FC Porto vence Galatasaray e termina invicto a fase de grupos da Liga dos Campeões

O FC Porto venceu hoje o Galatasaray, por 3-2, em jogo da sexta e última jornada do Grupo D da Liga dos Campeões de futebol, terminando a fase de grupos invicto.

Em Istambul, os ‘dragões’ marcaram por Felipe (16 minutos), Marega (42), de grande penalidade, e Sérgio Oliveira (57), com Feghouli (45+1), de penálti – falhou um aos 67 -, e Derdiyok (65) a fazerem os golos dos turcos.

O FC Porto termina a fase de grupos na primeira posição, com 16 pontos, mais cinco do que o Schalke 04, mais 12 do que o Galatasaray e 13 do que o Lokomotiv de Moscovo.

Apesar da derrota, o Galatasaray garantiu a presença na Liga Europa, beneficiando da derrota do Lokomotiv de Moscovo na Alemanha, por 1-0.

Na noite desta terça-feira há também a destacar o Borussia Dortmund que confirmou, o primeiro lugar do grupo A, com a vitória por 2-0 na visita ao Mónaco. Assinatura portuguesa duplamente rubricada, com Raphael Guerreiro a apontar os dois golos do encontro, aos 15’ e aos 88 minutos.

Resultados e marcadores da 6ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões e classificações finais dos respetivos grupos:

 

GRUPO A:

Club Brugge – Atlético Madrid, 0-0

Mónaco – Dortmund, 0-2

Classificação:

1. Dortmundo 13 pontos/ 6 jogos

2. Atlético Madrid 13/ 6

3. Club Brugge 6/ 6

4. Mónaco 1/ 6

 

GRUPO B

Barcelona – Tottenham, 1-1

Inter – PSV, 1-1

Classificação:

1. Barcelona 14 pontos/ 6 jogos

2. Tottenham 8/ 6

3. Inter 8/ 6

4. PSV 2/ 6

 

GRUPO C

Liverpool – Nápoles, 1-0

Estrela Vermelha – PSG, 1-4

Classificação:

1. Paris Saint-Germain 11 pontos/ 6 jogos

2. Liverpool 9/ 6

3. Nápoles 9/ 6

4. Estrela Vermelha 4/ 6

 

GRUPO D

Galatasaray – FC Porto, 2-3

Schalke – Lokomotiv, 1-0

Classificação:

1. FC Porto 16 pontos/ 6 jogos

2. Schalke 11/ 6

3. Galatasaray 4/ 6

4. Lokomotiv 3/ 6

Alfa/Lusa.

A sonda Voyager 2 já chegou ao espaço interestelar

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É o segundo engenho humano (a Voyager 1 já lá chegou) a alcançar a região onde os ventos do nosso Sol esbarram com os ventos de outras estrelas. Ainda assim, as duas sondas da NASA continuam oficialmente – e vão continuar – no nosso sistema solar.

A sonda Voyager 2, lançada em 1977 numa missão concebida para durar apenas cinco anos, tornou-se o segundo objecto de fabrico humano a entrar no espaço interestelar, continuando assim a sua maratona espacial, anunciou esta segunda-feira a NASA. Desde que partiu da Terra, a Voyager 2 já viajou mais de 18.000 milhões de quilómetros.

Dados oriundos de instrumentos a bordo da sonda mostram que, a 5 de Novembro, a Voyager 2 atravessou a fronteira exterior da heliosfera – uma gigantesca bolha de partículas electricamente carregadas produzida pelo nosso Sol. Essa fronteira exterior atravessada pela intrépida sonda chama-se “heliopausa”, um local onde os ventos solares (a bolha de partículas electricamente carregadas produzidas pelo Sol) esbarram com os ventos de outras estrelas, gases e poeiras que impregnam a nossa galáxia, a Via Láctea.

“É novamente uma altura muito entusiasmante na viagem de 41 anos da Voyager 2, desde a exploração de planetas e agora da heliosfera e da entrada no espaço interestelar”, sublinhou Ed Stone, investigador envolvido no projecto da sonda do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos.

Em 1977, a Voyager 2 foi lançada no espaço 16 dias antes da sua irmã gémea, a Voyager 1, que atingiu o espaço interestelar em 2012. Um dos instrumentos da Voyager 2, o Plasma Science Experiment (PLS), ainda consegue fornecer observações sobre a natureza desta região do espaço. Quanto à Voyager 1, embora se mantenha forte na sua jornada pelo espaço interestelar, o seu PLS deixou de funcionar em 1980.

