O Parlamento Europeu (PE) aprovou hoje a revisão da diretiva relativa aos serviços de comunicação social audiovisual, que passa a abranger as plataformas de partilhas de vídeos e serviços a pedido, para promover a produção europeia.
A diretiva passa a abranger não só a radiodifusão tradicional (televisão) e os serviços a pedido, mas também as plataformas de partilha de vídeos, visando proteger os menores, combater o discurso de incitação ao ódio e promover a produção europeia.
Pelo menos 30% dos catálogos dos serviços a pedido terão de ser constituídos por obras europeias.
A revisão da diretiva de 2010 tem por objetivo adaptar as regras à evolução do mercado dos serviços de comunicação social audiovisual, passando a abranger serviços de vídeo a pedido, como a Netflix, e plataformas de partilha de vídeos, como o YouTube.
As novas regras visam garantir condições de concorrência equitativas entre as empresas de radiodifusão tradicionais, os serviços a pedido e as plataformas de partilha de vídeos, que terão de tomar medidas adequadas para proteger os menores contra conteúdos nocivos e o público em geral contra a incitação ao ódio, à violência e ao terrorismo.
A diretiva requer que as plataformas criem mecanismos transparentes e de fácil utilização que permitam aos utilizadores comunicar ou sinalizar conteúdos nocivos e que estas lhes expliquem o seguimento dado a essa comunicação ou sinalização.
As medidas previstas incluem também sistemas de verificação da idade e sistemas de controlo parental.
A legislação, já acordada com os Estados-membros, determina que os dados pessoais de menores recolhidos ou gerados pelos fornecedores de serviços de comunicação social ou plataformas de partilha de vídeos não podem ser tratados para efeitos comerciais, como o marketing direto, a definição de perfis e a publicidade orientada em função do comportamento. A colocação de produto também não deverá ser autorizada em programas infantis.
Os fornecedores de serviços a pedido deverão promover a produção e a distribuição de obras europeias, estabelecendo a diretiva que pelo menos 30% dos seus catálogos terão de ser constituídos por obras europeias.
A legislação prevê a possibilidade de os Estados-Membros exigirem uma contribuição financeira aos fornecedores de serviços a pedido para o investimento na produção de conteúdos europeus.
Para a publicidade, é estabelecido um limite global de 20% entre as 6:00 e as 18:00, sendo dada às empresas de radiodifusão a flexibilidade de ajustar os períodos consagrados a ‘spots’ de publicidade televisiva e de televenda dentro desta faixa horária.
No horário nobre, entre as 18:00 e as 24:00, a publicidade só poderá ocupar no máximo 20% do tempo de transmissão.
A diretiva, aprovada em plenário por 452 votos a favor, 132 contra e 65 abstenções terá de receber luz verde formal do Conselho da UE, após o que é publicada no Jornal Oficial da UE, entrando em vigor 20 dias depois.
Os Estados-membros terão depois 21 meses para transpor as novas regras para a legislação nacional.
O prémio Nobel da Física 2018 foi hoje atribuído ao norte-americano Arthur Ashkin e a segunda metade em conjunto ao francês a Gérard Mourou e à canadiana Donna Strickland, pelas suas invenções no campo da física do laser.
O prémio Nobel da Física, com um valor pecuniário de nove milhões de coroas (870 mil euros), é o segundo destes galardões a ser anunciado, seguindo-se, nos próximos dias, os da Química, da Paz e da Economia.
Na segunda-feira, o Nobel da Medicina foi atribuído ao norte-americano James P. Allison e ao japonês Tasuku Honjo pelas suas descobertas sobre o papel do sistema imunitário no tratamento do cancro.
“The Mamba King”, o terceiro disco dos portugueses The Black Mamba, com a mesma “‘vibe’, meio ‘old school’, ‘blues’ e ‘soul’” dos trabalhos anteriores, mas revestida “com uma roupagem mais atual”, é editado a 19 de outubro.
