Qual é a razão? Há mais incêndios em Portugal do que em Espanha, França, Itália e Grécia – todos juntos

Nos últimos 30 dias, Portugal registou 13 grandes incêndios, quase tantos como em todo o ano de 2018, quando foram registados 15. No total, arderam neste período 14.087 hectares, mais do que em Espanha, França, Itália e Grécia juntos. Portugal com mais “grandes fogos” num mês do que toda a Europa mediterrânica

<span class="creditofoto">Foto Tiago Miranda</span>

FOTO TIAGO MIRANDA

Alfa/Expresso

O maior incêndio deste ano em toda a Europa foi o que a 20 de julho queimou 9924 hectares entre Mação e Vila de Rei. Considerado um “grande fogo” – são assim qualificados os incêndios em que ardem mais de 100 hectares – foi um dos 13 fogos desta categoria registados em Portugal no último mês, de 5 de julho a 5 de agosto.

O último destes “grandes fogos” ocorreu este domingo, em Martinchel, no Médio Tejo, onde arderam 384 hectares. Só em agosto já se registaram mais dois destes incêndios: na Bendada, na Beira Interior, onde arderam 259 hectares; e em Marvão, no Alentejo, que responde por 775 hectares de área ardida.

Em julho registaram-se os outros 11 grandes fogos do ano. No total estes 13 grandes incêndios consumiram 14.087 hectares de áreas florestais. Espanha registou 17 destes incêndios, com 7514 hectares de área ardida; França teve 4, com 1317 hectares; em Itália foram 11, nos quais arderam 3760 hectares; e na Grécia 3, com 1274 hectares. Mas há uma diferença em relação a Portugal: a área ardida nos “grandes incêndios” é sempre superior aos outros países do Mediterrâneo comparáveis, em orografia, floresta e clima, com Portugal. Por exemplo o maior incêndio de Espanha neste período, o de Cuenca a 31 de julho, consumiu “apenas” 2320 hectares.

MAIOR PROBLEMA É COMBATE ESTAR “MUITO PRESO À ÁGUA”

A presença de Portugal nesta estatística “é sistemática”, constata Paulo Fernandes, diretor do Laboratório de Fogos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que a justifica com “uma combinação de vegetação, topografia e clima”. Mas a presença de “muita biomassa em regiões com uma orografia difícil e sujeitas ainda a secura e ventos fortes” não explica tudo. “Os fogos em Portugal têm maior área ardida porque o país tem um elevado número de ignições, o que obriga a uma maior dispersão de meios que impede combates robustecidos”, diz o especialista.

A agravar o problema está também “a técnica usada no combate, muito presa à água, com fogos que reclamam mais maquinaria e materiais sapadores”.

Paulo Fernandes dá o exemplo da Catalunha em que o maior fogo do ano, a 27 de junho, consumiu seis mil e 500 hectares de floresta em quatro dias. Porém, em Portugal, “o fogo de Vila de Rei e Mação consumiu 9924 hectares em apenas 3 dias”.

A diferença foi “um maior uso de maquinaria, com buldozeres e táticas de contrafogo que permitam extinguir o incêndio, com condições mais violentas e mais rápido, em menos tempo”. Há ainda um outro fator a explicar a estatística. “A consolidação do perímetro, que precisa de ser melhorada. Em Vila de Rei e Monchique, este ano e no ano passado, a consolidação da extinção foi feita de forma frágil, o que permitiu inúmeras reativações, que continuaram a projetar o incêndio e a prolongar a área ardida”.

Notre-Dame. Poluição com chumbo. Associações reclamam descontaminação nos bairros vizinhos

O incêndio em Notre Dame, em abril deste ano, deixou rastos importantes de contaminação por chumbo que são preocupantes.
Associações reclamam um processo de descontaminação em todo este vasto quarteirão central e nos dos arredores, que são dos mais visitados de Paris.A Cãmara de capital deverá revelar novo dados sobre os níveis de contaminação hoje, terça-feira, 06.
De acordo com dados disponíveis, cerca de 400 toneladas do metal volatilizaram-se em nuvens de partículas tóxicas, e ameaçam a saúde de moradores e turistas.
Um grupo de associações denuncia a ausência de medidas sanitárias por parte das autoridades na noite do incêndio e a falta de informações aos moradores nas semanas seguintes. E algumas pedem que a Catedral seja inteiramente coberta para que a poluição não se agrave.
« De cada vez que há vento forte, as poeiras vão distribuir-se pelos arredores, em Paris », afirma Annie Thébaud-Mony, investigadora em sociologia da saúde que diz que já foram registados níveis elevados de poluição no jardim do Luxemburgo.A câmara de Paris rejeita a solução de cobrir a catedral.No entanto, os residentes da zona foram aconselhados a fazerem limpezas aprofundadas das suas casas e duas escolas primárias foram fechadas por precaução antes das férias.Taxas de chumbo elevadas foram registadas à volta da Notre-Dame, mas também em bairros vizinhos, bem superiores aos níveis de referência que são de 5000 microgramas/m2. Uma Associação das famílias vítimas do saturnismo, a doença causada por intoxicação por chumbo no organismo, distribuiu um comunicado aos habitantes e comerciantes mas, no geral, as pessoas dizem confiar nas autoridades.

