que gere o Oceanário de Lisboa, alertou há poucos meses numa conferência de imprensa para um pradoxo: estamos a comer os predadores dos oceanos como o atum ou o espadarte, que ocupam o topo da cadeia alimentar marinha, coisa que não fazemos em terra porque não comemos lobos, raposas, águias, leões, tigres ou leopardos.

O mercado de peixe da capital japonesa é o maior do mundo e uma grande atração turística, tendo sido transferido recentemente do centro da cidade (a maior do mundo, com 38 milhões de habitantes), para uma ilha artificial na Baía de Tóquio, devido à necessidade de mais espaço comercial.

Jornal Expresso.

 

Macron garante justiça face a « extrema violência » em dia recorde de « coletes amarelos »

O presidente francês, Emmanuel Mácron, garantiu que a “justiça será feita” face à “extrema violência” contra a República num sábado que registou, em todo o país, o número recorde de 50 mil “coletes amarelos”.

Na rede social Twitter, o governante notou como “mais uma vez, uma extrema violência atacou a República – os seus guardiões, os seus representantes, os seus símbolos”, depois de manifestantes terem tentado forçar a entrada em vários ministérios, em Paris.

“Os que cometem estes atos esquecem o coração do nosso pacto cívico. Justiça será feita”, garantiu Macron, apelando a que todos voltem ao caminho de promoção do debate e do diálogo.

O denominado VIII ato dos “coletes amarelos”, em França, contou com 50 mil participantes, passando a deter o recorde de manifestantes, que têm exigido alterações nas políticas e causado inúmeros distúrbios.

O ‘pico’ dos protestos tinha sido registado no sábado passado, com 32 mil pessoas, segundo os números oficiais do ministério francês do Interior, que desdramatizou os dados.

“Cinquenta mil são um pouco mais do que uma pessoa por comuna em França. Essa é a realidade do movimento dos “coletes amarelos” hoje. Pode-se ver que não é um movimento representativo em França”, disse o ministro do Interior, Christophe Castaner, que também condenou os confrontos que surgiram à margem das manifestações.

O anterior balanço, feito pelas 15:00, referia 25 mil pessoas em toda a França, segundo a polícia.

A autarquia de Paris referiu que um total de 101 pessoas foram detidas em Paris e 103 interrogadas pela polícia.

Na capital francesa, o porta-voz do Governo francês, Benjamin Griveaux, foi retirado do seu gabinete, em Paris, depois de uma violenta entrada com uma retroescavadora no edifício localizado na rua de Grenelle.

Os confrontos entre as forças de segurança e manifestantes, nesta oitava mobilização repetiram-se por várias cidades francesas, como nas localizadas a Oeste: Rouen, Caen e Nantes, enquanto em Rennes um grupo destruiu uma porta de acesso à autarquia.

Para sudoeste no mapa do país, cerca de 4.600 « coletes amarelos » marcharam nas ruas de Bordéus, onde o nível de mobilização se mantém alto e mais uma vez se repetiram confrontos entre manifestantes e forças da ordem.

Com a chegada da noite, a polícia interveio e deteve várias pessoas, havendo o registo de várias montras partidas.

O Governo francês acusou na sexta-feira o movimento dos « coletes amarelos » de estar a ser instrumentalizado por grupos de agitadores que pretendem derrubar o executivo.

Alfa/Lusa.

‘Coletes amarelos’: Violência regressa a Paris, Ministério atacado e ministro evacuado

Perturbado pelos protestos, que neste sábado voltaram a aproximar-se de um clima de insurreição popular, o Presidente Emmanuel Macron vai escrever uma carta aos franceses para tentar convencê-los a participar num “debate nacional” sobre as reivindicações dos “coletes”. Um ministério foi atacado, o portão destruído e o ministro teve de ser evacuado

SAMEER AL-DOUMYA

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Às 19 horas de Paris, menos uma hora em Lisboa, veículos continuavam a ser incendiados na zona da avenida dos Campos Elísios, na principal sala de visitas de França, onde também ainda se verificavam confrontos.

O clima era de insurreição. O ministério de Benjamin Griveaux, porta-voz do executivo, que chamara ontem aos manifestantes de “agitadores políticos que apenas querem a insurreição e derrubar o Governo” foi atacado. O portão do ministério foi vandalizado, manifestantes chegaram a entrar no pátio e o ministro e seus funcionários tiveram de ser evacuados. Nalgumas regiões outros símbolos da República também foram atacados hoje e nos últimos dias.

A essa hora, a polícia ainda não tinha completamente controlado a situação na capital, onde se verificaram confrontos e incêndios desde o início da tarde em diversos bairros, todos eles históricos e turísticos.

Os problemas principais verificaram-se nos Campos Elísios e, também, junto aos museus do Louvre e de Orsay e na avenida de Saint-Germain, que liga a Assembleia Nacional ao “quartier latin”, o quarteirão onde eclodiu a revolta estudantil de 1968 que, então, abalou a França e o mundo.

