Rui Rio: « Medidas para regresso de emigrantes a Portugal são insuficientes »

Medidas para regresso de emigrantes a Portugal insuficientes se salários continuarem baixos, diz o líder do PSD, Rui Rio

O presidente do PSD, Rui Rio, acredita que as medidas criadas pelo governo para incentivar o regresso de emigrantes a Portugal serão insuficientes se os salários forem mais baixos do que nos países onde atualmente vivem.

« Compreendo que o governo queira ter medidas que facilitem o regresso a Portugal. Não há nada a dizer contra isso. Mas há uma verdade que é indesmentível: as pessoas só regressam a Portugal, vindas do Reino Unido ou de outro lado qualquer, se Portugal estiver capaz de oferecer empregos e salários em melhores condições do que aquilo que oferece agora », disse à agência Lusa.

Rui Rio falava no final de uma visita de dois dias no fim de semana passado a Londres.

« A taxa de desemprego baixou substancialmente, é indiscutível, no entanto o tipo de emprego e os salários oferecidos são muito baixos », vincou, defendendo medidas que incentivem o investimento privado e tornem a economia mais competitiva.

« Chamar outra vez para Portugal os portugueses que saíram durante a troika e pós-troika só com melhores condições de trabalho, por mais e melhores que sejam os benefícios fiscais que, entretanto, possamos dar », insistiu.

« Aconselho os portugueses a voltar para Portugal, como é evidente. Depois cada um tem o seu comportamento individual que temos de respeitar. E se alguém me diz, ganho duas mil libras e se for para Portugal ganho mil euros, convenhamos, que argumentos é que pode levar a pessoa outra vez para Portugal? », justificou.

Na opinião do presidente do PSD, « para pagar substancialmente mais é preciso políticas económicas que levem a que, a médio prazo, não é a curto nem a longo, mas a médio prazo a economia portuguesa seja mais robusta, seja mais forte e seja capaz de pagar esses melhores salários, seja capaz de pagar a dívida pública e seja capaz de ter um Orçamento do Estado mais forte que possa pagar melhores salários aos funcionários públicos ».

O governo introduziu o « Programa Regressar » destinado a atrair a Portugal nacionais que saíram do país depois de 2015, permitindo-lhes que durante um período de 5 anos paguem IRS apenas sobre 50% dos rendimentos de trabalho.

O regime especial destina-se aos ex-residentes desde que não tenham vivido em Portugal nos últimos três anos anteriores (para quem aderir em 2019, esses anos são 2016, 2017, 2018) e que regressem em 2019 ou 2020.

Consagra também a criação de incentivos que vão reduzir os custos do regresso de emigrantes a Portugal e a comparticipação em despesas relacionadas com o transporte de bens, além da realização de « feiras de emprego ».

Serão igualmente concedidas comparticipações « nas custas » em Portugal relacionadas com eventuais reconhecimentos de habilitações literárias e qualificações profissionais.

 

Ex-Padre em Gentilly, Paris, suspeito de abusos sexuais, está desaparecido há nove meses

Padre suspeito de abusos sexuais continua desaparecido. Bispo do Funchal não o consegue interrogar.

Um texto de João Francisco Gomes e Sónia Simões, no Observador

Afastado pelo bispo do Funchal no verão de 2018, o padre Anastácio Alves (que exerceu sacerdócio em Gentilly, Paris) está desaparecido há nove meses. A diocese está a investigá-lo, mas não consegue localizá-lo para o interrogar.

O padre Anastácio Alves foi denunciado três vezes por abusos sexuais. Os dois primeiros processos acabaram arquivados.

Nove meses depois de ter sido afastado de uma paróquia de emigrantes portugueses em Paris por suspeitas de abuso sexual de menores, o padre madeirense Anastácio Alves continua desaparecido e a diocese do Funchal ainda não conseguiu contactá-lo para a investigação interna que está a fazer relativamente à denúncia anónima que recebeu contra o sacerdote.

Em 2005 e 2007, Anastácio Alves já tinha sido investigado pela Polícia Judiciária, na sequência de duas denúncias por abuso sexual — mas ambos os processos acabaram arquivados. Na altura, a diocese, liderada pelo bispo D. Teodoro de Faria, nada fez quanto às denúncias, limitando-se a atribuir a Anastácio Alves novas funções, primeiro noutra paróquia e depois noutro país.

Só à terceira denúncia, em 2018, a diocese, já com novo bispo, reagiu a uma denúncia contra ele, como relatou o Observador numa das partes da investigação “Em Silêncio“, sobre a forma como a Igreja em Portugal lidou com denúncias de abusos sexuais, publicada em fevereiro.