Em toda a zona  à volta da Catedral há comércios, lojas, cafés e restaurantes que continuam a ser muito frequentados por franceses e turistas de todo o mundo. Os comerciantes dizem que nos dias que se seguiram ao incêndio havia muita poeira nas bancas, mas minimizam porque, dizem: « as consequências serão a longo prazo ».

 

 

Volta a Portugal. Marco Tizza vence isolado na Guarda, Veloso segura liderança

O italiano Marco Tizza (Amore & Vita-Prodir) venceu hoje isolado a quinta etapa da Volta a Portugal em bicicleta, na Guarda, onde o espanhol Gustavo Veloso (W52-FC Porto) segurou a liderança da corrida.

Tizza assegurou o segundo triunfo na competição para a equipa, depois da vitória de Davide Appollonio na primeira etapa, ao concluir os 158 quilómetros desde Oliveira do Hospital em 4:02.53 horas, menos 11 segundos do que o espanhol Alejandro Marque (Sporting-Tavira), que também se destacou do pelotão e terminou em segundo lugar, e menos 23 do que o australiano Zak Dempster, terceiro.

Veloso, vencedor da Volta a Portugal em 2014 e 2015, terminou no primeiro grupo de perseguidores, mantendo a camisola amarela, com 15 segundos de vantagem sobre o seu companheiro de equipa João Rodrigues e 22 em relação a Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano).

Na terça-feira, o pelotão da Volta cumpre o dia de descanso 81.ª edição, que vai ser retomada na quarta-feira, com os 189,2 quilómetros da sexta etapa, entre Torre de Moncorvo e Bragança.

Alfa/Lusa.

Mês de julho foi o mais quente alguma vez medido em todo o mundo

O mês de julho, marcado por uma excecional onda de calor na Europa, foi o mês mais quente alguma vez medido no mundo, um pouco acima do mês de julho de 2016, de acordo com dados do serviço europeu Copernicus sobre mudanças climáticas.

“O mês de julho é geralmente o mês mais quente do ano no mundo, mas de acordo com os nossos dados [o mês de julho de 2019] é também o mês mais quente alguma vez já medido”, disse hoje, em comunicado, o responsável pelo Copernicus, Jean-Noël Thépaut.

Apontou que “com a continuação das emissões de gases de efeito de estufa e o impacto global das temperaturas, os recordes continuarão a ser batidos”.

Segundo dados do Copernicus, o mercúrio subiu 0,04º em julho, acima do recorde anterior de julho de 2016, ano marcado pela influência do fenómeno atmosférico-oceânico El Nino.

O mesmo comunicado refere que esta subida é tão pequena que é possível que outras organizações de referência, que recolhem e analisam dados com outros métodos, não cheguem à mesma conclusão.

A Agência Atmosférica dos Estados Unidos ainda não publicou as suas conclusões para o mês de julho.

De acordo com o Copernicus, a temperatura em julho de 2019 foi 0,56º centigrados acima da média do período 1981-2000, quase 1,2º centigrados acima do nível pré-industrial, a linha de base dos especialistas em clima das Nações Unidas.

O mês de julho foi particularmente marcado por uma onda de calor curta, mas muito intensa, na Europa Ocidental, onde vários países, como a Alemanha, Bélgica ou Holanda, quebraram o seu recorde absoluto de calor.

O mesmo serviço refere que as temperaturas estão acima do normal no Alasca, Gronelândia e partes da Sibéria, bem como na Ásia Central e partes da Antártida.

“Sempre houve verões quentes, mas este não é o verão da nossa juventude, não é o verão dos nossos avós”, comentou, há alguns dias, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

A Organização Meteorológica Mundial estima que 2019 fique no top 5 dos anos mais quentes, enquanto o serviço Copernicus referiu que não só 2019 tem sido um ano particularmente quente, com todos os meses do ano a estarem entre os mais quentes e o mês de julho o mais quente alguma vez medido.