Foto: TIAGO PETINGA
De acordo com o vocalista e guitarrista dos The Black Mamba, Pedro Tatanka, em declarações à Lusa, na criação do sucessor de “Dirty Little Brother” (2014) e de “The Black Mamba” (2012), a banda tentou “modernizar um bocadinho”.
“Uma coisa que rompe um bocadinho com o que fizemos nos discos passados é a estética que estamos a usar ao nível da produção. Tentámos modernizar um bocadinho usando a nossa ‘vibe’, que é meio ‘old school’, meio soul, meio ‘blues’, 70’s, 60’s, e revesti-la com uma roupagem mais atual”, explicou.
Para Pedro Tatanka, essa é “a grande novidade” que quem acompanha a banda, e conhece os dois primeiros álbuns, vai encontrar ao ouvir o novo disco.
Em relação aos temas abordados nas letras, há “algumas semelhanças”. “Tirando uma ou outra música, como a ‘Believe’, que tem alguma consciência social, os textos e as letras são baseados muito nas mesmas coisas, no Amor”, disse.
Apesar de só ser editado agora, “The Mamba King” começou a ser trabalhado há quatro anos, mal “Dirty Little Brother” ficou pronto.
“Depois de editarmos o outro disco, em 2014, começámos logo a trabalhar, mas assim num processo meio lento”, contou, revelando que algumas das nove canções que compõem o novo trabalho estão a ser tocadas ao vivo desde 2016.
Para o músico “é sempre bom” ir testando os temas ao vivo, ir “aprimorando”, para quando a banda entra em estúdio “ter uma ideia mais concreta do que pode fazer com as canções”.
Neste álbum, ao contrário dos dois anteriores, os temas são todos cantados em inglês. “Tínhamos, nos dois primeiros álbuns, músicas completamente em português, que continuamos a tocar ao vivo, gostamos de deixar homenagem à nossa língua. Neste não temos, e prende-se um bocado com a minha carreira a solo, em que uma das principais diferenças é a língua. Vou deixar o português para a carreira a solo”, afirmou.
Outra coisa que mudou em relação ao disco anterior, é que neste os The Black Mamba são uma dupla e não um trio. Além de Pedro Tatanka, a banda conta com Miguel Casais, na bateria. “Mas não nos consideramos só dois, na verdade somos para aí uns 15”, referiu o músico, lembrando os vários “amigos e colaboradores” que os acompanham ao vivo e na gravação dos discos.
No início deste ano, encheram os Coliseus de Lisboa e do Porto.
“Foi assim até meio uma loucura termo-nos mandado para os coliseus, tendo nós a dimensão que tínhamos à data. Ter os coliseus cheios foi realmente uma afirmação muito grande para a banda, um ‘statement’ muito grande para nós e também do público para connosco. Sendo nós uma banda que não é propriamente ‘mainstream’, mas também não é alternativa”, disse.
Quanto a um possível regresso aos Coliseus, Pedro Tatanka lembra que “ninguém sabe o que vem a seguir”.
“Não conseguimos prever o futuro, mas temos vontade de fazer mais coliseus. Não sei se é prematuro afirmar que os vamos fazer, mas é uma vontade que temos. Provavelmente para o fim do ano que vem”, partilhou.
A digressão de “The Mamba King” está programa para o verão do ano que vem, mas, entretanto, a banda conta apresentá-lo ao vivo em concertos pontuais.
E o que se pode esperar de um concerto dos The Black Mamba? “É meio difícil avaliar aquilo que fazemos, mas, se conseguir pôr-me um bocadinho de fora e olhar, imaginar-me a ver um concerto, temos um cuidado muito grande com a parte musical, com os conteúdos que passamos, com aquilo que queremos passar, e normalmente um concerto nosso é muito bem arranjado, muito bem trabalhado, é musicalmente muito forte”, descreveu.
Além disso, é “muito intenso, ao nível das emoções e é bastante honesto”. “Toda a gente que faz parte tem uma paixão muito grande, não só pela música, mas igualmente pelo projeto em si, pelas canções”, referiu.