Concebidas para durar apenas cinco anos, as sondas Voyager destinaram-se especificamente ao estudo de Júpiter e Saturno, planetas gigantes gasosos. Recusando-se a morrer, as Voyager continuaram as suas explorações de Urano e Neptuno, os planetas gigantes gasosos mais exteriores do nosso sistema solar.

Ambas as sondas transportam um disco dourado que contém sons, imagens e saudações em diversas línguas, representando a diversidade da vida e da cultura na Terra e que se destina a comunicar com potenciais seres extraterrestres que possa encontrar esse objecto.

Embora tenham entrado no espaço interestelar, as Voyager ainda não saíram oficialmente do nosso sistema solar, cuja região mais extrema é a Nuvem de Oort, composta por numerosos cometas que ainda se encontram sob a influência da gravidade do Sol. Só daqui a 20 mil anos as duas sondas terminarão a sua passagem pela Nuvem de Oort, continuando a sua viagem pelo cosmos.

“Muitas vezes perguntam-me: ‘Então, acabou para as Voyagers? Já atravessaram a heliopausa. Está feito? Acabou? De modo nenhum. Para mim, é realmente o início de uma nova era da ciência heliofísica”, disse Nicola Fox, director da divisão de heliofísica na sede da NASA. “Temos a sorte de ter duas sentinelas muito bravas que abandonaram a nossa heliosfera e estão verdadeiramente a olhar para o outro lado da fronteira.”

Alfa/Jornal Público.

António Lobo Antunes lamenta que Portugal e Espanha não sejam o mesmo país

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O escritor António Lobo Antunes lamentou que portugueses e espanhóis não sejam cidadãos do mesmo país, numa entrevista dada ao jornal catalão La Vanguardia no âmbito da Feira Internacional do Livro de Guadalajara e publicada hoje.

“Não consigo descobrir muitas diferenças entre a gente da península, somos a mesma coisa, temos a mesma maneira de reagir, embora se coma melhor na Catalunha do que em Portugal. É uma pena que não sejamos o mesmo país, todos os ibéricos. Filipe II de Espanha e I de Portugal tinha todo o direito de ser nosso rei, era neto do monarca legítimo”, afirmou Lobo Antunes logo na primeira resposta da entrevista, antes de acrescentar que o “grande amor” da sua infância foi uma criada galega que trabalhava para os pais.

O autor que lançou recentemente em Portugal “A última porta antes da noite” realçou que o escritor que mais o comove “ainda é um grande poeta do século de ouro” da Península Ibérica, Francisco Gómez de Quevedo, a quem só Camões se pode igualar, na opinião de Lobo Antunes.

“O meu pai lia-nos em voz alta aos seis filhos, gostava muito de poesia”, lembrou o escritor nascido em 1942.

Há mais de dez anos, o Nobel da Literatura José Saramago (1922-2010) disse, ao Diário de Notícias, que Portugal acabaria por se integrar em Espanha, tornando-se uma província de um país que se chamaria Ibéria, para não ofender « os brios » portugueses.

Na mesma entrevista em que recorda que “a ditadura é violência, com os cabrões da polícia política a perseguir a gente”, quando a imprensa escrevia que os presos políticos se suicidavam (“sim, com um tiro nas costas”), Lobo Antunes é ainda questionado sobre se ainda reside em Lisboa, ao que responde que sim, ressalvando que “Lisboa está horrível agora”.

“É um inferno desde que a Madonna e tantos famosos vieram viver para lá. A vida é barata, eu almoço sempre em restaurantes de bairro por seis ou sete euros. Vivo na periferia, porque sou uma espécie de emblema do país e, no centro, as pessoas querem tirar fotos comigo. Só estou tranquilo no meu bairro, onde as pessoas me conhecem e me protegem”, afirmou o escritor.

A dada altura, o entrevistador diz não se atrever a perguntar-lhe pelo prémio Nobel, ao que Lobo Antunes lembra ter entrado na coleção Pléiade, “que é muito mais importante que ganhar o Nobel”, acrescentando que os seus livros estão a ser traduzidos também para o árabe, antes de questionar: “Que mais posso desejar?”

“A única coisa que me interessa dos prémios é o dinheiro. Quando me telefonam a dizer que ganhei um, a primeira coisa que pergunto é ‘quanto?’”, acrescentou.