Alfa/Lusa.

URIBE E O FC PORTO: «AGRADEÇO ESTA OPORTUNIDADE»

O reforço Matheus Uribe (ex-América) deixou uma curta mensagem de agradecimento nas redes sociais do FC Porto por ter assinado pelos dragões.

«Estou muito contente por chegar ao FC Porto e agradeço esta oportunidade», afirmou Uribe, em declarações no Twitter do FC Porto.

 

https://twitter.com/FCPorto/status/1158360975034241024

 

O FC Porto oficializou a contratação do internacional colombiano Matheus Uribe (ex-América), que assinou por quatro temporadas, ou seja, até 2023.

Competições UEFA. Basaksehir e Olympiacos possíveis adversários do FC Porto nos ‘play-offs’

O FC Porto, caso ultrapasse o Krasnodar, vai defrontar os turcos Basaksehir ou os gregos do Olympiacos, de Pedro Martins, nos ‘play-offs’ de apuramento para a Liga dos Campeões de futebol, ditou o sorteio hoje realizado.

Os ‘dragões’ defrontam o conjunto russo na terceira pré-eliminatória, com a primeira mão a disputar-se na quarta-feira, na Rússia, e a segunda em 13 de agosto, no Porto.

Os vice-campeões portugueses nunca jogaram contra o Basaksehir, mas já encontraram o Olympiacos em seis ocasiões, todas na fase de grupos da ‘Champions’, levando desvantagem no confronto direto.

O FC Porto jogou em três temporadas seguidas frente ao conjunto agora treinado pelo português Pedro Martins, contando três derrotas, duas vitórias e um empate.

Além de Sérgio Conceição, no FC Porto, e Pedro Martins, no Olympiacos, há ainda outro treinador português nas fases preliminares da ‘Champions’, Abel Ferreira no PAOK, que, caso afaste o Ajax (Holanda), vai encontrar o APOEL (Chipre) ou o Qarabag (Azerbaijão).

Os encontros dos ‘play-offs’ estão marcados para 20 ou 21 de agosto e para 27 ou 28 de agosto.

Na Liga Europa, o Sporting de Braga vai enfrentar os suíços do Thun ou os russos do Spartak Moscovo nos ‘play-offs’, caso chegue a esta fase.

Os bracarenses vão disputar o primeiro jogo da ronda de acesso à fase de grupos fora e o segundo em casa, caso afastem os dinamarqueses do Brondby, que vão defrontar na quinta-feira e em 15 de agosto, na terceira pré-eliminatória.

Já o Vitória de Guimarães vai defrontar os romenos do FCSB ou os checos do Mladá Boleslav, nos ‘play-offs’ da Liga Europa de futebol, caso supere a terceira pré-eliminatória.

Caso superem na terceira pré-eliminatória os letões do Ventspils, que vão defrontar na quinta-feira e em 14 de agosto, os vimaranenses iniciam os ‘play-offs’ como visitantes e disputam o segundo jogo em casa.

Os jogos da derradeira fase de acesso aos grupos da Liga Europa estão marcados para 22 e 29 de agosto.

 

Alfa/Lusa.

PR Marcelo na Alemanha. Emigrantes também querem reforço do Ensino do português

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que visitará a Alemanha entre quarta e sexta-feira, vai encontrar uma comunidade portuguesa “muito diversa” e “mais consolidada”, admite Alfredo Stoffel, conselheiro das comunidades. Mas quem emigrou para a Alemanha não tem só coisas boas a dizer e Marcelo vai encontrar críticas, principalmente no que toca aos tempos de espera nos consulados e às falhas no ensino da língua portuguesa.

Foto TIAGO PETINGA/LUSA

Alfa/Lusa

É a segunda visita de Marcelo Rebelo de Sousa à Alemanha, enquanto chefe de Estado, e, tal como em 2016, terá novamente um encontro com a comunidade portuguesa. Mas, de acordo com Alfredo Stoffel, não há « grandes diferenças » nos últimos três anos.

« Vem menos gente para a Alemanha e temos uma comunidade mais consolidada. Quem veio, e procurou sítio para trabalhar, conseguiu-o. Este é um país que, embora tendo algum desemprego, tem falta de mão de obra, sobretudo qualificada. O mercado de trabalho está apto a receber pessoas bem formadas, quadros médios e superiores e, para quem procura isso, a Alemanha continua a ser um país atrativo », revelou o conselheiro das comunidades portugueses, em declarações à agência Lusa.