Esta “honestidade e paixão muito grande” que a banda passa ao vivo é, para o seu vocalista, o “ponto forte” do projeto. “E acho que é isso que agarra muita gente que nos apanha naquelas festas e nos festivais onde as pessoas não estão lá propriamente para te ver. Acho que temos conseguido fidelizar muita gente com essa entrega, com este trabalho todo, com esta dedicação e com esta devoção que nós temos, tanto com o público como com a música”, rematou.
As autoridades indonésias elevaram hoje para 1.234 o número de vítimas mortais do terramoto de magnitude 7,5 e posterior tsunami que atingiram a ilha de Celebes, na Indonésia, na passada sexta-feira.
Foto: HOTLI SIMANJUNTAK
Numa conferência de imprensa em Jacarta, o porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB), Sutopo Purwo Nugroho, disse que há 799 pessoas gravemente feridas, acrescentando que nas comunidades de Sigi e Balaroa ainda não foram contabilizadas as vítimas, pelo que o número poderá ser mais elevado.
Entretanto, um dos primeiros voos de evacuação de uma zona devastada pelo terremoto na região central da Indonésia desembarcou em Java Oriental.
O avião de transporte militar C130, que chegou hoje a um aeroporto militar, transportou dezenas de pessoas, incluindo vítimas feridas que precisavam de mais cuidados e tratamento. Partiu da cidade de Palu, onde centenas de pessoas ainda estão à espera para serem retiradas.
Andi Wijaya, o comandante da base do aeroporto em Java Oriental, diz que sete aeronaves estavam prontas para participar nas operações de evacuação, mas as tripulações têm de ser convocadas para se preparar para os voos.
A situação está cada vez mais desesperante nas áreas severamente danificadas da ilha central de Sulawesi, onde as pessoas estão a ficar sem comida, combustível e outros bens essenciais. O terremoto de magnitude 7,5 na sexta-feira e o tsunami causaram pelo menos 1.234 mortes, mas algumas áreas fora de Palu ainda não foram alcançadas.
A Indonésia assenta sobre o chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma zona de grande atividade sísmica e vulcânica onde, em cada ano, se registam cerca de 7.000 terramotos, a maioria moderados.
Entre 29 de junho e 19 de agosto, pelo menos 557 pessoas morreram e quase 400.000 ficaram deslocadas devido a quatro terramotos de magnitudes compreendidas entre 6,3 e 6,9, que sacudiram a ilha indonésia de Lombok.
Grande Exposição dos escultores Rui Chafes e Alberto Giacometti – entrada livre, a partir da prôxima quarta-feira, 03/10. Por Miguel Magalhães diretor da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris.
Charles Aznavour (1924-2018): “Sou um homem simples, um artesão, não sou uma estrela”
D.R.
Aquele que foi um dos últimos monstros sagrados da grande canção francesa, morreu durante a noite de domingo, aos 94 anos. Republicamos a entrevista que deu ao Expresso, em novembro de 2016, quando ainda compunha músicas e não dispensava a adrenalina dos concertos ao vivo.
Alfa/Expresso. Entrevista de Daniel Ribeiro (2016)
Escreveu mais de mil canções e vendeu mais de cem milhões de discos. Com 92 anos de idade, é a última grande estrela viva da chamada grande canção francesa. Já cantou praticamente em todo o mundo, menos na Turquia. É uma pessoa simples e não recorre a truques para escamotear os danos provocados pela idade. É um dos seus filhos que lhe coloca, à frente do jornalista, o aparelho auricular que lhe permitirá ouvir as perguntas. Assume a idade, é brincalhão e passa toda a entrevista bem-disposto, mesmo quando assume ter falhas de memória e informa que necessita de um ecrã de apoio no palco para não se enganar nas letras das canções durante os concertos. Esta é uma entrevista com um homem livre que apenas colocou um limite às perguntas: não falar de política francesa, agora que estamos a poucos meses das eleições presidenciais. De resto, falou de tudo sem problemas, designadamente das causas que mais lhe interessam: a música e a Arménia, o país onde nem primos nem avós do lado turco chegou a conhecer, devido ao genocídio dos arménios. Adorava Amália Rodrigues e Édith Piaf. Só gosta de canções com grandes textos e grandes vozes. E acha que Calouste Gulbenkian não deveria ter legado toda a sua colossal fortuna a Portugal, poderia também ter deixado uma pequena parte aos arménios. Charles Aznavour estava tão ansioso que começou a falar quando o jornalista ainda nem sequer se tinha sentado.
