Lusodescendente David Valadão enfrenta democrata em distrito crítico na Califórnia
O republicano lusodescendente David Valadão avançou hoje nas primárias para as eleições de novembro e vai enfrentar o candidato democrata Rudy Salas no 22º distrito da Califórnia, corrida com margens apertadas que será crítica para o controlo do Congresso.
Valadão, congressista incumbente deste distrito do vale central da Califórnia onde há uma forte comunidade portuguesa, foi o candidato mais votado nas primárias: obteve 33% da votação (18.084 votos) contra os 30,6% de Rudy Salas (16.762 votos).
Para trás ficaram o republicano Christ Mathys, um apoiante do ex-presidente Donald Trump que procurou destronar Valadão, e a democrata Melissa Hurtado, que montou um desafio inesperado a Rudy Salas.
Valadão foi um dos 10 congressistas republicanos que votaram a favor do segundo ‘impeachment’ de Donald Trump, após a invasão do Capitólio a 06 de janeiro de 2021, o que o tornou controverso dentro do partido e motivou o desafio de Chris Mathys.
“Sinto-me mais uma vez humilde por receber o apoio de tantos eleitores no vale central”, reagiu David Valadão à vitória nas primárias, através da sua conta na rede social X. “Vou continuar a trabalhar duramente para ganhar o vosso apoio outra vez em novembro”.
O 22º distrito tem flutuado entre republicanos e democratas nos últimos anos, o que o torna importante porque pode cair para qualquer um dos lados e ser decisivo no controlo da Câmara dos Representantes. A maioria republicana é muito curta neste momento e nas eleições de novembro uma vitória democrata contra Valadão pode ajudar à reviravolta.
Foi isso que quase aconteceu nas intercalares de 2022, quando Rudy Salas ficou perto de conseguir tirar o assento a David Valadão. O lusodescendente venceu por 3.132 votos, o equivalente a 51,5% do total, contra 48,5% do democrata.
Agora, a eleição geral “é uma corrida que tem de se ganhar para virar o controlo da Câmara”, escreveu Salas no X, em reação aos resultados finais das primárias, anunciados hoje. “O caminho para uma maioria na Câmara passa pelo vale e pela CA22”, disse noutra publicação.
David Valadão continua a ter o apoio da comunidade luso-americana do vale central, uma região maioritariamente rural onde questões como a seca e o acesso a água para cultivo dominam a política local.
No entanto, os democratas acreditam que é possível vencer no distrito, à semelhança do que aconteceu em 2018, quando TJ Cox ultrapassou o lusodescendente e conseguiu o assento na Câmara dos Representantes. Valadão voltaria a ser reeleito em 2020 e 2022, mas as margens entre candidatos têm vindo a diminuir.
As eleições gerais estão marcadas para 05 de novembro de 2024.
Eleições: Votos dos emigrantes aumentam quase dois terços em relação a 2022
Os votos dos emigrantes portugueses recebidos até ontem aumentaram quase dois terços em relação às eleições legislativas de 2022, segundo dados da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Os votos dos emigrantes portugueses irão resultar na eleição de quatro deputados, que poderão influenciar o resultado final deste ato eleitoral, uma vez que a AD elegeu 79 deputados e o PS 77.
Dos mais de 1,5 milhões de cartas enviadas por Portugal para estes eleitores, desde 04 de fevereiro, foram recebidas até hoje 211.855 cartas resposta, remetidas pelos eleitores residentes no estrangeiro.
As cartas com os boletins de voto começaram a chegar no dia 20 de fevereiro e a maior parte foi enviada a partir da Europa 186.100 (88%), seguindo-se a América (21.471, 10%), África (3.404, 2%) e Ásia e Oceânia (880).
As 211.855 cartas recebidas representam 13,74% das cartas enviadas.
Em relação às eleições de 2022, quando no mesmo período tinham chegado 128.793 cartas, representando 8,48% das cartas enviadas, os números ontem apurados dão conta de um aumento de quase dois terços (64,49%).