A emigração portuguesa para a Alemanha registou, este ano, o valor mais baixo desde 2011. Segundo o Observatório da Emigração, 7200 portugueses fixaram-se na Alemanha, em 2018, um valor que confirma a tendência de decréscimo dos últimos anos.

« Temos uma comunidade muito diversa e que varia consoante as regiões. Em Berlim, por exemplo, estão os novos emigrantes. Há também uma comunidade ‘mais clássica’, na segunda e terceira geração, que se adaptou à região onde vive, e com filhos que já são luso-alemães. É uma comunidade muito variada e enquadrada na sociedade », destaca Alfredo Stoffel.

Marcelo Rebelo de Sousa vai estar na Alemanha nos dias 7, 8 e 9 de agosto, a convite do homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier. Entre outros pontos da agenda, está uma receção à comunidade portuguesa na residência do embaixador de Portugal na Alemanha, João Mira Gomes, durante a qual Alfredo Stoffel espera poder abordar alguns temas.

« Penso que o Estado português tem de dar atenção à situação dos reformados e dos que se querem reformar, temos de ter uma boa justiça fiscal, perceber porque é que existem ainda casos de dupla tributação (…), valorizar ainda mais o português como língua estrangeira e também como língua curricular nas escolas alemãs », sustenta.

Alfredo Stoffel mostra-se satisfeito com o trabalho que tem sido levado a cabo pelo Governo português em relação às comunidades portuguesas no estrangeiro, sublinhando a importância de o valorizar e de o tentar melhorar quando não corre tão bem.

« Acho que este Governo olhou para as comunidades com olhos de ver, apesar de sabermos que não podem fazer tudo. Além disso há uma boa sintonia entre o Presidente da República e o primeiro-ministro », sublinhou.

« É importante ver os que saem como uma mais-valia para Portugal. Nós, apesar de não estarmos no país, trabalhamos e fazemos muito por Portugal, não somos piores nem melhores que os que decidiram ficar, e que sofrem na pele problemas como o desemprego ou os baixos ordenados. A comunidade é algo vivo, um prolongamento do país », defendeu Alfredo Stoffel.

Marcelo Rebelo de Sousa vai deslocar-se a Berlim e a Rostock, na sua segunda visita à Alemanha, entre 7 e 9 de agosto. Segundo a Presidência da República, esta deslocação pretende « consolidar as relações bilaterais entre Portugal e a Alemanha, dando continuidade ao nível de excelência que caracteriza o relacionamento entre os dois países em todas as dimensões. »

COMUNIDADE QUER REFORÇO NO ENSINO DO PORTUGUÊS

Representantes da comunidade portuguesa na Alemanha vão pedir quarta-feira ao Presidente da República que Portugal reforce a aposta no ensino da língua portuguesa e no associativismo, visando manter a ligação dos lusodescentes ao país de origem.

« Apostar e desenvolver mais o ensino da língua materna para manter a ligação dos nossos jovens a Portugal » e « dar mais valor e apoio ao associativismo para manter e divulgar a cultura portuguesa na Alemanha » são as duas mensagens que Vítor Estradas, presidente de um dos ranchos folclóricos portugueses mais conhecidos da Alemanha, tem para transmitir ao Presidente da República.

Contactado pela Lusa, o ex-presidente da Federação das Associações Portuguesas na Alemanha (FAPA), que deixou de existir por falta de novos corpos diretivos, lamentou que nos últimos anos « muitos problemas tenham sido apresentados e discutidos, muito tenha sido prometido, mas pouco tenha sido cumprido ».

« Devíamos falar menos e agir mais (…) muitas vezes só se lembram da comunidade quando existe um interesse próprio. Acho bastante lamentável », comenta, sublinhando a necessidade de existir « uma maior participação na vida política, pois quem não vota, não conta », considerou.

« Como comunidade, não podemos estar sempre a protestar contra o Governo, o Presidente da República e os políticos quando não os votamos. Esse incentivo para votar tem de vir também de Portugal, tal como a distância até aos locais de voto deveria ser encurtada », defendeu por seu lado o presidente da Casa de Portugal em Bremerhaven, Daniel de Oliveira Soares.

O responsável elogiou o Presidente da República, afirmando que « muitas coisas têm mudado » desde que é chefe de Estado, « muitas para melhor », como por exemplo haver mais « permanências consulares ».