« Gosto mais da língua portuguesa do que da espanhola, mas falo melhor espanhol, porque o português é para mim mais próximo do italiano e do francês, e eu confundo-os. Mas conheço Portugal há muitos anos, mesmo muitos anos. »
Desde os anos 60?
Desde os anos 50, mesmo… Ia lá todos os anos.
Ia lá para quê? Cantar, passar férias?
Sobretudo para cantar e também porque gostava da comida e do país.
Na época, gostava muito de Amália Rodrigues…
Amália era uma amiga verdadeiramente próxima, entendíamo-nos muito bem, até gostávamos dos mesmos cantores brasileiros, e chegámos a estar juntos no Brasil, uma vez, pouco tempo depois de nos conhecermos. Ela foi buscar-me ao aeroporto do Rio de Janeiro com uma amiga brasileira. A primeira canção que ela interpretou em francês fui eu que lha escrevi.
Sim, ‘Ay, mourir pour toi’. Escreveu essa canção porque estava apaixonado por ela?
Estamos sempre apaixonados pelas pessoas que têm talento, mas com Amália não se tratava de amor sexual.
A vossa relação apenas ficou por aí, pela amizade?
Sim, mas era uma relação muito próxima. Eu podia abraçá-la, beijá-la, como se fosse uma irmã, e esse tipo de relação é frequentemente mais forte do que o amor. Era o que se costuma chamar em francês uma ‘amizade amorosa’.
Nesses anos 50/60 via-a muito, em Lisboa, Paris?
Sim, por vezes até no Líbano, no Egito… Cruzávamo-nos muito e cantámos uma vez juntos em Lyon.
Amália era uma pessoa importante para si, em termos da música e da voz?
Sim, foi importante, como Piaf foi importante. Eram duas grandes artistas.
Piaf tinha uma importância à parte…
Não, nessa época, ao princípio, não. Alguns anos depois é que se transformou em alguém mais particular.
E o fado era o quê para si?
Adorava. Escrevi a canção ‘Ay, mourir pour toi’ porque ouvi a palavra Mouraria. Gosto imenso de fado, sempre adorei o fado.
Então, ‘Ay, mourir pour toi’ tem a ver com Mouraria?
Sim, queria encontrar uma expressão que se aproximasse de Mouraria, palavra que me soava bem, e foi assim que surgiu esse título. Estive sempre apaixonado por Lisboa, gosto dos portugueses, são boas pessoas, bons trabalhadores, e sempre gostei das pessoas que trabalham bem.
Também há bons artistas…
Sim, só que eu não conhecia muitos artistas. Mas havia um que adorava, era o Alfredo Marceneiro, outro grande fadista.
Os portugueses acolheram igualmente um arménio, que se chamava Calouste Gulbenkian e que deixou uma fabulosa fortuna em Portugal. O que acha disso?
Deveria ter deixado também alguma coisa para os arménios. Penso que depois do genocídio arménio, com a guerra, deve ter sido muito bem recebido em Portugal, e por isso deixou lá tudo. Os meus pais também fizeram coisas espantosas em França. Esconderam judeus em nossa casa. Nós, os arménios, somos pessoas muito fiéis, e quando nos tratam bem nós também tratamos bem os outros.
Portanto, acha normal que ele deixasse essa fortuna colossal toda em Portugal.
Penso que deveria ter guardado um pouco para a Arménia, mas na época a Arménia era soviética, por isso não se pensava nela. Foi depois que se começou a pensar na Arménia. Até comigo aconteceu assim. Fiz muitas coisas pelo país, mas só depois da época soviética.