Antes de terminar a entrevista, Lobo Antunes ainda referiu que estar casado “é uma coisa muito boa para trabalhar, caso contrário perde-se muito tempo a perseguir mulheres”.

Alfa/Lusa.

Portugal mantém 34 árbitros internacionais, com António Nobre no lugar de Carlos Xistra

Portugal manterá em 2019 os 34 árbitros internacionais que detinha no ano passado, com uma única alteração no quadro de juízes principais, a substituição de Carlos Xistra por António Nobre, anunciou hoje a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

De acordo com a informação publicada no site oficial do organismo federativo, Portugal terá um total de 20 árbitros internacionais e 14 assistentes, que se dividem entre futebol masculino e feminino, futsal e futebol de praia.

O destaque vai para a inclusão de António Nobre, da Associação de Futebol (AF) de Leiria, que substitui Carlos Xistra, da AF de Castelo Branco, que ficou de fora da lista de internacionais, por atingir no próximo ano o limite de idade imposto pela FIFA, ao completar 45 anos.

António Nobre será acompanhado pelos ‘repetentes’ Artur Soares Dias, Jorge Sousa, Hugo Miguel, Tiago Martins, Fábio Veríssimo, João Pinheiro, Luís Godinho, João Capela, enquanto no setor feminino sobressai a presença de Sandra Bastos, que está designada para a fase final do Mundial de 2019.

Portugal será representado nas provas da UEFA e da FIFA em 2019 por nove árbitros principais e 10 assistentes, bem como três árbitras e quatro assistentes no quando do futebol feminino, e por quatro árbitros tanto no futsal como no futebol de praia.

Lista de 34 árbitros internacionais em 2019:

– Árbitros:

Artur Soares Dias

Jorge Sousa

Hugo Miguel

Tiago Martins

Fábio Veríssimo

João Pinheiro

Luís Godinho

João Capela

António Nobre

– Árbitros assistentes:

Rui Licínio

Paulo Soares

Álvaro Mesquita

Nuno Pereira

António Godinho

André Campos

Nélson Moniz

Rui Teixeira

Bruno Rodrigues

Pedro Mota

– Árbitras:

Sandra Bastos

Sílvia Domingos

Catarina Campos

– Árbitras assistentes:

Olga Almeida

Vanessa Gomes

Andreia Sousa

Cátia Tavares

– Futsal:

Eduardo Coelho

Miguel Castilho

Cristiano Santos

Filipe Duarte

– Futebol de praia:

António Almeida

Sérgio Soares

Wilson Soares

Francisco Costa.

Alfa/Lusa.

Holanda no caminho de Portugal na corrida ao Europeu de sub-21 de 2021

A seleção portuguesa de futebol de sub-21 vai defrontar as congéneres da Holanda, Noruega, Bielorrússia, Chipre e Gibraltar na fase de qualificação para o Campeonato da Europa de 2021, em resultado do sorteio realizado hoje em Nyon (Suíça).

Portugal, que tem como melhor desempenho as presenças nas finais do torneio em 1994 e 2015, perdidas frente à Itália e Suécia, respetivamente, ficou inserido no Grupo 7 da ronda de apuramento, constituída por nove agrupamentos.

A seleção holandesa, vencedora do Europeu em 2006, numa edição realizada em Portugal, e em 2007, no seu país, é a mais forte adversária da ‘equipa das quinas’ na luta pelo primeiro lugar do grupo, o único que proporciona a qualificação direta para a fase final da prova, que vai decorrer em junho de 2021.

Os segundos classificados com melhor registo frente ao primeiro, terceiro, quarto e quinto colocados da sua ‘poule’ irão disputar um ‘play-off’ para determinar a última seleção qualificada, que se juntará aos vencedores dos nove agrupamentos e às coanfitriãs da fase final, Hungria e Eslovénia, apuradas diretamente.

A fase de qualificação vai disputar-se entre 18 de março de 2019 e 13 de outubro de 2020, enquanto os dois jogos do ‘play-off’ estão agendados para 09 e 17 de novembro de 2020.

Alfa/Lusa.

Medidas de Macron vão levar a um défice excessivo em 2019

O lote de medidas anunciadas pelo presidente e pelo primeiro-ministro franceses em resposta às exigências do movimento dos “coletes amarelos” implica um défice de 3,5% do PIB no próximo ano, segundo as contas do economista Eric Dor, diretor de estudos económicos na Escola de Gestão de Lille, em França.