Contudo, defendeu a diminuição dos tempos de espera nos atendimentos telefónicos e presenciais no consulado ou a realização de conferências direcionadas às comunidades.

A Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha (ASPPA) também estará representada no encontro entre a comunidade portuguesa e o Presidente da República, marcado para quarta-feira, com a expetativa de transmitir ao chefe do Estado português a necessidade de o país fortalecer « as suas redes na diáspora científica ».

« Isto permitirá a criação de sinergias entre os dois países, não só na indústria, como também na academia, e permitirá um fluxo mais dinâmico de conhecimento e informação, podendo voltar a atrair portugueses na Alemanha de volta a Portugal », considerou a presidente da ASPPA, Sofia Figueiredo, destacando que aquele país continua a ser « um destino profissional atrativo para os portugueses ».

« Considero que as políticas que o Governo dinamiza em relação à diáspora, como por exemplo, o congresso mundial de redes da diáspora portuguesa, que teve lugar em julho, no Porto, de extrema importância para conhecer a comunidade emigrante, as suas forças e onde precisa de apoio », declarou.

Município brasileiro ensina que foi o espanhol Pinzón a descobrir o Brasil e não o português Álvares Cabral

Município brasileiro ensina que foi o espanhol Pinzón a descobrir o Brasil

Município brasileiro ensina que foi o espanhol Pinzón a descobrir o Brasil

Alfa/Lusa

Em Cabo de Santo Agostinho, município nordestino brasileiro, ensina-se às crianças que foi o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón quem descobriu o Brasil, contrariando a versão lecionada na maioria das escolas, de que foi o português Álvares Cabral.

Nesta cidade costeira, localizada no estado brasileiro de Pernambuco, não há espaço nas primeiras lições de História para o lusitano Pedro Álvares Cabral, porque, segundo explicou à agência Lusa a secretária municipal da Educação do Cabo, Sueli Lima Nunes, cerca de três meses antes da chegada do português a solo brasileiro, Pinzón atracava nas praias do Cabo de Santo Agostinho.

« 26 de janeiro de 1500, com o Tratado de Tordesilhas a dividir os países entre Espanha e Portugal, Vicente Yáñez Pinzón atraca aqui em Cabo de Santo Agostinho, dando-lhe o nome de ‘Santa María de la Consolación’. Porém, ele não se pôde apropriar desta terra devido ao tratado », afirmou Sueli Nunes, acrescentando que o atual nome da cidade foi dado pelos portugueses, aquando da sua chegada àquele território.

Num livro didático escolar a que a Lusa teve acesso, em que está descrita a história do Cabo de Santo Agostinho, desde o berço indígena até à atualidade, é uma pintura do busto de Pinzón que serve de entrada ao período dos descobrimentos.

« No livro ‘Terra Pernambucana’, de Mário Sette, há um capítulo intitulado « a primeira gaivota », no qual é descrita a grande odisseia de Vicente Yáñez Pinzón que teria avistado a terra em 26 de janeiro de 1500 (…) Há quem afirme não ser tão precisa esta data, mas terá sido entre 20 de janeiro e 20 de fevereiro de 1500″, descreve o manual escolar, sem mencionar Cabral, cuja chegada ao Brasil foi registada em 22 de abril de 1500.

Sueli frisa que não é apenas nos manuais escolares e livros didáticos que Pinzón surge como uma figura importante para os cabenses, habitantes daquele município. A memória do navegador espanhol está presente por toda a cidade, desde monumentos, livros, em nomes de lojas, e até em fachadas de padaria.

« Vicente Yáñez Pinzón é uma referência, e se essa referência está colocada na cidade do Cabo de Santo Agostinho, é assim que nós ensinamos, com essa construção. Até porque existe todo um referencial científico que comprova a chegada do espanhol aqui ao Cabo », salientou a secretária da Educação.

Assinado em 07 de Junho de 1494, o Tratado de Tordesilhas, firmado na cidade espanhola com o mesmo nome, determinou a divisão do mundo “descoberto e por descobrir” em duas partes, através de uma linha imaginária traçada a 370 léguas a oeste de Cabo Verde, de polo a polo, que garantiu os direitos de exploração das terras a oeste à coroa espanhola, e a leste a Portugal.

Cerca de seis anos após a assinatura do Tratado, os irmãos espanhóis Pinzón organizaram uma frota, com quatro caravelas, comandadas por Vicente Pinzón e partiram no sentido Oeste. Em meados de janeiro chegaram ao cabo de Santo Agostinho, na costa de Pernambuco. Sabendo que estavam em terras portuguesas, e tendo em conta o acordo firmado em Tordesilhas, o navegador espanhol rumou para norte, segundo a plataforma ‘online’ Ebiografia.