É embaixador da Arménia, talvez o maior dos grandes defensores da causa do seu país…
Sim, é o país das minhas raízes. Eu não tive avô nem avó, nem primos nem primas. Na minha família éramos apenas quatro: os meus pais, eu e a minha irmã. Depois, pouco a pouco, encontrámos outros arménios, não muitos… O meu pai era mais próximo dos russos.
Mas hoje o senhor é uma glória na Arménia, até tem lá uma estátua.
Tento ajudar o mais que posso. Quando soube que as mães não podiam lavar a roupa das crianças porque não havia eletricidade a horas fixas, fiz tudo para resolver esse problema, para que as mães soubessem que teriam eletricidade, por exemplo, às 13 horas durante uma hora, para poderem funcionar com as máquinas, para costurar, etc… Sim, sou uma pessoa muito próxima da Arménia.
É uma tragédia. Quem são os inimigos da Arménia? Os russos, os turcos?
Não temos inimigos, temos é pessoas que não querem reconhecer as suas faltas.
O genocídio?
Sim. Essas pessoas não são minhas inimigas, são inimigas delas próprias, porque a toda a hora lhes apontam o dedo dizendo: “Eis os assassinos.” Eu não tenho nada contra o povo turco, não vou dizer às novas gerações, que na época ainda nem tinham nascido, “vocês mataram a minha família”. O que desejava era que eles fossem tão abertos como eu sou.
Foi um verdadeiro genocídio.
Sim, foi. Toda a minha família do lado turco desapareceu, nunca ouvi falar deles, nunca nenhum deles foi encontrado.
Em criança, conheceu a pobreza em Paris, onde nasceu, com os seus pais?
Não éramos pobres nem infelizes, os meus pais trabalhavam. Os arménios têm isso em comum com os portugueses, sabem trabalhar e não receiam meter as mãos na massa. Os turcos também trabalham. Ao mesmo tempo que os critico por não reconhecerem o genocídio até chego a ter relações amigáveis com alguns turcos.
Quando alguém lhe diz “o senhor é um monstro sagrado da grande música francesa e internacional”, como é que reage?
Não acontece nada. Eu escrevo, não passo o tempo ao espelho a dizer “sou o maior”, tenho horror disso. Sou um homem simples, um artesão, não sou uma estrela, tenho a minha profissão, só encontrará neste escritório coisas sobre as canções. Gosto de literatura, de línguas estrangeiras, gosto de encontrar pessoas que aprendam coisas novas umas com as outras. É isso que me interessa.
Cantou em quase todos os países do mundo, vendeu milhões de discos…
E continuo a cantar, quase só não cantei na Turquia. Mas a questão não é essa do dinheiro, o que interessa é que o dinheiro sirva para qualquer coisa. Ajudei muito a Arménia, ajudei amigos e sei que nunca receberei essas ajudas de volta. O dinheiro nunca foi um motor para mim, o motor é sim a bela escrita.
‘La bohème’, por exemplo, como nasceu?
Não fui eu que escrevi a letra, foi um amigo, mas é uma das mais belas que tenho no meu reportório.
É uma das mais belas canções do mundo!
Bem, mas há outras.
Conheceu e foi amigo de gente famosíssima, como Édith Piaf…
Sim, sempre fui muito próximo das pessoas. Adorava Piaf, mas fui amigo também de Ray Charles, Frank Sinatra, Nina Simone, Charles Trenet, Maurice Chevalier, Amália…
E de Yves Montand?
Nunca fui muito amigo dele, apresentava-lhe projetos e ele recusava-os.
Demorou alguns anos a alcançar o sucesso. Qual foi o seu primeiro grande êxito?
Foi ‘Je m’voyais déjà’, uma canção que Yves Montand, precisamente, tinha recusado cantar. Tive muita sorte na minha vida. Muita gente não gostava de mim no início, durante muitos anos, nem a imprensa, mas as pessoas gostavam. O que aconteceu comigo é quase inimaginável, sabe? Como não gostavam de mim em França, decidi ir cantar para o estrangeiro, para os Estados Unidos, por exemplo… Lá também foi difícil, mas acabou por funcionar.