 

Alfa/Expresso. Por Jorge Nascimento Rodrigues

“As novas medidas anunciadas pelo presidente Macron vão levar o défice público de França para os 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019. Com a incerteza de como estas medidas vão ser compensadas, o défice vai certamente ultrapassar o critério do Pacto de Estabilidade”, refere Eric Dor, diretor de estudos económicos na Escola de Gestão de Lille, em França. O economista estima que o lote de medidas anunciadas na segunda-feira à noite pelo presidente francês, em resposta às exigências do movimento dos “coletes amarelos”, vai custar entre 10 e 12 mil milhões de euros.

Macron anunciou um aumento do salário mínimo mensal em 100 euros a partir de 1 de janeiro – que está, em valor bruto, em 1498,47 euros -, a isenção de impostos e de contribuições para as horas extraordinárias e uma redução da contribuição (CSG) para as reformas abaixo de €2000 euros. O primeiro-ministro Edouard Philippe já tinha anunciado anteriormente que o governo retirou do orçamento para 2019 o aumento dos impostos sobre os combustíveis e que tinha suspendido a subida das taxas da eletricidade e do gás. O governo tinha anunciado, inicialmente, que apenas adiava por seis meses a aplicação da subida de impostos sobre os combustíveis, mas, depois, recuou totalmente na medida prevista para 2019 que originou o movimento dos “coletes amarelos”.

As contas de Dor abrangem todo o pacote. “O governo diz que pretende evitar uma degradação do défice orçamental e compensar as medidas anunciadas com poupanças no gasto público, que serão detalhadas em breve. Mas é bastante irrealista”, sublinha o economista francês. “Mesmo o objetivo de um défice de 2,8% do PIB inscrito no orçamento para 2019 é incerto, pois se baseia numa taxa de crescimento da economia francesa de 1,7% no próximo ano. O que é realista é estimar um crescimento de 1,4% em 2019, o que, desde logo, sobe o défice para 2,95%”, conclui o professor de Lille.

Recorde-se que Bruxelas considerou que o orçamento para 2019 apresentado por França em outubro – tal como nos casos da Bélgica, Eslovénia, Espanha e Portugal – corre o risco de incumprimento das regras europeias. No caso do orçamento apresentado por Itália, a Comissão Europeia considerou tratar-se de « um caso particularmente grave de incumprimento« .

Nas primeira reações ouvidas da parte de participantes do movimento dos “coletes amarelos”, as opiniões dividiam-se entre admitir que os anúncios no discurso televisivo por parte do presidente eram « um começo de compreensão » e achar que se tratavam de « meias medidas ».

Treinador Tiago Fernandes deixa sub-23 do Sporting e assume Desportivo de Chaves

O treinador Tiago Fernandes deixou a equipa sub-23 do Sporting e assinou por temporada e meia com o Desportivo de Chaves, informou hoje o clube que ocupa o último lugar na I Liga portuguesa de futebol.

« O Grupo Desportivo de Chaves e a respetiva SAD vêm por este meio informar que chegaram a acordo com o treinador Tiago Fernandes para orientar o GD Chaves até final da temporada 2019/2020 », anunciou o clube em comunicado divulgado na sua página oficial na Internet.

O treinador, de 37 anos, que sucede a Daniel Ramos, começou a temporada como treinador adjunto de José Peseiro, assumiu interinamente o comando técnico do Sporting durante três partidas, entre a saída de Peseiro e a chegada do holandês Marcel Keizer, e era atualmente o treinador principal da equipa sub-23 dos ‘leões’.

Alfa/Lusa.

Marítimo empata com Feirense com golo aos 90+5 minutos

O Marítimo empatou hoje em casa do Feirense (1-1), no jogo de encerramento da 12ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, graças a um golo aos 90+5 minutos.

O Feirense colocou-se em vantagem com um golo de Tiago Silva, aos 70 minutos, na marcação de uma grande penalidade, mas o Marítimo empatou por Ricardo Valente, aos 90+5.
O Feirense, que não vence desde a segunda jornada, continua em zona de despromoção, na 16ª posição, com 10 pontos, enquanto o Marítimo interrompeu uma série de sete derrotas consecutivas e segue na 13ª posição, com 11.
Resultados da 12ª jornada da I Liga de futebol:

– Sexta-feira, 07 dez:

FC Porto – Portimonense, 4-1 (1-1 ao intervalo)

– Sábado, 08 dez:

Belenenses – Desportivo de Chaves, 1-0 (1-0)

Tondela – Sporting de Braga, 0-1 (0-1)

Vitória de Setúbal – Benfica, 0-1 (0-1)

– Domingo, 09 dez:

Nacional – Boavista, 0-0

Moreirense – Santa Clara, 0-1 (0-0)

Vitória de Guimarães – Rio Ave, 3-2 (2-1)

Sporting – Desportivo das Aves, 4-1 (2-1)

– Segunda-feira, 10 dez:

Feirense – Marítimo, 1-1 (0-0)

Alfa/Lusa.