A produção prevista de 1.541.295 cartas de envio para 189 destinos, iniciou-se no dia 04 de fevereiro, tendo a primeira sido enviada a 05 de fevereiro e a última a 12 de fevereiro. A 12 de fevereiro, foram expedidas mais 578 cartas de envio, das quais 171 foram expedições adicionais resultantes de reclamações procedentes e 407 pedidos de segundas vias. As expedições posteriores terminaram no resto do mundo, a 04 de março, e na Europa, no dia 07 de março.
Cada carta de envio continha no seu interior um boletim de voto do respetivo círculo eleitoral, um envelope de cor verde, para ser colocado o boletim de voto após a votação, um envelope branco (envelope de resposta, com franquia paga) e um folheto com as instruções de preenchimento e devolução (em português, inglês e francês).
No boletim, o eleitor devia assinalar com uma cruz a opção de voto, dobrá-lo em quatro e colocá-lo dentro do envelope de cor verde (sem quaisquer indicações ou documentos) e fechá-lo. Depois, introduzir o envelope de cor verde no envelope de cor branca, juntamente com uma cópia do cartão de cidadão ou do bilhete de identidade e, depois de fechado, enviá-lo pelo correio antes do dia da eleição.
Nos dias 18, 19 e 20 de março serão recolhidos e contados os votos destes emigrantes, com o resultado da sua votação a estar agendada para o final do dia 20.
Só depois dessa data, e de ouvir os partidos com representação parlamentar, o Presidente da República indigitará o novo primeiro-ministro.
A Aliança Democrática (AD), que junta PSD, CDS e PPM, com 29,49% dos votos apurados, conseguiu 79 deputados na Assembleia da República, nas eleições legislativas de domingo, contra 77 do PS (28,66%), seguindo-se o Chega com 48 deputados eleitos (18,06%).
A IL, com oito lugares, o BE, com cinco, e o PAN, com um, mantiveram o número de deputados. O Livre passou de um para quatro eleitos enquanto a CDU perdeu dois lugares e ficou com quatro deputados.
O Al Hilal, de Jorge Jesus, somou hoje a 28ª vitória consecutiva, ficando a solo com o recorde mundial, ao vencer no reduto do Al-Ittihad por 2-0, qualificando-se para as meias-finais da Liga dos Campeões asiática de futebol.
Na segunda mão dos ‘quartos’, a formação saudita, que já tinha vencido em casa por 2-0, manteve o trajeto 100% vitorioso desde 25 de setembro de 2023, entre campeonato (16 jogos), ‘Champions’ asiática (nove) e Taça da Arábia Saudita (três), e superou os 27 triunfos seguidos dos galeses do The New Saints, em 2016/17.
Yasir Al Shahrani, aos 61 minutos, e o brasileiro Malcom, aos 90+5, marcaram os tentos do Al Hilal, que vai defrontar nas meias-finais o Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos, ‘carrasco’ do Al Nassr, de Luís Castro, Cristiano Ronaldo e Otávio.
O FC Porto foi hoje eliminado nos oitavos de final da Liga dos Campeões de futebol, ao ser derrotado pelo Arsenal, por 4-2, no desempate por grandes penalidades, após ter perdido por 1-0 na segunda mão dos ‘oitavos’.
Depois de ter vencido a primeira mão por 1-0, os ‘dragões’ viram o Arsenal empatar por Trossard, aos 41 minutos, marcando apenas dois dos seus penáltis – falharam Wendell e Galeno -, contra quatro dos ‘gunners’.
O Arsenal, que regressa aos quartos de final pela primeira vez desde 2009/10, junta-se a FC Barcelona, Bayern Munique, Real Madrid, Manchester City e Paris Saint-Germain no lote de apurados.