Anastácio Alves foi afastado temporariamente pelo então bispo do Funchal, D. António Carrilho, em junho do ano passado, depois de a diocese madeirense ter recebido uma carta anónima que dava conta de alegados abusos sexuais cometidos pelo sacerdote contra uma criança. O alegado crime teria acontecido numa das deslocações frequentes que o padre, destacado para o apoio aos emigrantes portugueses em França, fazia à sua ilha natal.

O padre acatou a ordem de D. António Carrilho e deixou o serviço da paróquia de Gentilly, sendo substituído pelo padre Leandro Garcês, que entrou ao serviço a 24 de junho de 2018. Porém, desde essa altura que ninguém sabe de Anastácio Alves. O sacerdote está suspenso temporariamente enquanto decorre a investigação prévia que está a ser feita internamente pela diocese do Funchal, de acordo com as normas do Direito Canónico.

Mas a diocese não consegue encontrar o sacerdote para o ouvir no âmbito desta investigação, e essa é “uma das grandes dificuldades” que estão a atrasar o processo, segundo disse ao Observador o gabinete do novo bispo do Funchal, D. Nuno Brás, que entrou em funções no mês passado.

Porque se justifica a homenagem a Tabucchi esta quarta-feira na Gulbenkian de Paris. Crónica de Miguel Magalhães

Antonio Tabucchi e Portugal. O grande escritor italiano – que dizia:  « Portugal é a pátria que eu escolhi » –  é homenageado  esta quarta-feira na Gulbenkian de Paris. Volte a ouvir aqui a crónica desta segunda-feira, de Miguel Magalhães, diretor da delegação em França:

Moçambique: Conan Osiris, Salvador Sobral e mais 40 artistas em espetáculo solidário em Lisboa

Ciclone Idai: Salvador Sobral, Conan Osiris, Ana Moura, Sara Tavares e Gisela João entre os artistas de espetáculo solidário em Lisboa.

Idai: Salvador Sobral e Conan Osiris entre os artistas de espetáculo solidário em Lisboa

Alfa/Lusa

Os cantores Salvador Sobral, Dino D’Santiago e Conan Osiris e as fadistas Ana Moura e Gisela João estão entre os mais de 40 artistas que atuam a 02 de abril no Capitólio, em Lisboa, num espetáculo solidário com Moçambique.

As receitas do espetáculo “Mão dada a Moçambique”, que será transmitido em direto na RTP1 e na Antena1, revertem integralmente para as associações que prestam assistência em Moçambique às vítimas do ciclone Idai.

A lista completa dos mais de 40 artistas que vão passar pelo Capitólio na noite de 02 de abril, hoje divulgada pela promotora do espetáculo, integra: Ana Moura, André Cabaço, André Tentugal, Benjamim, Best Youth, Celina da Piedade, Conan Osiris, Costa Neto, Couple Coffee, Cristina Branco, D’Alva, Dino D’Santiago, Elisa Rodrigues, Elas e o Jazz, Gisela João, Golden Slumbers, Gospel Collective, Héber Marques, Isabel Novella, Joana Alegre, Joana Barra Vaz, Jónatas Pires, Luisa Sobral, Karyna Gomes, Márcia, Maria João, Marta Ren, Matay, Mistah Isaac, Moullinex, Nina Fung, Noiserv, Paulo Flores, Rita Redshoes, Rodrigo Leão, Salvador Sobral, Samuel Úria, Sara Tavares, Señoritas, Surma, Susana Travassos, Tatanka, The Legendary Tigerman, Uxía e We Trust.

A ideia do espetáculo partiu da cantora de origem moçambicana Selma Uamusse, que “mobilizou, em 24 horas, dezenas de artistas e recursos humanos, técnicos e logísticos, para a realização de um espetáculo”.

O espetáculo tem início pelas 21:00, “com os artistas a interpretarem um ou dois temas, a solo ou acompanhados por outros artistas, em formato acústico”.

A transmissão de “Mão dada a Moçambique” pela RTP (Rádio e Televisão de Portugal) encerra “a emissão especial sobre Moçambique, que terá início nesse dia às 10:00, hora a que serão abertas as linhas para chamadas de valor acrescentado, assim como o ‘call center’, destinado a assistir e esclarecer pessoas que estão fora de Portugal e/ou que queiram doar um valor superior”.