Tem uma longa vida, e desejo que seja ainda mais longa… Quando pensa no passado, pensa em quê?
O passado serve-me para escrever. Ainda há pouco tempo saiu um novo disco meu. Escrevo todos os dias, leio todos os dias, aprendo todos os dias, incluindo línguas estrangeiras, estudo…
Em Portugal, houve um cineasta, Manoel de Oliveira, que nunca deixou de trabalhar mesmo com mais de 100 anos…
Pois, eu sei… Eu acho que vou trabalhar ainda mais tempo. Estive duas vezes com a pessoa mais idosa do mundo, creio que tinha mais de 120 anos e bebia vinho e fumava um cigarro depois das refeições.
O senhor fuma?
Fumei até aos 47 anos três pacotes de Gauloises por dia.
Bebe álcool?
Também deixei de beber fora das refeições e aprendi a apreciar melhor o vinho às refeições.
Pode dizer-se que Piaf foi uma das suas verdadeiras grandes amigas?
Sim, e Amália também foi. Eram pessoas muito boas.
Um dia, Georges Moustaki, que já faleceu, disse-me que Édith Piaf o ajudou imenso a singrar na canção. Também o ajudou a si?
Verdadeiramente, não. Eu vivi em casa dela, ela gostava muito de mim, mas dava preferência aos seus apaixonados, esses estavam sempre em primeiro lugar. Mas mesmo assim uma vez disse-me: “Vais fazer uma grande carreira.” Mas não era na cama dela a que se referia…
O que vai apresentar no próximo concerto em Portugal? O reportório clássico?
Não tenho reportório clássico, misturo coisas novas com antigas.
Vai cantar ‘La bohème’, claro…
Bem, isso é o que eu chamo a descida aos infernos… Canto, mas também interpreto muitas coisas novas.
Francis Tsang/Getty Images
Há pouco cortei-lhe a palavra quando falava sobre Amália, dizia que ela era verdadeiramente sua amiga…
Para mim, era a Santa Amália. Falávamos de música, de arte… Conheci-a na Bélgica, no fim dos anos 50, ela cantava numa sala do primeiro andar e eu no rés do chão.
Como nasceu ‘Ay, mourir pour toi’? Foi o senhor que lhe propôs essa canção?
Não, foi ela que me disse um dia: “Gostaria de cantar uma canção em francês.” E eu disse-lhe: “Vou escrever uma para si.”
E inspirou-se na palavra Mouraria por que razão?
Pensava que estava relacionada com a morte e quando soube que não fartei-me de rir. Na realidade, foi a palavra que cantou no meu ouvido.
Tratavam-se por você?
Sim, eu sou assim, quando admiro muito as pessoas trato-as por você. Também tratava a Piaf por você.
Voltando a Calouste Gulbenkian. Senti uma certa mágoa sua quando lhe disse que ele deixou toda a sua fortuna a Portugal…
Sim, mas eu não sei tudo… Sei que há uma Fundação, mas não sei o que faz essa Fundação… Creio que há ou houve programas para apoiar arménios, bolsas de estudo, por exemplo. Isso seria importante. Em vez de construírem qualquer coisa na Arménia, uma ou duas casas, seria bom apoiarem com bolsas os estudantes que não podem estudar sem ajudas. Acho que já o fizeram no passado, mas não sei se o continuam a fazer. Para mim, a instrução é importante. Eu não estudei na escola, aprendi tudo sozinho na rua.
A grande canção francesa, com grandes textos, fortes composições musicais, grandes encenações, que o senhor representa tão bem, acabou?