– Terça-feira, 12 mar:
(+) Arsenal, Ing – FC Porto, Por, 1-0, 4-2 gp (Trossard 41)
(+) FC Barcelona, Esp – Nápoles, Ita, 3-1 (Fermín 15, João Cancelo 17, Lewandowski 83 / Rrahmani 30)
– Quarta-feira, 13 mar:
Atlético de Madrid, Esp – Inter Milão, Ita, 21:00
Borussia Dortmund, Ale – PSV Eindhoven, Hol, 21:00
Francisco Fanhais, ex sacerdote e cantor, opositor ao regime salazarista e resistente exilado, feito Oficial da Ordem da Liberdade em 1995, participou na gravação da Grândola Vila Morena em 1971. O antifascista de 82 anos, assumidamente contra a guerra colonial, conta-nos a sua história.
Quais são os primórdios da Grândola? Tudo começou em 1964. Durante a ditadura de António de Oliveira Salazar havia (e ainda há) no município de Grândola, distrito de Setúbal, a Sociedade Musical de Fraternidade Operária Grandolense – também conhecida como Música Velha. Fundada no dia 1 de Maio de 1912, esta associação fazia contraponto a toda a situação que se vivia no Portugal ditatorial. Pois, durante o Estado Novo, a SMFOG desenvolveu uma dinâmica cultural de enorme relevância no panorama local, destacando-se as iniciativas promotoras da liberdade, da fraternidade, da amizade e da democracia. Nas décadas de 1960 e 1970 foram promovidos espetáculos, encontros e conferências com a presença de importantes figuras da oposição ao regime.
No dia 17 de maio de 1964, a SMFOG convidou José Afonso – acompanhado do Carlos Paredes e do Fernando Alvim. O artista gostou tanto de lá ter ido que começou a idealizar e escreveu um poema: Grândola Vila Morena. Compôs a música, escreveu a letra e em 1971 gravou-a nos arredores de Paris – bem como o álbum todo, Cantigas de Maio – com o produtor José Mario Branco, o guitarrista Carlos Correia e o amigo Francisco Fanhais no Château d’Hérouville. Grândola é uma música inspirada nos trabalhadores dos campos no Alentejo que arrastam os pés de cansaço ao regressar à casa, e passou a ser o emblema da Revolução dos Cravos. A canção construída com os fundamentos corais e a rítmica do cante alentejano é hoje um monumento. A história da gravação – nomeadamente a dos passos na gravilha, às três da manhã, no frio de uma noite de inverno – é bastante caricata e merece ser ouvida mais acima.
Grândola Vila Morena foi difundida à 00h20 do dia 25 de Abril de 1974 na Rádio Renascença, dando assim sinal às forças armadas para derrubar a ditadura salazarista. Antes, às 23h, tinha sido a Depois do Adeus do Paulo de Carvalho que preparou os militares do país inteiro a sair. « Calculo a pressão enorme, a ansiedade, o estado de espirito de todos aqueles que estavam implicados na revolução do 25 de Abril, imagino a tensão que não há de ter sido naquela hora e vinte entre a música do Paulo de Carvalho e a Grândola » confessou Francisco Fanhais.
Foi em 1963, ainda no seminário de Almada, que Francisco Fanhais descobriu a obra musical do Zeca Afonso. Quase as escondidas – « porque até nos seminários as paredes tinham ouvidos » –, aquele EP a tocar no seu « gira disco de plástico mais antigo » foi como « uma janela que se abre para qualquer coisa de diferente ». Um primeiro encontro estritamente musical. Daí a sua vontade grande de conhecer o José Afonso. O que aconteceu no dia 28 de Dezembro de 1968, na freguesia das Lapas, concelho de Torres Novas, durante um encontro cultural nas grutas da povoação organizado por Fernando Cunha. Nesse dia – documentado por um relatório da PIDE – Francisco Fanhais acabou por conhecer pessoalmente José Afonso. Uma amizade eterna nasceu então. Uma amizade que a música uniu e jamais separará.