A partir de hoje, estão à venda três categorias de bilhetes para o espetáculo: um bilhete geral (20 euros) e bilhetes-donativo (20 e 30 euros) que não dão acesso ao espetáculo e “destinam-se a pessoas, famílias, empresas e organizações, nacionais ou internacionais que, não querendo ou podendo assistir ao espetáculo, pretendem contribuir”.

Além disso, estará à venda no Capitólio a edição especial da revista Visão “Moçambique no Coração”, com um custo de 2,5 euros, “cuja totalidade das verbas será doada à missão da Cruz Vermelha em Moçambique”.

As receitas do espetáculo irão reverter para sete instituições – AMI – Fundação de Assistência Médica Internacional; Cáritas Portuguesa; Cruz Vermelha Portuguesa; Médicos Sem Fronteiras; Associação HELPO; Fundação Girl Move, a ACRAS – associação cristã de reinserção e apoio social e a Iris Relief -, que “estarão representadas no Capitólio e os respetivos porta-vozes darão conta do que já estão a fazer no terreno e o que preveem fazer a médio e longo prazo”.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui fez pelo menos 761 mortos, segundo os balanços oficiais mais recentes.

Em Moçambique, o número de mortos confirmados subiu hoje para 447, no Zimbabué foram contabilizadas 259 vítimas mortais e no Maláui as autoridades registaram 56 mortos.

O ministro da Terra e do Ambiente moçambicano, Celso Correia, sublinhou hoje que estes números ainda são provisórios, já que à medida que o nível da água vai descendo vão aparecendo mais corpos.

O número de pessoas afetadas em Moçambique subiu para 531.000 e há 109.000 entradas em centros de acolhimento, das quais 6.500 dizem respeito a pessoas vulneráveis – por exemplo, idosos e grávidas que recebem assistência particular.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que está a preparar-se para enfrentar prováveis surtos de cólera e outras doenças infecciosas, bem como de sarampo, em extensas zonas do sudeste de África afetadas pelo ciclone Idai, em particular em Moçambique.

O ciclone afetou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nos três países africanos e a área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março.

Fernando Santos. «O ÁRBITRO PEDIU-ME DESCULPA»

Fernando Santos entrou nas entrevistas rápidas revoltado com o lance no qual foi retirada uma grande penalidade à Seleção.

«O árbitro convidou-me para ir à cabine analisar os lances. Não temos dúvidas, era penalti. Ele pediu-me desculpa, mas agora não serve de nada», começou por dizer o Selecionador Nacional. «O culpado não foi ele, mas ninguém a 40 metros pode dar uma indicação que não é grande penalidade. Eu disse ao árbitro que a culpa era daquele senhor (n.d.r. o árbitro auxiliar).

O técnico acabou por falar sobre a necessidade de o vídeo-árbitro estar presente na competição. «Isto não é uma questão de caráter, é uma questão de erro. O VAR tem de estar em todos os jogos, já no último jogo aconteceu isto, tivemos um penalti no final do encontro», concluiu.

Alfa/aBola.

 

França goleia Islândia (4-0) e soma segunda vitória na qualificação para Euro2020

A seleção francesa de futebol goleou a sua congénere da Islândia por 4-0, na segunda jornada da qualificação para o Euro 2020.

Samuel Umtiti abriu a contagem aos 12 minutos, com os restantes golos a chegarem apenas no segundo tempo. Olivier Giroud marcou aos 68’, Kyllian Mbappé ampliou dez minutos depois e Antoine Griezmann estabeleceu o resultado final a seis minutos dos noventa.

A França lidera assim o grupo H, com os mesmos 6 pontos da Turquia e mais três que a Albânia, que venceu por 3-0 a seleção de Andorra.

 

Resultados grupo H:

Turquia 4-0 Moldávia

França 4-0 Islândia

Andorra 0-3 Albânia

 

Classificação:

1. França 6 pontos / 2 jogos

2. Turquia 6 / 2

3. Albânia 3 / 2

4. Islândia 0 / 2

5. Andorra 0 / 2

6. Moldávia 0 / 2

Portugal soma face à Sérvia segundo empate na qualificação para Euro2020

A seleção portuguesa de futebol somou hoje a segunda igualdade em outros tantos encontros no Grupo B de qualificação para o Europeu de 2020, ao empatar 1-1 com a Sérvia, no Estádio da Luz, em Lisboa.

Três dias depois do ‘nulo’ com a Ucrânia, no mesmo local, Portugal esteve a perder, por culpa de uma grande penalidade concretizada por Dusan Tadic, aos sete minutos, conseguindo chegar à igualdade aos 42, por Danilo Pereira.