Não, não acabou, porque continua a existir, mas evoluiu noutro sentido, porque os artistas agora gostam de trabalhar à moda da música americana e inglesa… Mas as pessoas continuam a apreciar os cantores que cantam em francês, sem dúvida, e esses, os que trabalham à moda americana, não dão a volta ao mundo, como eu dou, e canto sobretudo em francês. Por exemplo, vocês, em Portugal, também não têm necessidade de cantar à moda americana, têm o fado, que é uma canção bem específica. Nós não temos isso, temos os textos. Nunca se deve estragar as coisas importantes do passado. Mas, de qualquer modo, as coisas verdadeiramente importantes, fundamentais, voltam sempre. Vou adorar voltar a Lisboa, uma cidade de que gosto muito, incluindo a calçada e naturalmente a comida e os azulejos…
Porque é que continua com vontade de cantar em concertos, no estrangeiro, por exemplo?
Certamente porque sou um pouco aventureiro, gosto de correr riscos. Comecei assim a carreira e assim continuarei. Aliás, alguns dos países estrangeiros onde comecei a cantar foram precisamente a Espanha e Portugal.
Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 26 de novembro de 2016
O cantor e compositor Charles Aznavour, de 94 anos, morreu na noite de domingo, disse hoje o seu assessor de imprensa, à agência francesa de notícias, AFP.
Aznavour, segundo a AFP, morreu no seu domicílio, em Alpilles, na Provença, no sul de França.
Charles Aznavour atuou a 10 de dezembro de 2016, em Lisboa, no então Meo Arena, atual Altice Arena, culminando uma digressão internacional, que passara por mais de uma dezena de cidades. O cantor e compositor escreveu um fado para Amália Rodrigues, « Aïe mourir pour toi », por quem confessara um profunda admiração e amizade.
Em 2007, gravou com a cabo-verdiana Mayra Andrade a canção “Je danse avec l’amour”.
Charles Aznavour tinha já atuado em 2008 em Portugal, ano em que recebeu a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores, e em que anunciara a sua retirada dos palcos, tendo realizado uma digressão mundial.
Cantor, ator e compositor francês de origem arménia, apontado pela imprensa como uma “lenda viva da ‘chanson française’”, Charles Aznavour editou, em 2015, o álbum “Encores”, composto por inéditos de sua autoria, entre os quais uma homenagem a Edith Piaf e uma recriação de Nina Simone, tendo atuado, na altura, em cidades como Paris, Londres, Bruxelas e São Petersburgo, entre outras, num total de 12 concertos.
Todas as canções do álbum, à exceção de “You’ve got to learn”, foram escritas e compostas por Aznavour, que fez os arranjos para a sua voz, sendo a orquestração de Jean-Pascal Beintus.
Com uma carreira de mais de 70 anos, Charles Aznavour escreveu mais de mil canções em francês, inglês, italiano, espanhol e alemão, vendeu mais de 180 milhões de discos, tendo partilhado o palco com cantores como Edith Piaf, Charles Trenet, Dalida e Yves Montand, entre muitos outros.
“Poucos são os franceses referenciados como influência por artistas tão díspares como Frank Sinatra ou Fred Astaire, Sting ou Elvis Costello, Bob Dylan ou Dr.Dré, magnata do ‘hip hop’, que ‘samplou’ um tema de Aznavour de 1966, ‘Parce que tu crois’ », num dos seus maiores sucessos, recordou a produtora do derradeiro espetáculo de Aznavour em Portugal.
Bryan Ferry, Elton John, Carole King, Paul Anka, Frank Sinatra, Dean Martin, Sting, Marc Almond, Herbert Gronemeyer, Simone de Oliveira e Laura Pausini são alguns dos artistas não franceses que gravaram temas de Aznavour, além de Amália Rodrigues por quem o cantor nutria uma admiração e de quem era amigo, como afirmou em várias entrevistas.
O crítico musical Stephen Holden, da revista norte-americana Rolling Stone, descreveu Aznavour como uma “divindade pop francesa”.
Em 1998, Aznavour foi eleito “Entertainer of the century” pelos consumidores de marcas globais de media, como a CNN e a Time Online, somando 18% das preferências mundiais e superando Bob Dylan e Elvis Presley.
De origem arménia, o músico fundou a organização não-governamental Aznavour For Arménia, como resposta ao terramoto naquele país, em 1988.