QUATRO MIL MANIFESTANTES NAS RUAS DA CAPITAL

Durante este sábado, no Ato 8 do movimento dos “coletes”, ou seja, o oitavo sábado consecutivo de manifestações desde o início do inédito protesto nascido na internet, cerca de quatro mil manifestantes (segundo números da polícia) desfilaram em Paris.

Ainda não foram contabilizados todos os manifestantes deste sábado em França, mas os desfiles foram também importantes nas cidades da província, onde se verificaram igualmente por vezes incidentes com a polícia.

Na capital, verificaram-se confrontos graves em pontes e nas margens do rio Sena, onde um grande barco turístico, com restaurante, foi também incendiado. Barricadas e veículos foram incendiados em diversos locais mas, desta vez, foram até agora registados poucas destruições e ataques de lojas e outros estabelecimentos comerciais.

Com estas novas manifestações, as primeiras do ano de 2019, os “coletes amarelos” surpreenderam os observadores, que previam uma menor mobilização depois das festas do Natal e do fim do ano e, igualmente, depois das cedências do Presidente Emmanuel Macron (no valor de 10 mil milhões de euros) aos “coletes”.

Nesta sexta-feira, o Governo tinha apostado na marginalização do movimento e na repressão. Benjamin Griveaux, ministro e porta-voz do executivo, disse ontem, designadamente, que depois das recentes cedências e do lançamento de um “debate nacional” de três meses sobre as revindicações, apenas restavam “agitadores políticos que querem derrubar o Governo”. Griveaux garantiu que a lei seria aplicada – “a lei, nada mais que a lei, só a lei”, afirmou.

ONZE MORTOS E 2500 FERIDOS EM MÊS E MEIO DE PROTESTOS

O protesto dos “coletes” já provocou, em mais de mês e meio de manifestações, 11 mortos (um devido à explosão de uma granada e os outros em acidentes), cerca de 2500 feridos (a maioria manifestantes, mas também polícias), e levou aos tribunais centenas de pessoas.

Segundo uma sondagem, 55% dos franceses continuavam ontem, sexta-feira, a apoiar os “coletes amarelos”.

As palavras de ordem mais ouvidas, hoje, em Paris, são as habituais: “Macron demissão”, “RIC” (Referendo de Iniciativa Cidadã) e outras relacionadas com o aumento do poder de compra e a fiscalidade.

Emmanuel Macron, que reconheceu há menos de um mês que terá sido demasiado sobranceiro com os seus compatriotas, a quem chamou “irredutíveis gauleses refratários à mudança”, aposta no “debate nacional” para encontrar uma saída para a crise.

Nos seus votos de bom ano novo aos franceses indicou que lhes vai escrever uma carta com as suas propostas para o debate. Mas os “coletes”, nas manifestações deste sábado, indicavam que esperavam pouco dessa iniciativa.

“Macron e o Governo sabem bem o que queremos, não é preciso debate: queremos participar na vida democrática com o RIC (Referendo de Iniciativa Cidadã), queremos aumentos das pensões e dos salários mais baixos, queremos a reposição do Imposto Sobre a Fortuna, que ele revogou, queremos mais igualdade e baixa dos impostos sobre os produtos de primeira necessidade”, dizia um “colete”, aos jornalistas, na Praça da Câmara de Paris, alguns minutos antes do início de mais uma tarde e de um início de noite de confrontos na capital.

Novos confrontos em Paris. Coletes amarelos

Confrontos em pontes sobre o rio Sena, em Paris. Polícia e manifestantes entraram em confronto em pontes sobre o rio Sena, entre os museus de Orsay e do Louvre, perto da Assembleia Nacional e das praças dos Inválidos e da Concórdia

 

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Alguns milhares de “coletes amarelos” (quatro mil, segundo fontes oficiais) manifestavam-se esta tarde, “mais ou menos pacificamente”, no centro de Paris.

Mas, repentinamente, confrontos entre alguns deles e a polícia eclodiram em pontes sobre o rio Sena, entre os museus de Orsay e do Louvre, perto da Assembleia Nacional e das praças dos Inválidos e da Concórdia. Situação continuava muito tensa na zona às 15h30 locais, onde durante meia hora já tinham sido disparadas dezenas de granadas lacrimogéneas.

Primeiras manifestações de 2019 também reúnem milhares de “coletes” noutras cidades francesas, onde se verificam por vezes confrontos esporádicos com as forças da ordem.

“Coletes amarelos” já se manifestam de novo em Paris

Mais manifestantes do que previsto. “Coletes amarelos” estão já a manifestar-se em Paris e  noutras grandes cidades, apesar de o Governo os ter ameaçado, ontem, com a repressão. Para a tarde de hoje estão marcadas mais manifestações na capital.