Macron aumenta salário mínimo e paga para acalmar revolta dos “coletes amarelos”. “Compreendi a cólera”

Presidente francês anunciou esta segunda-feira um aumento de 100 euros do salário mínimo (que passa para 1598 euros brutos)

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Emmanuel anunciou igualmente medidas favoráveis aos reformados que recebem pensões até 2 mil euros, a suspensão das taxas sobre as horas de trabalho extraordinário e um “prémio de fim de ano” para os trabalhadores das empresas que o podem pagar.

No que respeita ao imposto sobre as grandes fortunas, reclamado pelos “coletes”, não cedeu, bem como nas reformas políticas, nomeadamente a introdução do sistema proporcional nas eleições legislativas francesas.

Na sua comunicação ao país, que era muito aguardada, não há também o anúncio de uma remodelação governamental, que alguns analistas tinham previsto.

O aumento de 100 euros do salário mínimo será sem encargos para os patrões e terá efeito já em 2019. Macron justificou as medidas sociais numa comunicação gravada esta segunda-feira de tarde no Palácio do Eliseu porque o país se encontra num “estado de emergência económica e social”.

Em primeira análise, trata-se de uma viragem à esquerda do chamado “Presidente dos ricos”, considerado demasiado altaneiro e arrogante, que até pediu desculpa aos franceses por “ter ferido alguns” com algumas suas declarações durante os seus 18 meses de mandato.

É de realçar que não há qualquer medida política anunciada esta segunda-feira pelo Presidente, que pela primeira vez e certamente devido à pressão do extraordinário e inédito movimento dos “coletes amarelos”, parece ter decidido ser mais concreto e humano do que nunca.

Emmanuel Macron parece ter desejado atingir diversas categorias dos franceses que se têm manifestado desde há um mês em França e que, apesar da violência dos “casseurs”, contam com o apoio de mais de dois terços da população. A certa altura da sua comunicação chegou a dizer que os protestos revelam uma “cólera justa”.

Condenou no entanto a violência e prometeu castigar os que cometem atos de “desordem e anarquia”.

No que respeita às reações, a generalidade dos representantes dos “coletes amarelos” disse que se tratou de um “primeiro passo” do Presidente.

Este movimento, nascido na internet sem líderes nem ideologia, continuava nesta segunda-feira à noite a bloquear estradas um pouco por toda a França. Alguns dos manifestantes disseram esta noite que o movimento vai continuar e alguns sublinhavam que o Presidente não respondeu, designadamente, à sua reivindicação de referendos de iniciativa popular nem à introdução do sistema proporcional nas legislativas, nem à reposição do ISF.

No campo político, Marine le Pen, chefe dos nacionalistas e populistas franceses, afirmou que “Macron recua para melhor saltar”. “Perante a contestação, renuncia às suas divagações fiscais, é bom, mas recusa admitir que é o seu modelo de globalização selvagem ultraliberal que é contestado”, declarou.

Benoît Hamon, candidato socialista às presidenciais, disse que “é demasiado pouco”. “O aumento do salário mínimo através das cotizações sociais quer dizer que será a Segurança Social que o vai financiar, não os ricos nem os grandes acionistas das empresas”, explicou.

Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda não alinhada e também candidato às últimas presidenciais, criticou Emmanuel Macron, dizendo: “ele julga que ao distribuir umas moedas vai acalmar a insurreição que rebentou … os que estão nesse movimento vão responder-lhe”.

No campo sindical, a confederação CGT, próxima dos comunistas, apela a uma mobilização conjunta já na próxima sexta-feira com os “coletes amarelos”. Philippe Martinez, secretário geral da central sindical disse que as medidas “são insuficientes”.

Quanto ao Governo, reagiu pela voz do duro ministro do Interior, Christophe Castaner, que afirmou: “a violência tem de terminar e a calma deve voltar ao país” depois da comunicação do Presidente da República.