Em 1997, a França reconheceu o papel do músico na história da canção francesa, distinguindo-o com o grau de Oficial da Legião de Honra.
Aznavour foi embaixador permanente da organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), e o Estado da Arménia concedeu-lhe, em 2008, a nacionalidade arménia.
Anteriormente, o cantor tinha recebido a Ordem da Pátria, a mais alta condecoração da antiga república soviética e uma das praças da capital, Yerevan, tem o seu nome.
Já há acordo Governo-ANA para avançar com um novo aeroporto civil no Montijo e para fazer obras de alargamento e remodelação no aeroporto Humberto Delgado (Portela). Investimento global nas duas aerogares será de mil milhões de euros e o Estado não gastará um cêntimo.
A notícia foi dada na noite de domingo por Marques Mendes, no seu habitual espaço no Jornal da Noite, na SIC. O comentador garante que o Estado não gastará um cêntimo, arcando a ANA com os mil milhões de investimento, a troco de um prolongamento da concessão.
O acordo entre o Governo e a ANA, para viabilizar o aeroporto do Montijo, já está selado – segundo informou Marques Mendes.
« A cerimónia pública da assinatura deverá realizar-se na primeira quinzena de Outubro », acrescentou.
Segundo o comentador da SIC, o Estado não gasta um cêntimo, pois os mil milhões de euros necessários (para adaptar o Montijo à aviação civil e, também, ampliar a pista de Lisboa) serão assumidos pela empresa concessionária dos aeroportos.
« A ANA assegurará o investimento total, o qual será compensado com o alargamento da concessão inicial », afirmou Marques Mendes. As obras estarão terminadas sem 2022.
« Dentro de duas ou três semanas haverá a assinatura pública do acordo para tudo estar concluído em 2022 », revelou o ex-líder do PSD, anunciando que no caso da Portela, a capacidade aumentará em 20%.
O atual aeroporto internacional da Portela encontra-se saturado, devido ao crescimento do número de turistas que visitam o país nos últimos anos.
O Sporting de Braga subiu hoje à liderança da I Liga portuguesa de futebol, ao vencer em casa do Belenenses, por 3-0, em jogo da sexta jornada, disputado no Estádio Nacional.
Wilson Eduardo, aos 27 e 68 minutos, o segundo de grande penalidade, e Ricardo Horta, aos 34, marcaram os golos do Sporting de Braga, que ascendeu ao primeiro lugar do campeonato, com 16 pontos, mais um do que o FC Porto e dois do que o Benfica.
O Belenenses, que somou o quinto encontro consecutivo sem vencer, está no 12.º lugar, com seis pontos.
Resultados da sexta jornada da I Liga:
– Quinta-feira, 27 set:
Desportivo de Chaves – Benfica, 2-2 (0-1 ao intervalo)
– Sexta-feira, 28 set:
FC Porto – Tondela, 1-0 (0-0)
– Sábado, 29 set:
Moreirense – Feirense, 1-0 (0-0)
Rio Ave – Boavista, 2-1 (2-0)
Sporting – Marítimo, 2-0 (2-0)
– Domingo, 30 set:
Nacional – Santa Clara, 0-3 (0-1)
Vitória de Guimarães – Vitória de Setúbal, 1-1 (0-0)
O Lille venceu o Marselha por 3-0 no jogo que encerrou a oitava jornada da liga francesa de futebol.
A estreia de Rafael Leão pela formação de Galtier, foi o principal destaque entre os portugueses, que teve também Xeka e José Fonte como titulares e Edgar Ié como suplente utilizado.
Bamba foi a grande figura da partida ao bisar nos minutos finais da partida (86’ e 89’), selando uma vitória que Pépé (65’) começou a dar corpo com a marcação de uma grande penalidade.
Com este resultado, o Lille sobe ao segundo lugar com 16 pontos, menos oito pontos que o líder PSG. O Marselha é sexto classificado com 13 pontos.
Resultados da oitava jornada da Liga Francesa de Futebol:
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