Porém, há historiadores que afirmam que a terra denominada de ‘Santa Maria de la Consolación’ por Pinzón era afinal a ponta do Mucuripe, em Fortaleza, no estado do Ceará, e não o Cabo de Santo Agostinho, tese que é defendida no livro « Vicente Pinzón e a Descoberta do Brasil », do jornalista Rodolfo Espínola, e pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen.

Teoria essa que em nada afeta a devoção dos cabenses pelo espanhol.

« Pinzón ficou cá por poucos dias, devido ao tratado com Portugal, mas apesar do pouco tempo, foi bastante significativo para todos nós », reforçou a secretária, que mestre em Ciências da Educação.

O navegador dá ainda nome a um festival no Cabo de Santo Agostinho, que se realiza em 26 de janeiro, data em que os cabenses estimam que o navegador espanhol tenha pisado uma ponta de terra que avança sobre o mar, hoje chamada de Vila da Nazaré, por influência dos portugueses.

Em entrevista à agência Lusa, o prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Clayton da Silva Marques, revelou que há um interesse turístico por parte da autarquia local em explorar a imagem de Pinzón, nomeadamente na tentativa de atrair público de língua espanhola.

« O Brasil foi descoberto aqui no Cabo de Santo Agostinho. Então, aproveitamos o dia 26 de janeiro para fazer uma grande comemoração. (…)Fizemos um festival com dança flamenca, com elementos culturais espanhóis, mostrando os pontos turísticos do município. É um momento muito importante », declarou o governante local.

Em 2002, o agora ex-deputado brasileiro João Feu Rosa apresentou à Câmara dos Deputados um projeto de lei que visava alterar a data oficial do Descobrimento do Brasil de 22 de abril de 1500 para 26 de janeiro de 1500, momento em que Pínzón chegou ao país sul-americano. Porém, até ao momento, o projeto não foi aprovado.

Supertaça. Benfica goleia Sporting (5-0) e conquista oitavo título

O Benfica venceu hoje pela oitava vez a Supertaça portuguesa de futebol, ao golear o Sporting por 5-0 no Estádio Algarve, conquistando o troféu inaugural na época 2019/20.

 

 

Os golos de Rafa, aos 40 minutos, Pizzi, aos 60 e 75, Grimaldo, aos 64, e Chiquinho, aos 90, permitiram à equipa treinada por Bruno Lage alcançar o triunfo mais volumoso sobre o rival lisboeta em 33 anos (reeditando o 5-0 de 1986) e igualar o número de títulos do Sporting, que terminou reduzido a 10 jogadores, devido à expulsão de Doumbia, aos 89.

O Benfica equilibrou também o histórico de confrontos com o Sporting em jogos da Supertaça, com dois triunfos para cada lado (as ‘águias’ impuseram-se em 1980 e 2019 e os ‘leões’ em 1987 e 2015), numa prova dominada pelo FC Porto, com 21 troféus, mais do que todas os outros vencedores juntos.

Alfa/Lusa.

Volta a Portugal. João Rodrigues vence na Torre e Gustavo Veloso reforça liderança

O ciclista João Rodrigues (W52-FC Porto) venceu hoje a quarta etapa da Volta a Portugal, que terminou com a subida emblemática à Torre e permitiu ao espanhol e colega de equipa Gustavo Veloso reforçar a liderança.

João Rodrigues completou em 4:20.36 horas os 145 quilómetros da tirada entre Pampilhosa da Serra e Torre, com uma escalada final de 19,7 quilómetros em plena Serra da Estrela, batendo por um segundo Gustavo Veloso e por cinco Jóni Brandão (Efapel), segundo e terceiro classificados.

Gustavo Veloso, vencedor da Volta a Portugal em 2014 e 2015, reforçou no comando da classificação geral individual, passando a dispor 13 segundos de vantagem sobre João Rodrigues e 20 sobre o espanhol Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano), que subiram ao segundo e terceiro lugares.

Na segunda-feira realiza-se a quinta etapa da 81.ª edição da Volta a Portugal, entre Oliveira do Hospital e Guarda, na extensão de 158 quilómetros, com três metas volantes e duas contagens de montanha, em Canas de Senhorim (terceira categoria) e Guarda (segunda).

Alfa/Lusa.