Muito rapidamente, Francisco Fanhais foi impedido de dar aulas, ele que era professor de religião e moral no liceu local da paróquia do Barreiro. Foi também suspenso das suas funções de padre, por ter participado na celebração da missa de casamento de José Felicidade Alves, um ex padre que o cardeal Gonçalves Cerejeira tinha suspendido do ministério. Enfim, foi impedido definitivamente de cantar os discos que gravou em Portugal: Cantilena em 1969 e Canções da Cidade Nova em 1970.
Por estar proibido de dar aulas, de ser padre e de cantar, exilou-se em Paris entre 1971 e 1974. Foi para França « à boleia com Zeca Afonso ». Por cá, Francisco Fanhais participava em concertos junto de comunidades de emigrantes portugueses, com a ajuda cúmplice do José Mario Branco. Assim ia ganhando a vida e despertando as consciências. Desenvolveu também a atividade de locutor de rádio e actor com Richard Demarcy e Teresa Mota.
Francisco Fanhais regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, prosseguindo a carreira como cantor em sessões de apoio a cooperativas agrícolas, comissões de trabalhadores e de moradores, assim como nas campanhas de Dinamização Cultural. Pertenceu ao grupo fundador da Era Nova – Cooperativa de Ação Cultural. Em 1984, fixou-se no Alvito, dedicando-se ao ensino de Educação Musical. A 9 de junho de 1995, foi feito Oficial da Ordem da Liberdade por ocasião das comemorações do Dia de Portugal.
Estamos a fazer 50 anos agora: é o ano I dos outros 50 anos até ao centenário. Podemos dizer que estamos então no ano I de retomar as conquistas de Abril, de mobilizar novas forças, de readquirirmos coragem. A esperança é a última a morrer.
Quando se fala nas eleições legislativas de Março de 2024, Francisco Fanhais evoca desgosto e « frustração muito forte ». « Sabemos que há muitos deputados do Chega que têm processos criminais pendentes » relembrou o cantor. E que os deputados extremistas relevam de uma « ideologia xenófoba e racista ». « Quem é que imaginava, há dois ou três anos, que estas eleições iam dar no que deu? Vamos ver mas esta situação não é nada agradável » salientou Francisco Fanhais.
A situação política criada atualmente é um apelo grande aos desejos de continuar as conquistas de Abril, de não baixar os braços. « O homem tem de viver com um pé na primavera » e de todas as formas, « este caminho não é reto ». Francisco Fanhais acaba por citar a Maria de Lourdes Pintassilgo: « nunca ninguém levantou voo que não fosse contra o vento ».
Portanto é contra ventos e marés que temos de nos preparar para manter vivas as aspirações de Abril. 25 de Abril, sempre!
Um programa de Manuel Alexandre com Armindo Faria, Marco Martins e Eric Mendes. Atualidade Desportiva, Entrevistas, Comentários, Crónicas e Reportagens.
Tribuna Desportiva é um programa desportivo da Rádio Alfa e um dos mais antigos da nossa Rádio. Acontece às Segundas, entre as 21h e as 23h e tem redifusão às zero horas, na noite de quarta para quinta-feira.
Primeira hora:
Segunda hora:
Foto. Arthur Gomes, ex-jogador internacional francês (Râguebi)
O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, começou nesta terça-feira, 12/03, a receber os diversos partidos que elegeram deputados (sabendo que ainda não foram contados os votos dos círculos da emigração e, portanto, os resultados finais das eleições ainda não são conhecidos).
O PR vai receber (lentamente) um partido por dia até ao dia 20, quando forem conhecidos os resultados no estrangeiro, altura em que receberá a AD, que foi a coligação vencedora tangencial no dia 10 de março.
Este longo prazo dá jeito a Marcelo porque lhe proporciona algum tempo para refletir nos resultados eleitorais que deixaram quase tudo em aberto e muito incerto, quer em termos de previsibilidade quer em termos da formação de um novo Governo.