Alfa/Expresso. Adaptação, por Daniel Ribeiro

Aparentemente, os “coletes” franceses voltaram a mobilizar-se com alguma força, mas de forma até agora pacífica. Na capital, diversas centenas de manifestantes concentraram-se desde as 10h locais (9h em Lisboa) nos Campos Elísios com o objetivo de, numa primeira fase se deslocarem para a Praça da Bolsa e, a seguir, se reunirem a uma outra manifestação da fação “França em cólera”, que está marcada para as 14h locais, junto à praça da Câmara de Paris.

Ontem o ministro e porta-voz do executivo, Benjamin Griveaux, acusou os “coletes” que se continuam a manifestar de serem “agitadores políticos que apenas querem derrubar o Governo”. O governante ameaçou com a repressão – “faremos respeitar e aplicar a lei, nada mais do que a lei”, disse.

Diversas manifestações decorrem noutras cidades desde o início desta manhã, o que deixa antever uma nova mobilização algo significativa dos “coletes” depois do movimento ter dado sinais de estar em baixa durante o período das festas de Natal e de fim de ano e depois das cedências (no valor de 10 mil milhões de euros) do Presidente Emmanuel Macron ao movimento.

Para esta tarde está marcada a manifestação organizada pela “França em cólera”, cujos líderes mais conhecidos são Éric Drouet, recentemente detido, e Priscillia Ludoski, uma das iniciadoras do movimento dos “coletes amarelos”.

O Governo considera que as recentes cedências aos “coletes”, bem como o lançamento de um “debate nacional” de três meses sobre as suas reivindicações, deveriam ter posto fim ao movimento de protesto inédito e que nasceu na internet.

O porta-voz disse que agora apenas restam nas manifestações elementos “radicais e agitadores”, o que irritou particularmente muitos dos « coletes » que estão hoje a desfilar em diversas cidades francesas.

O protesto já provocou, em mais de mês e meio de manifestações, 11 mortos ( um devido à explosão de uma granada e os outros em acidentes), cerca de 2500 feridos (a maioria manifestantes, mas também polícias), e levou aos tribunais centenas de pessoas.

Segundo uma sondagem, 55% dos franceses continuavam ontem, sexta-feira, a apoiar os “coletes amarelos”.

As palavras de ordem mais ouvidas esta manhã em Paris são as habituais: “Macron demissão”, “RIC” (Referendo de Iniciativa Cidadã) e outras relacionadas com o aumento do poder de compra e a fiscalidade.

Coletes amarelos. Novo sábado de alta tensão em Paris

Hoje é o dia da verdade para os “coletes” e o Governo franceses. As duas partes radicalizaram os discursos nas últimas horas.

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro (adaptação)

A “França em cólera”, a mais forte e mais organizada fação do protesto popular nascido na internet (dirigida por Éric Drouet, recentemente detido, e por Priscillia Ludosky, fundadora do movimento dos “coletes”), convocou novas manifestações para Paris e outras cidades e declarou, numa carta aberta, que o Presidente Emmanuel Macron está a conduzir a França para a “guerra civil”.

O Governo respondeu-lhe ontem, sexta-feira, de forma extremamente dura. O ministro e porta-voz do executivo, Benjamin Griveaux, classificou os “coletes” que se continuam a manifestar e a bloquear estradas, como “agitadores que apenas querem a insurreição e deitar o Governo abaixo” e ameaçou com a repressão. “Será aplicada a lei, nada mais do que a lei”, disse o governante.

Para este sábado, foram convocadas diversas manifestações em Paris e noutras grandes cidades francesas.

O Governo considera que as recentes cedências aos “coletes” e o lançamento de um “debate nacional” sobre as suas reivindicações puseram fim ao movimento e que só restam radicais e « agitadores políticos ».

O protesto já provocou, em mês e meio, uma dezena de mortos (em acidentes), cerca de 2500 feridos (a maioria manifestantes, mas também polícias), e levou aos tribunais centenas de pessoas.

Segundo uma sondagem, um pouco mais de 50% dos franceses continuavam nesta sexta-feira a apoiar os “coletes amarelos”.

Louvre em Paris bate recordes com mais de dez milhões de visitantes em 2018

O Louvre, o museu mais visitado do mundo, ultrapassou pela primeira vez a marca de dez milhões de visitantes em 2018, disse a administração do museu de Paris.

Foto: CHRISTOPHE PETIT TESSON

« Pela primeira vez na sua história, e acho que pela primeira vez na história dos museus, mais de dez milhões de visitantes visitaram o Louvre em 2018 », disse o presidente do Louvre, Jean-Luc Martinez.

Em 2017 o museu tinha recebido 8,1 milhões de visitantes, um aumento de 10,1% em relação a 2016.

O número de visitantes tem aumentado ao longo dos últimos dois anos, em contraste com os anos de 2015 e 2016, em que o número de turistas estrangeiros em Paris diminuiu, devido aos temores de atentados assolaram a cidade nesses anos.

Alfa/Lusa