Em dia de 156ª internacionalização ‘AA’, o capitão Cristiano Ronaldo saiu lesionado aos 30 minutos, devido a uma lesão muscular.

 

– Resultados:

Portugal – Sérvia, 1-1

Luxemburgo – Ucrânia, 1-2

 

Classificação: Jogos – Pontos

1. Ucrânia 2 – 4

2. Luxemburgo 2 – 3

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3. PORTUGAL 2 – 2

4. Sérvia 1 – 1

5. Lituânia 1 – 0

 

Próximos Jogos:

– Sexta-feira, 07 jun:

Ucrânia – Sérvia, 20:45

Lituânia – Luxemburgo, 20:45

 

– Segunda-feira, 10 jun:

Ucrânia – Luxemburgo, 20:45

Sérvia – Lituânia, 20:45

 

Nota: Os dois primeiros classificados do Grupo B qualificam-se diretamente para a fase final do Euro2020, tal com os dois primeiros dos restantes nove grupos de apuramento. Caso não consigam o apuramento direto, Portugal, Sérvia e Ucrânia, por terem vencido os seus grupos da Liga das Nações, têm lugar assegurado no ‘play-off’, que atribui as últimas quatro vagas.

 

Alfa/Lusa.

« Temos as portas abertas para receber estudantes lusodescendentes em Portugal ». Som.

Jornadas Estudar e Investigar em Portugal 2019. 

« Temos as portas abertas nas nossas Universidades para receber os lusodescendentes », disse em Paris, neste fim de semana, o Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira. Ouça aqui um extrato das suas declarações:

 

 

Leia também um extrato do comunicado oficial sobre o programa Estudar e Investigar em Portugal 2019: 

 

« As “Jornadas Estudar e Investigar em Portugal 2019” (…) têm como objetivo divulgar as oportunidades de ingresso e frequência no ensino superior português para emigrantes e lusodescendentes, nomeadamente através do contingente especial para candidatos emigrantes portugueses e familiares que com eles residam do Concurso Nacional de Acesso, para os quais estão reservadas 7% das vagas a concurso na 1.ª fase, ou através dos concursos locais e institucionais.

(…)

 Adicionalmente estão planeadas outras ações para as cidades de Joanesburgo, Pretória, Hamburgo, Bruxelas e Genebra, e as regiões de Bordéus, Toulouse e Paris, em França, e nos Estados Unidos da América. Prevê-se igualmente a realização de ações promocionais em outros países com comunidades portuguesas significativas.

(…) 

As Jornadas enquadram-se na iniciativa Estudar e Investigar em Portugal (Study & Research in Portugal), promovida pelo Governo português em cooperação com as instituições de ensino superior, ciência e tecnologia, com o intuito de contribuir para a consolidação e expansão destes sistemas, para o aumento da sua competitividade e para a sua integração em redes de referência internacionais. A iniciativa compreendeu a criação de uma plataforma de divulgação do ensino superior e investigação em Portugal (study-research.pt), servindo como instrumento fundamental no esforço integrado de promoção e internacionalização do país nesta área. »

Leia mais em artigo relacionado no site da Rádio Alfa

“Não morremos porque não calhou”. 7 portugueses repatriados de Moçambique chegaram a Lisboa

“Não morremos porque não calhou”. Portugueses que pediram para ser repatriados chegaram a Lisboa na madrugada desta segunda-feira.

Fotos/ ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Alfa/com Lusa e outras fontes

Maria Lopes, um dos sete repatriados que regressaram esta segunda-feira a Portugal, vindos de Moçambique, referiu que « ninguém estava à espera » das consequências do ciclone Idai, que provocaram até agora a morte de 446 pessoas no país.

« Não dá para contar. Árvores inteiras a cair em cima dos telhados. Mas árvores centenárias, não é uma árvore qualquer. Não é dessas pequeninas que nós vemos. São árvores centenárias, árvores que partem logo uma casa, se for preciso », relatou Maria Lopes, acrescentando que, na cidade da Beira, « ninguém estava à espera disto ».

À saída do avião fretado pelo Governo português para trazer sete cidadãos nacionais emigrados em Moçambique, e que aterrou na base militar de Figo Maduro, em Lisboa, por volta da 1h00, Maria Lopes ouviu umas breves palavras de conforto do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

« Vocês não imaginam o vento que foi », disse a portuguesa sobre o ciclone, depois de abandonar o Boeing 767-300ER da EuroAtlantic que saíra de Moçambique às 13h00 (11h00 em Portugal).