Para conseguir uma maioria na Assembleia da República, a AD de Luís Montenegro, que ganhou por pouco no domingo passado em relação ao PS de Pedro Nuno Santos, necessitaria de negociar com o Chega, de André Ventura, que foi certamente um dos grandes vencedores de domingo passado.
Mas tudo parece, por agora, muito complicado porque Montenegro voltou a repetir « não, é não! » quando foi interrogado sobre uma eventual coligação governamental com Ventura.
Nesta altura (terça-feira, 12/03) decorrem contactos de bastidores entre os diversos atores políticos portugueses e o tempo é do Presidente, que está sem dúvida perante um grande e complicado quebra-cabeças político. Veremos o que acontecerá nos próximos dias.
A votação no Chega – mais de um milhão de votos – terá de ser tomada em conta por Marcelo Rebelo de Sousa, que foi no passado um reputado analista político.
Como escreveu um jornal francês, as eleições portuguesas revelaram um Portugal fragmentado.
Veremos no que dará este « tempo de reflexão » que a contagem dos votos dos emigrantes proporciona ao PR Marcelo.
Contudo, nada é de excluir a breve prazo, incluindo novas eleições dentro de poucos meses.
Jogos Olímpicos Paris2024: Portugueses enfrentarão controlos mais estritos para serem elegíveis no atletismo
Os atletas portugueses enfrentarão controlos antidoping mais estritos fora de competição para serem elegíveis para os Jogos Olímpicos Paris2024, aprovou o conselho da World Athletics, após recomendação da Unidade de Integridade do Atletismo (AIU).
“Atletas do Brasil, Equador, Peru e Portugal enfrentarão controlos mais estritos fora de competição para serem elegíveis para os Jogos Olímpicos Paris2024, após o conselho da World Athletics ter aprovado a recomendação da direção da Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) para impor critérios mais apertados de testes nestas federações antes dos Jogos Olímpicos”, lê-se em comunicado da AIU.
Na nota, a autoridade antidopagem revela que as quatro federações, entre as quais a Federação Portuguesa de Atletismo, receberam “avisos claros” por parte da AIU sobre a “insuficiência dos seus programas nacionais de testes [antidoping] depois dos Mundiais de Atletismo Eugene2022”.
“Os quatro falharam ao assegurar a existência de testes fora de competição para as suas seleções nos Campeonatos do Mundo seguintes, em Budapeste2023. Consequentemente, o conselho aceitou o apelo da AIU para que as quatro federações imponham condições de elegibilidade aos seus atletas para que possam participar em Paris2024”, acrescenta o comunicado.
Como condições, a autoridade antidopagem começa por indicar que, “nos 10 meses anteriores a 04 de julho de 2024, cada atleta tenha de ser submetido a pelo menos três controlos (de urina e sangue) fora de competição, incluindo um controlo para o passaporte biológico e outro de deteção de EPO em qualquer prova a partir dos 800 metros”.
“Os três controlos surpresa têm de ser realizados com pelo menos três semanas de intervalo. O primeiro dos três controlos fora de competição tem de ter sido efetuado nunca antes de 19 de maio de 2024”, enumera a AIU.
A autoridade esclarece que estes “testes obrigatórios afetarão atletas que não estejam registados no controlo da AIU”.
Contactado pela agência Lusa, o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo remeteu os comentários para mais tarde.
Eleições: PR Marcelo indigita primeiro-ministro depois de conhecidos resultados da emigração
O Presidente da República vai indigitar o primeiro-ministro depois de conhecidos os resultados da emigração, que segundo o mapa calendário da CNE serão apurados no dia 20, precisamente a data em que receberá a coligação AD.
« Depois de conhecidos os resultados dos círculos das comunidades portugueses no estrangeiro, o Presidente da República indigitará o novo primeiro-ministro », lê-se numa nota hoje publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet.
Na mesma nota, o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, comunicou que irá ouvir a partir desta terça-feira os partidos e coligações que obtiveram representação parlamentar nas eleições legislativas antecipadas de domingo, um em cada dia, começando pelo PAN e terminando na AD, em 20 de março.