« Coletes ». Chegou a hora da verdade para Emmanuel Macron

“Coletes amarelos”. Chegou a hora da verdade para Emmanuel Macron, que fala esta noite ao país. Os tumultos e a revolta dos “coletes” encostaram o jovem Presidente francês à parede. Macron fala esta noite à nação, nas televisões. Se falhar, morreu. A França continuará a arder até ele cair. E Marine le Pen ficará com a porta do poder aberta.

Emmanuel Macron, com o primeiro-ministro Edouard Philippe (em segundo plano), vai ser obrigado a recuar. Foto: YOAN VALAT / EPA

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro (adaptação)

A comunicação de Emmanuel Macron ao país (esta noite, à hora dos telejornais – 19h em Lisboa) está a gerar tantas ou mais expectativas no país do que uma final de um Mundial de futebol disputada pela França.

Depois de quatro sábados consecutivos de violência extrema e de manifestações muito radicalizadas em todo o país, o jovem chefe de Estado (41 anos), sem passado político e com muito pouca experiência nessa área, joga tudo esta noite.

Emmanuel Macron chegou ao poder máximo em França depois do seu antecessor, François Hollande, o ter chamado para o seu Governo, por ser um brilhante economista com uma carreira excecional num conhecido banco de negócios (Rothschild).

Depois de entrar no Executivo, manobrou nos bastidores, traiu Hollande e ganhou as presidenciais da primavera de 2017 graças a um movimento original que lançou e porque, na segunda volta, teve pela frente a líder nacionalista e populista, Marine le Pen, que a maioria dos franceses não quis.

O seu movimento chamava-se “Em Marcha” e era algo inédito no país. Macron lançou os seus “marcheurs” (caminhantes) e eles foram de porta em porta, literalmente, dizer aos franceses, quase um a um, que a forma de fazer política em França iria mudar com ele no Eliseu. Prometeu tudo e, designadamente, que seria um Presidente que sempre escutaria os seus compatriotas e que nunca deixaria de estar em contacto com eles.

Nas eleições, Macron destruiu todos os partidos, menos o de Marine le Pen (RN – Ajuntamento Nacional). Até a “França Insubmissa”, de Jean-Luc Mélenchon (esquerda não alinhada) entrou recentemente em crise.

RECUO INEVITÁVEL DO “PRESIDENTE ARROGANTE DOS RICOS”

Mas, depois de ser eleito, o Presidente fechou-se no Eliseu, aboliu o Imposto sobre as Grandes Fortunas, e disse que queria ser um “Presidente Júpiter” (em oposição ao “Presidente normal”, que tinha desejado ser Hollande).

Desprezou os chamados “corpos intermediários”, sobretudo os sindicatos – e é agora chamado nas ruas de França, pelos “coletes”, de o “Presidente arrogante dos ricos”.

As taxas sobre os carburantes, previstas para entrarem em vigor a 1 de janeiro e que já foram anuladas devido à pressão das manifestações, foram a gota de água que fez transbordar o vaso do descontentamento.

Agora os “coletes” querem mais, muito mais – aumentos de salários e de pensões, baixas de impostos e até novas eleições legislativas e presidenciais, bem como a introdução do sistema proporcional no escrutínio para o Parlamento.

Encostado à parede, Emmanuel Macron chamou esta manhã, à pressa, ao Eliseu, as centrais sindicais. Reuniu-se com os sindicalistas (e também com representantes do patronato e “eleitos dos territórios”) durante várias horas, mas tudo parecia muito improvisado.

O seu objetivo era claro: preparar a sua comunicação desta noite, apagar o incêndio que atinge todo o país desde há quase um mês e pediu ajuda aos sindicatos.

Parece evidente que Emmanuel Macron vai ter de recuar e sobretudo de anunciar medidas concretas e muito claras sobre o poder de compra dos seus compatriotas.

Terá de ser mesmo muito concreto e jogará tudo esta noite. Se falhar, não terá uma segunda hipótese porque os “coletes” permanecem mobilizados, têm o apoio de dois terços da população e continuam a gritar, nos bloqueios de estradas, que continuavam nesta segunda-feira, “Macron demissão”.

Mesmo uma remodelação governamental ou uma mudança de primeiro-ministro não chegarão para acalmar o fogo que atinge a França. Mesmo um pedido de desculpas pela forma distante como tem exercido o poder não chegará para acalmar a revolta.

Emmanuel Macron está encostado à parede – e Marine le Pen e o seu partido surgem como os melhor colocados para vencerem eleições antecipadas, se elas tiverem lugar.