Natural de Lamego, mas com grande parte da vida vivida em Almada, Maria Lopes partilhou a sua experiência com a passagem do Idai por Moçambique, onde estava há cinco anos.

« Começou a chover. Depois, durante a noite, até à meia-noite, [foi] muito agressivo e parecia que aquilo ia abrandar, mas depois, até perto das quatro da manhã não dá. O vento virou ao contrário, era só levantar tudo, telhados, tudo », contou.

A passagem do Idai, que inundou uma área de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, só em Moçambique, levou a que a habitação de Maria Lopes ficasse sem água e luz.

« Nós não morremos porque não calhou », referiu aquela que é uma das 2,8 milhões de pessoas afetadas pelo ciclone que atingiu Moçambique, Maláui e Zimbabué e cujo mais recente balanço diz ter causado a morte de pelo menos 761 pessoas.

Maria Lopes conta que ficou « sem nada », e que, por isso, a solução passou por regressar a Portugal. « A solução foi virmos embora para aqui, para o nosso país. Ficámos sem nada », disse. Maria Lopes regressou hoje, com o seu marido, doente, e com o seu neto, de 15 anos.

« O marido está doente. Fomos lá (…) ao médico e fizeram um relatório que ele tinha de voltar à terra natal e, uma vez que o Governo abriu esta porta, nós aproveitamos », explicou a portuguesa. Para trás ficaram um filho, uma nora e « uma netinha ».

« Eles estão lá ainda porque ele casou com uma moçambicana e, então, se depois as coisas não estiverem a correr bem, depois irão para outro sítio, para casa da sogra, para o Nampula [província no norte de Moçambique que não foi afetada pelo ciclone Idai] », explicou.

Maria Lopes elogiou e agradeceu o trabalho do consulado português na região, que diz ter feito tudo o que podia. Agora, sublinha, quer « recuperar do trauma », confiante de que « tudo vai passar ».

No hangar para onde foi levada numa carrinha que transportava as suas malas e as dos seus marido e neto, Maria Lopes tinha familiares à sua espera.

« Tínhamos muitas saudades, mas o que interessa é que eles estão bem », disse, emocionada, um familiar depois de abraçar os repatriados.

Além de terem sido recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, os sete portugueses repatriados – cinco homens, uma mulher e um jovem de 15 anos – foram acompanhados por várias equipas do Instituto Nacional de Emergência Médica de Portugal (INEM) e da Segurança Social.

O número de pessoas afetadas em Moçambique pelo ciclone Idai subiu para 531 mil e há 109 mil entradas em centros de acolhimento, das quais 6.500 dizem respeito a pessoas vulneráveis – por exemplo, idosos e grávidas que recebem assistência particular.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que está a preparar-se para enfrentar prováveis surtos de cólera e outras doenças infecciosas, bem como de sarampo, em extensas zonas do sudeste de África afetadas pelo ciclone Idai, em particular em Moçambique.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março.

Nesta segunda-feira de manhã, ainda havia 12 portugueses na Beira que o consulado não conseguia contactar.

Presidente da China em França para promover a « Nova Rota da Seda »

Macron recebe Xi Jinping apelando para reforço do multilateralismo

Macron recebe Xi Jinping apelando para reforço do multilateralismo

O presidente francês Emmanuel Macron recebeu no domingo à noite o seu homólogo chinês na Riviera francesa, apelando ao « forte multilateralismo » numa altura em que Xi Jinping promove no seu périplo europeu o ambicioso programa de infraestruturas conhecido como « Nova Rota da Seda ».

« Estou muito feliz por receber o presidente Xi Jinping e sua esposa em França. Esta visita fortalecerá a nossa parceria estratégica e afirmará o papel da França, Europa e China na defesa de um forte multilateralismo », saudou Emmanuel Macron através da sua conta na rede social Twitter, poucos momentos depois de ter recebido Xi em Beaulieu-sur-Mer (Côte d’Azur) para um jantar privado.

Emmanuel Macron ofereceu ao seu homólogo uma tradução francesa de Confúcio datada do século XVII, um manuscrito que ilustra os primórdios da sinologia europeia e recebeu em troca um vaso precioso desenhado para a ocasião, que associa imagens alusivas aos dois países, incluindo um panda e um galo.

O Presidente francês, que está a tentar harmonizar a abordagem europeia face à China, ao mesmo tempo rival e parceira, juntou a Alemanha e a União Europeia à visita de Xi Jinping.

Numa altura em que a Europa questiona as ambições diplomáticas e comerciais da China, Xi e Macron irão encontrar-se na terça-feira em Paris com a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, numa das reuniões mais importantes desta visita.