De acordo com o artigo 111.º-A da Lei Eleitoral para a Assembleia da República, o apuramento geral dos resultados em cada círculo eleitoral terá de estar concluído « até ao 10.º dia posterior à eleição ».
Nos termos da lei, o mapa calendário da Comissão Nacional de Eleições (CNE) indica que será no dia 20 de março que as assembleias de recolha e contagem de votos dos eleitores residentes no estrangeiro irão iniciar os seus trabalhos, às 09:00, em local fixado pela administração eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.
Os círculos eleitorais da emigração, da Europa e de Fora da Europa, elegem cada um dois deputados.
Concluído esse apuramento – que nem sempre tem terminado no próprio dia –, a CNE dispõe de oito dias a contar da receção das atas de apuramento geral de todos os círculos eleitorais para elaborar e fazer publicar em Diário da República o mapa oficial com os resultados das eleições. Este último prazo não tem sido habitualmente esgotado.
O artigo 187.ª da Constituição da República Portuguesa estabelece que « o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais ».
Tendo em vista a indigitação do primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa irá ouvir na terça-feira o PAN, na quarta o Livre, na quinta-feira a coligação CDU (PCP/PEV), na sexta-feira o BE e no sábado a Iniciativa Liberal. Na próxima semana, ouvirá no dia 18 o Chega, no dia 19 o PS e no dia 20 a coligação AD (PSD/CDS-PP/PPM).
Em território nacional, de acordo com os resultados provisórios, a coligação Aliança Democrática (AD) formada por PSD, CDS-PP e PPM, que concorreu no continente e nos Açores, obteve 1.757.879 votos, 28,63% do total, e elegeu 76 deputados.
Somando a estes resultados os três eleitos e 52.992 votos obtidos na Madeira por PSD e CDS-PP, que concorreram juntos nesta região, sem o PPM, através da coligação Madeira Primeiro, dá um total de 1.810.871 votos, 29,49% do total, e 79 mandatos – 77 do PSD e 2 do CDS-PP.
O PS obteve 1.759.937 votos, 28,66%, e elegeu 77 deputados.
Em terceiro lugar, ficou o Chega, com 18,06% dos votos e 48 eleitos, seguindo-se a IL com 5,08% e oito deputados, o BE, com 4,46% e cinco eleitos, a CDU, que com 3,30% elegeu quatro deputados do PCP, o Livre, com 3,26% e também quatro deputados, e o PAN, com 1,93% e um deputado.
13, 17 e 21 de MARÇO: JOÃO CÉU E SILVA, autor de “O GENERAL QUE COMEÇOU O 25 DE ABRIL DOIS MESES ANTES DOS CAPITÃES”
O LIVRO DA SEMANA, às quartas (13h30), aos domingos (14h30) e às quintas (03h). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.
Ouça aqui:
A pouco mais de um mês de atingirmos meio século de Democracia em Portugal, nascida, como se sabe, a 25 de abril de 1974, falaremos de dois livros. Ou melhor, falaremos da biografia de um livro que foi um dos maiores fenómenos editoriais portugueses dos últimos 50 anos.
Essa biografia, publicada no mês passado, tem o longo título “O General que Começou o 25 de Abril Dois Meses Antes dos Capitães” e é da autoria de João Céu e Silva, um dos mais polivalentes autores portugueses.
“O General que Começou o 25 de Abril Dois Meses Antes dos Capitães” é a análise exaustiva do impacto que teve um outro livro no espoletar da Revolução do 25 de Abril. E esse livro é o célebre “Portugal e o futuro” da autoria do general António de Spínola, publicado dois meses antes da Revolução e que vendeu mais de 200 mil exemplares. Com o subtítulo “análise da conjuntura nacional”, Spínola contrariava um dos axiomas do regime fascista português: “a Pátria não se discute, defende-se”.
Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com João Céu e Silva e descubra um homem, Spínola, que ousou “discutir a Pátria”.
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